sábado, 25 de março de 2017

Meg Cabot: She Went All the Way, The Boy is Back


Páginas: 368 / 368

Editora: Avon / William Morrow (HarperCollins)

Ahhhh, li o She Went All the Way há que tempos, e costumava adorá-lo. Todas as voltas e reviravoltas e o sarcasmo com o mundo Hollywoodesco... era bastante divertido.

Muitos anos passados, sobrevive ao escrutínio? Bem, sim e não. Ainda adoro o comportamento ridículo que a Meg descreve do pessoal do mundo do cinema, porque é feito de maneira a gozar um bocadinho com a coisa, e é imensamente divertido.

Também me divirto com a loucura do enredo. A maneira como os protagonistas se detestam, aparentemente - a Lou é uma argumentista e o Jack a estrela dos filmes que ela escreve, e a fonte da discórdia entre eles é o ele ter reescrito e actuado numa cena uma frase que acabou por ficar para a história da saga cinematográfica em que trabalham; e também o facto de ele ser um playboy sem rumo e ter partido o coração à amiga da Lou.

E pronto, é incrivelmente engraçado vê-los repensar a posição que tinham um sobre o outro, reconhecer a atracção mútua e agir de acordo com ela. Em adição, a acção do enredo é bastante louca e excitante - tipos aparecem do nada a querer matar o Jack e eles não fazem ideia porquê, e enquanto fogem consegue encontrar abrigo em casas no meio de nenhures.

Contudo, nesta leitura reconheço que preferia que a relação da Lou e do Jack fosse apresentada doutra maneira. O aspecto de eles se conhecerem há imenso tempo devia ser mais sublinhado, como forma de mostrar que já têm química. Devíamos ter mais cenas que permitam perceber que afinal até se entendem, porque já têm uma relação pré-construída antes do livro, ainda que não seja boa. E preferia que as coisas não avançassem tão depressa entre eles; é irrealista.

De qualquer modo, um volume divertido e que permite um bom bocado.

The Boy is Back é inteiramente novo. É um novo volume na série Boy, e como os outros é contado em comunicações entre personagens. Só que desta vez, está actualizado para os novos tempos. Não são só e-mails; são mensagens de texto e transcrições de entrevistas e artigos de jornais e chats/conversas partilhadas em aplicações de mensagens. (Duas personagens do primeiro livro da série aparecem brevemente: a Dolly é agente do protagonista masculino e o Tim tem uma livraria na cidade onde a acção se passa.)

Gostei muito. Adoro a ideia de ter a história contada em mais meios do que nunca, reconhecendo o mundo em que vivemos hoje. Permite alguma versatilidade na narrativa e graficamente o livro está bem giro.

Também gostei de como a parte do romântica do livro se desenrola. Com todas as referências Austenianas, é claramente um ligeiro retelling de Persuasão - dois apaixonados separados pelas circunstâncias uma década, que se reconectam precisamente por causa das circunstâncias.

Além disso, os dois protagonistas são adoráveis. Acho muita piada a como falam um do outro. A Becky tem a certo momento umas reminescências do tempo que passaram juntos 10 anos antes, e é tão giro. Quer dizer, o Reed é praticamente um unicórnio masculino. Aos 18 anos lia muito e lia com gosto Jane Austen. Onde é que isso se encontra, mesmo? (No entanto, adoraria mais cenas com eles a serem fofos um com o outro.)

O drama e as reviravoltas com os personagens também são divertidos - a um certo ponto. O enredo começa com um erro dos pais do Reed, e toda a gente acha que eles estão a desenvolver algum tipo de demência senil. Há partes dessa situação que é explorada com um pouco menos de finesse do que eu gostaria. Na maior parte, até é tratada com respeito, mas há momentos em que os personagens não parecem levar a situação a sério. Acaba por se relevar algo inteiramente diferente, no entanto... e acho interessante a solução que se apresenta.

Por outro lado, a situação dos pais dos Reed também tem outro ângulo, e adoro o drama envolvendo essa pessoa. É hilariante! E totalmente Meg Cabot. Só ela escreveria um personagem a ter um comportamento inicial tão ridículo, e acabar a ser apanhado assim. Muito divertido.

Em suma, uma bela adição à série de que faz parte.

P.S.: Esta capa! Tenho demasiadas poucas capas amarelas, e esta é fantástica ao vivo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Wires and Nerve, Marissa Meyer, Doug Holgate


Opinião: Raios, esta é uma nova forma de tortura. Já bem bastava ler um livro e esperar um ano para ler a sequela; agora em adição a isso, descubro que tenho direito a ver contadas mais histórias num mundo e numa série que adoro, e é em versão BD... que eu procedo a ler enquanto o diabo esfrega um olho e me sabe a pouco. Podemos saltar um ano, por favor?

Wires and Nerve serve como uma sequela à série principal das Lunar Chronicles: decorre alguns meses depois de Winter, e antes do conto-epílogo presente em Stars Above. O foco está na Iko, que finalmente tem direito ao seu POV e à sua própria história.

