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domingo, 6 de março de 2016

Curtas: Super-Heróis DC, vols. 1 a 4

Liga da Justiça: Origem, Geoff Johns, Jim Lee
Bem, isto é suposto ser uma história de origem. Não estou convencida. Apesar de não estar muito familiarizada com o mundo DC, depois de ler isto, fiquei com a sensação que uma história de origem não era o que precisava como introdução a estes personagens. Ou pelo menos, não era esta história de origem que precisava.

Não sei, soou-me tudo tão... falso? Faltou-lhe ter a junção dos personagens duma forma orgânica, soou algo forçado. Parecem um bando de putos imberbes, e tendo em conta que estes personagens têm uma fama quase equivalente a deuses, é algo... desapontador?

É claro que há pontos interessantes, e achei que os momentos de humor estavam até engraçaditos; toda a gente espantadíssima por o Batman ser só um tipo num fato, ou as trocas verbais entre o Flash e o Lanterna Verde, ou o confronto entre o Flash e o Super-Homem, ou até a aparição do Aquaman, que acaba por entrar a matar.

Depois o enredo não ajuda, porque não é nada rico, é bastante básico, até, simplesmente "vamos dar porrada a estes tipos até termos a sorte de salvar o mundo", e não acho que mostre as forças dos personagens. Vá lá, a Mulher Maravilha parece uma tolinha. Consigo aceitar que ela nunca tivesse sido exposta ao nosso mundo, e um maravilhamento bem escrito era adequado, mas aqui? Errr mas vocês querem matar-me a vontade de ler a Mulher Maravilha, é isso? Missão cumprida. Bem, nem por isso, que eu sou teimosa e não deixo que parvoíces destas me estraguem as coisas.

Super-Homem: Contra o Mundo, Grant Morrison, Rags Morales
É certamente uma leitura curiosa do Super-Homem. Raramente tenho dado por mim a ler o personagem, porque sinto que um tipo perfeito e maravilhoso e fantástico não é assim tão interessante; e ainda mais raro é dizer que gostei genuinamente duma história do personagem. Aqui não chegou bem a esse patamar, mas diverti-me, o que já é mais do que possa dizer da maior parte das coisas com ele.

Assim é que se faz uma história de origem: tem que trazer algo de novo, soar a fresca, original, mesmo quando está a repetir os mesmos temas pela enésima vez. Aqui o Clark ainda está a aprender a usar os seus poderes, não voa, é atropelado por um comboio e fica inconsciente; e a sua atitude de justiceiro, de tentar corrigir os males do seu mundo (Metropolis) é muito adequada, soa perfeitamente natural para um jovem idealista que acabou de começar a trabalhar na grande cidade.

Só me queixo que a história de vez em quando dá uns saltos de lógica; não tenho nada contra uma narrativa fragmentada, mas detesto transições abruptas, e às vezes a edição das cenas soa mesmo assim, como se estivéssemos a saltar indiscriminadamente entre momentos da história. Não há fio condutor.

Ah, e alguém me explica duas coisas: um, porque é que saltámos dois números da revista, e se a história desses dois números é importante ou não (vi menções à história deles nas opiniões do GR e fiquei curiosa e a tentar apanhar do ar); dois, esses dois números tinham como artista o Andy Kubert, realmente, mas se não estão presentes no livro, e ele não participa em mais nenhum, ou seja, em nenhum dos que estão de facto no livro, porque raios é que o nome dele aparece na capa?

Batman: Corte das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Batman: Cidade das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Já falei aqui do primeiro volume destes dois, e o que eu disse mantém-se. Gosto da mitologia desenvolvida nestas histórias, é um golpe de génio que aproveita muito bem a simbologia do morcego e da coruja. Gosto que o Batman esteja assoberbado com as intrigas e tramas que a Corte é capaz de desenvolver. Gosto do mistério envolvido na história de Gotham.

O que o segundo volume traz é a conclusão da história, e é impressionante o Batman tentar dar a volta, há uma cena fantástica com os Talons, os assassinos, na Batcaverna, é fantástico vê-lo dar a volta aos poucos. Senti que a história acabou demasiado cedo; bem queria ler mais do que a Corte andou a tramar (parece que há um volume/histórias extra distribuídas pelas revistas da Batfamília). E adivinhei um bom bocado antes a identidade do vilão.

Contudo, achei bastante sólida a motivação dele, e como se entrelaça com a história pessoal do Bruce. Gostei da dúvida que fica. Gostei das histórias extra, especialmente a última, com o pai do Alfred, que entrelaça as Corujas um pouco mais cedo na vida do Bruce do que ele pensa.

