segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Este mês em leituras: Setembro 2013

Mais um mês que termina. O Outono já começou, e o tempo não se mostrou rogado, já chove. Dá vontade de me enroscar no meu canto com um livro e não sair de casa.

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Rose Under Fire, Elizabeth Wein - esta autora é muito boa, fantástica mesmo, a escrever ficção histórica, especialmente sobre a 2ª Guerra Mundial, e apesar de este livro não ser um Code Name Verity, é ainda assim muito bom;
  • The Bone Season, Samantha Shannon - deliciosamente complexo, combina uma série de coisas que gosto de ler num livro, e é um primeiro livro duma jovem autora bastante impressionante;
  • Crown of Midnight, Sarah J. Maas - andei a suspirar pelo livro no último ano, com receio que não correspondesse às minhas expectativas, mas não precisava de me preocupar... adorei, diverti-me imenso, e agora estou torturada outra vez com a perspectiva de esperar um ano pelo próximo livro;
  • Faking It, Cora Carmack - esta autora é genial, nem que seja pelo seu sentido de humor fantástico, e pelos seus personagens adoráveis;
  • Wait for You, Jennifer L. Armentrout - gosto bastante desta autora, mas não sabia o que esperar de a ler num novo género... também não precisava de ter receio, foi um livro bem giro e encheu-me as medidas.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Wait for You, J. Lynn (Jennifer L. Armentrout)
Origin, Jennifer L. Armentrout
Faking It, Cora Carmack
Scorched, Mari Mancusi
The Burning Sky, Sherry Thomas
Crown of Midnight, Sarah J. Maas
Um conjunto de livros que queria muito ler... têm sido umas boas leituras. E babei com a capa do Scorched. Quando ler devia pôr aqui umas fotos, está bem giro.

Amores Contados, antologia
Milagre, R.J. Palacio
Divina por Engano, P.C. Cast
Quanto ao primeiro, fui à sessão de lançamento para conhecer e apoiar uma das autoras, e colega blogger. O segundo veio cá para casa numa troca. O terceiro veio com uma série de descontos.

Pilha de livros colecções-que-estou-a-fazer. Os eróticos do Correio da Manhã, o último das Crínicas de Gelo e Fogo de bolso, as revistas Disney do mês, e a colecção Super-Heróis DC.

Estava a portar-me bem este mês. Estava satisfeita com as minhas aquisições. Mas hoje deu-me para ir à Fnac. Não tinha ideia de comprar nada, apenas fazer terapia imersiva literária, que é como quem diz, andar pelo meio dos livros sem rumo. Mas enfim, aqueles desgraçados tinham uma série de paperbacks e BD a 5 euros, e o meu cérebro fez "5 euros, mine, mine, asfanksanlkanfsn" e congelou, pobrezinho. Sou fraca. *autoflagela-se* E é tudo o que tenho a dizer.

A ler brevemente

Quero manter as minhas opções abertas, por isso não pus muitos livros nesta pilha. Sei que vou ler os livros da colecção Super-Heróis DC, e depois das minhas aquisições hei de ler mais BD, provavelmente. Gostava de ler o Scorched, o The Burning Sky, e o Divina por Engano, porque me suscitaram algum interesse. E sei que hei de ler o Endless, que também ando cheia de comichão para o ler... estou com as expectativas em alta.

domingo, 29 de setembro de 2013

Wait for You, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout


Opinião: É esta a razão pela qual eu leio esta autora. Devorar um livro no fim de semana e adorar cada página. Divertir-me imenso a ler a história e ficar cativada pelos personagens. Faça o que ela fizer, não sou capaz de resistir aos seus livros.

Foi delicioso ver a relação entre a Avery e o Cam desenvolver-se. Primeiro começaram por ser amigos, com uma certa cumplicidade bem engraçada, mas com o Cam a pedir um encontro com ela quase todos os dias. Criou uma dinâmica interessante entre eles. Acaba por ser a Avery a ter o poder decisor, se posso usar a expressão, sobre o ritmo a que a relação deles evolui. Para alguém com a história dela, isso acaba por ser importante para lhe permitir aproximar de alguém.

Achei muito interessante seguir o percurso emocional da Avery durante o livro. Tendo em conta o seu passado, ela não tem experiência numa série de coisas que fariam parte duma adolescência normal. É engraçado que fique fascinada a ver as interacções entre a família do Cam, porque ela nunca teve isso, ou a ver um casal de namorados a escapulir-se para namorar, porque ela nunca pôde ter isso. E é recompensador vê-la a abrir-se mais, a criar amizades, e a perceber que não precisa de se fechar e que merece mais que isso.

O Cam foi um protagonista masculino muito giro. Só o facto de saber cozinhar e fazer bolinhos e bolachas a toda a hora é recomendação suficiente, mas ajuda que tenha sido a combinação certa de persistente e paciente com a Avery para a conquistar. Respeita o ritmo dela, e não a deixa "passar-se" com as suas inseguranças. Franzi os olhos à novela que a autora vai publicar com o POV dele, mas até seria curioso ler algumas cenas sob o ponto de vista dele. A sua história não é tão emocional e poderosa como a da Avery, mas é interessante por ter ultrapassado os seus demónios, e deixa-me curiosa por se enlaçar com futuros protagonistas desta série.

Quanto à história da Avery, não posso comentar muito, porque parte do interesse é deduzir e ler as revelações aos poucos... mas que vontade de estrangular os pais dela. Não é assim que os pais se devem comportar com uma filha, que pessoas horríveis, tão horríveis, e é um milagre que a Avery tenha ficado tão sã depois do que lhe aconteceu, especialmente depois da intervenção dos pais. Ela evita muita coisa sobre o seu passado, mas também tem um osso teimoso e resistente que lhe permitiu sobreviver durante todos estes anos. Tem um feitio difícil, mas vale a pena conhecê-la.

