quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Picture Puzzle #66


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue; Viajar pelos Livros.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título adulto contemporâneo em português; primeiro e único livro da autora  publicado em Portugal, parece ter passado despercebido.

Puzzle #2
Pista: título YA contemporâneo em inglês.

Divirtam-se!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

The Falconer, Elizabeth May


Opinião: Vai ser uma opinião curta, porque este livro ficou ali no meio, no meiozinho. Nem estupidamente bom nem tão mau que me dá vontade de arrancar cabelos. Teve coisas que gostei, mas também coisas que bem precisavam de ser melhoradas.

Entre as coisas que gostei: o mundo e o conceito. Edimburgo no século XIX, com um toque de steampunk e outro de paranormal, com a existência de fadas predadoras que matam humanos para seu prazer e alimentação. O dilema posto pela inadequação da protagonista num mundo com determinadas regras e exigências é muito interessante. Gostei do facto da Aileana estar sempre a construir maquinas e ser uma rapariga muitíssimo inteligente. E gostei do ponto das fadas assassinas e tremendamente perigosas.

Gostei de conhecer a Aileana. É refrescante ver uma personagem que aceita e convive com o seu lado negro. Está obcecada com a vingança, gosta de matar fadas e não pede desculpa por isso. Debate-se com o seu papel de debutante obediente e a certeza de que depois do que aconteceu no passado já não pertence a esse mundo. Achei interessante os paralelismos que se estabelecem entre ela e o Gavin; ainda mais se notarmos que ela é que tem o papel activo, de caçadora de fadas, e ele o papel passivo, de vidente. É uma inversão dos papéis tipicamente atribuídos a homens e mulheres.

Entre o que não gostei: bem, pode ser resumido a - o livro precisava de ser trabalhado. Primeiro, porque parece que tem "saltos" na narrativa. O personagem A vai do ponto B ao ponto C sem clarificar o que aconteceu pelo caminho. E não estou a ser picuinhas; é mesmo o tipo de coisa que precisa de ser explicada, ou as acções dos personagens não fazem sentido.

Depois há lacunas na construção dos personagens. Poucos me pareceram tridimensionais. O Kieran é pouco mais que o tipo impenetrável, duro, e inumano que vai mostrando mais facetas ao longo da história. Só que não há nuance, e quando finalmente vemos que é mais que a fada fria e inumana, parece que vem do nada.

O mesmo acontece com a suposta atracção entre ele e a Aileana. Não há pistas, momentos que sugiram no início do livro que eles se vêem como mais que, er, "parceiros de negócios". E se no ano anterior ao início do livro não se aproximaram, não faz sentido que em meia dúzia de dias isso aconteça. E para mais, como esta atracção não é credível, quando a Aileana decide que desiste da vingança porque não quer que nada aconteça ao Kieran, soa a ridículo. Ela vivia para a sua vingança. Enfraquece os seus motivos vê-la desistir tão facilmente, quando até esse ponto eu acreditava que o Kieran era só mais um degrau no caminho para aquilo que ela queria, e que o sacrificaria sem hesitar.

Acho que o livro teria resultado melhor se acompanhássemos a evolução da Aileana desde debutante inocente a assassina sanguinária obcecada pela vingança. Resolveria algumas fraquezas que apontei e permitiria desenvolver melhor os personagens.

E por fim, aquele final. Credo, o editor responsável por deixá-lo ficar assim devia ser despedido. Eu compreendo até certo ponto um final cliffhanger. Mas este vai para além disso. Muito além. Pára literalmente a meio do clímax final, o que narrativamente não faz sentido nenhum. E termina com a frase mais críptica e inexplicada de sempre, precisamente porque não há um fecho adequado da história. Enfim... em suma, ainda estou a tentar perceber se a autora merece que eu leia o segundo livro depois de me fazer uma destas.

Páginas: 336

Editora: Gollancz

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Selo Óscar Literário

A Rita do A Magia dos Livros (Obrigada Rita!) passou-me este selo, que se baseia em escolhermos, de entre os livros que lemos este ano, um que encaixe em cada categoria. Duas coisas: a) só um? b) isto vai ser difícil... e longo. Não vou ser capaz de escolher um só livro. Possivelmente vou só nomear e linkar a opinião dos livros em questão, porque senão nunca mais saio daqui. E são muitos, mesmo.

