domingo, 23 de abril de 2017

Curtas BD: No Coração das Trevas DC, volumes 4 a 6

Uma história que captou o meu interesse pela protagonista e pelo tom. Selina Kyle está morta para o mundo, mas um golpe que corre mal deixa-a desesperada e ambiciosa: o golpe que se propõe executar de seguida envolve roubar da máfia. Com um plano tão temerário, é provável que as coisas venham a correr mal...

Uma história que me cativou pelo tom noir, ao estilo daquelas narrativas de detectives de antigamente, com um golpe, uma femme fatale, violência estilizada a todos, um detective e montes de gente em sarilhos antes da história acabar... É um enredo clássico e rodado, mas é precisamente por isso que resulta.

A arte também me encheu o olho, o estilo é cartoonesco e simples, mas muito eficaz e cativante. Ajuda que as cores sejam de Matt Hollingsworth, creio que ele trabalhava em Hawkeye e o seu estilo adequa-se perfeitamente.

O volume contém ainda uma história curta com dois dos personagens da história principal, e um assalto que corre mal, colocando-os na mira do Batman, pois as suas acções ditam um momento muito familiar a Bruce Wayne. Uma coincidência interessante, e com economia de palavras é fácil perceber as acções dos envolvidos.

Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo, Ales Kot, Matt Kindt, Patrick Zircher
É um bocadinho óbvio que esta é uma história a meio do decorrer da revista que acompanha a equipa; ao que entendo houve uma mudança de escritor, e isto é um mini-reinício da narrativa, mas parecem ter acontecido coisas antes disto, e não sou fã da ideia de apanhar uma história a meio.

O enredo em si não é nada de especial, pelo menos não no que toca às missões: são genéricas, cheias de vilões genéricos, desconhecidos e com motivações desinteressantes, e por vezes são mesmo confusas. O interesse está na exploração dos personagens: a Harley Quinn é incrivelmente interessante, e morri ao descobrir que o querido irmãozinho psicopata da Barbara Gordon, a Batgirl, que apareceu nalguns dos volumes dela que li o ano passado, aparece aqui! A ideia de tê-lo como analista é fabulosa. (Bónus no volume: dois números sobre a origem da Harley e do Deadshot. Algumas ideias interessantes, mas não é a maior invenção desde a roda.)

Dentro dos vários artistas aqui presentes, acho que gostei mais do Patrick Zircher, responsável pelos três primeiros números. A arte é complexa e nada aborrecida e dinâmica - e bónus, não desenha a Harley como uma pin-up, coisa que estou rapidamente a aprender que é praticamente irresistível para todos os artistas que a desenham. A sério, é a ideia mais básica de sempre tendo em conta o uniforme dela. O artista da narrativa sobre ela também era minimamente interessante, num sentido mais cartoonesco.

Joker & Harley Quinn: Amor Louco, Paul Dini, Bruce Timm
Ok, acho que entendo porque é que a história titular foi tão popular na sua altura. Depois de um tom tão negro nos comics vindo dos anos 80, a série animada criada por estes dois artistas (e esta história) devem ter sido uma lufada de ar fresco. Contudo, sinto que se saísse nos dias de hoje, nunca teria a mesma relevância.

De qualquer modo, é uma história bem divertida. O humor é apalhaçado, exagerado, físico - adequado para dois vilões que se vestem como palhaços, curiosamente. Morri a rir com os comentários da Harley ("não queres acelerar na tua Harley?"), com os sonhos da Harley sobre a vida deles em conjunto, e com o Joker a imaginar os outros vilões a gozar com ele quando se soubesse que a Harley fez um melhor trabalho que ele a derrotar o Batman. (E gostei que ela o fizesse.)

No entanto, a luz a que mostra a relação deles, o tom divertido, só faz um melhor trabalho a destacar algo preocupante: o quão disfuncionais e errados eles são juntos. Em adição, a arte presta-se ao tipo de história, dinâmica, cartoonesca, fantasticamente colorida. Muito gira.

O volume contém também uma história pelos dois artistas principais, Demónios, que envolve Ra's Al-Ghul, e é gira, mas honestamente não é tão boa como Amor Louco. A terceira história no volume é uma com a Harley e a Poison Ivy, que raptam o Bruce Wayne para o usar como um cartão de crédito ambulante, e irem às compras de Natal para elas. Super-engraçado, especialmente pela frustração do Bruce em ter de fazer o que elas mandam.

sábado, 22 de abril de 2017

Hunted, Meagan Spooner


Opinião: Estou a chegar à conclusão que esta é uma opinião difícil de escrever. Mais uma. Tenho tido muita sorte, porque continuam a cair-me no colo bons livros, livros que se tornam favoritos. Sinto-me muito contente por isso. (E grata pela minha intuição ao escolhê-los.)

Ao meditar sobre esta leitura, dei por mim a pensar no Cruel Beauty. Uma amiga estava a lê-lo recentemente e sentiu-se acerca dele exactamente como eu na altura, e senti-me vindicada por não gostar dele ao contrário da opinião geral. E isto é relevante porquê? Porque Hunted é tudo o que eu esperava que Cruel Beauty fosse e acabou por não ser. Preencheu-me a alma de leitora, e abordou uma história querida duma forma nova e fascinante.

Hunted é um retelling de A Bela e o Monstro (e não só, contendo fragmentos de outros contos, incluindo um de origem eslávica que dita parte dos acontecimentos); e uma das suas melhores facetas é precisamente o tom e a linguagem, pois de algum modo Meagan Spooner consegue recapturar esta sensação de estarmos a ler um conto de fadas, com criaturas fantásticas, maldições mágicas e regras curiosas sobre como o mundo funciona.

A história começa duma forma que segue muitos dos recontares da lenda em foco: Yeva é a mais nova de três irmãs, e a família vive em sociedade (numa Rússia rural medievalista) até o pai tomar as decisões erradas nos negócios, precipitando uma queda de graça da família.

A diferença aqui prende-se com Yeva e a sua personalidade: ela até fica meio contente pela queda de graça. Eles têm de se mudar para uma antiga cabana de caça que o pai (ainda) possui. Sem paciência para o dia-a-dia em sociedade, Yeva prefere passar o dia na floresta, a caçar, habilidade que lhe foi ensinada pelo pai em pequena, e apenas abandonada por ter crescido e estar à beira de se tornar numa "senhorinha".

Há algo de fascinante na personalidade de Yeva, algo com o que podemos identificar: a sua insatisfação. Yeva não se quer contentar com a vida em sociedade, não se satisfaz com o que tem. Quer algo mais, ainda que não saiba exactamente o quê. Soa refrescante; ainda que o recontar da Disney já tivesse parte destes elementos, Hunted explora essa sensação de procurar algo mais de forma mais completa. (É um bom contraponto à mensagem original do conto, que poderá ter sido escrito para sugerir às donzelas para se satisfazerem com o marido que lhes calhasse na rifa, ainda que fosse um monstro - poderiam domá-lo e fazê-lo amá-las.)

