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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Curtas BD: Lumberjanes, Bitch Planet, ODY-C

Lumberjanes vol. 2: Friendship to the Max, Noelle Stevenson, Grace Ellis, Shannon Watters, Brooke Allen
Bem, as Lumberjanes revelaram-se ainda mais fixes no segundo volume. Admito que tinha alguma relutância em continuar a ler, foi por isso que esperei tanto tempo, porque achei que algo tão extraordinário, excêntrico e bem-amado só me podia vir a desiludir... mas se posso dizê-lo, acho que fiquei verdadeiramente fã das meninas desta vez.

Este volume expande mais a mitologia dos monstros que têm assolado o campo de férias, e com tudo mais a claro, soube-me melhor a leitura, por perceber o que se estava a passar. Não que a história dificulte a compreensão de outro modo, mas raios, gosto de perceber o que se está a passar, ao ver tantas referências meio familiares juntas.

Adoro que a história seja tão positiva e tão boa para o grupo de raparigas, apresentando-as como um grupo unido de amigas. É tão fofinho. Também aprecio que a Jen, a monitora, se tenha juntado a elas e ajudado nas aventuras. (Tinha ficado fã da Jen.)

Todas as jovens têm momentos para brilhar, e gosto muito da personalidade de todas, mas a Ripley é uma enorme bolinha de fabulosidade. Aquilo que ela faz no fim é fantástico e adorável.

Bitch Planet, vol. 1: Extraordinary Machine, Kelly Sue DeConnick, Valentine De Landro
É sempre uma sensação curiosa pegar num livro que tem um destaque tão grande. Entre as expectativas e a realidade, há o perigo de o livro se perder ali no meio. E podia até ser uma coisa bastante fixe para começar.

Neste caso, posso dizer que gosto muito da atitude deste livro. Passa-se num mundo em que uma mulher determinada como non compliant ("não complacente") é presa e enviada para um planeta secundário que funciona como prisão. E NC pode ser algo tão simples como discutir com um homem, não encaixar nos padrões de beleza, ou cometer o grande crime de deixar de interessar ao marido e ser trocada por um modelo mais novo.

Portanto, o livro essencialmente expande certos pontos que assolam a existência de uma mulher ainda nos dias de hoje (gostamos de fingir que estamos no século XXI, mas às vezes ainda parece que estamos no XIX), e usa-os para criar um mundo distópico em que a existência da mulher está imensamente constrangida ao ponto de acharmos ridículo... mas depois podemos pensar um bocadinho e chegar à conclusão que estes aspectos existem hoje no dia-a-dia, estão apenas, er, "exagerados" e condensados.

E portanto a premissa é muito fixe, e a atitude das personagens é fantástica (a Penny é espectacular), e o worldbuilding é impressionante, ao ponto de se sentir a injustiça de certos momentos, mas reconhecer que são honestos.

Os pontos menos positivos no livro são que o enredo em si e as personagens ainda não são muitos claros. Fora duas ou três protagonistas, não faz um bom trabalho em caracterizar, diferenciar e destacar as restantes, o que é uma pena. E o próprio enredo é bastante vago; vai haver um jogo tipo mata, em que uma das equipas é com mulheres da prisão, e...? O livro faz mais por criar o worldbuilding que a preocupar-se com um enredo concreto.

A arte é engraçada, muitas vezes a tentar evocar um estilo de anos 70-80, que é precisamente o objectivo. O fim de cada número inclui uns anúncios falsos bem apropriados ao mundo apresentado, superdivertidos. Só tenho pena de não ter acesso aos ensaios que os números individuais continham. Não tenho maneira de adquiri-los, como imagino que aconteça a muita gente, por isso é um bocado triste não serem incluídos.

ODY-C vol. 1: Off to Far Ithicaa, Matt Fraction, Christian Ward
Uau... este livro é positivamente alucinogénico. Não é para ser compreendido à primeira, muita gente nem se vai dar ao trabalho, não vai ser inteiramente compreensível, e pede várias leituras. É definitivamente desafiador. Challenge accepted.