Melhor Livro

Vou destacar alguns muitos livros... menos é impossível.

Melhor Autor

Ah... a Ally Condie e a Diana Peterfreund foram uma boa surpresa, especialmente em termos de escrita. A Cassandra Rose Clarke, a Lia Habel e a Leigh Bardugo também, mais nos mundos que criaram. A Cassandra Clare e a Rachel Vincent continuaram a torturar-me como ninguém. Adorei o humor da Cora Carmack e da Darynda Jones. A Jane Austen e a Juliet Marillier continuam a ser favoritas. A Jennifer L. Armentrout continua a deliciar-me e a escrever como louca. A Sarah J. Maas e a Tahereh Mafi continuam ali a cativar-me e a deixar embrenhar-me nos seus mundos.

Melhor Protagonista Masculino

Ah... quero dar este ao Graham do Between the Lines, e do Where You Are, da Tammara Webber, porque é um rapaz adorável e com um feitio cá dos meus. E ao Warner, do Unravel Me, da Tahereh Mafi, que pode ser um psicopata de primeira, mas é tão divertido lê-lo. E diz umas coisas tão giras. E o Will do Príncipe Mecânico, e do Clockwork Princess, da Cassandra Clare é tão traumatizadinho, coitado, o que o torna tão interessante de ler.

Melhor Protagonista Feminina

Celaena do Crown of Midnight, da Sarah J. Maas, adoro-te, querida, por seres tão fofinha e badass ao mesmo tempo. Ananna, de The Assassin's Curse e The Pirate's Wish, da Cassandra Rose Clarke, também és bastante fixe. Saba, do Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, da Moira Young, és uma resmungona adorável. Charley Davidson, (série das Campas da Darynda Jones) também resmungas muito, e és sarcástica, e és refrescantemente honesta. E já agora, Bliss do Losing It, da Cora Carmack, adorei as tuas trapalhadas e neuroses. E a titular Scarlet do Scarlet, da Marissa Meyer, que tem pêlo na venta.

Melhor Personagem Secundário Masculino

Finalmente uma fácil, é o Sturmhond do Siege and Storm, da Leigh Bardugo. Este personagem é tão memoravelmente fabuloso que precisa da categoria toda só para ele. Só lendo para perceber.

Melhor Personagem Secundária Feminina

A Cookie dos livros da Darynda Jones é bem gira, e tem uma paciência de santa para aturar a Charley. A Marjani de The Assassin's Curse, e The Pirate's Wish, da Cassandra Rose Clarke, é bem badass e ao mesmo tempo elegante e um apoio para a Ananna. Iko, de Cinder, e Scarlet, da Marissa Meyer, és a melhor amiga robótica que uma cyborg pode ter. E já agora a titular Voz de A Voz, de Anne Bishop, pelas suas características únicas.

Melhor Arte de Capa

Ai...há livros tão giros, mesmo lindos, e eu perco-me por capas giríssimas. Aqui vão algumas das minhas favoritas:

Melhor Mundo Criado

Alguma prevalência de distopias e pós-apocalípticos, pois tenho lido alguns livros nestes géneros devido a um desafio... e acabei por escolher mundos-novos-para-mim, isto é, de livros/séries que comecei a ler este ano.

Melhor Título

Aqui vou enumerar alguns que acho que encaixam bem na história, ou têm algum tipo de trocadilho/menção no título, e talvez um ou outro que ache bonitos.

Melhor Final

Bem... aqui vão aqueles finais que me deixaram a hiperventilar de choque. Ou completamente louca de impaciência. Ou a chorar que nem uma madalena arrependida. Ou simplesmente feliz. Mesmo feliz. Enfim, há de tudo.

domingo, 20 de outubro de 2013

Endless, Jessica Shirvington


Opinião: Esta é uma série que, à primeira vista, não se destacaria entre tantas outras do mesmo género. Mas sorrateiramente, acabou por me cativar. A Jessica Shirvington confere aos seus livros algo que os distingue - um worldbuilding com o seu quê de originalidade, personagens que adoro seguir, momentos de acção que me deixam agarrada às paginas, e momentos profundamente emocionais que me torturam. E dou por mim no fim de mais um livro dela completamente morta por ler o seguinte.

