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quinta-feira, 30 de março de 2017

Curtas BD: No Coração das Trevas DC, volumes 1 a 3

Joker: O Príncipe Palhaço do Crime, Bob Kane, Neal Adams, Ed Brubaker
Bem, se há personagem que é representado das mais variadas maneiras, mas ao mesmo tempo, mais consensual nos comics... deve ser mesmo o Joker. Vá lá, as duas histórias iniciais do volume (e suas primeiras aparições) são do mais psicopata que há: o Joker anuncia a morte de membros pronunciados da sociedade na rádio, e consegue misteriosamente cumprir as suas previsões, mesmo estando estes rodeados de segurança.

Gostei mesmo destas duas histórias; para o tipo de narrativa dos anos 40, parecem bastante complexas e sofisticadas. A história que se segue, dos anos 70, continua a expandir o terror de que só o Joker é capaz, e fico contente por saltarem as histórias dos anos 50-60, mais dominadas pelo Comics Code, que ao que entendo cortou as asas (e a piada e interesse) ao personagem.

A história seguinte é o tipo de coisa que esperaria do Ed Brubaker, e é um recontar fascinante da primeira história do Joker, enquadrando-a na cronologia de Batman: Ano Um. É muito boa e cativante, se é que posso pôr as coisas nesses termos sobre um assassino psicopata que deixa corpos deformados no seu trilho.

A última história é um recontar de origem de um personagem obscuro da DC, Jackanapes, às mãos do Joker. É fascinante e repulsiva, pelo que ele ensina ao gorila e lhe permite aprender, mas também pela noção dum ser inteligente e sensível às mãos dum louco.

Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1, Geoff Johns, Dave Gibbons, Ethan van Sciver, Ivan Reis, Patrick Gleason
Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2, Geoff Johns, Dave Gibbons, Peter Tomasi, Ethan van Sciver, Ivan Reis, Patrick Gleason
Até há bem pouco tempo, nunca tinha lido nada do Lanterna Verde. Não estou particularmente familiarizada com a sua mitologia. E devo dizer, é por isso mesmo um testamento à qualidade deste par de volumes que me tenham cativado tão inteiramente e me tenham soado tão interessantes.

A sério, acho que começo a compreender porque é que este Geoff Johns é venerado. Ele consegue fazer bastantes coisas bem com esta história. Uma, é contar uma que agrade a gregos e troianos. (Leia-se leitores familiarizados e não familiarizados.) Duas, é escrever de forma a ser bastante fácil de uma pessoa acompanhar e actualizar-se em relação ao Corpo dos Lanternas Verdes.

Três, é escrever uma história-evento que ocupa vários números de uma revista, e o ritmo do enredo ser mesmo bom e nem por um momento ser de todo aborrecido. Quatro, é escrever a história de forma a avançar a mitologia deste canto da DC e apresentar uma série de conceitos bem curiosos. Cinco, é fazer-me preocupar com uma miríade de personagens secundários que nunca vi na vida.

Seis, é escrever um vilão fascinante e nada exagerado; dá para compreender como o Sinestro funciona, e o porquê do que faz. E melhor, os planos dele são razoáveis e não típicos do vilão estereotípico. E finalmente, sete, dar-me vontade de ler mais qualquer coisa com estes personagens e desta fase.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Curtas BD: Super-Heróis DC, vols. 5 a 8

Arqueiro Verde: Ano Um, Andy Diggle, Jock
Este livro funciona como história de origem do personagem; Oliver Oueen é um menino rico e aborrecido que numa viagem pelo hemisfério Sul, naufraga e vai parar a uma ilha deserta. Lá, aprende a sobreviver pela lei do arco; só que a ilha não é assim tão deserta, sendo usada para produção de heroína, e o confronto com os produtores não é pacífico...

Isto provavelmente era um pouco mais impressionante se eu não tivesse já visto a série de TV, cuja premissa claramente se baseia neste livro. Os detalhes são diferentes, é certo, mas os contornos das histórias são semelhantes o suficiente para não me soar a novidade, o que estraga um pouco a piada.

De qualquer modo, deixando isso de parte, a história é mesmo interessante, é sempre fascinante ver um tipo com o feitio do Oliver ultrapassá-lo e torna-se alguém melhor através da adversidade. O Oliver passa metade do tempo com fome ou doente, ou pedrado para curar a doença, e a outra metade a disparar o arco em todas as direcções.

Acho que exageraram só um nadinha nas adversidades, porque a certa altura parecia que ele tinha sobrevivido demasiado, demasiado facilmente, e já estava a ficar saturada de o homem parecer um coitadinho. Ele ajudar a outra a dar à luz sem perceber nada do assunto foi o cúmulo, sinceramente. Ugh. Por outro lado, acabei a gostar da arte, bastante dinâmica, e as cores agradaram-me.

Aquaman: O Abismo, Geoff Johns, Ivan Reis, Joe Prado
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Acho que nunca tinha lido algo com o Aquaman, só o conhecia de passagem, o que até é estranho para alguém que é suposto pertencer à Liga da Justiça; aparentemente o seu estatuto menos abençoado é mesmo a base para este relançamento do personagem, o que até se torna bem engraçado de acompanhar - adorei o humor à base de o Aquaman não ser um herói "respeitado".

Gostava até que o passado dele fosse um pouco mais explorado; ele é meio Atlante, meio terrestre, herdeiro do trono, e sabemos que não tenciona assumi-lo, mas porquê? É claro que se compreende porque ele quer ficar em terra, a ajudar quem pode, mesmo sendo gozado - é isso que faz dele um herói. E descobrimos algumas coisas sobre o passado dele, sim, principalmente sobre a relação dele com o pai, mas às vezes parece que a acção afoga (piadinha muito propositada) a caracterização.

Fiquei a gostar muito da Mera, que quer apoiar o Arthur, mas não compreende exactamente o que o move a ajudar gente que goza com ele; gostei da sua adaptação a terra firme, a sua confusão com os costumes e feitios terrestres; e gostei principalmente que com ela não há paninhos quentes, e que facilmente pode nocautear um rufia só porque sim.