A premissa é um recontar da Odisseia, no espaço, com personagens somente femininas, num mundo universo em que os homens foram erradicados e existe um terceiro sexo. Confused yet?

Achei fascinante. Muito confuso, e obriga a pensar bem no que se está a ler, e bem, adoro ter nas mãos uma banda desenhada que me desafie assim. A história segue de perto alguns dos acontecimentos da Odisseia, e é contada neste tipo de narração meio arcaica, para evocar as raízes gregas da história.

E caramba, é tão violenta. Sangue e morte por todo o lado, mas a história original é assim, portanto... e há momentos com as deusas gregas (todas a identificar-se como mulheres também) completamente doidos, e tão em linha com a mitologia grega.

E a arte é tão colorida, e vívida e, er, bem, alucinogénica. O trabalho de cor é extraordinário, enche tão bem o olho, e tem destaques fantásticos e lindos.

E pronto, o livro é imensamente complicado, o que não joga exactamente a seu favor, mas é tão doido e diferente que me deixou intrigada o suficiente para querer ler o segundo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Curtas: BD

Lumberjanes vol. 1: Beware the Kitten Holy, Noelle Stevenson, Grace Ellis, Shannon Watters, Brooke Allen
Este livro é totalmente adorável. Já tinha ouvido falar tanto dele, mas não tinha uma ideia muito clara do que esperar, por isso ainda bem que me arrisquei. A história passa-se num campo de férias para meninas, ahem, hardcore lady-types, como o texto se refere ao grupo e ao campo, e conta as aventuras de um grupo de 5 jovens.

Só que a piada dessas aventuras é que têm um pendor sobrenatural, com serpentes marinhas gigantes, raposas com três olhos, e estátuas falantes, num misto de várias coisas que gosto de ler (ou ver), tudo no mesmo produto artístico, e isso é tão divertido. Quase que podíamos argumentar que tanta aventura é produto da imaginação das meninas, se não fosse a monitora delas aparentar ficar ciente dos monstros no fim deste volume.

O enredo corre bem, com um misto de aventuras e momentos mais calmos, alturas em que cada rapariga pode brilhar por mostrar uma capacidade que tem (afinal, isto é um campo de algo parecido com escuteiras, e têm de ganhar badges por certas capacidades que demonstram), e pontos em que descobrimos mais um pouco sobre elas e sobre o mistério geral no centro de Lumberjanes (o meu único problema é ainda não termos uma ideia muito clara do que se passa, detesto não saber já).

Gostei bastante de conhecer as várias jovens protagonistas, ficamos com uma pequena ideia das suas personalidades e relações, mas estou com vontade de as conhecer melhor, acompanhá-las foi uma delícia. A arte é exuberante e colorida e uma delícia para os olhos, e pontos-bónus para esta edição - com folhas mais grossas que o normal para estes livros, e com muitos extras de capas variantes para os vários números presentes no volume.

Rat Queens vol.1: Sass and Sorcery, Kurtis J. Wiebe, Roc Upchurch
Outro livro acerca do qual não sabia bem o que esperar, e outro que me surpreendeu. Basicamente os autores pegam em todos os clichés dos livros e jogos de fantasia que se lembraram, e comentam-nos e gozam com eles, e viram-nos ao contrário para criar uma história que provavelmente vai agradar mais se o leitor tiver algum conhecimento do género, para poder rir-se com as piadas internas inseridas na narrativa.

E a sério, só os arquétipos e raças neste são por demais engraçados de ver explorados. As protagonistas são uma elfa feiticeira, uma anã guerreira, uma humana clériga e uma smidgen/halfling/hobbit/whatever ladra. Só aí as expectativas sobre elas são esmagadas, com a clériga a ser também ateia, ou a ladra a ser uma hippie de primeira, com uma queda por doces e drogas.

