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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 32 a 34

Homem-Aranha: Azul, Jeph Loeb, Tim Sale
Hmmm. Esta acabou por ser revelar uma história e uma narração interessantes. Não tem exactamente princípio nem fim; é um recontar de histórias do Homem-Aranha de tempos antigos - o Peter cruza-se com alguns dos seus típicos inimigos, como o Duende Verde, o Lagarto ou o Rino. E nos entretantos, a narrativa mostra pedaços do dia-a-dia do Peter, com a tia May ou com o grupo de amigos que inclui o Harry Osborn, o Flash Thompson, ou as verdadeiras bombas que são a Gwen Stacy ou a Mary Jane Watson.

Acho que apreciei a narrativa pela sua simplicidade - a vida do Peter era definitivamente menos complexa e dramática; tudo o que o preocupava, para além dos vilões típicos, era estar dividido entre as atenções de duas moças giras. Apreciei a descrição dos momentos passados entre amigos, e gostei da caracterização da jovens; deu para vislumbrar uma personalidade forte e o porquê de se interessarem pelo Peter.

A arte é bastante boa; com um estilo clássico e simples, mas mesmo cativante. Gostei de como as meninas foram apresentadas, mas também gostei da expressividade do traço. O final é melancólico, mas gostei que relembrasse que não foi só o Peter a ser afectado pela tragédia da Gwen.

Thor: O Último Viking, Walter Simonson
Para uma colecção de histórias clássicas, acabei a divertir-me muito. Normalmente estas são muito soltas e não tendo um fio condutor, colectando narrativas curtas; mas esta compensa isto e muito. Creio que a "culpa" é do autor: pareceu-me fantástico como argumentista. Conseguiu cativar-me e interessar-me pelos personagens em foco no livro (Beta-Ray Bill e o titular Último Viking) e pelas suas histórias.

Em adição, consegue captar bem um certo tom que é perfeito para narrar as aventuras de um deus nórdico. Há muitos elementos conhecidos da mitologia do Thor da Marvel e muitos elementos da mitologia nórdica, e algumas pequenas surpresas e coisas giras.

A arte é mais cativante graças à recoloração, que é dinâmica e mais moderna, mas o próprio traço em si é complexo e dinâmico e capaz de captar o olhar do leitor. Em suma, uma boa surpresa.

Vingadores: Primordial, Brian Michael Bendis, Alan Davis
Ok, a história em si é um pouco básica, mas é divertida. A premissa é que decorre algum tempo depois da Guerra Civil e logo após o evento Cerco nos comics: o Tony Stark e o Steve Rogers ainda estão amuados um com o outro e continuam a discutir quando têm oportunidade; por sua vez, o Thor está mesmo, mesmo, mesmo farto de os ouvir. (Pobrezinho. Nós também, querido.)

Entra em cena um evento cataclísmico que altera a maneira como os reinos da mitologia nórdica se relacionam, e os três são arrastados para um cenário de fantasia épica que os obriga a procurar uma solução para o desalinhamento do universo como o conhecem.

Huh. É isto que os super-heróis fazem quando precisam de terapia de casal, então? Porque a história é escrita com algum sentido de humor; o Steve dentro de meia hora após aterrar num local estranho, já arranjou uma armadura e um escudo, e conseguiu encantar um elfa negra jeitosa; o Tony por sua vez acaba por se meter em apuros e tem de ser salvo pelo Steve.

