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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Curtas BD: She-Hulk, Spider-Gwen, Batgirl, Ms. Marvel

She-Hulk v.2: Disorderly Conduct, Charles Soule, Javier Pulido
É um pouco triste que esta série tenha acabado depois deste volume. Não era a melhor coisa depois da invenção da roda (esse lugar está reservado para a Kamala Khan, a nova Ms. Marvel), mas era bastante divertido, com muitos pontos altos, e potencial para mais e melhor.

Neste volume, a primeira história lida com um par de cientistas que inventou uma tecnologia de diminuir, o que pede uma participação especial do especialista de serviço do universo Marvel na matéria, o Hank Pym. Acho uma ideia genial, a do edifício onde a Jen trabalha, e encontra estes clientes - um edifício para pessoas com poderes trabalharem, o que dá pano para mangas para contar histórias.

A segunda história envolve o Capitão América, ou talvez deva dizer ex; o Steve Rogers envelheceu para a idade que devia ter hoje se não fosse o supersoro de soldado e a coisa de ter estado congelado durante tanto tempo. Assumo que é por isso que outro personagem tomou o manto de Capitão América por estes dias, e até estou curiosa para ver como é que isso aconteceu, e as consequências que teve. Porque as pessoas parecem continuar a agir completamente fascinadas nas interacções com ele, por ser tão carismático e tal, com o bónus adicional de ser um velhinho de 90 anos adorável.

A história é cativante o suficiente, porque mete uma acusação contra o Steve sobre uma morte nos anos 40 pela qual ele poderá ser responsável; qualquer coisa que possa manchar a reputação do personagem é marginalmente interessante, e a batalha legal que decorre opõe a Jennifer a, adivinhe-se lá, Matt Murdock, o Daredevil. Todas as reviravoltas no tribunal se mostram engraçadas de acompanhar, lembrando bem um episódio de uma série de advogados. Talvez por experiência própria, o argumentista capta bem esse espírito.

Só me queixo que era óbvio que o Capitão ia sair inocente da coisa. Vá lá, é tipo um deus para o universo Marvel. Nada de mau lhe podia acontecer. O que torna a coisa um pouco mais aborrecida. Isso e o fim, porque a revelação do vilão por trás de tudo e a maneira como se lida com ele acontecem de maneira tão rápida e repentina, que não há clímax na história.

A história final lida com o tal ficheiro azul que tem estado mais ou menos ausente, mas que continua a ser muito misterioso. É um bocado óbvio que decidiram lidar com ela depois do título ser cancelado e antes que acabasse de ser publicado, porque é tudo resolvido um pouco à pressa e com muita conversa e info-dump à mistura... a história por trás até é interessante, e soaria tão bem se tivesse espaço suficiente para ser explorada, o que é pena.

A última nota que tenho é para a arte do Javier Pulido, que eu estranhava no início, e até já se me entranhou. Gosto de como desenha a acção, e tem um certo dinamismo que me agrada. O planeamento das vinhetas nas duplas páginas é que é estranho, porque às vezes é para ler da esquerda para a direita nas duas páginas, e às vezes... não. Primeiro uma página, depois a outra. E frequentemente não é claro qual dos dois casos é.

Spider-Gwen v.0: Most Wanted?, Jason Latour, Robbi Rodriguez
Hmmm. Gosto muito do conceito desta história: um mundo alternativo em que é a Gwen Stacy que é picada; o Peter Parker, numa tentativa falhada "de ser especial", torna-se o Lagarto e morre nos braços da Gwen, presumivelmente num acidente.

Sinto só que a maneira como está escrita não é das mais sólidas: parece que está tudo muito espalhado, sem rumo concreto no enredo; e ao mesmo tempo gostava que a personagem Gwen e a sua personalidade, e como ela está neste momento, fossem mais exploradas. Temos uma série de cenas que dão uma ideia, mas normalmente gosto de mais profundidade emocional nos meus personagens. Ela está a faltar às aulas? Nem sequer está em casa? Ninguém dá pela falta dela? São perguntas que passam pela cabeça a ler, e as respostas não são claras.

Por outro lado, a parte conceptual está fantástica. A Gwen é baterista numa banda chamada The Mary Janes, cuja vocalista é... a Mary Jane. O pai continua a ser polícia, mas também há outros personagens que o são, como o Ben Grimm, que aqui nunca se tornou o Coisa, e é polícia de giro na Rua Yancy; ou o Frank Castle, que se pensarmos bem nisso é uma noção hilariante, porque o homem não tem respeito nenhum pela autoridade, e aqui mesmo sendo polícia faz as coisas de todas as maneiras que pode, legais ou não.

Gosto muito do que fizeram com a Felicia Hardy, a Gata Negra. Ah, e o Rei do Crime existe, sim, e aparentemente está na prisão. Ou melhor, o tipo gordo e careca que conhecemos está na prisão, mas suspeito que ele foi um isco, uma distracção. Porque quem vemos a agir em nome dele, a fazer as coisas que o Rei do Crime faria, é o advogado dele... que se chama Matt Murdock. Ah. Gostava de ter visto como é que essa se deu.

Ao menos a maneira como a história está montada (apesar de eu desejar que fosse mais explorada) é bem interessante. A Gwen está num ponto baixo, o Peter morreu e ela sente-se responsável, e isso cria uma entropia que a impede de seguir com a sua vida. De certo modo tenho a sensação que é que o Peter faria - quero dizer, na cronologia normal a morte da Gwen Stacy aconteceu há décadas, e ainda se fala tanto disso.

