terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Este mês em leituras: Dezembro 2013

Fim do mês, fim do ano! Um ano muito agitado, por sinal, com muitas mudanças, algumas muito boas, outras nem tanto... A vida real por vezes sobrepôs-se com os meus hobbies favoritos, ler e opinar, mas sou teimosa, e não deixo que isso afecte o meu entusiasmo pela leitura; e sou eternamente optimista, espero sempre que o futuro melhore, e tenho as melhores expectativas para 2014. Que o ano esteja cheio de coisas boas para todos.

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Finding It, Cora Carmack - porque a história da Kelsey me tocou;
  • O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick; Fahrenheit 451, Ray Bradbury - estes vão juntos, porque marcaram mais pela negativa e pela mesma razão... para livros sobre os quais tinha grandes expectativas, que têm tão boas recomendações, ficaram aquém do que esperava deles; consigo apreciá-los intelectualmente, mas não me conseguiram cativar ou criar uma ligação emocional comigo, o que me fez falta na leitura, aquela sensação de estar completamente embrenhada neste mundo...;
  • Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi - *fangirla* a sério, que nostalgia, que bom voltar a um mundo conhecido e redescobri-lo... a autora conta uma boa história, e fez aqui uma série de coisas que me agradaram muito;
  • Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout -  foi uma boa surpresa, não estava à espera de gostar tanto do que é essencialmente uma história recontada pelos olhos de outro personagem.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Bem, podemos já começar pelas aquisições de Natal e tudo:
Brilho de Bruxa, L.J. Smith
Tigana - A Lâmina na Alma, Guy Gavriel Kay
Justiça de Kushiel, Jacqueline Carey
O Silo, Hugh Howey
Transformar-se em Maria Antonieta, Juliet Grey
Gwenhwyfar - O Espírito Branco, Mercedes Lackey
Romeu e Julieta, William Shakespeare
Corações Gelados, Laurie Halse Anderson
Contos Completos, Irmãos Grimm
Grita, Laurie Halse Anderson
Aborrecer a família para aproveitar aquela promoção da Fnac de pagar dois livros e trazer quatro deu os seus frutos para o Natal... Os livros que estão deitados são dos pais, os primeiros dois que estão em pé são da mana, o Contos Completos é uma prenda para mim própria, e o Grita vinha de oferta com um dos outros livros, mas já tenho e já li, talvez o ofereça.

Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout
Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi
Just One Day, Gayle Forman
The School for Good and Evil, Soman Chainani
The Complete Illustrated Tales of Hans Christian Andersen, Hans Christian Andersen
These Broken Stars, Amie Kaufman, Meagan Spooner
The Hunger Games: Catching Fire: The Official Illustrated Movie Companion, Kate Egan
Qualquer pilha que meta Jennifer L. Armentrout e Sailor Moon é uma boa pilha. Entretanto, o Just One Day já chegou (foi enviado antes do segundo livro da série, mas chegou muito depois), e já posso pôr-me a jeito para a Gayle Forman me espezinhar o coração. O These Broken Stars chegou ontem, quando eu achava que já não ia chegar mais nada via CTT (com as greves e os feriados, que mais podia esperar?), e é tão, tão bonito... e grande. É um hardcover com um tamanho pouco usual. E o último é o movie companion do Catching Fire, tenho de dar uma espreitadela.

Morte na Aldeia, Caroline Graham
O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry
Ainda no tópico aquisições de livros, encontrei esta box na Fnac, e tive de a trazer comigo. Estava a um preço fabuloso (comprei-a num dia em que havia 20% de desconto em livros), e ainda traz uma caneca e chá. Que boa compra.

Bitter Sweet Love, Jennifer L. Armentrout
Uma aquisição electrónica, pois gosto muito de seguir a autora, e esta é uma novela em formato e-book, que também é uma prequela da série que a autora vai lançar em Fevereiro...

A banda desenhada do mês, com direito a livrinhos Disney, mais a colecção Astérix e a colecção dos heróis DC... e uma surpresa, pelo menos para mim: Astronauta - Magnetar. Já tinha visto divulgação do livro por aí e tinha ficado curiosa, mas ao que tinha percebido, o livro tinha sido recolhido sem grandes vendas... já não tinha esperança de lhe pôr as mãos em cima. Encontrei-o na livraria Barata - onde fui pela primeira vez, shame on me, descobri há pouco tempo que até é perto do meu local de trabalho - e descobri que esta livraria até tem uma boa distribuição de revistas da Panini brasileira.

Esta é a secção "coisas relacionadas com livros, mas que não são livros". Primeiro, algumas canecas que têm a impressão das capas dos clássicos editados pela Civilização Editora (já disse que faço colecção de canecas?) - só livros favoritos. E tenho a dizer que ainda me salta a tampa se não ponho brevemente a vista em cima do Persuasão, na edição que faz parte desta colecção. Supostamente já saiu para as livrarias, mas ainda não o vi em lado nenhum. :(

Este é um livrinho giro com o design semelhante ao The Book of Quotes, e até tem algumas citações e tudo, mas é em versão diário/caderno.