Após o livro anterior, um inimigo poderoso dos Grigori está à solta pelo mundo, decidido a causar o caos. Violet e o seu grupo esforçam-se para o encontrar e travar os seus planos. Mas quando a Academia dos Grigori exige que Violet se apresente em Nova Iorque para ser testada e questionada, ela não pode recusar, apesar de os aliados na Academia serem escassos. E quando chega um ultimato do inimigo que Violet não pode recusar, vê-se perante o seu maior desafio, e a escolha mais difícil que terá de fazer...

Bem, mas que livro. Tenho acompanhado a evolução da Violet como personagem ao longo da série, e é difícil não ficar orgulhosa dela, por tudo o que passou e pela maneira como encara as coisas. Cresceu de uma miúda relutante em aceitar a sua herança para uma mulher forte e confiante, que aceita as coisas difíceis que tem de fazer. O seu caminho não é fácil, mas ela encara-o com uma postura magnífica.

Sobre ela e o Lincoln... há uns dias, ao explicar porque é que gostava dos livros, descrevi a sua relação a alguém como uma tortura, no bom sentido, e agora apercebo-me que usei exactamente as mesmas palavras para os descrever há um ano, quando comentei o segundo livro. Apesar da natureza "destinada" da sua relação, as coisas não são mais fáceis por isso. São mais difíceis. E é mais bonito quando têm direito a um momento de felicidade, ainda que passageiro.

E a culpa é deles por as últimas 100-150 páginas serem assustadoramente emocionais. O tipo de sacrifício a que se expõem, combinado com tudo o que acaba por acontecer... e que deu cabo de mim. Foi muito interessante ver o Lincoln finalmente solto, a deixar-se desfrutar das coisas; mas triste, porque sabia que ele estava a tramar alguma. E doeu-me ver as coisas difíceis e dolorosas que este par suporta até ao fim do livro.

Pelo meio, tenho de falar do elenco secundário, em que não há um personagem que eu não goste. Até o Phoenix acabou por se redimir um pouco de todas as coisas que fez. Não me esqueço delas, mas o seu arrependimento e o que tenta fazer para se redimir mostra pelo menos uma evolução na sua postura. Por sua vez, o grupo de amigos em volta da Violet é algo fantástico, adoro aqueles miúdos (e não-tão-miúdos).

A relação da Violet com a mãe ganha novas facetas, e foi bom poder vê-las a conhecer-se melhor e a compreender-se melhor. Era uma relação difícil, e foi bom perceber o que aconteceu realmente no passado com a Evelyn. E foi curioso ver como o pai da Violet reagiu a ela e a finalmente entrar neste mundo. Por outro lado, gostei de conhecer alguns novos personagens na Academia, ter um vislumbre de como funciona... e até ver a Jacqueline morder a língua e aceitar a Violet, ainda que tarde de mais.

Em termos de exploração da mitologia, descobrimos mais alguns pormenores que complementam a história, coisas que a Violet consegue fazer, sobre os anjos e as dimensões em que existem... faltam revelar alguns pormenores, mas fiquei satisfeita. Houve uma aparição dum personagem que me deixou desconfiada, e estou intrigada com o futuro papel dele nos livros.

O fim? O fim foi terrível, duro, tristíssimo. Mas não podia ser de outra maneira. Depois de tudo o que acontecera, a Violet estava num ponto de rotura, quebrada pelos acontecimentos, e nada mais seria o mesmo. Para ela, não era possível voltar atrás, por mais que eu quisesse. E por isso compreendo a sua decisão, apesar de não concordar completamente com ela, ou com as razões pelas quais a tomou.

E por isso espero que o próximo volume me traga (boas) notícias, porque aquilo que eu queria aconteceu neste livro, mas soube-me a pouco, e quero mais. Felizmente, como já tem sido hábito nesta série, só terei de esperar um mero meio ano em vez do costumeiro ano. A curiosidade, essa, não é menor.

