terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Este mês em leituras: Dezembro 2013

Fim do mês, fim do ano! Um ano muito agitado, por sinal, com muitas mudanças, algumas muito boas, outras nem tanto... A vida real por vezes sobrepôs-se com os meus hobbies favoritos, ler e opinar, mas sou teimosa, e não deixo que isso afecte o meu entusiasmo pela leitura; e sou eternamente optimista, espero sempre que o futuro melhore, e tenho as melhores expectativas para 2014. Que o ano esteja cheio de coisas boas para todos.

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Finding It, Cora Carmack - porque a história da Kelsey me tocou;
  • O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick; Fahrenheit 451, Ray Bradbury - estes vão juntos, porque marcaram mais pela negativa e pela mesma razão... para livros sobre os quais tinha grandes expectativas, que têm tão boas recomendações, ficaram aquém do que esperava deles; consigo apreciá-los intelectualmente, mas não me conseguiram cativar ou criar uma ligação emocional comigo, o que me fez falta na leitura, aquela sensação de estar completamente embrenhada neste mundo...;
  • Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi - *fangirla* a sério, que nostalgia, que bom voltar a um mundo conhecido e redescobri-lo... a autora conta uma boa história, e fez aqui uma série de coisas que me agradaram muito;
  • Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout -  foi uma boa surpresa, não estava à espera de gostar tanto do que é essencialmente uma história recontada pelos olhos de outro personagem.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Bem, podemos já começar pelas aquisições de Natal e tudo:
Brilho de Bruxa, L.J. Smith
Tigana - A Lâmina na Alma, Guy Gavriel Kay
Justiça de Kushiel, Jacqueline Carey
O Silo, Hugh Howey
Transformar-se em Maria Antonieta, Juliet Grey
Gwenhwyfar - O Espírito Branco, Mercedes Lackey
Romeu e Julieta, William Shakespeare
Corações Gelados, Laurie Halse Anderson
Contos Completos, Irmãos Grimm
Grita, Laurie Halse Anderson
Aborrecer a família para aproveitar aquela promoção da Fnac de pagar dois livros e trazer quatro deu os seus frutos para o Natal... Os livros que estão deitados são dos pais, os primeiros dois que estão em pé são da mana, o Contos Completos é uma prenda para mim própria, e o Grita vinha de oferta com um dos outros livros, mas já tenho e já li, talvez o ofereça.

Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout
Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi
Just One Day, Gayle Forman
The School for Good and Evil, Soman Chainani
The Complete Illustrated Tales of Hans Christian Andersen, Hans Christian Andersen
These Broken Stars, Amie Kaufman, Meagan Spooner
The Hunger Games: Catching Fire: The Official Illustrated Movie Companion, Kate Egan
Qualquer pilha que meta Jennifer L. Armentrout e Sailor Moon é uma boa pilha. Entretanto, o Just One Day já chegou (foi enviado antes do segundo livro da série, mas chegou muito depois), e já posso pôr-me a jeito para a Gayle Forman me espezinhar o coração. O These Broken Stars chegou ontem, quando eu achava que já não ia chegar mais nada via CTT (com as greves e os feriados, que mais podia esperar?), e é tão, tão bonito... e grande. É um hardcover com um tamanho pouco usual. E o último é o movie companion do Catching Fire, tenho de dar uma espreitadela.

Morte na Aldeia, Caroline Graham
O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry
Ainda no tópico aquisições de livros, encontrei esta box na Fnac, e tive de a trazer comigo. Estava a um preço fabuloso (comprei-a num dia em que havia 20% de desconto em livros), e ainda traz uma caneca e chá. Que boa compra.

Bitter Sweet Love, Jennifer L. Armentrout
Uma aquisição electrónica, pois gosto muito de seguir a autora, e esta é uma novela em formato e-book, que também é uma prequela da série que a autora vai lançar em Fevereiro...

