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domingo, 15 de janeiro de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 26, 28 e 29

O Poderoso Thor: Em Busca dos Deuses, Dan Jurgens, John Romita Jr.
Ok... não estou a ver porque raios é que o Thor precisava de um reboot, mas eu claramente não andava a ler banda desenhada (não de super-heróis, pelo menos) nos anos 90, e por isso a coisa pode passar-me ao lado. Mas nunca fui muito à bola com esta história de o Thor estar ligado duma forma arcana a um tipo humano chamado Donald Blake.

Quero dizer, como é que isso funciona? Em termos físicos? Logísticos? Eles partilham um corpo? Uma mente? Duas mentes num corpo? São uma e a mesma pessoa ou duas diferentes que existem no mesmo espaço físico? São as perguntas que me mantêm acordada à noite. (Ou não.)

De qualquer modo, a maior parte das histórias com o Thor parece ignorar este pedaço de mitologia (ou então nelas o pessoal, muito avisadamente, fê-la terminar), e gosto mais do Thor em modo deus nórdico mesmo - os problemas domésticos dele parecem-me mesquinhos comparados com o tipo de coisas com que ele costuma lidar nos comics.

E portanto não sou fã de vir a ler um livro que pega na mesma premissa, um tipo que é "fundido" com o Thor. Ainda por cima foi trazido de volta à vida. E isto tudo pela razão mais estranha de sempre, o Thor sente-se culpado por o tipo ter morrido no meio duma batalha em que o Thor intervinha. Mas o Thor não teve intervenção directa na morte do tipo. É, infelizmente, um dano colateral, e seria uma boa forma de reflectir sobre o que acontece às pessoas comuns apanhadas no meio das lutas de super-heróis. Mas para este pessoal o mais importante mesmo é meter ali o Thor a ter de lidar com os dramas comuns da vida enquanto distribui porrada.

Fora isso (os dramas domésticos, quero dizer), a história pode vir a ser interessante, porque parece ter um âmbito mais épico. Peca por o volume terminar num cliffhanger. Mas parece promissor, com os conflitos entre panteões de vários deuses. E tem algum humor e alguns momentos em que revemos coisas da mitologia e história passada do Thor.

A arte do Romita, bem, entranha-se. Começo a conhecê-la, e dá algum conforto, estar familiarizada com ela. É adequada para o tipo de história. Começo a achar que ele não tem variedade nenhuma de expressões e desenhar caras, mas pronto. E acho que já sei de BD o suficiente para dizer que me parece que ele estava a canalizar o Jack Kirby e os seus Novos Deuses, o que é uma homenagem gira e adequada para os personagens que são deuses. (Houve um que me fez pensar duas vezes se não era o Darkseid ou um primo.)

1602, Neil Gaiman, Andy Kubert
Como se já não tivesse lido suficiente BD excelente do Gaiman este ano. (O ano passado, quero dizer.) Já tinha lido, cortesia da Devir há muitos, muitos anos atrás. E devo dizer, aguenta muito bem a passagem dos anos. Ainda é muito bom.

1602 reimagina o Universo Marvel se uma impossibilidade acontecesse e desse início à era dos heróis... centenas de anos antes. Essa presença foi, aparentemente, influenciadora da aparição daqueles que conhecemos como mutantes (conhecemos a versão original da equipa dos X-Men ao estilo século XVII), ou de mágicos e físicos (o Dr. Strange), ou de superespias e cegos com capacidades extraordinárias (a Viúva Negra e o Demolidor, respectivamente).

É tão divertido percorrer estas páginas e reconhecer as referências, por mais óbvias ou obscuras que sejam. (Calculo que algumas me tenham passado ao lado, mas enfim.) E melhor, os personagens que conhecemos estão indelevelmente inseridos no espaço e época em que existem. A descrição e apresentação dos mesmos são genuínas. Isto é mesmo a Inglaterra de Elizabeth I, e a Espanha da Inquisição. (E a Latvéria do Dr. Destino. Ehehe.) Mas é o tipo de trabalho que, depois de Sandman, esperaria do escritor.

O fim deixa-me triste e com vontade de ler mais, porque a premissa é tão boa que merece ser explorada. (Parece que foi.) A arte, por sua vez, é mesmo o tipo de coisa que aprecio. Adoro este estilo desenhado e pintado, e adoro as referências visuais no design dos personagens. Muito bom.

Eu, Wolverine, Chris Claremont, Frank Miller
Ah, estou a ficar um nada cansada de todos os livros em que o Wolverine é mau, mas "bom naquilo que faz". Nada culpa deste livro, que é o original, aquele que dita essa abordagem ao personagem, mas pronto. Não foi o que eu li primeiro, portanto leva com o meu cansaço acerca de tudo isto.

Este é interessante e ao mesmo tempo, não-tão interessante. Gosto da expansão que fazem à história pessoal do personagem, de entender a ligação dele ao Japão e como isso guia a mitologia do personagem. Gosto da ideia de uma história que fala de honra e guia os personagens com um código de comportamentos diferentes do ocidental, criando um choque de culturas.

Não sei se sou tão fã do tratamento de algumas coisas dessa cultura. A Yukio é fixe, mas um pouco cliché quando fica obcecada com o Logan. Acho que a Mariko podia ter mais garra, mais qualquer coisa. A história confina-a ao papel da filha obediente, mas ela podia ser isso e ainda assim ter uma certa personalidade. Algo que a distinguisse daquilo que os outros tendem a fazer dela.

Além disso, o pai dela morre às mãos do Logan, e ela no fim faz um discurso a desculpá-lo, que o pai tinha desonrado a família e merecia. Ideia? Devia ter sido ela a ter direito a essa morte. Seria tão fixe, depois de ser um joguete nas mãos dos outros, ela tomar rédeas do próprio destino. E tornar-se uma companheira à altura do Logan, no que toca a sangue frio.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 15 a 17

O Espetacular Homem-Aranha: Revelações, J. Michael Straczynski, John Romita Jr.
Já li esta história também, no passado, pelo menos grande parte dela me é familiar; creio que quando a Devir publicava revistas mensais, e uma delas era do Homem-Aranha.

