domingo, 30 de junho de 2013

Este mês em leituras: Junho 2013

E termina Junho. Começou muito bem, entre livros, passeando pela Feira do Livro; e continuou ainda melhor, com muitas oportunidades para ler e para opinar sobre o que li. Não é uma tendência que se vá manter, imagino, já que vou ter o mês de Julho muito mais ocupado, mas veremos.

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Reached, Ally Condie - o fim de uma trilogia que fiquei a adorar, trouxe desenvolvimentos que não esperava, mas gostei imenso de onde nos levou (e aos personagens), e deixa a pensar.
  • A Escola Nocturna e A Escola Nocturna - O Legado, C.J. Daugherty - estes livros são viciantes! O primeiro fez-me lê-lo num instantinho, e o segundo deu comigo em doida... Mistério, uma escola internato, adolescentes a meterem-se em sarilhos e a fazerem de detectives... que mais podia pedir?
  • Shades of Earth, Beth Revis - outro final de uma trilogia que estava a seguir... a autora também me surpreendeu pelo rumo que as coisas tomaram, mas gostei imenso desse rumo.
  • Brave New World, Aldous Huxley - o autor criou aqui uma história fabulosa e muito interessante que dá que reflectir aos que a leiam.
  • The Pirate's Wish, Cassandra Rose Clarke - Ananna, a pirata destemida e resmungona, e Naji, o assassino misterioso e macambúzio, voltam e terminam a sua história em grande. Adorei, e fiquei fã da autora.

Outras coisas no blogue


Aquisições

As aquisições feitas na Feira do Livro estão aqui e aqui; seguem-se as restantes aquisições do mês.

Brave New World, Aldous Huxley
The Pirate's Wish, Cassandra Rose Clarke
O primeiro para uma leitura conjunta/desafio das distopias, e o segundo porque estava com muita vontade de ler.

Espera por Mim, Gayle Forman
Não te Conto o Meu Segredo, Samantha Young
Comprados com descontos em cartão e tal, custaram-me uns 4 euros. O primeiro nem sei que diga, porque apetece-me dar uma descasca em quem na Presença achou que era boa ideia deixar os leitores à espera 3 anos. O segundo, bem, estou curiosa com a autora, tenho lido elogios aos livros dela (não necessariamente este, mas outros). E no nosso mundo editorial chato, cheio de flores e cor-de-rosa e capas a copiar o 50 Shades, gostei do design desta capa. Deve ser uma chatice para arrumar nas livrarias, mas acho-a muito gira.

A Escola Nocturna, C.J. Daugherty
A Escola Nocturna - O Legado, C.J. Daugherty
Alguém abençoe a Fnac e as suas ofertas exclusivas do site, porque ainda lhes dá para ir oferecendo umas coisas de jeito, e é assim que eu me arrisco a ler em português certos livros que me suscitam curiosidade, mas que se não fosse a oferta se calhar nunca chegava a comprar o livro.

Terceira Campa em Frente, Darynda Jones
Acho que não preciso de dizer muito, estou a gostar muito desta autora, e estou a adorar a colecção.


A Paz Segundo Mafalda, Quino
Os Pais a Contas com Mafalda, Quino
A Política Segundo Mafalda, Quino
As Crises Segundo Mafalda, Quino
Hiper 6 e 7
Já li os livros da Mafalda, mas não vou contar como leituras, pois são tão pequeninos, e nem sequer parecem ter ISBN, por isso não são tecnicamente livros. Mas gostei imenso de matar saudades. Tive oportunidade de ler Mafalda quando era mais nova, pois a minha irmã tem um livro que colecciona todas as tiras; e foi bom constatar que esta miúda continua tão irreverente, certeira e actual como me lembrava.
As Hipers, bem, juntaram-se duas por ter havido um atraso na impressão e distribuição da primeira, e já não a consegui comprar no mês anterior. Quanto às Comix, parei de as comprar, estou a deixar o dinheiro que gastava nelas para outra coisa e na verdade, acho as Hipers mais satisfatórias, porque conseguem ter histórias mais longas.


A ler brevemente



E pelo segundo mês o Siege and Storm aparece nesta secção. Porquê? Porque os Correios estão a torturar-me e nunca mais mo entregam! O Brave New World foi enviado mais ou menos ao mesmo tempo e chegou uma semana depois; o The Pirate's Wish foi enviado uma semana depois e também já chegou; o Siege and Storm foi enviado há três semanas e meia e não há meio de chegar!

Eu suspiro todos os dias pela chegada da senhora carteira, mas nada, o raio do livro não me chega às mãos. Eu quero ler o Siege and Storm, por favoooor! E tendo em conta que da última vez que fiz um choradinho nesta secção acerca dum livro nunca mais chegar (Clockwork Princess), ele apareceu no dia seguinte...

Portanto, eu quero o Siege and Storm, eu quero o Siege and Storm, eu quero o Siege and Storm, eu quero o Siege and Storm, eu quero o Siege and Stooooooorm! /fim do choradinho, e pontos bónus para quem me disser quantas vezes aparece Siege and Storm no post.

Outros livros a ler: o Dearly, Beloved, da Lia Habel e o Imperfeitos, do Scott Westerfeld, são certezas, pois serão leituras conjuntas. Possibilidades são o Espera por Mim, da Gayle Forman (é tão pequenino que vai ser lido de certeza), o Não te Conto o Meu Segredo, da Samantha Young ou o Requiem, da Lauren Oliver (devia deixar de enterrar a cabeça na areia e lê-lo mesmo).

sábado, 29 de junho de 2013

The Lucky Ones, Anna Godbersen

This book was read for the 2013 Don't Let It End Reading Challenge hosted by Fiktshun.


My thoughts: Reading any book by Anna Godbersen is bound to be quite a whirlwind. There's the luxurious scenery, the parties, the presence of the rich, beautiful and famous, and the girls in the center of it all, hiding secrets and trying to make it. Both the Luxe series and this one are great at evoking the time in which the stories occur, and both are very good at not leaving me indifferent. I enjoy reading them, almost like a guilty pleasure, even if the main characters do drive me nuts.

The middle book of this trilogy, Beautiful Days, was the weakest of the three, and it actually managed to get me mad at everything in the book. I was frustrated with the Roaring Twenties' hedonism as it was shown, and I really hated two of the three main characters.