Já o Thor está em apuros mas sai deles sozinho, e faz por descobrir quem está por trás de tudo, enquanto os outros dois estão a resolver os seus problemas. E pronto, as coisas terminam bem e os Vingadores voltarão ao seu estado natural. Pelo menos já ninguém tem de aturar mais discussões.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Colecção Universo Marvel #16 e #17: X-Women, Hulk

X-Women: Mulheres da Marvel, Chris Claremont, Marjorie Liu, Stuart Moore, Kelly Sue DeConnick, Milo Manara, Filipe Andrade, Nuno Plati, Mark Brooks, Ryan Stegman
X-Women: Mulheres da Marvel usa o título de uma compilação existente (X-Women) com edição nos Estados Unidos, no entanto a edição original circunscrevia-se apenas a mulheres dos X-Men (tinha revistas dedicadas à X-23, a Cloak and Dagger, à Dazzler, e o titular X-Women), e daí o título ser X-Women; esta edição troca a revista da Dazzler por uma da Sif, o que acaba por invalidar um bocado este título. Ao que sei, são todas one-shot, com excepção da revista da X-23, que iniciou uma série dedicada a ela.

X-Women tem argumento de Chris Claremont, mítico argumentista dos X-Men, com desenho de Milo Manara, artista mais conhecido no meio europeu. A história acaba por ser mais uma desculpa para haver uma colaboração entre Manara e a Marvel, porque não é nada de especial, não sendo propriamente credível que meia dúzia de X-Men com aquele calibre se metessem tão facilmente em tal buraco e tivessem tanta dificuldade para sair dele. Quanto ao desenho de Manara, é o seu estilo habitual, caminhando entre o erótico que celebra o corpo feminino e o gratuito que me faz revirar os olhos.

É sem dúvida um estilo interessante, mas torço o nariz ao modo como desenha as caras, que me parecem todas iguais, e ao pontapé que dá nas proporções ao desenhar certas poses. Enfim... as capas reunidas no final do volume são as que desenhou para várias revistas Marvel, e o estilo pin-up é engraçado, mas as proporções voltam a ser esquisitas de vez em quando, e uma ou outra pose dão-me um nó ao cérebro de tentar perceber a sua exequibilidade... bem, ao menos não meteram a infame capa da Mulher-Aranha.

A história da X-23 é bem gira de acompanhar, mas suponho que faça mais sentido se conhecermos melhor o passado dela, particularmente no que toca às sequências de sonhos. Pelo menos, ajudou-me ir à Wikipedia e reler o artigo dela. Mas gosto bastante da X-23, acho que é uma personagem com um potencial enorme, e com uma história e uma personalidade interessantes. A releitura funcionou melhor. O desenho está a cargo de dois portugueses, Nuno Plati e Filipe Andrade, o primeiro para os pensamentos/sonhos, o segundo para a vida real. Gostei bastante do estilo que Nuno Plati deu ao pensamento interior da X-23; no caso de Filipe Andrade, até gosto do desenho, mas algo na coloração ou no sombreado não me convence.

A história de Cloak and Dagger, Adaga e Manto, é bastante boa a apresentar o par, e deixou-me curiosa sobre eles. Têm uma relação intrigante e apreciei que a narrativa a explorasse enquanto mudava o seu status quo no universo Marvel. Até tenho pena que não estejam mais associados aos X-Men, porque senão eu já tinha reparado neles. Gostei da arte e da cor, têm uma qualidade meio brilhante engraçada.

A história da Sif aborda o como é que ela lida com algo que lhe aconteceu anteriormente à narrativa, que fica subentendido com algumas vinhetas. O editorial deste volume menciona que é algo que acontece em Thor: Renascido, o que não me parece ser completamente correcto, já que não é bem assim que me recordo da história do mesmo - deduzo é que é algo que é revelado e tornado explícito depois deste volume, mas que já é introduzido nele. A acção principal não é nada de especial, mas faz bem o seu trabalho, que é estabelecer o estado psicológico da Sif depois desse momento, e permitir-lhe resolver os seus problemas. A arte é engraçadita, tem por vezes um estilo cartoonesco, e por isso gostei de ver.

Hulk: Cinzento, Jeph Loeb, Tim Sale
Hulk: Cinzento funciona como história de origem e como exploração do personagem. Sou a primeira pessoa a reconhecer que o Hulk como personagem e super-herói (?) não faz grande coisa por mim. Simplesmente nunca me identifiquei com o tipo de personagem. Mas apreciei a abordagem feita aqui, porque dá para compreendê-lo um bocadinho melhor, e ao modo como funciona, e como o seu passado o define.

