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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Harry Potter e o Príncipe Misterioso, J.K. Rowling


Opinião: Este livro parte-me o coração. Há muitas memórias que associo a ele, mas principalmente esta sensação de desastre iminente, de profunda tristeza (acho que sabemos todos porquê) que pinta o resto da narrativa. Tenho activamente de me lembrar de gozar o que leio, porque há tanta coisa divertida na história que seria um crime esquecer a sua presença.

Primeiro, gosto tanto de como está toda a gente tão hormonal. É extremamente divertido. Só que ao contrário do livro anterior, o Harry cresceu um bocadinho, e ganhou alguma inteligência emocional, e acho interessante vê-lo pensar na ideia do Ron e da Hermione juntos, e no que isso significaria. Um pouco ao modo de um rapaz adolescente sem noção, mas a cabeça dele está no lugar certo.

Depois, acho fascinante acompanhar as lições com o Dumbledore, em que ele e o Harry exploram o passado de Voldemort, na esperança de encontrar algo que o derrote no presente. A J.K. Rowling sempre deu um certo peso a quão importante o passado é, o quanto pode estar ligado com o presente e influenciá-lo, e isso é algo que ela examina aprofundadamente nesta questão. Aquilo que o Voldemort foi e é interessa-me bastante.

Gosto imenso do aspecto escolar, há algumas mudanças no corpo docente, como a entrada do professor Slughorn, que é bastante engraçado na sua queda para o favoritismo, mas no fim de contas uma pessoa decente, só um bocadinho repelente pela sua atitude. A exigência é maior, e fazem-se algumas coisas divertidas, como a aprendizagem da Aparição.

E gosto tanto dos jogos de Quidditch, mas a sério, que vontade de esganar o Harry. Ele consegue sempre ser castigado e perder o jogo final da época! Que tortura, nunca consigo ver o momento da vitória! As vitórias têm sido mais sofridas nestes últimos dois anos, e sabia melhor ver o resultado.

Ainda acho bastante interessante descobrir o que se passa nos bastidores, o encontro entre o Ministro da Magia e o Primeiro Ministro Inglês (por mostrar o contacto com o mundo Muggle), a intriga política que leva o Ministro a tentar recrutar o Haary, até as movimentações de Voldemort e dos seus seguidores.

Agora... a parte final do livro é uma tortura de ler. Tragicamente, fui spoilada para o final (ainda hei de falar disso aqui), e isto mesmo quando tencionava ler o livro em inglês (talvez tenha sido o meu primeiro em inglês), e tencionava comprar o livro dois dias depois de sair.

Não é por isso que é uma tortura. Saber, na altura, como ia terminar, aborreceu-me bastante, mas passei a leitura na expectativa de descobrir o que ia precipitar a situação. Custa-me é saber que desde o início o professor Dumbledore sabia que aquilo teria de acontecer, e passa o ano todo a preparar-se, a resolver-se, a aceitar talvez corajosamente aquilo que vai ter de ser. Como é que alguém vive tanto tempo como ele e ainda assim se prepara para um momento destes?

Custa-me também ler por causa do professor Snape. Não gosto particularmente dele como pessoa, porque tanta gente passou por tanto como ele e não usa isso como desculpa para ser um rufia com os seus alunos como ele faz. A amargura emana dele e é tóxica. Tenho compaixão pelo seu percurso, o tipo de infância e adolescência que teve levam alguém tão facilmente para maus caminhos, mas não posso aceitar que isso justifique o seu comportamento.

E custa-me porque tal acto mancha a alma, como bem sabemos na série, e o saber que teria de o fazer deve destruir uma pessoa, e isso é assustador. Dá-me a sensação que ele passou a vida a pagar por um pecado passageiro, com consequências duradouras; preocupa-me que isso leve a que o Dumbledore lhe peça algo tão duro. E preocupa-me ver que as circunstâncias se revelaram tão complicadas que eles viram isto como a única saída possível. Oh céus, isto deprime-me deveras.

E pronto, no próximo mês há mais. Tenho um bocadinho de medo. Acho que só li o último livro uma vez, e tudo o que me lembro é que me sugou a alma. Nunca fui capaz de reler, porque é tão triste e dramático e de partir o coração.