O enredo prende-se com uma consequência dos acontecimentos de Winter: depois da derrota de Levana, demasiados híbridos-lobos criados por ela ficaram à deriva na terra, sem controlo. A sua presença é um ponto de tensão política entre a Terra e Luna; e por isso Iko sugere à Cinder que pode ser ela a caçá-los, como uma agente externa.

E pronto, sempre soubemos que a Iko era maravilhosa; esta é só uma maneira de mostrar o quanto. Ela distribui porrada a rodos, e mantém o seu sentido de humor fantástico; e a história tem definitivamente uma certa leveza.

No entanto, gosto que a narrativa também tenha um tom mais sério entrelaçado - é que a Iko é uma andróide, e uma espécie de heroína esquecida por isso: todos os outros personagens são reconhecidos na Terra e em Luna como tendo terminado o reino de terror da Levana.

A Iko, por sua vez, não é considerada um ser sentiente, com sentimentos e personalidade; a individualidade que apresenta é considerada um defeito de fabrico do seu chip de personalidade. É trágico; ela é de fabrico artificial, sim, mas ser considerada menos que humana? Quando demonstra sentiência e personalidade para além da sua programação? É um comentário interessante sobre discriminação e minorias e o modo como achamos tão fácil julgar o que não conhecemos.

Gostei muito de rever toda a gente; a Iko acaba por se cruzar com todo o gang das Lunar Chronicles ao longo da história, e foi uma animação revê-los (e conhecer a sua interpretação gráfica por este artista). Gostei bastante do design de todos em geral, é aproximado o suficiente do que imaginava, mas com a sua própria interpretação.

Destaque para a Winter, que anda no seu papel de embaixadora; para a Cinder, que se esforça para mudar Luna; para a Scarlet e o Wolf, que vivem uma vida pacífica na quinta (e o Wolf está a trabalhar para o que vemos no conto do Stars Above - quero muito ver quando ele conseguir finalmente fazê-lo, mas a Scarlet não ajuda); e para a Cress e o Thorne, que viajam pelo mundo graças à nave Rampion e ao seu papel de distribuidores da cura para a lethumosis. (De todos, aquele que achei mais diferente é o Thorne: senti a falta do seu tom cheio de si... aqui ele está em modo herói, o que não é necessariamente mau, mas divirto-me bastante com a sua personalidade convencida e nada heróica.)

A narrativa faz um bom trabalho a relembrar o que está para trás (não que eu precisasse); quase me atrevo a dizer que é o suficiente para pessoas que ainda não contactaram com a série (se bem que se ainda não leram, estão à espera de quê? é só das melhores séries recentes do seu género), mas a sério, qualquer leitor está a perder muito não tendo lido a série, que é fantástica. E com este volume seria spoilado para os acontecimentos dela.

O enredo dos lobos perdidos começa a condensar-se num antagonista que vai dar muito trabalho à nossa protagonista no futuro, isso é claro; mas tenho toda a confiança e esperança na Iko. Por outro lado, ela volta a cruzar-se com o Kinney, e é tão divertido. Ele pensa dela que é como qualquer outro andróide, e é até um pouco insultuoso na maneira como fala com ela...

... mas há faíscas, e é tão giro de ver a parte final com eles a discutir e a desafiarem-se mutuamente. (E o comentário do Thorne sobre eles é hilariante.)

E pronto, agora estou para aqui a morrer já de saudades. Repetindo o meu comentário do início, já passou um ano? Podemos fazer fast-forward?

P.S.: uma opção interessante, graficamente falando, a de a arte ser em azul e branco. Gosto. Encaixa bem, de algum modo. Muito expressiva, ainda assim.

Páginas: 240

Editora: Feiwel & Friends (MacMillan)

terça-feira, 21 de março de 2017

Till Death, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Há algum tempo que não lia esta autora, e estava com saudades. Especialmente porque de início achei que era uma leitura mediana, boa, mas nada de especial; mas quanto mais penso nela, mas gosto dela.

Till Death conta a história de Sasha Keaton. Dez anos antes, a Sasha viu-se alvo dum serial killer... e escapou. Desde então, ela passou este tempo todo fora da sua cidade de origem; as memórias eram demasiado pesadas para ela.

Uma década depois, a Sasha sente-se preparada para voltar: sempre quis assumir a gerência da pousada da família. Contudo, mal põe os pés na sua antiga cidade, uma série de acontecimentos preocupantes começa a suceder-se, fazendo as pessoas pensar que o assassino está, de alguma forma, de volta. (Tinha morrido dez anos antes.)