E este status quo do Aranha acaba por ser um dos meus favoritos. Uma das coisas que me aborrece quando escrevem o personagem é esta tendência para voltar a uma certa estagnação que faz dele um coitadinho e uma espécie de Peter Pan que não cresce.

E portanto as histórias que mais gosto metem algum tipo de evolução (ele a trabalhar nos laboratórios Horizonte, toda a coisa da troca com o Octopus), e as histórias que detesto metem coisas como apagarem o casamento do Peter e da Mary Jane numa alteração de realidade vergonhosa e que devia ter mais repercussões que teve.

Aqui, vemos desenrolar-se a história depois da Tia May descobrir que o Peter é o Homem-Aranha. E é fantástico! Dá espaço a esta grande senhora para mostrar como é uma pessoa de classe e absolutamente fabulosa. Sou uma fã da May, e foi a maior perda da coisa de desfazer o casamento: ela deixar de conhecer a identidade dele. O Peter passou tanto tempo a esconder-se desta pessoa que ama, que é libertador ver tudo revelado. E adoro a reacção da May: preocupada, mas curiosa e aliviada por saber a verdade.

A história mete pelo meio o Peter a ajudar uns miúdos da escola onde ensina (outro desenvolvimento que eu adorava), e a meter-se no meio de uma luta entre o Octavius e um imitador dele. Mas a melhor parte desse segmento é na verdade a Mary Jane. Ela e o Peter estão separados, e ela está a fazer a sua coisa, a aprender a sua própria pessoa, e gosto muito deste trajecto para ela, ser uma pessoa independente e não deixar que os dramas do Peter a arrastem. (Apesar de eu gostar muito de os ver juntos.)

Supremos: Segurança Nacional, Mark Millar, Bryan Hitch
Ler isto depois dos filmes dos Vingadores parece dèja vú. Acredito que o primeiro deva bastante a esta história; os pormenores são bastante diferentes, mas o tom, a maneira como as coisas são apresentadas e evoluem, lembra-me imenso do filme. Ambos estão a tentar apresentar os personagens e o mundo a leitores/espectadores que não estão familiarizados com os mesmos.

O mais fascinante desta história é o conjunto de vilões, de como estão relacionados com a história do Capitão América, e de como estiveram tanto tempo tão discretos, e de como os heróis estiveram tão perto de perder tudo. Não conhecia muito esta raça, mas achei bastante interessante descobri-los.

A interpretação/variação de alguns personagens é muito engraçada/interessante (no primeiro caso não é nada engraçada, atenção): o Hank Pym, que no universo 616 tinha batido uma vez na Janet, aqui evolui para violência doméstica a larga escala, completamente iludido que está a fazer... bem? Ugh. O Thor é um taradinho da ecologia que deixa toda a gente na dúvida se não será um doente mental que fugiu do manicómio e acha que é um deus.

O Mercúrio e a Feiticeira Escarlate aparecem só nos momentos cruciais, depois da vitória, e o Mercúrio diz que sempre esteve lá, se virem nas filmagens e abrandarem a coisa, lá andará ele a distribuir porrada, supostamente. (Este gag é hilariante, por alguma razão.) O Gavião Arqueiro e a Viúva Negra trabalham juntos, dão porrada como se não houvesse amanhã e fazem proezas extraordinárias, são muito giros. (Não consigo é ver o Gavião com o design de brincos nas orelhas. Não me parece nada ele, mas enfim, é outra interpretação do que aquela que li.)

Thunderbolts: Fé nos Monstros, Warren Ellis, Mike Deodato
É bastante desconcertante mas curioso ler e opinar isto a uns dias de o filme do Esquadrão Suicida sair. Porque basicamente esta é a versão Marvel de uma equipa de vilões forçados a trabalhar para o lado dos "bons", e uso aspas porque o posicionamento da equipa e do líder Norman Osborn no espectro de bom-mau é... incerto.

Primeiro, reconheçamos quão fixe é ter o Norman a liderar alguma coisa. Porque, um, ele é assustador a lidar com os outros elementos, impondo a sua autoridade vezes sem conta. Dois, porque ele é doido, doido, e doido. A obsessão dele com... aranhas neste livro? Hilariante.

Fora o Venom e o psicopata (caramba, nem me tinha dado conta de quão avariado este tipo é até ler isto) Mercenário, o restante da equipa é pouco proeminente, praticamente toda desconhecida da minha pessoa. Alguns deles têm um conjunto de poderes bem doidos. O Penitente só consegue activar os poderes dele se estiver num fato com espigões lá dentro que lhe provocam dor. Adorava saber quem é que se lembrou disto e de onde é que saiu a ideia, porque é... bizarro.

Normalmente acabo a gostar bastante de algo que o Warren Ellis escreva, porque ele explora um conceito inusitado, encontrando um ângulo fascinante, e sendo bom a apresentar o drama emocional, as tensões. Aqui temos uma equipa que não é uma equipa, sendo forçados a trabalhar juntos, e gostei de ver isso, combinado com o problema que é aquela coisa que saiu da Guerra Civil que é o Registo de Super-Heróis, e a detenção daqueles que não se registam - os Thunderbolts estão encarregados desta parte... com métodos violentos e pouco ortodoxos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 1 a 4

O Espetacular Homem-Aranha: Regresso às Origens, J. Michael Straczynski, John Romita Jr.
É engraçado, sou capaz de ter em alguma ocasião lido o material de três dos quatro volumes mencionados neste post. Neste caso em especial, suponho que li esta história através das revistas do Homem-Aranha que a Devir publicava, algures depois de 2003.

Não é que eu me lembre de grande coisa, tendo em conta que já passou tanto tempo. Tenho boa memória, mas não assim tanto. Por isso, é quase como se estivesse a ler pela primeira vez. Tenho simplesmente uma ideia decente da mitologia exposta, até porque é importante no Spider-Verse, sobre o qual li recentemente.