Páginas: 480

Editora: Sourcebooks Fire

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 13 e 14, + crónicas

Liga da Justiça: Crise de Identidade 1, Brad Meltzer, Rags Morales
Liga da Justiça: Crise de Identidade 2, Brad Meltzer, Rags Morales, Geoff Johns, Howard Porter
Estou impressionada com o tipo de história que aqui se conta. Ver super-heróis, supostos paradigmas de virtude, a tomar decisões moralmente duvidosas e a meter os pés pelas mãos quando tentam resolver uma situação que não tem propriamente solução... a ideia é boa. As questões que geraram a história - até quão longe vão estas pessoas para proteger a sua identidade, de modo a proteger os seus, e o que acontece depois de os vilões serem derrotados - são pertinentes. E achei interessante ver os vários tipos de relação familiar que os super-heróis tinham com os seus entes queridos.

Gostei de seguir o mistério, pois não é uma coisa tão comum de ler em comics, pelo menos nestes moldes tão sóbrios e trágicos. Toda a história tem uma atmosfera pesada, e lê-se bem como um policial... não é muito habitual encontrar estes aspectos entre super-heróis americanos. E certos acontecimentos... fiquei de boca aberta com a evolução das coisas. E aquele fim, apesar dos problemas que tenho com ele, bem, é surpreendente.

O problema que tenho com a história... é que é tão machista. É tudo focado nos coitadinhos dos personagens masculinos, e no horror de poderem vir a perder as suas namoradas/mulheres/etc.. E então as mulheres? Não estão em perigo de perder entes queridos? É que não há uma única mulher no centro deste dilema. (E não, meter ali uma vinheta de vez em quando não chega.) Fora isto, só vemos as mulheres como vítimas ou futuras vítimas, o que não é menos machista. E até o final perde força por causa disto. A razão pela qual o vilão fez o que fez, ou pelo menos o modo como é revelada, é tão mesquinha, e menoriza o sofrimento e os acontecimentos trágicos que estão para trás.

Fora isso, tenho a apontar a estupidez de preparar uma casa para proteger alguém contra os poderes conhecidos de vários vilões, mas não se considerar protecção, ou pelo menos a detecção do uso de poderes conhecidos de super-heróis. É claro que assim não tínhamos história, mas tendo em conta os extremos a que a Liga da Justiça foi para proteger os seus entes queridos, pareceu-me uma falha mesmo óbvia.

O segundo volume contém ainda uma história do Flash para complementar. Ao contrário da história principal, que faz referências ao passado sem exagerar, e que são explicadas bem, esta mete por ali uns comentários enviesados que não são muito claros. Mas gostei de seguir. Faz um bocadinho a continuação da Crise de Identidade, resolvendo algumas pontas soltas, e mostrando o Wally West, o Flash, a fazer as pazes com as escolhas do Flash anterior, o Barry Allen. Não achei muita piada foi ao facto de a história ficar a meio. Os vilões estão claramente a tramar alguma e aquilo fica em suspenso.

Uma nota para as capas, especialmente a do segundo volume, porque conseguiram trabalhar bem o fundo branco e fazer uma capa interessante. (E diferente das do resto da colecção.)

Um comentário curto, porque é um livro de crónicas, e não-ficção, e é difícil fazer uma opinião jeito para tal, pelo menos para mim. Divirto-me a ler as crónicas do autor na Visão quando as apanho, por isso tenho adquirido os livros que as reúnem, e este não foi excepção. É curioso, dá para seguir a evolução das notícias quentes do momento em que as crónicas foram escritas... ai, que este país é deprimente. Porque uma boa parte é a comentar politiquices e asneiradas de políticos. Que bela imagem do nosso país.

Apesar dos temas serem um pouco repetidos, acho piada à maneira como o autor às vezes apresenta as situações, e aprecio o tipo de humor com que as aborda. Só torço para que as coisas mudem um bocadinho por cá, para que da próxima vez que ler um livro destes haja mais variedade de temas.