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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Curtas BD: Esquadrão da Luz, Eu Mato Gigantes, Umbrella Academy, Sorri

Esquadrão da Luz, Peter J. Tomasi, Peter Snejberg, Bjarne Hansen
Este livro tem uma premissa muito fixe. Metam-me mitologia judaico-cristã, anjos e demónios e gente à porrada por causa de algum objectivo apocalíptico, num livro, e fico feliz da vida. Neste caso, um conjunto de soldados americanos em plena Europa durante a 2ª Guerra Mundial fica responsável por enfrentar e deter um conjunto de Grigori e Nephilim que procura uma espada celestial que os levará de novo ao Céu. (E à vingança.)

Também gosto bastante do elemento da Guerra. É tão popular meter-se todo o tipo de conceitos na mesma, talvez por em si ter englobado coisas tão extraordinárias (não no bom sentido, óbvio), que acaba por ser meio credível ter cenários fantásticos ali pelo meio.

Os contras da história prendem-se com o facto de termos a mitologia e a base para o enredo muito boas, mas depois a evolução do enredo e a caracterização dos personagens serem mais fracas. Oh, alguns detalhes dos personagens são giros (o taradinho da BD, o Centurião, por exemplo), mas isso não chega para personagens que parecem pessoas (era muito difícil distingui-los). É suposto torcermos para o Chris mudar a sua atitude e virar o jogo, mas a sua história não é explorada ao ponto de isso se tornar importante. (O fim, no entanto, é bonito.)

Eu Mato Gigantes, Joe Kelly, J.M. Ken Niimura
Que história tão gira. Tão fofa. Tão adorável e triste. Provavelmente teria mais impacto se eu não tivesse já lido o Sete Minutos Depois da Meia-Noite - é que ambas as histórias têm premissas muito parecidas, e a maneira como os protagonistas lidam com os seus problemas é bem semelhante.

Ainda assim, dei por mim completamente enredada na história da Barbara. Foi fácil de perceber o que se passava, é verdade, mas é fascinante ver as reacções dela ao que a rodeia. A maneira como a história se desenrola é mesmo cativante; e adorei acompanhar o imaginário que rodeava a Barbara, que é lindo.

Também gostei imenso da arte, é muito um estilo cheio de traços, tem uma pinta de estilo manga, mas senti-o bastante expressivo, mesmo a preto e branco, o que é fabuloso.

Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse, Gerard Way, Gabriel Bá
Este livro é muito estranho. Digo-o no bom sentido, claro, mas é tão estranho que quando uma pessoa se está a habituar, o raio do livro acaba e é mesmo no ponto em que estamos preparados para saber mais. Queremos saber mais. Raios.

É sobre um conjunto de miúdos que nasceu com super-poderes; foram reunidos à nascença por um homem (eh) que os criou... bem, não foi como uma família, certamente. Isso implicaria carinho e sentimentos fraternais e parentais que não existem. Mais como um negócio. Isso cria personalidades fascinantes.

O cenário/worldbuilding tem tantos pormenores deliciosos, pequenas coisas que vamos apanhando daqui e dali, muitas que nem têm a ver com o enredo, ou que talvez voltarão mais tarde. O importante é saber que os miúdos são hoje adultos e já não existem como equipa. Até que um velho inimigo e uma nova ameaça surgem...

Adorei o tom do livro, ominoso e danificado e desencantado, cheio de coisas maravilhosas e fantásticas e estranhas. É capaz de precisar de mais umas leituras para ser inteiramente apreendido.

Acho que o único defeito que lhe posso apontar é que põe tantas perguntas, mas não me dá respostas nenhumas, caramba. Isso dá comigo em doida. No bom sentido. Mas ninguém tem pena de mim? Eu preciso de saber o que se passa! Como é que estes miúdos ganharam poderes? O que aconteceu com o miúdo desaparecido? E a Número Sete? Porque é que a tratam como pária? De onde é que vêm os macacos falantes? Como é que este mundo ficou assim? Arghhhh I must know.