Gostei de quão sólida esta história me soa. É tão boa, tem uma qualidade que a faz soar a um clássico do Batman. Encaixa tão bem na sua história, tão perfeitamente. Não consigo explicar bem, mas tem aquela coisa extra que me faz pensar que podemos andar daqui a 20 anos ainda a falar dela, como se anda a falar de certas histórias do Batman que têm 20 anos agora. Gosto de ler uma história e ela me cair no goto tão sem esforço; creio que essas são as que estão melhor construídas (e que têm mais esforço por trás).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Curtas: Batman 75th Anniversary Box Set

Batman: The Dark Knight Returns, Frank Miller, Klaus Janson, Lynn Varley
Esta história é mais velha que eu, o que quer dizer que o Batman presente na cultura popular a que fui exposta toda a minha vida é largamente determinado por esta interpretação. Cheguei a ver alguns episódios da série dos anos 60, que era engraçada, mas o Batman com que estou familiarizada é bem mais taciturno.

Portanto, consigo ver como esta história foi impressionante no seu tempo, e consigo apreciar isso, mas não é algo que me deixe surpresa. O Batman volta num momento complicado para a cidade de Gotham, cheia de violência e de vilões à solta; mas a sua aparição também provoca o despertar de vilões como o Joker - por isso coloca-se a questão se o Batman surge por causa dos vilões, ou são os vilões que surgem por causa dele.

Acho fascinante a relação que estabelece entre o Batman e o Bruce Wayne, a relação de dependência, e a maneira como um parece provocar uma desevolução no outro. Também gostei de ler sobre o que era sugerido sobre este futuro, tanto a nível político como o estado de coisas na vida do Batman. É mencionado que um dos Robins morreu, Jason Todd, o que se torna interessante por ser uma coisa que veio a acontecer mais tarde na continuidade normal, marcando o percurso do Batman.

Algo curioso na história é o modo como integra na narrativa principal a cobertura noticiária dos acontecimentos, tanto em Gotham, como fora dela, no país. Acaba por ser uma crítica à postura dos media e também ao momento político que se vivia na altura, ainda na Guerra Fria, e apesar de afastar um pouco da história principal acaba por ser de certo modo um seu reflexo e um seu complemento, por isso gostei de acompanhar.

Não sou fã do tratamento das mulheres na história, porque às vezes parece que ninguém nos comics sabe escrever uma personagem tridimensional que seja mulher, só sabem recorrer ao cliché, e aqui não se fugiu a isso. A Selina Kyle foi reduzida a uma madame mal vestida e mal maquilhada e histérica (estão a dizer-me que a maior ladra do universo DC ficou reduzida a isto?), a nova comissária Yindel não é suficientemente desenvolvida para dar uma boa ideia da pessoa que é, e...

A Carrie Kelley. A Carrie é uma jovem que fica inspirada pelo Batman e assume o uniforme do Robin, tentando fazer a diferença, e acabando por ajudar o Batman numa situação complicada. Por um lado, gosto dela, do impulso puro que a impele a tentar ajudar num mundo cada vez mais perigoso, e gosto de como é engenhosa e consegue ajudar o Batman. Por outro, é questionável a sanidade do Bruce em aceitar uma sidekick não treinada, e preocupo-me em como esta loucura vai afectá-la.

A parte final do livro tem um conflito entre dois velhos amigos em lados diferentes da questão, reflectindo como os dois personagens são dois opostos, e honestamente não pensei que veria tanto do Super-Homem durante o livro. O papel dele neste futuro é tão distorcido quanto o do Batman, apenas duma maneira diferente, o que também é uma base para reflexão.

A arte torna-se interessante especialmente por duas coisas: a divisão frequente da prancha em muitas vinhetas, que me obrigou a esforçar visualmente, o que é uma coisa boa, e o trabalho de cor, em estilo aguarela, que muda ao longo dos capítulos confome a história, e dá um ar delicado a uma trama que é bem mais pesada.

Enfim, é uma história bem negra, muito pessimista, e tem bastante pontos de interesse, algumas observações certeiras, porventura, mas por outro lado também não me convenceu completamente. Não pretendo conhecer o personagem a fundo, mas algumas coisas não encaixaram bem com outras interpretações do Batman mais, er, canónicas. Enfim, os comics são feitos disto, diferentes interpretações, e se me esquecer disso acaba por ser uma boa história.

Batman: The Court of Owls, Scott Snyder, Greg Capullo, Jonathan Glapion
Este foi uma boa surpresa. O Batman está no seu elemento, a investigar um mistério que se desenrola em Gotham, e isso foi grande parte do que me cativou, usar uma caracterização clássica do personagem, ao mesmo tempo que é empurrado para um mistério que o desafia, talvez maior que as suas capacidades, e que o fazem sair da zona de conforto.