Título original: Harry Potter and the Half-Blood Prince (2005)

Páginas: 512

Editora: Presença

Tradução: Alice Rocha, Manuela Madureira, Maria do Carmo Figueira, Isabel Nunes

sábado, 23 de janeiro de 2016

Harry Potter e a Ordem da Fénix, J.K. Rowling


Opinião: Ah, às vezes esqueço-me que este livro é tão tremendamente dramático e terrivelmente divertido, à sua maneira. O Harry está com um feitiozinho de cão, a gritar com toda a gente, em parte devido às hormonas e à frustração da sua situação, em parte devido a, hmmm, uma influência indevida. Rapazes adolescentes de 15 anos, que saudades... nem por isso, ehehe.

Acho que é por isso que vejo tanta gente a queixar-se que este é o seu livro menos favorito da série, mas acho que é por isso que gosto tanto dele. Há uma honestidade emocional na descrição de todo este drama, e gosto que a autora não se tenha esquecido do crescimento dos seus personagens e de nos mostrar esta parte dele.

Diria que o livro é frustrante e divertido por causa da Umbridge. Oh, odeio-a, e todas as coisas horrendas que ela inventa para fazer em Hogwarts, mas o estado de guerra em que coloca as pessoas na escola, a resistência passiva que todos vão oferecendo conforme a situação escala... é lindo de ver a Professora McGonagall chamá-la para resolver uma situação simples só para gozar com a cara dela. Além disso, dá aos gémeos Weasley oportunidade de protagonizar uma das cenas mais épicas de toda a série. Suponho que podemos dizer que temos algo que agradecer à Umbridge. Que ideia perturbadora.

Como disse, adoro a resistência que se gera em Hogwarts à Umbridge, e uma das minhas partes favoritas é a criação da Escola de Defesa/Exército de Dumbledore. Gosto tanto destes miúdos por terem metido mãos à obra e tentado aprender sozinhos aquilo que não lhes era ensinado.

Gosto dos dramas adolescentes, e gosto ainda mais de quando a Hermone, pobrezinha, tem de interpretar a Cho para o Harry, ou interpretar as raparigas em geral para as mentes inexperientes do Ron e do Harry. A minha querida Hermione está tão madura, e as cenas em que ela tem de explicar aquilo que parece óbvio são tão giras.

Não gosto que o Harry arranje maneira de ser expulso da equipa de Quidditch. Essencialmente ele só esteve presente uma vez, de todas as que os Gryffindor ganharam a taça, o que me entristece. Aqui nem sequer vemos o jogo, porque a Jo é má o suficiente para nos distrair com outra coisa. Nunca vi o Ron ter o seu momento de glória! Sinto-me defraudada. Contudo, gosto da ideia da Ginny estar na equipa, e se revelar mais madura. A minha Ginny está tão crescida!

Há uma série de pequenas coisas que descobrimos, como o hospital de S. Mungo, que eu aprecio descobrir. Os pais do Neville, o professor Lockhart. A história do Sirius e a família que teve. É perturbador lembrar que é primo da Bellatrix Lestrange e da Narcissa Malfoy.

A cena que é descrita como a pior memória do Snape é-nos revelada, dando uma imagem nada boa do pai de Harry, James. É interessante ver como isto também é uma perda de inocência. Temos os pais num pedestal, uns mais que outros (o Harry mais, porque nunca os conheceu), e é revelador perceber que são humanos como todos nós, falíveis e com defeitos e feitios que podem não ser abonatórios em todos os momentos.

Além disso, é uma cena interessante sobre o que diz sobre os Salteadores. O Peter Pettigrew era uma ovelha, a seguir os outros sem opinião própria; o Lupin demasiado metido consigo próprio, demasiado contido e com os seus problemas, para se impor. O Sirius tinha uma situação familiar problemática, e talvez por isso o James faz o que faz - ainda que pouco assisado, e terrivelmente estúpido, é a maneira que encontra de puxar pelo amigo. Acredito que tenha crescido e ganho juízo, mas espero que se arrependesse das suas acções.