A banda desenhada do mês, com direito a livrinhos Disney, mais a colecção Astérix e a colecção dos heróis DC... e uma surpresa, pelo menos para mim: Astronauta - Magnetar. Já tinha visto divulgação do livro por aí e tinha ficado curiosa, mas ao que tinha percebido, o livro tinha sido recolhido sem grandes vendas... já não tinha esperança de lhe pôr as mãos em cima. Encontrei-o na livraria Barata - onde fui pela primeira vez, shame on me, descobri há pouco tempo que até é perto do meu local de trabalho - e descobri que esta livraria até tem uma boa distribuição de revistas da Panini brasileira.

Esta é a secção "coisas relacionadas com livros, mas que não são livros". Primeiro, algumas canecas que têm a impressão das capas dos clássicos editados pela Civilização Editora (já disse que faço colecção de canecas?) - só livros favoritos. E tenho a dizer que ainda me salta a tampa se não ponho brevemente a vista em cima do Persuasão, na edição que faz parte desta colecção. Supostamente já saiu para as livrarias, mas ainda não o vi em lado nenhum. :(

Este é um livrinho giro com o design semelhante ao The Book of Quotes, e até tem algumas citações e tudo, mas é em versão diário/caderno.

Um diário de leituras Bertrand, que bem preciso para o ano que começa amanhã. Tinha perguntado numa Bertrand se tinham, e responderam que estava esgotado e só no início de 2014 é que seria reposto, mas passei por outra Bertrand e ainda tinham lá este. :)

A ler brevemente

Tenho uma encomendazita no Book Depository, e tudo depende da rapidez com que enviarem os livros, e os CTT mos entregarem... mas algumas possibilidades estão ali por cima. Cynthia Hand, porque a editora portuguesa disse que não tinha previsão de publicar o terceiro livro E EU PRECISO DE SABER como termina. O Angelfall para uma leitura conjunta, e o Pivot Point também - uma leitura que era para ter sido feita em Novembro, mas tanto eu como a minha co-leitora somos umas moças muito mal comportadas. :P

Espero receber o que me falta da Naoko Takeuchi no universo Sailor Moon, e quero muito ler esses... também vou receber umas coisas da Meg Cabot, bateram as saudades dos livros dela e lá vou eu (re)ler algumas coisas. O Just One Day, já sei, vai-me partir o coração, porque a autora não sabe escrever doutra maneira (nem eu queria), e o These Broken Stars parece tão giro, espero que corresponda às minhas expectativas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Trust in Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout


Opinião: Este livro tem uma origem engraçada. A autora lançou o primeiro livro, Wait for You, inicialmente em forma auto-publicada, no início do ano, mas a popularidade que ganhou nas primeiras semanas ganhou-lhe um contrato com uma editora tradicional. (Um percurso pouco habitual para uma autora que já tinha sido publicada tradicionalmente.) E em resultado, com os fãs curiosos por ler algo do ponto de vista do protagonista masculino, Cam, e sendo a JLA a autora overachiever que é, lançou-se a escrever isto, que acabou por se tornar um livro (ela chama-lhe novela, apesar de ter o tamanho dum livro) que reconta Wait for You e que tem como narrador o Cam.

Gostei de ler. É um exercício de escrita (e de vida) giro, conhecer uma história e depois pôr-mo-nos no lugar de outra pessoa. E ler a história sendo o narrador outra pessoa acaba por apresentar alguns aspectos novos, ou reenquadrar aspectos já conhecidos. A Avery como narradora é capaz de ter saltado detalhes que achava desinteressantes, mas depois o Cam pensa de maneira diferente e fala neles.

Apreciei conhecer melhor alguns dos personagens secundários, como o Jase, a Teresa (que terão a sua própria história no segundo livro da série, Be With Me, e tenho a sensação que a história deles já começou numa dada cena que surge neste livro), o Ollie, os pais do Cameron (tão fofinhos) ou a tartaruga Raphael. Achei imensa piada à amizade entre os rapazes da trama (Jase, Ollie e Cam), já agora.

