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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Curtas BD: She-Hulk, Spider-Gwen, Batgirl, Ms. Marvel

She-Hulk v.2: Disorderly Conduct, Charles Soule, Javier Pulido
É um pouco triste que esta série tenha acabado depois deste volume. Não era a melhor coisa depois da invenção da roda (esse lugar está reservado para a Kamala Khan, a nova Ms. Marvel), mas era bastante divertido, com muitos pontos altos, e potencial para mais e melhor.

Neste volume, a primeira história lida com um par de cientistas que inventou uma tecnologia de diminuir, o que pede uma participação especial do especialista de serviço do universo Marvel na matéria, o Hank Pym. Acho uma ideia genial, a do edifício onde a Jen trabalha, e encontra estes clientes - um edifício para pessoas com poderes trabalharem, o que dá pano para mangas para contar histórias.

A segunda história envolve o Capitão América, ou talvez deva dizer ex; o Steve Rogers envelheceu para a idade que devia ter hoje se não fosse o supersoro de soldado e a coisa de ter estado congelado durante tanto tempo. Assumo que é por isso que outro personagem tomou o manto de Capitão América por estes dias, e até estou curiosa para ver como é que isso aconteceu, e as consequências que teve. Porque as pessoas parecem continuar a agir completamente fascinadas nas interacções com ele, por ser tão carismático e tal, com o bónus adicional de ser um velhinho de 90 anos adorável.

A história é cativante o suficiente, porque mete uma acusação contra o Steve sobre uma morte nos anos 40 pela qual ele poderá ser responsável; qualquer coisa que possa manchar a reputação do personagem é marginalmente interessante, e a batalha legal que decorre opõe a Jennifer a, adivinhe-se lá, Matt Murdock, o Daredevil. Todas as reviravoltas no tribunal se mostram engraçadas de acompanhar, lembrando bem um episódio de uma série de advogados. Talvez por experiência própria, o argumentista capta bem esse espírito.

Só me queixo que era óbvio que o Capitão ia sair inocente da coisa. Vá lá, é tipo um deus para o universo Marvel. Nada de mau lhe podia acontecer. O que torna a coisa um pouco mais aborrecida. Isso e o fim, porque a revelação do vilão por trás de tudo e a maneira como se lida com ele acontecem de maneira tão rápida e repentina, que não há clímax na história.

A história final lida com o tal ficheiro azul que tem estado mais ou menos ausente, mas que continua a ser muito misterioso. É um bocado óbvio que decidiram lidar com ela depois do título ser cancelado e antes que acabasse de ser publicado, porque é tudo resolvido um pouco à pressa e com muita conversa e info-dump à mistura... a história por trás até é interessante, e soaria tão bem se tivesse espaço suficiente para ser explorada, o que é pena.

A última nota que tenho é para a arte do Javier Pulido, que eu estranhava no início, e até já se me entranhou. Gosto de como desenha a acção, e tem um certo dinamismo que me agrada. O planeamento das vinhetas nas duplas páginas é que é estranho, porque às vezes é para ler da esquerda para a direita nas duas páginas, e às vezes... não. Primeiro uma página, depois a outra. E frequentemente não é claro qual dos dois casos é.

Spider-Gwen v.0: Most Wanted?, Jason Latour, Robbi Rodriguez
Hmmm. Gosto muito do conceito desta história: um mundo alternativo em que é a Gwen Stacy que é picada; o Peter Parker, numa tentativa falhada "de ser especial", torna-se o Lagarto e morre nos braços da Gwen, presumivelmente num acidente.

Sinto só que a maneira como está escrita não é das mais sólidas: parece que está tudo muito espalhado, sem rumo concreto no enredo; e ao mesmo tempo gostava que a personagem Gwen e a sua personalidade, e como ela está neste momento, fossem mais exploradas. Temos uma série de cenas que dão uma ideia, mas normalmente gosto de mais profundidade emocional nos meus personagens. Ela está a faltar às aulas? Nem sequer está em casa? Ninguém dá pela falta dela? São perguntas que passam pela cabeça a ler, e as respostas não são claras.

Por outro lado, a parte conceptual está fantástica. A Gwen é baterista numa banda chamada The Mary Janes, cuja vocalista é... a Mary Jane. O pai continua a ser polícia, mas também há outros personagens que o são, como o Ben Grimm, que aqui nunca se tornou o Coisa, e é polícia de giro na Rua Yancy; ou o Frank Castle, que se pensarmos bem nisso é uma noção hilariante, porque o homem não tem respeito nenhum pela autoridade, e aqui mesmo sendo polícia faz as coisas de todas as maneiras que pode, legais ou não.