Falando no Sirius, acho que nunca fiquei sentida ou impressionada pelo que lhe acontece no fim. Vemos como as circunstâncias dele são complicadas e as perspectivas nada melhores. Vemos como tudo na parte final descarrila tão perfeitamente. Um final trágico era a conclusão óbvia, e acho que sempre estive à espera que acontecesse o livro todo. Por isso, não me chocou, propriamente, mais como que... entorpeceu.

O seguimento natural disto é eu lamuriar-me de quão estúpida a parte final é. Uma grande parte dos livros desta série envolvem os miúdos meterem a mão na massa e entrar em acção, porque não confiam nos adultos que os rodeiam. Por várias razões, não se mostram merecedores de confiança, e isso leva o grupo de jovens a agir.

É claro que aqui, numa situação tão urgente, e estando o Harry com dificuldade em tomar decisões razoáveis, é asneirada atrás de asneirada. Dá-me vontade de partir qualquer coisa, pensar que em vez de meter a cabeça na lareira, o Harry podia ter viajado mesmo com ela, e percebido o que realmente havia em Grimmauld Place.

Ou quando são apanhados, podiam ter dito toda a verdade, aquilo que acreditavam, que o Sirius estava no Ministério, à Umbridge. Seria a melhor maneira de o ajudar, na verdade, porque todos os recursos do Ministério iam para lá, viam o Voldemort, acreditavam nele, e ainda safava-se o Sirius, porque a razão pela qual foi preso se revelaria falsa. MAS NINGUÉM PENSOU NISSO, RAIOS??? Não, tínhamos de inventar uma ida à floresta que só perdeu tempo. Grrrrrr.

Acho fascinante a parte do Ministério, apesar do contexto, a exploração das salas do Departamento dos Mistérios. Gostava tanto de saber mais sobre o que fazem lá. Em adição, a cena tem uma boa dinâmica, muita acção, e quase temi pelo grupo de jovens, esperando que algo mau lhes acontecesse. O Neville porta-se de maneira brilhante, dá vontade de lhe dar um abraço, e acho que depois disto não dúvidas sobre porque é que está nos Gryffindor.

O último par de capítulos envolvem uma confissão do Dumbledore, para juntar a uma situação já de si pesada. Também é triste, porque esteve ausente durante tanto do livro, a achar que estava a fazer bem, mas esse afastamento foi responsável pelo curso dos acontecimentos. Se o menos o Harry soubesse o significado dos sonhos que tinha... são os erros de um homem falível, e é uma descida do pedestal para o Dumbledore também. Gosto muito do personagem, mas é bom saber que também pode enganar-se. Humaniza-o.

Não estou expectante para ler o próximo livro, apesar de ter coisas muito fixes, porque tem outro fim triste e pesado, e porque fui tão spoilada para aquilo que mo estragaram. Ugh. Não foi a mesma coisa ler pela primeira vez, sabendo o que me esperava. E eu até me dei ao trabalho de ler em inglês quando saiu, para não ter de esperar pela tradução.

Título original: Harry Potter and the Order of the Phoenix (2003)

Páginas: 756

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga, Manuela Madureira, Isabel Nunes, Alice Rocha

domingo, 13 de dezembro de 2015

Harry Potter e o Cálice de Fogo, J.K. Rowling


Opinião: Normalmente não costumo dizer que tenho favoritos entre os livros desta série, porque todos acabam por ser significativos à sua maneira, seja porque marcaram o meu percurso como leitora, e porque me lembram partes diferentes da minha vida, seja porque acabam todos por ter a sua importância para a evolução da série - não consigo dizer que um livro seja inútil, ou menos importante para o decorrer das coisas, porque esta senhora era genial e desde o início que andava a plantar coisas para os livros seguintes.

Contudo, tenho uma certa inclinação por ler este livro, e o seguinte, também. Céus, as coisas ficam tão sérias, tão depressa. Não é que não houvesse perigo antes, mas os personagens eram mais jovens, o tom dos livros era mais descomplicado, e conseguia-se resolver as coisas no final do livro. Terminava tudo enbrulhadinho com um lacinho muito bonito.