Foi uma boa surpresa. A edição tem alguns erros, porque me parece que a editora (HarperCollins) pegou no livro, que foi auto-editado, sem pelo menos fazer uma revisão. Felizmente não foram muitos, e estava a gostar demasiado de ler a história para me incomodar. Quanto ao enredo, é bastante simples, seguindo um certo padrão no que toca a romances, mas a autora consegue dar-lhe o seu toque pessoal para manter o interesse.

Gostei muito de alguns personagens secundários, como os amigos que a Avery faz - a Brittany e o Jacob fazem os comentários apropriadamente engraçados nos momentos certos; o Ollie deixou-me curiosa, e de certo modo a Teresa, a irmã do Cam também. E a família Hamilton toda é adorável. Parece que o próximo livro é com a Teresa e o Jase, o que me deixa curiosa, porque o que é sugerido da relação deles no excerto disponível neste livro é prometedor.

Páginas: 416

Editora: HarperCollins

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Faking It, Cora Carmack


Opinião: Ok, esta autora acabou de conseguir entrar para a lista dos favoritos, porque ninguém consegue pôr-me na risota tão rapidamente como ela. A sério, nem tinha chegado à página 30 e toda a situação que junta a Max e o Cade já me tinha arrancado umas boas gargalhadas. As pinceladas gerais da história deles são comuns a outras histórias, duas pessoas a fingir que são um casal, mas é nos detalhes que a Cora Carmack consegue dar originalidade à coisa.

O Cade, depois do Losing It, está de rastos. Ver a Bliss feliz da vida com o Garrick tortura-o, e fá-lo ver o pouco que tem na vida que valha a pena e que o apaixone. A Max é uma jovem com um problema: um pai e uma mãe super-conservadores, que se vão passar quando virem as suas tatuagens e piercings, e o namorado que não é propriamente o sonho de qualquer pai, quanto mais os da Max. O resultado? Convencer um estranho (o Cade) a fazer de namorado perfeito por uns minutos. Só que a encenação corre tão bem que o Cade convence demasiado bem os pais dela, e têm de continuar a fingir. Entretanto, no meio de tanta efabulação, sentimentos reais começam a surgir entre eles, e ambos não sabem o que fazer...

Gostei tanto, tanto, da Max e do Cade. Quase Tanto como a Bliss e o Garrick, mas de maneiras diferentes. A Bliss era uma trapalhona e o Garrick exudava charme, mas a sua história tinha um tom mais leve. A Max e o Cade, por sua vez, têm uma série de problemas a resolver. A maneira como se juntam é hilariante, mas a jornada que têm de percorrer para ultrapassar os seus problemas é mais séria e triste. O Cade sempre se esforçou para ser o menino perfeito, depois de ser abandonado pelo pai, para que isso nunca mais acontecesse. A Max ajuda-o a soltar-se um bocadinho, e a ver outros caminhos para a sua vida que não aquilo que previra.

A Max, por sua vez... oh, a sua história aperta-me o coração. Uma tragédia pessoal afastou-a dos pais a nível emocional, e o resultado é uma falta de compreensão tão grande de ambas as partes... que a Max entra em parafuso só com a perspectiva de ver os pais. E a ideia de ir a casa deixa-a aterrorizada. É uma rapariga paralisada com aquilo que aconteceu no passado, tentando sobreviver e lutar pelo seu sonho, a música. A entrada do Cade na sua vida obriga-a a confrontar os seus demónios e a parar de fugir.

Adorei ler a história de ambos, e diverti-me e comovi-me a ler este livro. Estou a gostar imenso da autora e muito interessada em ler a história da Kelsey, a outra amiga da Bliss e do Cade.

Páginas: 352

Editora: William Morrow (HarperCollins)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Picture Puzzle #63


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título fantástico, e ao mesmo tempo de FC, em inglês.

Puzzle #2
Pista: título paranormal publicado em português; a autora já tem outros livros publicados em Portugal.

Divirtam-se!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Crown of Midnight, Sarah J. Maas


Opinião: Ler em inglês fez-me ver com outros olhos essa arte perdida que é a da paciência. Ler um livro, devorá-lo, adorá-lo, ficar ansiosa com a perspectiva de esperar um ano pela sequela, suspirar pela sequela nesse ano, encomendar, trepar às paredes enquanto o livro não chega, fazer uma dança da vitória quando finalmente nos chega às mãos, ler, e voltar ao início do ciclo. É coisa masoquista, eu sei, mas eu adoro, é uma tortura boa esperar por um bom livro.

Toda esta introdução para dizer que foi uma tortura (boa) ler o ano passado o Throne of Glass e adorá-lo, foi uma tortura (também boa) esperar por este, foi uma tortura (muito boa) ler este e sentir uma série de coisas que ainda agora não sei se consigo nomear, e vai ser uma tortura (da pior espécie) esperar pelo próximo livro da saga, especialmente depois daquele final.

Depois dos acontecimentos do livro anterior, Throne of Glass, Celaena vê-se na posição de King's Champion, uma assassina às ordens do rei, que no seu modo muito próprio dá uma resolução criativa às directivas que recebe. Entretanto, uma nova missão põe-na a questionar e duvidar de tudo e todos, incluindo a si própria, e no fim de contas, nada mais será o mesmo.