Adorei ler sobre a relação familiar no centro da história: Yeva adora o pai e ama as irmãs. A relação fraternal é forte e amorosa e é também refrescante ler sobre isso. (Outras versões do conto não são tão caridosas para as irmãs da Beauty.) Até adorei ler sobre o Albe, que é uma espécie de irmão adoptado da família; mesmo na queda de graça, não os abandona. Foi bonito ler sobre a dedicação de Yeva à sua família, ao mesmo tempo que ama a floresta e a caçada; é provavelmente a razão pela qual ela não procurou confrontar a sua insatisfação mais cedo.

Ainda tenho de falar do Solmir. É uma figura Gaston-like, no sentido em que procura a mão da nossa Beauty; a diferença é que o Solmir é inteiramente uma boa pessoa. A posição dele na história é curiosa: a Yeva sente uma pressão societal para o aceitar - a família está a passar um mau bocado e ele podia ajudar com isso. Além disso, se espera manter um pé na sociedade ele é o mais próximo de liberdade que podia ter - compreende em parte o amor dela pela caça e seria um marido que não se oporia a que ela mantivesse esse interesse.

Mas "perfeito no papel" e "o melhor que se pode arranjar" não são propriamente recomendações brilhantes, e Yeva sabe desde o início o quão errado ele é para ela. Atrevo-me a dizer que o rapaz esteve sempre firmemente na friendzone; no início do livro quando lhe falam dele e do suposto interesse dele por ela a Yeva fica com uma atitude do género "porque é que me estão a falar deste tipo, só quero é ir para casa e meter-me na floresta".

E isto é só o início. Ainda não falei da parte principal da história, mas esta sabe melhor sendo descoberta. O que é preciso saber é que o pai da Yeva desaparece na floresta, e sem saber o que aconteceu, Yeva parte à aventura para encontrá-lo. Descobre uma besta na floresta, uma que a captura e a leva para o castelo.

O que acontece a partir daí é semelhante e ao mesmo tempo bastante diferente do que conhecemos. Digamos que a história lida bem com os temas do conto original que mencionei ali em cima. Aborda-os, e dá-lhes a volta; e desenvolve a relação da Bela e o Monstro duma forma bastante satisfatória evitando os seus aspectos problemáticos - ou melhor entendendo-os, e escrevendo duma forma em que podemos apoiar os personagens juntos sem duvidar do porquê de estarem juntos.

A história em si é pouco romântica, no sentido em que não temos muitos momentos para suspirar de quão amorosos são os intervenientes do par protagonista. Mas isso não quer dizer que a sua relação não é desenvolvida; pelo contrário. As partes da história no castelo são calmas e sossegadas por isso mesmo. Estas duas, erm, pessoas têm objectivos que chocam um com o outro, mas desenvolvem umas tréguas ao encontrarem um objectivo mais ou menos partilhado.

Acho que a melhor parte de os ver juntos é que a sua história começa opondo-os como inimigos, e a aproximação é tão gradual que é fácil de nos passar despercebida até estar mesmo à frente do nariz. E mesmo quando é óbvio, isso não resolve os problemas de ninguém. Gosto que seja um reconhecimento da vida real: nada é simples, as coisas vão continuar a vir e tentar destruir-nos. A nossa atitude é que faz a diferença.

Gosto que os dois juntos se tornem um encontro de iguais: pessoas com os mesmos anseios e desejos que reconhecem no outro uma visão semelhante da vida. Disse que a história era pouco romântica? Perdão, isto parece-me romântico o suficiente.

Um recontar de A Bela e o Monstro nada era sem uma maldição, certo? Aqui o objectivo da mesma não é bem aquele que conhecemos; tem a ver com o recontar duma lenda eslávica relacionada com o Firebird. O melhor mesmo é vê-la desenrolar-se aos nossos olhos. Aprecio a mensagem: não há algo que resolva tudo e nos traga felicidade eterna. Nada nos completará magicamente. Lutamos por cada pedaço de felicidade e por aquilo que queremos, e só podemos esperar nunca nos perdermos no caminho.

O fim é fofinho, adorável, suponho, mas deixou-me com o raio duma insatisfação. Queria mais. Vá lá, sabemos que estes dois vão ter mais aventuras. Bem podemos ficar a sonhar com elas.

Páginas: 384

Editora: HarperTeen (HarperCollins)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

100 Hours, Rachel Vincent


Opinião: Esta é uma pequena mudança de género e de tom para a autora; nunca lhe vi um livro tão claramente a pender para o thriller. E que bem que me soube: devorei-o num instante a passei uns bons bocados com ele.

100 Hours conta com essa premissa mesmo, decorre em 100 horas, e descobrimos o que decorre nelas com duas primas e o seu grupo de amigos. Maddie é a "boazinha", e desaprova o comportamento VIP da prima. Genesis é a herdeira de um império de transportes, e age como se toda a gente estivesse à sua disposição.

No caso, é bem verdade. O que eram para ser umas férias nas Baamas para o grupo de amigos, acaba por ser uma escapadela à Colômbia, a reboque da Genesis, que quer ver o país de origem da sua família. A visita das praias mais recônditas expande-se para uma expedição no meio da selva - onde os jovens são interceptados e raptados por um grupo cujos motivos não são os mais óbvios...

Diverti-me bastante com a parte inicial, a descrição de um grupo de jovens maioritariamente rico, habituado a fazer o que quer. Pode ser um pouco exagerado; mas por outro lado, acho esta parte algo credível. Acredito que com dinheiro e liberdade, qualquer um podia portar-se de forma mais excêntrica.

Além disso, diverti-me a ler sobre gente não "boazinha": miúdos que se embebedam, fazem a festa, traem o namorado, dizem coisas ridículas sobre as amigas. De certo modo é realista também, na forma como adolescentes adoptam comportamentos extremos. E achei refrescante o tipo de comportamento deles.

Gostei mesmo da Genesis. Tem um feitio lixado, é cheia de si, tem a mania que sabe tudo e guia os amigos como se fosse dona da vida deles, age como uma herdeira mimada, comete pecados difíceis de aceitar. Gosto que seja difícil de gostar, alguém tão obviamente não-"boazinha". Gosto do outro lado que ela revela, a adolescente treinada pelo pai para todo o tipo de situações perigosas, a pessoa analítica e inteligente, lutadora com experiência e dotada de um tipo de lealdade que a impede de deixar quem quer que seja para trás.

A Maddie também tem o seu quê de interessante. Cedo na história atravessa-se-lhe um momento complicado, algo que eu achava que a autora não ia ter coragem de fazer... pontos bónus por tê-lo feito. Tem um desafio suplementar - é diabética e a bomba de insulina portátil precisa ainda assim de ser reposta. Sem grandes capacidades, vai longe e dá o seu contributo para avançar a narrativa e ajudar os seus. (E o Luke é amoroso, especialmente na sua dedicação canina e determinada.)

A meio da narrativa a acção começa a sério, e os motivos dos raptores são bem diferentes do óbvio, e é fascinante ver essas revelações mostrarem-se... nem sequer tem exactamente a ver com as nossas protagonistas, mas mais com os, digamos, pecados dos seus respectivos pais. Aquilo que descobrios é altamente sugestivo e intrigante.

A parte final, então, é de roer unhas. A reviravolta é muito boa, e fascina-me pensar nas suas implicações; além disso, as acções involuntárias da Genesis provocam uma tragédia muito maior do que ela esperava, e estou curiosa em ver como isso a afecta no segundo livro. Por fim, temos um cliffhanger do mal, o estado de toda a gente fica em suspenso, e lá volto eu a roer as unhas.