Um diário de leituras Bertrand, que bem preciso para o ano que começa amanhã. Tinha perguntado numa Bertrand se tinham, e responderam que estava esgotado e só no início de 2014 é que seria reposto, mas passei por outra Bertrand e ainda tinham lá este. :)

A ler brevemente

Tenho uma encomendazita no Book Depository, e tudo depende da rapidez com que enviarem os livros, e os CTT mos entregarem... mas algumas possibilidades estão ali por cima. Cynthia Hand, porque a editora portuguesa disse que não tinha previsão de publicar o terceiro livro E EU PRECISO DE SABER como termina. O Angelfall para uma leitura conjunta, e o Pivot Point também - uma leitura que era para ter sido feita em Novembro, mas tanto eu como a minha co-leitora somos umas moças muito mal comportadas. :P

Espero receber o que me falta da Naoko Takeuchi no universo Sailor Moon, e quero muito ler esses... também vou receber umas coisas da Meg Cabot, bateram as saudades dos livros dela e lá vou eu (re)ler algumas coisas. O Just One Day, já sei, vai-me partir o coração, porque a autora não sabe escrever doutra maneira (nem eu queria), e o These Broken Stars parece tão giro, espero que corresponda às minhas expectativas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout


Opinião: Este livro tem uma origem engraçada. A autora lançou o primeiro livro, Wait for You, inicialmente em forma auto-publicada, no início do ano, mas a popularidade que ganhou nas primeiras semanas ganhou-lhe um contrato com uma editora tradicional. (Um percurso pouco habitual para uma autora que já tinha sido publicada tradicionalmente.) E em resultado, com os fãs curiosos por ler algo do ponto de vista do protagonista masculino, Cam, e sendo a JLA a autora overachiever que é, lançou-se a escrever isto, que acabou por se tornar um livro (ela chama-lhe novela, apesar de ter o tamanho dum livro) que reconta Wait for You e que tem como narrador o Cam.

Gostei de ler. É um exercício de escrita (e de vida) giro, conhecer uma história e depois pôr-mo-nos no lugar de outra pessoa. E ler a história sendo o narrador outra pessoa acaba por apresentar alguns aspectos novos, ou reenquadrar aspectos já conhecidos. A Avery como narradora é capaz de ter saltado detalhes que achava desinteressantes, mas depois o Cam pensa de maneira diferente e fala neles.

Apreciei conhecer melhor alguns dos personagens secundários, como o Jase, a Teresa (que terão a sua própria história no segundo livro da série, Be With Me, e tenho a sensação que a história deles já começou numa dada cena que surge neste livro), o Ollie, os pais do Cameron (tão fofinhos) ou a tartaruga Raphael. Achei imensa piada à amizade entre os rapazes da trama (Jase, Ollie e Cam), já agora.

Diverti-me com a maneira como o Cam via o mundo, e adorei ver a Avery pelos seus olhos. (E a alcunha que lhe dava! Sem preço...) A pobre da rapariga, era óbvio em Wait for You, tinha uma enorme falta de experiência em lidar com pessoas da sua idade, e dava para depreender o seu passado daquilo que ela nos contava... mas é interessante ver como alguém que lidava com ela dia-a-dia se foi apercebendo disso. E foi engraçado ver o Cam nas primeiras semanas a aproximar-se dela, primeiro cheio de curiosidade e de vontade de a fazer sair da casca, mas depois com uma boa amizade e carinho, e vontade de cuidar dela.

Apenas fez-me falta foi vê-lo lidar com os problemas que teve no passado. Temos uma cena com ele no aconselhamento, no início, mas depois isso nunca mais é abordado, é uma pena, era um fio de enredo que merecia ser explorado. E já agora, não propriamente relacionado com este livro ou o outro, gostava de ter conhecido a Avery naqueles 5 anos marcantes do passado dela. E de ver como se manteve sã, apesar de tudo.

Páginas: 352

Editora: Wiliam Morrow Impulse (HarperCollins)

sábado, 28 de dezembro de 2013

Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi

https://www.goodreads.com/book/show/13330312-pretty-guardian-sailor-moon-vol-7
E retomei a leitura da série, com a box que contém os volumes 7 a 12 da mesma. O volume 7, e parte do 8, continuam o arco dos Death Busters/Infinity. Gosto imenso desta parte da história, porque é a história da Hotaru/Sailor Saturn, e tem alguns momentos arrepiantes. A história dela é bem triste e ao mesmo tempo deveras interessante. Gostei de ver esclarecido aquilo que lhe foi feito para a manter viva e à mercê da Mistress 9. E de como a Saturno é sempre a Navegante temida ("always the uninvited guest"), pelo que significa.

Se bem que, e aqui é a taradinha da mitologia a falar, é completamente ridículo que tendo em conta os papéis atribuídos às Navegantes da Hotaru e da Setsuna, estas sejam respectivamente a Saturno e a Plutão; devia ser ao contrário. A Hotaru, como representante da destruição e morte, devia ser a Plutão (=deus da morte e do submundo na mitologia greco-romana), e a Setsuna, guardiã do tempo, devia ser a Saturno (=deus do tempo na mitologia greco-romana). Isto não alteraria nada os papéis delas na história, apenas tornaria os paralelismos com a mitologia mais perfeitos, já que praticamente todas as outras navegantes mostram características em consonância com o seu planeta (deus grego/romano) regente.

O grupinho das Outer Senshi dá comigo em doida com aquela insistência em terem de fazer a sua coisa sozinhas, sem a ajuda das outras navegantes, mas vá lá, ganham juízo, porque a Sailor Moon não as deixa armarem-se em patetas. Porque quando as conhecemos melhor elas têm uma história passada fascinante. Estas navegantes viviam isoladas, no seu planeta respectivo, e tiveram de ver a destruição do Silver Millennium na Lua sem poderem mexer uma palha. E o laço que as liga às outras é dual: não se querem envolver pelo que aconteceu no passado, mas no fundo são igualmente dedicadas à sua missão. Apenas fazem as coisas de maneira diferente. A parte final do arco, em que a Saturno renasce e faz a sua coisa, é arrepiante, mas adorei ler.

http://www.goodreads.com/book/show/13533761-pretty-guardian-sailor-moon-vol-8
 Depois o arco dos Sonhos/Pégaso começa, no fim do volume 8, e estende-se até ao volume 10. Ainda não sei se gosto mais ou menos de como este arco foi tratado no manga, em relação ao anime, porque engonha menos numas coisas, mas depois perdem-se outras. Perdi o trio Amazonas, Olho de Peixe, Tigre e Falcão, que aqui não têm a história que têm no anime. Mas, por outro lado, ganhei o quarteto Amazonas, que é tão mais giro aqui, especialmente pela ligação à Chibi-Usa. Gosto muito da sugestão de que serão as companheiras dela quando esta se tornar numa guardiã plena.