When I think about it, I still do hate and despise those characters. Astrid is still a vapid, indecisive girl who gets too easily distracted with shiny things, and Letty still is so, so dumb, and has everything handed over to her, not having to fight ever for anything she wants, not having the guts to try to achieve it. But there's some sort of evolution in them that I appreciated.

And I remember I kinda dislike a few of the main characters in the Luxe series, so disliking characters isn't necessarily a bad thing; it's probably a sign of good characterization, since not everyone is likeable. Well, as long as I can somewhat respect them and their motives in the end, I consider myself satisfied. And this time around, I was satisfied.

I didn't mention Cordelia. I do adore Cordelia, she's smart, sassy, brave and she sets out to do things she's never done before. Her ending... she didn't deserve it. The other girls got the endings they didn't deserve, and Cordelia didn't get the ending she did deserve. I mean, it's perfect, story-wise, but I hate her ending. I hate it with a burning passion.

Funnily enough, I kinda like most of the boys that surround these girls. Max is adorable, and I love his bond with Cordelia. Victor developed a cute crush on Astrid that became something more. And Grady, poor Grady, was pining throughout the whole trilogy for Letty.

Charlie is a moron, really, and a bully, and he uses his brawns instead of his brains, but I can see the allure of a personality like him. Valentine, on the other hand, was really too good to be true. As for Thom, even though I couldn't forgive him for his role in what happened to Darius, I managed to understand and I pitied him, in the end.

The story was much more engaging this time around, and I found myself devouring the pages to know what would happen. We got to see some new aspects of these characters' lives, and meet some new people. And it all ended with a bang... wow, I didn't think I'd get to see the consequences of bootlegging and the Prohibition, but I'm glad I did. It's not bootlegging until there's a shooting or two.

The epilogue was quite interesting. It evoked The Great Gatsby for me - I think that was probably the author's intention - because it had that sad, longing feeling of Nick's narration. I enjoyed it. Actually, I wished we got to see more of Billie, almost like she was a fourth girl, because she sounds awesome. And I wished that Billie got to tell the whole story, not just the first book's prologue and the last book's epilogue. I think she would have made as an interesting narrator as Nick: both not exactly in the middle of action, both describing to the reader a tragedy - the loss of an era.

Pages: 384

Publisher: Harper (HarperCollins)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Brave New World, Aldous Huxley


Opinião: Há livros que nos deixam sem saber muito bem o que dizer acerca deles. Este é um deles. Por um lado, porque é o tipo de livro que é melhor saboreado (quero dizer, lido) sem se saber grande coisa e sem ideias pré-concebidas, porque nada do que possamos imaginar pela sinopse ou pelas palavras de outros se aproxima do que se passa realmente no livro.

Por outro, porque não quero spoilar ninguém, o que será difícil. Suponho que para contribuir para isso posso já avisar para não lerem, nunca, introduções sobre este livro (ou outro qualquer), e muito menos lerem o "Foreword" (Prefácio) do autor, escrito em 1946. É que ambos estão muito mal colocados antes da história começar.

O Prefácio do autor, porque spoila o destino de um dos personagens. (Ser spoilada pela autor, especialmente depois deste já ter morrido, é muito mau.) E porque o autor reflecte, 14 anos após a publicação do livro, e tendo em conta a 2ª Grande Guerra e o pós-guerra, sobre o que teria mudado no livro se o escrevesse naquele momento. Faz muito mais sentido ler depois de conhecer o livro em si; devia ser um pósfácio. As introduções também não deviam ser introduções, pela mesma razão - fazem mais sentido lidas depois, não antes.

E serviço público e boa acção do dia terminados. Não se metam nas introduções, que elas enganam e não são introduções nenhumas.

A outra coisa que tenho a dizer... é que vergonha é não haver uma tradução disponível deste livro à venda nas livrarias. Sei que a Livros do Brasil o publicou no passado, mas tendo em conta que o livro já não se encontra em lado nenhum, parece-me que está esgotado. E um livro destes não o merece.

Há que dizer que a construção desta sociedade é genial. Revela um certo conhecimento sobre a natureza humana, mas depois inverte completamente os valores da sociedade. É fascinante e algo doentio (e também é um momento a tender para o info-dump, mas não se pode ser perfeito em tudo) ler sobre a linha de montagem de bebés, e tudo o que implica o condicionamento destes futuros integrantes da sociedade. Há algumas coisas que hoje são capazes de não fazer sentido, mas o autor pensou em tudo com um detalhe abismal.

A estruturação da sociedade em castas é muito interessante, especialmente pelo que leva a que se faça de diferente na "linha de montagem de bebés". Mas todos estão felizes com o seu lugar, porque foram condicionados para se sentirem felizes com o seu lugar. E a questão do sexo gera situações hilariantes, em comparação com os valores da nossa sociedade. Num mundo em que "todos são de todos", uma pessoa é censurada por ter apenas um parceiro, não vários, e as conversas entre a Fanny e a Lenina são muito divertidas de seguir neste aspecto.

O choque de culturas também é um dos aspectos cativantes de seguir. Primeiro na personagem da Linda, que se vê entre os "selvagens" e nunca se adapta à sua sociedade. (Suspeito que o condicionamento mata qualquer capacidade de adaptação que um humano tenha.) Depois no personagem do John, que é apresentado à civilização... quando tudo o que conheceu são os "selvagens" e os seus valores. O choque é grande, e a falta de compreensão entre as partes não o colmata.

Para além do John, gostei bastante de outros dois personagens. O Mustapha Mond pelas opções que tomou para ficar na posição que tem nesta sociedade. E o Bernard Marx porque, coitado, é visto como defeituoso, por não se encaixar bem naquela sociedade, mas seria um integrante perfeito da nossa. Cobarde, susceptível à fama, vira-casacas, choramingas... mas não consigo zangar-me com ele por causa disso.

A evolução da história tem um ritmo bom, até certo ponto, quando a vila dos "selvagens" é introduzida. O que é interessante de um certo ponto... contudo, é um acontecimento que quase me soou estranho à história, porque lhe dá uma volta inesperada, mas demasiado conveniente. É uma transição estranha. Podiam haver outras maneiras de levar o John à civilização sem afectar o que acontece depois disso.