O que eu queria dizer era que aprecio que pela inversão de sexos não se contenham a contar o tipo de história que é preciso, que nos mostrem a Gwen em baixo e a reconstruir-se do zero. (E quero acrescentar que é de partir o coração conhecer a May e o Ben Parker, que são vizinhos dos Stacys nesta versão.) Apesar dos meus problemas com a escrita, acredito que a história tem pernas para andar e ficar melhor, só tem um início mais frágil. Vou querer acompanhar.

A arte é algo desconcertante, com talvez demasiado peso no traço, mas não desagradável. As cores ajudam. Normalmente algo tão garrido não seria o meu estilo, contudo aqui a paleta funciona é agrada-me visualmente.

Batgirl v.1: Batgirl of Burnside, Cameron Stewart, Brenden Fletcher, Babs Tarr, Maris Wicks
Bem. Isto é um pouco desconcertante. Não me acontece muito frequentemente gostar tanto de algumas partes dum livro, enquanto desprezo as outras, deixando uma confusão pegada no lugar do que seria claramente a minha opinião.

Ok, esta é uma espécie de mini-reboot para a série da Batgirl. A Barbara vai-se mudar para Burnside, um bairro de Gotham onde a gente nova e bonita (e provavelmente hipster até mais não) mora, o seu material super-heróico ardeu, obrigando-a a improvisar com o equipamento, e vai cruzar-se com uma série de inimigos relacionados com tecnologia, como uma boa millennial.

Acho que é isso que me irrita no livro. Em teoria um livro sobre como a Barbara faz parte da geração millennial parecia-me uma boa ideia, mostrando como uma super-heroína lida com a crescente presença da tecnologia na vida social e no crime. Na prática, acho o tom do livro demasiado vivaço, demasiado egocêntrico, demasiado absorto. "Olhem para estas pessoas jovens e bonitas a ir a festas! A beber até cair! A tirar fotos a tudo e postar nas redes sociais! A usar redes sociais para encontros!" Não sei, parece quase uma caricatura da geração.

A Barbara em partes parece demasiado estúpida, coisa que ela supostamente não é, e noutras tremendamente inteligente, o que é - aborrece-me a inconsistência. E depois cai-me mal um bocado este tom demasiado animado quando a Barbara passou os livros anteriores a lidar com o que lhe tinha acontecido. Uma queda abrupta de tom muito sério para tom muito despreocupado - quase parece que estão a varrer para debaixo do tapete o que lhe aconteceu, e a ignorar propositadamente. Não podemos encontrar um meio-termo?

Oh, céus. É que eu até gosto da premissa. E, em partes, da execução dela. (A maneira como a Barbara lida com o primeiro vilão é muito fixe.) Mas depois outras são tão patetinhas. Provavelmente com outro personagem, um desconhecido, eu deixaria passar, mas com a Barbara soa mal, parece que a personagem deu uma volta de 180º.

Passando à frente. Disse realmente que gosto da premissa. Gosto de como a tecnologia faz realmente parte da vida destas pessoas, e de como elas a têm de gerir. Os vilões, apesar de serem em geral um pouco patetas, fazem sentido dentro da observação da importância das redes sociais, da fama, e de todo o negativismo que se gera por vezes.

Gosto dos amigos da Barbara, gente variada e de todos os tamanhos e feitios. A Frankie (gosto de como elas têm uma amizade anterior, apesar de nunca termos ouvido falar, e de como a Frankie poderá assumir um papel importante nos... empreendimentos da Batgirl), a Alysia (espero que não se livrem dela, no livro anterior a última cena delas era bem gira), a Nadimah e o Qadir (gosto de como o pobre do rapaz foi "recrutado" pela Batgirl para ajudar ocasionalmente). Tenho pena de a ver tão zangada com a Dinah, toda a zanga parece um pouco forçada entre duas pessoas que passaram muito juntas.

A arte é adorável e fofinha, muito cartoon, mas no bom sentido, bastante agradável. É das coisas mais fixes do volume, das que mais me agradou, e tremendamente adequada à história.

Ms. Marvel v.4: Last Days, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
Oh, este comic fica mais e mais adorável à medida que avançamos. Desta vez, a Kamala Khan é apanhada pelo terror dos "eventos" das editoras de BD americanas, que absorvem quase todos os títulos da editora. E apesar de não se escapar, os criadores fazem um tremendo trabalho a aproveitar o evento para centrar a história.

O mundo pode acabar. Deixar de existir. E apesar de a Kamala não poder fazer nada (se os Vingadores, que estão no caso, não puderem, ninguém pode), pode ajudar o local onde vive, New Jersey, a evitar os problemas que hão de surgir com o fim do mundo. Pelo meio, o irmão dela, Aamir, é raptado, e a Kamala lança-se numa missão de salvamento.

O melhor disto tudo é que a história é bastante emocional; o fim do mundo faz a Kamala perceber o que é importante para ela, e é tão fofinho de ver. A Captain Marvel, a Carol Danvers, faz-lhe uma visita, para ver se a Kamala está bem, e acaba por ajudá-la no salvamento do Aamir; e as cenas delas são bem giras. Primeiro a Kamala em modo fangirl; depois, acabam por trabalhar bem juntas, com a Carol a dar-lhe alguns conselhos (a cena em que elas têm de deixar os gatinhos é TÃO TRISTE), e de certo modo, a passar o testemunho.