Sorri, Raina Telgemeier
Este livro é tão enganador. Porque parece tão simples, mas acaba por ser tão bom e tão rico. Acho que já percebo porque é que a Raina Telgemeier é tão popular.

A história é, pelo que percebo, autobiográfica. Raina começa pelo momento em que descobre que vai ter de pôr aparelho só para, cúmulo dos cúmulos, cair ao chão e espatifar os dois incisivos centrais de cima. O livro segue as suas aventuras (ou desventuras?) dentárias para voltar a ter um sorriso, no meio de aparelhos e retentores e outras coisas parecidas (ou não). Senhores, aprendi mais sobre problemas dentários num livro mais que em toda a minha vida.

E é essa a simplicidade do livro: conta-nos os dramas dentários da protagonista. Mas também é essa a sua complexidade. Com uma clareza de espírito que só vem com a idade, a autora reconta a sua evolução ao longo daqueles anos, amigos, paixonetas e desencontros, novas escolas, dores de crescimento.

Pode parecer apenas um livro sobre a vida banal de uma miúda adolescente, mas é feito com um elaborado fundo emocional, e é possível o leitor compreender a evolução da vida da Raina e compreender como ela se sente ao longo do tempo. É simultaneamente mais fácil e difícil escrever sobre nós próprios, ainda mais com tanta clareza e imparcialidade, e por isso direi que é um livro impressionante, sendo enganadoramente simples.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Curtas BD: Super-Heróis DC, vols. 5 a 8

Arqueiro Verde: Ano Um, Andy Diggle, Jock
Este livro funciona como história de origem do personagem; Oliver Oueen é um menino rico e aborrecido que numa viagem pelo hemisfério Sul, naufraga e vai parar a uma ilha deserta. Lá, aprende a sobreviver pela lei do arco; só que a ilha não é assim tão deserta, sendo usada para produção de heroína, e o confronto com os produtores não é pacífico...

Isto provavelmente era um pouco mais impressionante se eu não tivesse já visto a série de TV, cuja premissa claramente se baseia neste livro. Os detalhes são diferentes, é certo, mas os contornos das histórias são semelhantes o suficiente para não me soar a novidade, o que estraga um pouco a piada.

De qualquer modo, deixando isso de parte, a história é mesmo interessante, é sempre fascinante ver um tipo com o feitio do Oliver ultrapassá-lo e torna-se alguém melhor através da adversidade. O Oliver passa metade do tempo com fome ou doente, ou pedrado para curar a doença, e a outra metade a disparar o arco em todas as direcções.

Acho que exageraram só um nadinha nas adversidades, porque a certa altura parecia que ele tinha sobrevivido demasiado, demasiado facilmente, e já estava a ficar saturada de o homem parecer um coitadinho. Ele ajudar a outra a dar à luz sem perceber nada do assunto foi o cúmulo, sinceramente. Ugh. Por outro lado, acabei a gostar da arte, bastante dinâmica, e as cores agradaram-me.

Aquaman: O Abismo, Geoff Johns, Ivan Reis, Joe Prado
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Acho que nunca tinha lido algo com o Aquaman, só o conhecia de passagem, o que até é estranho para alguém que é suposto pertencer à Liga da Justiça; aparentemente o seu estatuto menos abençoado é mesmo a base para este relançamento do personagem, o que até se torna bem engraçado de acompanhar - adorei o humor à base de o Aquaman não ser um herói "respeitado".

Gostava até que o passado dele fosse um pouco mais explorado; ele é meio Atlante, meio terrestre, herdeiro do trono, e sabemos que não tenciona assumi-lo, mas porquê? É claro que se compreende porque ele quer ficar em terra, a ajudar quem pode, mesmo sendo gozado - é isso que faz dele um herói. E descobrimos algumas coisas sobre o passado dele, sim, principalmente sobre a relação dele com o pai, mas às vezes parece que a acção afoga (piadinha muito propositada) a caracterização.

