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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Geek Girl - Peixe Fora de Água, Holly Smale


Opinião: Ok, eu já não me lembrava do que tinha escrito na opinião do primeiro livro e ia começar por comparar esta série à do Diário da Princesa, mas depois fui lê-la e aparentemente já fiz isso. Bem, pelo menos sou consistente. De qualquer modo, no primeiro livro a comparação era mais negativa, no sentido em que prevalecia a noção que sou demasiado velha para ler estas histórias sem revirar os olhos. Agora que já estou mais (re)habituada, a comparação é mais positiva. Já olho para as aventuras da Harriet com uma certa sensação de saudades e de divertimento para com os dramas que lhe acontecem. Ainda é exasperante ocasionalmente, mas mais tolerável.

Este volume começa com uma trapalhada tipicamente Harrietiana: a rapariga está numa sessão fotográfica, tendo tudo aparentemente sob controlo, só que na verdade também está a estudar para o exame de Física. E é apanhada. E quase chega atrasada. Entretanto, descobre que a melhor amiga, a Natalie, nem sequer vai passar o Verão com ela; vai para França, de castigo. Só que a Harriet tem uma surpresa à sua espera: o trabalho de modelo vai levá-la ao Japão! Um sonho dela desde miúda. Desde que o pai e a Annabel concordem, claro.

Bem, acabei por ficar a gostar bastante da Harriet. Ela é bastante insegura, e isso pode ser um pouquinho irritante, mas é mais fácil de aceitar se nos lembrarmos de como éramos quando tínhamos essa idade. Acabo por ter pena dela; o mundo da moda não é fácil, e sendo ela um "peixe fora de água", ainda mais. Além disso, acabei por adorar a geekiness da Harriet; ela fica tão animada a deitar factos curiosos cá para fora, e o entusiasmo dela por estar em Tóquio é a coisa mais gira de sempre.

Achei ligeiramente frustrantes as asneiradas que aconteciam constantemente nas sessões da Harriet; não por serem culpa dela - eram, claramente, nada vindas dela. Bastante óbvio para quem tenha dois olhos na cara. (Excepto a Yuka, que claramente tem um problema de visão metafórico ali às vezes. Grrr.) Nesse aspecto a Harriet é uma miúda esforçadíssima e dedicada, era claro que estava a ser sabotada. Achei que a autora fez um bom trabalho a disfarçar a fonte, não era imediatamente óbvio, apesar de ser relativamente fácil juntar os pontos. E foi curioso ver esse outro lado da moda; há sempre alguém que se deixa levar pela inveja em todos os campos.

Apetece-me dar uns carolos à Harriet, no entanto: ela leu tão mal a situação com o Nick! *facepalm* O tempo todo a queixar-se num sentido, e afinal a coisa tinha sido dita noutro sentido. Aqui não sei se fiquei muito fã que a autora o tenha feito; soou demasiado a como se fosse negar aquilo que a sua protagonista tinha dito e sentido nas 300 páginas anteriores, e como se estivesse a fazer dela demasiado tolinha.

Gosto imenso de seguir alguns dos personagens secundários. O pai e a Annabel são tão giros: ele pela sua distracção, a Annabel pela relação carinhosa que tem com a Harriet. Gosto de ver como todos recebem a nova adição à família. A Natalie é uma melhor amiga tão real, elas as duas têm uma ligação que dá gosto acompanhar. O Toby continua a ser demasiado estranho para mim, mas gosto que salve o dia no fim. O Wilbur tem uma relação adorável com a Harriet, vê-se que lá no fundo se preocupa. E a melhor nova adição é a Rin, tão entusiástica como a Harriet. Espero que se venham a cruzar no futuro.

