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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Curtas: BD

She-Hulk v.1: Law and Disorder, Charles Soule, Javier Pulido, Ron Wimberley
Acho que nunca tinha lido nada da Jennifer Walters/She-Hulk, e por isso foi uma surpresa ver o quanto gostei desta história. Poderia compará-la ao recente Hawkeye, no sentido em que mostram ambos o dia-a-dia de cada herói, o Clint Barton na sua tendência para se meter em sarilhos, e a Jennifer no seu trabalho de advogada.

E acabou por ser um arco narrativo muito divertido de acompanhar. O argumentista faz um bom trabalho a descrever o meio da advocacia (ao que parece por experiência própria: é advogado), introduzindo um bom balanço de anedotas (como os advogados e patrões da Jennifer no início), e de burocracia no seu lado humorístico. Intercalados, claro, com um pouco de acção aqui e ali, relativa aos sarilhos em que a She-Hulk se mete.

Adorei a Jennifer pela sua personalidade, bem-humorada, impulsiva, confiante, forte e decidida; é uma delícia acompanhá-la. Oh, e destaque ainda para um aparição do Daredevil em certo ponto, foi um bom momento da história.

A arte, bem... Já tinha contactado com o Javier Pulido em Hawkeye, e se ali perdia em comparação com o David Aja, aqui ganha na comparação com o outro desenhador. Há qualquer coisa que me desconcerta na maneira como desenha, mas entranha-se. O seu estilo adequa-se à história à personagem e à história, sendo leve e fresco, e arrisca-se mais que em Hawkeye, fazendo umas coisas interessantes com o planeamento das pranchas, principalmente nas cenas de acção.

Do outro desenhador, Ron Wimberley, não gostei nada. O seu estilo é muito cheio de traços, um pouco estranho, e pior, delineia as sombras. Não as pinta a tinta, só as delineia, o que no resultado final fica bizarro, quando temos uma coisa, por exemplo, como uma sombra/mancha destas na cara da Jennifer, delineada, mas que depois é da mesma cor do resto da cara.

Marvel 100th Anniversary Special, Jen van Meter, Sean Ryan, Robin Furth, James Stokoe, Andy Lanning, Ron Marz, Joanna Estep, In-Hyuk Lee, Jason Masters, Gustavo Duarte
A premissa deste volume é curiosa: acompanharmos um possível número de uma revista de vários super-heróis (ou equipas) no seu centésimo ano de publicação: entre eles, o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha, os X-Men, os Vingadores e os Guardiões da Galáxia.

Creio que a qualidade dos números não é equilibrada: aceito a lógica de alguns dos números fazerem de conta que são o final de arcos longos que estavam a ser contados naquele ano, mas há histórias que se compreendem melhor nesse aspecto, outras pior, e quanto mais referência faziam a acontecimentos passados (mas que são do nosso futuro), pior. Algumas são sem consequência, ou apenas um repetir dos temas que os heróis já representam; preferia que fossem mais uma reflexão sobre o papel dos respectivos super-heróis nesse futuro imaginário.

O número do Quarteto Fantástico acompanha um grupo de jovens, netos dos heróis (e vilão) originais, como exploradores espaciais que se cruzam com a oportunidade de trazer de volta o passado da equipa. É uma história gira, mas o Quarteto é das equipas que menos conheço e com a qual tenho menos ligação, por isso foi-me difícil importar com o que estava a acontecer. Ainda por cima a história acaba num cliffhanger demoníaco e quase inexplicável, não fossem um par de menções nas histórias mais à frente. O unico ponto a destacar é uma Sue/Mulher Invisível já idosa mas ainda badass.

O número do Homem-Aranha pega no Venom e postula a ideia de o simbionte ter sido melhorado com tecnologia; pelo meio, o Rei do Crime tenta apoderar-se dele e o Peter tenta travá-lo. É uma história que também não me disse muito (para além de: o Venom outra vez?), não adiciona muito de novo ao herói nem traz nenhuma nova reflexão sobre o seu papel. A arte é gira, em estilo pintado e hiperrealista.