Fiquei a gostar muito da Mera, que quer apoiar o Arthur, mas não compreende exactamente o que o move a ajudar gente que goza com ele; gostei da sua adaptação a terra firme, a sua confusão com os costumes e feitios terrestres; e gostei principalmente que com ela não há paninhos quentes, e que facilmente pode nocautear um rufia só porque sim.

Super-Homem & Batman: Antologia, Joe Kelly, Brad Meltzer, Neal Adams, Curt Swan, Jeff Lemire
Uma antologia de histórias que juntam os dois personagens titulares, e como todas as antologias, tenta ser representativa, o que cumpre assim-assim, mas também é irregular no que toca à qualidade.

As primeiras histórias são dos anos 50-60, e como tal, são bem ao estilo da época, com umas premissas algo doidas e estranhas, mas que a história nos leva a aceitar por aqueles momentos. A primeira história é o primeiro encontro dos personagens, com reviravoltas a jeito, e uma colaboração entre os dois personagens.

Há uma história que é uma espécie de revisão dos melhores momentos da Liga da Justiça, narrada pelo Super-Homem, pelo Batman e pela Wonder Woman, e gosto da ideia, ter uma série de referências a momentos-chave dos personagens e da Liga; mas provavelmente podia aproveitar melhor a história se conhecesse os momentos em si.

Há uma história meio doida que reintroduz o Átomo ao universo New 52, e é claro que há diminuições e aumentos de tamanhos, e o Batman tem uma civilização minúscula alojada no cérebro, e o Super-Homem e o Dr. Ray Palmer têm de ir resolver o assunto, e o Batman mesmo quando devia estar a sangrar do cérebro ou algo do género consegue dar porrada a um tipo. Estranhamente, é divertida.

A minha história favorita é a penúltima, uma que reconta o primeiro encontro do Bruce e do Clark. Ainda é num cruzeiro, mas oh céus, é hilariante! A antipatia mútua entre os dois, as picardias, as piadinhas que mandam um ao outro (atirava-me para o chão cada vez que o Bruce chamava pacóvio ao Clark)!

E mesmo quando descobrem as identidades secretas um do outro a diversão não pára. O cruzeiro está a entrar no Triângulo das Bermudas, e então uma loucura interdimensional acontece, e os vilões do Sindicato do Crime da Terra-3 caem-lhes em cima, quase literalmente, e os nossos heróis têm de se confrontar com os seus eus vilões da outra dimensão.

O melhor é que nesta dimensão o Deathstroke foi contratado para matar o Bruce, e na outra a versão do mesmo foi contratada para protegê-lo, e a versão do Deathstroke da Terra-3 é curiosamente parecido com o Deadpool - é feita ênfase nisso, mesmo -, e isto é tão meta (o Deadpool foi claramente inspirado no Deathstroke), que é hilariante.

A história final é uma curtinha, sobre um encontro entre o Bruce e o Clark nas suas infâncias que podia ter acontecido. Gosto, porque conta tanto, contém tanto, em duas páginas apenas.

Isto... é muito estranho. É bom, de certo modo, a um nível intelectual, mas não tirei nenhum gozo da leitura. Talvez pudesse aproveitar um pouco mais se conhecesse mais os personagens, ou estivesse mais familiarizada com isto? Não sei. O único que conheço mesmo é o Darkseid, e é mais de nome que outra coisa. É isto que acontece quando não conheço muito bem a DC e me atiram de pára-quedas em cenas destas.

Como disse, não é que a nível intelectual não aprecie a coisa. Aprecio o trabalho intenso que este tipo de coisa pedia, sendo produzida apenas por uma pessoa; aprecio a imaginação brutal envolvida, porque tem uma certa riqueza mitológica que está a pedir para ser explorada.

Contudo... o desenvolvimento de personagens e enredo não é grande coisa. Não há nada que prenda à história, falta-lhe aquele quê que embale e faça virar páginas. Talvez não ajude a selecção de números soltos das várias revistas envolvidas - apesar de eu apreciar a tentativa de apresentarem uma certa narrativa coerente, e de tentarem dar um gostinho do mundo criado. Enfim... acho que nunca me senti tão insatisfeita com um livro deste tipo de colecções, é desconcertante.