Diverti-me com a maneira como o Cam via o mundo, e adorei ver a Avery pelos seus olhos. (E a alcunha que lhe dava! Sem preço...) A pobre da rapariga, era óbvio em Wait for You, tinha uma enorme falta de experiência em lidar com pessoas da sua idade, e dava para depreender o seu passado daquilo que ela nos contava... mas é interessante ver como alguém que lidava com ela dia-a-dia se foi apercebendo disso. E foi engraçado ver o Cam nas primeiras semanas a aproximar-se dela, primeiro cheio de curiosidade e de vontade de a fazer sair da casca, mas depois com uma boa amizade e carinho, e vontade de cuidar dela.

Apenas fez-me falta foi vê-lo lidar com os problemas que teve no passado. Temos uma cena com ele no aconselhamento, no início, mas depois isso nunca mais é abordado, é uma pena, era um fio de enredo que merecia ser explorado. E já agora, não propriamente relacionado com este livro ou o outro, gostava de ter conhecido a Avery naqueles 5 anos marcantes do passado dela. E de ver como se manteve sã, apesar de tudo.

Páginas: 352

Editora: Wiliam Morrow Impulse (HarperCollins)

sábado, 28 de dezembro de 2013

Pretty Guardian Sailor Moon Volumes 7-12, Naoko Takeuchi

https://www.goodreads.com/book/show/13330312-pretty-guardian-sailor-moon-vol-7
E retomei a leitura da série, com a box que contém os volumes 7 a 12 da mesma. O volume 7, e parte do 8, continuam o arco dos Death Busters/Infinity. Gosto imenso desta parte da história, porque é a história da Hotaru/Sailor Saturn, e tem alguns momentos arrepiantes. A história dela é bem triste e ao mesmo tempo deveras interessante. Gostei de ver esclarecido aquilo que lhe foi feito para a manter viva e à mercê da Mistress 9. E de como a Saturno é sempre a Navegante temida ("always the uninvited guest"), pelo que significa.

Se bem que, e aqui é a taradinha da mitologia a falar, é completamente ridículo que tendo em conta os papéis atribuídos às Navegantes da Hotaru e da Setsuna, estas sejam respectivamente a Saturno e a Plutão; devia ser ao contrário. A Hotaru, como representante da destruição e morte, devia ser a Plutão (=deus da morte e do submundo na mitologia greco-romana), e a Setsuna, guardiã do tempo, devia ser a Saturno (=deus do tempo na mitologia greco-romana). Isto não alteraria nada os papéis delas na história, apenas tornaria os paralelismos com a mitologia mais perfeitos, já que praticamente todas as outras navegantes mostram características em consonância com o seu planeta (deus grego/romano) regente.

O grupinho das Outer Senshi dá comigo em doida com aquela insistência em terem de fazer a sua coisa sozinhas, sem a ajuda das outras navegantes, mas vá lá, ganham juízo, porque a Sailor Moon não as deixa armarem-se em patetas. Porque quando as conhecemos melhor elas têm uma história passada fascinante. Estas navegantes viviam isoladas, no seu planeta respectivo, e tiveram de ver a destruição do Silver Millennium na Lua sem poderem mexer uma palha. E o laço que as liga às outras é dual: não se querem envolver pelo que aconteceu no passado, mas no fundo são igualmente dedicadas à sua missão. Apenas fazem as coisas de maneira diferente. A parte final do arco, em que a Saturno renasce e faz a sua coisa, é arrepiante, mas adorei ler.

http://www.goodreads.com/book/show/13533761-pretty-guardian-sailor-moon-vol-8
 Depois o arco dos Sonhos/Pégaso começa, no fim do volume 8, e estende-se até ao volume 10. Ainda não sei se gosto mais ou menos de como este arco foi tratado no manga, em relação ao anime, porque engonha menos numas coisas, mas depois perdem-se outras. Perdi o trio Amazonas, Olho de Peixe, Tigre e Falcão, que aqui não têm a história que têm no anime. Mas, por outro lado, ganhei o quarteto Amazonas, que é tão mais giro aqui, especialmente pela ligação à Chibi-Usa. Gosto muito da sugestão de que serão as companheiras dela quando esta se tornar numa guardiã plena.