Adoro a parte em que a Chibi-Usa e a Usagi trocam de lugares, sendo que uma se torna adulta e a outra criança. A Usagi miúda é particularmente adorável. E morri a rir quando as navegantes achavam que a Chibi-Usa adulta era a Black Lady outra vez. Entristece-me ver o dilema da Chibi-Usa. Porque é uma miúda que tem virtualmente 900 anos (ela é que tem o corpo de criança, normalmente, apesar de ser muitíssimo mais velha que a Usagi do presente), e que não pode crescer - pelo menos, até o status quo mudar - e é daí que vêm as inseguranças dela.

O volume 9 tem uns momentos muito bons, pois cada capítulo é dedicado a cada uma das Inner Senshi - ao verem-se confrontadas com o inimigo, o leitor é apresentado ao mundo interior de cada uma, aos seus sonhos, ao que elas querem da vida... e foi engraçado conhecer o "eu Navegante" de cada uma, além de as ver recuperar a sua transformação.

http://www.goodreads.com/book/show/13643021-pretty-guardian-sailor-moon-vol-9O mesmo volume reintroduz as Outer Senshi e faz o mesmo que os capítulos anteriores fizeram pelas outras. Foi tão bonito vê-las estabelecer uma vida para si próprias, depois do Arco Infinity, a cuidar da Hotaru... adorei o modo como elas tinham tudo planeado! Isto é, até a pequena lhes trocar as voltas. É interessante ver a relação da Haruka e da Michiru, apesar de ser tudo muito sugerido pela rama, e de a autora tentar manter a natureza da Haruka assim por trás de cortinas de fumo e tal, o que é uma opção ridícula, na minha opinião.

Adorei ver a pequena Hotaru a crescer, como se desenvolvia, e como no fim reencontrou o seu lado Saturno. E como tecnicamente, ela é a líder das Outer Senshi, apesar de ser a mais nova, porque a Sailor Saturn é também a mais, er, solene. É uma dualidade interessante, a Hotaru é muitos aspectos uma adulta num corpo de criança. (Já agora, a única coisa que me aborreceu neste volume foi a história da Venus/Minako ficar suspensa no capítulo dela, e só ser resolvida depois das Outer Senshi aparecerem. Não gosto de cliffhangers que depois passam para outra cena completamente diferente no capítulo seguinte.)

E a Usagi e o Mamoru tornam-se pequeninos, outra vez (para ela), tão fofos! Além de que este arco desenvolve mais um bocadinho da mitologia da Terra, e do reino que nela existia (do qual o Endymion, agora Mamoru, era príncipe). Por outro lado, sinto que a Nehellenia, a vilã, não tem a mesma força que tinha no anime, em que eu adorava a personagem dela. 

http://www.goodreads.com/book/show/15732827-pretty-guardian-sailor-moon-vol-10Ohhh, e agora que me lembro, o volume 10 tem a Luna, o Artemis, e a Diana na forma humana. Tão giros. Foi uma adição muito engraçada. Assim como a inversão de papéis da Sailor Chibi-Moon e do Helios, à lá Bela Adormecida. E convenhamos, o fim do arco dos Sonhos (e do volume 10) é muito bonito. Acho que é o Artemis que comenta que parece uma coroação, e realmente permite ver um bocadinho do que será o futuro Silver Millennium na Terra.

Entretanto os volumes finais, 11 e 12, reúnem o último arco, Stars. Parece pouco para um arco tão grandioso, mas se fosse mais longo era uma tortura. Porque acontece de tudo às Navegantes, o que é horrível e tristíssimo, e deixou-me completamente deprimida porque a Usagi fica bastante sozinha muito cedo, e a enfrentar as perdas de todos os que ama. A única coisa boa disto é o crescimento dela como personagem.

Por outro lado, este arco é fortíssimo no que toca a enriquecer a mitologia deste mundo. Adorei todo o conceito do Galaxy Cauldron, de como há estrelas por essa galáxia fora, de como há navegantes/guardiãs de planetas por esse espaço fora (e da importância que Luna, Artemis, Phobos e Deimos têm neste aspecto), e de como a Sailor Galaxia, numa busca incessante de poder, criou o Shadow Galactica para (muahahahah!) acumular poder e destruir tudo à sua frente.

http://www.goodreads.com/book/show/16071859-pretty-guardian-sailor-moon-vol-11Ah, e ainda nesse aspecto, posso contar também a pequena reviravolta com a Chibi Chibi (adorável). Acho muito intrigante o que é sugerido acerca do futuro, e gosto da ambiguidade em relação à natureza da Sailor Cosmos. Tenho a minha própria opinião acerca do assunto, mas de vez em quando mudo de ideias. Porque é uma ideia tão provocadora e tão boa que merece quase um livro acerca do assunto.

Também achei bem interessante ver desmoronar o futuro do século XXX. Apesar de tudo, das inseguranças da Usagi acerca do Mamoru, e dos vilões que enfrentam, uma coisa que era incontestável é que tinham um futuro juntos, e que o Silver Millennium seria um dado adquirido no futuro. O que me agrada, mas também me fez questionar sempre o que aconteceria se no presente algo acontecesse que pudesse destruir esse futuro idílico. Pontos bónus por a Naoko Takeuchi me tirar as dúvidas.

