quarta-feira, 30 de julho de 2014

Picture Puzzle #98


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: thriller publicado em português.

Puzzle #2
Pista: romance contemporâneo publicado em português.

Divirtam-se!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Voz, Juliet Marillier


Opinião: A Voz é o livro final da trilogia Shadowfell, e nele acompanhamos Neryn enquanto tenta terminar o seu treino como Voz com os Guardiões que faltam, enquanto que o movimento rebelde depende dela para levar a insurreição a bom porto. Mas uma má notícia que emperiga o plano faz Neryn tomar uma decisão arriscada em nome da causa, levando-a a ver e fazer coisas que não gosta, mas que reforçam a sua determinação em ajudar a criar uma Alban mais justa.

Gostei bastante de como as coisas se desenrolaram neste livro. Primeiro com a visita à Dama Branca, porque é uma introdução a um Guardião que é diferente dos outros, e é algo original no modo como é apresentada. Adorei conhecer cada Guardião e como "funcionam", por isso esta parte não foi excepção.

Depois, porque a Neryn descobre uma certa coisa que a faz mudar de ideias quanto ao curso dos acontecimentos... e gosto de como isso muda a história e foge às expectativas. Além disso, as cenas derivadas desta decisão são muito interessantes, porque testam a resistência da Neryn e o seu compromisso com a causa, com a necessidade de criar uma nova Alban, em face de injustiças atrás de injustiças.

A Neryn fez uma bela evolução ao longo da trilogia, de coisinha assustada e fugidia para uma mulher adulta e responsável, capaz de decidir o seu rumo e com fibra para aguentar muito, para permitir-se não interferir em nome de um bem maior. É uma lição interessante para ela aprender, ainda mais com um grande poder nas mãos... e nesse aspecto creio que ela aprendeu muito bem a lidar com o seu poder e a tomar as decisões que lhe parecem as mais correctas, mesmo quando tudo lhe diz que devia ir na direcção contrária.

Quanto ao Flint... é tão complicado, coitado do rapaz. É bastante claro que está prestes a saltar-lhe a tampa, mas toda a gente está em modo "não, continuamos a precisar do nosso espião na corte"... questiono este ponto de vista. Um espião não serve de nada se for uma bomba prestes a rebentar, caramba. Mais valia terem-lhe dado férias.

Por outro lado, e aprecio muito os excertos em que temos os POVs dele... mas souberam-me a pouco. Fizeram falta em cenas cruciais, porque depois quando finalmente lhe salta a tampa, parece que isso vem completamente do ar. Tinha gostado tanto de ver o que lhe ia em mente nessa altura. E noutras também. É nisso que a Juliet peca; desenha um retrato psicológico dele muito interessante, com as suas circunstâncias invulgares, mas deixa-o a modos que incompleto.

O elenco de personagens secundários, apesar de cada um não ter grande tempo de antena, é fabuloso. Desde os Guardiões aos Boa Gente que os acompanham, desde os Boa Gente que sempre apoiaram a Neryn aos Rebeldes, que tanta falta me fizeram (Tali! que moça fantástica), mas compreendo a sua ausência, necessária para efeitos da narrativa. Incluindo os personagens novos, que seguem e guiam e ajudam Neryn na sua demanda.

O fim foi em parte esperado e inesperado. Havia aspectos dele que eu esperava que acontecessem, mas não sabia como é que as coisas se iam resolver, ou qual o papel da Neryn nos eventos. Suponho que posso dizer que fiquei satisfeita, porque foi de acordo ao que estava para trás... mas fico triste pelas perdas e pela necessidade de luta para mudar o mundo destes personagens.

Acho que o final só peca por ser um pouco abrupto. O objectivo da trilogia era mudar Alban, e vemos tão pouco do novo estado de coisas, que me sinto defraudada. Eu tenho direito a ver aquilo pelo qual os personagens, e eu com eles, sofreram tanto, raios! Isso, e acho que precisava de ver um bocadinho da vida futura dos protagonistas. O ponto em que ficam é satisfatório, mas algo indefinido, e eu precisava mesmo de saber se ficam bem, se têm direito à vida com que sonharam. Este talvez esperançoso não é bom para a minha paz de alma.

Bem, creio que posso dizer que uma das marcas de um escritor que me cativa é eu ficar tão investida nos personagens que preciso de saber mais, mais, sempre mais. E aqui a Juliet Marillier é irreprensível, não deixo de ficar fascinada, imersa nas suas histórias, nos seus mundos. A Voz é mais um dos bons livros a sair da sua pena, e como leitora continuo a seguir com avidez as suas histórias.