E gosto mesmo deste lado mitológico do Aranha. Imagino que na altura pudesse ser uma ideia relativamente original, imbuir o personagem de um aspecto mitológico; e esta ideia de um personagem imparável, que persegue Aranhas para os devorar... tremendamente interessante. E gosto de como as coisas parecem desesperadas, e de como foram montadas. São complexas o suficiente, mas abertas também, e permitiram que a mitologia do Spider-Verse encaixasse nelas e as estendesse.

Aquilo de que não sou fã é de saber que o pessoal na Marvel tem alergia a ter um personagem casado e feliz da vida com isso. Têm sempre que inventar alguma coisa parva. Mais para a frente apagaram da existência o casamento da Mary Jane e do Peter, antes disto parece que ela foi raptada, o que ainda é pior, fazer dela uma vítima só para inventar mais drama.

Vingadores: O Último Ato, Brian Michael Bendis, David Finch
Ok, este era o volume que não tinha lido. E é por este tipo de coisas que eu não gosto mesmo nada da Feiticeira Escarlate. Está no centro de demasiada tralha que aconteceu no universo Marvel. Primeiro, é demasiado poder para alguém, como se pode ver pelo que ela causou, e depois, acontece tanta coisa por causa dela e nunca chega a... pagar por isso? Eu sei que em parte ela não está no todo das suas faculdades, mas caramba, já chega. Alguém que ajude a moça.

De qualquer modo, a ideia é intrigante, e a execução maioritariamente boa.. as coisas começam a correr tão mal, tão mal aos Vingadores - embaraços públicos, mortes dos seus membros, guerras, tudo e mais alguma coisa. E o resultado final é que a equipa se desmembra de forma trágica, porque a situação se torna intolerável.

Um belo conceito, porque os Vingadores podem ter mais ou menos importância para cada um, mas são a equipa-base da Marvel, que junta personagens tão diferentes e de áreas tão distintos deste universo. E ver como as desgraças se empilham em cima deles? Uau. Ao menos a Feiticeira tem imaginação, eh.

Capitão-América: Uma Nova Era, John Ney Rieber, John Cassaday
Este também já tinha lido, aqui quando foi publicado na colecção de BD do Correio da Manhã. Também foi há demasiado tempo para me lembrar, o que me recordo bem é da conversa do Capitão sobre as baixas civis crescentes de uma Guerra Mundial para a outra. Era um argumento impressionante na altura em que o li.

É uma história um pouco longa e sem rumo em partes; mas de resto até gostei bastante. É bastante adequado usar um personagem que foi criado como uma espécie de propaganda anti-Hitler na Segunda Guerra, e pô-lo no meio de uma história que fala do pós-11 de Setembro e da posição Norte Americana.

É bastante mais subtil do que esperava (há momentos óbvios, claro, mas não deu para enjoar), levando o Cap a perguntar-se sobre a natureza do mal, e do terror. A compreender que isso não tem geografia, e que os "seus" não estão isentos de responsabilidade. As primeiras páginas são de partir o coração. O Capitão está em Ground Zero, a ajudar os bombeiros, e é terrível saber que não vão conseguir ajudar ninguém.

O argumento é principalmente à base de um monólogo, esparso em diálogos, que deixa espaço para as pranchas e as imagens, que até parecem maiores por causa disso. E a arte é bem gira, visualmente muito cativante.

Os Surpreendentes X-Men: Sobredotados, Joss Whedon, John Cassaday
Outro já lido, desta vez porque apanhei uma vez a edição da BDMania numa livraria e aproveitei para ler a história. O que mais retiro deste livro é a observação de como as coisas mudam de escritor para escritor, a abordagem que fazem às histórias e aos personagens.

Li os livros dos X-Men com o escritor anterior, Grant Morrison, e posso dizer que gostava muito da sua abordagem, mas também gostei do que vi aqui com o Joss Whedon. Já conhecia o trabalho dele doutros lados e é impecável, na maneira como cria a história, cheia de tensão, com ideias fantásticas, e uma boa caracterização dos personagens.

Coisas boas da história: a Kitty Pryde, a Emma Frost, a fricção entre as duas, a Emma e o Scott à frente da escola, a introdução duma cura mutante, a presença de um extraterrestre com um problema com os X-Men, o retorno de alguém que se pensava perdido, o que fizeram com o Wolverine aqui, o humor nos diálogos e nalgumas cenas.

O artista é o mesmo do volume anterior que comentei, e o melhor que posso dizer dele é que a maneira como desenha pessoas me parece tão real, o que me agrada muito. Depois dos livros X-Men com o artista anterior, Frank Quitely - do qual não sou nada fã -, foi muito refrescante.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Curtas: Capitão America, Thor, Avengers Arena, The Fearless Defenders

Captain America vol. 2: Castaway in Dimension Z, Rick Remender, John Romita Jr.
Li o primeiro volume desta aventura através das edições em revista que a Panini fez aqui em Portugal o ano passado, da linha Marvel Now!; era uma revista, não tinha ISBN, e por isso não contei como livro lido, mas como agora estou a ler alguns livros Marvel via serviço Marvel Unlimited, estou a contar como livros lidos, e a comentar brevemente a história. Suponho que vou aproveitar para comentar as duas partes da história, porque uma condiciona a outra, apesar de já ter lido a primeira há algum tempo, e poder não me lembrar de todos os pormenores.

A primeira coisa que tenho a comentar, tendo lido desde então O Soldado do Inverno, é que sou capaz de preferir o Capitão América nesse tipo de histórias: thriller, espionagem, enredo político. Quando li o primeiro volume desta história lembro-me de ter estranhado, porque a minha cabeça não associava o Capitão de todo com outras dimensões e ficção científica algo bizarra.

Este segundo volume melhora, porque no todo e combinando com os flashbacks do anterior, pinta uma imagem da personalidade do Capitão muito interessante, e que até se tornou cativante, pela sua relação com os pais, e em como toma um lugar de progenitor para um rapazinho que está preso na Dimensão Z com ele. Os sentimentos de Steve nestes pontos estão bem explorados.