Adorei a ideia da Corte de Corujas, a Court of Owls, tanto pela imagem usada, a da coruja, que é um animal com uma simbologia muito particular, tal como o morcego. A coruja é em algumas culturas associada ao azar, à morte, e certas espécies de corujas são mesmo predadoras de morcegos, por isso é uma simbologia fabulosa para usar numa história do Batman. Além disso, as máscaras dos membros da Corte são ao estilo de uma família específica de corujas com um ar arrepiante, o que só aumenta a atmosfera ameaçadora que evocam.

Por outro lado, é fascinante ver o Batman em sarilhos, fora da zona de conforto, a confrontar-se com algo que não conhecia sobre Gotham, algo que esteve sempre debaixo do nariz dele, e que se conseguiu esconder das suas capacidades detectivescas. Toda a coisa tem um ar de teoria da conspiração, de segredos escondidos ao longo da história de Gotham, e foi delicioso de desvendar. Contudo, também apreciei ver o lado Bruce Wayne, como foi incorporado na narrativa e o peso que nela teve.

No geral gostei da arte, as pranchas têm por vezes um planeamento dinâmico, e o traço agrada-me; o que gostaria de destacar, contudo, é uma parte da história em que o Batman fica à mercê da Corte e se vê à beira de perder o rumo e a sanidade, o que no desenho se traduz por um posicionamento da prancha... inusitado. Contribui para trocar as voltas ao leitor e colocá-lo um bocadinho na posição do personagem. Aliás, toda essa parte da narrativa é tão boa de acompanhar.

Batman: Hush, Jeph Loeb, Jim Lee, Scott Williams
Esta é uma história de que gostei por uma razão semelhante à anterior: desafia o Batman, apenas duma forma diferente. Um inimigo misterioso manobra uma série de circunstâncias e faz o protagonista seguir de pista em pista, descobrindo que amigos e inimigos são marionetas neste esquema obscuro.

Apesar de ser uma história longa, conseguiu manter o meu interesse ao longo dos doze números sem problema, revelando aos poucos algo mais da trama, mostrando como o inimigo de identidade desconhecida manobrou os personagens relacionados com o mundo Batman.

Um dos pontos altos é, portanto, o elenco de personagens, o modo como os vilões e aliados do Batman se sucedem, e parte da piada é reconhecê-los e contá-los entre as aparições na história. Isso, e chegar à conclusão que conseguia reconhecer à partida muitos deles.

Entre todas os momentos da narrativa, destacaria a aparição duma pessoa que se pensava morta nesta altura, cujo percurso marcou o Batman e é capaz de o destabilizar; a ida do Batman a Metropolis; a aparição do Joker, que uma vez na vida nem sequer é responsável pelo que é acusado; e o papel da Catwoman na trama - é superestranho ver o Batman tão apanhadinho por causa dela, mas bem divertido também. (É claro que dá vontade de lhe dar um par de carolos pelo que faz no fim... ao Batman, quero dizer.)

Consigo acreditar no Batman meio distraído pela paixoneta pela Catwoman, andando dum lado para o outro sem chegar mais perto da identidade do inimigo... até certo ponto. A parte inicial da história envolve ele ir-se pendurando pelos prédios e alguém cortar-lhe a corda, caindo do prédio e espatifando-se todo... estão-me a dizer que o homem que planeia para tudo e mais alguma coisa nunca planeou para se proteger duma possível queda dum prédio em que não tivesse maneira de se pendurar em lado nenhum? Parece-me bizarro, tendo em conta o tempo que ele passa a trepar pelos telhados de Gotham.

Quanto ao inimigo misterioso, consegui adivinhar previamente um dos envolvidos; mas o outro, o puppet master, digamos, manteve-se no escuro. Talvez porque nunca são dadas propriamente pistas para o seu envolvimento, e porque está a fazer isto - só uma conversa com o Batman no final nos esclarece isso. Talvez por essa razão os seus motivos me pareçam fracamente delineados - se tivéssemos o livro todo para os explorarmos, isso não aconteceria. Mas posso acrescentar que foi muito esperto o vilão principal introduzir-se no enredo e parecer que é só mais um dos conhecidos do Batman a ser arrastado para a trama.