O número dos X-Men começa bem, com a ideia que os mutantes mudaram a percepção de parte da humanidade, ao ponto de o Scott Summers chegar à presidência dos EUA. Só que depois a história esquece-se do potencial que isso tem e deriva para território bizarro, com o desaparecimento súbito de vários dos heróis e uma intervençãozinha da Fénix. Não gosto da lógica de "vamos desafazer o passado para salvar o futuro", e soa tudo a fanfiction na maneira como termina, porque nem eu acredito que se desfizesse a continuidade dos X-Men daquela maneira. O ponto alto é vermos o futuro de alguns dos mutantes jovens que acompanham o Ciclope no presente.

O número dos Vingadores pega na ideia de que o território dos EUA desapareceu na Zona Negativa depois de uma tentativa de invasão falhada dos Badoon. Tendo em conta que não estou familiarizada por aí além com nenhum, nem com o antagonista que os personagens encontram, foi mais uma história que me passou ao lado. Achei interessante as ideias que permitem que a Rogue, o Doutor Estranho e o Beta Ray Bill façam parte da equipa, e ainda mais interessante a situação do Homem de Ferro. Mas achava bem mais cativante se acompanhássemos o Capitão América na incursão pela Zona Negativa, como é mencionado que ele está a fazer.

O número dos Guardiões da Galáxia é aquele que vale pelo livro todo, porque é simplesmente fabuloso, uns furos acima das outras histórias. (Talvez pela presença de um dos criadores da equipa de 2008 no argumento, Andy Lanning.) É uma história que flui bem, simples, envolvente, que evoca os Guardiões do presente no futuro. Adoro as pequenas alterações na equipa e nos personagens - a Gamora é agora o Star Lord - que está presumivelmente morto -, o Drax e o Groot evoluíram na aparência e poderes, e o Rocket tem três filhos, perdão, sobrinhos, os Racoons, que são as coisas mais adoráveis de sempre, e que herdaram o gosto do pai, erm, tio pelo armamento. Há ainda aparições de Knowhere, do Galactus (que evoluiu de maneira intrigante), e dum arauto que pertence ao passado dos Guardiões. A arte é muito adequada à aventura no espaço e adorei.

Black Widow v. 1: The Finely Woven Thread, Nathan Edmondson, Phil Noto
Lá estou eu outra vez com as comparações, mas este título também é como o Hawkeye e o She-Hulk, no sentido em que acompanhamos a Viúva Negra no seu dia-a-dia. Que no seu caso, passa por viajar pelo mundo a fazer coisas de espião.

Apreciei bastante o desenvolvimento do enredo, cheio de intriga, perigo e acção, com uma boa evolução e equilíbrio. A evolução da protagonista, a Natasha, está bem delineada: a personagem quer expiar o que fez no passado, e aceita trabalhos tendencialmente bons no sentido moral, para compensar as vítimas dos seus actos passados. Gosto da sua narração sobre o trabalho de espionagem, e da relação que desenvolve com o gato que ronda a sua porta quando está em Nova Iorque.

A arte vai ficar como das minhas favoritas, fotorealista, em estilo pintura, muito bonita e cativante, foi uma delícia acompanhá-la.

Moon Knight v. 1: From the Dead, Warren Ellis, Declan Shalvey
Não conhecia nada deste personagem, de todo. A razão pela qual quis ler este livro foi por ter visto algures uma boa opinião, e o que era dito me fez ficar curiosa o suficiente para me arriscar na leitura. E foi uma boa aposta: cada número contido no livro é uma história stand-alone, e os criadores fazem um óptimo trabalho em caracterizar o personagem bem o suficiente para os que não estão familiarizados com ele.

E é um personagem fascinante de explorar. Um homem que ressuscitou por obra de um deus egípcio, Khonshu, procura vingança contra os que atacam pessoas que viajam à noite; a noite é o seu elemento, e caça os predadores. Tem perturbação de personalidade dissociativa, que é apresentada de forma subtil e intrigante, mas o que faz dele um personagem que nos faz questionar a sua sanidade é o modo como se lança no perigo sem hesitar, caçando os criminosos sem preocupação consigo próprio: Marc Spector está sozinho no mundo, isolado, como é mostrado subtilmente ao longo da história.

A Nova Iorque aqui apresentada é escura, sombria, arrepiante, tanto dominada por um assassino em série como por acontecimentos sobrenaturais. As histórias são variadas, mas envolventes, criadas de forma que destaca o trabalho dos artistas.

