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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Colecção Universo Marvel #10, #11 e #12: Vingadores, Dr. Estranho e Dr. Destino

Vingadores: Para Sempre Parte 1, Vingadores: Para Sempre Parte 2, Kurt Busiek, Roger Stern, Carlos Pacheco
Geralmente, e este caso em particular não fugiu à regra, tenho dificuldades em gostar destas "sagas" alargadas. 12 revistas dá para muita história, e do que tenho visto, nestas sagas isso corresponde a imensa palha, em que o grupo de heróis anda dum lado para o outro, a distribuir porrada mas sem propriamente rumo certo. Narrativamente, é muito difícil manter os olhos na bola numa coisa deste tamanho, e o resultado é ter engonhanço e imensas tangentes, que não contribuem para um todo mais coeso.

A minha falta de entusiasmo por esta história também pode passar por eu conhecer menos bem os Vingadores e as suas histórias. A premissa é que são reunidos Vingadores de várias épocas, o que é uma ideia intrigante, mas depois é difícil acompanhar os personagens, de onde vêm e para onde vão, quando não os conhecemos assim tão bem. A história pede que se conheça alguma backstory dos Vingadores, e se normalmente até lido bem com isso nos comics em geral, e não tenho dificuldade em acompanhar... aqui, o livro está tão cheio de referências, que ler com a consciência de que nos estão a passar ao lado não é propriamente animador.

Por outro lado, reconheço o esforço tremendo que terá sido incluir estas referências todas. Suponho que não é por acaso que os livros nesta colecção do Universo Marvel que têm pequenas notas a explicar as referências todas... são livros cujo argumento é do Kurt Busiek. Não sei se isto é uma "coisa" em mais livros dele, mas gabo-lhe a minuciosidade necessária para incluir tantos pequenos detalhes. Ignorando a parte em que é irritante ter tantos pormenores que desconheço, também é fascinante ver como ele os incorporou dedicadamente na história. (Sou capaz de ter morrido a rir, no entanto, quando reconheci no Rick Jones mais velho dois pormenores de fatos de heróis da rival DC:)

Creio que posso dizer que, apesar de tudo, a escolha dos personagens, os Vingadores que vêm de vários pontos do tempo, é interessante, ou pelo menos a lógica por trás dela (que, sim, nos é explicada mais no fim, quando um personagem discorre sobre o papel de cada Vingador na trama). É bastante divertida a dualidade Vespão/Gigante do Hank Pym, curioso ver o Capitão América mais inseguro (e no entanto, é a segunda vez que o vejo destruir uma pedra de poder imenso... bolas, ele tem mesmo queda para a coisa), e refrescante ver a Vespa tomar as rédeas e liderar a equipa. A Rouxinol e o Capitão Marvel não posso comentar, que não conheço, nem o Rick Jones (e por isso é difícil preocupar-me quando o objectivo do vilão é matá-lo); já o Gavião Arqueiro, encaixa com a ideia que tenho dele, apesar do uniforme dele ser a coisa mais ridícula que há.

Em termos de arte, são dois volumes visualmente impressionantes. Vejo porque é que o desenhador Carlos Pacheco é tão conhecido. Um traço detalhado, as vinhetas sempre cheias de pormenores. É qualquer coisa de se ver. O trabalho de cor é mais dinâmico que nas décadas anteriores, há mais nuance,o que me agrada, mas ainda temos chachadas como trocar a cor do cabelo a personagens. (Ou então, o Gavião levou uns pacotes de tinta para cabelo para o contínuo espaço-tempo, para poder mudar entre louro e moreno conforme estivesse para aí virado.)

Dr. Estranho e Dr. Destino: Triunfo e Tormento, Roger Stern, Gerry Conway, Bill Mantlo, Mike Mignola, Kevin Nowlan, Gene Colan
Este volume é singular, no sentido em que é um mix de várias histórias, sem uma ligação muito forte. Algumas têm em comum serem do Dr. Estranho, algumas têm em comum serem do Dr. Destino, algumas têm em comum serem desenhadas pelo Mike Mignola... mas isso não quer dizer que, à semelhança de um diagrama de Venn, haja sobreposição total entre todas.

A história titular, Triunfo e Tormento, é definitivamente a mais interessante. O início é um pouco fraco, porque é uma tangente que explica como o Dr. Destino consegue que o Dr. Estranho o ajude... e que podia ter sido resumida em poucas vinhetas, começando antes a história in media res. Mas assim que se vai desvendando para que é que o Dr. Destino precisa de ajuda, e porquê, a narrativa torna-se mais imediata e cativante.