Adoro a parte em que a Chibi-Usa e a Usagi trocam de lugares, sendo que uma se torna adulta e a outra criança. A Usagi miúda é particularmente adorável. E morri a rir quando as navegantes achavam que a Chibi-Usa adulta era a Black Lady outra vez. Entristece-me ver o dilema da Chibi-Usa. Porque é uma miúda que tem virtualmente 900 anos (ela é que tem o corpo de criança, normalmente, apesar de ser muitíssimo mais velha que a Usagi do presente), e que não pode crescer - pelo menos, até o status quo mudar - e é daí que vêm as inseguranças dela.

O volume 9 tem uns momentos muito bons, pois cada capítulo é dedicado a cada uma das Inner Senshi - ao verem-se confrontadas com o inimigo, o leitor é apresentado ao mundo interior de cada uma, aos seus sonhos, ao que elas querem da vida... e foi engraçado conhecer o "eu Navegante" de cada uma, além de as ver recuperar a sua transformação.

http://www.goodreads.com/book/show/13643021-pretty-guardian-sailor-moon-vol-9O mesmo volume reintroduz as Outer Senshi e faz o mesmo que os capítulos anteriores fizeram pelas outras. Foi tão bonito vê-las estabelecer uma vida para si próprias, depois do Arco Infinity, a cuidar da Hotaru... adorei o modo como elas tinham tudo planeado! Isto é, até a pequena lhes trocar as voltas. É interessante ver a relação da Haruka e da Michiru, apesar de ser tudo muito sugerido pela rama, e de a autora tentar manter a natureza da Haruka assim por trás de cortinas de fumo e tal, o que é uma opção ridícula, na minha opinião.

Adorei ver a pequena Hotaru a crescer, como se desenvolvia, e como no fim reencontrou o seu lado Saturno. E como tecnicamente, ela é a líder das Outer Senshi, apesar de ser a mais nova, porque a Sailor Saturn é também a mais, er, solene. É uma dualidade interessante, a Hotaru é muitos aspectos uma adulta num corpo de criança. (Já agora, a única coisa que me aborreceu neste volume foi a história da Venus/Minako ficar suspensa no capítulo dela, e só ser resolvida depois das Outer Senshi aparecerem. Não gosto de cliffhangers que depois passam para outra cena completamente diferente no capítulo seguinte.)

E a Usagi e o Mamoru tornam-se pequeninos, outra vez (para ela), tão fofos! Além de que este arco desenvolve mais um bocadinho da mitologia da Terra, e do reino que nela existia (do qual o Endymion, agora Mamoru, era príncipe). Por outro lado, sinto que a Nehellenia, a vilã, não tem a mesma força que tinha no anime, em que eu adorava a personagem dela. 

http://www.goodreads.com/book/show/15732827-pretty-guardian-sailor-moon-vol-10Ohhh, e agora que me lembro, o volume 10 tem a Luna, o Artemis, e a Diana na forma humana. Tão giros. Foi uma adição muito engraçada. Assim como a inversão de papéis da Sailor Chibi-Moon e do Helios, à lá Bela Adormecida. E convenhamos, o fim do arco dos Sonhos (e do volume 10) é muito bonito. Acho que é o Artemis que comenta que parece uma coroação, e realmente permite ver um bocadinho do que será o futuro Silver Millennium na Terra.

Entretanto os volumes finais, 11 e 12, reúnem o último arco, Stars. Parece pouco para um arco tão grandioso, mas se fosse mais longo era uma tortura. Porque acontece de tudo às Navegantes, o que é horrível e tristíssimo, e deixou-me completamente deprimida porque a Usagi fica bastante sozinha muito cedo, e a enfrentar as perdas de todos os que ama. A única coisa boa disto é o crescimento dela como personagem.