Super-Homem & Batman: Antologia, Joe Kelly, Brad Meltzer, Neal Adams, Curt Swan, Jeff Lemire
Uma antologia de histórias que juntam os dois personagens titulares, e como todas as antologias, tenta ser representativa, o que cumpre assim-assim, mas também é irregular no que toca à qualidade.

As primeiras histórias são dos anos 50-60, e como tal, são bem ao estilo da época, com umas premissas algo doidas e estranhas, mas que a história nos leva a aceitar por aqueles momentos. A primeira história é o primeiro encontro dos personagens, com reviravoltas a jeito, e uma colaboração entre os dois personagens.

Há uma história que é uma espécie de revisão dos melhores momentos da Liga da Justiça, narrada pelo Super-Homem, pelo Batman e pela Wonder Woman, e gosto da ideia, ter uma série de referências a momentos-chave dos personagens e da Liga; mas provavelmente podia aproveitar melhor a história se conhecesse os momentos em si.

Há uma história meio doida que reintroduz o Átomo ao universo New 52, e é claro que há diminuições e aumentos de tamanhos, e o Batman tem uma civilização minúscula alojada no cérebro, e o Super-Homem e o Dr. Ray Palmer têm de ir resolver o assunto, e o Batman mesmo quando devia estar a sangrar do cérebro ou algo do género consegue dar porrada a um tipo. Estranhamente, é divertida.

A minha história favorita é a penúltima, uma que reconta o primeiro encontro do Bruce e do Clark. Ainda é num cruzeiro, mas oh céus, é hilariante! A antipatia mútua entre os dois, as picardias, as piadinhas que mandam um ao outro (atirava-me para o chão cada vez que o Bruce chamava pacóvio ao Clark)!

E mesmo quando descobrem as identidades secretas um do outro a diversão não pára. O cruzeiro está a entrar no Triângulo das Bermudas, e então uma loucura interdimensional acontece, e os vilões do Sindicato do Crime da Terra-3 caem-lhes em cima, quase literalmente, e os nossos heróis têm de se confrontar com os seus eus vilões da outra dimensão.

O melhor é que nesta dimensão o Deathstroke foi contratado para matar o Bruce, e na outra a versão do mesmo foi contratada para protegê-lo, e a versão do Deathstroke da Terra-3 é curiosamente parecido com o Deadpool - é feita ênfase nisso, mesmo -, e isto é tão meta (o Deadpool foi claramente inspirado no Deathstroke), que é hilariante.

A história final é uma curtinha, sobre um encontro entre o Bruce e o Clark nas suas infâncias que podia ter acontecido. Gosto, porque conta tanto, contém tanto, em duas páginas apenas.

Isto... é muito estranho. É bom, de certo modo, a um nível intelectual, mas não tirei nenhum gozo da leitura. Talvez pudesse aproveitar um pouco mais se conhecesse mais os personagens, ou estivesse mais familiarizada com isto? Não sei. O único que conheço mesmo é o Darkseid, e é mais de nome que outra coisa. É isto que acontece quando não conheço muito bem a DC e me atiram de pára-quedas em cenas destas.

Como disse, não é que a nível intelectual não aprecie a coisa. Aprecio o trabalho intenso que este tipo de coisa pedia, sendo produzida apenas por uma pessoa; aprecio a imaginação brutal envolvida, porque tem uma certa riqueza mitológica que está a pedir para ser explorada.

Contudo... o desenvolvimento de personagens e enredo não é grande coisa. Não há nada que prenda à história, falta-lhe aquele quê que embale e faça virar páginas. Talvez não ajude a selecção de números soltos das várias revistas envolvidas - apesar de eu apreciar a tentativa de apresentarem uma certa narrativa coerente, e de tentarem dar um gostinho do mundo criado. Enfim... acho que nunca me senti tão insatisfeita com um livro deste tipo de colecções, é desconcertante.

domingo, 6 de março de 2016

Curtas: Super-Heróis DC, vols. 1 a 4

Liga da Justiça: Origem, Geoff Johns, Jim Lee
Bem, isto é suposto ser uma história de origem. Não estou convencida. Apesar de não estar muito familiarizada com o mundo DC, depois de ler isto, fiquei com a sensação que uma história de origem não era o que precisava como introdução a estes personagens. Ou pelo menos, não era esta história de origem que precisava.

Não sei, soou-me tudo tão... falso? Faltou-lhe ter a junção dos personagens duma forma orgânica, soou algo forçado. Parecem um bando de putos imberbes, e tendo em conta que estes personagens têm uma fama quase equivalente a deuses, é algo... desapontador?

É claro que há pontos interessantes, e achei que os momentos de humor estavam até engraçaditos; toda a gente espantadíssima por o Batman ser só um tipo num fato, ou as trocas verbais entre o Flash e o Lanterna Verde, ou o confronto entre o Flash e o Super-Homem, ou até a aparição do Aquaman, que acaba por entrar a matar.

Depois o enredo não ajuda, porque não é nada rico, é bastante básico, até, simplesmente "vamos dar porrada a estes tipos até termos a sorte de salvar o mundo", e não acho que mostre as forças dos personagens. Vá lá, a Mulher Maravilha parece uma tolinha. Consigo aceitar que ela nunca tivesse sido exposta ao nosso mundo, e um maravilhamento bem escrito era adequado, mas aqui? Errr mas vocês querem matar-me a vontade de ler a Mulher Maravilha, é isso? Missão cumprida. Bem, nem por isso, que eu sou teimosa e não deixo que parvoíces destas me estraguem as coisas.

Super-Homem: Contra o Mundo, Grant Morrison, Rags Morales
É certamente uma leitura curiosa do Super-Homem. Raramente tenho dado por mim a ler o personagem, porque sinto que um tipo perfeito e maravilhoso e fantástico não é assim tão interessante; e ainda mais raro é dizer que gostei genuinamente duma história do personagem. Aqui não chegou bem a esse patamar, mas diverti-me, o que já é mais do que possa dizer da maior parte das coisas com ele.

