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domingo, 7 de agosto de 2011

A Caixa, Richard Matheson


Contos presentes no livro: A Caixa; Pesadelo a 20000 Metros de Altitude; Dança dos Mortos; Filho de Sangue; Grilos; O Homem dos Feriados; A Atractividade de Julie; Fúria Íntima; A Casa de Slaughter; O Vestido Branco de Seda; Primeiro Aniversário; Na Guerra com Bruxas

Opinião: Não costumo ver filmes de terror, porque raramente me conseguem provocar o tipo de emoções que este género devia provocar - terror, medo, susto, antecipação. Raramente consigo colocar-me na posição do(s) protagonista(s) e "viver" o filme. Suponho que é por essa razão que praticamente não li livros neste género.

Este livro, nesse aspecto, conseguiu e não conseguiu induzir-me esse tipo de emoções. Alguns dos contos, especialmente os mais longos (Fúria Íntima, A Casa de Slaughter), conseguiram fazer-me sentir uma ansiedade e antecipação pelo fim dos mesmos, especialmente porque sendo mais longos têm mais espaço para construir a cena final.

Outros, não sendo esse o seu propósito, não o conseguiram. Penso que nestes o seu objectivo é mostrar-nos uma situação estranha, mesmo bizarra, e surpreender-nos com o final, um pouco à semelhança do que acontecia na série Twilight Zone (o que não admira, tendo em conta que o autor escreveu alguns episódios da mesma). Destacto aqui A Caixa; Pesadelo a 20000 Metros de Altitude; Filho de Sangue; Grilos; A Atractividade de Julie.

Isto tudo para dizer que a colectânea me parece bem equilibrada e escolhida. Os contos que tinha lido do autor incluidos no Eu Sou a Lenda tinham-me cativado, por isso gostei de ler mais alguns contos na mesma esteira. Recomendo a quem conheça e quem não conheça o género, pois pode funcionar como introdução e ao mesmo tempo pode pôr o leitor a pensar furiosamente sobre a situação que o conto apresenta.

A única crítica que tenho a fazer ao livro é a falta de um índice, que dá sempre jeito num livro de contos para os localizar; e é o preço alto num livro tão pequeno, porque se não tivesse um vale de desconto para gastar nele provavelmente não o tinha comprado.

Páginas: 160

Editora: Saída de Emergência

Tradutor: David Soares

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu Sou a Lenda de Richard Matheson

Sinopse: Robert Neville é o último homem vivo na Terra... mas não está sozinho. Todos os outros homens, mulheres e crianças transformaram-se em vampiros e estão sequiosos pelo sangue de Neville.

De dia, ele é o predador, caçando os mortos vivos pelas ruínas abandonadas da civilização. De noite, Neville barrica-se em casa e reza para que chegue a manhã.

Durante quanto tempo pode um homem sobreviver num mundo de vampiros?
 
Opinião: Custou-me inicialmente a entrar no livro. Há uma certa monotonia no enredo e na escrita que me estava a dificultar as coisas - mas depois comecei a gostar e a devorar as páginas. Aquilo que me parecia monotonia é extremamente necessário para caracterizar o ambiente e a psicologia do personagem. O último homem no mundo… É quase impossível pormo-nos na sua pele, mas mesmo assim somos arrastados para o seu mundo solitário e quase misantropo. Não é possível ficar indiferente.

Gostei da explicação por trás dos vampiros e da explicação de vários factos da mitologia vampírica à luz dessa explicação. Gosto de saber como as coisas funcionam tintim por tintim, por isso fiquei satisfeita por parecer haver uma explicação científica, porque é definitivamente uma reviravolta no que costuma haver por aí.

O fim é previsível dada a história, mas faz-nos chegar a algumas conclusões interessantes sobre o conceito de normal ou o que é realmente fora do normal. E assim se faz a lenda.

Os três pequenos contos no fim são muito curiosos e sugestivos de um lado negro. Gostei do Presa - parecia que estava assistir a um filme de terror em que a personagem principal está sozinha em casa a ser perseguida por um assassino - só que esse assassino é um boneco! O Nascido de Homem e Mulher ainda o li sob a óptica dos vampiros da história principal, o que acho que condicionou a minha leitura do conto. O conto Perto da Morte é curto mas vai instalando uma sensação estranha de que algo está errado… até lermos a última linha.

Título original: I Am Legend (1954)
 
Páginas: 180
 
Editora: Visão (a partir da edição da Saída de Emergência)
 
Tradutores: Fernando Ribeiro e David Soares