Dois destaques ainda: a maneira como a situação actual na Colômbia é apresentada. A autora tenta desmistifcar algumas das ideias preconcebidas sobre o país, creio eu. E como a narrativa mostra um grupo de emigrantes a ser bem sucedido nos EUA. Isso é muito interessante.

Por fim, tenho a dizer que não sendo particularmente extraordinária, esta é uma boa história, que me deu gozo acompanhar, com um tom que me agradou e um conjunto de personagens cativante de acompanhar, e cujo resultado espero com curiosidade no próximo ano.

Páginas: 368

Editora: Katherine Tegen Books (HarperCollins)

domingo, 16 de abril de 2017

The Struggle, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Eh, este soou exactamente a um livro do meio duma série, e não é propriamente no bom sentido que o digo. Está demasiado focado em preparar os acontecimentos do próximo livro, e por isso parece que nada acontece neste, o ritmo do enredo é algo... aborrecido.

A piada da coisa é que, em teoria, montes de coisas interessantes e importantes acontecem. Mas a maneira como são expostas não é a minha favorita; e além disso, são afogadas pela forte presença do elemento romântico.

E falando no mesmo, pode-se dizer que me tornei fã do casal principal. A Josie e o Seth funcionam bem juntos, gostam mesmo um do outro, defendem-se e lutam um pelo outro. No entanto, sinto que a sua relação e respectiva evolução ocupou demasiado espaço de antena no livro, não dando espaço a que o enredo evolua.

Além disso, a Jennifer faz com eles uma coisa que me fez revirar os olhos. É o cliché dos clichés, e tenho receio de ver como isso vai condicionar a narrativa daqui para a frente. Achei as reacções dos dois a isso realistas, e por isso tenho esperança que corra tudo bem, mas veremos.

Fora isso, tenho gostado do que esta série vai revelando sobre a mitologia deste mundo, e este volume não é excepção. Há algumas coisas com muito potencial aqui, e quero continuar a ver o que dali sai. Estou curiosa para ver o que andam os deuses a tramar, têm andado muito discretos, e isso nunca parece ser bom sinal.

Falando individualmente dos personagens, gosto bastante da Josie. Acho que ela tem ido evoluindo, mas gosto de como se mantém terra-a-terra, e como alguém recém-introduzida a este mundo, não perdendo o seu lado "humano" e mundano. (Acho muito credível a sua reacção à "notícia".) No entanto, ela passa por uma situação complicada, e acho que a Jennifer não aproveitou o potencial da situação para explorar as reacções da Josie a esse momento. E teria sido mais realista vê-la com sequelas do mesmo.

O Seth continua aquele tipinho irritante, mas também tem tido uma evolução interessante ao longo dos livros, e gosto do que tenho visto dele. Os novos factos acerca dele são fascinantes, e mudam as coisas duma forma curiosa. Acho ainda engraçado que o Seth tem ido ganhando juízo, sem deixar de ser ele mesmo.

Foi bom rever outros personagens, como a Alex e o Aiden, que deixaram tantas saudades. São um casal adorável, muito forte e fantástico de acompanhar, ainda que já não sejam os protagonistas. E o Deacon e o Luke também são uma delícia de acompanhar. (Além disso, o Deacon é o grande responsável pelos momentos humorísticos do livro. Adoro o humor dele e do livro em si.)

E pronto, aqui estou eu, pronta para esperar mais um ano. Inicialmente isto era para ser uma trilogia, mas de momento estão planeados quatro livros, ao que sei. Apesar das falhas, tenho fé na autora e estou curiosa para ler como ela vai resolver certos problemas. Espero que o quarto livro seja mais animado e excitante, e que traga um bom fim para a história destes personagens.

Páginas: 368

Editora: Hodder & Stoughton (Hachette)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 32 a 34

Homem-Aranha: Azul, Jeph Loeb, Tim Sale
Hmmm. Esta acabou por ser revelar uma história e uma narração interessantes. Não tem exactamente princípio nem fim; é um recontar de histórias do Homem-Aranha de tempos antigos - o Peter cruza-se com alguns dos seus típicos inimigos, como o Duende Verde, o Lagarto ou o Rino. E nos entretantos, a narrativa mostra pedaços do dia-a-dia do Peter, com a tia May ou com o grupo de amigos que inclui o Harry Osborn, o Flash Thompson, ou as verdadeiras bombas que são a Gwen Stacy ou a Mary Jane Watson.

Acho que apreciei a narrativa pela sua simplicidade - a vida do Peter era definitivamente menos complexa e dramática; tudo o que o preocupava, para além dos vilões típicos, era estar dividido entre as atenções de duas moças giras. Apreciei a descrição dos momentos passados entre amigos, e gostei da caracterização da jovens; deu para vislumbrar uma personalidade forte e o porquê de se interessarem pelo Peter.

A arte é bastante boa; com um estilo clássico e simples, mas mesmo cativante. Gostei de como as meninas foram apresentadas, mas também gostei da expressividade do traço. O final é melancólico, mas gostei que relembrasse que não foi só o Peter a ser afectado pela tragédia da Gwen.

Thor: O Último Viking, Walter Simonson
Para uma colecção de histórias clássicas, acabei a divertir-me muito. Normalmente estas são muito soltas e não tendo um fio condutor, colectando narrativas curtas; mas esta compensa isto e muito. Creio que a "culpa" é do autor: pareceu-me fantástico como argumentista. Conseguiu cativar-me e interessar-me pelos personagens em foco no livro (Beta-Ray Bill e o titular Último Viking) e pelas suas histórias.

Em adição, consegue captar bem um certo tom que é perfeito para narrar as aventuras de um deus nórdico. Há muitos elementos conhecidos da mitologia do Thor da Marvel e muitos elementos da mitologia nórdica, e algumas pequenas surpresas e coisas giras.

A arte é mais cativante graças à recoloração, que é dinâmica e mais moderna, mas o próprio traço em si é complexo e dinâmico e capaz de captar o olhar do leitor. Em suma, uma boa surpresa.

Vingadores: Primordial, Brian Michael Bendis, Alan Davis
Ok, a história em si é um pouco básica, mas é divertida. A premissa é que decorre algum tempo depois da Guerra Civil e logo após o evento Cerco nos comics: o Tony Stark e o Steve Rogers ainda estão amuados um com o outro e continuam a discutir quando têm oportunidade; por sua vez, o Thor está mesmo, mesmo, mesmo farto de os ouvir. (Pobrezinho. Nós também, querido.)

Entra em cena um evento cataclísmico que altera a maneira como os reinos da mitologia nórdica se relacionam, e os três são arrastados para um cenário de fantasia épica que os obriga a procurar uma solução para o desalinhamento do universo como o conhecem.

Huh. É isto que os super-heróis fazem quando precisam de terapia de casal, então? Porque a história é escrita com algum sentido de humor; o Steve dentro de meia hora após aterrar num local estranho, já arranjou uma armadura e um escudo, e conseguiu encantar um elfa negra jeitosa; o Tony por sua vez acaba por se meter em apuros e tem de ser salvo pelo Steve.