O fim deste livro é absolutamente deprimente. Eu nunca fico chocada com a parte da morte, porque acontece demasiado depressa, e uma pessoa não tem tempo para o choque; mas com o que vem a seguir. A perda de inocência, a sensação de que nada vai ficar bem novamente. O Harry naqueles capítulos finais está tão entorpecido emocionalmente, porque enfrentou algo que nenhum miúdo de 14 anos merece enfrentar, porque alguém com esta idade não pensa que vai morrer, nem vê um dos seus pares morrer à sua frente. É mesmo... pesado.

Além disso, cada vez tenho mais razões para ficar, hmmm, desapontada com o Dumbledore. Os pormenores de como as coisas decorrem no último livro estão um pouco desfocadas nas minhas cabeça, mas creio que ele põe o Harry num caminho que sabia como ia terminar, e nunca o prepara para as decisões perturbadoras que ele tem de tomar. E o Harry aqui mostra que é capaz de as enfrentar. Ele essencialmente pensa que vai morrer, mas enfrenta o Voldemort de qualquer modo, sem esperar que algo o salve. Again, nada que alguém com esta idade devesse enfrentar.

Ok, passemos a coisas mais bem humoradas. Uma coisa que gosto mesmo neste livro é o Torneio dos Três Feiticeiros. Muda um pouco a configuração do ano lectivo, o suficiente para manter as coisa interessantes, adoro seguir as três tarefas e as peripécias que envolvem descobrir o que são as tarefas; e aprecio tanto conhecer estudantes de outros países. De certo modo os livros passarem-se na escola de Hogwarts reduz um pouco a nossa perspectiva sobre o mundo mágico, e é bom ver outros países e outras culturas, outros modos de fazer as coisas. (É por isso que também adoro a Taça Mundial de Quidditch.)

Mais um destaque: o modo como começamos a vislumbrar os acontecimentos do passado, porque isso é super interessante. Percebemos como o Voldemort chegou ao poder, as consequências de ter sido derrotado, e começamos a descobrir jogadas de bastidores, dramas pessoais, pequenos segredos que têm um impacto tão grande. Sempre adorei este aspecto nos livros.

Oh, e tenho de dizer, ler o livro sabendo o que se passa com o Moody? É tão arrepiante e excitante. Todas, e digo mesmo todas, as interacções que ele tem com os outros personagens são reavaliadas. O interesse que ele tem em que o Harry avance no Torneio. A maneira como ele mostra as Maldições Imperdoáveis à turma, especialmente a Cruciatus, tendo em conta o que aconteceu aos Longbottoms, e como ele se mostra amigável com o Neville! Ugh, pobrezinho, apetece-me dar um abraço ao Neville, sabendo que teve à frente esta pessoa que lhe causou tanto mal.

Outras coisas divertidas deste livro: Rita Skeeter. Céus, quantos sarilhos esta alminha causou. Os choques culturais e sociais com os alunos de Durmstrang e Beauxbatons, que nos faz vê-los às vezes de modo menos abonatório, e os pobres não têm culpa. Os dramas do Ron, primeiro com o Harry, depois com a Hermione, e a coitada tem de aturar hormonas aos saltos durante bastante mais tempo do que merece.

A este ponto a Hermione amadureceu, bem mais cedo que os rapazes, e largou aquela queda para sabichona irritante. Ela é mais sabedora, sim, mas não se exibe, e faz tudo para ajudar nas tarefas do Torneio. Apesar de ter direito a revirar os olhinhos quando o Ron ou o Harry estão a ser obtusos e ela tem de explicar tintim por tintim, especialmente quando se fala de sentimentos. Além disso, ela sai da sua zona de conforto, e é cortejada por um rapaz aparentemente bastante desejável no mundo feiticeiro, o que gera alguns momentos giros e interessantes. Ah, gosto mesmo da Hermione, agora que ela já cresceu e passou a fase mais stressadinha.