E aqui está a minha parte favorita da história: a Sasha. Aquilo por que ela passou pode fazer qualquer um perguntar-se como é possível voltar a ter uma vida depois disso. Mas a Sasha conseguiu. Foi a terapia, e ainda tem pesadelos. Mas a Sasha reconstruiu-se de uma provação incrível. É o que adorei ver nela: convive em sociedade, tem um emprego, viveu algumas relações românticas breves - o que tendo em conta os contornos do serial killer em questão, seria muito difícil.

Acho que posso dizer que esta narrativa, em vez de se focar no trauma, como a maior parte dos livros que têm este elemento do enredo, foca-se na cura. O que impede a história de fazer da protagonista uma coitadinha - faz dela uma sobrevivente e uma guerreira. Gostei disso.

O enredo é um mistério/thriller que envolve a repetição de assassinatos semelhantes aos de dez anos atrás mal a Sasha volta à sua cidade natal; só que o assassino morreu na altura em que ela conseguiu fugir. A razão pela qual eles se estão a repetir é relativamente fácil de adivinhar - ao fim de uma década de Criminal Minds, é fácil de vir à memória, já que é uma reviravolta que é usada pelo menos uma vez por temporada. A pessoa envolvida, no entanto, conseguiu praticamente surpreender-me - só o vi umas páginas antes de ser revelado. E no entanto faz sentido. Em retrospectiva, estava nos sítios certos às horas certas.

Outro elemento interessante da história e da vida da Sasha é o Cole - o Cole era o namorado da Sasha na altura em que foi raptada; e depois da fuga, ela cortou com tudo da sua vida antiga, incluindo ele. Nunca mais se viram ou falaram. Quando a Sasha volta a casa, no entanto, eles reconectam-se; e é como se nunca tivessem estado separados. Esta parte da história deixa-me dividida.

É que por um lado gosto da ideia de um romance em que as partes se conhecem e já estiveram envolvidas no passado - é um atalho para desenvolver a relação, normalmente bem sucedido. É mais credível quando as coisas acontecem mais rápido entre o par. Já têm a química, já se conhecem. Aqui só me queixo de tanta rapidez, não pela falta de química, nem pela situação emocional dos dois; queixo-me porque a separação foi abrupta, e por um constrangimento externo que afectaria a sua relação tivesse a Sasha ficado ou não.

E por isso sinto que eles deviam ter passado algum tempo a falar disso, a reconectar-se verdadeiramente, a reaproximar-se - passaram dez anos, não são as mesmas pessoas. E no entanto de repente estão nos braços um do outro, a declarar amor eterno. Lamento, mas a minha suspensão de descrença não é assim tão abrangente.

Outras coisas boas da história: a mãe da Sasha, uma sua apoiante incondicional - e quão difícil deve ter sido para a senhora ver a filha passar por tudo. Mas a atitude dela é tremendamente positiva, e muito preocupada com a filha, sem a sufocar. Ah, e gostei imenso da Miranda, uma amiga da Sasha com quem se manteve em contacto, e que tem uma atitude fantástica.

(Oh, e mais uma coisa: gostei do ambiente de cidadezinha pequena, e de como os personagens vivem satisfeitos nela, ou retornam a ela. Demasiadas vezes em livros dos EUA a narrativa foca-se em cidades grandes, e esta diferença é refrescante.)

Em suma: gostei. Não é extraordinário ou algo que me apaixone de modo a eu evangelizar qualquer leitor que me apareça à frente, mas tem a qualidade e capacidades a que a Jennifer já nos habituou, e tem muitos pontos agradáveis na narrativa, capazes de cativar o leitor.

P.S.: HarperCollins, que diabos é que se passou aqui? O meu exemplar é a coisa mais estranha de sempre. Tem a largura dum mass market paperback (os livros de bolso mais pequenos), e a altura dum trade paperback (os livros de bolso médios); ou seja, acaba por ser um livro completamente desproporcional, demasiado comprido para a sua largura. Não faz sentido algum e gostava de saber o que lhes deu para fazer isto.

Páginas: 400

Editora: William Morrow (HarperCollins)

domingo, 19 de março de 2017

The Last of August, Brittany Cavallaro


Opinião: Ok... acho que me divirto demasiado a ler sobre pessoas que NÃO são nada bem resolvidas. A sério, esta série tem um feudo épico entre famílias - a premissa é que Holmes, Watson e Moriarty foram reais e que estamos no século XXI a ler sobre os seus descendentes -, e raios, a extensão a que membros Holmes e Moriarty vão para alimentar a violência do feudo. Estou um pouco traumatizada.

Neste segundo volume da trilogia, Jamie Watson e Charlotte Holmes estão a passar as férias de Natal no Reino Unido, visitando primeiro a mãe dele e depois ficando na mansão da família dela. Mas cedo os seus planos descarrilam; o tio dela, Leander, desaparece misteriosamente e acabam a viajar para Berlim (e Praga), para continuar a investigar o que ele investigava, e tentar descobrir uma pista acerca do seu desaparecimento.