Gosto muito do que fizeram com a Felicia Hardy, a Gata Negra. Ah, e o Rei do Crime existe, sim, e aparentemente está na prisão. Ou melhor, o tipo gordo e careca que conhecemos está na prisão, mas suspeito que ele foi um isco, uma distracção. Porque quem vemos a agir em nome dele, a fazer as coisas que o Rei do Crime faria, é o advogado dele... que se chama Matt Murdock. Ah. Gostava de ter visto como é que essa se deu.

Ao menos a maneira como a história está montada (apesar de eu desejar que fosse mais explorada) é bem interessante. A Gwen está num ponto baixo, o Peter morreu e ela sente-se responsável, e isso cria uma entropia que a impede de seguir com a sua vida. De certo modo tenho a sensação que é que o Peter faria - quero dizer, na cronologia normal a morte da Gwen Stacy aconteceu há décadas, e ainda se fala tanto disso.

O que eu queria dizer era que aprecio que pela inversão de sexos não se contenham a contar o tipo de história que é preciso, que nos mostrem a Gwen em baixo e a reconstruir-se do zero. (E quero acrescentar que é de partir o coração conhecer a May e o Ben Parker, que são vizinhos dos Stacys nesta versão.) Apesar dos meus problemas com a escrita, acredito que a história tem pernas para andar e ficar melhor, só tem um início mais frágil. Vou querer acompanhar.

A arte é algo desconcertante, com talvez demasiado peso no traço, mas não desagradável. As cores ajudam. Normalmente algo tão garrido não seria o meu estilo, contudo aqui a paleta funciona é agrada-me visualmente.

Batgirl v.1: Batgirl of Burnside, Cameron Stewart, Brenden Fletcher, Babs Tarr, Maris Wicks
Bem. Isto é um pouco desconcertante. Não me acontece muito frequentemente gostar tanto de algumas partes dum livro, enquanto desprezo as outras, deixando uma confusão pegada no lugar do que seria claramente a minha opinião.

Ok, esta é uma espécie de mini-reboot para a série da Batgirl. A Barbara vai-se mudar para Burnside, um bairro de Gotham onde a gente nova e bonita (e provavelmente hipster até mais não) mora, o seu material super-heróico ardeu, obrigando-a a improvisar com o equipamento, e vai cruzar-se com uma série de inimigos relacionados com tecnologia, como uma boa millennial.

Acho que é isso que me irrita no livro. Em teoria um livro sobre como a Barbara faz parte da geração millennial parecia-me uma boa ideia, mostrando como uma super-heroína lida com a crescente presença da tecnologia na vida social e no crime. Na prática, acho o tom do livro demasiado vivaço, demasiado egocêntrico, demasiado absorto. "Olhem para estas pessoas jovens e bonitas a ir a festas! A beber até cair! A tirar fotos a tudo e postar nas redes sociais! A usar redes sociais para encontros!" Não sei, parece quase uma caricatura da geração.

A Barbara em partes parece demasiado estúpida, coisa que ela supostamente não é, e noutras tremendamente inteligente, o que é - aborrece-me a inconsistência. E depois cai-me mal um bocado este tom demasiado animado quando a Barbara passou os livros anteriores a lidar com o que lhe tinha acontecido. Uma queda abrupta de tom muito sério para tom muito despreocupado - quase parece que estão a varrer para debaixo do tapete o que lhe aconteceu, e a ignorar propositadamente. Não podemos encontrar um meio-termo?

Oh, céus. É que eu até gosto da premissa. E, em partes, da execução dela. (A maneira como a Barbara lida com o primeiro vilão é muito fixe.) Mas depois outras são tão patetinhas. Provavelmente com outro personagem, um desconhecido, eu deixaria passar, mas com a Barbara soa mal, parece que a personagem deu uma volta de 180º.

Passando à frente. Disse realmente que gosto da premissa. Gosto de como a tecnologia faz realmente parte da vida destas pessoas, e de como elas a têm de gerir. Os vilões, apesar de serem em geral um pouco patetas, fazem sentido dentro da observação da importância das redes sociais, da fama, e de todo o negativismo que se gera por vezes.