Outra coisa muito interessante na série é ver como toda a gente é extremamente devotada à Usagi/Sailor Moon/futura Rainha Serenidade. E se bem que ela tem os seus defeitos e recua quando devia avançar, e tem muitas dúvidas e debate-se muito com o caminho a tomar, é isso que faz dela uma personagem que vale a pena acompanhar. E no fim, ela acaba sempre por mostrar o que vale, e a ultrapassar as nossas expectativas, e a mostrar porque é que será a rainha duma utopia futura. A rapariga é muito poderosa, e o seu coração, o seu bom fundo, a sua esperança sem fim acaba sempre por vir ao de cima, sendo uma luz que derrota as trevas.

http://www.goodreads.com/book/show/16071860-pretty-guardian-sailor-moon-vol-12Outra coisa que gosto imenso de ver na série é a relação da Usagi com o Mamoru. Já disse que os adoro, que são épicos e que me delicio a acompanhá-los como casal, e a torcer por eles... e acrescento que gosto de ver a dinâmica de casal deles. Bem, talvez não as ciumeiras da Usagi. Mas o facto de que ela é a todo-poderosa Sailor Moon, e o pobre do Mamoru debate-se com o facto de a estar a atrasar... e ela ao mesmo tempo a perguntar-se se não traz desgraça a todos e se não se devia afastar... *sem palavras* The feels! All of the feels!

E ainda tenho a dizer... gosto mesmo da mensagem que a história passa. Que as raparigas podem ser fortes, e salvar o mundo, e ainda assim usar saltos altos e vestidinhos curtos, e uns uniformes meio ridículos, meio badass. E que todas as raparigas são diferentes, com uma miríade de sonhos e expectativas diferentes, e todas sentem a feminilidade de forma diferente, e que é ok sermos nós próprias. E a mensagem de amizade e fraternidade entre todas é também bastante enternecedora.

Ahhh! E já agora, nunca me tinha dado conta... eu sabia que a história tinha um pendor para a fantasia, com toda a magia e transformações a acontecer... mas nunca me tinha ocorrido que também tem um aspecto de ficção científica - com todos os vislumbres do futuro, e os pedaços de mitologia do último arco, que expandem o mundo das Navegantes pela galáxia fora... nem ao ler o Cinder, da Marissa Meyer, que é vagamente inspirado nisto, e muito mais claramente ficção científica, me tinha ocorrido. Sou tão cega! *facepalm* E pronto, este é mais uma razão para eu ter ficado a adorar toda a história. Não que precisasse de mais alguma. *psst... que tal a arte que enquadra os capítulos? adorava ter uns livrinhos que reunissem a arte de Sailor Moon*

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Boas Festas


Espero que tenham tido um Feliz Natal com a família, com boa comida e muitas prendinhas fixes, incluindo alguns bons livros para ler brevemente, ou no novo ano que se aproxima. Felizes Festas.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Fahrenheit 451, Ray Bradbury


Opinião: Em Fahrenheit 451, Ray Bradbury conta a história de um bombeiro que em ver de apagar fogos, os ateia. Pois Guy Montag vive num mundo em que é proibido ler livros, e os transgressores cedo verão as suas casas e bibliotecas a arder, em fogos postos pelos bombeiros.

É uma premissa bastante provocadora, e uma ideia muito interessante, que acaba por desembocar em dois aspectos. Um é o da censura, o da proibição de livros que aconteceu no passado, acontece no presente e acontecerá, acredito, no futuro. Onde quer que hajam livros, há alguém a sentir-se afrontado por estes, e quiçá a querer impedir os outros de os ler. Neste mundo, a censura é regulada por elementos particulares da sociedade, mas o mais curioso é que esta atitude deriva do crescente desinteresse da população em geral por livros.

O outro aspecto, e que é relacionado com esse desinteresse, é a emergência de formas de entretenimento e de tecnologia mais imediatas e mais "simples" que os livros. O crescente interesse da população pelo entretenimento fácil levou a uma simplificação dos livros... o que combinado com o conflito gerado em torno destes levou a que fossem banidos, pura e simplesmente, para manter a população feliz e sem conflito.

Tudo junto dá bastante pano para mangas reflexão. Podemos ver neste facilitismo e estupidificação das pessoas através do entretenimento um espelho da actualidade de hoje, com uma massificação dos meios de comunicação: TV, internet, e redes sociais... mas acho que o autor não é assim tão claro na sua crítica tendencialmente tecnófoba. Qual é, afinal, o problema principal, nesta questão? É a tecnologia (que pode fazer coisas maravilhosas, também), ou o uso que fazemos dela? Não há um exemplo de um personagem que conviva saudavelmente com a tecnologia, por isso suspeito que o autor se inclinava mais para a primeira, mas pessoalmente inclino-me mais para a segunda.

Tive alguma dificuldade com o estilo de escrita do autor. Depois do Philip K. Dick me parecer algo seco e pouco cativante, este autor vai na direcção oposta. Pareceu-me excessivo com tanta metáfora, tanto floreado, tantos rodriguinhos... tornou-se um bocadinho saturante, e pouco contribuiu para a fluidez da leitura. Às tantas eu dava por mim a pensar: "bolas, pára lá de engonhar, avança-me mas é com a história". E depois tinha de pousar o livro, para descansar de tanto palavreado. É uma escrita às vezes bonita, mas há que saber dosear as metáforas e os artifícios, e duvido que o autor o saiba fazer.

Achei o protagonista, Guy Montag, um bocado tolo na maneira como reage às coisas... mas é um personagem melhor caracterizado por isso. Apreciei a sua evolução ao longo da história, o modo como foi despertando para o valor dos livros, apesar de as suas tentativas de fazer algo para mudar o seu mundo fossem bastante ineptas. (O que conta é a intenção, certo?)

Quanto ao final, gostei bastante da metáfora da fénix (vá lá, uma metáfora que se salve). Achei o final bastante vago, mas o próprio livro assim o é, em muitos aspectos, por isso está coerente com o resto da história.

Fahrenheit 451 é, em parte, uma carta de amor à palavra escrita e ao livro. Nota-se o valor que o autor lhes dá naquilo que escreve; e apesar de todos os defeitos que lhe encontrei, achei esta uma história importante, e merecedora de uma oportunidade, pois tem alguns pontos de reflexão, e como leitora inveterada não posso deixar de ficar horrorizada com o futuro que pinta.