Enfim... acho que já perceberam. Ide ler este livro, que só fazem bem. Suponho que há de haver alfarrabistas que o tenham em português, se bem que é capaz de ser difícil. (Na Feira do Livro não o vi em nenhum.) E o inglês é acessível, talvez um pouco mais complexo do que o normal, mas permite seguir bastante bem a história.

Nota: ainda não percebi porque é que a capa deste livro disponível por aí é branca. A minha cópia é mais de fundo prateado. Pelo menos, o ISBN da minha cópia leva-me sempre à capa branca. Excepto na Amazon. Pois, pelos vistos a cor cinzento-prateada fica muito mal quando se vê no ecrã do computador. Mas de resto, a capa é perfeita para a história.

Páginas: 288

Editora: Vintage (Random House)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Picture Puzzle #54


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: A Cup of Coffee and a Book #22 e #23.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título de romance histórico publicado em português; a autora é americana, mas o seu nome engana bem, e faz-nos pensar que é portuguesa.

Puzzle #2
Pista: título publicado em português de um autor espanhol.

Divirtam-se!

terça-feira, 25 de junho de 2013

3 anos...

... um título tão óbvio, eu sei, mas, ei, faço 3 anos de blog! *atira confettis* Estou a festejar o "blogoversário" no mesmo dia que no ano passado - não é o dia do primeiro post no blog, mas o primeiro dia em que se pode dizer que levei isto a sério; e acabo por gostar mais de festejar neste dia.

Já falei de como comecei o blog, e dos seus primeiros meses, nos posts dos aniversários anteriores, por isso pensei em fazer uma coisa um bocadinho diferente: duas listas - uma sobre as 5 coisas que aprendi com as minhas leituras, e outra sobre as 5 coisas que aprendi a blogar e a frequentar a internet literária.


5 coisas que aprendi com as minhas leituras

  1. Demasiados livros, para tempo e dinheiro tão escassos. Há que aprender a viver com isto, nunca poderemos ler tudo o que queremos ou que colocamos na wishlist. Mas por vezes dá vontade de provar o contrário.
  2. Descobri a minha "voz". Comparando com o modo como lia há três anos, acho que se pode dizer que hoje em dia quando leio um livro, especialmente num género com o qual estou à vontade, estou mais consciente das suas falhas a nível de escrita ou enredo. O resultado é estar mais à vontade a escrever sobre um livro, e sobre o que me agradou ou não agradou, levando a opiniões mais longas e mais fundamentadas.
  3. Não preciso de fingir que gostei de um livro só porque é um clássico ou um livro muito conhecido. Parece óbvio, mas às vezes sinto que as pessoas ficam muito chocadas quando alguém diz "não gostei", tratando-se dum clássico ou dum livro que tem um burburinho gigante de recomendações atrás. Lamento, mas gostos não se discutem, prometo que não vou julgar ninguém que me disser que não achou piada nenhuma ao Orgulho e Preconceito.
  4. Os preconceitos são uma coisa chata, e as generalizações ainda mais chatas. Foi quando me abri a ler fora duma certa zona de conforto que descobri, e redescobri, géneros que pensava não gostar. Basta o livro certo para nos converter. Ainda há géneros que não me convencem, mas não vou avaliar a macieira toda como estando estragada por ter comido uma maçã podre. Suponho que há géneros que nunca me vão convencer, mas enquanto há vida, há esperança.
  5. Sou uma pessoa melhor, mais compreensiva, e mais ciente do espectro de emoções humanas por causa da leitura. Parece lamechas, mas não há nada como um bom livro para nos colocar no lugar de outra pessoa, que sente de modo diferente, que passa por coisas diferentes, que reage de modos diferentes. E dessa maneira, posso apreender o mundo de um modo que me estaria vedado por ser eu própria, e não outrém. (Se é que isto fez sentido.)


5 coisas que aprendi a blogar e a frequentar a internet literária

  1. Regularidade. É difícil obrigar-me a aderir a uma rotina e a fazer uma coisa todos os dias, mas basta porem-me a falar de livros e a coisa muda logo de figura.
  2. Boa educação e respeito precisam-se. Não é porque estamos na internet, um local virtualmente anónimo, que temos o direito de ser mal-educados ou de fazer alguém sentir-se mal por gostar de ler o que quer que leia. Não temos o direito de enxovalhar autores - ou já agora, leitores que gostaram do livro - só porque não gostámos do livro. Não temos o direito de nos colocar numa posição de sobranceria só porque achamos que nós é que percebemos o que é bom ou mau. Todos temos uma opinião, mas o modo como a exprimimos faz toda a diferença.
  3. Abaixo os snobismos literários. A sério, já não há pachorra para isto. Eu aceito que alguém não goste dos géneros X, Y ou Z, ou dos livros A, B, e C - somos todos pessoas diferentes e não podemos gostar todos do mesmo, ou não haveria a variedade de histórias que há. Contudo, não aceito que se perpetuem preconceitos sem sequer ter lido o(s) livro(s)/género(s) em questão. Assumir que o livro/género é mau sem o ter lido é assim a modos que patético, e trollar as pessoas que gostam do livro/género sem o ter lido é ainda mais triste.
  4. Paciência e capacidade de encaixe. Seja a esperar pela publicação dum livro, ou por uma encomenda, ou a respirar fundo, revirar os olhos e ignorar uma pessoa que está claramente à procura de sarilhos.
  5. Há um mundo enorme de gente fabulosa que adora falar de livros como eu. E nunca mais estarei sozinha. Se quiser fangirlar acerca dum livro ou autor, se quiser espalhar aos sete ventos o quanto um livro mudou a minha vida, há sempre alguém desse lado a ouvir ler, e quem sabe, a concordar comigo. A todos os que lêem este cantinho e me aturam, muito obrigada.

domingo, 23 de junho de 2013

Ponte de Sonhos, Anne Bishop


Opinião: Andei a espreitar os meus comentários anteriores aos livros da Anne Bishop, e dei-me conta que as leituras desta autora foram feitas em duas fases. Uma no Verão de 2010, em que foi a loucura, comigo a percorrer 7 livros da autora - o 2º e o 3º livros da Trilogia das Jóias Negras, Herdeira das Sombras e Rainha das Trevas, para além de mais 3 livros passados no mundo das Jóias Negras, Teias de Sonhos (livro de contos), Jóia Perdida e Anel Oculto; e li ainda Sebastian e Beladonna, ambos passados num novo mundo criado pela autora, Efémera. No Verão de 2011 voltei à carga, lendo Aliança das Trevas e A Senhora de Shalador, ambos do mundo das Jóias Negras, mas com outros personagens, e Despertar do Crepúsculo, antologia de contos e novelas focados nos SaDiablo.