Os acontecimentos deste livro deixam-me um sabor agridoce na boca. Há uma clara evolução na Celaena, e foi bom vê-la crescer, deixar de evitar certas coisas que ela tinha medo de enfrentar e aceitar um potencial novo rumo para a sua vida... mas custa-me que tenha sido com as perdas que trouxe. De pessoas, de laços, e até de algo a que não chamarei inocência, porque estamos a falar de alguém que ganha a vida a matar pessoas e é mesmo boa nisso, mas algo parecido.

Quero dizer, adorei o desenrolar dos acontecimentos, mas como gosto mesmo da personagem principal, preferia que não tivesse de passar por isso. Vemos um lado da Celaena que está lá, mas não sai muito frequentemente cá para fora, e é incrível o mundo de emoções contidas bem lá no fundo, e a sua capacidade para fazer coisas terríveis e assustadoras. A sua verdadeira identidade e herança revelam-se e, uau, estou muito curiosa acerca do que vai acontecer a partir daqui.

Quanto ao worldbuilding, a autora revela muito mais coisas que no livro anterior, e isso agradou-me. Descobrimos mais acerca da magia que desapareceu do mundo, da maneira como funciona, e vislumbramos o modo como esta informação pode moldar a evolução dos acontecimentos a partir daqui. A cripta da Elena volta a ter um papel, com um elemento novo, alguns habitantes do castelo revelam-se, e a Celaena explora Rifthold. O final promete-nos a exploração de partes deste mundo não reveladas no mapa, e adoro isso.

Quanto a possíveis evoluções no campo romântico, depois da indecisão do livro anterior... bem, quem é fã da Celaena e do Chaol vai ficar contente. As cenas com eles são deliciosas, cheias de cumplicidade e pequenos momentos bem giros. Nem tudo são rosas, porque com duas personalidades tão diferentes, vão haver complicações... um certo acontecimento, em conjunto com a lealdade cega do Chaol, quebra um laço de confiança entre eles. Mas gostam um do outro, e apesar de o final os levar por caminhos diferentes, sei que os verei juntos não tarda nada. (Bem, vai levar um ano.)

O final... oh, que tortura. A história está ali num ponto de viragem fantástico, que promete todo o tipo de coisas fabulosas e interessantes para o futuro, mas infelizmente ainda não vou descobrir o que é, exactamente, esse futuro. Enfim... a espera tortuosa de um ano começa agora.

Páginas: 432

Editora: Bloomsbury

domingo, 22 de setembro de 2013

Shadows, Jennifer L. Armentrout


Opinião: É uma adição interessante a esta série. O leitor já sabe o que aconteceu à Bethany e ao Dawson, agora descobre como se conheceram e como a sua história começou. Foi muito bom lê-la, porque permite satisfazer a curiosidade acerca dos dois personagens; e porque clarifica muita coisa que acontece nos restantes volumes da série. A atitude palerma do Daemon, por exemplo, no Obsidian. (Se bem que é irónico e divertido vê-lo queixar-se das decisões do irmão aqui, e depois fazer exactamente o mesmo. A história realmente repete-se.)

Gostei de conhecer a dinâmica fraternal que o Dawson, a Dee e o Daemon tinham antes do acontecimento final deste livro. E ver alguns outros personagens, que não mudaram nadinha daqui para os livros seguintes. (Ash, Andrew, estou a olhar para vocês. O Adam não, que era bem melhor que os irmãos. Gostei de vislumbrar mais um bocadinho da personalidade dele, mas entristece-me, sabendo o que vai acontecer.)

Como disse, adorei conhecer a Bethany e o Dawson, e descobrir a relação deles. São bem diferentes da Katy e do Daemon, oh se são. Muito mais fofinhos e menos espalha-brasas. E é engraçado estabelecer os paralelismos entre a história de ambos os casais.

Uma última nota para a autora, que consegue contar uma história de modo satisfatório mesmo num formato mais curto (novela). Consegue cativar-me seja em que formato for, e divirto-me imenso a ler os livros dela.

Páginas: 180

Editora: Entangled Teen

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

The Chronicles of Downton Abbey, Jessica Fellowes, Matthew Sturgis


Opinião: Portanto, eu tenho este livro nas estantes há quase um ano sem ser lido. Adivinhem de quem é a culpa? *cof*temporada 3*cof*escritores que acharam que a temporada 3 foi uma boa ideia*cof* (Um dia hei de escrever sobre o que está errado com a temporada 3, mas ainda não é hoje.) Hei de ver a temporada 4, e essa é a razão porque deixei de fingir que a temporada 3 não existe e decidi ler finalmente este livro.

É um bom livro companion, e gostei mais dele que o anterior. Cada capítulo é dedicado a um (ou dois) dos personagens, enquadrando o personagem na época e na classe a que pertence. É fascinante, porque comenta o percurso do personagem na série e ao mesmo tempo faz observações acerca do tipo de vida que uma pessoa daquela classe, com aquela posição e aquele emprego, teria.

Visualmente, é igualmente um livro tão apelativo como o anterior, cheio de fotografias da série e de items da época, mas devo confessar que gostei mais do grafismo do anterior, de como enquadrava as fotografias, e as páginas de início de capítulo eram lindas. Se bem que as páginas de início de capítulo deste livro também são bem giras, especialmente pelo uso de padrões bem adequados à época (anos 20) para enquadrar o nome e título/profissão do personagem.

Em suma, é um belo livro, bem ilustrado e com alguma informação pertinente sobre a série. Recomendado a qualquer fã da mesma.

Páginas: 320

Editora: HarperCollins

terça-feira, 17 de setembro de 2013

TAG: Nomeia a pilha!


A Mafi e pela Ne do Algodão Doce para o Cérebro lançaram o desafio: fazer um acrónimo do nosso nome com títulos de livros da nossa estante. Deixo aqui a minha pilha, que originalmente era só para ser com hardcovers - o que se revelou tarefa difícil no que toca à letra T, e acabei por ter de meter para ali um paperback. Mas é um de que gosto muito, por isso é uma excepção valiosa.