Em contraponto, o arco emocional de outros personagens podia estar melhor explorado. Há uma personagem que muda de lado, e não é credível que mude de ideias (precisava de melhor desenvolvimento); e outra que faz um sacrifício que não tem quase impacto emocional na maneira como está escrito.

Fico um pouco curiosa para ver como é que o Capitão se readaptará ao mundo normal depois de descobrirmos a verdade sobre a Dimensão Z, e gostava de saber mais sobre a mesma, e como é que funciona, como é que tudo se processou.

Thor: God of Thunder vol. 2: Godbomb, Jason Aaron, Esad Ribić, Butch Guice
Este também não é um livro que tenha achado extraordinário na leitura do primeiro volume, mas que conseguiu cativar-me mais no segundo. Portanto, acho que podemos concluir daqui que os livros, comigo, ganham é com a distância temporal, já que se não me lembrar bem que não achei grande piada ao primeiro, acabo por achar mais piada ao segundo. Ou isso, ou a evolução na segunda parte do arco de história compensa largamente a primeira parte.

De qualquer modo, dei-me contra que gostei bastante do conceito de termos um vilão, Gorr, que detesta os deuses, e quer destruí-los. A sua motivação é explorada no primeiro número deste volume, e acaba por fazer algum sentido - um vilão é sempre alguém que leva as suas motivações ao extremo. O interesse da coisa centra-se no extermínio de deuses pelo universo e pelos tempos fora, mas também na extensão a que Gorr leva os seus planos, ao ponto de se poder vir a tornar naquilo que mais detesta - um deus.

Também adoro a ideia de termos três Thors a trabalhar em conjunto - um jovem, antes de ganhar o direito a brandir o Mjolnir, o seu martelo; um dos tempos actuais; e um mais velho, rei de Asgard por ter sucedido a Odin, e que passou quase um milénio a lutar contra as forças de Gorr. O contraste que os três fazem é bastante engraçado, e as trocas verbais entre os três são divertidíssimas.

Aliás, um dos pontos altos deste livro é ser mesmo divertido. Um bom sentido de humor cativa-me sempre, e aqui faz o bom trabalho de contrabalançar os temas mais pesados da história. Já como ponto negativo, posso apontar o final, que foi algo confuso, e até desnecessário, porque faz uma coisa que a seguir desfaz. (Contudo, foi impressionante ver o Thor a lutar com dois Mjolnir.)

Avengers Arena vol. 1: Kill or Die, Dennis Hopeless, Kev Walker, Alessandro Vitti
Este livro tem admitidamente uma premissa inspirada em The Hunger Games (a capa do número 3 é uma homenagem ao poster do primeiro filme), e em O Senhor das Moscas (a capa do número 2 é semelhante a esta edição do livro).

O que quer dizer que é uma premissa um bocadinho difícil de navegar, por ser tão explorada na cultura popular e ser difícil acrescentar algo de novo, e por ser complexa de executar num universo como o da Marvel. Essencialmente, estes miúdos são jovens super-heróis, raptados da suas escolas de super-heróis - que não devem ter alta segurança nem nada -, e presos num espaço limitado, no qual o vilão exige que eles lutem até à morte, até restar um. (O vilão até diz que se inspirou nuns "livros de miúdos". Heh.)

O que me custa mais a acreditar é a parte em que, sei lá, ninguém dá por nada? Ou se dão, não vemos ninguém a preocupar-se e a procurar pelos miúdos? Eu até acredito que isto se esteja a passar nos bastidores, mas custa-me que narrativamente os criadores não apresentem nem um bocadinho disto nos primeiros seis números da revista, que já é tempo suficiente para nos deixar sem respostas.

Se eu ignorar isso, a história até resulta bastante bem para mim. Não há assim tantas mortes no início, só um par delas provocadas pelo vilão para mostrar que fala a sério, e depois os miúdos são largados neste mundo, e juntam-se em grupos para o explorar e tentar perceber o que fazer a seguir.

Essa foi a parte que gostei de ler, o formar e desformar de alianças, de como os grupos se mantêm unidos ou não, de como aceitam novos membros, e de como as acções de um elemento misterioso que está a atacar os vários grupos os provoca em certas direcções.

Cada número vai explorando as coisas da perspectiva de um personagem diferente, o que se tornou bastante cativante de seguir. Gostei de conhecer a Ryker/Death Locket, uma miúda que viu implantada em si a tecnologia Deathlok, porque a sua história é triste, e ainda mais porque a pobre de miúda não é capaz de fazer mal a uma mosca (se excluírmos a tecnologia Deathlok).

Outros miúdos que foram interessantes de seguir são os da academia Braddock, criados de propósito para esta série *cof*carneparacanhão*cof*, porque fiquei interessada na dinâmica entre estes miúdos. Fora isso, gosto sempre de seguir a X-23, os miúdos dos Runaways (série que nunca li) pareceram-me meritórios da minha atenção, e talvez a Cammi. Detestei a Hazmat, que parece uma drama queen. Quero dizer, ela tem razão para ficar nervosinha, porque logo no início perde alguém, mas não é razão para ser uma idiota com toda a gente, parece-me.

O livro termina com um cliffhanger dos bons, o que geralmente eu detestaria, mas é uma situação que me intriga, por me fazer perguntar que virá a seguir. Até fiquei com vontade de continuar.

Já não sei o que me fez ler este livro, porque não conheço propriamente nenhuma das protagonistas, mas ainda bem que o fiz, porque acabou por me deixar bastante satisfeita por ter arriscado. A Valkyrie tinha a missão de juntar um novo grupo de shieldmaidens (as outras foram destruídas ou algo do género) a partir das heroínas da Terra, mas parece que foi demasiado exigente, porque nenhuma lhe agradou, não reuniu nenhum grupo, e acabou por se perder no ócio da Terra.

E parte da razão porque achei tanta piada a isto é porque vejo totalmente o Thor a ter o mesmo comportamento se estivesse na mesma situação. Adiante, o vazio que as shieldmaidens deixaram tem de ser preenchido, o que deixa espaço para a vilã tentar acordar as Doom Maidens, que já foram shieldmaidens, só que foram corrompidas e se tornararm em versões distorcidas delas mesmas, o que lhes valeu serem destruídas por Odin.