Assim é que se faz uma história de origem: tem que trazer algo de novo, soar a fresca, original, mesmo quando está a repetir os mesmos temas pela enésima vez. Aqui o Clark ainda está a aprender a usar os seus poderes, não voa, é atropelado por um comboio e fica inconsciente; e a sua atitude de justiceiro, de tentar corrigir os males do seu mundo (Metropolis) é muito adequada, soa perfeitamente natural para um jovem idealista que acabou de começar a trabalhar na grande cidade.

Só me queixo que a história de vez em quando dá uns saltos de lógica; não tenho nada contra uma narrativa fragmentada, mas detesto transições abruptas, e às vezes a edição das cenas soa mesmo assim, como se estivéssemos a saltar indiscriminadamente entre momentos da história. Não há fio condutor.

Ah, e alguém me explica duas coisas: um, porque é que saltámos dois números da revista, e se a história desses dois números é importante ou não (vi menções à história deles nas opiniões do GR e fiquei curiosa e a tentar apanhar do ar); dois, esses dois números tinham como artista o Andy Kubert, realmente, mas se não estão presentes no livro, e ele não participa em mais nenhum, ou seja, em nenhum dos que estão de facto no livro, porque raios é que o nome dele aparece na capa?

Batman: Corte das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Batman: Cidade das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Já falei aqui do primeiro volume destes dois, e o que eu disse mantém-se. Gosto da mitologia desenvolvida nestas histórias, é um golpe de génio que aproveita muito bem a simbologia do morcego e da coruja. Gosto que o Batman esteja assoberbado com as intrigas e tramas que a Corte é capaz de desenvolver. Gosto do mistério envolvido na história de Gotham.

O que o segundo volume traz é a conclusão da história, e é impressionante o Batman tentar dar a volta, há uma cena fantástica com os Talons, os assassinos, na Batcaverna, é fantástico vê-lo dar a volta aos poucos. Senti que a história acabou demasiado cedo; bem queria ler mais do que a Corte andou a tramar (parece que há um volume/histórias extra distribuídas pelas revistas da Batfamília). E adivinhei um bom bocado antes a identidade do vilão.

Contudo, achei bastante sólida a motivação dele, e como se entrelaça com a história pessoal do Bruce. Gostei da dúvida que fica. Gostei das histórias extra, especialmente a última, com o pai do Alfred, que entrelaça as Corujas um pouco mais cedo na vida do Bruce do que ele pensa.

Gostei de quão sólida esta história me soa. É tão boa, tem uma qualidade que a faz soar a um clássico do Batman. Encaixa tão bem na sua história, tão perfeitamente. Não consigo explicar bem, mas tem aquela coisa extra que me faz pensar que podemos andar daqui a 20 anos ainda a falar dela, como se anda a falar de certas histórias do Batman que têm 20 anos agora. Gosto de ler uma história e ela me cair no goto tão sem esforço; creio que essas são as que estão melhor construídas (e que têm mais esforço por trás).

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 9 e 10

Gavião: Aliados e Inimigos, Geoff Johns, Rags Morales, José Luis Gárcia-López
Ok, estou oficialmente intrigada. A história do Gavião parece muito interessante. Adoro este conceito de reencarnações, almas gémeas a reencontrarem-se vida após vida, e uma maldição através dos tempos... parece um conceito demasiado romântico para o típico comic americano, mas foi por isso que fiquei curiosa. Gostava de perceber como é que os autores têm explorado este conceito ao longo dos anos. (Uma breve espreitadela à Wikipedia faz-me pensar "não muito bem", porque aquilo parece-me uma salganhada, mas enfim.)

Dito isto, não sei se esta é a melhor história, ou conjunto de histórias, para apresentar o personagem. Fazem um trabalho decente a mostrar partes da mitologia do personagem, mas gostava de ter lido algo mais coeso. O segmento apresentado dá-me demasiado a sensação de que comecei a ler um livro a meio, li-o por um bocadinho, e depois pousei-o sem acabar. A história final é mais satisfatória nesse aspecto, mostrando a melancolia decorrente daquilo que o Gavião é.

Quanto à arte, gostei bastante do trabalho do desenhador principal, Rags Morales, mas achei o trabalho de cor demasiado simples - faltou-me alguma garra nas cores. Quanto à história final, com outro desenhador, tem umas sequências interessantes, como a sequência de luta; além do enquadramento das vinhetas, que também me agradou visualmente.

Super-Homem e Batman: Poder Absoluto, Jeph Loeb, Carlos Pacheco, Mark Verheiden, Kevin Maguire
O conceito da história tem tanto potencial... mas a maneira como a ideia dos mundos paralelos está explorada é tão, tão, tão confusa. Não me pareceu haver uma lógica interna no porquê destes mundos existirem, ou o que determinava as mudanças e os saltos de um para o outro. E eu queria tanto gostar da história! Mas não posso, com esta péssima execução. Uma história destas tem que ser muito bem construída para fazer sentido, e aqui não faz, ponto.

Há uma série de incoerências, de coisas que não fazem sentido, e de personagens que aparecem sem ser explicado o porquê de estarem ali. Exemplos: para que é que foram buscar o Tio Sam, dando-se ao trabalho de mostrar em pormenor o seu reaparecimento, se depois ele não tem consequência na história? Acho ridículo que o Batman, um tipo tão analítico, que me parece que mal dá um passo sem avaliar bem as consequências de pôr um pé à frente do outro, tenha decidido desfazer aquilo que é o cerne da existência dele sem piscar os olhos ou pensar duas vezes. E não acho que faça sentido nenhum o Bruce não-Batman lembrar-se "magicamente" das outras vidas paralelas. Etc., etc., etc.. Em suma, nada faz sentido. *resmunga frustrada*

