sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick


Opinião: Este foi uma leitura estranha e confusa, e a opinião daí resultante vai provavelmente também assim ser. Talvez curta. (Não prometo nada.) E qual foi o problema? O problema foi que embora a nível intelectual o livro seja muito rico, a nível emocional é tão seco, sendo incapaz de me transmitir algo. Acabou por se tornar uma leitura algo difícil, porque eu passei a leitura toda à espera que se fizesse um "clique", e a ser constantemente desapontada.

Não gostei da escrita. Achei-a aborrecida e pouco cativante. Dificultou-me a entrada na história e não me deixou enredar no decorrer dos acontecimentos. Além disso, contribui para que a caracterização dos personagens não seja grande coisa, no geral. Quero dizer, há momentos altos no percurso dos personagens que gostaria de louvar (adorei ver a evolução do Robert Childan, desde a sua subserviência aos japoneses, até ao seu momento de revelação e revolução contra essa atitude), mas no geral não houve um personagem que se destacasse e me mantivesse interessada na sua história.

Sinto ainda que o autor tinha estranhos momentos em que pouco revelava e deixava tudo pelas meias palavras, deixando-nos adivinhar o resto, mas depois logo a seguir punha coisas na boca dos personagens que me pareciam coisas que ambos os intervenientes da conversa sabiam, e que só estavam a dizer para benefício do leitor (eu) *cof*info-dump*cof*.

Agora sobre as coisas que gostei... O worldbuilding. Que é muito bom. Infelizmente isso não é o suficiente para salvar o livro, mas anda lá perto. Adoro a noção de história alternativa, e gosto muito de vislumbrar este mundo em que o Eixo ganhou a 2ª Grande Guerra, e os alemães e os japoneses dividiram o mundo ao meio. (Mais ou menos.)

É fascinante descobrir os pequenos pormenores que compõem este mundo. Há coisas ridículas (ainda estou a tentar perceber a lógica do I Ching, que é chinês e não japonês, e o modo como foi miraculosamente e rapidamente adoptado nesta nova ordem mundial). Mas há muitas outras coisas que compensam. O conceito de falsificação, original e historicidade, presente no enredo dos artefactos. Adorei a conversa do senhor Wyndam-Matson sobre o seu querido isqueiro e como tinha um certificado de historicidade. (Que não podia ter sido falsificado, nem nada.) E o tema das falsificações e do que é real e original acaba por repetir-se ao longo do livro. Com uma falsificação a funcionar melhor que o original (a do senhor Tagomi) ou as jóias originais (do Frank e do Ed) a cativarem o seu público mais que as antiguidades.

Gosto muito também do livro-dentro-do-livro, O Gafanhoto Será um Fardo, que preconiza neste mundo que afinal o Eixo perdeu. É uma ideia tão boa, e apreciei quaisquer pormenores dados sobre a narrativa. Só achei que seria mais perfeito se os acontecimentos n'O Gafanhoto fossem mais semelhantes, senão iguais, aos do nosso mundo. Acho que encaixaria melhor com a noção de realidade vs. falsidade que o autor estava a tentar estabelecer.

Sobre o final... aprecio o que o autor estava a tentar transmitir. Mas achei-o fraquinho. Quero dizer, é feita ali uma revelação grandiosa, e a reacção a, e tom da mesma, são tão mortos. Estava à espera dum final fortíssimo, um grande mind-fuck ao estilo Inception... e tudo o que parece acontecer é uma morte prematura da história. As coisas ficam muito em aberto, quase a meio. Não há uma resolução concreta para os personagens. Parece que o autor simplesmente se cansou de escrever, e decidiu que pronto, isso fazia daquilo o fim.

Enfim... voltando a repetir-me, o worldbuilding e os conceitos por trás da história são fantásticos. Foram o ponto alto da história. Não se pode é esperar que salvem o livro. A escrita, os personagens, e o modo como a história é desenvolvida têm de valer por si. E aqui, não me convenceram.

Uma última nota para o ensaio de Nuno Rogeiro, que me pareceu muito bom. Apenas não consegui usufruir muito dele, pois parece ser mais virado para quem conhece a obra do autor, o que não é o meu caso.

Título original: The Man in the High Castle (1962)

Páginas: 288

Editora: Saída de Emergência

Tradução: David Soares

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma imagem vale mil palavras: O Hobbit - A Desolação de Smaug (2013)

O ano passado passei o comentário todo de O Hobbit - Uma Viagem Inesperada a queixar-me do tom do filme. Tinha acabado de ler o livro naquela altura, e sentia falta do tom mais aventureiro mas menos épico do mesmo. Isso, em combinação com o enchimento de chouriços e o engonhanço, não tornou o primeiro filme numa experiência tão satisfatória como podia ser. Este filme (e vou já excluir dele o final, que me recuso a reconhecer como aceitável) foi muito melhor. Como história, é muito mais completa (again, se ignorarmos o estúpido do final), e o tom épico adequa-se muito mais à história que é apresentada. Saí muito mais feliz da vida com sessão do que da outra vez.