Acho que o que mais apreciei na história foi o reunir de pessoas e personalidades tão diferentes, o que deu um gozo maior ao seguir a história. Adorei conhecer a Misty Knight, e rever a Dani Moonstar, que lá por ter perdido os poderes mutantes não quer dizer que seja incapaz; e a adição muito humana da Dra. Annabelle, que é uma personagem tão gira e que mantém as coisas reais na história, na perspectiva do comum mortal.

Apreciei a mitologia, e em como isso condiciona o desenvolvimento do enredo e dos personagens, particularmente no que toca à Valkyrie. A parte final foi bastante excitante, com a participação de uma série de personagens femininas do universo Marvel, a maior parte bastante conhecidas.

Contudo, o final também traz um momento que não gostei. Faz sentido dentro da história, mas retira um elemento que tinha gostado de acompanhar, o que foi triste. O arco termina com uma atitude bastante razoável da Valkyrie depois dos acontecimentos, mas não creio que as coisas fiquem assim. Especialmente quando tantas das heroínas presentes parecem ter potencial para shieldmaidens.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Colecção Universo Marvel #18, #19 e #20: Wolverine, Vingadores vs. X-Men

Wolverine: Evolução, Jeph Loeb, Simone Bianchi
Uma história que apresenta um novo inimigo do Wolverine, enquanto se debate com um inimigo já bem seu conhecido, Evolução tenta adicionar mais alguns pormenores à mitologia do personagem, desenvolvendo ainda o seu passado.

É intrigante ver revelados certos pormenores sobre o passado do Wolverine e sobre um tal Romulus, que eu já tive oportunidade de conhecer e ler sobre, em histórias mais à frente. Contudo, não sou totalmente fã da narração com flashbacks, que é um pouco confusa e convoluta.

A questão da Evolução também me faz duvidar se seria completamente necessária para apresentar o Romulus; possivelmente sim, mas gostava que tivesse sido explorada doutra maneira. No entanto, gostei bastante da narração interna do Logan, que deu algum interesse à história.

A arte é visualmente muito interessante, talvez um pouco escura, mas bastante enérgica; a composição das pranchas e a organização das vinhetas nelas confere alguma dinâmica à acção. Só não sou completamente fã dum aspecto visual tão escuro.

Vingadores vs. X-Men 1: O Dia da Fénix, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction, John Romita Jr., Olivier Coipel 
Vingadores vs. X-Men 2: E Então Restou Um, Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Olivier Coipel, Adam Kubert 
Já disse por aqui que não sou muito fã das sagas longas, porque tendem a arrastar e a engonhar, sem sim à vista; mas este Vingadores vs. X-Men até fez um bom trabalho em manter a minha atenção. O enredo corre a um bom ritmo, e em vez de termos os heróis a correr dum lado para o outro sem rumo (bem, até temos um bocadinho disso), há um acontecimento aproximadamente a um terço ou a meio da história que muda o foco e os desígnios dos super-heróis , e que ajuda a dinamizar a narrativa.

A história geral é responsabilidade de cinco argumentistas bem conhecidos (Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction), que se revezam a escrever cada número individual da história. Fazem um trabalho decente a criar um todo coerente, suponho; não conheço os estilos narrativos respectivos o suficiente para os identificar, mas deu para notar que cada número tinha um estilo diferente.

A premissa em si é bastante interessante, com os dois grupos titulares a discordar acerca de um assunto que lhes é muito caro - a vinda da Fénix, presumivelmente para encarnar na Hope Summers, e o caos que poderá vir daí - e a história que daí resulta até entretém, e se acompanha bem. Contudo, é daquelas premissas que se eu me puser a esmiuçar cai logo abaixo - creio que se os dois grupos se sentassem a uma mesa a discutir o assunto em vez de partir para a agressão imediatamente, não tínhamos tido tanto drama. Por outro lado, se toda a gente não insistisse em ser tão irracional, não tínhamos história, portanto...

Tenho a sensação que os Vingadores se fartaram de pôr o pé na argola vezes sem conta, em termos tácticos, o que é um pouco estranho, tendo em que conta que são liderados pelo Capitão América, que é supostamente um bom líder militar e uma pessoa razoável. E por falar no Capitão, a militarização da situação inicial parece-me totalmente descabida. Esperaria essa atitude dum Nick Fury, mas do Capitão? Bah.

Outro que faz uma asneirada de todo o tamanho é o Tony Stark. Para o génio que é suposto ser, como??? Como é que ele comete uma argolada como aquela com a Fénix? Podemos argumentar que tudo o que se segue é culpa dele, que foi fazer de Deus sem ter a certeza do que estava a fazer - o que não me parece nada típico do Homem de Ferro, mas enfim.

O acontecimento a meio da narrativa leva as coisas para novo território, e torna-se interessante seguir o Quinteto da Fénix. Porque a ideia inicial que têm, de melhorar o mundo em que vivem é fantástica; mas como acontece frequentemente com quem possui muito poder, as boas intenções degeneram. É curioso observar como os personagens resistem ou não ao poder da Fénix, mantendo a sua personalidade ou exacerbando-a até ao ponto de desequilíbrio.

Agrada-me a ideia final do que acontece à Fénix. A verdade é a história para trás deste evento é longa e complicada, indo bater pelo menos até à Dinastia de M, e aquilo que a Wanda/Feiticeira Escarlate fez nessa história teve repercussões durante muitos anos. Portanto, é adequado que ela tenha um papel na resolução do conflito, e que seja peça essencial no equilíbrio das capacidades da Hope.

Sobre uma certa morte ali para o final, bem, já disse que estou à espera que o personagem volte a todo o momento, por isso não me aquece nem arrefece. Ainda por cima o momento é tão anticlimático, ocorrendo depois dum momento grandioso, e tão inglório - querem mesmo que eu acredite que esta pessoa não saberia fazer melhor que cutucar uma fera enfurecida? É quase como se fosse culpa dele, bolas. A situação diz mais sobre a psique do perpetrador e de como se sentia em relação à sua vítima - de forma exacerbada pela Fénix.