C - Crown of Midnight, Sarah J Maas
A - Anna and the French Kiss, Stephanie Perkins
T - (The) Traitor and the Tunnel, Y.S. Lee
A - Angelfire, Courtney Allison Moulton
R - Reached, Ally Condie
I - Insurgent, Veronica Roth
N - (The) Night Circus, Erin Morgenstern
A - Across the Universe, Beth Revis

Fiz com o meu nome próprio... acho que com p7 não lá ia. Estão convidados a fazer o TAG, se quiserem.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

The Bone Season, Samantha Shannon


Opinião: É estranho observar o burburinho que se gera à volta de certos livros. Aquilo que se diz, os direitos para filme já comprados antes da publicação, as comparações, blá blá blá. Cada vez mais tento manter-me longe desse tipo de coisa que só gera entropia, criando expectativas que podem não corresponder à realidade. O que seria uma pena, levando-me a perder histórias que me poderiam agradar.

Isto tudo para dizer que podem ignorar a comparação deste livro à J.K. Rowling, porque não tem sentido nenhum, à parte este livro ser parte duma saga que terá 7 livros. E ser fantasia (mais ou menos). Vale a pena tomar alguma atenção à coisa da adaptação a filme. Acho que o livro é capaz de se tornar num filme visualmente fantástico, se bem feito. O resto do burburinho... bem, é a editora a tentar vender o livro, há que dar um desconto. O que quero dizer é... parece-me que mais vale a pena julgar por nós próprios, ver se gostamos ou não.

The Bone Season é um livro complicado de descrever, e talvez isso seja parte da razão por que gostei dele. Passado no futuro, numa Londres alternativa, mas com elementos fantásticos e paranormais, apresenta-nos um mundo em que existem humanos capazes de aceder ao aether, a dimensão onde param os mortos, e interagir com o mesmo - os clairvoyants (ou voyants). A protagonista, Paige, é uma voyant, e numa Londres dominada pela Scion, a sociedade que proíbe e abomina a existência dos voyants, ela vive sob a protecção do Sindicato, o equivalente à Máfia dos voyants, que ganham a vida com os seus poderes.

Este é um livro em partes iguais complexo e incompleto, fascinante e insuficiente para me satisfazer a curiosidade. Adorei o mundo que a autora apresenta, a existência dos voyants, a sua existência numa sociedade que os odeia, e diverti-me imenso a ler quando ela começa a complicar as coisas, a apresentar várias categorias de voyants, a mostrar outra faceta deste mundo (Oxford/Sheol I e a existência dos Rephaim), e como isso se relaciona com o mundo que a Paige sempre conheceu.

A autora tem aqui um mundo complicado, mas parte da piada é deslindar as coisas que ela apresenta, nem sempre todas duma vez. É capaz de haver ali um bocadinho de info-dump na maneira como ela apresenta a informação, mas pelo menos fê-lo duma maneira que não me incomodou, e que me deixou embrenhada na história. Mas senti sempre a falta de qualquer coisa, como se a autora estivesse a fazer caixinha, e tivesse pedaços de informação que estavam mesmo ali ao virar da esquina para ser revelados. Ainda agora, que acabei o livro, há uma série de coisas das quais eu suspeito, e que ela deve ter guardado para o segundo livro (e seguintes), e estou para aqui a morrer de curiosidade acerca delas. Quero MAIS.

Gostei da Paige, é uma heroína capaz, mas com os seus defeitos, e por isso com espaço para crescer. Agradou-me vê-la em Sheol, o que a pôs fora do seu elemento e a enfrentar desafios novos. E fiquei muito interessada nas relações que ela tem com as pessoas à sua volta, antes e depois de Sheol. O Nick, pelo qual eu até estava mais ou menos a torcer, mas que agora quero esganar por ter partido o coração à Paige daquela maneira, ainda que inadvertidamente. O Jaxon, chefe do grupinho mafioso de voyants a que a Paige pertence, e que tem uma visão singular dos mesmos. O resto do grupinho mafioso - mal posso esperar para os conhecer melhor.

As pessoas de Sheol são igualmente fascinantes. Primeiro os Rephaim em geral, seres intocáveis e frios, fiquei muito curiosa acerca dos seus motivos e decisões. Especialmente no que toca a fundar um sítio como Sheol. Depois a sociedade que se gera em Sheol por influência dos Rephaim. E, em particular, gostei de conhecer o grupo de "amigos", se é que lhes posso chamar assim, que a Paige faz. E estou positivamente intrigada acerca do Arcturus. A relação dele e da Paige é de mestre e aluno, mas com alguns aspectos que a tornam singular, e desequilibram o balanço existente entre estes dois papéis. No fim as coisas evoluem duma maneira deliciosa, e que fez um certo sentido, mas gostava que tivesse havido mais pistas para chegarmos a isso.

O enredo tem os seus momentos de acção (e que momentos), mas também momentos mais parados, alturas em que as coisas parecem evoluir a passo de caracol. Se bem que posso dizer que nunca me aborreci a ler a história, por isso pelo menos a autora consegue cativar o leitor.

Em suma, diria que é um primeiro livro impressionante, especialmente vindo duma autora tão nova. Tem arestas para limar, sim, mas tem uma complexidade, técnica e vivacidade que me agradou. Fiquei fascinada com o mundo de Scion e Sheol, e estou mortinha para lá voltar.

Páginas: 480

Editora: Bloomsbury

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Picture Puzzle #62


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título YA contemporâneo em inglês.

Puzzle #2
Pista: título fantástico publicado em português.