O final, no que toca à carreira de modelo da Harriet: gosto que ela o tenha feito. A Yuka tratou-a com demasiado desinteresse durante a narrativa; traz uma miúda de 15 anos para o Japão, e nem se dá ao trabalho de lhe arranjar um acompanhante permanente, para cuidar dela num local desconhecido e se certificar de que as coisas que aconteceram neste livro não aconteciam. Parece-me razoável. (Se bem que assim não tínhamos história.) De qualquer modo, a Yuka afirma interessar-se e preocupar-se com a Harriet, mas depois não mostra exactamente isso. O que não me faz gostar propriamente dela.

Terminei o livro mais animada para continuar a série; creio que a Harriet terá agora uma série de desafios cada vez mais interessantes, e estou muito intrigada para continuar a ler.

Título original: Model Misfit (2013)

Páginas: 368

Editora: Porto Editora

Tradução: Alexandra Guimarães

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Geek Girl - Agora sou chique, Holly Smale


Opinião: Ok, isto é definitivamente fofinho, adorável e divertido alternadamente. Mas, e que remédio, tem de haver um mas, eu beneficiaria muito mais disto se tivesse menos uma década ou coiso e tal em cima.

Porque o livro, a premissa, e a maneira como é escrito - tudo nele me lembra o Diário da Princesa, e como foi ler pela primeira vez esse livro. A diferença está mesmo no tempo que passou, na minha experiência literária e "rodagem", que são seguramente diferentes.

Se eu lesse o Diário pela primeira vez com esta idade, também sentiria o mesmo. Saber-me-ia a pouco, sentir-me-ia exasperada com os personagens e o decorrer do enredo, cansar-me-ia uma certa simplicidade da história. A diferença é que relendo as palavras da Mia, não me canso porque já as conheço, tenho uma ligação emocional com elas, e isso dá-lhe o benefício da dúvida.

Isto tudo para dizer, este não é um mau livro. Não de todo. Apenas, como disse ali em cima, soube-me a pouco. Podia ser mais longo, mais complexo. Podia não simplificar o mundo da moda desta maneira - tenham paciência, ninguém metia uma miúda de 15 anos em cima duns saltos altos, a fazer sessões fotográficas e passerelles, sem treino nenhum. É uma simplificação do trabalho que dá fazer estas coisas na vida real. Só tem o seu lugar porque é usada para efeito cómico.

O livro é tremendamente divertido. Há uma certa sensação de humor britântico que é engraçada de acompanhar, e as reviravoltas em que a Harriet se mete são tão engraçadas; foi certamente um gosto acompanhar.

Gostei de conhecer a Harriet e alguns dos personagens secundários. A Harriet porque o seu percurso é, ali nuns momentos, até triste. Entre uma bully da escola e a sensação que nunca vai ser aceite por quem é, levam-na a aceitar este desafio. E a ironia é que a Harriet, como quem é, é bastante fixe, com o seu amor por factos e o modo como pensa. É triste vê-la sentir-se forçada a ser "formatada".

Achei o pai dela muito engraçado, e adorei a sua dinâmica com a madrasta. Fora com o cliché da madrasta má, a Annabel adora a Harriet, e elas fazem um par temível. A Nat também era uma melhor amiga muito interessante, gostei de como ela tentou ultrapassar os problemas.

Não gostei do Toby, porque todo o conceito de stalker não é fofinho, é arrepiante, por mais inofensivo que o personagem possa ser. Sinto que este conceito é explorado e levado para a piada, mas não tem piadinha nenhuma.

Há ali certos momentos em que senti que o desenvolvimento do enredo podia estar mais apurado, e quem sabe até mais desenvolvido, mais explorado. Seria muito útil para criar uma melhor história.

No entanto, isto é coisa para me deixar curiosa, lá isso é, e espero que venham a publicar mais livros na série para eu poder espreitar e satisfazer a minha curiosidade. Gostava muito de poder continuar a acompanhar a Harriet.

Título original: Geek Girl (2013)

Páginas: 344

Editora: Porto Editora

Tradução: Alexandra Guimarães