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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Curtas BD: She-Hulk, Spider-Gwen, Batgirl, Ms. Marvel

She-Hulk v.2: Disorderly Conduct, Charles Soule, Javier Pulido
É um pouco triste que esta série tenha acabado depois deste volume. Não era a melhor coisa depois da invenção da roda (esse lugar está reservado para a Kamala Khan, a nova Ms. Marvel), mas era bastante divertido, com muitos pontos altos, e potencial para mais e melhor.

Neste volume, a primeira história lida com um par de cientistas que inventou uma tecnologia de diminuir, o que pede uma participação especial do especialista de serviço do universo Marvel na matéria, o Hank Pym. Acho uma ideia genial, a do edifício onde a Jen trabalha, e encontra estes clientes - um edifício para pessoas com poderes trabalharem, o que dá pano para mangas para contar histórias.

A segunda história envolve o Capitão América, ou talvez deva dizer ex; o Steve Rogers envelheceu para a idade que devia ter hoje se não fosse o supersoro de soldado e a coisa de ter estado congelado durante tanto tempo. Assumo que é por isso que outro personagem tomou o manto de Capitão América por estes dias, e até estou curiosa para ver como é que isso aconteceu, e as consequências que teve. Porque as pessoas parecem continuar a agir completamente fascinadas nas interacções com ele, por ser tão carismático e tal, com o bónus adicional de ser um velhinho de 90 anos adorável.

A história é cativante o suficiente, porque mete uma acusação contra o Steve sobre uma morte nos anos 40 pela qual ele poderá ser responsável; qualquer coisa que possa manchar a reputação do personagem é marginalmente interessante, e a batalha legal que decorre opõe a Jennifer a, adivinhe-se lá, Matt Murdock, o Daredevil. Todas as reviravoltas no tribunal se mostram engraçadas de acompanhar, lembrando bem um episódio de uma série de advogados. Talvez por experiência própria, o argumentista capta bem esse espírito.

Só me queixo que era óbvio que o Capitão ia sair inocente da coisa. Vá lá, é tipo um deus para o universo Marvel. Nada de mau lhe podia acontecer. O que torna a coisa um pouco mais aborrecida. Isso e o fim, porque a revelação do vilão por trás de tudo e a maneira como se lida com ele acontecem de maneira tão rápida e repentina, que não há clímax na história.

A história final lida com o tal ficheiro azul que tem estado mais ou menos ausente, mas que continua a ser muito misterioso. É um bocado óbvio que decidiram lidar com ela depois do título ser cancelado e antes que acabasse de ser publicado, porque é tudo resolvido um pouco à pressa e com muita conversa e info-dump à mistura... a história por trás até é interessante, e soaria tão bem se tivesse espaço suficiente para ser explorada, o que é pena.

A última nota que tenho é para a arte do Javier Pulido, que eu estranhava no início, e até já se me entranhou. Gosto de como desenha a acção, e tem um certo dinamismo que me agrada. O planeamento das vinhetas nas duplas páginas é que é estranho, porque às vezes é para ler da esquerda para a direita nas duas páginas, e às vezes... não. Primeiro uma página, depois a outra. E frequentemente não é claro qual dos dois casos é.

Spider-Gwen v.0: Most Wanted?, Jason Latour, Robbi Rodriguez
Hmmm. Gosto muito do conceito desta história: um mundo alternativo em que é a Gwen Stacy que é picada; o Peter Parker, numa tentativa falhada "de ser especial", torna-se o Lagarto e morre nos braços da Gwen, presumivelmente num acidente.

Sinto só que a maneira como está escrita não é das mais sólidas: parece que está tudo muito espalhado, sem rumo concreto no enredo; e ao mesmo tempo gostava que a personagem Gwen e a sua personalidade, e como ela está neste momento, fossem mais exploradas. Temos uma série de cenas que dão uma ideia, mas normalmente gosto de mais profundidade emocional nos meus personagens. Ela está a faltar às aulas? Nem sequer está em casa? Ninguém dá pela falta dela? São perguntas que passam pela cabeça a ler, e as respostas não são claras.

