Mostrar mensagens com a etiqueta Kate Rorick. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kate Rorick. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

The Epic Adventures of Lydia Bennet, Kate Rorick, Rachel Kiley


Opinião: Este é um livro escrito no seguimento de The Lizzie Bennet Diaries (a série de vídeos no YouTube) e de The Secret Diary of Lizzie Bennet (o livro spin-off que segue os mesmos acontecimentos, em jeito de diário da Lizzie).

O ângulo deste livro é seguir a Lydia depois dos acontecimentos das duas histórias anteriores. A sua história foi daquelas que ficou mais inacabada, incompleta, depois de tudo. O quase-escândalo do vídeo deixou uma forte marca numa jovem que era tão animada e bem-humorada, e Lydia debate-se com como lidar com isso.

Gostei tanto de seguir a Lydia e o seu caminho. É interessante, uma coisa que eu acho que a série se pautou por fazer extraordinariamente bem é adaptar os conflitos da história original para o século XXI. E no caso da Lydia, isso é particularmente verdadeiro. Uma fuga escandalosa de casa com um homem com quem não se está casada... torna-se num escândalo na Internet, em que o Wickham pretende vender um vídeo de sexo deles.

E o mais importante disto é que o conflito essencial mantém-se; mesmo separadas por dois séculos, ambas as Lydias vêem-se algemadas às expectativas da sociedade sobre como uma mulher deve ser e parecer. Em ambas as histórias, um comportamento aparentemente leviano é punido com a dose certa de consternação e horror e tragédia.

Acho que isso me fez apreciar mais a Lydia como personagem. Não há nada de errado com ter uma personalidade como a dela, mas fizeram-lhe sentir que ser ela própria é mau, e isso é verdadeiramente trágico.

Portanto, a Lydia está perdida, à deriva, à procura de dar um objectivo à sua vida depois de ela quase ser destruída. E ela engonha, e deixa tudo falhar, e uma coisa tão simples parece que é o mundo a acabar... gostei de ver isso. De a ver esforçar-se para encontrar o seu caminho, e tropeçar frequentemente até encontrar o que funciona para si.

A minha parte favorita do livro foi vê-la em Nova Iorque, e depois, vê-la resolver as coisas com a Jane e com a Mary. Discutir, mesmo, se for preciso. Era uma coisa importante que ela precisava de fazer para se resolver. Apenas tenho pena de não a ter visto com a Lizzie. Parte das acções da Lydia no passado foram em reacção aos conflitos que tinha com a Lizzie, e sinto que elas não acertaram a sua relação, como aconteceu com a Mary, por exemplo.

Apreciei um pequeno à-parte com os pais das irmãs Bennet. Mais uma vez, o livro faz um bom trabalho em relembrar-nos que eles têm a sua vida, coisas a passar-se com eles que as meninas não reparam por estarem demasiado embrenhadas nas suas vidas.

O livro fecha relativamente bem a história, mas gostava que isto ainda não fosse o fim das irmãs Bennet. Sinto que ainda há que explorar neste mundo, e gostava de saber mais do que se vai passar no futuro delas.

Páginas: 336

Editora: Touchstone (Simon & Schuster)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

The Secret Diary of Lizzie Bennet, Bernie Su, Kate Rorick


Opinião: Sou uma grande fã dos vídeos de The Lizzie Bennet Diaries (LBD). Eu, que geralmente tenho tanta preguiça para me pôr a ver vídeos no YouTube, cedi no início deste ano à curiosidade e lá me pus a ver os primeiros vídeos da Lizzie, a ver se gostava. O resultado? Vi os 160 vídeos da playlist numa semana. (Vídeos de 5 minutos cada. E a playlist inclui os vídeos feitos por outros personagens da vida da Lizzie, que ajudam a complementar a narrativa dela.) Passei um enorme parte dessa semana a ver LBD, a pensar em ver LBD, a sonhar com LBD, e a obcecar com LBD. Sim, é assim tão viciante. (Um dia hei de rever e comentar aqui.)

Isto tudo para referir que este livro de que vou falar é a modos que um spin-off. Um diário escrito que Lizzie Bennet, estudante pós-graduada que faz e posta os vídeos no YouTube para a sua tese, mantém ao longo do ano em que faz os vídeos a relatar pequenas grandes partes da sua vida, ou a encená-las, ou a comentá-las. E no entanto, o livro funciona perfeitamente bem sozinho. Suspeito que alguém que não conheça os vídeos vai conseguir acompanhar a narrativa deste diário muito bem, ainda que quem conheça os vídeos vá também encontrar aqui muitos complementos e adições interessantes à narrativa.

Devo acrescentar que ambos, vídeos e diário, são uma adaptação estupenda de Orgulho e Preconceito. Tendo em conta que as pressões sociais não são bem as mesmas para uma jovem mulher do que eram há 200 anos atrás, os autores conseguem transpor esta questão para o século XXI de maneira brilhante. E além disso, o cenário base em que a história é construída no século XXI é perfeito para os pontos principais do enredo, para os deixar acontecer de maneira semelhante à do clássico, apesar do contexto ser algo diferente.

Tendo dito isto, diverti-me muito a ler o diário, porque percebemos que a Lizzie nos vídeos não é exactamente uma narradora fiável. Há muito que ela não revela, e muito que ela a modos que distorce, devido à sua perspectiva. E isso é uma representação muito fiel da personagem original, que com os seus preconceitos se deixa cegar a algumas coisas que a rodeiam. Diverti-me muito quando ela relatava os momentos que passava com o Darcy, porque o leitor (que sabe mais que ela), interpreta as reacções do Darcy duma maneira, e a Lizzie doutra completamente diferente.

O diário também apresenta pequenos pormenores que não podemos ver nos vídeos, e que aproximam a adaptação do livro original. A relação da Lizzie com os pais, e a descrição que é feita deles - a mãe é mais consciente de certas coisas do que faz parecer, e gosto imenso das cenas da Lizzie com o pai, à medida que se apercebe que os pais não são infalíveis.

Ou, por exemplo, alguns pormenores da relação que a Lizzie tem com as irmãs, muito esclarecedores. A Jane, pobre rapariga, é uma santa, mas uma santa esperta e que não fica a chorar pelos cantos. A Lydia, bem, é a Lydia. Se ela e a Lizzie passassem um pouco mais de tempo a falar uma com a outra, e fossem mais atentas à maneira como a outra funciona, teriam muito menos conflitos.

Também gostei de descobrir mais sobre as interacções da Lizzie com o Darcy. Quase que conseguia vê-lo a cair para o lado só de se esforçar para meter conversa com ela, e a moça sempre a pensar que ele tinha motivos nefastos para falar com ela. E a descrição do dia que passaram a visitar S. Francisco com a Gigi é bem gira, e uma coisa que tinha ficado fora dos vídeos. Além disso, no diário é mais fácil visualizá-la a mudar de atitude em relação ao Darcy, enquanto que nos vídeos ela está mais relutante em revelar-nos aquilo que lhe passa pela cabeça em relação a ele.

Bem, em geral, é um livro que comete duas proezas extraordinárias: um, ser um fantástico complemento aos vídeos do YouTube; dois, ser uma experiência completamente nova para quem não os conhece, sendo ainda assim uma bela adaptação de Orgulho e Preconceito para o século XXI. Estou muito contente por ter apostado nele.

Páginas: 400

Editora: Simon and Schuster