Título original: The Caller (2014)

Páginas: 456

Editora: Planeta

Tradução: Catarina F. Almeida

domingo, 27 de julho de 2014

Champion, Marie Lu


Opinião: Esta tem sido uma trilogia de certo modo única de explorar. Não sendo uma que me apaixone e leve aos píncaros e me faça cantar aos céus as suas virtudes, não deixa de ser por isso fascinante no modo como apresenta os seus temas e faz evoluir os seus personagens. É uma história que aprecio mais com a cabeça que com o coração, mas não há nada de mal com isso.

Neste volume, a Republic parece estar no caminho para um tratado de paz com as Colonies e para se tornar num melhor país para os seus cidadãos do que até agora o foi... mas uma reaparição da peste emperiga as conversações entre os dois países, e mostra quão frágil mesmo está a Republic. Cabe à June e ao Day ajudar o seu país a sobreviver aos inimigos que os parecem rodear de todos os lados.

Pensando na história dos três livros em geral, achei-os bastante optimistas, particularmente neste livro. Em tanta coisa que tenho lido nos géneros de distopia e pós-apocalíptico, muito é bastante passimista, explorando como o sistema, ou a sua falência, corrompe e destrói os seus membros. O que é parte quase essencial dos géneros, suponho. Mas também é refrescante quando alguém faz algo diferente, como a autora aqui faz. Apesar do que as pessoas passaram às mãos do sistema, ainda se mantêm elas próprias, os soldados não se perderam para o poder que o sistema lhes dava, as pessoas ainda lutam. É comovente de tão optimista (e algo ingénuo, também).

Outra defesa interessante que a autora faz é a defesa reconstrutiva, e anti-destrutiva do sistema. No primeiro e até no segundo livros, o pensamento era mais ingénuo, mais "vamos deitar tudo abaixo e começar de novo". Neste, evolui para um compromisso, uma perspectiva mais adulta de "ok, o sistema não funciona, mas vamos ver se conseguimos melhorá-lo, vamos tentar". É realista e sóbrio, e mostra uma evolução nos personagens, que assumem uma posição nesse sistema para tentar mudá-lo.

No livro anterior já tivemos um vislumbre do resto do mundo fora da Republic - nomeadamente, das Colonies e do sistema que vigora por lá; neste, somos introduzidos à Antárctida. Por um lado, fiquei desapontada por não ter tido uma maior espreitadela aos territórios do resto do mundo; por outro, achei a Antárctida bastante interessante como sistema. Especialmente porque à superfície parece ser um sistema simples, eficaz e bom, mas que rapidamente levanta questões éticas e morais - se as pessoas têm um comportamento bom para ganhar pontos, e não porque o comportamento bom beneficia a sociedade, podemos mesmo chamar-lhe um comportamento bom? E depois, quem decide o que é bom e mau? É um sistema que tem tudo para dar asneira e se tornar num sistema repressivo.

A June e o Day encontram-se em pontos cruciais da sua vida, é fascinante de os ver lidar com o que têm entre mãos. A June está a estudar para Princeps, mas é claramente uma coisa que ela detesta fazer, apesar de se esforçar para mostrar o que vale, nem ela podia fazê-lo de outra maneira. O Day debate-se com a "pequena" revelação no fim do livro anterior, e em como isso imprime uma outra premência às coisas que ele faz. Juntos, são uma equipa fabulosa, e deixam-se ceder ao que há entre eles (finalmente), mas também há algo que os separa, algo que podem não ser capazes de ultrapassar.

Entre os personagens secundários, acho que tenho de destacar o Thomas, que por muita porcaria que tenha feito, tem uma lealdade inquebrável à Republic, e é quase assustador vê-la em acção. Há que respeitar alguém que funciona deste modo. (Ou pelo menos ter medo dele.) A sua narrativa sobre certos acontecimentos do Legend é, bem, impressionante. Por outro lado, acho que acabei a ficar cheia de pena do Anden, por um lado pelo peso do que tem de suportar, e por outro porque o comboio dele já tinha partido, e por mais que o rapaz se esforçasse, não dava para apanhá-lo.