Já o Thor está em apuros mas sai deles sozinho, e faz por descobrir quem está por trás de tudo, enquanto os outros dois estão a resolver os seus problemas. E pronto, as coisas terminam bem e os Vingadores voltarão ao seu estado natural. Pelo menos já ninguém tem de aturar mais discussões.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Culpa é Minha, Louise O'Neill


Opinião: Ah, este livro... é complicado, mas vale a pena. As primeiras 80 páginas são bastante mansas, até aborrecidas, mas são o pedaço de caracterização mais importante da narrativa. A Culpa é Minha começa por nos apresenta o dia-a-dia de Emma, uma adolescente irlandesa típica, bonita e popular.

A pescadinha de rabo-na-boca é esta: a Emma é uma pessoa extremamente difícil de gostar. Na vida real, sei que não seria amiga de alguém com o feitio dela. Manipuladora, sempre a colocar as amigas umas contra as outras, a rebaixá-las subtilmente, tudo para se sentir melhor, para se sentir como a mais bonita, a maior em tudo de todas elas.

E é exactamente por isso que Louise O'Neill a caracteriza assim. A Emma é representativa de uma boa fatia das adolescentes por aí - fomos todos egoístas e auto-centrados, a certo ponto -, mas o seu feitiozinho é o que força o leitor a confrontar-se com o preconceito. É mais difícil não pensar que "estava a pedi-las" quando a vítima é alguém difícil de gostar, não é?

Ah... a secção da festa e do que acontece à Emma é bastante dolorosa de ler. A primeira parte do que lhe acontece, bem, ela nem se consciencializa do que aconteceu, realmente, e depois numa espécie de competição consigo própria, entra numa espiral descendente que é aproveitada por jovens da idade dela, que ela conhece, para fazer algo que é tão extremo que é um desafio ler o resto do livro, ler sobre as consequências dos actos deles, sem ter vontade de uma pessoa se lançar numa fúria destruidora. Só que não podemos defrontar personagens ficcionais, não é? E na vida real, as coisas também não funcionam exactamente assim.

O Depois... é uma secção fragmentada. É sobre as consequências daquela noite, é narrada pela Emma. E é uma secção aterradora. É uma narração do ponto de vista da vítima e do que as acções de outros lhe fazem, e continuam a fazer. O caso da Emma vai parar aos media porque envolve fotografias colocadas no Facebook. E ainda é mais enfurecedor: porque as consequências são bastante públicas, e no entanto a opinião pública vira-se maioritariamente contra a vítima.

O que causa mais horror nisto tudo... é que é um retrato muito fiel do que vemos acontecer na vida real. Quantos casos vemos nas notícias, intensamente mediatizados, mas em que o agressor se safa com uma pena leve "porque ai coitadinho não lhe vamos estragar a vida".

E de caminho ele (e nós, sociedade) estragámos a vida à vitima, que não só perdeu controlo da sua vida e autodeterminação às mãos de outra pessoa, que tem sequelas graves, físicas e mentais, de lidar com tal situação, que tem de enfrentar o constante bullying da sociedade porque há sempre quem não acreditará nela, quem lhe chame todos os nomes e a culpabilize e diga que "estava a pedi-las".

Dos crimes julgados em sociedade, nenhum é tão estúpido como a violação. É o único em que a pessoa julgada como culpada em tribunal é a vítima.

E por isso o relato da Emma no Depois é triste. Torna-nos pequeninos perante o sofrimento, a sensação de nunca escapar às acções dos outros, perante as consequências grandes e pequenas que tal momento tem na vida da vítima e dos que a rodeiam. A vida familiar da Emma fica um cenário completamente irreconhecível, e isso também é entristecedor.

Compadeço-me do que os pais dela passaram, mas o que fica é uma falta de entendimento da parte deles, uma falta de apoio. A sensação de alívio que emana deles quando a Emma toma a decisão no final? Ahhhh, não lha posso perdoar-lhes. Soa a como se estivessem só a pensar no que passaram e a esquecer dos problemas da filha.

No final fica a impotência, a noção de que nada podemos mudar na situação dela. Podemos mudar como sociedade e no futuro tratar outras Emmas de forma diferente, mas é enfurecedor. O final não é feliz, e é muito em aberto, algo insatisfatório... mas é realista. Quantas vezes isto não acontece também na vida real? E no fim de contas é uma decisão da Emma.

Numa situação em que ela nunca teve uma palavra a dizer sobre o que lhe acontecia, aqui ela tomou as rédeas e escolheu fazer o que lhe parecia ser melhor para si e para os seus. Entristece-me, mas fico satisfeita por ela. Ninguém podia pedir a esta personagem ficcional, como ninguém pode pedir a uma vítima na vida real, para carregar a tocha da verdade e da justiça. É um fardo pesado de carregar.

Título original: Asking for It (2015)

Páginas: 256

Editora: IN Edições (Zero a Oito)

Tradução: Rui Azeredo

domingo, 9 de abril de 2017

Conta-me Três Coisas, Julie Buxbaum


Opinião: Ok, aqui vão três coisas:

1) Adorável, mas não memorável;

2) Não sendo nada de especial, não entendo porque teve tanto destaque no panorama literário YA o ano passado... quer dizer, não inventa a roda nem nada que se pareça no que toca aos temas que aborda;

3) É fácil esquecer isso, no entanto, com o charme do admirador/correspondente secreto e o mistério da sua identidade que é oh-tão-óbvia.

Conta-me Três Coisas é a história de Jessie. A mãe morreu há dois anos, o pai voltou a casar recentemente e mudou-os para Los Angeles, para viver com a madrasta e o filho dela. Uma situação que compreensivelmente perturba a Jessie, arrancada de tudo o que conhece, ainda a fazer o luto. No entanto, depois do seu primeiro dia, começa a receber e-mails de um anónimo que animam os seus dias...

Provavelmente este livro ter-me-ia cativado mais se a sua protagonista se tivesse revelado mais interessante aos meus olhos. Quer dizer, em muitos aspectos ela até faz a coisa certa na caracterização da protagonista. A Jessie é tão interessada, e awkward e resmungona, como o adolescente típico. Mas talvez fosse isso que lhe falta: aquele extra que torna um protagonista inesquecível.

As partes do luto pela mãe são interessantes, mas acho que tinha ganho mais em ler em inglês, curiosamente. Senti um desligamento do texto, algo que não me permitiu sentir as emoções no todo. Normalmente sinto isso só quando estou a ler em português; algo na tradução não me permite ligar ao texto inteiramente, e isso é uma pena, que eu acabe a estar mais confortável a ler em inglês do que na minha própria língua graças à barreira que a tradução me põe.

Achei irritantes um par de coisas na narração da Jessie: uma, os clichés em demasia. Todo aquele ódio às pessoas de Los Angeles, como são focadas na aparência e podres de ricos e nhénhénhé... ugh. Um pouco mais de imaginação, por favor. O mesmo se aplica à Gem e ao irritante que é ainda termos de recorrer ao estereótipo da mean girl para agitar as coisas.

