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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Curtas BD: Infinity, Captain Marvel, Ms. Marvel

Infinity, Jonathan Hickman, Jim Cheung, Jerome Opeña, Dustin Weaver, Mike Deodato, Stefano Caselli, Leinil Francis Yu
Ao longo da leitura das revistas de Avengers e New Avengers desta nova fase da Marvel NOW!, achei que o desenvolver da história estava um pouco lento, que fazia parte tudo duma coisa maior, e que isso dificultava perceber o significado de cada acontecimento a cada revista. E ao ler o evento Infinity, por mais longo que seja, as peças finalmente encaixaram, e só isso vale muito a pena a leitura.

Acaba por ser um pouco impressionante o planeamento do trabalho do argumentista, Jonathan Hickman. A grande história que está a ser desenvolvida nestas revistas dos Vingadores tem vários fios de enredo, e parecendo que não acabam todos por se entrelaçar. O primeiro é apresentado em New Avengers, é a questão das incursões e o que isso significa para os múltiplos universos, e a promessa de que os mundos ainda hão de colapsar.

Outro que é apresentado e desenvolvido em Avengers, é a parte dos Construtores e o seu lugar no Universo, que é mais ou menos terminado em Infinity, e que está relacionado com o primeiro, pois os Construtores afastaram-se do seu papel e querem destruir a Terra por ser o foco das incursões.

E um terceiro, que é introduzido neste evento, a aparição de Thanos, que procura as jóias do Infinito e alguém muito específico na Terra, o que o leva a aproveitar a ausência dos Vingadores para a invadir. Enquanto que uma parte da sua demanda é resolvida, a outra não, e imagino que venha a ser desenvolvida ou volte a aparecer no futuro.

Portanto, pode-se dizer que acabei por ficar fascinada com a programação do desenvolver duma coisa tão grandiosa. Custa-me um bocadinho que leve tanto a desenvolver, mas agora que dá para ver melhor a imagem geral, parece-me bem mais interessante.

Para um evento tão grande, até acaba por ter um bom ritmo e explicar razoavelmente bem as coisas, e ser bom de acompanhar. Há pequenos àpartes que se nota que são desenvolvidos melhor noutras revistas, e não sou a maior fã, mas no geral não tive dificuldade em acompanhar, e isso é o mais importante.

Captain Marvel vol. 1: In Pursuit of Flight, Kelly Sue DeConnick, Dexter Soy, Emma Rios
Não posso dizer que tenha lido a Carol Danvers/Ms. Marvel em muita coisa, mas o burburinho em torno deste título deixou-me curiosa, e ainda bem que aproveitei para espreitar. A história começa no momento em que a protagonista passa a usar um novo uniforme, e o primeiro número é sobre aceitar passar a usar um novo nome que o acompanhe. De certo modo, é o ponto perfeito para começar a ler para alguém como eu, que não conhece bem a personagem.

Gostei bastante da história, que é compartimentalizada e não necessita propriamente do conhecimento prévio de personagens ou acontecimentos passados, mas ainda assim é uma narrativa cativante; a Carol viaja no tempo e acaba por se encontrar com várias mulheres em duas épocas, nos anos 40, na 2ª Guerra Mundial, e nos anos 70, durante os programas espaciais, e que tentam marcar a diferença.

Parte do interesse foi o explorar do que cada época e cada grupo de mulheres podia apresentar, e como a Carol se relacionou com elas e com o que aprendeu com elas. Essencialmente, um voltar a aceitar os seus poderes e responsabilidades, mesmo quando tem a oportunidade de escolher diferentemente. As relações entre as várias mulheres na narrativa foram fascinantes de acompanhar, e o aspecto de viagem no tempo pareceu-me razoavelmente bem explorado.

Adorei a arte de Dexter Soy, tão suave, lembrando uma pintura, foi mesmo atractiva para os meus olhos. Os últimos dois números são desenhados por Emma Rios, possivelmente uma mudança propositada, já que é acompanhada pela mudança de época, e achei a sua arte adequada e desadequada ao mesmo tempo.