O que é que eu posso concluir daqui? Que não me canso de ler a autora. Por um lado, porque adoro o seu sentido de humor a escrever os seus personagens, e por mais livros que ela escreva nestes ou noutros mundos acabo por voltar a eles e encontrar esse consolo. Por outro, as coisas que ela imagina... este mundo de Efémera é uma coisa tão complexa, e por vezes ainda tenho dificuldade em visualizar este mundo composto de paisagens fragmentadas, equilibradas pelas Paisagistas e ligadas pelos Construtores de Pontes, e em que os sentimentos e emoções modelam o mundo em que se vive.

Neste volume, a autora expande mais um bocadinho o seu mundo, e chegamos a partes do mesmo em que não se conhecem conceitos que já nos são familiares, como o de Paisagistas, mas no entanto existe o equivalente desses conceitos neste novo espaço, a cidade de Visão. É uma coisa que aprecio que a autora faça, a extensão do seu mundo para novas paisagens, com culturas e sociedades diferentes, mas com conceitos semelhantes. Por outro lado, apresenta-nos a um novo modo, igualmente complexo e fascinante, de uma paisagem "funcionar", com a cidade de Visão - cidade essa que é posta em perigo pela presença de velhos inimigos num novo lugar.

E conhecemos uma nova raça sobrenatural, as Tríades - e, uau, é de loucos só de imaginar a logística da coisa. A Anne fez um bom trabalho a descrever a transição entre as três partes da Tríade, e em criar uma sociedade com os seus mitos e tabus, mas gostava que tivesse desenvolvido mais como é que funciona o dia-a-dia destes seres, porque é uma coisa que influencia o final, e acho que a autora se esquivou a elaborar essa parte.

Este é o livro do Lee, que está a tentar lidar com o que aconteceu à irmã no livro anterior, e a reconciliar o que ela era no passado com o que é no presente. No meio da amargura cruza-se com alguns magos que desejam mal à Belladonna e na tentativa de a proteger, vai parar a Visão, sozinho e meio louco.

Tenho pena do Lee. Há muitas vantagens em termos um elenco de personagens deste tipo, em que são todos como uma grande família, com os seus momentos divertidos e a preocupação uns com os outros. Mas também têm desvantagens. Uma é o facto de não conseguirem manter-se afastados quando alguém precisa de fazer alguma coisa por si próprio (como a Belladonna no fim do último livro, e até em certa medida o Lee neste). Outra é às vezes certos membros da família (e os seus problemas) passarem despercebidos. Que é o que acontece com o Lee no início deste livro basicamente a vida toda dele.

Portanto isto acaba por ser uma espécie de emancipação para o Lee, ao ver-se sozinho e desamparado num local que não conhece e ao qual a família não pode aceder. É em Visão que encontra todo um novo elenco de personagens muito interessantes. Temos Sholeh Zeela a Zhahar, a Tríade que melhor ficamos a conhecer, com personalidades muito distintas. O Danyal, que é a modos que um colega da Belladonna, mas que ainda tem muito que aprender com o seu dom. A Kobrah, que já conhecemos em A Voz, e que curiosamente se cruza com o Provocador, de todas as pessoas. E muitos outros... uma coisa que eu gosto na autora é que consegue criar personagens bem diferentes que a mim me soam como pessoas diferentes.

Tenho de confessar, uma das minhas partes favoritas é quando os dois lados do elenco de personagens se encontra. Especialmente o Lee e a Belladonna, porque há uma cena mesma gira que parte desse encontro. A partir daí, o livro perde um bocadinho o gás, acho que a autora podia ter planeado melhor algumas coisas e não deixar as revelações todas para o fim, porque acabou por dar cabo do ritmo que o enredo levava.

Quanto ao fim... preferia que não ficasse tão em aberto. Como disse ali em cima, a logística do dia-a-dia das Tríadas não ficou bem assente, e como é uma coisa que afecta o final dos protagonistas, custa-me que se tenha deixado tudo tão vago. Por outro lado, dei por mim a desejar ler mais sobre alguns dos personagens, e a querer que também eles tivessem o seu final feliz, por isso adoraria que a Anne Bishop escrevesse sobre os mesmos.

Título original: Bridge of Dreams (2012)

Páginas: 448

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Maria João Trindade

sábado, 22 de junho de 2013

Uma imagem vale mil palavras: Guerra Mundial Z (2013)

Portanto... estou para aqui a tentar perceber exactamente o que é que ia na cabeça das pessoas que estavam à frente dos estúdios que fizeram este filme, ao pagar os direitos cinematográficos ao Max Brooks para adaptar o seu livro, e depois fazerem uma coisa completamente diferente que tem muito pouco a ver com o dito livro. Pode-se argumentar que o que têm de comum é apenas o título e a premissa-base de mostrar um apocalipse zombie à escala global.


Porque tudo o resto? Nada a ver. Não é nada que não estivesse à espera disto, tendo em conta o que os trailers davam a entender, mas é definitivamente bizarro. Há filmes muito mais parecidos com certos livros, e os autores desses livros nunca viram um cêntimo. Quero dizer, fico contente pelo Max Brooks, deve ter ganho um dinheirão com isto.

Contudo, questiono a razão pela qual se afastaram tanto do livro. Acho que cinematograficamente ficaria fabuloso, num modo narrativo à Cloud Atlas, ou à filmes como o Love Actually (cuja temática não podia ser mais diferente deste, eu sei). Um falso documentário sobre pessoas que tinham sobrevivido à Guerra Mundial Z, e que tinham uma história interessante para contar. Uma espécie de tributo ao ser humano e à sua capacidade de sobrevivência.


No entanto, cheguei a apanhar na televisão entrevistas ao realizador e/ou aos actores, e um dos jornalistas perguntou se haveria uma sequela. Suponho que temos isso. Uma possibilidade de sequela, em que realmente o conteúdo do filme terá alguma coisa a ver com o livro. E mesmo que nunca a façam (a sequela), temos o livro a servir de sequela ao filme, o que faz sentido dum modo totalmente estranho.