O Aamir sai disto tão brilhantemente caracterizado, mesmo. O personagem podia ser uma caricatura, mas prova ser uma pessoa de carne e osso, mostrando que é feliz como quem é, e defendendo a irmã, quando ela pensava que o Aamir não lhe ligava nenhuma. Adorável.

As cenas finais dela com os pais, especialmente com a mãe, também são emocionantes. Uma mãe sabe, mesmo. A mãe dela é fantástica, e adoro que se sinta orgulhosa dela. E as cenas com o Bruno? Arghhh a tortura! Mas soaram tão maduras, e fazem sentido para quem estes dois são.

A arte do Adrian Alphona, já disse, é singular, mas tão expressiva, e adoro isso. A cara da Kamala (e dos outros personagens) salta à vista quando está contente, animada, excitada, triste, zangada... é fascinante de ver. Há uma cena em que ela e a Nakia estão a conversar, a Nakia está zangada, e a Kamala diz uma coisa superdivertida, e a expressão na cara da Nakia! Vê-se que está a tentar conter o sorriso. É fabuloso. Em adição, gosto bastante do esquema de cores que tem sido usado nos livros da Ms. Marvel, dão um ar distintivo à história.

O volume ainda tem um par de histórias do Homem-Aranha em que a Ms. Marvel ajuda, e as cenas dos dois juntos são giras, mas de resto as histórias não são memoráveis. Excepto pela parte em que pelos vistos quero saber que história é esta do Spider-Verse, e por que raios é que o Peter e esta outra nova super-heroína estão sempre a tentar saltar para cima um do outro.

sábado, 7 de novembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 12 a 15

Thor: Coração do Mundo, Matt Fraction, Olivier Coipel
Este livro decorre, ao que sei, depois do evento Siege, e Asgard e os Asgardianos ainda se mantêm junto a uma cidadezinha do Oklahoma. Thor e Sif são enviados por Odin ao fundo de Yggdrasil, para encontrar uma misteriosa Semente do Mundo. Esse acto chama a atenção de Galactus, que vem para a Terra com o objectivo de a adquirir; só que Odin tem outros planos...

Normalmente não leio muita coisa que envolva os Asgardianos: é paradoxal, em teoria gosto muito da mitologia envolvida, e o que tenho encontrado agrada-me; mas há uma gravidade na atitude dos personagens que não me leva a lê-los muito.

Tendo dito isto, é uma premissa meio interessante. Frustra um bocadinho não saber o objectivo mais geral da introdução da Semente, mas a ideia é provocante, especialmente quando leva a questionar a natureza de divindade e dos deuses asgardianos. Tendo a desconfiar das aparições do Galactus, porque é suposto ser tão assustador, mas toda a gente e o primo deles quer usar o Galactus numa história, e dá a sensação que depois se arranja uma maneira demasiado fácil para derrotá-lo. Diminui a ameaça que é suposto representar.

Pontos altos do livro: a presença de Broxton, e a preocupação normal dos seus cidadãos com os vizinhos asgardianos; o Volstagg e o seu alheamento da realidade; e o Kid Loki, que é uma apresentação curiosa do personagem (e a tentativa dele roubar o cabelo da Sif é extremamente divertida).

O Thor parece um pouco estranho, está desenhado duma forma que não me parece visualmente muito interessante; e por outro lado, vejo a Sif por ali apenas a servir de enfeite do cenário, que também não é nada interessante.

Hulk: Futuro Imperfeito, Peter David, George Pérez, Dale Keown
Huh. Quem diria que o Hulk se torna 100 vezes mais interessante num futuro distópico e/ou pós-apocalíptico? Talvez seja da minha preferência pelo género, mas achei que ambas as histórias trouxeram ao cimo os conflitos essenciais do personagem.

Futuro Imperfeito mostra um Hulk do presente, a ser levado para um futuro distópico regido pelo Maestro. A relação entre os dois é fantástica de ver na página, e gostei bastante da exploração psicológica da mesma. O final é muito bom, usa elementos da mitologia do personagem e elementos da história, e fecha o ciclo.

Gostei tanto da arte, visualmente era bem estimulante, com uma bela cor, e tão detalhada. Algumas páginas eram estonteantes. (A sala dos artefactos de heróis do passado também era muito fixe.)

O Fim é totalmente pós-apocaliptico. Todo o mundo morreu num evento apocalíptico, e apenas o Hulk sobreviveu, passando os dias na dualidade entre o Bruce Banner e ele próprio. A desolação da paisagem é impressionante e assustadora, e aquela coisa dos insectos é simplesmente aterradora. Além disso, a ideia de outrém a vigiar a Terra durante o apocalipse é preocupante. Além disso, a dualidade entre as duas facetas do personagem é explorada duma forma que me agrada dentro do contexto.

Marvels: Através da Objectiva, Kurt Busiek, Jay Anacleto
Gostei bastante do primeiro Marvels, mas sabia que este era um pouco menos bem visto, e então estava curiosa e ao mesmo tempo de pé atrás quanto a lê-lo. Pois bem, é uma história de natureza um pouco diferente, mas igualmente satisfatória, parece-me. Funciona como sequela, mas algumas cenas mais do início estão intercaladas com os acontecimentos do primeiro livro, e gostei de seguir novamente o Phil.

