Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch


Opinião: No submundo de Camorr, repleto de bares e ladrões, prostitutas e órfãos, existem os Cavalheiros Bastardos, uma quadrilha de ladrões que rouba aos ricos, mas não para dar aos pobres; fazem-no pelo prazer de executar um bom esquema. Adoro filmes e livros com um assalto pelo meio e este livro não foi excepção, sendo absolutamente fantástico nesse aspecto, com todas as reviravoltas a que tive direito.

Mas Locke Lamora, o líder dos Cavalheiros, e criador exímio dos esquemas com que enrolam os ricos, tem um talento para atrair sarilhos que complicam o golpe actual, e rapidamente se vê envolvido numa guerra que não é a sua, que percorre o submundo de Camorr mas tem potencial para afectar toda a cidade.

Adorei o enredo cheio de complicações e reviravoltas, porque me surpreendeu completamente. Eu lia um bocadinho, pensava que a história ia enveredar para um lado, e acabava sempre por ir parar a um local inesperado. O livro dá-nos um elenco de personagens muito interessantes e variadas, e muitos com um sentido moral enviesado e uma boca mais suja que um esgoto. Parece estranho dizer isto, mas que refrescante é ver personagens a dizer asneiras a torto e a direito! (E que não são o típico herói santinho.)

Os livro também tem os seus baixos, ou melhor, coisas que me desapontaram. Achei-o em partes excessivamente descritivo, o que atrasou o ritmo do livro. Houve descrições interessantes no que toca a worldbuilding, particularmente no que toca ao passado deste mundo e às fantásticas descrições alquímicas. Mas as descrições geográficas aborreceram-me, principalmente porque não havia mapa disponível que me ajudasse a orientar.

Ah, e as descrições com comida são exageradas. Eu acho que não preciso de ler tanto sobre as sobremesas que a nobreza de Camorr come. Fiquei também desapontada com a recusa deliberada do autor em desenvolver uma personagem, Sabetha. Achei completamente irreal que ela, tendo a importância que teve e ainda tem, nem apareça num único flashback, e passei o livro todo a tentar perceber o que ia na cabeça do autor para fazer isto (o que por sua vez me dificultava a "imersão" na história).

Os capítulos finais foram muito emocionantes e espectaculares. Tanta, tanta coisa acontece que devorei as páginas finais em menos de nada. O livro acaba com um final fechado, sendo muito satisfatório como um stand-alone, mas de certo modo acabei o livro com uma sensação de "soube-me a pouco". Gostava de ler mais aventuras do Locke e do Jean, contudo acho que prefiro esperar.

É que apenas o segundo livro da série está já publicado, e a espera pelos outros volumes adivinha-se Martiniano (como em, típica do Geroge R.R. Martin). Fiquei ainda com uma sensação estranha e difusa de que devia experimentar ler o livro em inglês, e que assim a leitura seria ainda mais satisfatória. Não é, de todo, uma crítica à tradução, apenas senti a falta de ler o livro em inglês.

Um livro que recomendo veementemente, tão excitante e divertido, e tão refrescante no vasto mar da fantasia.

Título original: The Lies of Locke Lamora (2005)

Páginas: 544

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Ana Mendes Lopes

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

The Hunger Games Tribute Guide, Emily Seife


Opinião: Este pequeno guia leva o leitor através dos vários passos de selecção dos tributos para os Jogos da Fome. Lê-se como um folheto com comentários acerca da Ceifa (Reaping), do comboio que transporta os tributos, das instalações em que os tributos se preparam e são preparados para a arena, ou das entrevistas com o Caesar Flickman. Contém alguns pormenores bem interessantes que não sabia sobre todo o processo de selecção e preparação dos tributos e até bocadinhos sobre o passado de Panem. Mas o forte do livro são as fotografias do filme que o acompanham, dando uma melhor ideia do que nos espera.

Através das fotos fiquei muito curiosa para ver o "passeio" dos tributos e as entrevistas. Especialmente no primeiro caso, por causa das roupas ridículas que os tributos têm de vestir. (Devo dizer que as roupas dos Distritos 1 e 10 são hilariantes.) O centro de treinos é muito mais impressionante que aquilo que eu tinha imaginado. O único contra que encontrei nas fotos é quando ocupam duas páginas, porque devido à encadernação não dava para ver a parte central. (Numa foto a Katniss estava quase desaparecida.)

O livro tem um conjunto de fichas de tributos (vai ser muito útil no filme para ir riscando quem saiu da competição :evil:), com fotos e a identificação dos mesmos e alguns pormenores, quando disponíveis. Achei frustrante estas fichas dos tributos terem apenas a informação disponível no livro, isto é o nome ou idade ou arma usada quando tal foi revelado. Podiam ter-se dado ao trabalho de inventar nomes e idades para os tributos que não os tinham, até porque se lembraram de colocar em todos a altura (imagino que seja a altura do actor que interpreta cada tributo).

Um pequeno livro bom para os fãs e para ir aguçando a curiosidade antes da estreia do filme.

Páginas: 128

Editora: Scholastic

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Desperate Romantics (2009)

Baseada livremente no livro de Franny Moyle Desperate Romantics, a série segue a Irmandade Pré-Rafaelita nas suas explorações artísticas... e não só. A série vê-se quase como uma espécie de novela, porque muitas das explorações destes artistas envolviam avaliar em todos os sentidos a beleza das suas modelos.

Adorei o sentido de humor com que os escritores mostraram parte da vida dos iniciadores deste movimento artístico. Pode não ser completamente fiel, e condensa num par de anos o que aconteceu numa década, mas a série pinta uns personagens muito interessantes. O Rosetti, por exemplo, é o perseguidor de rabos de saia incorrigível. O Hunt, aquele que se debate entre a pintura e a tentação. O Millais, o menino bonito com a vida fácil. O Fred, o rapaz demasiado simpático que nunca tem sorte. Lizzie, a modelo que se torna artista da Irmandade e viciada em láudano.