Gostei bastante dela, e de certo modo é adequada para desenhar os anos 70 e certos aspectos deles (os aviões e outras máquinas, ou os cenários, pareceram-me bem), mas depois havia qualquer coisa que me afastava de apreciar completamente o desenho. Por um lado por perder na comparação com Dexter Soy; por outro porque não sou completamente fã daquela maneira de desenhar caras e expressões, o que me distraía um pouco da acção principal.

Ms. Marvel vol. 1: No Normal, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
A Kamala Khan é a miúda mais adorável de sempre. Tenho dito. Outro comic que tem reunido bastante ruído à volta dele, e totalmente merecido. A Kamala é uma jovem normal, paquistanesa, habitante de New Jersey, e nerd e enorme fã de super-heróis.

O que quer dizer que é uma surpresa, boa e agradável, mas também confusa e preocupante, quando as Brumas Terrígenas libertadas no evento Infinity promovem uma transformação na Kamala que lhe conferem superpoderes, e ela poder-se-ia assim tornar num dos super-heróis que tanto admira.

Acho que parte do encanto da história tem a ver com a narração da vida normal da Kamala, com problemas como todos os outros jovens da sua idade, com pais, amigos, ou escola... e depois a questão da origem da família é tratada de maneira satisfatória, não como um artifício ou algo extraordinário, mas apenas como o cenário em que Kamala se move, e como isso condiciona ou move a sua vida neste e naquele sentidos.

Achei bastante piada ao processo de descoberta dos poderes por parte da Kamala, um processo de tentativa e erro, que tem resultados por vezes caricatos, mas bastante realistas. Esse processo acaba por estar entrelaçado e ser análogo ao crescimento e tentativa de emancipação da Kamala em relação à educação um pouco mais estrita por parte dos pais, e é bem interessante de acompanhar.

Curiosamente, gostei mesmo da arte de Adrian Alphona. É meio cartoonesca, mas depois tem um modo de desenhar a cara e as expressões da Kamala que é absolutamente fantástico, de tão expressivo. É uma coisa bastante importante para mim, e foi isso que me cativou e me fez apreciar o seu trabalho no seu todo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Colecção Universo Marvel #18, #19 e #20: Wolverine, Vingadores vs. X-Men

Wolverine: Evolução, Jeph Loeb, Simone Bianchi
Uma história que apresenta um novo inimigo do Wolverine, enquanto se debate com um inimigo já bem seu conhecido, Evolução tenta adicionar mais alguns pormenores à mitologia do personagem, desenvolvendo ainda o seu passado.

É intrigante ver revelados certos pormenores sobre o passado do Wolverine e sobre um tal Romulus, que eu já tive oportunidade de conhecer e ler sobre, em histórias mais à frente. Contudo, não sou totalmente fã da narração com flashbacks, que é um pouco confusa e convoluta.

A questão da Evolução também me faz duvidar se seria completamente necessária para apresentar o Romulus; possivelmente sim, mas gostava que tivesse sido explorada doutra maneira. No entanto, gostei bastante da narração interna do Logan, que deu algum interesse à história.

A arte é visualmente muito interessante, talvez um pouco escura, mas bastante enérgica; a composição das pranchas e a organização das vinhetas nelas confere alguma dinâmica à acção. Só não sou completamente fã dum aspecto visual tão escuro.

Vingadores vs. X-Men 1: O Dia da Fénix, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction, John Romita Jr., Olivier Coipel 
Vingadores vs. X-Men 2: E Então Restou Um, Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Olivier Coipel, Adam Kubert 
Já disse por aqui que não sou muito fã das sagas longas, porque tendem a arrastar e a engonhar, sem sim à vista; mas este Vingadores vs. X-Men até fez um bom trabalho em manter a minha atenção. O enredo corre a um bom ritmo, e em vez de termos os heróis a correr dum lado para o outro sem rumo (bem, até temos um bocadinho disso), há um acontecimento aproximadamente a um terço ou a meio da história que muda o foco e os desígnios dos super-heróis , e que ajuda a dinamizar a narrativa.