O tom é menos esperançoso, mais negativo. Contudo, tendo em conta a condição do Phil, é o que faz mais sentido. Em adição, o Phil está a envelhecer, ao passo que estas maravilhas continuam na mesma e a salvar o mundo, o que compreensivelmente o deixa algo amargo. A velhice também pode trazer algum conservadorismo, que pode mudar a perspectiva do Phil.

Em último, o mundo também mudou. O sensionalismo das épocas mais tardias é muito certeiro, e compreende-se a desilusão de Phil com o seu meio, e a sua reaproximação dos que admirava. É isso que aprecio no livro, a relação de Phil com as maravilhas que continua a observar, a perspectiva do homem comum no meio do caos.

Pontos para a escrita, que achei mesmo emocional, capaz de evocar aquilo que Phil sentia no momento, de forma poderosa. Fiquei impressionada. O final é algo amargo, e inevitável, mas fico feliz pela reunião que trouxe. A arte, bem, isto não é nenhum Alex Ross - é injusto metê-lo ao barulho e permitir sequer a comparação, porque não é justo para os outros artistas. Até gostei deste trabalho, e como de certo modo era mais sombrio que no volume anterior. Muito adequado.

Gavião Arqueiro: Quem Pelo Arco Vive, Matt Fraction, David Aja, Javier Pulido, Alan Davis
Eu já opinei este livro aqui, e adorei, e a minha opinião mantém-se. Só queria uma oportunidade para o destacar outra vez. Agora que acabei a série estava a ficar com saudades, e aproveitei esta oportunidade para a releitura.

Este volume tem todos os números da revista contidos no primeiro volume da revista, mais o número 6, que já faz parte do segundo volume. E já agora que tenho oportunidade, destaque para as introduções incluídas em todos os volumes, são a primeira coisa que leio e são frequentemente interessantes, informativas e uma boa forma de entrar na história.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Curtas: mais BD, parte I

Hawkeye vol. 3: L.A. Woman, Matt Fraction, Annie Wu , Javier Pulido
Este volume marca a divisão da narrativa em duas partes, e traz a execução de uma das coisas que eu mais aprecio ver ser feitas quando se conta uma história, que é os autores serem criativos e inovadores em termos narrativos. Neste caso, a divisão do título Hawkeye em dois, contando alternativamente, revista sim, revista não, a história de um dos dois personagens que usa esse nome de código como super-herói.

L.A. Woman segue então um dos Hawkeyes, a Kate Bishop, que se fartou dos dramazinhos do Clint Barton e da sua incapacidade de se endireitar e resolver a sua vida. Por isso, ela parte para Los Angeles para se estabelecer sozinha, independentemente, e para trabalhar (mais ou menos) como detective privada.

E pronto, a Kate fazia parecer nos volumes anteriores que era bem mais resolvida que o Clint, mas a verdade é que é uma jovem, rica e protegida, e que nunca se estabeleceu sozinha e que fazendo jus ao nome de código que carrega, também se mete em muitos sarilhos. Eu já gostava da Kate, mas ainda fiquei a gostar mais ao segui-la por este conjunto de aventuras em L.A., ao vê-la fazer asneiras mas também a resolver os seus problemas de forma criativa, o que mostra a jovem inteligente e engenhosa que ela é.

Coisas de destaque no volume: o cão ter ido com ela, o que é superdivertido; O feudo com a Madame Masque e como os casos que a Kate encontra acabam por ter todos a ver com ela. Uma aparição da S.H.I.E.L.D., na pessoa da Maria Hill e do Agente Coulson. Os amigos que ela faz, especialmente o casal gay adorável que toma conta dela e até a ajuda num dos casos. A maneira como a Kate se desenrasca das coisas.

Gostava era de poder ler brevemente o último volume, focado no Clint, porque tenho a sensação que ambos os volumes vão ter ligações um com o outro, e quero muito poder estabelecê-las. Na arte, Annie Wu é nova à colecção (bem, mais ou menos), mas faz as coisas dum modo que me agrada, meio caricato, meio realista.

Ms. Marvel vol. 3: Crushed, G. Willow Wilson, Elmo Bondoc, Takeshi Miyazawa, Mark Waid, Humberto Ramos
Já disse que adoro a Kamala, e me divirto tanto a segui-la, e este volume não foi excepção, continua a história da protagonista como super-heroína em treino, e segue-a na sua vida normal, no dia-a-dia.

As histórias contidas neste volume resumem-se em três pontos. Uma primeira com a aparição do Loki, que vem investigar os recentes acontecimentos em New Jersey e acaba a causar o caos num baile de S. Valentim da escola da Kamala, que esta tem de resolver. Foi muito divertido vê-los confrontarem-se, e ainda melhor ver a resolução do conflito.

O segundo enredo foca-se num jovem de herança cultural semelhante à da Kamala, e ao contrário do que ela esperava, acaba a desenvolver uma paixoneta. Foi muito interessante vê-la a debater-se com este tipo de sentimentos, porque aqui aparece-lhe alguém que tem tanto em comum com ela, mas ao mesmo tempo a situação descarrila, e quero ver como a Kamala lida com um coração partido. (Ou vá, machucado.)