A fotografia/cinematografia da série é fantástica. As cores da série lembram-me um quadro Pré-Rafaelita e são lindíssimas. Adorei os trechos sonoros, achei-os bem colocados e davam um tom divertido à série. E vibrava quando passavam o genérico. (Ajuda visual em baixo. Que acham?)


Fiquei muito curiosa em conhecer melhor a vida e a arte destes artistas, e tenciono espreitar o livro homónimo quando puder.

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Picture Puzzle #1

Ora bem, também eu decidi juntar-me à diversão! O Picture Puzzle é um jogo de imagens, e começou com um post da jen7waters no Cuidado com o Dálmata que evoluiu para uma espécie de meme.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal. 

Aproveito já para vos desafiar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria.

Puzzle #1
Pista: li o livro o ano passado.

Puzzle #2
Pista: bem, é um livro muito conhecido. Acho que não é preciso pistas.

Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica no Cuidado com o Dálmata, e no Spoilers and Nuts. Divirtam-se!

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

My Soul to Save, Rachel Vincent

This book is for the Soul Screamers Reading Challenge, hosted by Fiktshun.


Review: I must say, this sequel does not disappoint. I loved every moment of it, and I'm not sure I'll remember to say everything I wanted to say about it.

In this book, Kaylee is learning new things about her bean sidhe powers, learning how to deal with her now-present father, and dating Nash. One thing I really liked about My Soul to Save is the sense of normalcy between the supernatural nonsense Kaylee has to face. Kaylee is trying to adjust to her role as daughter, now that her father returned, and faces her first punishments; and there are a few steamy moments between Kaylee and Nash, and Kaylee faces her own doubts about letting things go further.

Meanwhile, Kaylee finds out that some teenage stars are selling their souls for fortune and fame, and given what happened in My Soul to Take, she feels responsible. I found so funny the notion of a well known media company, "Dekker Media", ever present in films, series and music, selling their teen stars' souls. Thanks for setting the record straight on that, Rachel!

The plot's pace advances nicely, exploding in an ending I wasn't quite expecting. That is another thing I liked about this book (and the other books by Rachel Vincent I've read as well) - in Kaylee's world, everything has a price, and moral grayness, death and sacrifice may be a big, and very present, part of it.

There were some interesting character developments. Nash continues to be the lovely, adorable, gorgeous boyfriend, and though he doesn't pressure Kaylee, I can see how that may be a problem in the future between them, given Kaylee's doubts. Tod gains some depth in character, and I'm curious to see what happens next with him.

Pages: 384

Publisher: Mira Ink

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Soulless, Gail Carriger

This book is for the Steampunk Reading Challenge, hosted by Dark Faerie Tales. The english part of the review is at the bottom of the post.


Opinião: Confesso, começar este livro foi um pouco difícil. A Gail Carriger tem uma maneira estranha de narrar as coisas que acabava por me empurrar a mim, leitora, para fora da história quando me estava a embrenhar na mesma. Houve mesmo uma falsa partida há umas semanas, em que li umas páginas e deixei de lado porque não estava com a disposição certa.

Felizmente, desta vez lá insisti e adaptei-me ao livro, e em menos de nada estava a adorar este mundo que a Gail criou. Gostei muito do cenário, vitoriano, em que os seres sobrenaturais saíram do armário algures no período correspondente ao Renascimento. Há descobertas científicas mais avançadas, o que justifica a etiqueta steampunk do livro, enquanto se mantêm as morais vitorianas estritas.

Gostei muito do leque de personagens, acho que temos muitos personagens divertidos e bem característicos. Os meus preferidos são, claro, a Alexia (que, coitada, na minha cabeça estava sempre a trocar-lhe o nome por Alicia) e o Lord Maccon. As cenas com eles são tão divertidas, especialmente quando tentam ater-se às morais vitorianas e falham redondamente. Irritei-me com a família dela, que bando de snobes, sempre a classificar as pessoas com base no dinheiro e na beleza (ou o que eles acham que é a beleza, porque andavam sempre a atazanar a Alexia por causa do seu ar latino).

O enredo é a parte mais fraca, é fácil adivinhar quem é (são) o(s) vilão(ões), e ao mesmo tempo a história leva um bom bocado a desenvolver-se nessa direcção. Mas fiquei muito curiosa graças ao fim, e à nova posição da Alexia entre os pares do reino.

Review: I confess, starting this book was a bit hard. Gail Carriger has a strange way of narrating things that would pull me away from the story just when I was getting interested in it. I even tried to start the book a few weeks back, but put it aside because I wasn't in the right mood.

Luckily, I insisted this time and adapted myself to the book and its story, and loved the world created by Gail. I enjoyed the Victorian scenery a lot, in which supernatural beings have left the closet right around Renaissance. There are some advanced scientific exploits that justify the steampunk label, while there are still the strict Victorian morals at play.

I really loved the cast of characters, there are many fun, quirky and individual characters to choose from. Though I'm a fan of Alexia (poor girl, in my head I was always calling her Alicia) and Lord Maccon. Their scenes together are so funny, especially when they try to comply with the strict Victorian rules and fail completely. I was so mad at her family, what a bunch of snobs, always classifying people according to money, status or beauty (or what they think beauty is, because they were always needling Alexia for her Italian looks).

The plot is the weakest link in this - it's easy to guess the villain(s), and at the same time the story takes a while to move in that direction. But the ending left me quite curious, especially about Alexia's new position among the kingdom's best.

Páginas/Pages: 384

Editora/Publisher: Orbit