Continuando a partir da ideia que apresentei ali no primeiro parágrafo, adoro seguir o Jamie e a Charlotte. Oh, eles precisam de resolver muitas coisas para serem membros contributivos da sociedade e estar um com o outro romanticamente, mas são certamente divertidos de seguir. Este livro evolui nesse campo, à medida que tentam entender o lugar do outro na sua vida, e discutem imenso e fartam-se de fazer asneiras...

No entanto, gosto de os ler porque acredito que são capazes de chegar a um ponto em que deixam de ser tóxicos um para o outro. O Jamie precisa de certamente trabalhar na sua raiva e em parar de se torturar por coisas que não fez - e parar de se torturar acerca da Charlotte e de esperar algo dela que ela não está preparada para dar.

A Charlotte, por sua vez, precisa de lidar com o que lhe aconteceu (e tendo em conta a sua educação e como cresceu, e a família que a rodeia, raios, como isso é difícil), e precisa aprender a não ver logo o pior fim possível e a confiar nos que realmente o merecem. E bem, ajudava não estar desesperada para entrar no feudo e ajudar a família das piores maneiras possíveis. (Mas isto sou só eu.)

O enredo é incrivelmente louco, acelerando por metade da Europa e atirando-nos revelação atrás de revelação. Gostei maioritariamente, ou melhor, gostei do que a autora estava a tentar fazer, mas sinto que a execução não é das melhores. A montagem do enredo podia ser melhor, menos confusa e mais focada.

Há partes em que é preciso reler para entender - o fim é uma delas -, e como se baseia em coisas escondidas do narrador, e consequentemente do leitor, durante a maior parte da narrativa... bem, quando essas coisas são reveladas adicionam mais confusão do que esclarecimentos acerca do que se está a passar. Não ajuda que sejam reveladas quando já não há tempo e espaço na narrativa para lidar com elas.

Há alguns personagens secundários que gostei de ler, e acerca dos quais gostaria de saber mais. Por exemplo, Emma Holmes, a mãe da Charlotte, que tem um certo espírito e resiliência, e parece ter menos paciência para o drama Holmes-Moriarty, apesar de ser apanhada nele também. E o tio Leander, amigo do pai do Jamie, e com uma mão-cheia de histórias para contar. Outro com pouca vontade de se meter no drama e involuntariamente envolvido nele.

Ainda há August Moriarty. Tenho pena do August. Acho que ele genuinamente é um dos melhores, disposto a estreitar pontes entre as duas famílias e acalmar as guerras entre ambas. É um produto da sua educação e nem sempre tenta cumprir esse objectivo da melhor maneira, mas a sua posição única faz dele um pouco um cordeiro sacrificial, e isso é entristecedor.

O fim, já disse, é incrivelmente confuso. Nem sequer é pelo cliffhanger - seria de esperar, num livro dois de três -, é mesmo pelas motivações de toda a gente e tudo o que estão a fazer e o que acontece de trágico e como isso tem um impacto no que estava a acontecer, e ainda o que estava a acontecer por trás da cortina. Basicamente, demasiado a acontecer, demasiado pouco explicado, demasiado pouco tempo dado para lidarmos com isso.

Estou tão frustrada. É que eu gosto da série e da história e dos personagens, e tolerei o enredo enovelado, mas este fim parece uma confusão pegada. Não é que me faça desistir de continuar a ler (gosto demasiado dos personagens para isso), mas não vejo a necessidade de fazer uma coisa tão complicada. Alguém na equipa de edição estava a ler com atenção?

Enfim. De qualquer modo, é claro que estou com vontade de continuar a ler. Vou esperar não tão pacientemente que passe um ano, porque tendo em conta o que entendi do fim, acho que o terceiro livro vai ser deveras interessante.

Páginas: 336

Editora: Katherine Tegen Books (HarperCollins)

sábado, 18 de março de 2017

Wintersong, S. Jae-Jones


Opinião: A Bela e o Monstro. Os mitos gregos de Hades e Perséfone, de Orfeu e Euridice, de Psique e Eros. O Capuchinho Vermelho. Der Erlkönig. Goblin Market de Christina Rossetti e The Phantom of the Opera e Jane Eyre. Amadeus e Nannerl Mozart. Romantismo e goticismo. Os tons sombrios e sensuais de autoras como Jacqueline Carey e Anne Bishop.

Estas são algumas das influências, implícitas ou admitidas pela autora, deste livro. E isso pode ser a razão pela qual ele me caiu tão bem. Não a única, claro. Mas a panóplia de referências que ela tem aqui? Um sonho, e contendo tanta coisa com que me identifico que era muito difícil que um livro que as use acabasse a desgostar-me.

Não quero com isto dizer que a história tem falta de originalidade, ou se agarra às referências que tem. É mais como pegasse nos temas e em elementos destas histórias/influências, os colocasse numa caixa de areia, e brincasse com eles a seu bel-prazer, tentando adicionar algo de novo a eles e criando uma história cativante, sombria e encantadora sobre uma jovem que tem o seu momento coming of age entre as páginas deste livro, um acordar de atitude e personalidade, mas também sexual e de afirmação, de descoberta e aceitação e entendimento das suas capacidades.