Divirtam-se!

domingo, 8 de setembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 7, 8 e 9

Universo DC - Crise nas Terras Infinitas 1, Marv Wolfman, George Pérez
Universo DC - Crise nas Terras Infinitas 2, Marv Wolfman, George Pérez
Curiosamente, até agora o peso das histórias nesta colecção tem sido em títulos mais recentes... em comparação, tenho a sensação que a colecção da Marvel tinha mais histórias antigas. Não que me incomode, é apenas uma constatação de facto. Já estava com saudades dum estilo gráfico mais velhinho.

Não estou familiarizada com o estado do universo DC antes desta história, mas bolas, que salganhada deve ter sido. É impressionante a quantidade de personagens que foram desencantar para fazer uma perninha nesta "saga". E também é impressionante que tenham recorrido a uma solução destas para unificar o universo DC. No mundo dos comics é demasiado comum voltar atrás com eventos supostamente irreversíveis, ou afastar-se de coisas que sejam de facto permanentes e mudem o status quo. Nesse aspecto é fascinante ler uma história destas.

Achei a história em si um pouco longa em certos pontos, como que a engonhar. Há muitas reviravoltas, obrigando o leitor a estar atento, ainda mais com a quantidade de personagens envolvidas. (90% das quais eu não conheço, lol.)

Contudo, dei por mim embrenhada na história e intrigada com as ideias que apresenta. Gostei das poucas referências que pude reconhecer (como o paralelismo entre a história do Alexander da Terra-3 e o Kal-El, ou os aspectos da Terra-3 que se podem rever no mundo alternativo visto em Terra Dois).

Gostei imenso das ilustrações de capa pela artista Alex Ross, se bem que a imagem do segundo volume é algo spoilerenta para o conteúdo do mesmo, bem que podiam ter escolhido outra coisa.

Batman - Saga de Ra's Al Ghul, Dennis O'Neil, Neal Adams, Irv Novick, Mike Barr, Jerry Bingham
Este volume contém duas "arcos", e curiosamente nenhum pode reclamar o título do volume. (Pelo menos quando procuro por "Ra's Al Ghul Saga", a expressão aplica-se a uma história diferente no universo do Batman.)

A primeira parte contém uma história que me parecia familiar, com o Batman a ser submetido a um teste pelo Ra's e pela Talia. E tinha razão, pois consta do volume do Batman numa colecção de BD publicada pelo Correio da Manhã. Podiam ter incluído a história mencionada no editorial, em que a Talia aparece pela primeira vez.

Depois segue-se um arco de história em que o Batman se propõe a enfrentar e capturar o Ra's. A história em si tem uns buracos bem grandes, como o porquê do Batman precisar daquela equipa, quando afinal teve de fazer tudo sozinho no fim - e ainda mais ridícula é a efabulação em torno do gangster morto que o Bruce encarna de vez em quando, que não faz sentido nenhum. Mas gostei muito da personagem da Molly.

Aquilo que adorei neste parte é o desenho, que me agradou muitíssimo (e o trabalho de sombras não é tão estranho como o da segunda história no volume do Joker, é na verdade mais agradável), e a coloração, que dá vida à história e aos personagens.

A segunda parte consiste numa história completa em que o Batman, o Ra's Al Ghul e a Talia juntam forças contra um inimigo comum, o que acaba por ter a sua piada, tendo em conta que geralmente são inimigos (entre si). Foi interessante ver o Batman com a Talia, e os momentos idílicos que vivem. Se bem que a história não fez muito sentido com o que é revelado em Herança Maldita... mas depois descubro que essas revelações do Herança Maldita são o escritor a meter os pés pelas mãos. (E ninguém reparou antes de ir para publicação, o que ainda tem mais piada.) O que é que eu tinha dito sobre continuidade nos comics ali em cima? Não me agradou tanto a arte desta segunda parte. Achei o traço mais irregular e não achei tanta piada à coloração tipo aguarela.

sábado, 7 de setembro de 2013

Rose Under Fire, Elizabeth Wein


Opinião: Este é um livro um pouco diferente do Code Name Verity. Não tem a sua narrativa única, nem a sua capacidade de me deixar num farrapo emocional, mas é igualmente uma boa história e a autora volta a demonstrar a sua capacidade para situar o leitor no meio da 2ª Guerra Mundial e para criar uma personagem feminina que dá gosto seguir.

A Rose é americana, e é uma piloto civil de transporte de aviões para a força aérea britânica. Numa missão normal de transporte de um avião de França de volta para Inglaterra, é interceptada por dois aviões alemães e levada para território alemão, e depois para um campo de concentração. Tive alguma dificuldade com a voz da Rose no início. Por um lado porque a existência de um relato é em si um spoiler que nos diz que a Rose sobreviveu ao campo. E por outro porque a voz dela no início é tão ingénua, e tão privilegiada - até mesmo um bocadinho no começo do relato dela no campo -, que me fez alguma comichão.

Mas depois disso, o relato ganha interesse, à medida que vamos a Rose estabelecer relações com outras prisioneiras do campo, e que vemos aquilo que lhes é feito diariamente. Porque mesmo numa situação tão dura como esta, as pessoas são capazes de criar relações, de cuidar umas das outras, e lutar umas pelas outras. Parece quase do outro mundo, ler sobre aquilo que tinham de fazer. Mas gostei de ler sobre os pequenos actos de desobediência que elas conseguiam fazer, que geravam caos no campo. E sobre as pequenas histórias e poemas que a Rose contava às outras para as distrair.