O capítulo final, curiosamente, foi algo comovente, pela sensação de... perda e dor que o permeava. Passei o tempo que o li completamente em baixo, aflita pelos personagens e pelo que a passagem do tempo lhes teria (ou poderia ter) feito. Não sou a maior fã duma certa coisa que a autora fez a um dos personagens, porque fiquei frustradíssima com aquilo... mas acabou por ser uma solução elegante ao dilema que se punha aos personagens desde o primeiro livro, juntamente com a separação temporal. Permitiu curar, ganhar distância e perspectiva das coisas para lhes permitir aprender a viver com as mágoas. Enquanto que o resto da trilogia foi mais acção e pensamento, este epílogo foi totalmente emoção, e deixou-me tremendamente satisfeita, apesar da melancolia e nostalgia inerentes. (Ou talvez por causa delas.)

Páginas: 384

Editora: Putnam (Penguin)

sábado, 26 de julho de 2014

All Lined Up, Cora Carmack


Opinião: Muito se tem dito e escrito sobre o género New Adult, uma espécie de classificação artificial para livros que se focam em protagonistas a partir dos 18 anos, e que se debatem com as crescentes responsabilidades de ser adulto, aprendendo a lidar com os seus problemas de uma maneira mais madura (espera-se). Por vezes, o género ficou conotado com histórias excessivamente dramáticas, pois alguns autores entendem "lidar com problemas" como "despejar a maior quantidade de coisas horríveis de que me lembrar em cima dos pobres dos personagens".

Quero eu dizer com isto que se quisesse apresentar alguém ao género, particularmente alguém que tivesse receio de o ler por causa da fama dramática, abanava-lhe por debaixo do nariz um livrinho aqui da Cora Carmack. A autora consegue equilibrar uma história fofinha e doce, e com sentido de humor, com uma apresentação certeira da indefinição de chegar à idade adulta e dos problemas que traz, únicos a cada personagens, mas que permitem a vários leitores identificarem-se com os mesmos. É uma autora completa nesse aspecto, e tem uma boa sensibilidade para expor os problemas dos personagens - ainda não li um livro dela em que falhasse nesse detalhe.

Este é o primeiro livro de uma série focada na universidade de Rusk, envolvendo em específico a equipa de futebol americano. Coisa sobre a qual eu nada sei em absoluto, a não ser que parece tremendamente excitante (posso estar errada); nem um par de temporadas de Friday Night Lights me salvou da ignorância, porque parece também uma coisa bem complicada. O bom é que a autora usa o futebol americano universitário como suporte e cenário da história, mas não entra em detalhes demasiado técnicos. Mesmo quando ela descreve um jogo, não tive problemas em perceber o sentido geral do mesmo (como em, se eles estavam a ganhar ou a perder - vamos considerar isso uma coisa boa).

Os protagonistas são a Dallas e o Carson. A Dallas é filha de um treinador de futebol americano, que acabou de se tornar treinador da equipa da universidade onde ela estuda. Depois de um ex-namorado quarterback que se revelou tudo menos que perfeito, jurou nunca mais se envolver com jogadores deste desporto. O Carson é a nova adição da equipa, e esforça-se ao máximo para ser a opção principal do treinador para a sua posição, e um envolvimento amoroso pode distraí-lo do seu objectivo. Pouco disponíveis para uma nova relação, não conseguem no entanto resistir à atracção crescente entre os dois, indiferentes aos obstáculos.

São um par terrivelmente fofinho. Achei engraçada a maneira como ambos tentaram firmemente manter-se na friendzone quando descobriram que um era a filha do treinador e outro o novo jogador, mas como não conseguiram resistir e negar a atracção, cedendo aos poucos e ficando cada vez mais caidinhos um pelo outro. A interferência e comentários dos amigos também ajudam a conferir alguma piada à situação.

Por outro lado, achei a situação da Dallas bastante interessante e única. Para os outros a universidade pode ser um período de liberdade, mas para ela, nem por isso. A universidade foi escolhida por ela sob as condições do pai de não sair do estado do Texas, mas depois o pai aceita o lugar de treinador da equipa de futebol americano da universidade. E a sua vida tem sido assim, sob a sobreprotecção do pai, mas também sob alguma falta de supervisão dele, sentindo-se como se fosse secundária ao futebol.

É uma relação interessante, que a autora explora muito bem, talvez um pouco autobiograficamente, pois ela admitidamente escreveu parte da história inspirada na sua experiência de filha de treinador. Gostei muito de ver a Dallas perceber melhor a relação que tem com o pai, e perceber melhor a relação que ele tem com o futebol, e chegar a um entendimento mútuo com ele sobre as coisas e sobre a sua relação. Acredito que tudo vai correr melhor com eles.