Focando-me no filme, e esquecendo-me que era suposto ser uma adaptação dum livro... é relativamente satisfatório. Gosto particularmente que varie um bocadinho do habitual nos filmes de zombies, geralmente focados num grupo restrito de sobreviventes, e que em vez disso mostre o efeito global da pandemia zombie.


Preferia que o conteúdo fosse um mais coeso, porque se o dividirmos em três partes, elas acabam por ser díspares e não me parece que tenham uma boa transição entre cada uma. A primeira parte foca-se no Gerry e na sua família a verem-se apanhados no meio da turba zombie que começa a tomar a cidade onde vivem, Philadelphia. Tem um cariz mais "survivalista", pois vemo-los a tentar fugir da horda zombie, e a tentar arranjar mantimentos e a encontrar outros sobreviventes. É uma boa parte para mostrar o caos que se gera numa situação apocalíptica, apesar de se encostar demais a alguns clichés deste tipo de história.

A segunda parte é a minha favorita, quando o Gerry atravessa o globo para investigar a origem da vaga zombie e para tentar perceber se poderá haver uma maneira de a travar. É uma parte mais "investigativa", mas gostei dela por isso mesmo, por levar o personagem principal a outros locais e ver como as pessoas estavam a lidar com os zombies. Só peca por ser demasiado curtinha, porque passamos para a terceira parte do filme duma maneira um bocado quebrada, acho que se podia ter cortado pedaços da terceira parte e estendido o teor investigativo por mais um bocadinho.


Tem algumas estocadas políticas que se calhar podia dispensar. Acobardam-se de mencionar a China (que é oh, não sei, um dos maiores países do mundo), como se faz no livro, receosos de pintar o país sob uma luz menos abonatória, e lá se ia um país onde podiam mostrar um filme e ganhar rios de dinheiro. Mas depois lá mandam a estocada à Coreia do Norte (arrepiante, o que supostamente fizeram neste país), o que no livro também é feito, apesar de um modo diferente. E não resistem a pintar Israel duma forma relativamente abonatória. É irónico mas curioso o que este país faz para se proteger da invasão zombie (construir mais um muro). Mas depois é absurdo que o país que teve tal previdência não fizesse um esforço para fazer o mínimo de barulho, tendo em conta que a essa altura devia ser conhecido que o barulho incitava os zombies. Se bem que imagino que ninguém estivesse à espera do comportamento dos zombies nessa cena... e é uma cena visualmente fabulosa, o mar humano zombie a avançar rabidamente por cima do muro e ao longo da cidade.


A terceira parte é a que menos me agradou. Começa sensivelmente na cena do avião, e foi-me impossível manter o chamado suspension of disbelief. Toda a parte de o avião ser invadido por zombies, e o Gerry ter de lançar a granada, mais a muito improvável sobrevivência ao desastre... é ridículo, e foi uma cena desnecessária para contar a história.

Não que as cenas seguintes, as na instalação da OMS, sejam melhores. Tinha ouvido dizer que tinham refilmado o último terço do filme, sensivelmente, e até me agrada o ritmo mais calmo e o fim mais reflectivo. Mas teria custado muito arranjarem um consultor científico? 


SPOILER DO FINAL DO FILME
A ideia de os zombies evitarem pessoas doentes é boa, mas depois vem a ideia do Gerry de se infectar com alguma coisa mortal para confirmar a teoria. Custaria muito haver algum planeamento antes de avançarem com a ideia? Do género mostrarem os cientistas com que o Gerry fala preocuparem-se em aconselhá-lo num agente causador de doença mortal que a) tivesse cura, e que esta estivesse presente na instalação; b) tivesse um período curto de incubação, porque há coisas com um período de uma semana de incubação e não estou a ver o Gerry a estar à espera esse tempo todo.

Não preciso que nomeassem um agente causador de doença em específico, mas ver cientistas a ter um comportamento absolutamente passivo em relação a esta ideia do Gerry parece-me impossível. Em vez disso, temos o Gerry a injectar-se com qualquer coisa e a rezar para que funcione. *facepalm* Parece-me que como cientistas, e tendo em conta uma ideia tão louca como esta, quisessem controlar o máximo de variáveis desta "experiência" que pudessem, para que se resultasse pudessem ter uma ideia do que fazer dali para a frente no que toca a desenvolver algo que travasse a propagação da doença zombie.
FIM DE SPOILER


Enfim... esta terceira parte arrastou-se. Podia ser mais curta, e evitar as "coboiadas" científicas. Só melhora na cena final, pelo tal tom reflectivo e por reunir Gerry com a família. Deixa espaço para a tal sequela que mencionei ali em cima. E eu fico a suspirar pela mesma. O filme entreteve, e tem os seus momentos, mas o que eu queria mesmo era a tal adaptação do livro.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Terceira Campa em Frente, Darynda Jones


Opinião: Que refrescante é poder ler os vários livros de uma série de seguida, em vez de penar e suspirar durante ANOS pelo próximo livro, graças a algumas editoras caridosas que claramente gostam muito dos seus leitores, e mais ainda de os deixar pendurados. (Nota-se muito que recebi hoje, finalmente, a notícia da publicação da sequela de um livro que foi publicado há três anos, e que eu li há dois?)

Adiante. Como dizia, é muito bom poder ler estes livros ao ritmo de um por mês. Posso acompanhar a evolução da história facilmente, sem me esquecer de pontos chave ou pequenos pormenores. E é fácil manter o meu entusiasmo pela série, às vezes a espera mata a minha vontade de continuar uma saga. Só tenho pena que mais gente não seja sócia do Círculo de Leitores para ter acesso à colecção, porque para quem gosta do género paranormal/fantasia urbana, acompanhado de uma pitada de mistério e doses generosas de humor, estes são os livros perfeitos.

Desta vez, Charley tem de lidar com o desaparecimento da esposa de um médico, que Charley sente que está carregadinho de culpa. E, por outro lado, tem de enfrentar as consequências de prender Reyes ao seu corpo físico, o que o deixou completamente furioso e determinado a convencer Charley a inverter a situação.

