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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 5 a 8

Homem-Aranha: Tormento, Todd McFarlane
Ok, a ideia é intrigante, confesso. Colocar o Homem-Aranha numa situação desconcertante, fora da área de conforto dele. Dificultar-lhe a vida, obrigá-lo a encarar a morte de frente, trazer um inimigo de volta, desorientá-lo.

A execução? Mehhh. O enredo não está focado, anda ali às voltas, sem sabe onde quer chegar, e a verdade é que não tem um clímax satisfatório, algo que termine as coisas. Afinal o vilão estava a fazer aquilo porquê? Só porque sim? Compreendo o terror de não saber, mas não faz uma boa história. Além disso, o argumento não era muito forte; soou-me a potencial para estar melhor escrito, mas não estava.

Quanto à arte, compreendo porque ganhou tanto destaque na altura. É bastante detalhada, as duplas páginas, o detalhe nas teias... e as poses doidas do Homem-Aranha. São interessantes, mas talvez um pouco exagerados. Pelo menos, fiquei a pensar na exequibilidade de algumas. E as proporções parecem-me, bem, desproporcionais. E as caras são diferentes, se bem que aqui é no bom sentido, maioritariamente.

Justiceiro: A Ressurreição de Ma Gnucci, Garth Ennis, Steve Dillon
Portanto, li há uns anos O Regresso do Justiceiro, e apesar de o Justiceiro não ser propriamente coisa que eu costume ler, foi uma leitura divertida, se é que se pode pôr as coisas nesses termos. Os eventos meio doidos, a violência sem limites, a intriga no seio da Máfia.

Portanto, foi bastante agradável e até surpreendente saber que existia uma espécie de sequela. Esperava que trouxesse os elementos que encontrei na história anterior, bem como o sentido de humor da mesma, e foi isso que obtive.

Adorei a maneira como "trouxeram de volta" a Ma Gnucci, como isso traz de volta elementos da história original e como brinca com eles. O enredo continua a ser completamente doido, mas faz bastante sentido.

A arte é até bastante interessante, com umas cores vivas, muito giras, e um traço detalhado que primeiro se estranha, depois se entranha. Parece-me focar-se mais nas reacções e expressões dos personagens, o que me agrada.

X-Men: Caixa Fantasma, Warren Ellis, Simone Bianchi
Gostei mesmo deste volume. Ao longo dos anos tenho lido bastantes coisas dos X-Men, e por isso estou bastante ao corrente das coisas com eles, mas é bom ir preenchendo as lacunas. Li um ou dois dos livros escritos pelo Joss Whedon que antecedem este, e fiquei muito agradada com esta abordagem.

Primeiro porque é suficientemente diferente da anterior. Faz a sua própria coisa. Mundos paralelos, e as caixas fantasmas como forma de viagem entre eles. Seres monstruosos criados artificialmente. Uma invasão a partir de um desses mundos. Os X-Men são em si um conceito de ficção científica, e é bem fixe vê-los a lidar com outros conceitos do género. Adorei ler a história e acompanhar este aspecto.

Depois porque é uma história isolada, auto-contida, que funciona muito bem sozinha. Gosto disso. E gosto de como os personagens são escritos. Há um certo sentido de humor na escrita, e gosto mesmo disso. Adoro ver os personagens às turras e a trocar piadinhas.

A arte é bem detalhada e bonitinha. Gosto do estilo pintado, e apreciei mais este trabalho que que o anterior do mesmo artista. Deu-me gozo acompanhar.

Homem-Formiga: Um Mundo Pequeno, Jack Kirby, Stan Lee, David Michelinie, John Byrne, Tim Seeley
Um conjunto de histórias sobre os vários personagens que assumiram o manto de Homem-Formiga. A primeira parte é sobre o Hank Pym, sobre como descobriu os seus poderes e como os usou pela primeira vez. A segunda parte é sobre o Scott Lang, como descobriu o fato e o usou da primeira vez para ajudar um ente querido. (Elementos da história vislumbram-se no filme recente.)

A terceira parte, a mais longe, conta com o Hank Pym noutro uniforme, em lembrança da sua esposa, a Vespa, e Eric O'Grady a usar as vestes de Homem-Formiga. As duas primeiras partes são relativamente aceitáveis, funcionam bem como história de origem...

... mas preferi esta última parte. É uma história mais longa e elaborada, e super divertida de ler por causa dos dois protagonistas. Também ajuda ser uma história mais recente, em que a arte vai mais de encontro ao que já conheço.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Colecção Universo Marvel #18, #19 e #20: Wolverine, Vingadores vs. X-Men

Wolverine: Evolução, Jeph Loeb, Simone Bianchi
Uma história que apresenta um novo inimigo do Wolverine, enquanto se debate com um inimigo já bem seu conhecido, Evolução tenta adicionar mais alguns pormenores à mitologia do personagem, desenvolvendo ainda o seu passado.

É intrigante ver revelados certos pormenores sobre o passado do Wolverine e sobre um tal Romulus, que eu já tive oportunidade de conhecer e ler sobre, em histórias mais à frente. Contudo, não sou totalmente fã da narração com flashbacks, que é um pouco confusa e convoluta.