Liesl é a irmã mais velha de três na Bavária do século XIX. Liesl considera-se a menos interessante, a menos bonita (a Kathë é a beleza da família), a menos talentosa (o Josef é o músico inspirado, transcendental). Sente que cai nos seus ombros manter a família unida: não são particularmente abonados, o pai bebe demais, agarrado a glórias musicais passadas. Em suma, Liesl apagou-se para manter o barco à tona: o que ela quer e sonha não interessa, desde que todos estejam bem e felizes.

E isto é o verdadeiro drama da história: Liesl é uma mulher do século XIX, em que não interessava se fosse capaz ou talentosa; nunca seria um homem, e estaria destinada à vida caseira. O que é tão trágico no caso dela; ler certas passagens do livro é impressionante pela paixão que transmitem pela arte da música. Liesl ama compor, mas cedo lhe foi incutido que era uma mulher, e que qualquer coisa que produzisse era, por essa definição, menor. Uma lição enterrada e bem entranhada, muito difícil de desfazer.

Não é fácil gostar da Liesl. Este condicionamento e a situação da família não faz dela uma pessoa caridosa ou carinhosa. Passam-lhe pela cabeça algumas coisas maldosas, especialmente acerca da irmã. A auto-estima está em baixo, por isso também não é propriamente simpática acerca de si mesma.

E ainda assim, a Liesl é leal, e quando a irmã é levada pelo Goblin King, ela luta com unhas e dentes para recuperá-la. Esta parte da narrativa é bastante interessante porque explora a relação entre as irmãs, e porque faz a Liesl aperceber-se do pouco crédito que dá à Kathë.

Esta parte da narrativa abre caminho para a segunda parte, sobre a estadia da Liesl no reino Goblin. Provavelmente não vai resultar para quem não seja fã da protagonista, mas como adorei o seu feitio torto, gostei de a ver nesta parte. Essencialmente, ela debate-se com libertar-se das expectativas do mundo e dela própria sobre o seu papel nele.

É uma parte que também expande a sua relação com o Goblin King, e com a sua música; e o tempo que passa no reino permite-lhe crescer e libertar-se, aceitar-se e entender os seus desejos e quereres. É uma parte fascinante de acompanhar pela relação espinhosa e complexa que partilham, pela exploração da criação artística, e pelo entendimento a que chegam.

Esta é a parte que é capaz de perder um bocadinho com a maneira como o livro foi preparado para a publicação. Ao que compreendo, a autora escreveu originalmente uma história ainda mais madura e sombria, com conteúdo sexual intenso. Sei que os editores andaram para a frente e para trás em relação a como fazer o marketing do mesmo: adulto ou YA? No fim, decidiram-se por YA e sei que adaptaram certas partes, tornando o conteúdo menos explícito e carnal.

Não é que as cenas estejam mal escritas ou que a adaptação tenha dado cabo do livro ou seja má, mas... suspeito que é o tipo de história que seria ainda melhor se tivesse ficado no lado adulto da coisa. Algo à moda da Anne Bishop ou da Jacqueline Carey parece-me perfeito para o tipo de história que estava aqui a ser contada, e tenho pena de não poder ver isso. Acho que trabalharia os paralelos com alguns contos ainda melhor.

A parte final é incrivelmente fascinante de considerar. Se acaba bem ou mal depende da pessoa que lê, mas é uma resolução ao dilema bastante realista. Madura. Teria dado cabo do meu coração, se eu não soubesse que haverá uma sequela. Mas como está, e sabendo isso, deixa-me muito animada para continuar e ver revelado mais acerca do mundo Goblin e da mitologia do Goblin King - o que vislumbramos é intrigante.

E pronto. Não é uma história perfeita, mas é criada e escrita duma maneira cuidada, lírica e considerada. Acho que a escrita da autora a pode levar longe. Tem um peso que fica na memória. E as coisas que aborda estão no meu imaginário, e isso foi um bom passo para eu me deixar cativar, em adição a abordar assuntos que me interessam. Não é certamente para todos os gostos, mas promete encantar inteiramente quem para aí esteja virado.

Páginas: 448

Editora: Thomas Dunne Books (St. Martin's Press)

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mind Games, Kiersten White


Opinião: Um livro tão curto, com tanto e tão pouco contido lá dentro. Acaba por ser uma leitura curiosa por causa disso. É que por um lado, o livro é como um esqueleto a que foram acrescentados alguns músculos, mas talvez não todas as camadas. É capaz de ter o sistema circulatório. Definitivamente não tem a pele. (E com esta metáfora esquisita quero dizer que tem os básicos da narrativa, mas não é elaborado como outro livro seria, e que estaria mais "preenchido" nesse caso.)