Bem, a "frente Reyes" sempre me suscitou algumas dúvidas, e ainda não é neste livro que elas desapareceram. Porque enquanto que o futuro alternativo que ele idealizou para ambos era fabuloso, neste momento não consigo ver grande futuro para eles. Passam o tempo todo a chocar e discordar num monte de coisas, escondem coisas um do outro, e não se respeitam. Até podem eventualmente evoluir para um casal saudável, mas neste momento as interacções deles tendem a irritar-me ou deixar-me indiferente, o que imagino que não era bem o propósito.

Descobrimos mais um pouco sobre o Reyes e o seu passado, o que foi interessante, e triste; mas ele continua a insistir em que a Charley "tem de descobrir o que é capaz", sem lhe dar um empurrãozinho; e passa o tempo a ameaçá-la ou à família - e apesar de ficar claro que ele não tenciona levar a cabo nenhuma das ameaças, ela leva-as a sério, o que é significativo. E depois ele comete o pecado capital dos homens desta série: esconde coisas à Charley, sabendo que ela é capaz de se defender, e o resultado, pela segunda vez na série, é a Charley ficar em perigo mortal porque os idiotas dos homens na vida dela acham que a têm de tratar como uma boneca de porcelana ou uma tontinha indefesa. Ugh, isto deixa-me mesmo aborrecida, espero que a autora use este enredo de forma a criar uma evolução na série, ou isto vai ficar velho muito depressa.

Nem os momentos quentes Charley-Reyes me animam, porque neste momento a relação deles está sob tantos constrangimentos. O bom disto tudo é que agrada-me a maneira como ela lida com ele. Para evitar a frustração que decorre dos "sonhos partilhados" entre ambos, pois mal a Charley adormece ele aparece-lhe à frente, ela tenta com todas as forças manter-se acordada com uma dieta à base de cafeína. Não é saudável, e gera momentos perigosos para a Charley, mas é melhor do que serem forçados a uma situação indesejada. E depois de ele fazer a gracinha de que falei no parágrafo anterior, ela afasta-o sempre que pode, se bem que estou para ver quanto tempo vai durar.

Em suma, ainda têm que me convencer como casal. O estereótipo do bad boy alfa está-se a tornar um bocadinho cansativo, e se o Reyes não tiver substância para preencher o estereótipo, vou acabar a detestar o personagem.

Por outro lado, adoro o elenco de personagens secundários. Primeiro, temos a Cookie, a melhor amiga e secretária da Charley, que agora tem ajudado um pouco nos casos. Adoro-a e ao modo estóico como atura as loucuras da Charley. O tio da Charley, que ela trata por Ubie, também é adorável, porque a trata como uma igual (parece o único homem a fazê-lo), se preocupa com ela, mas também geralmente confia nela para lidar com o que se lhe apresente. A Gemma está lentamente a ganhar algum destaque, e gosto disso, de ver as irmãs a reconciliarem-se. Por outro lado, o pai da Charley deve estar a perder a cabeça. Já não gostava muito dele, pelo que aprontou no passado, mas agora, com uma certa coisa que faz lá para o fim, estou-lhe com um pó...

Se fosse eu a decidir, acho que juntava a Charley era com o Garrett Swopes. Têm química, dão-se relativamente bem, quando não estão a trocar mísseis verbais, e as interacções deles são sempre divertidas. A autora deu-me um grande susto com este personagem durante o livro, mas agora estou curiosa para ver como é que os eventos o afectam daqui para a frente. Gostei ainda da aparição de novos personagens como a Mistress Marigold (e que personagem, promete), a Artemis (Rottweiler tão fofinha, eu sei, parece impossível), e os motards, especialmente o seu chefe, o Donovan. Estou curiosa para ver onde a mudança de estatuto da Charley com eles a leva, já que eles tinham e têm mais consciência de certas coisas do que ela pensava.

E, como sempre, a autora é mestre em dar um golpe emocional gigantesco à Charley a 20-30 páginas do fim... estou muito curiosa para ver as consequências de tudo o que aconteceu no futuro próximo da Charley. E felizmente não vou ter de esperar muito.

Título original: Third Grave Dead Ahead (2012)

Páginas: 304

Editora: Círculo de Leitores

Tradução: Graça Margarido

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Shades of Earth, Beth Revis

This book was read for the 2013 Don't Let It End Reading Challenge hosted by Fiktshun.


My thoughts: I'm going to miss these books so much. I mean, reading them for the first time, uncovering the twists and turns the author has in store for you, walking alongside Amy and Elder in the Godspeed ship, or in Centauri-Earth... In retrospective, this is the perfect ending for the trilogy - it's something I expected to happen since the first book (the exploration of the planet that was the target of Godspeed's mission), and yet Beth Revis managed to surprise me with where she took us with this one.

A compliment to the author I have to make is that it really shows she is a science fiction fan. She knows and uses well the tropes and the scenarios, but gives them her own flavor and turns them into something, if not unique, at least very believable, like it will actually happen in the future - as all sci-fi should.

Shades of Earth takes us finally to Centauri-Earth, and starts with the landing of the shuttle (formerly a part of Godspeed), which carried Amy, Elder, the frozen, and the people from Godspeed that agreed to travel to Centauri-Earth. Trying to establish a colony in Centauri-Earth, the group soon realizes that something is wrong. There are things that shouldn't be on the planet. And soon they realize... they know... they are not alone.

I think every book in this series had me questioning the sense of preparing a mission and a ship like Godspeed and sending it the moment Earth did, and with the parameters it did. This book made me question it even more. The true intent in FRX's mission ended up being very screwed, and it was ultimately the reason why Godspeed ended up the way it did. Had they waited a little longer, had they had truer intentions, the missions would have been better planned, and gone better.

I know, this last paragraph is way cryptic, but I'm trying both to be non-spoilerish, and to explain why I was so upset with FRX and its intentions toward Centauri-Earth. In the end, I guess it was pure human greed, and that makes me so sad.

It was interesting to see how there was this huge planet waiting to be explored, and Beth still managed to evoke this claustrophobic atmosphere that was present in the first two books. Many things in Centauri-Earth are wrong and unexpected, and the group of shipborns and Earthborns tries to stick together. Yet, they are not really united. One of the things I wish was considered when creating the mission was to send, among the frozen ones, people more flexible and better prepared to deal with a variety of scenarios when they woke up.