Quanto à história final, tem uma premissa bem engraçada. A Caçadora e a Poderosa são "invadidas" pelas mentes do Batman e do Super-Homem devido à intervenção de um vilão, e gera umas situações engraçadas. Em termos de arte, não gostei, mete as heroínas numas poses do género "deixa-me lá mostrar o máximo de mamas e rabo que possa, mesmo que esta posição corporal seja absolutamente ridícula e impraticável". *facepalm* Um bocadinho menos de tempo dedicado ao peito das raparigas e mais a desenhar caras em condições tinha tornado o desenho mais agradável.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 6, 7 e 8

Liga da Justiça e Sociedade da Justiça: Virtude e Vício, Geoff Johns, Stephen Sadowski, David Goyer, Carlos Pacheco, Don Kramer
Este volume reúne um conjunto de três histórias que aborda a reunião de duas equipas de super-heróis da DC, a Liga da Justiça (JLA) e a Sociedade da Justiça (JSA). A primeira história funciona como uma espécie de prequela à história principal, Virtude e Vício, estabelecendo o conflito nessa história, mas acaba por não ser muito necessária para o efeito, na minha opinião. Talvez fosse mais útil para quem segue frequentemente os comics e os personagens. Apesar disso, tem alguns momentos giros, como o jogo de hóquei, em que o Homem-Hora estraga o final aos companheiros, ou a conversa entre a Poderosa, a Sideral e a Mulher-Maravilha sobre o Super-Homem.

A segunda história, Virtude e Vício, tem uma premissa muito engraçada. Os heróis das duas equipas estão reunidos para o dia de Acção de Graças, quando um ataque à Casa Branca e ao presidente (Lex Luthor, o que é uma ideia interessante) leva a que sete dos heróis sejam possuídos pelos demónios dos sete pecados mortais. Gostei da premissa, mas gostaria ainda mais se as características dos demónios e dos pecados fossem mais e melhor exploradas. Teria sido divertido ver os heróis dominados pelos pecados e a encarná-los verdadeiramente. O modo como se mostra quais são os pecados que eles representam é mais show que tell. Ainda assim, é uma história divertida, que como bónus permite ver mais um bocadinho de alguns personagens que já conhecia.

A terceira história, Virtude, Vício e Tarte de Abóbora, pega na mesma premissa (heróis reunidos durante a Acção de Graças), e sendo mais curtinha, explora adequadamente aquilo a que se propõe: sarilhos quando os heróis se reúnem (o Batman é que tinha razão). Foi divertido ver os vilões irromper no meio do jantar e ficarem surpreendidos com a quantidade de gente que afinal tinham de enfrentar. Além disso, as rivalidades e piadinhas trocadas entre heróis também são engraçadas de ler.

Super-Homem: Herança Vermelha, Mark Millar, Dave Johnson
Esta história é qualquer coisa de genial. Adoro a premissa de o Super-Homem aterrar na meio da URSS, em vez de nos EUA. (Não é coisa que não me tivesse passado já pela cabeça, o Super-Homem ter crescido e sido educado noutro local que não os EUA.)

E a execução é muitíssimo interessante. Gostei imenso de ver como a historia ao longo do século XX acabou por evoluir com esta pequena alteração, como uma coisa tão simples tem um impacto tão grande. Acho interessantíssima a inversão de papéis entre o Kennedy e o Nixon, e como os autores usaram a situação em Roswell para criar a história de origem de outro herói da DC. (O Hal Jordan é um pouco assustador aqui, depois do que sabemos que lhe aconteceu para o tornar merecedor do anel do Lanterna Verde.)

Há coisas que não mudam, no entanto. O Super-Homem continua a tentar fazer o bem, e ajudar quem pode, e os seus motivos são relativamente bons. (Não quer ganhar o mundo pela força, por exemplo.) Mas acaba por deixar-se ser um pouco uma marioneta do mundo em que se insere, deixar-se corromper absolutamente pelo poder absoluto que lhe é colocado nas mãos. É um ponto de vista interessante sobre o personagem.

Há outros personagens que têm uma vida completamente diferente, graças a esta mudança de eventos. A Lois está casada com o Lex Luthor. O Jimmy Olsen é um agente ao serviço da CIA que acaba a trabalhar com o Lex. E o próprio é um cientista obcecado com as suas invenções e com derrotar o Super-Homem (bem, aqui, nada de novo).

Adorei o fim da história. Acaba por ter uma qualidade cíclica intrigante, e fiquei fascinada com a evolução do planeta após a saída de cena do Super-Homem.

Batman: Contos do Batman, Tim Sale, James Robinson, Alan Grant, Darwyn Cooke
Li este volume com uma certa sensação de cansaço. A este ponto da colecção, já se torna aborrecido ler o milionésimo volume do Batman. Parece hilariante, mas sim, as escolhas dos responsáveis da colecção tornaram-me o Batman aborrecido. O Batman! *facepalm*

Continuo a queixar-me da falta da variedade da colecção, parece que quase metade dos livros é só Batman e Super-Homem, e valha-me Deus, estou a ficar enjoada dos dois. Acho que não precisávamos duma extensão da colecção se era só para enfiar mais Batman e Super-Homem. A Mulher-Maravilha, supostamente a terceira figura mais destacada da DC, a seguir a estes dois, só tem direito a um livro, o que na minha opinião é injusto. Por favor, quando até o Joker teve direito a um volume!

Muitos poucos heróis da DC, fora o núcleo/duo central, têm destaque e direito a volume próprio, e gostava de ter lido qualquer coisa com o Aquaman, porque nada sei dele a não ser o que vi no Justiça. Talvez também o Martian Manhunter. Ou a Catwoman, também acho que merecia um volume, já que o Joker mereceu, porque tem tanto ou mais protagonismo que ele. E também gostava muito de ver o Capitão Marvel e a sua, hã, família esclarecidos num volume próprio, porque a dinâmica daquela equipa é um pouco confusa para mim. E gostava que a Canário Negro, ou talvez as Birds of Prey, tivessem tido direito a um volume, acho que teria sido interessante de ler.

Bem, vou parar de me queixar. Mas lá que não li este volume com a mesma vontade, não li, que tanta repetição (até já tivemos um volume com "contos" do Batman na série I desta colecção, o Outros Mundos) já chega.