Por outro lado, a parte conceptual está fantástica. A Gwen é baterista numa banda chamada The Mary Janes, cuja vocalista é... a Mary Jane. O pai continua a ser polícia, mas também há outros personagens que o são, como o Ben Grimm, que aqui nunca se tornou o Coisa, e é polícia de giro na Rua Yancy; ou o Frank Castle, que se pensarmos bem nisso é uma noção hilariante, porque o homem não tem respeito nenhum pela autoridade, e aqui mesmo sendo polícia faz as coisas de todas as maneiras que pode, legais ou não.

Gosto muito do que fizeram com a Felicia Hardy, a Gata Negra. Ah, e o Rei do Crime existe, sim, e aparentemente está na prisão. Ou melhor, o tipo gordo e careca que conhecemos está na prisão, mas suspeito que ele foi um isco, uma distracção. Porque quem vemos a agir em nome dele, a fazer as coisas que o Rei do Crime faria, é o advogado dele... que se chama Matt Murdock. Ah. Gostava de ter visto como é que essa se deu.

Ao menos a maneira como a história está montada (apesar de eu desejar que fosse mais explorada) é bem interessante. A Gwen está num ponto baixo, o Peter morreu e ela sente-se responsável, e isso cria uma entropia que a impede de seguir com a sua vida. De certo modo tenho a sensação que é que o Peter faria - quero dizer, na cronologia normal a morte da Gwen Stacy aconteceu há décadas, e ainda se fala tanto disso.

O que eu queria dizer era que aprecio que pela inversão de sexos não se contenham a contar o tipo de história que é preciso, que nos mostrem a Gwen em baixo e a reconstruir-se do zero. (E quero acrescentar que é de partir o coração conhecer a May e o Ben Parker, que são vizinhos dos Stacys nesta versão.) Apesar dos meus problemas com a escrita, acredito que a história tem pernas para andar e ficar melhor, só tem um início mais frágil. Vou querer acompanhar.

A arte é algo desconcertante, com talvez demasiado peso no traço, mas não desagradável. As cores ajudam. Normalmente algo tão garrido não seria o meu estilo, contudo aqui a paleta funciona é agrada-me visualmente.

Batgirl v.1: Batgirl of Burnside, Cameron Stewart, Brenden Fletcher, Babs Tarr, Maris Wicks
Bem. Isto é um pouco desconcertante. Não me acontece muito frequentemente gostar tanto de algumas partes dum livro, enquanto desprezo as outras, deixando uma confusão pegada no lugar do que seria claramente a minha opinião.

Ok, esta é uma espécie de mini-reboot para a série da Batgirl. A Barbara vai-se mudar para Burnside, um bairro de Gotham onde a gente nova e bonita (e provavelmente hipster até mais não) mora, o seu material super-heróico ardeu, obrigando-a a improvisar com o equipamento, e vai cruzar-se com uma série de inimigos relacionados com tecnologia, como uma boa millennial.

Acho que é isso que me irrita no livro. Em teoria um livro sobre como a Barbara faz parte da geração millennial parecia-me uma boa ideia, mostrando como uma super-heroína lida com a crescente presença da tecnologia na vida social e no crime. Na prática, acho o tom do livro demasiado vivaço, demasiado egocêntrico, demasiado absorto. "Olhem para estas pessoas jovens e bonitas a ir a festas! A beber até cair! A tirar fotos a tudo e postar nas redes sociais! A usar redes sociais para encontros!" Não sei, parece quase uma caricatura da geração.

A Barbara em partes parece demasiado estúpida, coisa que ela supostamente não é, e noutras tremendamente inteligente, o que é - aborrece-me a inconsistência. E depois cai-me mal um bocado este tom demasiado animado quando a Barbara passou os livros anteriores a lidar com o que lhe tinha acontecido. Uma queda abrupta de tom muito sério para tom muito despreocupado - quase parece que estão a varrer para debaixo do tapete o que lhe aconteceu, e a ignorar propositadamente. Não podemos encontrar um meio-termo?