I mean, Amy's father behaved as would be expected for a military officer in charge, but I wish he had not been so close-minded and dismissive of Elder and his people. It created a lot of tension that was unnecessary to establish the colony. I understand his dismissal of Elder as the shipborns' leader, as Elder in only a teenager, but he didn't even try to understand why the shipborns were the way they were - even Amy could have helped him understand them. If he did, maybe there wouldn't have been so many deaths. And he placed his trust where he shouldn't have, and that was just plain stupid.

Also, people should have talked more about what was going on. Not only Amy's father and the military, whose obssession with keeping everyone in the dark was unnerving, but Amy and Elder as well. I think there were some weird transitions between scenes where information should have been exchanged and it wasn't, or maybe it was but that wasn't made clear to the reader... anyway, I wanted Amy and Elder to try to explain more to the Earthborns about what was going on in Godspeed and what eventually made them try to land in Centauri-Earth. They didn't tell anyone about Phydus until too late, which was just weird, as it was a very big part of the plot.

I finally liked to see Amy and Elder together. I still think the relationship is a bit unbalanced, since Elder seems the more involved one, but there were a couple of moments I loved where Amy shows her loyalty to him. And she finally figures out what exactly he means to her. Their moments together were so cute. Amy realizes the right path for her, and she takes a little more responsibility throughout the novel. I still questioned Amy and Elder's decisions here and there, but I believe they are trying to do the right thing. Especially Elder, who is trying to be the leader his people need, and to do right by the shipborns that remained on Godspeed.

The mystery behind the strange happenings in Centauri-Earth was very compelling, and I couldn't wait to know what was really going on. And it was mind-blowing. It made so much sense in the end, and Beth did a good job of tying loose ends and making sure everything was linked. I hated the new players for the actions they took, but I loved to understand what had led them the path they took. It was human greed, after all. How such a tiny thing could elicit such a big change in the world galaxy universe, er, whatever, and in these people.

I probably made it sound a bit like I didn't like the book, or at least part of it, and it couldn't be farther from the truth. I loved it because it made me think about these kinds of things, and made me question a lot how people are. And I adore that Beth Revis chose to write these books the way she did, because they show a good understanding of human nature and of what makes people tick. I am very curious to read whatever she writes next, because I'm sure it will be fabulously awesome.

P.S.: The only thing I actively disliked was that cover, and the way they changed the books' design. *sigh* This may be the only time I've ever felt this strongly about changing covers. And it makes me sad.

Pages: 384

Publisher: Razorbill (Penguin)

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Escola Nocturna - O Legado, C.J. Daugherty


Opinião: Céus, que montanha-russa. Se há coisa que a autora sabe fazer, é criar uma história completamente absorvente e intensa, envolvendo-nos numa teia de desconfiança e mentira, e fazendo-nos suspeitar de tudo e todos. Ainda estou a recuperar do stress de desconfiar de todos os personagens e das suas motivações.

Elogiei a autora na opinião do primeiro livro por ter escolhido como cenário um internato, e continuo a adorar a sua escolha. Um ambiente tão restrito gera uma micro-sociedade muito interessante, especialmente quando lhe juntamos as características únicas da Escola Nocturna. Adoro este aspecto da narrativa, e a autora só peca por nos revelar coisas sobre a Escola Nocturna e o antagonista principal, Nathaniel, a conta-gotas.

A Allie, a personagem principal, tem que enfrentar neste livro não só o conflito externo que ameaça a Escola Nocturna, mas também em grande medida conflitos internos. A posição em que está é frágil, por não estar a par de tudo o que ameaça Cimmeria e a Escola Nocturna, e acho que isso faz com as suas desconfianças e inseguranças a levem a tomar certas decisões com que não concordo, apesar de as respeitar. Se há coisa que gosto na Allie é que ela é a sua própria pessoa, sem se deixar influenciar e controlar, e toma as suas decisões por si, não pelos outros, mesmo que esteja a fazer uma asneira gigantesca.

É uma personagem mais activa, que reactiva, e gosto disso, por não esperar que as coisas lhe aconteçam. Gosto da sua bravura, da sua atitude descomplicada e da sua tentativa de fazer a coisa certa. Espero que a teia de desconfianças e inseguranças em que se viu envolvida neste livro lhe permita evoluir no próximo, e ganhar mais controlo sobre o seu destino.

Sobre o, er, "triângulo amoroso", bem... é complicado. A relação entre a Allie e o Carter corre mal, por causa dos dois, e o modo como acontece deixou-me assim a modos que pasmada. Quero dizer, o Carter tem o seu momento palerma-ciumento-e-possessivo, quando tenta forçar a Allie a deixar de ver uma pessoa por causa dos ciúmes, e aí eu estava preparada para lhe oferecer um par de patins. Mas a Allie acede ao pedido dele, e as coisas correm mal a partir daí, nem sendo propriamente por causa do comportamento consequente dele, mas mais por causa das desconfianças e inseguranças da Allie que mencionei ali em cima. Eu percebo que ela sentisse que ele não a estava a apoiar em certos momentos, mas não posso concordar exactamente, tendo em conta que em boa parte ele até tinha razão. Quero dizer, enviar duas miúdas sozinhas em patrulha resultou nas últimas 30 páginas do livro, e que bem que isso correu, não foi?

Achei que a Allie estava demasiado pronta em deixar de confiar nele logo no início, e acaba por ser ela a ter comportamentos não leais para com ele durante uma boa parte do livro. Portanto, acho que isto correu mal em parte por causa da atmosfera em que a Allie se encontra, que a deixa pronta a deixar de confiar nas pessoas, e em parte porque temos dois palermas que não se conseguem sentar e conversar sobre os seus problemas. Porque este é o tipo de coisa que se teria resolvido se ao menos conversassem, parece-me. Não sei. Como disse, fiquei parva com toda a situação. Tenho de louvar a autora, em nenhum momento eu achei que isto fosse irrealista, a maneira como ela o expôs é muito convincente, e é assim que as pessoas (e os adolescentes) se comportam na vida real, tanto que eu estou frustrada com estes personagens como estaria frustrada com dois amigos que se portassem da mesma maneira fizessem escolhas com as quais eu não concordasse.