As aventuras em si são bastante engraçadas e cativantes de acompanhar - alguém anda a tentar matar grupos de mercenários, e as protagonistas são um deles, e tentam safar-se das tentativas de assassinato ao mesmo tempo que procuram o culpado. Os personagens secundários e até a maneira como as aventuras decorrem fogem ao conhecido para o género, e adoro o sentido de humor embutido na narrativa e nos diálogos.

Gosto ainda mais de ver um grupo de mulheres mercenárias, femininas, com diferentes estilos e perspectivas de vida, a divertir-se, matar coisas por dinheiro, e com uma saudável perspectiva sobre sexo. Creio que tenho uma inclinação maior para a Dee, só porque ela no fim do livro na festa estava tão desconfortável na festa, agarrada ao seu livrinho e com uma disposição "não me chateiem". Mas na verdade gostei de todas, e apreciei as suas diferentes personalidades.

Saga vol. 3, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
É assim, eu já comentei Saga por duas vezes aqui no blog, não sei se tenho muito a acrescentar. Grande parte das coisas que disse continuam a aplicar-se. É uma história que cada vez mais vai ganhando tracção, e está numa parte particularmente cativante e interessante. As histórias dos vários personagens cruzam-se finalmente, e beeeeem, é explosivo. (Quase literalmente.)

Achei bem interessante ver os desafios que se põem à Alana, ao Marko e à Hazel como família, e o que se perfila e se espera para eles no futuro, e achei tão engraçado ver a Klara e o Oswald darem a volta à geração mais nova. Para além disso, aprecio como os autores estão a conseguir desenvolver quase todos os personagens, fazendo o leitor preocupar-se com o que lhes acontece.

Velvet vol. 2: The Secret Lives of Dead Men, Ed Brubaker, Steve Epting, Elizabeth Breitweiser
Neste segundo volume da intriga em torno de Velvet, a protagonista volta a casa, em Londres, para perseguir mais umas pistas relacionadas com o mistério que investiga, e no qual foi implicada como bode expiatório.

Acho que a parte que eu gosto mais destes livros é a intriga de espionagem, as facadinhas nas costas entre gente deste meio, os segredos e mistérios, a incerteza do que vai acontecer e de quem temos à frente. E também o perigo associado à missão de Velvet, os planos malucos de espião que usam coisas tão básicas da natureza humana para funcionar, e o drama presente derivado de tudo o que aconteceu no passado.

Parece que estou a ver um episódio de Alias, uma série que eu adorava ver, e por isso digo-o no sentido de elogio. Essa série também conseguia ser bastante retorcida e cheia de reviravoltas. Neste volume, adorei ver como a fasquia sobe mais um bocado, a intriga revela-se ser mais profunda que o esperado, e a Velvet, apesar de ser quase sobrehumana nas suas capacidades, vê-se ultrapassada por alguém que joga este jogo ainda há mais tempo que ela.

Os pontos de vista espalham-se a outros personagens, o que dá uma imagem mais geral da coisa, mas também permite avaliar a genialidade da Velvet, na maneira como manobra a perseguição que lhe é feita, e se escapa entre os pingos da chuva. Espiões a enganar espiões é tão divertido.

O enredo avança com uma velocidade furiosa (heh, nada a ver com o filme), nem dando tempo para respirar, e levanta mais uma pontinha do véu deste mistério, ao mesmo tempo que coloca mais perguntas e mostra que isto é bem mais profundo que inicialmente se apresentava. A narrativa joga bem com as personalidades e tropes de espiões, e é um gosto acompanhar, nunca se torna confusa.

A arte é fantástica, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser combinam traço e cor para apresentar uma imagem bem realista e cinematográfica, conjurando uma atmosfera bem adequada a uma história de espionagem dos anos 70. No entanto, não gosto muito da capa (deste e do anterior). Sei que está a tentar conjurar um estilo de época bem explorado, mas é mesmo por essa razão que sei que é possível fazê-lo sem parecer uma confusão pegada. Aqui não há ligação entre imagens, está tudo ali a flutuar sem nexo.