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sábado, 21 de junho de 2014

Curtas: Calvin & Hobbes, o Banana e o Batman

Esta é daquelas edições especiais que vale mesmo a pena. É positivamente deliciosa. Com vários ensaios escritos pelo próprio Bill Watterson, dão a sua visão sobre uma série de coisas que o interessam no seu ramo de trabalho: sobre o estado da própria banda desenhada, sobre o seu método de trabalho, as suas influências, a sua postura quanto à estrutura das pranchas de domingo e ao licensing dos personagens - enfim, nestes últimos casos, algumas coisas que lhe deram dores de cabeça enquanto trabalhou em Calvin & Hobbes. Os ensaios em si são fascinantes. Mostram uma pessoa que gosta mesmo do que faz, com integridade, e que quer fazer o melhor para a sua arte. Acaba por fazer muito sentido que tivesse parado de trabalhar na tira quando parar, antes de ficar sem coisas para dizer, e de a deixar "gasta".

Fora os ensaios, a maior parte do livro consiste em tiras e colecções de tiras escolhidas pelo autor, com alguns comentários seus. Umas vezes a explicar de onde lhe veio a ideia para a tira, outras a comentar que a história não resultou tão bem, outras a mostar as suas favoritas ou que mais gostou de fazer, comentários a personagens e enredos, bem, e tudo. É uma visão honesta e descomprometida sobre o seu trabalho, e muito refrescante. Curioso que as tiras devem estar por ordem cronológica, e nota-se muito bem a evolução no seu trabalho - no traço dos personagens, na legendagem, no trabalho nas pranchas de domingo, nas quais teve mais liberdade, mais para o fim.

Ora, bolas (para usar uma das piadas do livro), este livro é hilariante. Muito sintonizado com a mentalidade de um miúdo desta idade, cheio de aventuras, desventuras, problemas e preocupações. O Greg é um miúdo sem muitas qualidades redentoras, o que torna mais divertido vê-lo meter-se em sarilhos e retirar nenhuma moral quando as coisas correm mal. Algumas das sequências mais engraçadas são a do teatro, da casa assombrada, ou a dos cartoons, em que por uma vez, o Greg paga pelas asneiras que fez e o Rowley, o melhor amigo, fica com os créditos do trabalho dos dois (e do Greg). Justiça poética.

O design do livro é bem giro, em estilo de caderno (diário não, o que Greg diz que não tem paciência para diários), com um tipo de letra adequado e desenhos a acompanhar a narração, para explicar o que está a acontecer. As ilustrações são ao mesmo tempo engraçadas e de traço caricaturado e estranho, adequadas a um miúdo desta idade.

Batman: Ano Um, Frank Miller, David Mazzucchelli, Richmond Lewis
É um pouco difícil para mim avaliar o impacto que esta história terá tido no seu meio e no personagem, especialmente quando a história é mais velha do que eu e a sua abordagem é tudo (ou a maioria) do que conheci do Batman.

Contudo, é uma história interessante, especialmente pelo foco no Jim Gordon. Fiquei com pena dele, vir meter-se no buraco que é Gotham City, e ser parcialmente corrompido, mas sempre tentando manter-se íntegro, e fazer o seu trabalho. O Bruce Wayne vai mostrando como se torna no Batman, sempre por tentativa e erro, metendo-se me mais sarilhos do que será razoável conseguir sair. (Uma das vezes sobrevive a um prédio em chamas e uns quantos tiros... para 9 dias depois, estar a esquiar. *facepalm*) Tendo em conta que o Bruce é um ser humano, com capacidades espectaculares, mas sem super-poderes...

Gostava de ter visto um bocadinho mais do Harvey Dent e do que andava a fazer, porque nem sempre era claro. E da Selina, que se transforma em Catwoman perante os nossos olhos, mas não tem conseuência na narrativa, é apenas uma sidenote. Gosto do ritmo, de a história se passar ao longo de um ano, e do tom negro. É engraçado reconhecer onde certas cenas nos filmes do Batman do Christopher Nolan terão sido inspiradas. (A coisa dos morcegos e do manto de disfarce que dão, por exemplo.) Não me passou ao lado a menção ao Joker. Ah, e alguém ensine ao Frank Miller a duração da gestação de um bebé humnao, que 10 meses não são de certeza.

A arte dá o tom à narrativa, escura, cheia de sombras. Gosto bastante dos detalhes das cenas, mas não sou fã das caras dos personagens. A coloração é gira, muito a acompanhar a arte, com cores escuras e fortes, e muitas sombras para o Batman. Mas nos extras do livro vi scans das páginas na impressão original e fiquei curiosa em ver como ficariam, pareceram-me um tudo-nada mais claras e coloridas.