E ainda assim, funciona. É uma leitura rápida, e é um thriller, por isso a narrativa pouco elaborada funciona a seu favor. Aprecio a Kiersten por ser capaz de escrever um livro funcional com tão pouco; é preciso ser um escritor bastante capaz para o conseguir.

Mind Games segue duas irmãs, Fia e Annie, num mundo em que somente as mulheres têm capacidades extraordinárias: tipicamente, são Seers (precognitivas), Feelers (percepção emocional dos que as rodeiam), ou Readers (leitura dos pensamentos e mentes em seu redor).

Annie é uma Seer, mas ficou cega aos quatro anos. Isso faz com que a Fia se sinta responsável por ela; e quando umas pessoas as convidam para fazer parte duma escola especial que ajudará a Annie, esta sente-se ansiosa por aceitar o convite; já a Fia, desconfia de toda a situação, mas não pode deixar de aceitar, para poder acompanhar a irmã.

Passados dois ou três anos, tempo presente. A Fia está num papel de executora de todo o tipo de missões para as pessoas da "escola"; e assume esse papel detestando-o com todas as forças, sob ameaça de magoarem a Annie se não se portar bem. Só que a sua missão actual corre mal, e Fia vê-se numa corrida contra o relógio, esforçando-se para esconder esse facto e proteger a irmã dos que lhe querem mal.

A narrativa oscila entre os pontos de vista das duas irmãs, e entre o passado e o presente, para nos esclarecer sobre o que tem acontecido às duas desde que chegaram à escola, e como isso levou ao estado actual das coisas. Gostei muito deste aspecto da história, porque nos faz trabalhar para entender o que aconteceu e tentar perceber a relação entre as duas protagonistas.

Também gostei bastante da narração da Fia. É em estilo stream of conciousness, maioritariamente, e a narração quebrada e por vezes infantil soou-me fantástica e como tendo sentido, tendo em conta o que a Fia passou e o que foi obrigada a fazer. A infantilização de atitude que assume é uma forma de se proteger.

Gosto ainda da Fia porque as suas capacidades me deixam intrigada; ela tem um instinto perfeito, e isso é um poder giro de explorar, pela potencialidade que tem. E gosto dela pelo seu feitio retorcido, pela maneira como lida com as pessoas com poderes à sua volta, e por esconder uma série de inseguranças e medos por trás duma atitude brutal.

Estou intrigada acerca do worldbuilding, sobre que tipo de mundo alternativo é este em que as mulheres desenvolvem poderes, que tipo de mundo futurista temos nas mãos. Não são dados muitos detalhes, o que funciona para a história, mas mesmo assim, adoraria saber.

O enredo é bastante simples, ao ponto de quase não lhe poder chamar enredo, apenas o decorrer dos acontecimentos. A narrativa não tem um objectivo claro, um sentido para o qual caminha, mas chega lá ainda assim. Gosto dos meus livros com um bocadinho de uma direcção mais clara, mas again, ainda assim resulta.

O final é completamente doido, mas intrigante pela posição em que coloca as duas irmãs. É ligeiramente cliffhangeresco, mas não irritante. Deixa-me com mais vontade de ver o que vai acontecer a seguir e continuar a ler.

Em suma, não é a maior invenção depois da roda; mas é um livro que enche as medidas e é um exercício interessante de ler, pela maneira como consegue contar uma história com tão pouco. Deixou-me definitivamente curiosa.

Páginas: 256

Editora: HarperTeen (HarperCollins)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Armandinho (Zero, Um e Dois), Alexandre Beck

Alexandre Beck

Páginas: 96 (cada)

Editora: O Castor de Papel

Acho que vai ser uma opinião relativamente breve; os livros em si são curtinhos. Armandinho é uma colectânea de tiras publicadas pelo autor num jornal local, em Santa Catarina (Brasil). O volume zero é um pouco experimental, no sentido em que inclui tiras do título anterior que o autor publicava, e mostra a transição dele para o Armandinho. (Além de que o menino ainda não tinha nome atribuído nesta fase.)

Lembra (e com certeza que será uma homenagem deliberada) um cruzamento entre Calvin e Hobbes e Mafalda, no modo como coloca uma criança a questionar o mundo e aquilo que o rodeia. A diferença prende-se com o conteúdo; Armandinho tem menos de opinador - a Mafalda era muito mais política e sarcástica - e menos de enfant terrible - o Calvin vivia para arranjar sarilhos e ficava geralmente enterrado neles até às orelhas.

No entanto, se formos para a leitura com uma mente aberta e sem expectativas, é provável que nos divirtamos. O Armandinho tem uma visão questionadora do mundo, e ainda que não vá mudar mentalidades, vai certamente fazer do mundo um lugar melhor por um bocadinho, pela gargalhada que provoca. A arte é simples mas cativante, e gosto que a edição seja em papel a lembrar o papel de jornal.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Tudo, Tudo... e Nós, Nicola Yoon


Opinião: E aqui vou eu fazer chover na festa de toda a gente. Enfim. Não se pode gostar de tudo. Em defesa do livro, eu normalmente tenho um sexto sentido para saber do que vou gostar, e tinha uma boa ideia de que isto não ia necessariamente ser a minha praia.