Dois, aborreceu-me de morte a Jessie queixar-se tanto da mudança e fazer esforço zero para aproveitar a nova vida. Talvez porque já tenha estado na mesma situação (mudar de casa e cidade sem achar piada nenhuma à coisa), mas que nervos, tanta lamúria. (Está bem que não tive que lidar com luto, felizmente, mas por outro lado era três vezes mais atadinha que a Jessie, e não tive tanta dificuldade como ela a aceitar a nova realidade. E era mais jovem e provavelmente menos madura que ela. Ok, já chegar de partilhas pessoais.)

O elenco de personagens secundários é incrivelmente mais interessante. A Scarlett, a amiga que ficou para trás, e compreendi bem o seu lado. A Dri e a Agnes são uma fantástica adição ao seu grupo de amigos. O pai da Jessie tem uma posição curiosa, ainda a adaptar-se à nova vida, o que deixa-a algo desamparada. O Theo é o irmão-por-casamento, com uma personalidade fantástica e que até tenho pena de não ver mais explorada. A Rachel (a madrasta) também tem uma posição interessante na narrativa, e é pena que só tenha uma cena (no final) com nuance.

Uma das coisas mais interessantes de toda a narrativa, no entanto, é o mistério do correspondente anónimo. Oh, é bastante óbvio, pelo menos para o leitor, qual é a sua identidade desde o início. Para a Jessie não, e até que é divertido vê-la vacilar e tentar adivinhar e encher-se de esperanças quanto à identidade dele e vê-las morrer quando acha que é um rapaz que não é aquele pelo qual tem uma paixoneta na vida real.

A sério, as inseguranças e dúvidas dela quanto à coisa são amorosas (totós, mas amorosas), mesmo quando já é óbvio para ela também. E devo acrescentar que os momentos dela com a paixoneta da vida real e com a pessoa online são bastante fofos. São o que fizeram este livro valer a pena para mim.

O final é mesmo à filme, tipo comédia romântica, com uma série de trocas e enganos que se resolvem num ápice, libertando os foguetes metafóricos para a protagonista e terminando num tom feliz e com tudo encaminhado a seu contento. (E a meu também.) Gostei. Às vezes é preciso que a história termine exactamente como o esperado, como o habitual, o cliché. Aqui soa bem melhor assim.

Título original: Tell Me Three Things (2016)

Páginas: 304

Editora: Topseller

Tradução: Cláudia Ramos

sexta-feira, 31 de março de 2017

Este mês em leituras: Março 2017

Yes! Consegui actualizar-me, no que toca a opiniões escritas, duma forma que me satisfaz. Houve alturas recentemente em que achei que andava a correr atrás do prejuízo, mas no more! E melhor ainda, fiz isso num mês em que as coisas estiveram particularmente complicadas no trabalho (a new low, diria, mas ossos do ofício).

Por isso, tem tudo a ver com motivação. Acho que andava um pouco desmotivada para escrever nos meses anteriores. O que é estranho, porque eu adoro opinar, mas pronto, não é tão fácil gerir com o cansaço e a preguiça ocasional. Venham mais meses como Março, que eu gosto.

Livros lidos


Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • The Last of August, Brittany Cavallaro - parece que eu gosto de ler sobre personagens que metem os pés pelas mãos e estão tão danificados, mas continuam a resolver crimes e a perseguir criminosos Europa fora... confio que o Jamie e a Charlotte vão encontrar um meio-termo que os faça felizes aos dois;
  • Wires and Nerve, Marissa Meyer, Doug Holgate - ah, soube a tão pouco, mais uma espécie de volume numa das minhas séries favoritas e acabou tão depressa;
  • Wayfarer, Alexandra Bracken - uma duologia que me caiu tão bom no goto, e um belo final para a mesma... fiquei fã da autora, porque o livro é mesmo bom;
  • The Boy is Back, Meg Cabot - estranhamente, ficou-me na memória... não é o meu favorito da série (esse é o primeiro, The Boy Next Door), mas ficou lá perto, achei-o curiosamente cativante;
  • Caraval, Stephanie Garber - está lá, Stephanie? A minha carteira está a ligar. Quer o dinheiro de volta, já que o hype todo provou-se muito, muito enganador. Quer dizer, da última vez que dei ouvidos a um hype desta magnitude, acabei a devorar a série Winner's da Marie Rutkoski, por isso acho que se pode perceber quão desapontada estou, especialmente quando ao esmiuçar o livro encontro tanto que podia ser melhor, e é uma pena, com um livro que tem uma base encantadora.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Primeiro, em pé, os livros de BD das colecções que faço/comecei a fazer: Graphic Novels Marvel, e No Coração das Trevas DC. Depois, e porque o Book Depository tinha o livro a um preço brutal, porque eu andava a admirar a edição em si, e porque estou invadida por uma febre Beauty and the Beast (heh), bem, tive de aproveitar para mandar vir aquele volume.

Conta-me Três Coisas e A Culpa é Minha foram comprados com dinheiro em cartão. E os restantes são as aquisições do mês em inglês - como habitualmente, autoras e séries que sigo, com a ocasional novidade que me chame a atenção.

A ler brevemente

Basicamente, tenciono ler as novidades deste mês que não tive oportunidade de ler... The Struggle e 100 Hours chegaram hoje - e como foram enviados no mesmo dia que Strange the Dreamer, esse também deve estar aí a chegar.

A ler estão também as aquisições de BD que me chegarem às mãos, e gostava de ler as variações de contos de A Bela e o Monstro que encontrar, já que tenho esta edição jeitosa, mas tenho de estudar melhor isso. E por fim, vou mesmo ler o retelling respectivo, Hunted.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Curtas BD: No Coração das Trevas DC, volumes 1 a 3

Joker: O Príncipe Palhaço do Crime, Bob Kane, Neal Adams, Ed Brubaker
Bem, se há personagem que é representado das mais variadas maneiras, mas ao mesmo tempo, mais consensual nos comics... deve ser mesmo o Joker. Vá lá, as duas histórias iniciais do volume (e suas primeiras aparições) são do mais psicopata que há: o Joker anuncia a morte de membros pronunciados da sociedade na rádio, e consegue misteriosamente cumprir as suas previsões, mesmo estando estes rodeados de segurança.

Gostei mesmo destas duas histórias; para o tipo de narrativa dos anos 40, parecem bastante complexas e sofisticadas. A história que se segue, dos anos 70, continua a expandir o terror de que só o Joker é capaz, e fico contente por saltarem as histórias dos anos 50-60, mais dominadas pelo Comics Code, que ao que entendo cortou as asas (e a piada e interesse) ao personagem.

A história seguinte é o tipo de coisa que esperaria do Ed Brubaker, e é um recontar fascinante da primeira história do Joker, enquadrando-a na cronologia de Batman: Ano Um. É muito boa e cativante, se é que posso pôr as coisas nesses termos sobre um assassino psicopata que deixa corpos deformados no seu trilho.

A última história é um recontar de origem de um personagem obscuro da DC, Jackanapes, às mãos do Joker. É fascinante e repulsiva, pelo que ele ensina ao gorila e lhe permite aprender, mas também pela noção dum ser inteligente e sensível às mãos dum louco.

Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 1, Geoff Johns, Dave Gibbons, Ethan van Sciver, Ivan Reis, Patrick Gleason
Sinestro: A Guerra do Corpo Sinestro 2, Geoff Johns, Dave Gibbons, Peter Tomasi, Ethan van Sciver, Ivan Reis, Patrick Gleason
Até há bem pouco tempo, nunca tinha lido nada do Lanterna Verde. Não estou particularmente familiarizada com a sua mitologia. E devo dizer, é por isso mesmo um testamento à qualidade deste par de volumes que me tenham cativado tão inteiramente e me tenham soado tão interessantes.

A sério, acho que começo a compreender porque é que este Geoff Johns é venerado. Ele consegue fazer bastantes coisas bem com esta história. Uma, é contar uma que agrade a gregos e troianos. (Leia-se leitores familiarizados e não familiarizados.) Duas, é escrever de forma a ser bastante fácil de uma pessoa acompanhar e actualizar-se em relação ao Corpo dos Lanternas Verdes.

Três, é escrever uma história-evento que ocupa vários números de uma revista, e o ritmo do enredo ser mesmo bom e nem por um momento ser de todo aborrecido. Quatro, é escrever a história de forma a avançar a mitologia deste canto da DC e apresentar uma série de conceitos bem curiosos. Cinco, é fazer-me preocupar com uma miríade de personagens secundários que nunca vi na vida.

Seis, é escrever um vilão fascinante e nada exagerado; dá para compreender como o Sinestro funciona, e o porquê do que faz. E melhor, os planos dele são razoáveis e não típicos do vilão estereotípico. E finalmente, sete, dar-me vontade de ler mais qualquer coisa com estes personagens e desta fase.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Caraval, Stephanie Garber


Opinião: Ok, pensei muito nisto, e encontrei uma descrição adequada: ler este livro é como comer uma bola de berlim à espera que nos rebentem quilos de creme na boca... mas alguém se enganou e veio-nos parar à mão uma bola sem creme. (E eu quando era mais nova adorava bolas sem creme. Elas têm definitivamente o seu lugar. Não é nas mãos duma pessoa que esperava creme, contudo.)

O problema é, eu não odiei esta leitura. Pode-se dizer que até me entreti a ler, em grande parte. Mas também é ela que em retrospectiva me arranca um grande "meh". Indiferença, mesmo. Esperava mais dum livro com as referências que tem, com o tipo de história que tem, com aquilo que se propunha fazer. E acho que tudo tem a ver com as fraquezas da autora como escritora.

Vejamos: Caraval passa-se num mundo de fantasia (pelo menos, não é o nosso), e são dados alguns detalhes para "ambientar". Excepto que esses detalhes não têm consequência nenhuma mal começa o jogo de Caraval. O mundo de fantasia como cenário não interessa para nada, e honestamente preferia que quantos menos detalhes tivessem sido revelados, melhor. Podia até passar-se no nosso mundo, noutra época, que era igual ao litro. Pista: se se ambienta a história noutro mundo e o parco que é revelado não se revela importante de algum modo para a narrativa, é provavelmente péssima ideia criar um novo mundo de raiz só porque sim.

Em adição: oh raio, mas que construção de enredo é esta? Não tem rumo nenhum. A protagonista, quando no meio do enredo do jogo, passa o tempo todo a correr dum lado para o outro, supostamente à procura de pistas, mas estas caem-lhe todas no colo sem esforço. A evolução do enredo é maioritariamente vazia: há muito movimentar dum lado para o outro, para dar a sensação de evolução, mas pouco realmente contribui para se chegar ao objectivo da narrativa.

A sério, eu gostava mesmo muito que alguém, desde a autora, passando pela agente e terminando na editora, mostrasse que realmente sabe o que é um livro e como é que funciona. Com este exemplo, nenhuma me provou isso.

E pronto, isto é ainda mais frustrante porque o livro entretém, cativa até; só que depois uma pessoa medita no que leu e é tudo tão vazio.

Coisas que eu gostei de ler: em teoria, o conceito de Caraval é fascinante. O jogo montado por uma figura misteriosa, Legend, numa ilha e num cenário cheios de magia. As regras aleatórias com que tudo funciona, e a magia que tudo permeia. Até o modo como essa magia funciona é intrigante. Gostava de ver melhor explorado.

A protagonista, Scarlet, quando não está a ser irritante. É que eu gosto de ler sobre personagens corajosas, à procura de aventura; mas também aprecio personagens que só querem ficar no seu cantinho e que têm de ser arrastadas com unhas e dentes para a aventura. Digamos que compreendi como a Scarlet funcionava, porque é que sentia que tinha de ser obediente ao pai e porque achava que o casamento combinado ia salvá-la e à irmã.

Até certo ponto, a relação entre irmãs também é interessante. Percebo como elas funcionam em conjunto e como serem diferentes guia os seus comportamentos.

Voltemos às minhas queixas, já que não me ocorre de momento mais nada de positivo para dizer. Falemos no Julian e no interesse amoroso que a Scarlet desenvolve por ele. Ridículo. Eles estão juntos um par de dias e de repente já estão a jurar amor eterno? (Especialmente quando a Scarlet passa o resto da narrativa a questionar os motivos dele?) Er, pois, não. A minha suspensão de descrença não é assim tão boa. (A cena de doarem um dia das suas vidas é no entanto fascinante.)

E pronto, o fim. Todo o fim. Grande, grande facepalm. O fim é mais um exemplo do vazio que falava ali em cima no que toca ao enredo. Porquê? Porque é que era preciso isto? É que tem duas coisas de errado:

Um) se a minha irmã me fizesse o que a Tella fez à Scarlet, tendo em conta a extensão do engano e da traição envolvidos... podem querer que eu a esganava. E não estaria errada.

Dois) aumentar a fasquia fazendo duas coisas muito irreversíveis só para as desfazer meia dúzia de páginas depois, "porque é magia!", er, pois, não. Tão errado, céus. Já bem bastou a sensação de engano e traição relacionada com a reviravolta do enredo; também tinha de provocar uma sensação de engano e traição fazendo-nos passar pelo inferno emocional que a Scarlet passa, só para negar isso a seguir? Não se faz. Não é um exemplo de boa escrita. É péssima escrita, e chama-se deus ex machina. Só resulta muito raramente. Este não é um desses casos.

Em termos de escrita, a autora tem uma coisa... é demasiado "florida", e não o digo necessariamente no sentido Laini Taylor. Essa é cativante. Aqui é mais desnecessariamente ornamentada. Há metáforas giras e tal, mas a maior parte não contribui nada para a história e não envolve o leitor. A única parte realmente interessante para mim é quando a autora descreve a Scarlet ter uma espécie de sinestesia emocional: vê as emoções como cores. Gostava de ver mais disso.

E no fim de contas, eu até provavelmente vou ler o segundo livro. Fiquei intrigada e curiosa e envolvida o suficiente, e não detestei o livro, que seria a principal razão para me recusar a continuar a ler. Mas chego à conclusão que também tinha passado muito bem sem lê-lo. Podia dedicar o meu tempo a coisas mais valorosas. (E mais bem escritas e trabalhadas.)

P.S.: a edição gráfica do livro, todavia, é irrepreensível. Linda à enésima. O pessoal envolvido esforçou-se muito, e merece uma recompensa.