Aprecio perceber finalmente o estado de algumas coisas nos primeiros números do Marvel NOW!, há muita coisa que faz agora sentido, como a tensão entre o Pantera Negra e o Namor. E percebi porque é que o casamento do Pantera com a Tempestade acabou, ainda que seja por uma razão estúpida - estarem de lados opostos do conflito não me parece suficiente, muito menos ele culpá-la pelo que o Namor fez, mas enfim...

Quanto ao trabalho artístico, está bem representado, entre três desenhadores bem conhecidos (John Romita Jr., Olivier Coipel, e Adam Kubert); só lhes notei a diferença porque o primeiro desenha caras e expressões num estilo mais cartoonesco e menos realista. Uns (Olivier Coipel, parece-me) têm mais queda para brincar com a organização das páginas e o posicionamento das vinhetas, mas no geral o trabalho apresentado conseguiu manter o meu interesse.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Colecção Universo Marvel #7, #8 e #9: Universo Marvel, Thor, X-Men

Universo Marvel: Marvels, Kurt Busiek, Alex Ross
Há uns anos ouvi falar deste livro, e fiquei interessada em lê-lo, especialmente porque sabia que tinha havido uma edição recente em português. Só que como o meu timing para estas coisas é sempre genial, o livro já não se encontrava nas livrarias, e vi a minha tentativa de o ler gorada. Por isso, fiquei muito animada quando vi que o livro ia ser publicado nesta colecção, porque era agora a minha oportunidade de o ler.

E fiquei fascinada. Normalmente, os super-heróis metem-se em sarilhos com os vilões, destrói-se tudo na luta, e no fim os heróis vencem, e não há um momento para contemplarmos a destruição, e raramente vemos os seres humanos comuns e a sua perspectiva no meio disto tudo. Quero dizer, Nova Iorque é rotineiramente destruída, ou transformada numa Ilha das Aranhas, ou outra coisa igualmente bizarra, e nunca vemos os Nova Iorquinos a passarem-se da cabeça e expulsarem os super-heróis de lá, pois não?

Portanto, Marvels apresenta a perspectiva de um homem comum, Phil Sheldon, fotógrafo cujo trabalho vai frequentemente levá-lo a seguir estas maravilhas titulares e as suas aventuras. Desde os primeiros heróis da Marvel, antes da Segunda Guerra Mundial - o primeiro Tocha Humana, o Namor, o Capitão América -, até ao aparecimento dos mutantes nos anos 60, até à trágica morte da Gwen Stacy nos anos 70.

E é muito interessante ver sugerida uma possível reacção de um homem comum a estes eventos. O maravilhamento com as capacidades destes seres, e o receio do que serão capazes de fazer. O medo dos mutantes, ou a frustração com o resto do mundo por oscilarem entre agradecimento aos super-heróis quando fazem uma coisa boa, para logo a seguir crucificá-los por uma coisa menos boa. Aquilo que perdeu ou ganhou por ter dedicado a vida a seguir e fotografar estas maravilhas. O desapontamento com um fotojornalista freelancer por vender fotos do Homem Aranha ao J. Jonah Jameson (o jornalista, é claro, é o Peter Parker).

A minha parte favorita é a da recta final, em que o Phil conhece a Gwen Stacy, primeiro porque lhe é dada a ela a oportunidade de respirar como personagem, e depois porque marca a vida do Phil duma grande maneira, que fica destroçado com a morte trágica desta miúda, num acidente estúpido e às mãos destas maravilhas que tem seguido. Muda-lhe a vida, porque ele deixa de acreditar nestes super-heróis e neste mundo, deixa de se maravilhar com ele.

Gosto muito das referências e do modo como os autores incorporaram pequenos detalhes do mundo Marvel e do curso dos acontecimentos ao longo da história. Diverti-me tanto ao descobrir o J. Jonah Jameson mais novo, ou ao vislumbrar o Peter Parker apenas numa cena, ou ao ver juntar tantos heróis na cena do casamento da Sue Storm e do Reed Richards, ou ver como o fascínio pelos heróis neste mundo. se estende a haver uma colecção de roupa inspirada na Vespa. Pequenos detalhes que torna a obra rica.

Por fim, só tenho de fazer uma menção à arte do Alex Ross, tremendamente detalhada, linda, fantástica de observar por muito tempo. É um estilo único, mas que me delicia estudar, e que é tão realista, e tão interessante de ver num meio como o dos comics.

Thor: Renascido, J. Michael Straczynski, Olivier Coipel
Ok, a premissa é que o Ragnarok aconteceu, o ciclo foi quebrado, e os deuses nórdicos estão livres de voltar a encenar o ciclo. Para isso, Thor volta à Terra, numa ressureição que tem como objectivo uma demanda para encontrar um local para Asgard, e os outros asgardianos, que vivem dormentes em humanos por esse mundo fora.

É uma ideia interessante, e gostava de vir a ler o enquadramento deste livro. Ou seja, gostava mesmo de ver o ciclo anterior de Ragnarok, e como a Marvel o interpretou, e como este ciclo foi quebrado. E também gostava de ler para a frente, que o fim do livro termina num certo cliffhanger, que não me diz nada sobre o destino do Thor ou dos deuses asgardianos.

Adoro a ideia de Asgard se reconstruir no meio de nenhures, no Oklahoma, e em como os habitantes da cidade vizinha lidam com isso. Há uma certa burocracia, e um certo humor na maneira como o argumentista descreve a reacção dos comuns mortais à presença de Asgard. Aliás, gosto bastante do modo como ele desenvolveu a história neste volume. Adoro como ele escreve o reencontro do Thor com o Homem de Ferro, que ocorre mesmo após a Guerra Civil. Convenhamos que o Tony se mete mesmo a jeito para levar do Thor, quero dizer, toda a porcaria que fez na Guerra Civil, e ainda vir com uma atitude arrogante para um deus asgardiano... *facepalm* Estava a pedi-las.