Título original: Fahrenheit 451 (1953)

Páginas: 200

Editora: Europa-América

Tradução: Teresa da Costa Pinto Pereira

sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick


Opinião: Este foi uma leitura estranha e confusa, e a opinião daí resultante vai provavelmente também assim ser. Talvez curta. (Não prometo nada.) E qual foi o problema? O problema foi que embora a nível intelectual o livro seja muito rico, a nível emocional é tão seco, sendo incapaz de me transmitir algo. Acabou por se tornar uma leitura algo difícil, porque eu passei a leitura toda à espera que se fizesse um "clique", e a ser constantemente desapontada.

Não gostei da escrita. Achei-a aborrecida e pouco cativante. Dificultou-me a entrada na história e não me deixou enredar no decorrer dos acontecimentos. Além disso, contribui para que a caracterização dos personagens não seja grande coisa, no geral. Quero dizer, há momentos altos no percurso dos personagens que gostaria de louvar (adorei ver a evolução do Robert Childan, desde a sua subserviência aos japoneses, até ao seu momento de revelação e revolução contra essa atitude), mas no geral não houve um personagem que se destacasse e me mantivesse interessada na sua história.

Sinto ainda que o autor tinha estranhos momentos em que pouco revelava e deixava tudo pelas meias palavras, deixando-nos adivinhar o resto, mas depois logo a seguir punha coisas na boca dos personagens que me pareciam coisas que ambos os intervenientes da conversa sabiam, e que só estavam a dizer para benefício do leitor (eu) *cof*info-dump*cof*.

Agora sobre as coisas que gostei... O worldbuilding. Que é muito bom. Infelizmente isso não é o suficiente para salvar o livro, mas anda lá perto. Adoro a noção de história alternativa, e gosto muito de vislumbrar este mundo em que o Eixo ganhou a 2ª Grande Guerra, e os alemães e os japoneses dividiram o mundo ao meio. (Mais ou menos.)

É fascinante descobrir os pequenos pormenores que compõem este mundo. Há coisas ridículas (ainda estou a tentar perceber a lógica do I Ching, que é chinês e não japonês, e o modo como foi miraculosamente e rapidamente adoptado nesta nova ordem mundial). Mas há muitas outras coisas que compensam. O conceito de falsificação, original e historicidade, presente no enredo dos artefactos. Adorei a conversa do senhor Wyndam-Matson sobre o seu querido isqueiro e como tinha um certificado de historicidade. (Que não podia ter sido falsificado, nem nada.) E o tema das falsificações e do que é real e original acaba por repetir-se ao longo do livro. Com uma falsificação a funcionar melhor que o original (a do senhor Tagomi) ou as jóias originais (do Frank e do Ed) a cativarem o seu público mais que as antiguidades.

Gosto muito também do livro-dentro-do-livro, O Gafanhoto Será um Fardo, que preconiza neste mundo que afinal o Eixo perdeu. É uma ideia tão boa, e apreciei quaisquer pormenores dados sobre a narrativa. Só achei que seria mais perfeito se os acontecimentos n'O Gafanhoto fossem mais semelhantes, senão iguais, aos do nosso mundo. Acho que encaixaria melhor com a noção de realidade vs. falsidade que o autor estava a tentar estabelecer.

Sobre o final... aprecio o que o autor estava a tentar transmitir. Mas achei-o fraquinho. Quero dizer, é feita ali uma revelação grandiosa, e a reacção a, e tom da mesma, são tão mortos. Estava à espera dum final fortíssimo, um grande mind-fuck ao estilo Inception... e tudo o que parece acontecer é uma morte prematura da história. As coisas ficam muito em aberto, quase a meio. Não há uma resolução concreta para os personagens. Parece que o autor simplesmente se cansou de escrever, e decidiu que pronto, isso fazia daquilo o fim.

Enfim... voltando a repetir-me, o worldbuilding e os conceitos por trás da história são fantásticos. Foram o ponto alto da história. Não se pode é esperar que salvem o livro. A escrita, os personagens, e o modo como a história é desenvolvida têm de valer por si. E aqui, não me convenceram.

Uma última nota para o ensaio de Nuno Rogeiro, que me pareceu muito bom. Apenas não consegui usufruir muito dele, pois parece ser mais virado para quem conhece a obra do autor, o que não é o meu caso.

Título original: The Man in the High Castle (1962)

Páginas: 288

Editora: Saída de Emergência

Tradução: David Soares

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma imagem vale mil palavras: O Hobbit - A Desolação de Smaug (2013)

O ano passado passei o comentário todo de O Hobbit - Uma Viagem Inesperada a queixar-me do tom do filme. Tinha acabado de ler o livro naquela altura, e sentia falta do tom mais aventureiro mas menos épico do mesmo. Isso, em combinação com o enchimento de chouriços e o engonhanço, não tornou o primeiro filme numa experiência tão satisfatória como podia ser. Este filme (e vou já excluir dele o final, que me recuso a reconhecer como aceitável) foi muito melhor. Como história, é muito mais completa (again, se ignorarmos o estúpido do final), e o tom épico adequa-se muito mais à história que é apresentada. Saí muito mais feliz da vida com sessão do que da outra vez.

Primeiro, as questões técnicas. Fui ver a versão IMAX 3D, combinada com aquilo do high frame rate (HFR). Normalmente sou a primeira pessoa a queixar-me do 3D, mas desta vez foi tão giro, mesmo com dois pares de óculos em cima do nariz. O 3D pareceu-me... imersivo, não tive dificuldade em ver a profundidade desde o início, naquela cena em Bree. Suponho que o IMAX contribui para isso. E o HFR dá uma outra dinâmica às cenas. Há certas ocasiões em que a imagem fica um pouco tremida, mas de resto não me incomodou... como disse, dá outra dinâmica às cenas, especialmente às de acção.