Ainda neste ponto tenho a destacar a atitude do Aamir, o irmão dela. A sua caracterização tem sido enganadora, ele parece um tolinho demasiado religioso, e aqui os autores dão volta ao potencial cliché e mostram-no com uma pessoa com um bom discernimento de como as coisas funcionam, e a conversa dele com o Bruno foi fascinante de ler.

O último ponto da narrativa é um número da revista S.H.I.E.L.D., em que a Kamala intervém. Achei piada descobrir que esta revista pegou nos personagens que vêm da série de televisão e está a desenvolvê-los nos comics; neste aparecem o Agente Coulson e a Jemma Simmons. Gostei de a ver trabalhar em equipa com a Ms. Marvel, e de ver os seus problemas e como reflectem os da Kamala. (Só acho que é um bocado ridículo a profissão fictícia que a S.H.I.E.L.D. lhe arranjou. Tenho a certeza que podiam ter inventado algo melhor.)

Quanto à arte, os desenhadores mudaram, mas mantêm o estilo divertido e cartoonesco anterior, especialmente com ajuda das cores, que são feitas pela mesma pessoa, parece-me, por isso continuo a gostar bastante. Destaque para Takeshi Miyazawa, que tem um estilo um pouco mais realista que anteriormente, mas supergiro e igualmente expressivo.

Saga vol. 4, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Bem, este é claramente um volume de ligação. Não tem muitos momentos de acção, tem uma narrativa mais pausada e introspectiva, e por isso acaba por ser a ponte entre dois volumes que serão mais dinâmicos. O que em si não é mau, até se torna interessante de seguir, mas também me permitiu encontrar um problema com a estrutura narrativa da série que pode vir a tornar-se um obstáculo.

E esse problema é essencialmente o enquadramento do enredo com a narrativa duma Hazel mais crescida, algures no futuro. Primeiro, porque esta narrativa e comentários da Hazel do futuro me dão vontade de a conhecer, dá a sensação que é uma pessoa interessante e quem sabe com muitas aventuras próprias. (O que é bom.) O mau é que esse ponto no futuro é incerto, sabe-se lá se alguma vez o veremos, e isso frustra-me.

Além disso, sendo a Hazel a sua própria pessoa, custa-me que essencialmente esteja a contar as histórias de outros. Não é que estas histórias de outros não estejam ligadas à sua, mas o enquadramento narrativo faz por vezes tangentes, e acaba por não ser já *só* a sua história. E atenção, eu divirto-me imenso a seguir os personagens secundários, e louvo o modo como os autores os têm caracterizado e nos feito preocupar com eles.

Segundo, este enquadramento narrativo da Hazel faz com que os autores introduzam por vezes iscos narrativos baratos para nos manter o interesse, e que eu acho completamente desnecessários. Exemplo muito vago para não spoilar completamente: a certa altura deste volume a Hazel faz um comentário sobre os pais. Esse comentário foi escrito com o intuito de nos fazer pensar que é uma coisa grave, porque a interpretação mais óbvia é essa.

No entanto, o comentário pode ser interpretado duma forma menos grave e menos permanente, e até pode ser interpretado num sentido bem diferente. O que posso concluir é que o comentário é formulado de propósito para nos chamar e manter a atenção, só que o problema é que não precisam. O resto da narrativa já faz um bom trabalho nesse aspecto. E daí a minha queixa de que é um artifício barato e preguiçoso.

Daqui também resulta a minha observação de que a Hazel está a contar algo em segunda ou terceira mão, algo que não aconteceu directamente com ela ou de que ela não se lembra porque é demasiado pequena. E portanto, em teoria aquilo que conta pode bem ser uma versão truncada dos acontecimentos, colorida pela percepção de quem lhe contou. (E pronto, aqui eu já estou a teorizar demais sobre isto, eu sei. Mas o raio do volume fez-me pensar. Não posso ler coisas com menos acção que me dá para a filosofia.)

Enfim, estou eu aqui a (aparentemente) queixar-me, mas não é bem assim. Continuo a gostar imenso da história, apenas o seu teor mais calminho proporcionou-me espaço para reflexão acerca da estrutura narrativa, que na prática gosto, mas também consigo ver os potenciais problemas que pode vir a trazer.

Outros pontos a destacar neste volume: ver a família protagonista a ser uma família, com problemas de família, como qualquer um. A fuga constante até agora não lhes tinha permitido agirem como pessoas normais, e mesmo que isso arranje uma série de sarilhos de natureza diferente dos que têm acontecido até agora, é cativante ver este pessoal a fazer asneiras como qualquer um de nós, mesmo quando me dá vontade de os esganar por estarem a agir parvamente.

Mais: a Klara e a Izabel são fantásticas, e só tenho pena de não ver mais delas. (Mas os poderes da Izzy estão a desenvolver-se, estou a gostar de ver.) A Sophie e a Gwen estão numa demanda, e promete. (E sou só eu ou o Lying Cat tem os dois olhos sãos? A Klara não lhe deu cabo de um no volume 3?) Até vemos um bocadinho dos jornalistas do volume anterior, coisa que eu passei este volume todo a pedir. E gostei de conhecer mais recantos deste universo, e de como funcionam.