As personagens secundárias saltam da página, e mesmo com um elenco grande a autora consegue criar pessoas com personalidades próprias. Achei muito interessante o grupo a que a Rose se juntou. E gostei de ler as coisas numa perspectiva um bocadinho diferente - nenhuma das personagens é judia. Por vezes, a grandiosidade do que aconteceu com os judeus durante a 2ª Guerra faz-nos esquecer que havia uma miríade de outras razões para as pessoas irem parar aos campos, e este livro faz bem em lembrar-nos. E em lembrar, ou apresentar, um bocadinho do que aconteceu com a experimentação científica em seres humanos nos campos. A história das Rabbits é chocante, e mais ainda quando vemos que as coisas estavam num ponto tal para as nossas personagens que tudo o que queriam era trazer a história das Rabbits cá para fora, esquecendo que as coisas que lhes aconteciam eram também imperdoáveis.

Gostei de (re)ver duas personagens em particular. Uma vem do livro anterior, Code Name Verity, e torna-se amiga da Rose através das missões de pilotagem. Foi bom revê-la e ver o que lhe aconteceu depois da tragédia grega que foi o Code Name Verity. A outra nem me dei bem conta que já a tinha visto no livro anterior. Quero dizer, reconheci o nome dela, mas não fiz a ligação. Só depois de ler o livro é que me bateu forte, a revelação. Mas gostei de a rever, porque lembra que os cidadãos alemães não devem ser demonizados. Também havia pessoas corajosas o suficiente para expressar o horror com o que estava a acontecer, ou a agir para corrigir um erro, e que iam parar aos campos por isso mesmo.

A parte final é algo recompensadora de ler, mas parece tão incompleta, e por isso o livro fica a saber a pouco. O processo de "cura", se é que lhe posso chamar assim, da Rose está a meio, e as situações em que se envolve ficam como que também a meio. Parece-me que se o objectivo da autora era falar dos tribunais em Nuremberga e em Hamburgo, ou fazia uma coisa completa ou não falava de todo nos mesmos. Porque me parece um pedaço de história que valia a pena abordar em condições.

Páginas: 480

Editora: Egmont

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Quarta Campa Debaixo dos Meus Pés, Darynda Jones


Opinião: Depois dos acontecimentos do livro anterior, Charley Davidson está a tentar lidar com o que lhe aconteceu. Ou a não-lidar. Depende de se consideramos "lidar com algo" esconder-se em casa durante dois meses a encher a casa com coisas das televendas. Mas ei, há que reconhecer, a Charley fá-lo com estilo, e não perde o sentido de humor enviesado que tem.

O que arranca Charley da estase é uma cliente aparentemente doida, mas com cuja história de vida a Charley se identifica. É uma história triste, a da Harper, e mais triste ainda o seu final. Não estava à espera da reviravolta, mas fez sentido. Não é o murro emocional fortíssimo do livro anterior, mas bolas, o do livro anterior valeu por dois ou três.

No arco maior da história, que se vai desenrolando ao longo da série, existem alguns desenvolvimentos interessantes. A Charley descobre algumas coisas sobre si, e sobre o que se está a passar a nível, hm, sobrenatural, e ainda bem que as coisas avançam nesse aspecto. Pergunto-me o que está reservado para o "grande final", e quanto tempo quantos livros vamos levar até lá chegar.

Quanto ao Reyes, ainda não me convence completamente. Metade do tempo tenho vontade de lhe bater por estar a ser tão parvo, o que não é bom sinal. Mas se há coisa que a Charley já provou, é que sabe lidar com ele (na maior parte das vezes), por isso... Neste livro dão alguns passos importantes na direcção correcta, só para voltar atrás logo a seguir. *facepalm*

Há alguns desenvolvimentos curiosos com o pai da Charley, mas isso não implica que ele não tenha feito uma série de asneiras no passado. Pelo menos a Charley reconheceu finalmente as falhas dele em protegê-la quando era menina. Por outro lado, gosto cada vez mais da relação da Charley com a irmã.

Outros pontos que continuo a gostar: a Cookie, assistente extraordinária e fazedora de margaritas deliciosas; o Garrett, que infelizmente aparece muito pouco aqui; as freiras e o convento, os quais conhecemos melhor; e os motoqueiros e o manicómio, mas dos primeiros calculo que veremos pouco no próximo livro.

Por fim, tenho de mencionar qualquer coisa sobre a tradução. Nunca me incomodou particularmente, apesar de eu ter a perfeita consciência que provavelmente me estavam a escapar algumas piadas que soam melhor em inglês. Mas de vez em quando a tradutora escorrega para uns termos estranhos e arcaicos. A minha irmã já me tinha chamado à atenção do uso de "barrela" quando leu o primeiro livro - e que chegámos à conclusão que era no original "laundry", que bastava traduzir por, sei lá, algo tão banal como "lavar a roupa", caramba. E neste livro apanhei por duas vezes a palavra "espapaçado" (acho que estou a escrever bem) - que tive de ir à procura para ver o que significava. Quero dizer, é possível perceber o significado pelo contexto, mas não havia uma palavra menos bizarra e mais usada comummente que queira dizer o mesmo? Estamos a traduzir um livro escrito no século XXI, para leitores do século XXI, portanto vamos usar linguagem que seja de facto usada no século XXI, de preferência.

Título original: Fourth Grave Beneath My Feet (2012)

Páginas: 296

Editora: Círculo de Leitores

Tradução: Graça Margarido

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Picture Puzzle #61


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: [a actualizar].

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título YA paranormal em inglês.

Puzzle #2
Pista: título de fantasia urbana em português; pertence a uma série com 6 livros já publicados em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

For Darkness Shows the Stars, Diana Peterfreund


Opinião: Uma adaptação, ou retelling, de um clássico que ainda por cima adoro é coisa complicada. Desde muito antes do lançamento deste livro que estava com vontade de o ler; contudo, dei por mim a adiar, a adiar a sua leitura. (Talvez com medo de sair desapontada?)