A história geral é responsabilidade de cinco argumentistas bem conhecidos (Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction), que se revezam a escrever cada número individual da história. Fazem um trabalho decente a criar um todo coerente, suponho; não conheço os estilos narrativos respectivos o suficiente para os identificar, mas deu para notar que cada número tinha um estilo diferente.

A premissa em si é bastante interessante, com os dois grupos titulares a discordar acerca de um assunto que lhes é muito caro - a vinda da Fénix, presumivelmente para encarnar na Hope Summers, e o caos que poderá vir daí - e a história que daí resulta até entretém, e se acompanha bem. Contudo, é daquelas premissas que se eu me puser a esmiuçar cai logo abaixo - creio que se os dois grupos se sentassem a uma mesa a discutir o assunto em vez de partir para a agressão imediatamente, não tínhamos tido tanto drama. Por outro lado, se toda a gente não insistisse em ser tão irracional, não tínhamos história, portanto...

Tenho a sensação que os Vingadores se fartaram de pôr o pé na argola vezes sem conta, em termos tácticos, o que é um pouco estranho, tendo em que conta que são liderados pelo Capitão América, que é supostamente um bom líder militar e uma pessoa razoável. E por falar no Capitão, a militarização da situação inicial parece-me totalmente descabida. Esperaria essa atitude dum Nick Fury, mas do Capitão? Bah.

Outro que faz uma asneirada de todo o tamanho é o Tony Stark. Para o génio que é suposto ser, como??? Como é que ele comete uma argolada como aquela com a Fénix? Podemos argumentar que tudo o que se segue é culpa dele, que foi fazer de Deus sem ter a certeza do que estava a fazer - o que não me parece nada típico do Homem de Ferro, mas enfim.

O acontecimento a meio da narrativa leva as coisas para novo território, e torna-se interessante seguir o Quinteto da Fénix. Porque a ideia inicial que têm, de melhorar o mundo em que vivem é fantástica; mas como acontece frequentemente com quem possui muito poder, as boas intenções degeneram. É curioso observar como os personagens resistem ou não ao poder da Fénix, mantendo a sua personalidade ou exacerbando-a até ao ponto de desequilíbrio.

Agrada-me a ideia final do que acontece à Fénix. A verdade é a história para trás deste evento é longa e complicada, indo bater pelo menos até à Dinastia de M, e aquilo que a Wanda/Feiticeira Escarlate fez nessa história teve repercussões durante muitos anos. Portanto, é adequado que ela tenha um papel na resolução do conflito, e que seja peça essencial no equilíbrio das capacidades da Hope.

Sobre uma certa morte ali para o final, bem, já disse que estou à espera que o personagem volte a todo o momento, por isso não me aquece nem arrefece. Ainda por cima o momento é tão anticlimático, ocorrendo depois dum momento grandioso, e tão inglório - querem mesmo que eu acredite que esta pessoa não saberia fazer melhor que cutucar uma fera enfurecida? É quase como se fosse culpa dele, bolas. A situação diz mais sobre a psique do perpetrador e de como se sentia em relação à sua vítima - de forma exacerbada pela Fénix.

Aprecio perceber finalmente o estado de algumas coisas nos primeiros números do Marvel NOW!, há muita coisa que faz agora sentido, como a tensão entre o Pantera Negra e o Namor. E percebi porque é que o casamento do Pantera com a Tempestade acabou, ainda que seja por uma razão estúpida - estarem de lados opostos do conflito não me parece suficiente, muito menos ele culpá-la pelo que o Namor fez, mas enfim...

Quanto ao trabalho artístico, está bem representado, entre três desenhadores bem conhecidos (John Romita Jr., Olivier Coipel, e Adam Kubert); só lhes notei a diferença porque o primeiro desenha caras e expressões num estilo mais cartoonesco e menos realista. Uns (Olivier Coipel, parece-me) têm mais queda para brincar com a organização das páginas e o posicionamento das vinhetas, mas no geral o trabalho apresentado conseguiu manter o meu interesse.