Primeiro, as questões técnicas. Fui ver a versão IMAX 3D, combinada com aquilo do high frame rate (HFR). Normalmente sou a primeira pessoa a queixar-me do 3D, mas desta vez foi tão giro, mesmo com dois pares de óculos em cima do nariz. O 3D pareceu-me... imersivo, não tive dificuldade em ver a profundidade desde o início, naquela cena em Bree. Suponho que o IMAX contribui para isso. E o HFR dá uma outra dinâmica às cenas. Há certas ocasiões em que a imagem fica um pouco tremida, mas de resto não me incomodou... como disse, dá outra dinâmica às cenas, especialmente às de acção.

Cenas que queria destacar... a das aranhas. Credo, que nojo, era a única cena que dispensava ver em 3D. Foi um tudo-nada arrepiante. Mas tem um final muito interessante. Vê-se como o anel já está a afectar negativamente o Bilbo... com aquela reacção toda "MEU!", e com ele a ficar algo assustado com a sua própria reacção.

Achei as cenas em Mirkwood, no palácio do rei, muito curtas. Pareceu que pisquei os olhos uma vez, e os anões tinham sido capturados; pisquei outra vez, e os anões já tinham fugido. Por outro lado, Mirkwood dá-nos o rei Thranduil, que é exactamente como eu achei que um elfo da floresta como ele devia ser: com um feitiozinho lixado. E, para contrabalançar, este segmento dá-nos a Tauriel, cujo papel sou capaz de abordar mais ali à frente, mas que para já tem uma parte muito boa: é um oposto do Thranduil e de outros elfos como ele. A sua compaixão, e capacidade para sonhar com a luz das estrelas... é um bom contraponto à frieza dos elfos de Mirkwood. Ainda há elfos por ali a sonhar com a luz de Aman.

Segue-se uma cena de acção divertidíssima... por várias razões. Número 1:
A sério, porque é que ainda ninguém fez esta piada? Há algo de errado com este mundo. Número 2: o Bombur derrotar uma série de Orcs só por obra e graça do seu peso da gravidade. Risota pegada. E, apesar de tudo, gostei bastante da cena. Não tem nada a ver com a fuga dos barris do livro, mas até prefiro esta. Nem que seja porque temos o Legolas e a Tauriel em modo Extreminador Implacável a dar cabo dos orcs. (Por falar no Legolas, OMG, que saudades da Irmandade, quase chorei de saudades quando lhe pus a vista em cima.) E agora que me lembro, foi hilariante o Legolas perguntar ao Gloin "quem é este feioso?", e este responder "ei, é o meu filho Gimli".

Entretanto, o Gandalf vai por conta própria investigar o que se passa em Dol Guldur, e de caminho cair na armadilha mais óbvia de sempre. Bem, ele sabia que era uma armadilha... enfim. Esta é a parte mais filler do filme, pois nada disto é descrito no livro, mas até gostei de acompanhar os seus desenvolvimentos. Adorei a maneira como o Necromante é mostrado, e a cena em que ele e o Gandalf se enfrentam é fantástica. Especialmente pelos efeitos especiais do Olho, que é também uma maneira de preconizar o modo como o Sauron aparece na trilogia.

A Cidade do Lago foi diferente, mas muito mais completa do que poderia ter imaginado. Muito escura e degradada, o que é um reflexo do desleixo a que foi devotada, mas é um cenário com carisma. Foi muito divertido conhecer alguns dos seus personagens, como o Mestre. E gostei que elaborassem um pouco mais a vida na cidade, dando-nos a conhecer também o Bard e a sua família. No entanto, ainda estou a tentar perceber que propósito narrativo serve terem ficado 4 anões para trás. O único que tem desculpa é o Kili.

E por falar nele, tenho que abordar esta palermice com a Tauriel. Eu gosto da Tauriel. Já disse que ela é um contraponto aos outros elfos da floresta, e agrada-me que com esse papel questione o abandono do mundo exterior por parte dos elfos de Mirkwood. Que lute, e seja boa no que faz. Que veja o que está errado e se revolte e tente corriji-lo. E em certa medida, o interesse mútuo com o Kili tem algum potencial, desde que não abusem. E ali para o fim, abusaram. Aquela cena da cura é demasiado vaga e pirosa para fazer algum sentido. E a tentativa de criar ali um pseudo-triângulo amoroso? Mas o que é isto, um livro YA vomitou aqui em cima, caramba? *facepalm* (Isto vindo de alguém que lê muito YA e pode gozar com os tropes do género com conhecimento de causa.)

Passemos à parte importante... Smaug. Eu preciso de ver documentários ou extras sobre o trabalho de motion capture do Benedict Cumberbatch para o dragão, porque tenho a certeza que há de ser uma coisa linda de se ver. À parte isso... a minha parte favorita foram as cenas com o Bilbo, e só tenho pena que tenham mudado tanto as coisas. A maneira como as coisas se desenrolam no livro fazem mais sentido.