Coisas menos boas: bem, o The Will está maioritariamente desaparecido, o que quer dizer que a história dele, da Gwen e da Sophie está em stand-by... e a parte dos robots ainda é a que menos me interessa. Ainda estão demasiado pouco desenvolvidos, gostava de saber como funciona a integração biomecânica da sua anatomia, e como a sua sociedade funciona. Ainda lhes falta qualquer coisa que os humanize, ou os torne interessantes a meus olhos, como aconteceu praticamente com o resto do elenco.

Arte: já disse que gosto, a Fiona Staples é suficientemente expressiva para mim, e gosto de como desenha certas coisas, e ainda mais de como pinta. E também acho um piadão a como não tem pudor em desenhar de tudo. A primeira página do livro é o nascimento de um robotzinho de perto, mesmo de perto, e eu passei 10 minutos a olhar para aquilo a tentar perceber o que estava a ver.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Curtas: BD

She-Hulk v.1: Law and Disorder, Charles Soule, Javier Pulido, Ron Wimberley
Acho que nunca tinha lido nada da Jennifer Walters/She-Hulk, e por isso foi uma surpresa ver o quanto gostei desta história. Poderia compará-la ao recente Hawkeye, no sentido em que mostram ambos o dia-a-dia de cada herói, o Clint Barton na sua tendência para se meter em sarilhos, e a Jennifer no seu trabalho de advogada.

E acabou por ser um arco narrativo muito divertido de acompanhar. O argumentista faz um bom trabalho a descrever o meio da advocacia (ao que parece por experiência própria: é advogado), introduzindo um bom balanço de anedotas (como os advogados e patrões da Jennifer no início), e de burocracia no seu lado humorístico. Intercalados, claro, com um pouco de acção aqui e ali, relativa aos sarilhos em que a She-Hulk se mete.

Adorei a Jennifer pela sua personalidade, bem-humorada, impulsiva, confiante, forte e decidida; é uma delícia acompanhá-la. Oh, e destaque ainda para um aparição do Daredevil em certo ponto, foi um bom momento da história.

A arte, bem... Já tinha contactado com o Javier Pulido em Hawkeye, e se ali perdia em comparação com o David Aja, aqui ganha na comparação com o outro desenhador. Há qualquer coisa que me desconcerta na maneira como desenha, mas entranha-se. O seu estilo adequa-se à história à personagem e à história, sendo leve e fresco, e arrisca-se mais que em Hawkeye, fazendo umas coisas interessantes com o planeamento das pranchas, principalmente nas cenas de acção.

Do outro desenhador, Ron Wimberley, não gostei nada. O seu estilo é muito cheio de traços, um pouco estranho, e pior, delineia as sombras. Não as pinta a tinta, só as delineia, o que no resultado final fica bizarro, quando temos uma coisa, por exemplo, como uma sombra/mancha destas na cara da Jennifer, delineada, mas que depois é da mesma cor do resto da cara.

Marvel 100th Anniversary Special, Jen van Meter, Sean Ryan, Robin Furth, James Stokoe, Andy Lanning, Ron Marz, Joanna Estep, In-Hyuk Lee, Jason Masters, Gustavo Duarte
A premissa deste volume é curiosa: acompanharmos um possível número de uma revista de vários super-heróis (ou equipas) no seu centésimo ano de publicação: entre eles, o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha, os X-Men, os Vingadores e os Guardiões da Galáxia.

Creio que a qualidade dos números não é equilibrada: aceito a lógica de alguns dos números fazerem de conta que são o final de arcos longos que estavam a ser contados naquele ano, mas há histórias que se compreendem melhor nesse aspecto, outras pior, e quanto mais referência faziam a acontecimentos passados (mas que são do nosso futuro), pior. Algumas são sem consequência, ou apenas um repetir dos temas que os heróis já representam; preferia que fossem mais uma reflexão sobre o papel dos respectivos super-heróis nesse futuro imaginário.

O número do Quarteto Fantástico acompanha um grupo de jovens, netos dos heróis (e vilão) originais, como exploradores espaciais que se cruzam com a oportunidade de trazer de volta o passado da equipa. É uma história gira, mas o Quarteto é das equipas que menos conheço e com a qual tenho menos ligação, por isso foi-me difícil importar com o que estava a acontecer. Ainda por cima a história acaba num cliffhanger demoníaco e quase inexplicável, não fossem um par de menções nas histórias mais à frente. O unico ponto a destacar é uma Sue/Mulher Invisível já idosa mas ainda badass.

O número do Homem-Aranha pega no Venom e postula a ideia de o simbionte ter sido melhorado com tecnologia; pelo meio, o Rei do Crime tenta apoderar-se dele e o Peter tenta travá-lo. É uma história que também não me disse muito (para além de: o Venom outra vez?), não adiciona muito de novo ao herói nem traz nenhuma nova reflexão sobre o seu papel. A arte é gira, em estilo pintado e hiperrealista.

O número dos X-Men começa bem, com a ideia que os mutantes mudaram a percepção de parte da humanidade, ao ponto de o Scott Summers chegar à presidência dos EUA. Só que depois a história esquece-se do potencial que isso tem e deriva para território bizarro, com o desaparecimento súbito de vários dos heróis e uma intervençãozinha da Fénix. Não gosto da lógica de "vamos desafazer o passado para salvar o futuro", e soa tudo a fanfiction na maneira como termina, porque nem eu acredito que se desfizesse a continuidade dos X-Men daquela maneira. O ponto alto é vermos o futuro de alguns dos mutantes jovens que acompanham o Ciclope no presente.