Bem, pelo menos o que parecia um livro longo acabou por se revelar rápido de devorar, cativante, e capaz de entreter, para além de juntar num só livro tantos dos personagens da família e do mundo Batman, e só por isso já valeria a pena explorá-lo.

domingo, 11 de agosto de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 3 e 4

Super-Homem: Pelo Amanhã 1, Brian Azzarello, Jim Lee
Super-Homem: Pelo Amanhã 2, Brian Azzarello, Jim Lee
Esta é uma história interessante, em teoria, mas depois a execução não é assim tão boa. Achei a evolução do enredo meio confusa, há coisas que são varridas para baixo do tapete sem serem resolvidas, e toda a história me deu a sensação de não estar a ler a história toda, como se estivessem a acontecer coisas por trás da cortina, ou houvessem coisas que devia saber e não sei. O que não é incomum em comics americanos, que se baseiam na continuidade, mas isso nunca me incomodou antes, e nunca tive dificuldade em seguir uma história por causa disso. Até agora.

São os dilemas éticos e morais postos ao personagem do Super-Homem que salvam a história e lhe conferem interesse. As conversas com o padre, a questão de ser um alienígena no nosso mundo, a sua posição de salvador, o direito que lhe dá ou não de interferir na auto-determinação de um país... Como disse, em teoria, cativante. É pena que seja apresentado de forma tão pouco clara.

Gostei da arte. É mais tradicional do que a arte nos dois volumes anteriores, mas o desenho é bom e apelativo. (Se bem que dei por mim a revirar os olhos com a maneira como a Lois Lane estava vestida. A sério, ninguém vai apanhar fruta vestida daquela maneira.)

Em suma, acho que esperava mais, especialmente duma história que ocupa dois volumes da colecção. Não me conseguiu satisfazer completamente, falhando principalmente no argumento e na evolução do enredo. No entanto tem uma curiosidade engraçada - o escritor Filipe Faria traduziu ambos os volumes e escreveu o editorial do primeiro.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Colecção Heróis Marvel #10 e #11: Justiceiro e X-Men

Justiceiro – Diário de Guerra, traz-nos outro “herói” com o qual estou pouco familiarizada, à parte aparições em revistas ou desenhos animados de outros heróis Marvel (Homem-Aranha, p.ex. – e reparei no outro dia, na milionésima vez que vi o Coyote Ugly, que o comic que o Kevin compra é o número 129 do Homem-Aranha, “a primeira aparição do Justiceiro”). Frank Castle tem um código moral particular, depois do que aconteceu com a sua família, e neste volume seguimos as primeiras aventuras de uma nova revista com o seu nome. 

A primeira história conquistou-me, pois evoca os assassinatos da família de Castle numa tira no final de cada prancha, intercalando com a história principal, que resolve uma ponta solta dos eventos. A segunda história, que evoca o passado do personagem no Vietname, também me suscitou curiosidade, pois tem acção, mistério e violência combinados num final explosivo. Já a terceira história dispensava – a minha reacção foi: “er... dinossauros? WTF?” – foi a única maneira que conseguiram divisar para juntar o Wolverine e o Justiceiro? A quarta história... bem, tem um final, mas também é claramente parte de um arco maior (que tinha vindo a ser preparado ao longo da histórias anteriores), por isso era desnecessário ter sido incluída...

Um bom volume, que cumpre a sua missão de apresentar um personagem que desconhecia quase por completo. A violência que sei que está envolvida nos métodos de Frank Castle deixa-me desconfortável, mas ao mesmo tempo descontente, já que os editores tentam evitar colocar ou mostrar o personagem numa posição de cometer um assassinato. Achei curioso que ele se apoie tanto no Microchip, um nerd da informática, para os seus casos. Gostei da arte do Jim Lee, é bem mais elaborada e completa do que já tenho visto noutros volumes da colecção cujas histórias foram publicadas na mesma época. Até a coloração é mais complexa e interessante. 

X-Men – Graduação reúne os últimos números da primeira fase dos X-Men, quando as vendas estavam em declínio e levaram ao cancelamento do título. (Ao que parece, entre 1970 e 1975 a Marvel fez reedições de números antigos dos X-Men. Engraçado pensar que alguns dos super-heróis mais visíveis da Marvel, e dos meus favoritos, tiveram uma época tão baixa na preferência do público.) No entanto, creio que as histórias não são de pior qualidade por causa disso – algumas são muito interessantes, mesmo.

Há uma coisa curiosa nas histórias presentes, que é terem arcos de história auto-contidos, mas ao mesmo tempo há ligação entre os episódios, pois um evento de um afecta directamente o desenrolar do seguinte. Gostei da história com os Sentinelas (apesar de serem os, hm, vilões mais sobre-usados de todo o sempre), pela ironia que o fim trouxe; da aparição do Solaris, pela argumentação que ele usava para os seus actos; e da história com os invasores extraterrestres, pela maneira como foram dispensados.

A arte... bem, dispensava os fatos com aquelas cores horríveis do Fera e do Anjo (este muda para umas cores mais sóbrias a meio, felizmente). Achei alguns efeitos muito curiosos, e gostei do traço.