quinta-feira, 27 de março de 2014

White Hot Kiss, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Mais um bom livro, muito ao estilo da autora, no género paranormal. Em White Hot Kiss, a protagonista é Layla, uma jovem entre dois mundos, metade demónio, metade Warden. Escusado será dizer que ambas as raças são inimigas, o que a coloca numa posição única. Não pertencendo exactamente a nenhum deles, Layla foi educada pelos Warden, tentando sempre negar a sua outra metade, pois a sua herança demoníaca é uma abominação para a maioria destes.

É um mundo interessante, aquele apresentado neste livro. Os Warden são essencialmente gárgulas, um pouco ao estilo dos desenhos animados da nossa infância. Seres com aparência humana mas com capacidade de se transformar em gárgulas, trabalham para o lado do Bem os anjos, aqui apresentados como Alphas, a caçar demónios e enviá-los de volta ao Inferno. Apenas peca por não explorar melhor estes aspectos.

Diria que é um típico "primeiro livro da série" da autora. Não é muito forte, é algo formulaico, tem muita coisa por explorar e apresentar, e só nos livros seguintes vamos ver a força deste mundo e desta história - mas as fundações estão lá, e a escrita da autora corre muito bem, o suficiente para virar páginas vorazmente.

A Layla é uma protagonista pouco destacada, de início, muito ratinho e cheia de medo de se impor e de conseguir o que quer, mas creio que evolui ao longo da história, e acredito que é uma heroína mais capaz no fim da narrativa. Acho que a sua história perde um pouco o pulso ali a meio, mas ganha vigor de novo mais no fim. A revelação sobre a sua parentalidade e o seu papel nos acontecimentos torna as coisas interessantes.

Tenho que comentar o "triângulo"... ou "não-triângulo"... da história. Não fiquei convencida. Passei demasiado tempo desconfiada do Roth, e irritada com a Layla por estar a confiar num tipo que conhecia há meia-dúzia de dias em detrimento de com quem convivia há anos. Mesmo com as coisas interessantes que ele lhe apresentou, achei tudo demasiado precipitado. Como personagem, o Roth até acaba por se tornar interessante, especialmente por fugir ao típico nos demónios... mas gostava de o conhecer não definido pela Layla. Quanto ao Zayne, ainda está indefinido. Suspeito que está em negação no que toca à Layla, e demasiado preso ao que sabe e conhece para sair do padrão. Mas vai ser divertido vê-lo perder a cabeça, se tal vier a acontecer.

Quanto à história, perde-se um bocadinho no drama adolescente da Layla, mas o worldbuilding e a escrita da autora impede que perca o interesse. Como disse, as revelações sobre o passado da Layla e sobre a sua natureza deram um novo ritmo à história. E e introdução da Lesser Key of Solomon foi algo tardia, mas resultou num enriquecimento da narrativa, e espero que da série.

O fim deixa algumas questões em suspenso (e que suspenso), o que me deixa animada para ler o próximo livro, a sair em Outubro. Tenho boas expectativas. A partir daqui só pode melhorar.

Páginas: 400

Editora: Harlequin Teen

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