O número dos Vingadores pega na ideia de que o território dos EUA desapareceu na Zona Negativa depois de uma tentativa de invasão falhada dos Badoon. Tendo em conta que não estou familiarizada por aí além com nenhum, nem com o antagonista que os personagens encontram, foi mais uma história que me passou ao lado. Achei interessante as ideias que permitem que a Rogue, o Doutor Estranho e o Beta Ray Bill façam parte da equipa, e ainda mais interessante a situação do Homem de Ferro. Mas achava bem mais cativante se acompanhássemos o Capitão América na incursão pela Zona Negativa, como é mencionado que ele está a fazer.

O número dos Guardiões da Galáxia é aquele que vale pelo livro todo, porque é simplesmente fabuloso, uns furos acima das outras histórias. (Talvez pela presença de um dos criadores da equipa de 2008 no argumento, Andy Lanning.) É uma história que flui bem, simples, envolvente, que evoca os Guardiões do presente no futuro. Adoro as pequenas alterações na equipa e nos personagens - a Gamora é agora o Star Lord - que está presumivelmente morto -, o Drax e o Groot evoluíram na aparência e poderes, e o Rocket tem três filhos, perdão, sobrinhos, os Racoons, que são as coisas mais adoráveis de sempre, e que herdaram o gosto do pai, erm, tio pelo armamento. Há ainda aparições de Knowhere, do Galactus (que evoluiu de maneira intrigante), e dum arauto que pertence ao passado dos Guardiões. A arte é muito adequada à aventura no espaço e adorei.

Black Widow v. 1: The Finely Woven Thread, Nathan Edmondson, Phil Noto
Lá estou eu outra vez com as comparações, mas este título também é como o Hawkeye e o She-Hulk, no sentido em que acompanhamos a Viúva Negra no seu dia-a-dia. Que no seu caso, passa por viajar pelo mundo a fazer coisas de espião.

Apreciei bastante o desenvolvimento do enredo, cheio de intriga, perigo e acção, com uma boa evolução e equilíbrio. A evolução da protagonista, a Natasha, está bem delineada: a personagem quer expiar o que fez no passado, e aceita trabalhos tendencialmente bons no sentido moral, para compensar as vítimas dos seus actos passados. Gosto da sua narração sobre o trabalho de espionagem, e da relação que desenvolve com o gato que ronda a sua porta quando está em Nova Iorque.

A arte vai ficar como das minhas favoritas, fotorealista, em estilo pintura, muito bonita e cativante, foi uma delícia acompanhá-la.

Moon Knight v. 1: From the Dead, Warren Ellis, Declan Shalvey
Não conhecia nada deste personagem, de todo. A razão pela qual quis ler este livro foi por ter visto algures uma boa opinião, e o que era dito me fez ficar curiosa o suficiente para me arriscar na leitura. E foi uma boa aposta: cada número contido no livro é uma história stand-alone, e os criadores fazem um óptimo trabalho em caracterizar o personagem bem o suficiente para os que não estão familiarizados com ele.

E é um personagem fascinante de explorar. Um homem que ressuscitou por obra de um deus egípcio, Khonshu, procura vingança contra os que atacam pessoas que viajam à noite; a noite é o seu elemento, e caça os predadores. Tem perturbação de personalidade dissociativa, que é apresentada de forma subtil e intrigante, mas o que faz dele um personagem que nos faz questionar a sua sanidade é o modo como se lança no perigo sem hesitar, caçando os criminosos sem preocupação consigo próprio: Marc Spector está sozinho no mundo, isolado, como é mostrado subtilmente ao longo da história.

A Nova Iorque aqui apresentada é escura, sombria, arrepiante, tanto dominada por um assassino em série como por acontecimentos sobrenaturais. As histórias são variadas, mas envolventes, criadas de forma que destaca o trabalho dos artistas.

E que trabalho esse. O desenhador tem oportunidade de mostrar um repertório completo, entre o submundo novaiorquino, uma aventura psicadélica, ou fantasmas violentos. Há uma ocasião em que o trabalho de um sniper é apresentado duma forma visualmente estimulante, que elimina as vítimas da prancha até esta ficar em branco.

O trabalho de cor é lindo, cativou-me o olho, é versátil, e com opções fantásticas a nível visual, tanto no uso predominante duma cor conforme a aventura, como na escolha de não pintar o Moon Knight de todo, o que só destaca ainda mais o seu uniforme. Fiquei fã.

sábado, 11 de outubro de 2014

Curtas: BD parte II - Wolverine and the X-Men, Hawkeye

Wolverine and the X-Men vol. 5, Jason Aaron, Nick Bradshaw, Steve Sanders, David López
X-Men são dos meus heróis favoritos para seguir, e cheguei à conclusão que gosto particularmente das histórias que metem aquilo a que vou chamar "sarilhos na escola para mutantes". Algumas das fases dos X-Men que mais gostei de acompanhar metiam isto. New X-Men do Grant Morrison, a fase dos New X-Men que se seguiu, quando seguia equipas de jovens mutantes, e agora este título de Wolverine and the X-Men.