Páginas: 416

Editora: Flatiron Books (MacMillan)

terça-feira, 28 de março de 2017

Wayfarer, Alexandra Bracken


Opinião: Estamos em Março, a um quarto do ano, e posso já dizer que os livros, a série, e a autora surpresa do ano são estes mesmos: Alexandra Bracken e a sua duologia composta por Passenger e Wayfarer. Estou muito grata e feliz por ter tido a oportunidade de tropeçar neles.

A Alexandra é uma autora a ter debaixo de olho no futuro, certamente. A maneira como ela escreve e pensa as suas histórias é deliciosamente complexa e gosta de como ela pensa e do que ela quer transmitir com as suas palavras; a maneira como evolui o enredo nos dois volumes caiu-me no goto.

Wayfarer segue a história do volume anterior quase logo de seguida. A Etta e o Nicholas ficaram separados por circunstâncias das regras do mundo em que vivem (viagens no tempo são mais complexas do que se pensaria): o Nicholas está dividido entre encontrar a Etta e continuar a demanda pelo astrolábio; a Etta ficou órfã da timeline onde nasceu e foi parar ao seio dos Thorns, onde encontra uma pessoa muito especial e continua a procura pela posse do astrolábio. Separados mas sempre com o outro em mente, vão encontrar um novo conjunto de desafios e de jogadores interessados na mesma demanda.

Como o outro livro, este foi de lenta leitura, mas que delícia foi, devido à escrita e devido à história. Gostei bastante de como tudo se encaminhou, dos desafios que se puseram aos nossos protagonistas, dos novos personagens que conheceram e de como descobrimos mais sobre este mundo e sobre a sua "mitologia".

Acho que dos dois gostei mais de seguir a Etta, mas só porque gostei mesmo do que ela encontrou no seu caminho. Solitária por natureza, gostei que ela encontrasse alguém com quem se identificar, uma pessoa que faltava na sua vida e que partilha gostos e é alguém verdadeiramente gentil e se esforça por fazer o correcto. Pareceu-me que a Alexandra não é de ir pelo cliché, mas foi um alívio para mim ver que ela realmente não foi por aí e manteve esta pessoa no bom caminho e ao lado da Etta.

Gostei do lado da narrativa da Etta também pelas coisas que descobrimos sobre a timeline e como funciona: como a conhecida dos personagens (e deixa a autora implícito, a realidade que conhecemos) não é a original, e como Cyrus Ironwood a manipulou a seu bel-prazer para ganho próprio - apesar do tempo se esforçar muito para eliminar irregularidades e manter certos acontecimentos que estão como que "destinados".

Esta situação deixa muitas questões e ideias intrigantes, e é apresentada com uma variação no destino da família Romanov, que potencialmente teria influência pelo século XX fora, particularmente no decurso da 2ª Guerra Mundial. (Uma parte da narrativa incrivelmente intrigante.)

Em adição, a Etta tropeça na história da sua mãe e como ela ficou obcecada com uns alguéns que destruíram a sua vida (tão triste, mesmo); alguéns esses que são jogadores até agora nossos desconhecidos na luta pelo astrolábio - mas que estão envolvidos na sua geração e nas suas capacidades. Esta parte da narrativa pareceu tão estranha mas tão interessante de considerar, e explica a origem do astrolábio e como acabou por ter o peso que tem.

A narrativa do Nicholas, no entanto, não lhe fica atrás. Gostei particularmente de o ver em equipa com a Sophia, que era uma personagem retorcida até agora, mas que se revela uma caixa de surpresas. Os desafios que ela encontra mudam-na, mas ela também se mostra uma pessoa diferente do que queria fazer parecer, e acho piada a como ela acabou por se passar para a "equipa" do Nicholas e relutantemente acabou a gostar dele genuinamente.

(E já agora, há mais uma pessoa que a Etta conhece que é bem divertida de encontrar. O Julian é exactamente o tipo de pessoa que seria de esperar, tendo em conta como foi educado, e tendo em conta que tem um fundo hedónico e pouco moral. Mas também ele cresce a nossos olhos e mostra novas facetas. Adoro como o futuro eu dele andou a sabotá-lo visitando sítios para onde não quer que ele vá, para o guiar na direcção correcta.)

Esta parte da narrativa focada no Nicholas pode pecar um nadinha só por ocasionalmente ter falta de rumo. Isso é uma consequência do feitio dele e do que ele espera alcançar, mas a parte inicial dele envolve muito esperar, e também há um enredo que mete um acordo metafórico com o diabo e pronto, passava sem ele, que havia outras maneiras de conseguir a posição que este acordo tem na narrativa.

No entanto, este acordo apresenta um dos jogadores pelo astrolábio mais fascinante, e por isso não tenho mesmo de que me queixar. Além de que os desafios que apresenta ao Nicholas são curiosos de considerar. Por isso, não considero esta parte realmente inútil para a narrativa; só gostava que o Nicholas, no seu sentimentalismo e desespero para fazer algo de bom, não se metesse tão facilmente numa armadilha óbvia. Até a Sophia estava a avisá-lo para estar quietinho da silva.

Outra adição fixe da narrativa do Nicholas: a Li Min, o seu papel na narrativa, e o que traz para outro personagem. Gostei mesmo dela e de como permitiu a essa pessoa revelar-se a nossos olhos.

A parte final foi de roer as unhas. Fica claro desde o início o que se tem a perder se a coisa correr mal, e sabemos que se os protagonistas conseguirem o que tencionam as coisas podem acabar para eles. Era de partir o coração só de considerar.

No entanto, a Alexandra faz a coisa funcionar e gosto mesmo da solução que ela arranja. Permite aos personagens manterem a comunidade de viajantes que existe, sem os dilemas que existiam anteriormente. Além disso, o capítulo final é mesmo excitante e feliz. A Etta não estava num bom lugar, e teve uma surpresa fantástica. Gosto de como as coisas resultaram.

Ah... acho que só peca por me saber a pouco. Esta moda nova de publicar duologias rouba-me dum livro que podia passar a mais com os meus personagens e histórias favoritos.

Páginas: 544

Editora: Disney-Hyperion

domingo, 26 de março de 2017

Uma imagem vale mil palavras: Beauty and the Beast (2017)

Estou a ter uma ligeira dificuldade para escrever coerentemente. Este era um dos filmes mais esperados do ano, e a cada notícia e trailer uma pessoa só ficava com mais e mais expectativas - o que normalmente me deixa algo apreensiva. Não gosto de expectativas altas. É difícil de ultrapassar a fasquia que põem.

As boas notícias são que este passa o teste com nota máxima. Não era difícil, bastava seguir a história, mas o melhor de tudo é que o filme tem pequenas adições que eu adoro e me divertem e encantam fabulosamente.

Primeira coisa a destacar (porque eu lhe peguei antes sequer de ir ver o filme): banda sonora. Soa-me perfeita, como uma BSO dum musical soaria, e digo isto no melhor dos sentidos. Quando estou a ouvir a parte instrumental, ouvem-se numa música específica trechos de outras músicas que transmitem uma ideia/sentimento, e adoro isso, as ligações entre partes da história através da música. E há trechos memoráveis, que eu mesmo dias depois de ter visto o filme ainda me lembro. (Ajuda que ouça frequentemente a BSO).

