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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mortal Heart, Robin LaFevers


Opinião: Nem acredito que estou a terminar mais uma série, ainda mais uma série que tanto gozo me deu ler, e que me cativou tanto ao longo das suas muitas páginas. Gosto muito do que a Robin LaFevers fez aqui, misturando acontecimentos históricos reais com a sua própria mitologia e personagens únicas, e tenho a sensação que vou gostar de acompanhar o que quer que seja que ela escreva a seguir.

Esta é a história da Annith, a terceira handmaiden (lamento, não tenho uma tradução boa o suficiente para isto) da Morte, uma de três amigas educadas num convento que venera um deus pagão, ou santo, dedicado à morte. E enquanto que as duas companheiras de Annith, Ismae e Sybella, já partiram do convento em missão, Annith continua lá presa, com previsão de assim ficar para sempre, pois a abadessa do convento tenciona que ela seja a profetisa do mesmo.

Gosto muito de ler as minhas previsões sobre o enredo na minha opinião do livro anterior, porque em parte estavam certas e em parte nem fazia ideia do que vinha aí. Tinha razão em ver a Annith como uma pessoa com uma personalidade luminosa, porque sobreviveu, tal como as outras meninas, a alguns tipos de maus tratos, no caso da Annith praticamente desde que nasceu, e essa foi a maneira que desenvolveu para lidar com as coisas. A história dela é comovente nesse aspecto, e enfureceu-me contra os que a magoaram.

Também tinha razão sobre a abadessa, e há uma razão muito particular para ela não deixar a Annith sair do convento. Nunca esperei que fosse isto, mas faz estranhamente sentido, e deu uma personalidade e densidade à abadessa que nunca sonhei que uma antagonista tivesse. Apesar de todas as asneiras que ela fez, consigo respeitar e compreender as suas razões, e o ter-se mantido firme nas suas convicções.

Quanto à própria Annith, foi interessante perceber que ela não é uma handmaiden comum, tal como a Ismae ou a Sybella não o eram; só que a Annith é-o de uma forma completamente diferente. E foi fascinante vê-la perceber que o rumo que tinham dado à sua vida não era necessariamente aquele que ela queria ou para o qual estava melhor preparada, apesar de ser extremamente talentosa como seguidora de Mortain. Vislumbrei ainda outro caminho para ela que não o que tomou, e seria igualmente adequado para a sua tenacidade.

Quanto ao par para a Annith - e aqui vou ter muito cuidado porque parte da piada é descobrir a identidade dele a par com a protagonista -, mas posso dizer que gostei de conhecer o Balthazaar, e de vê-lo com a Annith, porque há ali um magnetismo e uma química bem giros de seguir; contudo, gostava de ter tido mais cenas com eles juntos, particularmente quando descobrimos a identidade dele, para podermos desenvolver mais a parte da Annith a aceitar a revelação, e a apaixonar-se por ele outra vez.  Por lado lado, tenho a dizer que o Balthazaar é o par perfeito para a Annith, tendo em conta a devoção e ferocidade dela como handmaiden da Morte.

Quanto à história do livro e como encaixa com os outros dois: bem, o Grave Mercy e o Dark Triumph seguiam-se um ao outro cronologicamente, com o segundo livro a estender as intrigas na Bretanha um pouco mais para além do primeiro; o Mortal Heart começa sensivelmente mais ou menos onde o Grave Mercy começa, talvez um pouco depois, mas tendo em conta que a história da Annith passa por alguns meses de inércia, seguidos de uma viagem que lhe leva mais tempo do que ela esperava, a Annith acaba por se encontrar com o elenco principal mais ou menos no fim do Dark Triumph.

O que é que isto quer dizer? Que no início do enredo temos a apresentação da protagonista e uma espécie de viagem de descoberta da mesma, conhecendo novas facetas da mitologia dos deuses, particularmente Mortain e Arduinna; e que quando Annith se junta a Ismae, Sybella (que bom foi revê-las e aos seus companheiros) e à corte, entra num momento em que a intriga está numa nova fase, e pode influenciar com a sua presença o desfecho do destino da Bretanha.