Que é o mais divertido de todos, provavelmente. Primeiro porque, ei, o Wolverine é o director da escola para mutantes! Parece impossível, mas tem resultado. Mais ou menos. A escola ia quase sendo destruída no primeiro dia, nada de mais. Depois, porque as situações que têm acontecido ao longo dos números têm sido bem divertidas (ver: escola quase destruída no primeiro dia), e as próprias histórias têm sido escritas com um bom sentido de humor. Cada personagem sente-se como único, e não há um que me aborreça.

Este volume começa com a Kitty Pryde à procura de um novo professor para a escola, o que se torna engraçado quando tem de afastar gente como o Blade e o Deadpool; entretanto, a Rachel Grey e o Wolverine andam à procura do Hellfire Club, que na sua versão júnior (a sério, são putos psicopatas muito inteligentes) têm dado alguns sarilhos à escola; e o Anjo tenta recrutar uma nova jovem mutante no Brasil.

De caminho, os professores são enfeitiçados para se tornarem parte dum circo (e temos direito a Wolverine vestido de palhaço, que é das coisas mais hilariantes que já vi), e são os estudantes que têm de ir resolver a coisa. O enredo acaba por envolver os miúdos do Hellfire Club duma maneira surpreendente, e diria que o capítulo inicial e estes do circo são os meus favoritos do livro.

O último número é um de transição. O Wolverine fica de babysitter na escola, porque é a noite de folga dos professores. A Kitty e o Bobby vão sair num encontro, o que parece estranho, um módico de normalidade numa vida tão incomum como a que têm. O Fera tenta ajudar o Broo, que está em coma. E a Tempestade mete-se com o Wolverine, deixando-o desconfortável (o Wolverine desconfortável? ah!), e pede-lhe ajuda para o corte de cabelo mais assustador que eu já vi. Um cabeleireiro está demasiado fora de moda?

Em termos de arte, também favoreço o artista que desenhou o primeiro número (#19) e os números do circo (#21-23), Nick Bradshaw. É um traço mais seguro e distintivo e trabalhado, e que visualmente resulta melhor para mim. Gosto menos do trabalho do desenhador do número #24, David López, cuja maneira de desenhar as faces é demasiado estranha para mim, e a coloração às vezes não ajuda.

Hawkeye vol. 1: My Life as a Weapon, Matt Fraction, David Aja, Javier Pulido, Alan Davis
Isto... bem, por vezes o burburinho em torno de uma coisa é totalmente merecido. Este é um desses casos. Este é um livro tão divertido e escrito duma maneira fabulosa  A ideia-base é a de seguirmos Clint Barton, o Hawkeye/Gavião Arqueiro, quando não está com os VIngadores ou a SHIELD. No dia-a-dia. A fazer coisas normais. Bem, se considerarmos passar seis semanas no hospital normal, suponho eu.

Parte do interesse tem a ver com a caracterização do protagonista. Geralmente o Hawkeye é o tipo mais "normal" no meio de imensos superseres, e isso é capaz de o ter contagiado um bocadinho com o superheroísmo, mas também com o ego e a atitude. Porque o Clint no tempo livre acaba por tentar resolver os problemas que vê à sua volta. Só que com a sua sorte (ou azar) macaca, acaba sempre metido em sarilhos. Ou no hospital. E a cereja no tipo do bolo é a atitude "costelas partidas? gesso nas pernas durante 6 semanas? ah, isto não é nada", combinada com uma boa dose de não saber quando desistir. Acaba por ser um personagem bem engraçado de seguir, pelo seu ponto de vista único.

Também gosto tanto do papel da Kate Bishop nas histórias. Primeiro porque metade das vezes ela acaba a salvar o traseiro do Clint. E na outra metade, ela acaba a fazer um truque qualquer com as setas e o arco que até ele fica impressionado. E depois porque acho imensa piada à relação que os dois têm. O Clint assume um papel de mentor, mais ou menos, mas não dum modo formal. Os dois têm feitios tão parecidos que passam o tempo a meter-se um com o outro, mas também é por isso que trabalham bem juntos.

Este volume tem ainda um número de Young Avengers Presents, dedicado à Kate, que é sobre a primeira vez que ela e o Clint se encontram. Muito giro, dá para entever alguma da dinâmica da equipa Young Avengers, e para perceber como é que eles se encaixavam no universo Avengers. Também é interessante ver o Clint a testar a Kate para ver se ela é merecedora de usar o seu arco e o seu nome de código.

Em termos narrativos e visuais, adoro as opções que os autores tomaram aqui. Narrativamente, Matt Fraction não tem medo de usar estruturas menos comuns e mais complexas - o intercalar de narrativa entre o passado imediato e o presente, uma enumeração como fio narrativo, o uso de uma pista visual para um personagem que vai aparecer mais à frente (fiquei tão contente quando topei isto) -, o que aumentou para mim o interesse das histórias.

David Aja desenha os três primeiros números, e é qualquer coisa merecedora de se ver. O desenho em si não é muito complexo, mas usa bem sombras e o preto/branco, e o uso de vinhetas abundantes e o seu posicionamento na prancha é fabuloso. O outro artista, Javier Pulido, não arrisca tanto visualmente, mas também tem uma ou outra opção interessante.

O trabalho de cores é fantástico, e complementa muito bem o estilo de David Aja, usando o preto/branco a seu favor - os ambientes são monocromáticos, com o destaque e uso abundante duma cor em primeiro plano, como o roxo ou o vermelho. (E gosto tanto daquelas capas mais minimalistas.) É um volume que vale mesmo a pena.