E que trabalho esse. O desenhador tem oportunidade de mostrar um repertório completo, entre o submundo novaiorquino, uma aventura psicadélica, ou fantasmas violentos. Há uma ocasião em que o trabalho de um sniper é apresentado duma forma visualmente estimulante, que elimina as vítimas da prancha até esta ficar em branco.

O trabalho de cor é lindo, cativou-me o olho, é versátil, e com opções fantásticas a nível visual, tanto no uso predominante duma cor conforme a aventura, como na escolha de não pintar o Moon Knight de todo, o que só destaca ainda mais o seu uniforme. Fiquei fã.

domingo, 1 de setembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 5 e 6, e + BD

Joker: O Último a Rir, Alan Moore, Brian Bolland, Brian Azzarello, Lee Bermejo
Este volume contém duas histórias centradas no Joker, e acaba por tornar algo supérfluo o título da colecção (Super-Heróis DC), pois o Joker está muito longe de ser um herói, quanto mais um super-herói. Mas é uma boa aposta, porque é um personagem tão famoso e destacado no universo DC.

A primeira história é bastante conhecida, e suscitava-me curiosidade. Ao lê-la tive oportunidade de reparar no estilo de planeamento das pranchas, que é semelhante ao presente no Watchmen, e é aparentemente uma característica do trabalho do Alan Moore. A arte agradou-me muito, tem uma certa qualidade cartoonesca, e gostei da (re)coloração, que deu um ar muito vivo ao desenho.

A história conta, em flashbacks, a série de circunstâncias que levariam alguém a perder o juízo - o homem que se viria a tornar no Joker. Ao mesmo tempo, no presente, o Joker tenta reproduzir a mesma perda de sanidade no comissário Gordon, submetendo-o a coisas terríveis. É uma história interessante, por humanizar o Joker (ou a pessoa que ele foi), mas ao mesmo tempo afastá-lo da humanidade, devido à insanidade extrema que o caracteriza. A cena final é algo digno de se ver (ou ler).

A segunda história é mais longa e apresenta uma outra faceta do Joker, que tenta retomar à força a sua posição em Gotham City. A história segue um personagem, Jonny Frost, que segue o Joker na sua jornada de violência. É uma história interessante, que no fim acaba também por reflectir um pouco na relação Joker-Batman. Não me tornei fã da arte. Detestei o uso excessivo de sombras para criar texturas e profundidade. A única vez em que tal resultou para mim foi na cara do Joker, porque mostrava as expressões dele e porque estranhamente conjurava na minha cabeça a cara do Heath Ledger como Joker.

Mulher-Maravilha: Quem é a Mulher-Maravilha?, George Pérez, Phil Jimenez, Allan Heinberg, Terry Dodson
Este volume também nos apresenta duas histórias da Mulher-Maravilha. A primeira retrata um conflito na ilha de Temiscira entre várias tribos de Amazonas e apoia-se um pouco demais no conhecimento de conflitos e acontecimentos passados para o meu gosto. Mas a história em si é interessante, cheia de intriga, e parece apresentar no fim uma mudança de paradigma na ilha. A arte deixou-me intrigada. Não é o tipo de coisa que se veja habitualmente nos dias de hoje, é muito clássica e bonitinha, mas gostei de ver.

A segunda história é mais newbie-friendly, talvez por apresentar várias facetas da Mulher-Maravilha e colocá-la numa encruzilhada. Deu para me familiarizar com a personagem, diverti-me a conhecer o seu mundo e gostava de ler mais histórias com ela. Uma das minhas histórias favoritas da colecção até agora.

JSA Classified: Honor Among Thieves, Jen Van Meter, Peter J. Tomasi, Patrick Olliffe, Don Kramer
Esta foi uma compra não planeada, pois nunca tinha ouvido sequer falado da JSA (Justice Society of America), mas estava a um preço mesmo bom e veio cá para casa. A primeira história do volume foca-se na Injustice Society, um grupo de vilões. Achei fascinante ver este grupo a juntar-se para ajudar um dos seus, mostrando que não há assim tanta diferença entre eles e um qualquer grupo de heróis. E o final teve uma reviravoltazinha engraçada.

A segunda história foca-se em dois membros da JSA, o Flash e o Wildcat. Permitiu conhecer um pouco melhor os dois personagens, as suas personalidades e a dinâmica da sua relação e da com o grupo. Tem alguns momentos cruciais bem interessantes. No todo, o volume deixou-me curiosa acerca da equipa titular.