Cenas que queria destacar... a das aranhas. Credo, que nojo, era a única cena que dispensava ver em 3D. Foi um tudo-nada arrepiante. Mas tem um final muito interessante. Vê-se como o anel já está a afectar negativamente o Bilbo... com aquela reacção toda "MEU!", e com ele a ficar algo assustado com a sua própria reacção.

Achei as cenas em Mirkwood, no palácio do rei, muito curtas. Pareceu que pisquei os olhos uma vez, e os anões tinham sido capturados; pisquei outra vez, e os anões já tinham fugido. Por outro lado, Mirkwood dá-nos o rei Thranduil, que é exactamente como eu achei que um elfo da floresta como ele devia ser: com um feitiozinho lixado. E, para contrabalançar, este segmento dá-nos a Tauriel, cujo papel sou capaz de abordar mais ali à frente, mas que para já tem uma parte muito boa: é um oposto do Thranduil e de outros elfos como ele. A sua compaixão, e capacidade para sonhar com a luz das estrelas... é um bom contraponto à frieza dos elfos de Mirkwood. Ainda há elfos por ali a sonhar com a luz de Aman.

Segue-se uma cena de acção divertidíssima... por várias razões. Número 1:
A sério, porque é que ainda ninguém fez esta piada? Há algo de errado com este mundo. Número 2: o Bombur derrotar uma série de Orcs só por obra e graça do seu peso da gravidade. Risota pegada. E, apesar de tudo, gostei bastante da cena. Não tem nada a ver com a fuga dos barris do livro, mas até prefiro esta. Nem que seja porque temos o Legolas e a Tauriel em modo Extreminador Implacável a dar cabo dos orcs. (Por falar no Legolas, OMG, que saudades da Irmandade, quase chorei de saudades quando lhe pus a vista em cima.) E agora que me lembro, foi hilariante o Legolas perguntar ao Gloin "quem é este feioso?", e este responder "ei, é o meu filho Gimli".

Entretanto, o Gandalf vai por conta própria investigar o que se passa em Dol Guldur, e de caminho cair na armadilha mais óbvia de sempre. Bem, ele sabia que era uma armadilha... enfim. Esta é a parte mais filler do filme, pois nada disto é descrito no livro, mas até gostei de acompanhar os seus desenvolvimentos. Adorei a maneira como o Necromante é mostrado, e a cena em que ele e o Gandalf se enfrentam é fantástica. Especialmente pelos efeitos especiais do Olho, que é também uma maneira de preconizar o modo como o Sauron aparece na trilogia.

A Cidade do Lago foi diferente, mas muito mais completa do que poderia ter imaginado. Muito escura e degradada, o que é um reflexo do desleixo a que foi devotada, mas é um cenário com carisma. Foi muito divertido conhecer alguns dos seus personagens, como o Mestre. E gostei que elaborassem um pouco mais a vida na cidade, dando-nos a conhecer também o Bard e a sua família. No entanto, ainda estou a tentar perceber que propósito narrativo serve terem ficado 4 anões para trás. O único que tem desculpa é o Kili.

E por falar nele, tenho que abordar esta palermice com a Tauriel. Eu gosto da Tauriel. Já disse que ela é um contraponto aos outros elfos da floresta, e agrada-me que com esse papel questione o abandono do mundo exterior por parte dos elfos de Mirkwood. Que lute, e seja boa no que faz. Que veja o que está errado e se revolte e tente corriji-lo. E em certa medida, o interesse mútuo com o Kili tem algum potencial, desde que não abusem. E ali para o fim, abusaram. Aquela cena da cura é demasiado vaga e pirosa para fazer algum sentido. E a tentativa de criar ali um pseudo-triângulo amoroso? Mas o que é isto, um livro YA vomitou aqui em cima, caramba? *facepalm* (Isto vindo de alguém que lê muito YA e pode gozar com os tropes do género com conhecimento de causa.)

Passemos à parte importante... Smaug. Eu preciso de ver documentários ou extras sobre o trabalho de motion capture do Benedict Cumberbatch para o dragão, porque tenho a certeza que há de ser uma coisa linda de se ver. À parte isso... a minha parte favorita foram as cenas com o Bilbo, e só tenho pena que tenham mudado tanto as coisas. A maneira como as coisas se desenrolam no livro fazem mais sentido.

Achei totalmente desnecessários os 20 minutos de cobóiadas dos anões. Primeiro porque, e eu sei que disse na opinião do filme anterior que estava a gostar de ver os anões um bocadinho menos resmungões e cobardes, mas isto já é exagerar muito no sentido contrário. Foram cenas desnecessárias, porque podia-se obter o mesmo resultado (o Smaug ir pegar fogo à Cidade do Logo) com as picardias entre o dragão e o Bilbo, com o roubar da jóia, e com a mera sugestão de que o Bilbo estava a trabalhar com os anões. (E aqui era mesmo uma situação em que não deviam ter roubado o protagonismo ao Bilbo. Esta é a história dele e convenhamos, ele resolve 90% das trapalhadas em que ele e os anões se metem.)

Esta parte também foi desnecessária porque... me roubou o meu final. A sério. Eu estava tão convencida que ia ver o Smaug a ser derrotado que foi tão anti-climático ver que o filme terminava com ele a partir para a Cidade do Lago. Que horror, não se termina uma história assim. O conflito principal não foi resolvido, nem o antagonista principal derrotado. Narrativamente isto não faz sentido nenhum.

Uma última menção ao elenco, que é fantástico e faz muito por dar vida a este mundo. Nem consigo nomear actores, porque há muitos a fazer um trabalho tremendo e eu ia esquecer-me de os nomear (ou passar aqui o dia).