Quem leva a narrativa aos ombros é mesmo o próprio Dr. Destino, uma narrativa trágica, que envolve uma tentativa de salvar a alma da mãe do Inferno uma vez por ano. Dá-lhe uma perspectiva diferente, que não a de vilão, e é uma boa ideia para explorar, porque o resultado é muito interessante. A personalidade do Dr. Destino ainda está lá, e a sua dualidade mantém-se ao longo da narrativa, mas é engraçado ver o Dr. Estranho confrontar-se com as ideias que tinha acerca dele.

A arte é muito boa, porque não só temos o Mike Mignola a desenhar, que nos traz umas cenas brutais no inferno; como o trabalho de cores é algo diferente, mais em estilo aguarela, e aprecio um tipo de trabalho diferente e bem executado quando o vejo.

As duas histórias seguintes têm como protagonistas o Dr. Estranho e o Dr. Destino, respectivamente. A primeira não tem muita consequência para Triunfo e Tormento, por isso a sua presença aqui é questionável, mas a segunda mostra uma das tentativas falhadas do Dr. Destino para salvar a mãe. Creio que até fazia mais sentido vir antes de Triunfo e Tormento, porque depois já não tem sentido vermos uma dessas tentativas falhadas.

As últimas duas histórias têm como protagonista o Namor e são desenhadas pelo Mike Mignola. Começo a achar que o Namor é mais interessante sozinho e em nome próprio, porque quando aparece noutras coisas, parece que é só para arranjar sarilhos a outros personagens, por isso mais valia estar quietinho. Mas são duas histórias curtas bem montadas, que exploram bem a premissa no pouco espaço que têm. Quanto ao Mike Mignola, estes não são bem os cenários que tenho visto dele, mas trabalha bem o mar e as ondas, gostei de ver.

domingo, 26 de agosto de 2012

Colecção Heróis Marvel #5, #6 e #7: Homem-Aranha e Os Vingadores

Homem-Aranha - A Morte dos Stacy reúne, como o título indica, as histórias que contam a morte do Capitão Stacy e da sua filha, Gwen Stacy - história que nunca havia lido, apesar de conhecer o conteúdo (é tão icónica que era preciso ser eremita para não a conhecer).

A história sobre o Capitão Stacy tem três partes e tem como vilão o Dr. Octopus (que consegue sair da prisão com uma premissa completamente ridícula); o Homem-Aranha enfrenta-o, mas tem dificuldades em derrotá-lo, e na confusão da batalha o Capitão Stacy dá a vida para salvar uma criança. Um ponto interessante da história são as palavras finais do Capitão Stacy para o Peter, que ressoam num diálogo semelhante presente no reboot filme recente do herói.

A segunda história do livro chama-se Morte e Destino e foi escrita e desenhada anos mais tarde. Descreve a perseguição implacável do Homem-Aranha ao Dr. Octopus, e em como o Peter encontra paz após os eventos da história anterior.

A terceira história cobre o momento trágico da morte da Gwen e as suas consequências. É um momento tão significativo na definição do Homem-Aranha que continua a ter histórias dedicadas a este ainda hoje. Percebe-se porquê. A Gwen é vítima da sua associação com o Peter, sem o saber, e de um acaso estúpido (e de uma coisa tão ridícula como a Física) - é o tipo de momento que muda tudo e não deixa voltar atrás. É bom que a incluírem-no num próximo filme do super-herói seja brilhantemente executado. Bónus para o momento em que o Homem-Aranha enfrenta o Duende Verde - o resultado final terá sido a inspiração para o primeiro filme da série.

Vingadores - Confiança Mundial é sobre um acontecimento misterioso, que "engoliu" as cidades capitais por todo o mundo. As Nações Unidas viram-se para a equipa de super-heróis e pede-lhe para liderar o mundo até a crise ser resolvida.

Confesso que não conheço muito dos Vingadores, a não ser talvez os membros mais proeminentes. Dos outros membros não conheço o suficiente para gostar, ou então conheço e tenho razões para não gostar. Mas a ideia de uma super-equipa de super-heróis, capacitada para lidar com ameaças muito fora do normal, é cativante. E a noção de todo o mundo recorrer e confiar neles é bem interessante. Há neste volume uma segunda história, sobre o Visão, um dos membros dos Vingadores, e a sua génese.

Vingadores - Zona Vermelha agradou-me muito porque é uma saga que ocupa todo o livro, sem ser necessário preencher o livro com mais alguma história, e que me soube a mais completa. Depois dos acontecimentos de Confiança Mundial, mansão dos Vingadores é reconhecida como território soberano e os super-heróis como diplomatas.

Curiosamente, a primeira crise que têm de enfrentar ocorre em território americano e põe à prova cada membro da equipa, enquanto se debatem com uma "praga" vermelha que alastra rapidamente e mata todos os que entram em contacto com a mesma. O fantasma das armas biológicas é explorado nesta história, com direito a um inimigo antigo da equipa no papel de terrorista. Bónus: uma aparição do presidente dos EUA à data (Bush).