Gosto dos amigos da Barbara, gente variada e de todos os tamanhos e feitios. A Frankie (gosto de como elas têm uma amizade anterior, apesar de nunca termos ouvido falar, e de como a Frankie poderá assumir um papel importante nos... empreendimentos da Batgirl), a Alysia (espero que não se livrem dela, no livro anterior a última cena delas era bem gira), a Nadimah e o Qadir (gosto de como o pobre do rapaz foi "recrutado" pela Batgirl para ajudar ocasionalmente). Tenho pena de a ver tão zangada com a Dinah, toda a zanga parece um pouco forçada entre duas pessoas que passaram muito juntas.

A arte é adorável e fofinha, muito cartoon, mas no bom sentido, bastante agradável. É das coisas mais fixes do volume, das que mais me agradou, e tremendamente adequada à história.

Ms. Marvel v.4: Last Days, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
Oh, este comic fica mais e mais adorável à medida que avançamos. Desta vez, a Kamala Khan é apanhada pelo terror dos "eventos" das editoras de BD americanas, que absorvem quase todos os títulos da editora. E apesar de não se escapar, os criadores fazem um tremendo trabalho a aproveitar o evento para centrar a história.

O mundo pode acabar. Deixar de existir. E apesar de a Kamala não poder fazer nada (se os Vingadores, que estão no caso, não puderem, ninguém pode), pode ajudar o local onde vive, New Jersey, a evitar os problemas que hão de surgir com o fim do mundo. Pelo meio, o irmão dela, Aamir, é raptado, e a Kamala lança-se numa missão de salvamento.

O melhor disto tudo é que a história é bastante emocional; o fim do mundo faz a Kamala perceber o que é importante para ela, e é tão fofinho de ver. A Captain Marvel, a Carol Danvers, faz-lhe uma visita, para ver se a Kamala está bem, e acaba por ajudá-la no salvamento do Aamir; e as cenas delas são bem giras. Primeiro a Kamala em modo fangirl; depois, acabam por trabalhar bem juntas, com a Carol a dar-lhe alguns conselhos (a cena em que elas têm de deixar os gatinhos é TÃO TRISTE), e de certo modo, a passar o testemunho.

O Aamir sai disto tão brilhantemente caracterizado, mesmo. O personagem podia ser uma caricatura, mas prova ser uma pessoa de carne e osso, mostrando que é feliz como quem é, e defendendo a irmã, quando ela pensava que o Aamir não lhe ligava nenhuma. Adorável.

As cenas finais dela com os pais, especialmente com a mãe, também são emocionantes. Uma mãe sabe, mesmo. A mãe dela é fantástica, e adoro que se sinta orgulhosa dela. E as cenas com o Bruno? Arghhh a tortura! Mas soaram tão maduras, e fazem sentido para quem estes dois são.

A arte do Adrian Alphona, já disse, é singular, mas tão expressiva, e adoro isso. A cara da Kamala (e dos outros personagens) salta à vista quando está contente, animada, excitada, triste, zangada... é fascinante de ver. Há uma cena em que ela e a Nakia estão a conversar, a Nakia está zangada, e a Kamala diz uma coisa superdivertida, e a expressão na cara da Nakia! Vê-se que está a tentar conter o sorriso. É fabuloso. Em adição, gosto bastante do esquema de cores que tem sido usado nos livros da Ms. Marvel, dão um ar distintivo à história.

O volume ainda tem um par de histórias do Homem-Aranha em que a Ms. Marvel ajuda, e as cenas dos dois juntos são giras, mas de resto as histórias não são memoráveis. Excepto pela parte em que pelos vistos quero saber que história é esta do Spider-Verse, e por que raios é que o Peter e esta outra nova super-heroína estão sempre a tentar saltar para cima um do outro.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Curtas BD: Edge of Spider-Verse, Batwoman, Batgirl

Amazing Spider-Man: Edge of Spider-Verse, David Hine, Jason Latour, Dustin Weaver, Clay McLeod Chapman, Gerard Way, Fabrice Sapolski, Robbi Rodriguez, Elia Bonetti, Jake Wyatt
Este volume faz parte de um evento maior em torno do Homem-Aranha, um que junta inúmeras iterações de Aranhas de inúmeros universos. E nas cinco histórias reunidas, conhecemos cinco diferentes pessoas que tomaram o manto de Aranha.

A primeira história é uma versão noir, passada nos anos 30. É aquela mais semelhante à história do Peter Parker, reimaginando o personagem nessa época. Gosto da estética da época e do estilo, e apreciei-a por isso. Achei curiosa a história da Mary Jane, que esteve a lutar na Guerra Civil Espanhola. Gostava de ler mais sobre isso.