Oh, e tenho a dizer, finalmente encontrei uma prova que estes livros tiveram uma revisão, por mínima que tenha sido! Na edição inicial do livro, quando saiu em português, há uma altura em que o artigo difamador da Rita Skeeter sobre a Hermione sai, e o Ron diz algo do género "ela faz-te parecer uma... mulher escarlate".

O que para o meu pequeno cérebro de 11, quase 12 anos foi algo confuso, porque tinha a certeza de que não havia tal expressão em português, e porque raios é que iam meter tal coisa no livro se em Portugal não falamos assim. Meu pobre inocente cérebro ainda não marcado para asneiras nas traduções. Eu percebi o sentido da frase, mas não porque é que o Ron se exprimiria assim. Acho que percebi também que o tradutor/a (a equipa, na verdade) era um palerma e tinha feito mal o seu trabalho.

E pronto, aqui temos o meu primeiro encontro de terceiro grau documentado com uma má tradução. E aonde eu queria chegar, é que nesta edição mais recente, com a capa que está ali em cima, o Ron diz "desavergonhada". Ok, não era o que eu escolheria (não sei qual é o original, mas "vadia" seria interessante), mas serve.

Ok, no próximo mês, guess what? Vou ler o livro mais longo da série! E o mais dramático, também, de certezinha absoluta. Adoro a louca da Umbridge. Vai ser tão divertido.

Título original: Harry Potter and the Goblet of Fire (2000)

Páginas: 592

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga, Isabel Nunes, Manuela Madureira

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J.K. Rowling


Opinião: Há uma razão para eu relembrar este livro com uma certa predilecção. Tantas revelações! Adoro quando a J.K. Rowling se põe a escavacar o passado e derramar esta abundância de revelações no nosso colo.

Especificamente: aprecio particularmente este tipo de revelações, em que conhecemos a "verdade difundida", e depois a autora troca-nos as voltas e faz-nos questioná-la, mostrando-nos toda uma camada por baixo. Adorei rever a história dos Salteadores, o seu passado, o que realmente aconteceu que levou ao evento trágico da morte dos Potters. É algo pelo qual a autora sempre se pautou, estes mistérios dentro de mistérios, e é tão giro.

Outras coisas fixes do livro: o mapa dos Salteadores. Abençoado mapa, que tantas travessuras permitiu. As novas disciplinas de Hogwarts. A tensão derivada da fuga do Sirius Black, o que provoca em Hogwarts. A professora Trelawney. O professor Lupin, pobrezinho, que o homem não tem uma folga, e é capaz de ter sido o melhor professor de Defesa contra as Artes Negras que Hogwarts já viu.

A história com o Buckbeak é deliciosa, porque mostra um pouco de como funciona a burocracia mágica. Oh, e as cenas com o Vira-Tempo! O clímax já é bastante excitante, desde a Cabana dos Gritos até à enfermaria, às "cinco para a meia-noite" - mas rever as cenas anteriores com o Vira-Tempo é brilhante. Adoro a maneira como as coisas encaixam na cronologia.

Há uma coisa que me ocorreu sobre o Sirius. Duas, até. A primeira é que me mata completamente pensar na hipótese do Harry ter uma vida familiar completamente diferente, e não ter a oportunidade de chegar a esse ponto. Eu queria tanto vê-lo a morar com o Sirius. Mas enfim, a Jo acha bem dar-me cabo de todas as figuras parentais do Harry...

A segunda é sobre a natureza da personalidade do Sirius. Consegue-se perceber, pela sua recusa em ir para Slytherin, como a sua família, que tem um melhor fundo que eles. Mas há alguns laivos de quase maldade, provavelmente aprendidos com eles, a que não consegue escapar. A maneira como mandou um Snape jovem para uma situação de perigo, por exemplo.

E receio que os anos passados em Azkaban tenham piorado a questão. Quero dizer, ele na forma de cão morde o Ron, ferindo-o e arrastando-o para o Salgueiro Zurzidor, o que lhe parte a perna. E isto a um miúdo de 13 anos! Não interessa quão desesperado estivesse para agarrar o Scabbers. Sei lá, tudo isto me faz questionar acerca do que poderia ter sido se as circunstâncias fossem outras, em múltiplos sentidos.