A primeira história, Lâminas, conta duas histórias em paralelo. O que narrativamente não faz muito sentido, porque acaba por desviar a atenção do Batman do que realmente importa, e os dois enredos nem sequer estão ligados, a não ser pelo próprio Batman. Mas se pensar nas duas histórias em separado, encontro bastantes coisas que me agradam. A obsessão do Batman pelo criminoso Sr. Lime, e de como ela quase o impede de descobrir quem anda a cometer os crimes. A teatralidade do Cavaleiro e as referências a filmes, o seu cavalheirismo e a sua necessidade de proteger uma jovem desesperada. (Fez-me lamentar o final, apresar de compreender a opção tomada.)

A segunda história, Os Marginais, é aquela que me deixou mais indiferente. Os vilões são de segunda categoria, pouco reconhecíveis. (Acho que não conhecia nenhum.) O que mais me interessou aqui na história foi o rapto do Bruce, com o Gordon e o Mayor, que o impediu de vestir o manto do Batman, e foi a história do Nimrod, que estava apenas à procura de justiça.

A terceira história, aMor Cego é muito curta mas muito satisfatória, e bem divertida. (Pontos bónus para o título, que consegue exprimir um trocadilho tão bem como o título original, apesar de não ser uma tradução literal ou fiel do título.) O Batman e a Catwoman enfrentam-se, mas em certos momentos parece mais um encontro que outra coisa. E acho piada ao modo como a Catwoman lida com o Batman, especialmente no final. Muito engraçada.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 18, 19 e 20

Batman: Outros Mundos, Brian Augustyn, Mike Mignola, Doug Moench, Kelley Jones, Dan Raspler
Este é um volume deveras interessante, pela premissa que as suas historias encerram: expor o protagonista a outros mundos, a coisas que no universo e continuidade regulares o super-herói nunca encontraria.

A primeira história, Gotham by Gaslight, é a minha favorita. Bruce Wayne vive numa Gotham vitoriana, no fim do século XIX, e dá por si a caçar Jack o Estripador, o assassino que depois de aterrorizar Londres pôs os olhos em Gotham. Achei que os paralelismos entre o Bruce vitoriano e o Bruce actual foram bem estabelecidos, e adoro o cenário vitoriano e a presença de Jack o Estripador. Agradou-me muito a arte, e a sua combinação com a cor, dando um estilo algo vívido ao desenho.

A segunda história, Red Rain, é daquelas que uma pessoa haveria de pensar "porque é que ninguém se lembrou disto mais cedo?", porque a associação Batman > morcego > vampiro é quase demasiado óbvia. Mas ao mesmo tempo acho a ideia de um Batman vampírico um bocado tolinha, e por isso não consegui levar a história completamente a sério. Pelo menos conseguiu manter-me a atenção do princípio ao fim. Na arte, não sou a maior fã. Há demasiados rendilhados nos fundos, e não sei se me agradam muito as cores usadas.

A terceira história, Sanctum, achei-a demasiado curta para realmente me cativar. Mas apreciei bastante a arte, na qual já se vê muito do que o autor faz no Hellboy, ou assim mo pareceu, do pouco que conheço do Hellboy.

Super-Homem: Legião dos Super-Heróis, Geoff Johns, Gary Frank
Já tive um vislumbre da Legião dos Super-Heróis, através da Crise nas Terras Infinitas, história também publicada nesta colecção. E gostei imenso de os conhecer melhor. Quero dizer, a Legião tem demasiados integrantes para os conhecer a fundo, mas a história faz um bom trabalho a apresentá-la minimamente, e à sua relação com o Super-Homem.

A história entreve-me e manteve-me entrosada, e adorei o conceito de um grupo de super-heróis de várias origens que se juntam para proteger a galáxia. Gostei ainda do conflito no cerne do enredo, um conflito enraizado nos meandros da Legião e da entrada (ou não) de novos membros. Gostei da arte em geral, mas achei demasiado desconcertante ver a cara do Christopher Reeve no rosto do Super-Homem. Imagino que a ideia era fazer uma homenagem, mas foi algo que me causou estranheza durante toda a história.

Super-Homem e Batman: A Rapariga de Krypton, Jeph Loeb, Michael Turner, Ian Churchill
Não estou familiarizada com a mitologia do Super-Homem, nem conheço por aí além os personagens que o rodeiam, mas diverti-me a conhecer melhor a Kara. Prima do Kal-El, ou Super-Homem, cai na Terra muito depois do previsto (a ideia é que fosse ela a criar o primo), e acaba por ser o SH a ter de lidar com uma primita adolescente.

Gostei bastante de ler sobre a relação que o SH e o Batman têm, as tensões, as piadinhas, e como a aparição da Kara provoca toda uma panóplia de drama entre estes dois. O Bruce, claro, fica logo desconfiadão, enquanto o que SH está mais pronto a aceitá-la. Afinal, não é o último sobrevivente de Krypton.

Sobre a arte, bem, eu já conhecia o artista graças ao primeiro volume da série Witchblade. E há coisas que ele faz muito bem, gosto bastante das caras, por exemplo, que me parecem expressivas. Mas depois o homem tem uma pancada qualquer por tornar roupas normalíssimas em coisas estranhas, pelo menos nas mulheres. A sério, a Kara aparece duas vezes de calças de ganga, e das duas vezes tive vontade de bater com a cabeça nas paredes. Não, as mulheres não usam fatos de banhos como se fossem camisas, e não, não usam cuecas tão lá em cima, nem calças tão cá em baixo. *facepalm* Graças a Deus que não dá para mexer muito no fato da Mulher Maravilha, ou sabe-se lá o que é que ele tinha inventado.

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Gostaria ainda de deixar um breve comentário à colecção toda. Em geral tenho estado a gostar, e fiquei muito contente por ser apresentada a um universo que me era bastante desconhecido... mas estou a encontrar pouca variedade entre os títulos. Eu gosto muito do Batman, mas já chega de Batmans e Super-Homens, o universo DC não tem mais heróis?