A arte merece ser observada, porque são tomadas algumas opções bem giras de ver... é fascinante como as páginas têm sempre poucas vinhetas, sempre largas, por vezes uma vinheta por página, ou até por duas páginas. Dá um certo dinamismo à história, uma certa sensação de liberdade. A única coisa que não gosto tanto é o traço ocasionalmente muito carregado. Além disso, aprecio o trabalho de cor, que por exemplo no início e no fim trabalha tão bem o preto e branco e cinzento, com ligeiros apontamentos de cor.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 6, 7 e 8

Liga da Justiça e Sociedade da Justiça: Virtude e Vício, Geoff Johns, Stephen Sadowski, David Goyer, Carlos Pacheco, Don Kramer
Este volume reúne um conjunto de três histórias que aborda a reunião de duas equipas de super-heróis da DC, a Liga da Justiça (JLA) e a Sociedade da Justiça (JSA). A primeira história funciona como uma espécie de prequela à história principal, Virtude e Vício, estabelecendo o conflito nessa história, mas acaba por não ser muito necessária para o efeito, na minha opinião. Talvez fosse mais útil para quem segue frequentemente os comics e os personagens. Apesar disso, tem alguns momentos giros, como o jogo de hóquei, em que o Homem-Hora estraga o final aos companheiros, ou a conversa entre a Poderosa, a Sideral e a Mulher-Maravilha sobre o Super-Homem.

A segunda história, Virtude e Vício, tem uma premissa muito engraçada. Os heróis das duas equipas estão reunidos para o dia de Acção de Graças, quando um ataque à Casa Branca e ao presidente (Lex Luthor, o que é uma ideia interessante) leva a que sete dos heróis sejam possuídos pelos demónios dos sete pecados mortais. Gostei da premissa, mas gostaria ainda mais se as características dos demónios e dos pecados fossem mais e melhor exploradas. Teria sido divertido ver os heróis dominados pelos pecados e a encarná-los verdadeiramente. O modo como se mostra quais são os pecados que eles representam é mais show que tell. Ainda assim, é uma história divertida, que como bónus permite ver mais um bocadinho de alguns personagens que já conhecia.

A terceira história, Virtude, Vício e Tarte de Abóbora, pega na mesma premissa (heróis reunidos durante a Acção de Graças), e sendo mais curtinha, explora adequadamente aquilo a que se propõe: sarilhos quando os heróis se reúnem (o Batman é que tinha razão). Foi divertido ver os vilões irromper no meio do jantar e ficarem surpreendidos com a quantidade de gente que afinal tinham de enfrentar. Além disso, as rivalidades e piadinhas trocadas entre heróis também são engraçadas de ler.

Super-Homem: Herança Vermelha, Mark Millar, Dave Johnson
Esta história é qualquer coisa de genial. Adoro a premissa de o Super-Homem aterrar na meio da URSS, em vez de nos EUA. (Não é coisa que não me tivesse passado já pela cabeça, o Super-Homem ter crescido e sido educado noutro local que não os EUA.)

E a execução é muitíssimo interessante. Gostei imenso de ver como a historia ao longo do século XX acabou por evoluir com esta pequena alteração, como uma coisa tão simples tem um impacto tão grande. Acho interessantíssima a inversão de papéis entre o Kennedy e o Nixon, e como os autores usaram a situação em Roswell para criar a história de origem de outro herói da DC. (O Hal Jordan é um pouco assustador aqui, depois do que sabemos que lhe aconteceu para o tornar merecedor do anel do Lanterna Verde.)

Há coisas que não mudam, no entanto. O Super-Homem continua a tentar fazer o bem, e ajudar quem pode, e os seus motivos são relativamente bons. (Não quer ganhar o mundo pela força, por exemplo.) Mas acaba por deixar-se ser um pouco uma marioneta do mundo em que se insere, deixar-se corromper absolutamente pelo poder absoluto que lhe é colocado nas mãos. É um ponto de vista interessante sobre o personagem.