Última questão, que me ocorreu ao ler este livro. É assim, tiveram o trabalho de passar o livro para o Novo Acordo Ortográfico. E era assim tão trabalhoso fazer também uma revisãozinha à tradução? Porque as traduções dos livros em português desta série continuam a ter ocasionalmente asneiradas vergonhosas. Ugh. Detesto quando consigo perceber que a tradução de uma frase está mal feita.

Título original: Harry Potter and the Prisioner of Azkaban (1999)

Páginas: 352

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga

domingo, 11 de outubro de 2015

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, J.K. Rowling


Opinião: E cá estou eu de volta, a reler o segundo livro da série. Depois de ter lido o primeiro livro o mês passado, achei que me podia dedicar a tempo inteiro à série, tentando reler um livro por mês. (Aparentemente será a primeira leitura de cada mês, mas não faço promessas.)

Ok, Harry Potter sobreviveu ao seu primeiro ano em Hogwarts, e está desejoso de para lá voltar, só para se livrar dos Dursleys. Só que alguém está muito determinado em impedi-lo de voltar à escola, e apesar de retornar com sucesso a Hogwarts, algo terrível se prepara nas profundezas... uma voz sem corpo que só Harry consegue ouvir traz consigo uma série de ataques a alunos que ficam petrificados, e se o mistério não for resolvido, a escola poderá fechar para sempre.

Uma coisa que observei neste livro, e que tenho a apontar (não só aqui mas em toda a série), é o quão divertido é ler sabendo o fim. Tanto no sentido do fim da série, em que sabemos o significado de certas coisas (o diário como Horcrux... e aliás, será que podemos dizer que a Ginny Weasley se esteve prestes a tornar, ou foi-o brevemente, um Horcrux? Inquiring minds want to know.), como no sentido de já saber a solução do mistério. Recordo-me que na primeira leitura estava mesmo investida no desenvolvimento do enredo, em descobrir o que se estava a passar. Ao reler, é mais divertido analisar as pistas, sabendo o que significam.

Outra coisa a destacar é que estes livros têm mesmo uma atmosfera mais juvenil, mas com uma excepção. Têm a saudável desconfiança da autoridade e dos adultos que muitos livros juvenis têm. (O Harry e os amigos têm muita dificuldade em confiar nos professores, o que faz sentido. O Harry nunca conheceu adultos confiáveis, em Hogwarts nem todos os professores parecem ter motivos claros, e num sentido mais geral, esta idade de pré-puberdade não parece ser facilitativa da coisa. Sinto que ao longo da série, quando estão mais à vontade com os adultos que os rodeiam, os nossos jovens estão mais dispostos a não esconder coisas.)

A excepção de que falava ali em cima é que este livro é mesmo sombrio e assustador, especialmente sabendo que tem um público alvo mais novo. As coisas ficaram mesmo sérias mesmo depressa. Um monstro misterioso que anda a petrificar alunos e fantasmas. Adultos que expõem meninas de 11 anos a material muitíssimo perigoso. Um plano que, a ter sido completado com sucesso, teria trazido Voldemort de volta, e dado-lhe a imortalidade, ou algo muito perto disso, de uma nova e inovadora forma, complementar com o uso dos Horcruxes. Acho que não damos o devido crédito a este plano do diário, que é em partes brilhante.

Um último ponto que queria destacar, é que adoro ver quando algo do passado de Hogwarts é desvendado. Desta vez é a história da Câmara dos Segredos, de Voldemort na escola e de como o Hagrid foi expulso. Mas em cada livro, descobrimos um bocadinho mais da escola, e da experiência que outros tiveram com ela, e acho isso fascinante, ver a variedade de momentos diferentes dos do nosso trio maravilha protagonista.

Ah, só mais uma coisinha. Vejo a Presença a fazer novas edições com novas capas, e acho muito bem, mas a preguiça é tanta que nem actualizam o design interior do livro. Vejo a página de título na mesma, com o título no mesmo tipo de letra que havia nas primeiras edições. O que encaixa tanto com a nova capa como uns ténis num evento formal, mas pronto.