E até nos autores escolhidos vejo pouca variedade, há alguns que aparecem logo umas 3 ou 4 vezes, em 20 volumes... não sei, tenho a sensação que a colecção Marvel do ano passado era mais variada, e teve direito a menos volumes (25 no total, esta vai ter mais 10, por isso 30 no total). Entre os títulos da segunda série DC, vejo mais Batman, mais Super-Homem, e repetição de alguns autores... *cof*Geoff Johns*cof*

Isto deu-me que pensar. Gosto muito destas edições, têm sido muito boas e bem trabalhadas, mas tanta repetição fez-me pensar se devia continuar a fazer a colecção. Ainda por cima mudaram de jornal, para o semanário Sol, coisa que me deixou intrigada. Enfim... Sexta-feira logo decido.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 15, 16 e 17

A premissa da história é muito interessante. Os vilões, Lex Luthor e Joker, mudam de cidade, o que força os respectivos super-heróis a fazê-lo. (E não, os vilões não o fazem por acordo mútuo, como é sugerido na sinopse. Na minha opinião, ambos não podiam desprezar-se mais.)

No entanto, acho que a premissa foi mal aproveitada. Para quem muda de cidade para enfrentar os respectivos vilões, o Super-Homem e o Batman passam muito pouco tempo a enfrentá-los, de facto. Podia-se ter explorado melhor esta troca de papéis, e na minha opinião isso resultava melhor se o Batman tivesse ficado em Gotham, a enfrentar o Lex Luthor, e se o Super-Homem tivesse ficado em Metrópolis, a enfrentar o Joker. Talvez pudessem ter aprendido algo um sobre o outro, ao enfrentar o vilão do outro.

Para além disso, acho que a história está desnecessariamente ocupada com o enredo do orfanato, que quase parece não ter nada a ver com o da troca de vilões. Preferia que a história se tivesse dedicado a um ou ao outro, porque da maneira que está não permitiu o desenvolvimento adequado de ambos.

Por outro lado, adorei a arte. É tão colorida e tem um ar tão... cartoonesco. O desenhador é muito detalhado e é uma delícia observar o que se passa no fundo das vinhetas. E as panorâmicas iniciais das cidades são tão interessantes visualmente, e com um contraste tão giro. O que me lembra, gostei bastante da dualidade na evolução das sequências com o Super-Homem e com o Batman, que se espelham.

Batwoman: Elegia, Greg Rucka, J.H. Williams III
Nunca tinha ouvido falar da Batwoman até há bem pouco tempo, e pensei brevemente que se estava a falar da Barbara Gordon, até me lembrar que essa assumia o papel de Batgirl. A personagem não é exactamente das heroínas mais conhecidas e destacadas... e por isso entrei na leitura sem expectativas nenhumas.

A primeira história do volume não é nada de especial, graças ao facto da antagonista não ser caracterizada em condições, a não ser no que concerne directamente a protagonista. Porque fora isso, a vilã é apenas estranha e vaga e impenetrável. O que é que ela quer? Não faço ideia. Qual é o trauma dela? Também não sei. O que lhe fizeram no passado? É apenas sugerido, e mal. Eh, tenho de lhe dar crédito, usa umas roupas giras. (Hahaha.)

Já a protagonista, a Kate Kane, é uma personagem fascinante, e muito melhor caracterizada. Os flashbacks que vemos na segunda história pintam muito bem o seu passado, composto de alguns momentos tristes e trágicos. Acho a sua relação com o pai muito interessante. O modo como ele a apoiou quando lhe deu na telha virar vigilante, como a preparou, e como na actualidade a ajuda nas suas missões.

Visualmente, este livro é uma delícia para os olhos. E tenho a dizer que estou apaixonada pelo cabelo vermelho da Kate/Batwoman. Agora a sério, gostei muito de observar as duplas páginas, e o trabalho de vinhetas pouco comum. É engraçado reparar na divisão entre a vida da Kate como Kate Kane e a vida dela como Batwoman a nível gráfico. E muito elementos nas partes da Batwoman têm um aspecto fabuloso, não só pelo cabelo vistoso, como pelo aspecto dinâmico que é dado às sequências de acção com as opções pouco habituais do desenhador.

Lanterna Verde: Origem Secreta, Geoff Johns, Ivan Reis
Acho que nunca tinha percebido muito bem o Lanterna Verde. O seu poder é daqueles tão vagos, que pode ser versátil e ao mesmo tempo difícil de compreender. Além disso, não conhecia suficientemente bm o personagem. Coisa que este volume ajudou a resolver. Como recontar das origens de um super-herói, é bastante satisfatório.

Há muitos pontos de interesse na história de Hal Jordan. A morte trágica do pai é um ponto de viragem, e o modo como ele se planta no local de recrutamento da Força Aérea mal faz 18 anos é comovente. O problema é que o rapaz é ensarilhado, e daquelas personagens a que apetece dar um pontapé por ser incapaz de ganhar juízo, para no segundo a seguir dar uma vontade de lhe dar um abraço por causa de tudo o que lhe acontece.

Gostei de conhecer a sede do Corpo dos Lanternas Verdes, e de conhecer os diferentes seres que o incorporam. A mitologia inerente até me parece cativante, e agora fiquei sedenta de mais pormenores. Ao que sei, o Sinestro é um vilão das histórias deste personagem, por isso estou curiosa em saber como passa de mentor para inimigo.

A história, já o disse, é bem interessante de seguir, e ajuda a compreender melhor o tipo de personagem que Hal Jordan é. A única coisa de que me ressinto é o ver que há pequenos detalhes da história que são apresentados e não são resolvidos, tendo em vista serem abordados em números posteriores do título. Não gosto muito, porque estraga a ideia de história auto-contida... mas assim são os comics.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 13 e 14, + crónicas

Liga da Justiça: Crise de Identidade 1, Brad Meltzer, Rags Morales
Liga da Justiça: Crise de Identidade 2, Brad Meltzer, Rags Morales, Geoff Johns, Howard Porter
Estou impressionada com o tipo de história que aqui se conta. Ver super-heróis, supostos paradigmas de virtude, a tomar decisões moralmente duvidosas e a meter os pés pelas mãos quando tentam resolver uma situação que não tem propriamente solução... a ideia é boa. As questões que geraram a história - até quão longe vão estas pessoas para proteger a sua identidade, de modo a proteger os seus, e o que acontece depois de os vilões serem derrotados - são pertinentes. E achei interessante ver os vários tipos de relação familiar que os super-heróis tinham com os seus entes queridos.