A segunda história é a história que cativou a imaginação dos leitores, ao ponto de ter merecido o lançamento de uma revista própria. É sobre a Gwen Stacy, e o que teria acontecido se ela tivesse sido a pessoa picada pela aranha. Acho que o melhor que esta história faz é tirar a Gwen do pedestal de namorada morta tragicamente e dar-lhe uma história própria, fazendo dela a protagonista. É isso que é refrescante e cativante. Estou muito interessada em continuar a ler.

A terceira história é sobre Aaron Aikman, um génio biotecnológico que ganhou os poderes aranha através de resequenciação ADN, e que usa um fato aranha muito ao estilo do Homem de Ferro. O estilo de narração da história e o tipo de desenho faz-me lembrar o estilo japonês de contar uma história em manga, não sei se é propositado. Aqui o que gostei de ver foi o twist cibernético da história do Homem-Aranha, porque de resto não se destaca.

A quarta história é sobre a iteração mais creepy que o Homem-Aranha já teve. As circunstâncias em que este alter ego do Peter Parker cresceu são bastante semelhantes, mas ao mesmo tempo tão diferentes. O miúdo é um psicopata em potência, as suas circunstâncias não ajudam, e a parte final é aterrorizadora.

A quinta história é a minha favorita a par da da Gwen. Neste caso, porque pega no género mecha e faz-lhe uma homenagem, muito particularmente a Evangelion. Pelo menos, o meu apreço por Evangelion fez-me ver os paralelos, e adorei encontrá-los. Uma adolescente encontra-se a controlar uma máquina gigante (em forma humanóide, ao estilo aranhiço), uma que só ela pode controlar, numa cidade futurista. Enfrenta seres parecidos com os Angels, e veste-se ao estilo Sailor/uniforme de escola japonesa. Adorei cada segundo, e gostei do estilo mais sossegado de narrar.

Batwoman vol. 4: This Blood is Thick, J.H. Williams III, W. Haden Blackman, Trevor McCarthy, Francesco Francavilla
E cá está mais um título tramado pelo drama de bastidores e interferência editorial que parece ser demasiado frequente lá por terras da DC. Neste caso em particular, um desacordo quanto ao rumo que a história iria tomar levou os autores a bater com a porta e pôr-se na alheta - e pelo caminho, em jeito de manguito, deixaram um cliffhanger e uma situação meio difícil de resolver, só porque podiam.

Este volume foca-se muito no círculo de pessoas que rodeia e apoia a Kate, e gostei mesmo dele por isso. Desde o início que é essa parte que me tem atraído na história, o modo como ao mesmo tempo a Batwoman opera separada da Bat-família, sendo que esta raramente se atravessa no caminho dela - acentuando a independência da Kate.

E ao mesmo tempo, ao longo dos livros temos percebido que a Kate não está sozinha, tem até um sistema de suporte fantástico, acho que ela é muito má a reconhecê-lo. Neste volume tem de ser a Maggie a obrigá-la a aceitar a ajudar de todos para cumprir a sua missão; e gosto bastante de ver que toda a gente tenta contribuir, até a madrasta, numa tentativa de proteger as "meninas" (a Kate e a Bette) dos momentos mais duros.

O enredo foca-se na tentativa da Kate, como Batwoman, fazer uma coisa que duvido que queira mesmo fazer, excepto pela chantagem a que é sujeita. O volume desenvolve a história à volta dessa tentativa, e das razões que a movem. O pai, o coronel, colabora no plano, especialmente no que toca à Bette e às acções dela, o que me agradou, porque são dois personagens que tenho apreciado ao longo da série.

Em termos artísticos, o traço passou para Trevor McCarthy (já no volume anterior, até), mas sinto que ele fez um bom trabalho a manter a estética anterior, ao mesmo tempo que tem o seu jeito próprio. Há um certo dinamismo e expressividade no modo como trabalha.

Batgirl vol. 4: Wanted, Gail Simone, Fernando Pasarin, Jonathan Glapion, Blond
No seguimento do volume anterior, seguimos a Barbara Gordon na sua tentativa de lidar com as suas acções, vendo como não se sente merecedora do uniforme que usa, e como duvida das suas capacidades e das razões pelas quais faz isto.

Pelo meio, uma vilã chamada a Ventriloquista anda a semear o terror, e cabe à Batgirl travá-la, com ou sem crise de fé. Foi uma vilã muito interessante de seguir, pelo factor arrepiante sempre que ela aparecia, com o seu boneco atrás, e as acções que tomava.