Para além disso, ugh, que tradução. Farto-me de ver expressões que soam tão mal, porque foram traduzidas às três pancadas. Uma revisãozinha com o original ao pé já se justificava. Tanta gabarolice na capa sobre estas edições serem comemorativas dos 15 anos da série em Portugal, e nem sequer são capazes de dar uma mais-valia aos fãs e aos novos leitores. As capas são um bom bónus, mas não chegam.

Título original: Harry Potter and the Chamber of Secrets (1998)

Páginas: 280

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling


Opinião: Isto vai ser só um comentário curto, porque a este ponto do campeonato, que mais posso dizer que já não tenha sido dito um milhão de vezes? E se nunca leram isto, shame on you. E parabéns, ao mesmo tempo, suponho. É um bocado difícil conseguir esse feito nos dias de hoje.

Bem, há uns tempos dei por mim super nostálgica, a morrer de saudades deste mundo, e como a minha irmã adquiriu a colecção completa na Feira do Livro, e a mesma ainda está aqui, nesta casa, aproveitei. Começar a ler no dia 1 de Setembro (o início do ano lectivo em Hogwarts) foi mesmo de propósito, em jeito simbólico, já que a bendita carta para Hogwarts nunca chegou (eu bem digo que os correios são uma desgraça).

Impressões principais: bem, que delicioso é ler sabendo o fim, porque muitas das noções e ideias pré-concebidas dos personagens estão longe de estarem correctas, talvez com uma ligeira fracção de verdade ali a substanciá-las pelo meio; o que é tão bom de acompanhar. O que se passou realmente em Godric's Hollow, e o que as pessoas pensam que se passou. O que realmente é Voldemort e como ficou assim, e que poderes e capacidades tem.

Outra coisa muito boa é o manancial de pormenores que a autora introduz neste mundo. Alguns até podem nem servir para mais nada a não ser criar o cenário; mas depois outros, vai-se a ver, são tremendamente importantes, ou preconizam uma revelação mais tarde. (Comecei a guinchar de excitação, por exemplo, quando o Ollivander diz da varinha do pai do Harry "boa para transfiguração"... e mais à frente sabemos que ele se tornou num Animagus.)

O extraordinário nisto tudo é que a autora plantou imensas pistas que vai usar muito mais à frente: das duas uma, ou ela é brilhante a prever do que vai precisar revelar e coloca-as já, ou é brilhante a usar detalhes que não tinha previsto usar para encaixar no que vai revelar mais à frente. Either way, ela é brilhante, já percebemos isso.

Último ponto a destacar: o tipo de narrativa. Ainda muito longe das histórias mais sérias e pesadas do fim da saga, este é um livro com estrutura típica de mistério, delicioso de explorar e desvendar, e ainda com uma pitada de escola-internato, com miúdos à descoberta e à aventura, a meterem-se em sarilhos e a crescerem com isso.

(Ainda outro ponto: a química entre o trio-maravilha. Tão fofos! Quase que me esquecia quão adoráveis eram juntos, e alguns pontos da sua personalidade que são tão giros.)

Título original: Harry Potter and the Philospher's Stone (1997)

Páginas: 260

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os Contos de Beedle o Bardo, J.K. Rowling


Opinião: É um interessante complemento à série. Mencionado em Harry Potter e os Talismãs da Morte, o último livro da série, inclui um conto importante para o mesmo, O Conto dos Três Irmãos. Gostei bastante do livro, os contos têm uma estrutura típica dos contos e fábulas tradicionais. São contos curtos, apropriados para crianças e sempre com uma espécie de moral.

Os contos são acompanhados por um comentário escrito pelo professor Dumbledore, cheios do humor e expressões típicas deste personagem, sendo bastante divertidos; dão também para entever mais alguns detalhes deste mundo criado pela autora.

No geral, uma adição muita gira, à semelhança dos livros já editados que imitavam livros escolares usados em Hogwarts. O livro tem apenas um contra, que é o preço (10€), algo elevado para o tamanho do livro.

Título original: The Tales of Beedle the Bard (2008)

Páginas: 128

Editora: Presença

Tradutoras: Marta Fernandes e Manuela Madureira