Esta edição traz uns extras, esboços das páginas e dos personagens, scans do argumento, comparações entre a impressão original e o desenho a tinta, ou entre o desenho a tinta, e a coloração sem a arte final, e ainda algumas capas. Destaque para as pranchas do desenhador em homenagem ao que conheceu do Batman na infância, muito giras. Em geral, uma boa colecção de extras, com um pouco de tudo, mas que me atiçou ainda mais curiosidade sobre como este processo funciona.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Colecção Heróis Marvel Série II #6-10

Dr. Estranho - O Juramento, Brian K. Vaughan, Marcos Martin, Stan Lee, Steve Ditko
O volume contém algumas histórias mais antigas do Doutor, sobre as suas origens, o que dá alguma contextualização do personagem, mas que não se destacam especialmente.

Quanto à história titular, a arte agradou-me, colorida e dinâmica. As origens do Dr. Estranho são recuperadas, para explicar o título e as suas acções ao longo da história. A ideia por trás é boa, se bem que convoluta, por vezes. O Dr. Estranho enfrenta um inimigo místico e ao mesmo tempo ambientado num mundo bem real, em que um elixir milagroso o faz pesar a vida um contra a vida de muitos, relembrando-o do seu juramento de Hipócrates.

Homem-Aranha - Reino, Kaare Andrews
Uma história sombria para o Homem-Aranha. Estranho, mas ao mesmo tempo faz sentido. O Homem-Aranha tem um sentido de humor hilariante, mas ao mesmo tempo um percurso de vida trágico, e sempre pus a possibilidade de o seu futuro ser um triste futuro. Não tão tenebroso, mas é uma história de futuro alternativo, com tendências distópicas, cativante.

É deprimente ver o Peter no estado a que chegou, velho, senil, preso no passado. As coisas mudam quando alguém do passado lhe traz a velha máscara. (A propósito, foi engraçado ver esse personagem ainda rijo e mal-humorado.) A piada da coisa é que mal põe a máscara, o Peter recupera o sentido de humor. (Fiquei traumatizada com o ter visto o Peter velhote de máscara e boxers, lol.)

O aspecto distópico e a arte sombria conjuram uma história com preocupações actuais que me agradou ler. É um volume que vale muito a pena, um dos melhores da colecção.

Demolidor - Renascido, Frank Miller, David Mazzucchelli
Uma magnífica história de redenção e renascimento para Matt Murdock, que depois de ter caído o mais fundo possível tenta voltar a erguer-se. Muito boa, foi terrível seguir as sucessivas tragédias que aconteciam ao Matt pela mão do Rei do Crime, cujo alcance chega a todo o lado. (O que é assustador de ver, na verdade, quantos cordelinhos o homem consegue puxar.) O próprio Rei do Crime é um personagem interessante de seguir, pela extensão vingativa com que persegue o Matt Murdock ao descobrir que este é o alter-ego muito incomodativo (para o Rei do Crime) Demolidor.

Outra personagem que me cativou, apesar de a odiar no início por ser ela a traidora que dá o nome do Demolidor a um tipo qualquer por uma dose de droga, é a Karen Page, que se redime pela tenacidade com que tenta voltar a Nova Iorque, para avisar o Matt da palermice que fez. Destaque ainda para a arte, que me fez esquecer o ano em que foi feita, e que repete alguns motivos que se relacionam com a história.

Wolverine - Arma X, Barry Windsor-Smith
Adoro, adoro a arte deste senhor. O uso das cores é fabuloso, especialmente numa época em que ainda havia alguma restrição nas mesmas devido à impressão. O trabalho para criar pontos de luz e sombras é fantástico.

Mais uma história que desvenda um bocadinho as origens do Wolverine, mostrando-nos exactamente o que lhe aconteceu no programa Arma X, como adquiriu o esqueleto de Adamantium, e as experiências a que foi submetido. Contado do ponto de vista dos cientistas, tem um ritmo lento e levanta mais perguntas do que dá respostas. Só me falta ler alguma coisa da ligação japonesa do Wolverine.

O fim do volume conta ainda com a republicação duma história do mesmo autor que já conhecia através da série Clássicos da BD do Correio da Manhã, mas aqui em tamanho original, e num volume de luxo. Gostei e pude relembrar partes da história que já me tinha esquecido.

Novos Vingadores - Guerra Civil, Mark Millar, Steve McNiven
Uma história produto do dias de hoje, que obriga os super-heróis a reflectir no seu papel no mundo e os põe em lados diferentes da barricada no que toca às suas liberdades e responsabilidades. É um evento que se expandiu por vários títulos do universo Marvel, para além de ter direito a revista própria, cujos números são reunidos neste volume.

A história aguenta-se bem por si mesma, mas por vezes fazem-lhe falta as histórias laterais, passadas nos títulos de cada super-herói. As decisões do Homem-Aranha durante a saga, em particular, parecem um bocado descabidas se não se for lendo as revistas do super-herói, o que pude fazer há uns tempos com as revistas da Panini brasileira. A narrativa levanta algumas questões interessantes, mas o fim foi algo anti-climático.