Estou muito curiosa para ver como os deuses asgardianos vão interagir com o resto do mundo, agora que estão a voltar, e que mudanças vão provocar nele, e na pequena cidade de Oklahoma que os acolheu. (Espero que não queira dizer que a pequena cidade vai ser destruída rotineiramente como Nova Iorque consegue ser...)

Não tenho muito a dizer sobre a arte, geralmente é agradável ao olho, e tem alguns planeamentos de pranchas e vinhetas interessantes. A imagem de Asgard é fantástica. Não sou muito fã de como o artista desenha o Thor (muito... compacto e largo? não sei, fica estranho), gosto mais do Donald Blake. Não achei piadinha nenhuma a uma prancha no início, com uma cena de guerra, em que uma mulher/deusa asgardiana tem apenas uma armadura de metal... nos seios, como biquini. Até pode ser uma personagem conhecida (não a reconheci), com design definido, mas a sério, todos os artistas de comics americanos deviam ser obrigados a usar umas cuecas feitas de ferro até perceberem o quão desconfortável é, e pararem de desenhar armaduras ridículas às mulheres.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Chris Claremont, John Byrne, John Romita Jr.
Já conhecia a história titular, creio que a li num dos livros duma colecção dos clássicos da banda desenhada do Correio da Manhã há uns anos, mas esta é uma boa colecção de histórias, que acaba por incluir o Dias de um Futuro Esquecido.

Gostei muito de ler a primeira história, Elegia, porque se passa após a morte da Jean Grey como Dark Phoenix, e faz um bom resumo da história dos X-Men desde o início até ali. Apreciei aperceber-me que até conheço grande parte das histórias mencionadas, e que tenho quase todas os livros que são referenciados nesse capítulo como contendo essas histórias.

A história titular é interessante pelo seu estatuto icónico, e por apresentar o conceito de futuros paralelos que nunca se concretizarão, coisa em que os X-Men parecem exímios em explorar. A ideia de um futuro distópico em que os mutantes morreram ou são controlados no território dos EUA, e em como a presença dos Sentinelas está prestes a lançar o mundo numa guerra nuclear... gosto. Tem o grau certo de tensão e drama, e equilibra bem futuro e presente, mostrando o que acontece com os personagens em ambos.

Entre as outras histórias, gosto daquela dedicada ao Nocturno, e à sua incorporação do inferno de Dante, gosto da apresentação dos super-heróis mutantes canadianos, especialmente a Pássaro de Neve, que tem um poder intrigante, e que daria para escrever uma história muito boa - aquilo que é explorado já é bem cativante -; e em geral, gosto muito de como a Kitty Pryde é apresentada e explorada, de como esta menina vai crescendo e aprendendo com os X-Men - a última história, em que ela luta contra um monstro na Escola Xavier, sozinha, é tão boa - go, Kitty!. Faz-me feliz ver que ela evoluiu para uma jovem segura e decidida, professora e directora (pelo menos, assim o é por estes dias) da Escola (agora) Jean Grey.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Colecção Universo Marvel #5 e #6: Quarteto Fantástico/Vingadores, Homem de Ferro

Quarteto Fantástico e Vingadores: Invasão Secreta, Brian Michael Bendis, Leinil Francis Yu
Esta saga apresenta algumas questões intrigantes - e se os super-heróis não fossem quem dizer ser? E se uma raça transmorfa, determinada em dominar a Terra, tem vindo a substitui-los aos poucos? E se não soubermos em quem podemos confiar? E na maior parte, faz um trabalho interessante em explorá-las e apresentá-las. Há grandes momentos - as melhores partes, na minha opinião, até são os momentos não-de-acção -, momentos em que os personagens são confrontados com a dúvida, e as suas reacções são fantásticas de ver.

A invasão Skrull é tortuosa - adoro os planos que eles desenvolveram para a mesma, a inflitração ao longo do tempo, a destruição simultânea de várias estruturas que podiam pôr uma ameaça aos Skrulls... dá-me vontade de espreitar as outras revistas que acompanhavam os eventos, para ler mais sobre isto. Por outro lado, para uma invasão Skrull tão bem planeada, eles foram em certos momentos muito burros, e duma maneira que não faz sentido. Há um certo grupo de Skrulls que aparece no início, usando a cara de super-heróis conhecidos... mas uniformes ultrapassados. Onde é que esta gente foi fazer a pesquisa deles? A Fénix/Jean Grey está morta (outra vez), o Capitão América também, e o Luke Cage não se veste daquela maneira desde antes de eu nascer. Para quem tinha tudo tão bem planeado, os Skrulls metem demasiadas vezes a pata na poça, nesta e noutras ocasiões..

Os momentos de acção são visualmente estimulantes (o artista esmerou-se, e gostei do seu trabalho), e nunca tive dificuldade em seguir-los, o que é muito bom sinal. Acho que preferia no entanto um bocadinho mais de enredo e menos de acção, porque a premissa base é boa de mais para não ser explorada. (Suponho que foi, nas revistas que iam sendo publicadas ao mesmo tempo que esta.)

A história não deixa de ter os seus momentos engraçados, e o fim é dramático q.b., preparando o caminho para os próximos eventos no mundo dos super-heróis. Não gostei de não saber o que aconteceu à bebé da Jessica Jones e do Luke Cage; gostei da reviravolta com o Norman Osborne, principalmente porque tenho uma ideia de onde aquilo vai parar; e fiquei indiferente ao sacrifício dramático no fim, porque já sei como aquilo acaba. Eu bem digo que não vale a pena fazer o luto, porque eles voltam sempre.