Quero dizer... eu adivinhei a reviravolta do enredo só por ler a sinopse. Tão simples assim. Afinal, como é que se ia resolver um problema como o da Madeleine? Pois. Duh. *suspiro* Da última vez que adivinhei a reviravolta dum livro tão cedo - foi na página 40 e tal do Gone Girl, e a Gillian Flynn entregou o ouro sem sequer tentar esconder um bocadinho -, passei o resto da leitura a desenvolver uma relação de intenso ódio com o livro.

Tudo, Tudo e Nós não teve esse azar (ou sorte), mas simplesmente porque é um livro tão blah, tão morno e desinteressante que não foi capaz de me suscitar grandes emoções. Só... indiferença? (Tangente: a sinopse está ali, e de qualquer modo toda a gente que possa estar interessada no livro já ouviu falar dele; por isso não vou fazer um miniresumo da história.)

Sinto-me algo indignada com a reviravolta. Se não a tivesse adivinhado de antemão provavelmente ainda me sentia mais; mas raios, é o tipo de coisa que envolve uma enorme quebra de confiança, que envolve um engano tão grande que é incredível ter sido sustentado tanto tempo; e pior, diminui e destrói o percurso da protagonista anteriormente. Havia alguns pontos interessantes no mesmo, e o esforço dela por conseguir algo de seu era algo interessante; mas depois vem isto e torna o livro menor, apenas mais um num mar de tantos livros contemporâneos.

Pior: acho que o livro é um sintoma dum mundo literário obcecado com o John Green. E eu não tenho nada contra o John Green: acho que ele fez coisas bastante interessantes nos seus livros que li, acho que ele entende bem certos momentos emocionais e transmite-os bem.

O problema... é que toda a gente quer encontrar o próximo John Green. E portanto toca a publicar tudo o que tenha adolescentes preciosos e precoces, e que tenha Lições de Vida (TM), e que pareça profundo como o raio, mesmo que depois de esmiuçado não tenha assim tanta substância como isso.

Quero dizer, há coisas com valor na experiência e no percurso da Madeleine. Adoro como ela não é negativa com a sua situação, como a aceita. Adoro ver como ela é tão aberta ao mundo. Mas acho que o livro, para ser bom, precisava de ser mais. Precisava de explorar uma série de coisas... mais. E melhor.

Vejamos: a situação familiar do Olly era algo digno de mostrar mais em detalhe. Talvez um pouquinho mais da Carla, que é um doce. Acho que gostava de ver a Maddy mais para além da dimensão da sua relação com o Olly - não vemos muito só dela antes dele aparecer, e depois é só Olly, Olly, Olly.

Gostava que a relação deles fosse mais substanciada. Ok, eles passam muito tempo a mandar mensagens instantâneas. E depois? Passam um tempo juntos um par de vezes no mesmo espaço físico, e de repente "beijinhos, amo-te, deixa-me fazer coisas incrivelmente perigosas porque as hormonas estão a deixar-me doida e quero saltar-te em cima sem restrições".

Não, ainda não me soa nada romântico. Lá está, eles caem de amores um pelo outro mas eu nunca o senti. Não tenho cenas suficientes para o suportarem e mo tornarem credível.

Estou a tentar encontrar algo de que realmente tenha gostado... quer dizer, não é que tenha odiado o livro. Mas em retrospectiva, não lhe encontro mesmo nada de especial. Oh, mas já agora, gosto que a Maddy seja resultado duma família interracial.

Oh, e gostava de ter gostado mais da escrita. Tem os seus momentos de profundidade, mas no geral... meh. Tinha ouvido dizer que era bonita, mas nada se destacou para mim. Talvez por ter a tradução a atrapalhar pelo meio? Não me pareceu má, mas talvez o livro ganhe na comparação se o tivesse lido em inglês.

E pronto, o fim. Acho que não tenho mais nada a desancar no livro.

P.S.: bem, talvez possa desancar na Presença, que decide mudar o título do livro em português, e depois dão um tiro nos pés e chamam ao livro Tudo, Tudo nas biografias dos autores. Onde é que essa cabeça andava mesmo?

Título original: Everything, Everything (2015)

Páginas: 320

Editora: Presença

Tradução: Maria Fraústo

terça-feira, 7 de março de 2017

Curtas BD

Jerusalem, Guy Delisle
Na minha opinião do livro anterior que li do autor, mencionei que não achava muita piada à atitude dele em relação à cultura e país que descrevia. Aqui... bem, é mais complicado. Ele tem uma atitude desligada, quase infantil na maneira como apresenta as idiossincrasias de viver num país como Israel, viver numa cidade como Jerusalém.