Não precisava de receios e relutâncias. Acho que a Diana Peterfreund conseguiu aqui criar uma história que homenageia o livro original, mas firmemente enraizada no seu próprio mundo. Deliciei-me com os momentos que reflectem a história de Persuasão, mas For Darkness Shows the Stars conseguiu também cativar-me pelos aspectos originais que apresenta.

Gostei muito de conhecer este mundo pós-apocalíptico, em que a manipulação genética levou à destruição da humanidade como a conhecemos, deixando apenas um grupo de tecnofobos, os Luddites, e um grupo de seres humanos que perderam as suas faculdades, os Reduced. A história é que a manipulação genética a que os humanos se sujeitaram no passado correu mal, e nas guerras decorrentes pelo controlo da tecnologia a humanidade foi destruída, com excepção destes dois grupos. Uso a palavra "história" porque suspeito que aquilo que os Luddites contam são mais dogmas que verdades absolutas. Acho que ainda vamos descobrir novas facetas deste mundo no próximo livro. Mas como nos é apresentado, é um mundo fascinante, pelo conflito de classes que introduz e pelo uso da genética na história.

Adorei a Elliot como protagonista. Ela carrega tantas preocupações, e tenta fazer o melhor que pode com as circunstâncias. Recusou fugir de North Estate há quatro anos com o Kai, por um sentido de dever para com a propriedade e as pessoas que nela vivem. Apesar de ter um temperamento calmo, não deixa que a atropelem. E passou quatro anos a arrepender-se da sua decisão. Acho que a autora conseguiu transpor os dilemas da Anne Elliot muito bem para a sua homónima, dando-lhes relevância neste mundo.

Outro ponto que me agradou na história são as cartas, que mostram um bocadinho da relação da Elliot e do Kai no passado. Permitem compreender a história deles, e também perceber melhor este mundo e os seus problemas, através dos olhos das crianças que eles foram. E a carta final do Kai é tão gira, e também uma boa homenagem à sua congénere.

Quanto ao Kai, achei-o um tudo-nada duro demais com a Elliot. Compreendo porque o fazia, para se proteger emocionalmente, mas a sério, estava com vontade de lhe torcer o pescoço nalgumas partes. Mas fiquei interessada em descobrir o percurso dele durante aqueles quatro anos. Tomou uma decisão questionável, e que é em si um pequeno twist que não estava à espera. Mas a sua determinação levou-o a conseguir melhorar a sua posição na vida.

É interessante o modo como a autora explorou dois temas apenas aflorados em Persuasão, navegadores/exploradores e grandes propriedades agrícolas, o segundo com os problemas envolvendo os Reducted e os Posts, e o primeiro com as coisas que a Cloud Fleet se propôs alcançar. A Fleet está a fazer uma série de coisas interessantes e diverti-me com a subversão subjacente às "descobertas" deles. A sociedade dos Luddites está a mudar, coisa com que não contava.

Uma nota final para a minha edição, que tinha como bónus uma carta da autora e um pequeno conto que acontece após o final de For Darkness Shows the Stars - conto esse que imagino que faz a ligação com o próximo livro da autora. Estou muito animada para o ler.

Páginas: 448

Editora: Balzer + Bray (HarperCollins)

Participação no Só Ler Não Basta

Fui convidada para participar este mês em Agosto no Só Ler Não Basta, um projecto que junta a Carla do Este meu cantinho..., a Diana do Papéis e Letras, e a Telma do Ler e reflectir.... O tema do mês? Adaptações cinematográficas, um tema que deu e dá pano para mangas. Podem ver o resultado em baixo ou neste link. Foi uma experiência engraçada, tirou-me da minha zona de conforto (tanto que tenho alguma relutância em rever o episódio e ver-me no vídeo, lol) e pôs-me a fazer uma coisa que nunca tinha imaginado fazer - e por isso só tenho agradecer o convite e por se terem lembrado de mim para contribuir para a discussão. Em termos técnicos, a minha ligação à net é que se podia ter portado melhor. ("Caí" várias vezes, mas estou bem, não houve danos permanentes. xD)


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Uma imagem vale mil palavras: Cidade dos Ossos (2013)

(... recuso-me a usar o nome completo do filme, porque é demasiado longo e acho desnecessário porem-lhe o "Instrumentos Mortais" antes do título principal. E estou a sentir-me preguiçosa.)

Foi uma boa sessão para trailers. Vi o trailer do Kick-Ass 2 (não vi o primeiro filme, mas li a BD e estou curiosa quanto à história da sequela), do Catching Fire (e continua a aumentar a minha adoração pela Effie com aquela fala do "chins up, smiles on"; ah, e o tradutor/legendador devia levar uma traulitada por escrever "Gael" em vez de "Gale"), outra vez, e o RPG (que era filme que eu era capaz de não ir ver, porque parece um mash-up do Os Jogos da Fome e do Destinos Interrompidos, mas agora que descobri que tem produção portuguesa até estou interessada... morbidamente interessada).


Sobre o filme... é uma sensação engraçada. Disse cobras e lagartos das adaptações do Beautiful Creatures e do The Host. E li ambos os livros há imenso tempo, tal como o Cidade dos Ossos. Por isso, é provável que não me lembre de alguns pormenores, e que lhes sinta menos a falta - nos três casos. O problema é que eu senti falta dalguns pormenores nos dois primeiros, e achei que ambos falharam em transmitir o espírito da história, senão no seu todo, pelo menos em parte. E com o Cidade dos Ossos eu não senti isso. Não é um filme perfeito, e é um pouco diferente do que tinha imaginado que ia ser.. mas diferente não é mau. Acho que está mais próximo do espírito dos livros, e do que a minha imaginação tinha conjurado, do que esperava. E saí da sala agradavelmente surpreendida.