Gostei muito de como a autora explorou um período histórico riquíssimo para ancorar a narrativa destas três raparigas, e de como conseguiu seguir os eventos principais na biografia da Anne, a duquesa da Bretanha, nos seus esforços para a manter independente de França. Fez-me ter vontade de ler mais sobre o assunto, e ao mesmo tempo conseguiu apresentar o problema e analisar o tipo de intrigas que poderiam ter rodeado a Anne real, e que assolam definitivamente a Anne ficcional. (Que já agora, é uma personagem muitíssimo carismática, numa caracterização que nos faz esquecer que esta miúda tem apenas 13 anos.)

Outro aspecto que gostaria de destacar é a mitologia que a autora desenvolve, em que na Bretanha do século XV existe a veneração de um conjunto de deuses com características pagãs, e que convive a par com o cristianismo, que vem a ganhar terreno. Acho fascinante a veneração dos Nove, em como a autora incorpora facetas e histórias de cultos pagãos mais antigos para criar a sua versão; e gostei muito de descobrir melhor o que envolve a veneração de alguns deuses e as manifestações terrenas que estes podem ter.

Quanto à parte final, foi muito excitante ver a intervenção dos protagonistas, e o que isso implica, e em como a presença divina está mais presente do que se pensaria. Também foi uma boa solução ao imbróglio em que a Bretanha e a corte de Anne estava, e uma resolução próxima dos acontecimentos históricos, parece-me. Agora fiquei com vontade de que a autora pegasse nesta história mais para a frente, noutro momento de viragem da biografia da Anne.

Em suma, esta há de ser uma série que me há de ficar na memória. As protagonistas são fortes e dão gosto acompanhar, as pitadas de romance são deliciosas, a ideia do culto de Mortain e dos outros deuses é fascinante, e a autora complementa tudo com uma bela intriga com um fundo real histórico. Adorei e recomendo.

Páginas: 464

Editora: Houghton Miffin Harcourt

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dark Triumph, Robin LaFevers


Opinião: Tenho de confessar, antes de ler este livro fiz assim uma releitura muito rápida e na diagonal do livro anterior, Grave Mercy, a rever diálogos e ordem de acontecimentos e intrigas e contra-intrigas, porque se há autora que crie um enredo tão complexo, é esta. E ainda bem que o fiz, porque as duas histórias se entrelaçam e porque me relembrou porque é que eu adorei o Grave Mercy - e apesar das expectativas estarem altas e de eu ter adorado a Ismae e a sua história, adorei igualmente a Sybella. Por razões diferentes e por ser uma história diferente, mas igualmente boa.

O livro começa durante o momento que serve como clímax do Grave Mercy, mostrando a intervenção da Sybella no mesmo; mas rapidamente nos faz mergulhar na vida e na realidade da Sybella, uma muito diferente da Ismae: familiar do homem mais temido, perigoso e cruel da Bretanha, o Conde d'Albret. No livro anterior já tínhamos visto que ele era mau, mas bolas, este homem dá todo um novo significado à palavra ruindade.

A vida da Sybella é quase difícil (e dolorosa) de descrever, porque durante toda a sua vida ela teve de suportar a maldade inerente na família, sem se poder defender, apenas manter-se passiva, para evitar ser a próxima vítima. O que quase a levou à loucura, e a deixou no estado em que vislumbramos brevemente no início do Grave Mercy, quando a Ismae, também acabada de chegar ao convento de St. Mortain, a conhece.

A extensão do que ela passou às mãos da família é revelada pouco a pouco, ao longo do livro, e cada novo pedaço da história dela permite conhecê-la melhor e a escuridão que carrega, mas também apreciar o seu espírito, porque ninguém sobrevive ao que ela sobreviveu se não tiver uma força interior giganteca. Era claro, pelas aparições da personagem no livro anterior, que carregava uma história terrível, mas uau, que história. Fez-me adorar a Sybella, por abraçar a escuridão em si e manter-se sã apesar das adversidades.