Gostei de seguir o mistério, pois não é uma coisa tão comum de ler em comics, pelo menos nestes moldes tão sóbrios e trágicos. Toda a história tem uma atmosfera pesada, e lê-se bem como um policial... não é muito habitual encontrar estes aspectos entre super-heróis americanos. E certos acontecimentos... fiquei de boca aberta com a evolução das coisas. E aquele fim, apesar dos problemas que tenho com ele, bem, é surpreendente.

O problema que tenho com a história... é que é tão machista. É tudo focado nos coitadinhos dos personagens masculinos, e no horror de poderem vir a perder as suas namoradas/mulheres/etc.. E então as mulheres? Não estão em perigo de perder entes queridos? É que não há uma única mulher no centro deste dilema. (E não, meter ali uma vinheta de vez em quando não chega.) Fora isto, só vemos as mulheres como vítimas ou futuras vítimas, o que não é menos machista. E até o final perde força por causa disto. A razão pela qual o vilão fez o que fez, ou pelo menos o modo como é revelada, é tão mesquinha, e menoriza o sofrimento e os acontecimentos trágicos que estão para trás.

Fora isso, tenho a apontar a estupidez de preparar uma casa para proteger alguém contra os poderes conhecidos de vários vilões, mas não se considerar protecção, ou pelo menos a detecção do uso de poderes conhecidos de super-heróis. É claro que assim não tínhamos história, mas tendo em conta os extremos a que a Liga da Justiça foi para proteger os seus entes queridos, pareceu-me uma falha mesmo óbvia.

O segundo volume contém ainda uma história do Flash para complementar. Ao contrário da história principal, que faz referências ao passado sem exagerar, e que são explicadas bem, esta mete por ali uns comentários enviesados que não são muito claros. Mas gostei de seguir. Faz um bocadinho a continuação da Crise de Identidade, resolvendo algumas pontas soltas, e mostrando o Wally West, o Flash, a fazer as pazes com as escolhas do Flash anterior, o Barry Allen. Não achei muita piada foi ao facto de a história ficar a meio. Os vilões estão claramente a tramar alguma e aquilo fica em suspenso.

Uma nota para as capas, especialmente a do segundo volume, porque conseguiram trabalhar bem o fundo branco e fazer uma capa interessante. (E diferente das do resto da colecção.)

Um comentário curto, porque é um livro de crónicas, e não-ficção, e é difícil fazer uma opinião jeito para tal, pelo menos para mim. Divirto-me a ler as crónicas do autor na Visão quando as apanho, por isso tenho adquirido os livros que as reúnem, e este não foi excepção. É curioso, dá para seguir a evolução das notícias quentes do momento em que as crónicas foram escritas... ai, que este país é deprimente. Porque uma boa parte é a comentar politiquices e asneiradas de políticos. Que bela imagem do nosso país.

Apesar dos temas serem um pouco repetidos, acho piada à maneira como o autor às vezes apresenta as situações, e aprecio o tipo de humor com que as aborda. Só torço para que as coisas mudem um bocadinho por cá, para que da próxima vez que ler um livro destes haja mais variedade de temas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 10, 11 e 12

Lanterna Verde e Arqueiro Verde - Inocência Perdida, Dennis O'Neil, Neal Adams, Elliot S. Maggin
Este é um volume muito interessante pela premissa que apresenta: reunir histórias com estes dois personagens, escritas e desenhadas por estes dois autores (os primeiros dois da lista). A importância do conjunto de histórias prende-se com o facto de os dois super-heróis enfrentarem não problemas extraordinários, e extraterrestres, mas sim pequenos grandes problemas da humanidade: racismo, drogas, ecologia, e todo o tipo de injustiças...

É engraçado ver a atitude dos dois personagens às situações que enfrentam. O Arqueiro tem um feitio mais justiceiro, mais sensível às injustiças que encontra e mais pronto a tentar resolvê-las, seja por que meios for. Mas também é mais insensível a quando os problemas atingem aqueles que lhe são próximos. Não sei se gosto muito do feitio arrogante dele. O Lanterna é mais certinho, mais agarrado às regras e à autoridade, mais fixado num mundo a preto e branco, mas tem um bom fundo.

É bem divertido quando os pontos de vista deles chocam. E aprecio a evolução de ambos os personagens ao longo das histórias. Só me fez falta os números que faltam pelo meio das histórias seleccionadas. Teria sido interessante ler o que mais estes autores fizeram com estes personagens. A arte, já tinha dito no volume anterior, o do Batman, agrada-me, mas gostava mais das cores do mesmo. Se bem que aqui as cores têm alguns pontos altos muito impressionantes.

Flash - Renascer, Geoff Johns, Ethan Van Sciver
Não conhecia grandemente o personagem, mas esta acaba por ser uma boa história para o apresentar. Conhecemos as várias incarnações do Flash, os vários personagens "derivados", os seus aliados, família e inimigos, e a mitologia essencial do personagem. Gostei de ler a história porque permite segui-la sem ter de necessariamente conhecer o que está para trás.

Quanto à arte, aprecio o seu dinamismo, o trabalho com os relâmpagos, elemento essencial do personagem, e em certo ponto a composição das cenas e das vinhetas. As cores estão vívidas. Não sou muito fã do desenho musculoso dos personagens.

A melhor parte deste livro é a arte. O desenho é bastante cuidado e trabalho, mas são as escolhas de cor que se destacam. Às vezes as imagens parecem pintadas com aguarela, às vezes com lápis de cor, às vezes a tinta. Algumas das melhores imagens são só desenhadas a lápis e depois pintadas com lápis de cor, deixando que o carvão faça o trabalho de esboçar sombras ou cabelo ou expressões. Visualmente, é uma obra de arte.