Há outros personagens que têm uma vida completamente diferente, graças a esta mudança de eventos. A Lois está casada com o Lex Luthor. O Jimmy Olsen é um agente ao serviço da CIA que acaba a trabalhar com o Lex. E o próprio é um cientista obcecado com as suas invenções e com derrotar o Super-Homem (bem, aqui, nada de novo).

Adorei o fim da história. Acaba por ter uma qualidade cíclica intrigante, e fiquei fascinada com a evolução do planeta após a saída de cena do Super-Homem.

Batman: Contos do Batman, Tim Sale, James Robinson, Alan Grant, Darwyn Cooke
Li este volume com uma certa sensação de cansaço. A este ponto da colecção, já se torna aborrecido ler o milionésimo volume do Batman. Parece hilariante, mas sim, as escolhas dos responsáveis da colecção tornaram-me o Batman aborrecido. O Batman! *facepalm*

Continuo a queixar-me da falta da variedade da colecção, parece que quase metade dos livros é só Batman e Super-Homem, e valha-me Deus, estou a ficar enjoada dos dois. Acho que não precisávamos duma extensão da colecção se era só para enfiar mais Batman e Super-Homem. A Mulher-Maravilha, supostamente a terceira figura mais destacada da DC, a seguir a estes dois, só tem direito a um livro, o que na minha opinião é injusto. Por favor, quando até o Joker teve direito a um volume!

Muitos poucos heróis da DC, fora o núcleo/duo central, têm destaque e direito a volume próprio, e gostava de ter lido qualquer coisa com o Aquaman, porque nada sei dele a não ser o que vi no Justiça. Talvez também o Martian Manhunter. Ou a Catwoman, também acho que merecia um volume, já que o Joker mereceu, porque tem tanto ou mais protagonismo que ele. E também gostava muito de ver o Capitão Marvel e a sua, hã, família esclarecidos num volume próprio, porque a dinâmica daquela equipa é um pouco confusa para mim. E gostava que a Canário Negro, ou talvez as Birds of Prey, tivessem tido direito a um volume, acho que teria sido interessante de ler.

Bem, vou parar de me queixar. Mas lá que não li este volume com a mesma vontade, não li, que tanta repetição (até já tivemos um volume com "contos" do Batman na série I desta colecção, o Outros Mundos) já chega.

A primeira história, Lâminas, conta duas histórias em paralelo. O que narrativamente não faz muito sentido, porque acaba por desviar a atenção do Batman do que realmente importa, e os dois enredos nem sequer estão ligados, a não ser pelo próprio Batman. Mas se pensar nas duas histórias em separado, encontro bastantes coisas que me agradam. A obsessão do Batman pelo criminoso Sr. Lime, e de como ela quase o impede de descobrir quem anda a cometer os crimes. A teatralidade do Cavaleiro e as referências a filmes, o seu cavalheirismo e a sua necessidade de proteger uma jovem desesperada. (Fez-me lamentar o final, apresar de compreender a opção tomada.)

A segunda história, Os Marginais, é aquela que me deixou mais indiferente. Os vilões são de segunda categoria, pouco reconhecíveis. (Acho que não conhecia nenhum.) O que mais me interessou aqui na história foi o rapto do Bruce, com o Gordon e o Mayor, que o impediu de vestir o manto do Batman, e foi a história do Nimrod, que estava apenas à procura de justiça.

A terceira história, aMor Cego é muito curta mas muito satisfatória, e bem divertida. (Pontos bónus para o título, que consegue exprimir um trocadilho tão bem como o título original, apesar de não ser uma tradução literal ou fiel do título.) O Batman e a Catwoman enfrentam-se, mas em certos momentos parece mais um encontro que outra coisa. E acho piada ao modo como a Catwoman lida com o Batman, especialmente no final. Muito engraçada.