E depois temos o Sylvain francês estúpido. Nunca na minha vida conseguiria deitar para trás das costas o que ele fez no primeiro livro, por mais arrependido que se mostre. Acho que suspeitaria sempre dos motivos e acções dele. Contudo, suponho que compreendo porque a Allie o fez, apesar de não concordar (e de ter vontade de a abanar para ver se ganha juízo). Também não os vejo a ter grande futuro, porque apesar da atracção, consigo ver a cabeça da Allie cheia de dúvidas e ainda a pensar no Carter, e não sei como é que isso pode alguma vez ser uma boa base para uma relação.

A relação da Allie com algumas das outras personagens fascina-me. Com a Rachel mantém uma boa amizade, apesar de agora alguns assuntos não poderem exactamente ser discutidos entre ambas. Tenho pena de dizer isto, mas consigo ver a autora, no futuro, a revelar potencialmente a Rachel como o espião, apesar de gostar muito dela, porque está numa posição privilegiada para descobrir muita coisa para o inimigo. A Jo, apesar do comportamento que teve no outro livro, é uma personagem que dá gosto seguir. Tenho pena do percurso dela, e do que lhe aconteceu para a deixar no estado em que ficou. Deixa-me triste ver o que lhe acontece ao longo de ambos os livros. A Jules... bem, eu gosto dela, e do seu comportamento aparentemente correcto e leal, mas é outra que podia ser o espião, pela sua posição na Escola Nocturna. Adorei conhecer a Nicole, porque fugiu um bocadinho ao estereótipo que eu estava à espera que fosse, e afinal foi uma boa surpresa.

A Isabelle deixa-me dividida. Parece confiar na Allie e gostar mesmo dela, mas ao mesmo tempo não está a contar-lhe tudo, e se há momento em que a Allie devia saber tudo, era agora, porque está no meio desta tempestade. O elenco de professores deixa-me em dúvida, porque quase todos podiam ser o espião. Menos o Zelazny, porque com o comportamento horrendo dele era demasiado óbvio. (Ah, foi divertido vê-lo rastejar quando descobre de quem a Allie é descendente.) A Lucinda, essa personagem elusiva, aparece muito pouco, infelizmente. Gostava de ver a Allie a desenvolver uma relação com ela, mas também consigo ver 1001 maneiras de a relação de ambas correr mal, a acreditar na experiência da mãe da Allie, por isso fico expectante em conhecer melhor a Lucinda. O Raj, pai da Rachel e especialista em segurança, foi uma boa adição ao elenco, mas gostava de o ver mais, porque sinto que não o conhecemos bem.

E pronto, o que podemos tirar daqui é que eu fiquei paranóica com este livro, que me fez desconfiar de toda a gente num ponto qualquer da história. O facto de não se conhecer o endgame do antagonista, e de muito acerca da Escola Nocturna e da família da Allie ainda estar envolto em mistério só contribui para esta atmosfera de thriller, apesar de a história em si não ter muita acção.

Portanto, parabéns e obrigada, C.J. Daugherty, por conseguires escrever um livro do qual foi difícil desgrudar-me, apesar de toda a atmosfera de suspeição, um livro que me pôs a virar as páginas como se não houvesse amanhã, mesmo quando os personagens estavam a dar comigo em doida, um livro viciante, contra todas as minhas expectativas. Suponho que os melhores livros são os que nos deixam assim. A minha esperança neste momento é que a editora portuguesa pegue no terceiro livro, quando sair em Outubro, e o publique o mais rapidamente possível, porque a expectativa vai matar-me.

Título original: Legacy (2013)

Páginas: 400

Editora: Alfaguara (Objectiva)

Tradução: Ana Mendes Lopes

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Matadouro Cinco, Kurt Vonnegut


Opinião: Existem dois aspectos principais que acabam por determinar a minha apreciação de um livro: a resposta emocional que me provoca combinada com o quão me agradou; e os seus méritos a nível literário. Infelizmente, este livro falhou um bocadinho no primeiro aspecto, o da resposta emocional que não conseguiu arrancar-me. Isso não quer dizer que o livro é mau, pelo contrário, é muito bom; apenas esperava que me emocionasse de alguma forma e não o fez, o que acabou por me desapontar.

O livro é enquadrado com um primeiro capítulo quase autobiográfico, do ponto de vista do escritor que quer escrever sobre a guerra, que acaba por enquadrar a obra toda. Para isto contribui ainda um par de aparições do autor na história de Billy Pligrim, em que reconhece que era ele a fazer tal comentário ou tal acção. E ainda a aparição de Kilgore Trout, quase um alter ego do autor. E são estes jogos que o autor faz que mais me agradaram. 

A história conta a vida de Billy Pilgrim, um rapaz que é soldado na 2ª Guerra Mundial e é feito prisioneiro de guerra. E o livro relata-nos momentos da sua vida, com o fio principal sendo a sua experiência na guerra, e intercalado com partes da vida de Billy que surgem aleatoriamente e cronologicamente desordenadas. É que Billy é volúvel no tempo, e se num momento está num campo para prisioneiros de guerra, no outro está em sua casa, 20 anos depois, já com uma filha casada. Esta narrativa não linear é muito interessante de seguir, pelo confusão inicial que gera, e pelo que faz à personalidade de Billy.

O tom geral que permeia a história é algo resignado, pelas características da vida de Billy, que ao conhecer como a sua vida se vai desenrolar acaba por ter uma atitude muito passiva na sua vida. O aparecimento de Trafamaldore e dos Trafamaldorianos acaba por o fazer reflectir acerca do livre arbítrio, e acho que Billy acaba por desistir de viver a vida e tentar mudar as coisas, ao conhecer o seu "destino", ou seja, o que vai acontecer, e que sente como imutável.

Por outro lado, o livro acaba por ser uma reflexão acerca da guerra, e da validade de enviar aquilo que são essencialmente miúdos para lutar na mesma, ao mostrar-nos a realidade de Billy, um jovem assustado, prestes a desistir de viver e incapaz de reagir às coisas que lhe acontecem. Mas até na vida entorpecida de Billy o autor consegue criar momentos de humor, e gostei disso. Mesmo a história que não tenha tido um grande impacto em mim, consegui apreciá-la pelas suas qualidades literárias, e vou querer voltar a ler o autor.

Páginas: 200

Editora: Bertrand