Por outro lado, este arco é fortíssimo no que toca a enriquecer a mitologia deste mundo. Adorei todo o conceito do Galaxy Cauldron, de como há estrelas por essa galáxia fora, de como há navegantes/guardiãs de planetas por esse espaço fora (e da importância que Luna, Artemis, Phobos e Deimos têm neste aspecto), e de como a Sailor Galaxia, numa busca incessante de poder, criou o Shadow Galactica para (muahahahah!) acumular poder e destruir tudo à sua frente.

http://www.goodreads.com/book/show/16071859-pretty-guardian-sailor-moon-vol-11Ah, e ainda nesse aspecto, posso contar também a pequena reviravolta com a Chibi Chibi (adorável). Acho muito intrigante o que é sugerido acerca do futuro, e gosto da ambiguidade em relação à natureza da Sailor Cosmos. Tenho a minha própria opinião acerca do assunto, mas de vez em quando mudo de ideias. Porque é uma ideia tão provocadora e tão boa que merece quase um livro acerca do assunto.

Também achei bem interessante ver desmoronar o futuro do século XXX. Apesar de tudo, das inseguranças da Usagi acerca do Mamoru, e dos vilões que enfrentam, uma coisa que era incontestável é que tinham um futuro juntos, e que o Silver Millennium seria um dado adquirido no futuro. O que me agrada, mas também me fez questionar sempre o que aconteceria se no presente algo acontecesse que pudesse destruir esse futuro idílico. Pontos bónus por a Naoko Takeuchi me tirar as dúvidas.

Outra coisa muito interessante na série é ver como toda a gente é extremamente devotada à Usagi/Sailor Moon/futura Rainha Serenidade. E se bem que ela tem os seus defeitos e recua quando devia avançar, e tem muitas dúvidas e debate-se muito com o caminho a tomar, é isso que faz dela uma personagem que vale a pena acompanhar. E no fim, ela acaba sempre por mostrar o que vale, e a ultrapassar as nossas expectativas, e a mostrar porque é que será a rainha duma utopia futura. A rapariga é muito poderosa, e o seu coração, o seu bom fundo, a sua esperança sem fim acaba sempre por vir ao de cima, sendo uma luz que derrota as trevas.

http://www.goodreads.com/book/show/16071860-pretty-guardian-sailor-moon-vol-12Outra coisa que gosto imenso de ver na série é a relação da Usagi com o Mamoru. Já disse que os adoro, que são épicos e que me delicio a acompanhá-los como casal, e a torcer por eles... e acrescento que gosto de ver a dinâmica de casal deles. Bem, talvez não as ciumeiras da Usagi. Mas o facto de que ela é a todo-poderosa Sailor Moon, e o pobre do Mamoru debate-se com o facto de a estar a atrasar... e ela ao mesmo tempo a perguntar-se se não traz desgraça a todos e se não se devia afastar... *sem palavras* The feels! All of the feels!

E ainda tenho a dizer... gosto mesmo da mensagem que a história passa. Que as raparigas podem ser fortes, e salvar o mundo, e ainda assim usar saltos altos e vestidinhos curtos, e uns uniformes meio ridículos, meio badass. E que todas as raparigas são diferentes, com uma miríade de sonhos e expectativas diferentes, e todas sentem a feminilidade de forma diferente, e que é ok sermos nós próprias. E a mensagem de amizade e fraternidade entre todas é também bastante enternecedora.

Ahhh! E já agora, nunca me tinha dado conta... eu sabia que a história tinha um pendor para a fantasia, com toda a magia e transformações a acontecer... mas nunca me tinha ocorrido que também tem um aspecto de ficção científica - com todos os vislumbres do futuro, e os pedaços de mitologia do último arco, que expandem o mundo das Navegantes pela galáxia fora... nem ao ler o Cinder, da Marissa Meyer, que é vagamente inspirado nisto, e muito mais claramente ficção científica, me tinha ocorrido. Sou tão cega! *facepalm* E pronto, este é mais uma razão para eu ter ficado a adorar toda a história. Não que precisasse de mais alguma. *psst... que tal a arte que enquadra os capítulos? adorava ter uns livrinhos que reunissem a arte de Sailor Moon*