O elenco secundário é tão interessante, e estou tão curiosa para os conhecer melhor. A Stella é tão divertida e uma melhor amiga fantástica, mesmo o que a Dallas precisa para sair da casca ocasionalmente. Achei o Ryan interessantíssimo, pela sua estabilidade e sentido de humor (e capacidades de adivinhação positivamente mágicas). O Silas caiu-me mal, de início, porque é mesmo o estereótipo do bonzão mais rodado que uma estação de autocarro, e parecia um idiota, mas apreciei a sua lealdade à equipa e o seu esforço para os levar para a frente. (Agora que penso nisso, faz-me pensar num Tim Riggins, de Friday Night Lights, com mais 4 anos em cima. Podia estabelecer alguns paralelos com essa série.)

O pai da Dallas, o treinador, é uma pessoa dura, mas esforçada e inspiradora, e quero vê-lo levar a equipa a bom porto. E a própria equipa é uma personagem de direito próprio, tentando melhorar sob a liderança do treinador. Fico com vontade de conhecer mais dos personagens que se movem nesta esfera, e acredito que a autora possa redimir um ou outro. (Talvez não o ex da Dallas. O tipo parece mesmo idiota. Bem, se ela lá chegar, e o conseguir fazer satisfatoriamente, vou ficar agradavelmente surpreendida.)

Foi uma leitura sofrida, não pelo conteúdo, mas porque o livro saiu e foi encomendado há dois meses, mas entre o primeiro exemplar não chegar, e o segundo levar quase mais um mês a fazê-lo, só agora consegui lê-lo. Com grande prazer, felizmente, e começo a pensar que a Cora Carmack não vai conseguir desiludir-me (*bate na madeira para impedir que tal acontece só porque o mencionei*). Com um equilíbrio emocional certeiro, ela escreve com uma honestidade refrescante e uma boa capacidade para representar o estado New Adult, sem exagerar no drama, mas sem tornar a sua história demasiado simples, demasiado leve. É uma autora a seguir.

Páginas: 320

Editora: William Morrow (HarperCollins)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Wicked Wildfire Read-a-Thon 2014 - Wrap-Up Post

Wicked Wildfire Read-a-Thon

That's a wrap for another read-a-thon! As always, a fun week period composed by 11 days. I'm a big fan of WW read-a-thons, it's a low profile thing where I feel pressure-free, doing my thing whenever I feel like. So, I'm happy with this read-a-thon and how it went for me, with my goals and my books read.

Let's take a look at my goals:
  • To read every day, and to read for at least an hour (two is preferable, if possible) - I'd say it went well, I think I read at least a couple of hours every day
  • To enter some challenges, if not all of them - I entered all the challenges
  • To update my progress every day, or most likely, every day I enter a challenge - I did the second one, I don't think I needed to post more than that
  • To read 3 fiction books, and throw in some graphic novels, manga books, short stories, or novellas - I did more than that, I read 4 fiction books and a graphic novel in two volumes
  • Try to keep up with reviews, writing during this read-a-thon the ones for the books I'll read - eh, not so much; weekdays were so busy that I didn't have that much time to write reviews, and the end result is that I have now 3 books to review; I had reviews saved up when this started, and now I have none (oops)

And let's do stats because I love the crap out of it:
  • I read 4 fiction books (Champion by Marie Lu; Um Pequeno Escândalo by Patricia Cabot/Meg Cabot [A Little Scandal]; A Voz by Juliet Marillier [The Caller]; All Lined Up by Cora Carmack), a graphic novel in two parts (Capitão América: O Soldado do Inverno 1 by Ed Brubaker, Steve Epting, Michael Lark, John Paul Leon; Capitão América: O Soldado do Inverno 2 by Ed Brubaker, Steve Epting, Michael Lark, Lee Weeks, Stefano Gaudiano, Rick Hoberg [Captain America: Winter Soldier])
  • I read 1928 pages which is way better than the last WW read-a-thon and is fairly good for the usual read-a-thon experience for me
  • This is an average of 175 pages per day, which is definitely better than my daily average of 126 pages this year
  • The books I read were also longer (321 pages in average) than the average page count per book this year for me (275 pages)
  • The longest book was The Caller, with 456 pages, and the shortest ones were the Captain America: Winter Soldier two volumes, with 168 and 184 pages

And that's the wrap-up for this read-a-thon. Thank you to the hosts and everyone who hosted a challenge; thank you for the effort in organizing this.

Below are my posts for the read-a-thon, both the starting post as well as the daily-ish update posts, which contain both my progress and my answers to the challenges.