A questão da Evolução também me faz duvidar se seria completamente necessária para apresentar o Romulus; possivelmente sim, mas gostava que tivesse sido explorada doutra maneira. No entanto, gostei bastante da narração interna do Logan, que deu algum interesse à história.

A arte é visualmente muito interessante, talvez um pouco escura, mas bastante enérgica; a composição das pranchas e a organização das vinhetas nelas confere alguma dinâmica à acção. Só não sou completamente fã dum aspecto visual tão escuro.

Vingadores vs. X-Men 1: O Dia da Fénix, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction, John Romita Jr., Olivier Coipel 
Vingadores vs. X-Men 2: E Então Restou Um, Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Olivier Coipel, Adam Kubert 
Já disse por aqui que não sou muito fã das sagas longas, porque tendem a arrastar e a engonhar, sem sim à vista; mas este Vingadores vs. X-Men até fez um bom trabalho em manter a minha atenção. O enredo corre a um bom ritmo, e em vez de termos os heróis a correr dum lado para o outro sem rumo (bem, até temos um bocadinho disso), há um acontecimento aproximadamente a um terço ou a meio da história que muda o foco e os desígnios dos super-heróis , e que ajuda a dinamizar a narrativa.

A história geral é responsabilidade de cinco argumentistas bem conhecidos (Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction), que se revezam a escrever cada número individual da história. Fazem um trabalho decente a criar um todo coerente, suponho; não conheço os estilos narrativos respectivos o suficiente para os identificar, mas deu para notar que cada número tinha um estilo diferente.

A premissa em si é bastante interessante, com os dois grupos titulares a discordar acerca de um assunto que lhes é muito caro - a vinda da Fénix, presumivelmente para encarnar na Hope Summers, e o caos que poderá vir daí - e a história que daí resulta até entretém, e se acompanha bem. Contudo, é daquelas premissas que se eu me puser a esmiuçar cai logo abaixo - creio que se os dois grupos se sentassem a uma mesa a discutir o assunto em vez de partir para a agressão imediatamente, não tínhamos tido tanto drama. Por outro lado, se toda a gente não insistisse em ser tão irracional, não tínhamos história, portanto...

Tenho a sensação que os Vingadores se fartaram de pôr o pé na argola vezes sem conta, em termos tácticos, o que é um pouco estranho, tendo em que conta que são liderados pelo Capitão América, que é supostamente um bom líder militar e uma pessoa razoável. E por falar no Capitão, a militarização da situação inicial parece-me totalmente descabida. Esperaria essa atitude dum Nick Fury, mas do Capitão? Bah.

Outro que faz uma asneirada de todo o tamanho é o Tony Stark. Para o génio que é suposto ser, como??? Como é que ele comete uma argolada como aquela com a Fénix? Podemos argumentar que tudo o que se segue é culpa dele, que foi fazer de Deus sem ter a certeza do que estava a fazer - o que não me parece nada típico do Homem de Ferro, mas enfim.

O acontecimento a meio da narrativa leva as coisas para novo território, e torna-se interessante seguir o Quinteto da Fénix. Porque a ideia inicial que têm, de melhorar o mundo em que vivem é fantástica; mas como acontece frequentemente com quem possui muito poder, as boas intenções degeneram. É curioso observar como os personagens resistem ou não ao poder da Fénix, mantendo a sua personalidade ou exacerbando-a até ao ponto de desequilíbrio.

Agrada-me a ideia final do que acontece à Fénix. A verdade é a história para trás deste evento é longa e complicada, indo bater pelo menos até à Dinastia de M, e aquilo que a Wanda/Feiticeira Escarlate fez nessa história teve repercussões durante muitos anos. Portanto, é adequado que ela tenha um papel na resolução do conflito, e que seja peça essencial no equilíbrio das capacidades da Hope.

Sobre uma certa morte ali para o final, bem, já disse que estou à espera que o personagem volte a todo o momento, por isso não me aquece nem arrefece. Ainda por cima o momento é tão anticlimático, ocorrendo depois dum momento grandioso, e tão inglório - querem mesmo que eu acredite que esta pessoa não saberia fazer melhor que cutucar uma fera enfurecida? É quase como se fosse culpa dele, bolas. A situação diz mais sobre a psique do perpetrador e de como se sentia em relação à sua vítima - de forma exacerbada pela Fénix.

Aprecio perceber finalmente o estado de algumas coisas nos primeiros números do Marvel NOW!, há muita coisa que faz agora sentido, como a tensão entre o Pantera Negra e o Namor. E percebi porque é que o casamento do Pantera com a Tempestade acabou, ainda que seja por uma razão estúpida - estarem de lados opostos do conflito não me parece suficiente, muito menos ele culpá-la pelo que o Namor fez, mas enfim...

Quanto ao trabalho artístico, está bem representado, entre três desenhadores bem conhecidos (John Romita Jr., Olivier Coipel, e Adam Kubert); só lhes notei a diferença porque o primeiro desenha caras e expressões num estilo mais cartoonesco e menos realista. Uns (Olivier Coipel, parece-me) têm mais queda para brincar com a organização das páginas e o posicionamento das vinhetas, mas no geral o trabalho apresentado conseguiu manter o meu interesse.