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Boas Festas


Espero que tenham tido um Feliz Natal com a família, com boa comida e muitas prendinhas fixes, incluindo alguns bons livros para ler brevemente, ou no novo ano que se aproxima. Felizes Festas.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Fahrenheit 451, Ray Bradbury


Opinião: Em Fahrenheit 451, Ray Bradbury conta a história de um bombeiro que em ver de apagar fogos, os ateia. Pois Guy Montag vive num mundo em que é proibido ler livros, e os transgressores cedo verão as suas casas e bibliotecas a arder, em fogos postos pelos bombeiros.

É uma premissa bastante provocadora, e uma ideia muito interessante, que acaba por desembocar em dois aspectos. Um é o da censura, o da proibição de livros que aconteceu no passado, acontece no presente e acontecerá, acredito, no futuro. Onde quer que hajam livros, há alguém a sentir-se afrontado por estes, e quiçá a querer impedir os outros de os ler. Neste mundo, a censura é regulada por elementos particulares da sociedade, mas o mais curioso é que esta atitude deriva do crescente desinteresse da população em geral por livros.

O outro aspecto, e que é relacionado com esse desinteresse, é a emergência de formas de entretenimento e de tecnologia mais imediatas e mais "simples" que os livros. O crescente interesse da população pelo entretenimento fácil levou a uma simplificação dos livros... o que combinado com o conflito gerado em torno destes levou a que fossem banidos, pura e simplesmente, para manter a população feliz e sem conflito.

Tudo junto dá bastante pano para mangas reflexão. Podemos ver neste facilitismo e estupidificação das pessoas através do entretenimento um espelho da actualidade de hoje, com uma massificação dos meios de comunicação: TV, internet, e redes sociais... mas acho que o autor não é assim tão claro na sua crítica tendencialmente tecnófoba. Qual é, afinal, o problema principal, nesta questão? É a tecnologia (que pode fazer coisas maravilhosas, também), ou o uso que fazemos dela? Não há um exemplo de um personagem que conviva saudavelmente com a tecnologia, por isso suspeito que o autor se inclinava mais para a primeira, mas pessoalmente inclino-me mais para a segunda.

Tive alguma dificuldade com o estilo de escrita do autor. Depois do Philip K. Dick me parecer algo seco e pouco cativante, este autor vai na direcção oposta. Pareceu-me excessivo com tanta metáfora, tanto floreado, tantos rodriguinhos... tornou-se um bocadinho saturante, e pouco contribuiu para a fluidez da leitura. Às tantas eu dava por mim a pensar: "bolas, pára lá de engonhar, avança-me mas é com a história". E depois tinha de pousar o livro, para descansar de tanto palavreado. É uma escrita às vezes bonita, mas há que saber dosear as metáforas e os artifícios, e duvido que o autor o saiba fazer.

Achei o protagonista, Guy Montag, um bocado tolo na maneira como reage às coisas... mas é um personagem melhor caracterizado por isso. Apreciei a sua evolução ao longo da história, o modo como foi despertando para o valor dos livros, apesar de as suas tentativas de fazer algo para mudar o seu mundo fossem bastante ineptas. (O que conta é a intenção, certo?)

Quanto ao final, gostei bastante da metáfora da fénix (vá lá, uma metáfora que se salve). Achei o final bastante vago, mas o próprio livro assim o é, em muitos aspectos, por isso está coerente com o resto da história.

Fahrenheit 451 é, em parte, uma carta de amor à palavra escrita e ao livro. Nota-se o valor que o autor lhes dá naquilo que escreve; e apesar de todos os defeitos que lhe encontrei, achei esta uma história importante, e merecedora de uma oportunidade, pois tem alguns pontos de reflexão, e como leitora inveterada não posso deixar de ficar horrorizada com o futuro que pinta.

Título original: Fahrenheit 451 (1953)

Páginas: 200

Editora: Europa-América

Tradução: Teresa da Costa Pinto Pereira