Bem... venha o próximo. Estou para ver o que vai sair dali. Já falta tão pouco do livro... mas com o resolver das situações pendentes deste filme, mais a Batalha dos Cinco Exércitos, tenho quase a certeza que teremos fogo-de-artifício suficiente para duas horas e meia.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Finding It, Cora Carmack


Opinião: Estou fascinada com esta autora. Ao longo desta série, tem conseguido a proeza de pegar no tipo de história que é relativamente formulaica (romance contemporâneo) e dar-lhe uma apresentação diferente em cada livro, no que concerne a tom, tema, personagens, cenário ou enredo. E muito importante, com um sentido de humor fantástico e uma boa capacidade de nos deixar entrar na vida e na cabeça dos personagens durante aquelas horas que dura a leitura.

Primeiro, foi a história da Bliss e do Garrick (Losing It), muito cheia de humor e de situações engraçadas, mas que trabalhava a insegurança (e a trapalhice) da Bliss. Depois, a história da Max e do Cade (Faking It). Ambos tinham um historial de fragilidade em relação ao modo como os entes mais próximos os viam, particularmente a Max, cuja insegurança em relação aos pais era praticamente incapacitante.

E depois temos aqui a Kelsey e o Jackson. E devo dizer que a Kelsey é uma protagonista (a história é contada apenas do ponto de vista dela, como no Losing It, e ao contrário do Faking It) fabulosa. Nunca pensei que ela se viesse a revelar desta maneira. É uma personagem muito mais complexa e cheia de uma vida interior muito interessante.

Viajando pela Europa fora, a Kelsey está apenas à procura de um algo que ela não sabe definir. (E de estoirar o dinheiro do papá, mas até isso tem mais que se lhe diga.) Mas não está a resultar. O vazio continua a estar lá. E depois ela cruza-se com um estranho que resiste à sua sedução (o choque!) e se ri dela (a lata dele!) e a deixa completamente confusa. Bondade não é uma coisa que ela conheça bem, e a Kelsey lida melhor com o que a rodeia se souber o que os outros esperam dela, e se esperar o pior dos outros.

E depois o Jackson desafia-a a viajar durante uma semana com ele, e ver se a perspectiva dela sobre a sua viagem à Europa não muda. *suspiro* E que viagem. É daquelas para dar uma pontinha de inveja e uma dose saudável de wanderlust. E o que acho mais fascinante é a maneira como eles se revelam ao longo da viagem, como por exemplo vamos percebendo um bocadinho melhor a Kelsey, e como ela se esforça por mudar os padrões de comportamento em que tinha caído. E como a relação dos dois se desenvolve a partir de um apoio mútuo e de uma cumplicidade sem palavras, porque era o que ambos precisavam no momento.

Não senti a falta de ler algo no POV do Jackson, porque ele está num lugar melhor, em termos de mentalidade (se é que isto faz sentido), mas até estou curiosa por ler a novela que a autora vai publicar em Janeiro. Gostava de ver o que ele pensa da Kelsey.

E quanto à Kelsey, que rapariga... só me apetece dar-lhe um abraço apertado. Há tanto naquela cabeça, tantos medos a ser derrotados, tantos entraves colocados a si própria... é a melhor caracterização da Cora nos três livros, e diria que, paradoxalmente, é a mais pessoal e a mais universal - no seu medo de crescer, na procura de um lugar no mundo, no sentimento de à deriva que não permite à Kelsey contentar-se, sendo que o mundo não chega para esse sentimento tão grande.

Diria que este é o livro mais doce e mais amargo, pela história da Kelsey e pelas cenas dela e do Jackson, algumas tão bonitas e emocionais. E o mais maduro. O final não é aquela coisa perfeita dos contos de fadas mas é tão giro e realista... apesar da dor, é possível perdoar e recomeçar. É uma boa maneira de apresentar a questão.

Páginas: 320

Editora: William Morrow (Harper Collins)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Picture Puzzle #71


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título YA de ficção científica em inglês.

Puzzle #2
Pista: título adulto recente em português.

Divirtam-se!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sentinel, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Ao fim de cerca de dois anos, esta série chega ao fim. Estou a sentir-me um pouco nostálgica, pois foram os primeiros livros que li da autora e passei bons momentos com ela. Apresentaram-me ao sentido de humor da Jennifer, à sua capacidade de pegar em premissas conhecidas e dar-lhes umas reviravoltas, e em escrever livros absolutamente devoráveis.

Em termos de acção, achei o livro um pouco parado. Há muita conversa e muita viagem do ponto A ao ponto B e a seguir ao ponto C... e só mesmo no fim é que as coisas aquecem. Se bem que devo dizer que gostei de alguns pormenores desta parte, como a possessão pelo Phobos e Deimos, a aparição do Seth, e a adição do Perses.

A evolução do Seth tem sido uma coisa interessante de ler. Geralmente ao longo dos livros a autora manteve-me dividida entre ter vontade de o atropelar de tão idiota, ou de ter compaixão pelo modo como ele se "perdeu". E aqui gostei de o ver a encaminhar-se na direcção correcta, finalmente. Acho que ele está num estado mental frágil, especialmente com os acontecimentos finais, mas vou ter oportunidade de ver com os meus próprios olhos, graças ao spin-off focado nele.

Quanto à Alex, tem sido bem divertido observar a evolução dela ao longo da série. Aqui, ela enfrenta alguns desafios interessantes, como a possessão, ou o ter de lidar com o Perses (tipo maluco e perigoso, já agora), ou a aparição do pai dela, que só tive pena de não conhecer melhor. Gosto de vê-la com o Aiden, em como são mutuamente protectores um do outro e em como a sua ligação resiste a uma série de desafios. Torço o nariz a uma certa e determinada coisa que acontece entre eles, porque é totalmente desnecessário para a relação deles, mas enfim.

Quanto ao final, tive direito ao meu quê de acção, e foi interessante ver como a história convergiu para este final. Não sabia muito bem o que esperar do conceito de God Killer e no que aconteceria se a Alex se tornasse um, mas a maneira como a autora solucionou a situação foi bem engenhosa. Triste, bastante triste, cheia de luto, mas também com uma dose de esperança, e com uma situação de compromisso que tenho a certeza que daria uma saga em si.