Houve ali um bocadinho de confusão com o estado de vivo/morto do Clint Barton (Arqueiro/Ronin) e do Steve Rogers (Capitão América), por saber que ambos cairam mortos algures por estas alturas. O primeiro sei que voltou à vida antes desta história; o segundo, estava oficialmente morto nesta altura. Acabei por chegar à conclusão, com a ajuda da amiga Wikipedia, que o Capitão América que andava por ali a ajudar o lado dos super-heróis deve ser o Bucky Barnes, que supostamente o substituiu nesta altura. Tinha sido jeitoso alguém dirigir-se ao Bucky/Capitão pelo seu nome, para aqueles de nós que não seguem a continuidade louca dos comics de super-heróis, mas têm uma ideia do que se anda passar, porque me tinha situado a história.

Um menção para a revisão do livro, pela negativa, que tropecei em vários erros, trocas de letras e outros que tais, e era completamente desnecessário. Além disso, isto ter no título "Quarteto Fantástico" é completamente ridículo. Aquele que aparece mais é o Sr. Fantástico; o Johnny e o Coisa aparecem em 3 ou 4 vinhetas; e a Sue-Skrull não conta.

Homem de Ferro: Demónios, David Michelinie, Bob Layton, John Romita Jr., Carmine Infantino
É pouco comum ver este tipo de história em comics, e por isso esta é uma história refrescante... apesar de o problema do alcoolismo ser mais abordado na parte final, é clara a preparação para tal situação, ao longo do resto do livro, em que em cada aventura, cada problema que Tony Stark enfrenta, tem de haver uma garrafa de álcool ali ao lado, a ajudá-lo a ulrapassar o momento.

Parte de ultrapassar uma adição é reconhecer o problema, por parte do próprio e por parte dos que o rodeiam, e os autores fazem um bom trabalho em ir preparando a coisa, mostrando pistas para quão premente é o álcool na vida deste super-herói. É claro que depois empurram o enfrentar do problema e sua resolução para o último capítulo do livro, e acho que isso sabe a pouco. É resolvido demasiado depressa nas páginas.

As histórias de cada capítulo são mais ou menos auto-contidas, nada de especial, mas entretêm. Os personagens secundários são alguns focos de interesse, como a Bethany Cabe e o James Rhodes, bem como o vilão, Justin Hammer. O enredo em volta da armadura do Homem de Ferro falhar é tremendamente interessante, especialmente pelos dilemas e dramas que traz à vida de Tony Stark.

Graficamente, é um livro interessante, enche o olho. O trabalho de vinhetas é rígido, mas fluído dentro dessa rigidez. E as cores são cativantes. O desenho é dinâmico e cativa, mas não sou nada fã deste penteado do Tony Stark. Ou da armadura, que me confundiu imenso. O Tony parece vestir a parte amarela como se fosse tecido (e andar com a armadura para toda a parte seria mais fácil se for mesmo de tecido), mas depois aquilo trava balas, por isso não pode ser. Estranho. Além disso, é completamente ridículo a armadura estar com relevos com os abdominais do protagonista. (Coisa que parece tão ridícula como os mamilos na armadura do Batman no filme com o George Clooney, mas enfim.)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Curtas: O Mundo é Fácil, O Gato do Simon, Kick-Ass

O Mundo é Fácil, Gonçalo Cadilhe
Um bom livro recheado de dicas para quem quer começar a viajar, e que cobre todos os aspectos da viagem. O grafismo é muito bom, dando ao livro aquele ar de caderno de viagem, e recheado de imagens de bilhetes, postais, recibos, passaportes, e outras coisas recolhidas pelo autor ao longo das suas viagens. Dá mesmo vontade de partir por esse mundo fora. As únicas coisas que me fizeram confusão são as múltiplas referências a "ah, vais partir de mochila por esse mundo fora ..." e à quantidade de tempo que as pessoas vão de viagem. Não sei, acho que assume apenas um modo de viajar e restringe a sua audiência alvo, quando as dicas se poderiam aplicar a casos muito variados.

Páginas: 204

Editora: Oficina do Livro

O Gato do Simon, Simon Tofield
Amei estes livros, são perfeitos para amantes de gatos, ou para quem quer que tenha tido alguma vez um gato. Porque vão reconhecer o vosso bichinho aqui. O gato do Simon camufla-se para apanhar passarinhos ou coelhos. Faz da estátua do gnomo do jardim o melhor amigo. Exige que o dono o alimente. Passeia pela casa deitando abaixo uma série de coisas. E no segundo volume, há uma certa cronologia, pois o gato do Simon "pula a cerca", viaja pelas redondezas e vai parar a uma quinta, onde se cruza com muitos animais que não conhecia, e os gags sucedem-se. O traço é grosseiro e imperfeito, mas adequa-se perfeitamente ao estilo cartoon do livro. O autor consegue comunicar fabulosamente sem palavras, ao desenhar estes momentos na vida de um gato.

Título original: Simon's Cat (2009) / Simon's Cat: Beyond the Fence (2010)

Páginas: 240 / 240

Editora: Objectiva

Kick-Ass, Mark Millar, John Romita Jr.
Uau, este livro é... qualquer coisa. Até me sinto relutante em explicar porque é que gostei, porque só lendo mesmo para perceber que tipo de livro temos nas mãos. Mas basicamente responde a uma pergunta que terá passado certamente pela cabeça de muitos fãs de comics, com vários graus de seriedade: "Como seria se arranjasse um fato e saísse por aí a combater o crime?" A resposta não é bonita. O personagem principal, Dave Lizewski, leva porrada a torto e a direito, parte ossos, sangra por todos os lados, e tudo o que se preocupa é em ter seguidores no MySpace. (Quando é que isto foi escrito, mesmo?)

A premissa é muito interessante, e a execução, apesar de me deixar exasperada com o personagem principal, é maioritariamente bem sucedida, e levada ao extremo quando descobrimos o segredo do personagem Big Daddy. E pontos bónus por ter a miúda de 10 anos mais assustadora que eu já vi em toda a minha vida. Sou fã do desenho e da cor, têm um toque moderno, com muito sangue à mistura, como parece ser a assinatura do argumentista, e a paleta de cores agradou-me imenso. Mas... a sério, só lendo para perceber. Parece que o filme é um pouco diferente, mas fiquei interessada em vê-lo.

Páginas: 216

Editora: Titan Books