Acho um pouco triste, e até estranho, que as coisas tenham chegado a tal ponto com a Barbara, e o Batman não dá sequer um arzinho da sua graça. Uma das melhores aparições na série foi a que ele fez no primeiro volume, e tenho pena que nunca mais tenha partilhado cenas com ela (excepção feita a Death of the Family, no volume 3). Sei que as coisas estão más na Bat-família, mas a Batgirl cometeu aparentemente o pecado capital para eles.

O único que tenta confortá-la e confrontá-la é o Dick Grayson, o Nightwing, numa cena que até me fez ter pena que ele não aparecesse mais uma ou outra vez. Creio que ele e a Barbara funcionam como suporte um para o outro no meio do drama da Bat-família, e têm uma relação próxima gira, por isso era engraçado vê-los mais juntos.

Como se não bastasse a Barbara sentir-se culpada por.. coisas, tem um interlúdio doce proporcionado pelo Ricky, um jovem com que se cruzou anteriormente como Batgirl, e as coisas descarrilam rapidamente, num clímax desanimador. (Só a Alicia e a amizade dela com a Barbara animou a sua vida pessoal. A Alicia é adorável.)

Parte da tensão do volume prende-se com a determinação que o comissário Gordon tem em prender a Batgirl pelas suas acções, o que leva a uma cena gira dele com o Batman, a criticá-lo por deixar uma jovem seguir-lhe os passos até terminar nisto. Há, obviamente, um confronto final entre ele e a Batgirl, noutra cena fascinante (muito mal representada pela capa, porque as posições dos personagens estão invertidas, e isso faz a diferença). Suspeito que o comissário tenha as suas próprias ideias sobre a identidade deste pessoal que usa capas, incluindo a Batgirl, e que não tencione prová-las. É uma posição interessante, a dele, esteja ele certo ou não nos seus palpites.

A história final faz parte de um evento chamado Zero Hour, e creio que é suposto ser uma espécie de prequela/história de origem para a Barbara, numa sua versão adolescente no meio de uma tormenta em Gotham. Não achei assim tão interessante. Acho que tenho alguns problemas com histórias contadas assim, primariamente recorrendo à narração interna, e apesar de ter o potencial para ser um momento que a define, não me cativou.

Saga vol. 5, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Aquilo que vou dizer aplica-se a todos os volumes da série, e podia servir como a totalidade da minha opinião: é Saga, o que quer dizer que é uma boa viagem, uma pessoa diverte-se, mas acaba demasiado cedo. E agora que fiquei actualizada no que saiu cá para fora até agora, vou ter de esperar horrores de tempo até ler o próximo, e até lá vou esquecer-me de tudo, estou mesmo a ver.

Reflexões que vieram com este volume: é engraçado, no passado pelo menos duas pessoas me disseram que ficaram impressionadas com o quão gráficas as coisas são às vezes em Saga, e eu acho que nunca tinha reparado até me fazerem esses comentários. Acho que a única vez que franzi os olhos a algo foi no início do volume anterior, que tinha um nascimento em close up, e não dava para perceber nada da coisa até semicerrar bastante os olhos. Normalmente o traço da Fiona Staples é muito mais claro e directo, e nunca me incomodou. Até é refrescante.

O enredo continua a desenvolver-se a partir dos acontecimentos anteriores, e exploramos mais um cantinho deste universo. (Again, Fiona Staples com rasgos de brilhantismo, porque ela farta-se de criar raças e seres diferentes e exóticos e totalmente credíveis. Mas continuo a achar os robôs um bocado estranhos.)

Destaques: a parte do esperma de dragão. Hilariante. O Ghüs é adoravelmente fofinho. A última cena da Yuma no livro, completamente épica. Tenho pena da pobre Hazel, porque está a ser usada e trocada como mercadoria por uma série de partes, e isso não é bom para uma infância. E ela está tão fofa agora, já fala, e faz os comentários mais giros.

A parte final deixa-a num ponto intrigante. Ainda mais quando mais cedo ela tinha dito algo do género "iriam passar-se anos até ver o meu pai". (Continuo a detestar esta "antevisão" das coisas. Ugh. Seus provocadores.) Totalmente explicável a esta luz. Só espero que sejam poucos anos. A série tem feito passar o tempo quase sem darmos por isso, portanto imagino que até venha a correr bem.