Achei totalmente desnecessários os 20 minutos de cobóiadas dos anões. Primeiro porque, e eu sei que disse na opinião do filme anterior que estava a gostar de ver os anões um bocadinho menos resmungões e cobardes, mas isto já é exagerar muito no sentido contrário. Foram cenas desnecessárias, porque podia-se obter o mesmo resultado (o Smaug ir pegar fogo à Cidade do Logo) com as picardias entre o dragão e o Bilbo, com o roubar da jóia, e com a mera sugestão de que o Bilbo estava a trabalhar com os anões. (E aqui era mesmo uma situação em que não deviam ter roubado o protagonismo ao Bilbo. Esta é a história dele e convenhamos, ele resolve 90% das trapalhadas em que ele e os anões se metem.)

Esta parte também foi desnecessária porque... me roubou o meu final. A sério. Eu estava tão convencida que ia ver o Smaug a ser derrotado que foi tão anti-climático ver que o filme terminava com ele a partir para a Cidade do Lago. Que horror, não se termina uma história assim. O conflito principal não foi resolvido, nem o antagonista principal derrotado. Narrativamente isto não faz sentido nenhum.

Uma última menção ao elenco, que é fantástico e faz muito por dar vida a este mundo. Nem consigo nomear actores, porque há muitos a fazer um trabalho tremendo e eu ia esquecer-me de os nomear (ou passar aqui o dia).

Bem... venha o próximo. Estou para ver o que vai sair dali. Já falta tão pouco do livro... mas com o resolver das situações pendentes deste filme, mais a Batalha dos Cinco Exércitos, tenho quase a certeza que teremos fogo-de-artifício suficiente para duas horas e meia.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Finding It, Cora Carmack


Opinião: Estou fascinada com esta autora. Ao longo desta série, tem conseguido a proeza de pegar no tipo de história que é relativamente formulaica (romance contemporâneo) e dar-lhe uma apresentação diferente em cada livro, no que concerne a tom, tema, personagens, cenário ou enredo. E muito importante, com um sentido de humor fantástico e uma boa capacidade de nos deixar entrar na vida e na cabeça dos personagens durante aquelas horas que dura a leitura.

Primeiro, foi a história da Bliss e do Garrick (Losing It), muito cheia de humor e de situações engraçadas, mas que trabalhava a insegurança (e a trapalhice) da Bliss. Depois, a história da Max e do Cade (Faking It). Ambos tinham um historial de fragilidade em relação ao modo como os entes mais próximos os viam, particularmente a Max, cuja insegurança em relação aos pais era praticamente incapacitante.

E depois temos aqui a Kelsey e o Jackson. E devo dizer que a Kelsey é uma protagonista (a história é contada apenas do ponto de vista dela, como no Losing It, e ao contrário do Faking It) fabulosa. Nunca pensei que ela se viesse a revelar desta maneira. É uma personagem muito mais complexa e cheia de uma vida interior muito interessante.

Viajando pela Europa fora, a Kelsey está apenas à procura de um algo que ela não sabe definir. (E de estoirar o dinheiro do papá, mas até isso tem mais que se lhe diga.) Mas não está a resultar. O vazio continua a estar lá. E depois ela cruza-se com um estranho que resiste à sua sedução (o choque!) e se ri dela (a lata dele!) e a deixa completamente confusa. Bondade não é uma coisa que ela conheça bem, e a Kelsey lida melhor com o que a rodeia se souber o que os outros esperam dela, e se esperar o pior dos outros.

E depois o Jackson desafia-a a viajar durante uma semana com ele, e ver se a perspectiva dela sobre a sua viagem à Europa não muda. *suspiro* E que viagem. É daquelas para dar uma pontinha de inveja e uma dose saudável de wanderlust. E o que acho mais fascinante é a maneira como eles se revelam ao longo da viagem, como por exemplo vamos percebendo um bocadinho melhor a Kelsey, e como ela se esforça por mudar os padrões de comportamento em que tinha caído. E como a relação dos dois se desenvolve a partir de um apoio mútuo e de uma cumplicidade sem palavras, porque era o que ambos precisavam no momento.

Não senti a falta de ler algo no POV do Jackson, porque ele está num lugar melhor, em termos de mentalidade (se é que isto faz sentido), mas até estou curiosa por ler a novela que a autora vai publicar em Janeiro. Gostava de ver o que ele pensa da Kelsey.

E quanto à Kelsey, que rapariga... só me apetece dar-lhe um abraço apertado. Há tanto naquela cabeça, tantos medos a ser derrotados, tantos entraves colocados a si própria... é a melhor caracterização da Cora nos três livros, e diria que, paradoxalmente, é a mais pessoal e a mais universal - no seu medo de crescer, na procura de um lugar no mundo, no sentimento de à deriva que não permite à Kelsey contentar-se, sendo que o mundo não chega para esse sentimento tão grande.

Diria que este é o livro mais doce e mais amargo, pela história da Kelsey e pelas cenas dela e do Jackson, algumas tão bonitas e emocionais. E o mais maduro. O final não é aquela coisa perfeita dos contos de fadas mas é tão giro e realista... apesar da dor, é possível perdoar e recomeçar. É uma boa maneira de apresentar a questão.

Páginas: 320

Editora: William Morrow (Harper Collins)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Picture Puzzle #71


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título YA de ficção científica em inglês.

Puzzle #2
Pista: título adulto recente em português.

Divirtam-se!