A história não se destaca tanto, é uma história de vingança, mas gostei de seguir. O contraponto entre o Arqueiro e Shado é interessante. E gostei de ver outra história em que o ângulo de super-herói não é tão pronunciado. (Já agora, fiquei intrigada com esta história de a Dinah Lance/Black Canary usar peruca loira e ser morena. Só a tinha conhecido como loira.)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Em poucas palavras: BD

Superman: New Krypton vol. 1, Geoff Johns, James Robinson
Creio que é o primeiro livro editado pela DC que tenho nas mãos; o papel usado é mais fino que o normal (ou aquilo a que estou habituada), mas é suficientemente bom e não traz problemas à leitura. A encadernação em capa dura é boa e traz na parte da frente uma gravação do Super-Homem em pose semelhante à da capa. Não sei se é prática comum na DC, mas agrada-me o modo como organizaram as revistas desta "saga": cronologicamente, e não por título, o que permite acompanhar muito melhor a história.

Quanto à história em si, fiquei com a sensação que estamos ainda na introdução dos eventos principais. Não há muita acção, mas por outro lado o enredo é complexo , o que parece raro neste género de banda desenhada. Gostei disso. Estou vagamente familiarizada com o mundo do Super-Homem, mas não tive dificuldade em seguir a história, a maior parte das referências ao passado são auto-explicativas. Em termos de arte há uma variedade de artistas, e por isso de estilos, mas em geral agradaram-me, especialmente algumas ilustrações de duas páginas.

Uncanny X-Men: Fear Itself, Kieron Gillen, Greg Land
As grandes editoras de BD americanas e os seus eventos que abrangem múltiplos títulos. *suspiro* Neste caso, vale a pena ler, porque estou relativamente familiarizada com os X-Men, ainda que não com os acontecimentos que levam a esta história. A sinopse e a própria história dão contextualização suficiente.

O enredo desenvolve-se de modo satisfatório, com os X-Men a lutar para impedir uma ameaça a São Francisco. Tem alguns momentos bem-humorados, como a descrição dos planos para travar a tal ameaça e a classificação "ineficaz" quando não funcionam. (E também a reacção da Emma Frost à Hope Summers.) A história final do volume parece fechar um capítulo dos X-Men, na medida em que aparentam estar a abandonar São Francisco. É interessante pelo ponto de vista que apresenta, e pelo fechar de uma era no título.

Nota à edição, porque o hardcover é lindo. Verde esmeralda, com o símbolo da saga gravado na parte da frente.

Shadowland, Andy Diggle, Billy Tan
Esta saga tem (tinha ?) tudo para ser grandiosa. A queda de graça do Matt Murdock e do seu alter-ego, Daredevil, é um tema já explorado na história do personagem, mas possivelmente não neste sentido, o de o herói perder completamente o seu sentido moral e chegar a fazer coisas terríveis. (Não que eu tenha pena do Bullseye, que me parece um grandessíssimo psicopata.)

Acho apenas que perde um bocadinho por tentar ser uma saga grandiosa e abranger vários títulos da Marvel, quando a história funciona melhor confinada e algo claustrofóbica. O espaço onde a acção acontece é restrito (Hell's Kitchen), e os heróis envolvidos em travar o Demolidor são os "heróis de rua", quase nenhum voa ou trepa paredes, por isso o seu raio de acção é restrito. Não sei se esta ideia faz sentido, mas em suma, creio que a história se dispersa por estar distribuída entre tantos títulos, o que resulta em haverem demasiadas edições que coleccionam os números da saga.

Neste caso fez-me falta ler pelo menos o livro Shadowland: Daredevil, em que possivelmente se verá com mais pormenores a "queda" do Demolidor. Como disse, a ideia é muito boa, e a execução não é má de tudo, mas para ter um impacto emocional precisava de outra abordagem. (Este escritor não é definitivamente o Frank Miller.) Creio que vou apostar no livro mencionado em cima, para ver se tenho outra perspectiva.

Birds of Prey vol. 7: Perfect Pitch, Gail Simone, Paulo Siqueira, Robin Riggs
Nunca tinha ouvido falar deste título. Sei quem é a Oracle, e terei ouvido falar vagamente duma ou outra heroína deste título, mas estou muito menos familiarizada com a DC do que com a Marvel, e por isso conheço menos os seus super-heróis. Gostei de conhecer estas heroínas, pareceu-me um grupo a seguir através de outros livros que compilem as suas aventuras.

Não sei se é por ser escrito por uma mulher, mas tem alguns momentos bem engraçados e totalmente femininos. (Destaque para o momento em que a Black Canary rouba um beijo ao macambúzio Batman - um momento hilariante, mesmo.) O desenvolvimento das personagens parece-me credível e dei por mim cativada pelas suas aventuras. Há algumas menções a acontecimentos do passado e ocorridos fora deste título, mas nada que não fosse explicado ou subentendido. Estou super curiosa para ver mais deste grupo.

Ultimate Comics Iron Man: Armor Wars, Warren Ellis, Steve Kurth
Título da linha Ultimate, que funciona um pouco à parte da principal, é uma história bastante autocontida (à excepção de seguir um acontecimento trágico ocorrido noutro livro e mencionado neste) e fácil de seguir. O Tony Stark vê dados e tecnologia relacionados com a construção da armadura do Iron Man serem roubados e percorre meio mundo para os recuperar.

Não é uma história complexa, pois só se estende por quatro números, mas entretém. Tem algum humor e muita acção, com o Homem de Ferro a tentar ser versátil no modo como usa a armadura e muitas vezes a usá-la até à exaustão. Gostei da arte, mas fiquei a pensar se a coloração às vezes não atrapalha... pelo menos ao observar os esboços passados a tinta no fim deste livro fiquei com essa ideia - houve esboços que apreciei mais que a versão final.