Em suma, foi uma série que tive muito gosto em acompanhar. A Jennifer não é uma autora "premiável", mas é talentosa e extraordinária no que faz, e tem aqui uma fã, porque é cada vez mais difícil eu não gostar de um livro dela.

Páginas: 312

Editora: Spencer Hill Press

domingo, 8 de dezembro de 2013

Allegiant, Veronica Roth


Opinião: Este livro há de ficar para a história - para a minha história literária pessoal, pelo menos - por diversas e variadas razões. E a primeira delas nem tem propriamente a ver com o livro em si. É que esta é capaz de ser a primeira vez em que eu topo o que é que vai acontecer num livro, não por ler inadvertidamente um spoiler, mas por formular um palpite relativamente certeiro a partir das reacções das outras pessoas ao livro e ao final. Não tive de ler nada, bastou-me o drama, a indignação e os insultos para estimar que haviam apenas umas duas possibilidades que justificavam tais reacções.

Enfim... nem consigo ficar aborrecida com o spoiler acidental. Pelo menos dá uma boa história para contar. E a situação em questão não é coisa que me choque, sendo pelo menos coerente com a evolução da história ao longo da trilogia. Na minha opinião, vale a pena ler o livro para compreender por inteiro como é que se chega àquele ponto.

Se há coisa que eu posso dizer, e vou ver se evito entrar em pormenores, é que nunca me teria ocorrido ir pelo caminho que a Veronica escolheu ir depois do final surpreendente do Insurgent. A maneira como este mundo se expande é definitivamente inesperada, ainda que faça estranhamente sentido. As razões para o estabelecimento da sociedade que conhecemos em Chicago são reveladas, e acabam por dar uma dimensão algo pós-apocalíptica à coisa. Não estou completamente convencida com os pormenores, porque tocam em parte numa área pela qual me interesso e gostava de ver a situação explicada com maior detalhe.

Outra coisa que me surpreendeu é a desilusão com a natureza humana que a autora demonstra com o desenrolar dos acontecimentos. Por mais que as coisas mudem, há coisas que se mantêm na mesma, e a mente humana persiste na criação de etiquetas e no estabelecimento de divisões... é uma perspectiva madura para um autor tão jovem.

Quanto à Tris, que eu não posso deixar de mencionar... é curioso pensar na evolução dela ao longo dos livros. Se pudesse compará-la a outra heroína distópica, acho que compararia com a Katniss, da trilogia dos Jogos da Fome, porque ambas têm um perfil psicológico desenvolvido de forma exímia, e uma evolução muito coerente com o tipo de pessoas que são.

A Tris sempre se debateu com os seus lados altruísta e corajoso, nunca sentindo que encaixava numa das facções por causa disso. Debateu-se com o que significava ser Abnegation ou Dauntless. E teve muita dificuldade em aceitar aquilo que os pais fizeram por ela e em como havia de pagar ao mundo essa dádiva. (O que gerou uma série de acções aparvalhadas no Insurgent geradas pela sua incompreensão e falta de aceitação, mas todos temos direito a cometer erros até nos pormos ao caminho correcto.) Aqui, ela finalmente compreendeu o valor do verdadeiro altruísmo, aquele feito com nada mais que o outro em mente e com uma dose de valentia estúpida pelo meio. Com as suas acções em Insurgent, compreendeu a dádiva de estar vivo, e diria que está num bom lugar. É satisfatório vê-la assim.

Recordando o aspecto de o livro ser contado entre os pontos de vista da Tris e do Four, tenho de comentar um bocadinho os capítulos dele. Sempre achei o Four um personagem um bocado impenetrável, por isso foi muito revelador ler algumas coisas dentro da cabeça dele. Até tenho pena que a Veronica não tenha usado este expediente mais cedo. A sua personalidade revela-se, e dá para compreender melhor como é que ele funciona e de onde vêm as suas, hã, divergências de opinião com a Tris.

A parte que eu menos gostei no livro - não, não foi o final, embora até seja parte dele - foram as questões éticas apresentadas. Basicamente temos a Tris e os que a rodeiam a encarar uma situação do género "eles vão-nos fazer uma coisa horrível... por isso vamos fazer-lhes essa coisa horrível primeiro. Porque é por uma boa causa". Desculpem lá, tenham paciência, mas dois errados não fazem um certo, apesar de a situação até resultar melhor do que eu esperava. (O que não justifica que devesse ter sido executada.) Além disso, espera-se que uma pessoa faça uma coisa ainda mais horrível para garantir que essa coisa horrível ocorra, e pelas razões mais erradas de sempre. Fiquei exasperada com o comportamento dos intervenientes no assunto, e com o facto de ninguém ter levantado sequer oposição. Não sei se compreendo ou concordo com o que a Veronica estava a tentar fazer.

Quanto ao final... eu compreendo porque é que deixou tanta gente desapontada. Apenas não me senti assim com toda a situação. É certamente um daqueles exemplos de momento estúpido e incompreensível que a vida às vezes tem, daquelas coisas que não têm sentido algum nem alguma vez conseguiremos encontrar significado para elas. Mas as acções em si significam algo, e os seus motivos falam volumosamente, e acho que isso tem valor no grande esquema das coisas. Sim, a parte final do livro foi tristíssima, mas teve ressonância emocional e senti-o como verdadeiro, se é que isso faz sentido.

Pode não ser o final mais consensual para a trilogia, mas já admirei a autora por não se ter afastado de certos momentos espinhosos no Divergent, e aqui acho que posso fazer o mesmo. Foi uma trilogia que gostei de seguir, que me fez pensar e que me deu bons momentos. É estranho olhar em retrospectiva para as minhas expectativas antes de a começar a ler e ver o que decorreu desde então, mas estou contente por ter apostado num livro de aspecto estranho com uma bola de fogo esquisita na capa.

Be brave.

Páginas: 544

Editora: Katherine Tegen Books (Harper Collins)