Gosto ainda das ligeiras mudanças que fizeram em termos de instrumentação. Puseram em destaque alguns trechos que soam, como direi, mais franceses. (É onde a história se passa.) As músicas já nossas conhecidas soam-me fantásticas, não perfeitas, mas cativantes. Têm uma ou outra mudança em termos de ritmo. Em geral, fico fascinada a ouvir uma e outra vez as músicas até saber de cor a letra. Já tinha uma ligação emocional com as músicas e esta versão só acentuou isso.

As músicas novas têm os seus momentos. Evermore é talvez um pouco lamechas a mais, mas é operática e transmite bem o estado de espírito do personagem. (O Monstro depois da Belle sair do castelo para ir ter com o pai.) Days in the Sun é bem gira, melhor que a Being Human Again, que era uma adição recente ao filme animado, e transmitindo a mesma ideia. Adoro a sua nostalgia. How Does a Moment Last Forever é fofinha.

O elenco acabou por ser uma surpresa. Acho que a única pessoa que foi bastante óbvia desde o início era a Emma Watson. Quer dizer, para a minha geração, é claro que a Hermione também é a Bella. Duh. Mas não estava a ver como é que o Luke Evans era o Gaston, e céus, é perfeito. Se há pessoa que merece um prémio por se divertir com o seu personagem, é o Luke. Porque o Gaston é tão pateta que um actor tem que se divertir a actuar as partes mais ridículas do seu personagem.

A Emma Thompson também é óptima ideia para a narração inicial da maldição (não consigo deixar de ouvir a sua voz e relembrar certas partes da narração) e para a maternal Mrs. Potts. Gosto do pessoal dos serviçais do castelo em geral (a Audra McDonald como cantora de ópera/Madame Garderobe!). E finalmente acho que posso olhar para o Dan Stevens e não me sentir traumatizada com uma certa cena de Downton Abbey. Só foram precisos 4 anos e porem-lhe uma animação de computador em cima. Nada de substancial.

A história: bem, seguem a história do filme animado. Mas fazem uma coisa que eu apreciei muito: preencheram a mesma. Há coisas no filme animado que damos como garantidas, e coisas que aceitamos ver desenvolvidas da maneira que são porque é um filme animado. São coisas que não resultariam num filme com gente de carne e osso, porque lhe faltaria desenvolvimento de personagens, coerência no enredo.

O que é resolvido com as pequenas adições. Gosto de vermos um pouco mais do passado tanto da Belle como do príncipe, porque condicionam as acções deles no presente e as pessoas que são. Adoro a expansão do carácter do Gaston; de certo modo ele é um vilão ainda mais assustador, porque é claro que está bem ciente das suas acções - não é apenas o tolo bruto e burro do filme animado. (E ainda assim o filme mete-se com ele a torto e a direito.) E adoro a música do Gaston - é bastante interessante que uma música sobre o tipo de masculinidade tóxica do Gaston ("eu sou grande e macho e bom a caçar") é também a coisa mais exuberante e estereotipicamente gay.

Gosto de ver um certo tom mais feminista; a Belle é uma mulher educada e que se tenta educar num meio pequeno, e isso é incrivelmente trágico, porque toda a aldeia a vê como estranha. Há uma certa solidão na sua posição, e ela está ciente disso. (Mas gosto da relação próxima que ela tem com o pai, são amorosos juntos, e gosto de como ela o adora e lhe está grata pela pessoa que é.)

Por outro lado, gosto de como o filme expande um pouco mais a relação da Belle e do Monstro, mostrando-nos porque é que estas pessoas encontraram uma ligação em comum. Em parte, é a coisa da solidão em comum - ambos estão separados da sociedade por razões diferentes.

A personalidade do Monstro é bem engraçada. De certo modo, ele é bastante inexperiente em certas coisas, e isso vê-se nalgumas reacções dele. E outra coisa engraçada é ver alguma da arrogância e pedantismo da sua vida anterior nalguns comentários que faz. Podemos até pensar nele como tendo o tipo de personalidade de um Mr. Darcy - horrível à primeira vista, mas depois começamos a escavar e sai dali qualquer coisa bastante interessante.

Gostei bastante de ver algumas cenas em modo live-action. A música do Gaston, já disse, é genial. A parte do Kill the Beast continua a ser bastante assustadora, não importa que eu já não tenha 3 ou 4 anos ou algo do género. O Be Our Guest continua a ser bastante divertido e colorido, e a introdução do Belle/Bonjour continua a ser fantástica visualmente. Não repetiram as piadas visuais, mas criaram algumas novas bem giras.

O castelo é lindo, gosto mesmo do seu visual; as escadarias que até dão tonturas porque não há corrimãos, a grandiosidade de tudo, o vislumbre da sua anterior glória e a confirmação da mesma quando o castelo volta ao seu estado inicial.

As coreografias de certas partes estão giríssimas - again, o Belle é fantástico -, e o ataque ao castelo também, sem contar com a música do Gaston - oh, e a cena inicial no castelo do príncipe! Por falar nisso, a maquilhagem do príncipe nessa cena é extraordinária.

E continuando nessa linha, gostei mesmo de ver as roupas. A opulência dos vestidos no castelo antes da maldição, as cores das roupas comuns das pessoas em Villeneuve. As roupas do Gaston. As roupas da Belle em geral... o vestido amarelo da Belle, que tinha sido criticado por ser demasiado amarelo - bem, aqui são capazes de lhe ter posto um filtro. É um amarelo mais discreto, mais interessante, e os pormenores dourados mereciam poder vê-lo mais de perto. (E os adereços dela na cena! Perfection.) No entanto, o mais interessante desse vestido é a construção dele, que permite que sobressaia na dança. (De qualquer modo, adorei foi o vestido final da Belle - branco com uns bordados/desenhos florais lindos.)

Acho que a única coisa que me faz espécie é algo que na verdade está de acordo com a época histórica - homens a usar peruca. Acho que nunca vou recuperar de ver o Dan Stevens ou o Ewan McGregor naquelas perucas ridículas.

Não tenho muitas críticas, mas uma é a transição entre 2D/3D. Há cenas que são feitas especificamente para 3D e parecem pouco focadas no 2D (sim, fui ver nos dois formatos). Exemplos são os ramos no quarto da Belle (o fundo está desfocadíssimo mas a imagem é desinteressante no 2D, os ramos não a preenchem), ou certas partes do número Be Our Guest.

Outra coisa... é a expressividade dos personagens que são animados por computador. Conseguiram uma expressividade bastante boa com o Monstro - consegue-se perfeitamente ver certos maneirismos do Dan Stevens -, e a animação dele é um equilíbrio entre ser, bem, um monstro, mas manter expressividade.

Com os objectos é mais complicado. Sinto que aqueles que têm como base um objecto real, como a Madame Garderobe e o Maestro Cadenza, me pareceram mais interessantes do que os que parecem totalmente animados, como o Lumiére. Não é que lhe falte expressividade, exactamente, mas parece menos real, de algum modo. O que é óbvio por ser animado por computador, mas pronto, acho que me agradaria mais feito doutra maneira.

E pronto, acho que me vou calar agora, chega de fangirling. Vou voltar para o meu canto a ouvir a banda sonora sem parar até isto sair em formato físico. Mais uma coisa para eu esperar impacientemente... não é que eu não esteja habituada.