E a história dela com o Beast! Tão fofos. Desde o primeiro momento em que se cruzaram que o Beast tenta cuidar dela, ainda que inconscientemente, porque é isso que faz dele a pessoa que é. Apesar de adorar lutar, o primeiro instinto dele é ajudar as pessoas, tanto que durante a fuga deles fazem uns quantos desvios para ajudar camponeses que estão a ser atacados por soldados. E isto quando estava a recuperar de meia-dúzia de feridas potencialmente fatais e da febre resultante das mesmas.

E por mais que a Sybella lhe atirasse as coisas horríveis que (supostamente) fez ou que a família dela tinha feito, ele conseguia ver para além do artifício dela, de ela o estar a tentar afastar e apercebia-se do que estava por trás do que ela não dizia. Tão inteligente, e sinceramente, tão raro de ver num romance. Geralmente os livros vão pelo caminho do casal ter um Grande Desentendimento e passarem metade do livro zangados e sem se falar, quando podiam resolver as coisas em 5 minutos se se tentassem compreender um ao outro e se de facto FALASSEM um com o outro. E eu fico com vontade de bater com a cabeça nas paredes, porque os personagens estão a ser obtusos e frustrantes.

Aqui não, felizmente. Algo que eu estou a apreciar nesta autora é não cair (muito) nos clichés dos romances, dando-nos um casal pelo qual vale a pena torcer, e que é compatível duma forma singular. E melhor, o romance não domina a história, não é a razão para esta acontecer, é a história que junta os personagens e os aproxima através das circunstâncias.

E apesar de esta ser uma história mais focada nos personagens, a intriga política que me agradou no primeiro livro continua presente. A Bretanha está cercada por vários inimigos, e entre franceses e o Conde d'Albret venha o Diabo e escolha. A duquesa Anne e os seus conselheiros tentam encontrar uma solução para manter o país independente, mas infelizmente parece que as probabilidades estão contra eles. Uma coisa que gosto de ler é os momentos com a Anne, que é uma rapariga de apenas 13 anos mas tão, tão inteligente, consciente do seu papel e capaz de gerar lealdade nos que a rodeiam.

Gostei de ver por um bocadinho a Ismae e o Duval, o casal do livro anterior. A primeira cena que têm neste livro é tão típica deles, e do que acontecia no Grave Mercy - estão discutir se a Ismae pode ou não matar um dos conselheiros, que lhes suscita dúvidas. Que rapariga tão pronta a executar o seu dever, e o Duval, coitado, a recolher os corpos atrás dela. Acho a ligação entre as três raparigas, Ismae, Sybella e Annith, muito interessante, e creio que entre as três ainda vão provocar uma grande mudança no estado das coisas.

Outro aspecto do enredo que me intriga é a mitologia. Neste livro é sugerido que o convento e a abadessa de St. Mortain parecem controlar as handmaidens (as assassinas) a seu bel-prazer - o que estas fazem não tem necessariamente a ver com a vontade do deus que veneram, Mortain. Além disso, as handmaidens são deliberadamente mantidas no escuro acerca de muitos aspectos da veneração a Mortain e acerca do que podem realmente fazer, sendo filhas da própria Morte.

Sinto que a abadessa tem uma intenção oculta que não seja necessariamente cumprir a vontade do seu deus, que tem algum grande enredo que se está a desenrolar nos bastidores e que veremos no terceiro livro. Talvez algo motivado ou relacionado com o seu ódio à Sybella? A abadessa estava preparada para a enviar para a morte, o que não faz sentido. Não sei, entretanto com o que o terceiro livro promete, imagino que vá haver uma grande mudança entre as handmaidens, as freiras de St. Mortain e o convento.