Durante o início da história tive uma sensação de estranheza que não soube definir. O filme lembrava-me um daqueles filmes de aventuras dos anos 90 que passam na televisão. E depois lembrei-me de algo que li no Official Movie Companion - ao que parece, o filme foi rodado em película, não em digital. E numa época de digital, 3D e IMAX, é definitivamente alienígena ver no cinema o resultado de filmagens neste meio. É menos perfeitinho, estilizado, ou brilhante. Mas acaba por resultar. No fim do filme já tinha entranhado e deixado de estranhar... e os efeitos especiais do clímax da história funcionaram bem com este meio.


Senti-a como uma adaptação que tentou ser fiel aos livros - tenho a impressão que nas mãos de outra pessoa tinham metido os pés pelas mãos e cortado coisas ao desbarato sem fazer sentido nenhum. Mas aqui fiquei com a ideia que houve um certo respeito pela história e pelos fãs, e aquilo que de facto cortaram ou modificaram fez sentido para mim. A maior parte das coisas que mudaram ajuda a contar melhor a história em filme, e só algumas mudanças na parte final do filme me deixaram na dúvida.

A mudança de local do clímax - em termos da produção dum filme, e do tempo que têm para contar uma história, faz sentido, em vez de darem voltas e voltas para chegar ao local do livro. A revelação que "estraga" o momento-choque do fim - bem, eu nunca acreditei que isso fosse verdade quando estava a ler o livro, por isso não me faz diferença que o facilitem para a audiência que não leu os livros. Gostei de alguns aspectos visuais desta parte final - os demónios, a abertura das protecções do Instituto, o lança chamas, até o pentagrama do Valentine (tão giro como ele o constrói). Por outro lado, aquilo que me fez mais comichão de terem mudado é a posse da Taça Mortal, que me parece que está nas mãos erradas no fim do filme. A fazerem uma sequela, como exactamente é que vão explicar isso?


Uma parte que me agradou é manterem o sentido de humor e as falas divertidas de alguns personagens. (Pontos bónus ao Robert Sheehan por conseguir dizer as falas dele com uma cara séria.) Passei parte do filme na risota, mesmo já conhecendo os diálogos. (Aliás, sou capaz de me ter rido que nem uma pateta precisamente por os conhecer.) Faltou-me foi uma certa qualidade sarcástica e auto-depreciativa do Jace. Não me lembro se no primeiro livro essa sua qualidade está apurada, mas achei o personagem um pouco sério a mais.

Sobre os personagens e respectivos actores... a Lily Collins está bem fofinha, e gostei da sua Clary. O Jamie, como Jace, estava bastante próximo daquilo que tinha imaginado, e fez um bom trabalho com o que tinha. (Mas faltou-me o sentido de comédia trágica do Jace, lá está.) O Robert Sheehan como Simon estava óptimo, com o equilíbrio certo de anseio pela Clary e sentido de humor. Os actores da Isabelle e do Magnus, bem, não têm muito destaque, mas os próprios personagens não o têm no livro. O Magnus só se revelou, para mim, na trilogia dos Infernal Devices, e à Izzy ganhei-lhe gosto ao longo da série. (Se bem que gostei do que vi dela.) Ao Alec faltou-lhe um je ne sais quoi. (Ou para ser honesta, sei. Bem sei que o Alec é um rufião com a Clary no primeiro livro, mas também tem uma certa vulnerabilidade que me fez falta.)

O Luke ainda me parece algo novo de mais, que me desculpe o Aidan Turner que fez um trabalho decente, mas caramba, tiveram de lhe pôr uma "coisa" esbranquiçada na parte da frente da cabeça para lhe o envelhecer. A Lena Headey não tem muito tempo de antena, mas gostei da cena de acção dela, que nos mostra porque é que a Jocelyn é uma óptima Caçadora de Sombras, algo que até os livros às vezes se esquecem de fazer. E por falar nisso, ri-me um bocado com os actores escolhidos para fazer de rufiões do Valentine - são actores que já têm feito papéis de "músculo" noutros filmes. O Valentine/Jonathan Rhys Meyers - bem, eu esqueci-me que o Valentine devia ser loiro até há coisa de um mês ou dois, por isso o casting agradou-me (e distraiu-me), e foi uma boa escolha. O actor tem presença e consegue ser arrepiante e psicopata com o pouco que tem.


Acerca do cenário, acho que o facto de saber que isto foi filmado em Toronto me prejudicou. Não pretendo fingir que sei como é que Nova Iorque (ou neste caso, Brooklyn) é, mas pareceu-me que faltou um bocadinho assim para os cenários me convencerem. Mas por outro lado, a parte da produção que envolve os cenários interiores e os adereços agradou-me. Gostei bastante da Cidade dos Ossos, da biblioteca do Instituto, da estufa, e da "aparição" do Instituto. Por outro lado, as roupas dos Caçadores de Sombras estão ali no limite. Visualmente são fantásticas (se bem que as imaginei de outra maneira), mas nalguns pontos exageraram no aspecto gótico (a roupa do Alec estava ridícula).

Em suma, fiquei satisfeita com a adaptação. Mais do que estava à espera, tendo em conta que as últimas que vi têm deixado a desejar. Foi uma surpresa agradável, especialmente porque dei por mim submersa no mundo e na história, e porque achei o filme mais fiel ao livro do que esperava, por isso diria que foi uma adaptação bem sucedida, na minha opinião.