Isso tem dois resultados. É um pouco estranho ver uma situação, e um país, tão politizados descritos duma forma tão imparcial. (Não completamente imparcial, mas quase.) Mas dum modo estranho, funciona. O modo quase infantil como mostra certas idiossincrasias permite-lhe questionar como a religião e a cultura levam as pessoas a fazer coisas que podem parecer algo doidas. (Lembrando que Jerusalém está a modos que dividida entre várias religiões e grupos étnicos.) É isso que permite uma certa imparcialidade quando mostra como as coisas são para certas secções da população.

Diria que ler o livro é pelo menos iluminador, um pouco, acerca de como a vida é para alguém que vive neste território. É claro que é sempre a perspectiva dum estranho, mas até fiquei bem impressionada porque fiquei com a ideia que o autor fez um esforço para sair de Jerusalém, visitar outros locais. Permite-nos conhecer comunidades pequenas que o mundo não conhece, e como vivem (spoiler alert: não há só palestinianos e israelitas).

O autor viveu em Jerusalém em 2008-2009, numa altura interessante em termos de política nacional e internacional, mas também descreve aspectos da cultura e religião mais duradouros. É fascinante e permite aprender muita coisa, e as pequenas anedotas que tem a contar são engraçadas sem serem desrespeitadoras. Não é a maior descoberta depois da roda, mas é uma ferramenta útil para quem quer conhecer o país e a situação, e é um começo para lançar o leitor e dar-lhe vontade de pesquisar e querer saber mais. (Se eu alguma vez conseguir encontrar algo que me dê uma boa ideia... mas nem sei por onde começar.)

Through the Woods, Emily Carroll
Caramba, isto é mesmo arrepiante. Quem é que se lembra destas coisas?

Um conjunto de cinco histórias que lembram os velhos contos de fadas, à irmãos Grimm vintage, com coisas arrepiantes e nojentas à mistura, e com uma boa dose de horror/terror despejada em cima. E um prólogo e um epílogo a acompanhar.

Céus, as histórias são tão evocativas, tão capazes de captar a atenção e envolver o leitor e puxá-lo para o seu seio... e começa tudo com um ar tão normal, tão simples, mas depois a tensão sobe, os acontecimentos sobrenaturais e misteriosos sucedem-se, e quando damos por nós estamos num mini-thriller/mini-filme de terror. Impressionante.

Favoritos: o do irmão. Porque bolas, uma pessoa fica com pena do narrador mesmo que ele tenha feito algo horrível. E porque qualquer dia lembro-me deste conto e ponho-me a questionar se as pessoas da minha vida não foram... "trocadas". E também o conto final, porque tem um horror muito lovecraftiano (ou, não tendo de facto lido o autor, aquilo que entendo dessa definição graças à cultura popular), e porque sou capaz de passar o resto dos meus dias também a perguntar-me se as pessoas da minha vida não são o tipo de ser que aparece neste conto.

O epílogo também é muito sugestivo; a questão do lobo é pertinente. Já a arte é bem interessante. Tem uma qualidade por vezes cartoonesca, o que choca com o tom, e por isso contribui para a sua força. Gosto da integração do texto com as imagens. Definitivamente evocativa.

P.S.: detesto o meu paperback. Ugh. A capa é tão mole que começa a encaracolar para fora sozinha.

Boxers & Saints, Gene Luen Yang (edições separadas aqui e aqui)
Outro que me deu que pensar. Gene Luen Yang conta (com algumas adaptações necessárias) um pouco da história da Rebelião Boxer na China (fim do século XIX), e deixou uma vontade de ler mais sobre este período e local.

Por um lado, faz-me um pouco de confusão ver esta situação tão simplificada. Por outro, reconheço que não sou a audiência alvo, e portanto, tentando ser objectiva, creio que até é bastante adequado para a mesma.

Gosto da maneira como o autor enquadra o percurso do protagonista com elementos fantásticos, é adorável e aproveita algo da cultura. Gosto de como mesmo simplificado ele consegue mostrar o conflito religioso, e como o lado Boxer se sentia ao ser obrigado a conviver com os padres cristãos, e com os convertidos. É de partir o coração ver pessoas do mesmo país, da mesma cultura, a confrontarem-se e tirarem as vidas uns dos outros.

Gosto de como o autor mostra que ninguém está certo ou errado. De como mesmo agindo por uma boa causa se pode cometer muitos erros de caminho. Gosto bastante do caminho que a Vibiana trilha, e dos paralelos com a Joana D'Arc. Gosto de como isto parece uma grande aventura mas depois começa a tomar um tom mais sério e a correr mal. Gosto da arte, simples mas eficaz e bem atractiva para o olho.

Não sei se gosto: de como o Saints é curto. Do epílogo do Saints. É que o fim do Boxers é algo chocante e com impacto, e sinto que o epílogo o reescreve, e não parece algo merecido pelas partes envolvidas.