Para além disso, imagino que o terceiro livro comece um pouco antes deste terminar, com a fuga prometida da Annith. Imagino que isso cause uma grande comoção no convento, mas para além disso não consigo vislumbrar o que poderá acontecer. A Annith nunca saiu do convento, e sei que a Sybella acha que a Annith não se aguentava no mundo exterior, mas acho que esta nos vai surpreender. Tem uma personalidade luminosa, mas também é adepta de ouvir às portas e ler cartas que não são para ela, por isso talvez tenha um papel mais de espia do que de assassina... outra coisa que me deixa curiosa é que era fácil prever qual era o par da Sybella, mas aqui não há pista sobre se a Annith vai ter par. Aliás, sabemos muito pouco dela, e é difícil prever algo acerca dela, ao contrário da Sybella.

O final foi singular, porque deixa os personagens numa situação semi-irresolvida. Não necessariamente um cliffhanger, porque eu sei que eles estão bem (ou vão ficar). Mas acaba a meio duma acção e gostava de ver os resultados dessa acção. A não ser que tenha directamente a ver com a história da Annith e do terceiro livro, não sei se faz muito sentido terminar assim. Quero dizer, até é adequado às personalidades da Sybella e do Beast, mas não precisavam de me deixar de coração nas mãos.

Páginas: 400

Editora: Houghton Mifflin Harcourt

sábado, 26 de maio de 2012

Grave Mercy, Robin LaFevers

I'm reading this book for the 2012 YA Historical Fiction Challenge, hosted by YA Bliss.


My thoughts: Wow, what a shining star this was, on a particularly busy and tiresome week. Despite that, I found myself stealing time to keep reading Grave Mercy, and after I had finished it, I couldn't quite start another book before writing my opinion, because I really didn't want to taint my thoughts with another story.

First things first, how awesome is this book's premise? A girl assassin, trained by nuns, ready to do her god's bidding? Thankfully it lived up to my expectations, and I found myself very satisfied with it, Maybe it has sometihng to do with the fact that Ismae and her world reminded me a bit of a YA version of Phèdre and the Kushiel series. Both are set on an alternate version of Europe, both have the girls being groomed to serve her god, and both end up tangled up in politics and intrigue.

Ismae was a great character. She was fierce and brave, and ready to kill at order. She hides a ton of weapons on her person, and she knows how to pretend and deceive to kill her target. She would walk on a window ledge to eavesdrop on someone, and she would sneak out anytime she wasn't supposed to. Her sense of humor towards killing (and sometimes towards men) was so funny. She was naturally suspicious of anyone outside the convent, but as things progressed, she started to question them, and whether she was following her god's will.

I just was a bit disappointed with her that she had missed so many of her "Womanly Arts" classes, because given her line of work they would be absolutely necessary (and would make for some hilarious scenes with Duval as well, methinks). But I understand, given her past, her contempt of it. Besides, it ended up being funny to watch her being completely clueless with Duval Gavriel (I love his first name, and I wish that Ismae used it more). I think they make a great couple, all so obssessed with honor and following orders and spying and killing people. I wonder how their babies would turn out. They were so cute, running around trying to save their country and avoiding each other and their feelings.

The way the convent worked, and their link to the god saint of Death was interesting, and I liked to watch several aspects of the god himself. The intrigue at court was absolutely captivating, and I was rooting for Brittany to remain free of France's rule, and Anne to become her country's ruler and get her happy ending. She was so young but so smart and managed to deal with people much older than her, that would manipulate her if they could. The mystery of the traitor behind the scenes was pretty easy to guess, but the ending compensated that. I was freaking out that so many things were happening to people I liked, and not enough things happening to people I disliked. But it was the feeling of everything being at stake that made me like it so much.

I am already pining for the next book by this author. There is a small description at the end of this one, and it makes me excited to be able to read Sybella's story. I am wondering about this mysterious "wounded knight" she has to rescue, and rooting that it is who I think it is. And I am rooting that the third book is Annith's, as she so deserves her story.

Pages: 560

Publisher: Houghton Mifflin Harcourt