Oh, céus. É que eu até gosto da premissa. E, em partes, da execução dela. (A maneira como a Barbara lida com o primeiro vilão é muito fixe.) Mas depois outras são tão patetinhas. Provavelmente com outro personagem, um desconhecido, eu deixaria passar, mas com a Barbara soa mal, parece que a personagem deu uma volta de 180º.

Passando à frente. Disse realmente que gosto da premissa. Gosto de como a tecnologia faz realmente parte da vida destas pessoas, e de como elas a têm de gerir. Os vilões, apesar de serem em geral um pouco patetas, fazem sentido dentro da observação da importância das redes sociais, da fama, e de todo o negativismo que se gera por vezes.

Gosto dos amigos da Barbara, gente variada e de todos os tamanhos e feitios. A Frankie (gosto de como elas têm uma amizade anterior, apesar de nunca termos ouvido falar, e de como a Frankie poderá assumir um papel importante nos... empreendimentos da Batgirl), a Alysia (espero que não se livrem dela, no livro anterior a última cena delas era bem gira), a Nadimah e o Qadir (gosto de como o pobre do rapaz foi "recrutado" pela Batgirl para ajudar ocasionalmente). Tenho pena de a ver tão zangada com a Dinah, toda a zanga parece um pouco forçada entre duas pessoas que passaram muito juntas.

A arte é adorável e fofinha, muito cartoon, mas no bom sentido, bastante agradável. É das coisas mais fixes do volume, das que mais me agradou, e tremendamente adequada à história.

Ms. Marvel v.4: Last Days, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
Oh, este comic fica mais e mais adorável à medida que avançamos. Desta vez, a Kamala Khan é apanhada pelo terror dos "eventos" das editoras de BD americanas, que absorvem quase todos os títulos da editora. E apesar de não se escapar, os criadores fazem um tremendo trabalho a aproveitar o evento para centrar a história.

O mundo pode acabar. Deixar de existir. E apesar de a Kamala não poder fazer nada (se os Vingadores, que estão no caso, não puderem, ninguém pode), pode ajudar o local onde vive, New Jersey, a evitar os problemas que hão de surgir com o fim do mundo. Pelo meio, o irmão dela, Aamir, é raptado, e a Kamala lança-se numa missão de salvamento.

O melhor disto tudo é que a história é bastante emocional; o fim do mundo faz a Kamala perceber o que é importante para ela, e é tão fofinho de ver. A Captain Marvel, a Carol Danvers, faz-lhe uma visita, para ver se a Kamala está bem, e acaba por ajudá-la no salvamento do Aamir; e as cenas delas são bem giras. Primeiro a Kamala em modo fangirl; depois, acabam por trabalhar bem juntas, com a Carol a dar-lhe alguns conselhos (a cena em que elas têm de deixar os gatinhos é TÃO TRISTE), e de certo modo, a passar o testemunho.

O Aamir sai disto tão brilhantemente caracterizado, mesmo. O personagem podia ser uma caricatura, mas prova ser uma pessoa de carne e osso, mostrando que é feliz como quem é, e defendendo a irmã, quando ela pensava que o Aamir não lhe ligava nenhuma. Adorável.

As cenas finais dela com os pais, especialmente com a mãe, também são emocionantes. Uma mãe sabe, mesmo. A mãe dela é fantástica, e adoro que se sinta orgulhosa dela. E as cenas com o Bruno? Arghhh a tortura! Mas soaram tão maduras, e fazem sentido para quem estes dois são.

A arte do Adrian Alphona, já disse, é singular, mas tão expressiva, e adoro isso. A cara da Kamala (e dos outros personagens) salta à vista quando está contente, animada, excitada, triste, zangada... é fascinante de ver. Há uma cena em que ela e a Nakia estão a conversar, a Nakia está zangada, e a Kamala diz uma coisa superdivertida, e a expressão na cara da Nakia! Vê-se que está a tentar conter o sorriso. É fabuloso. Em adição, gosto bastante do esquema de cores que tem sido usado nos livros da Ms. Marvel, dão um ar distintivo à história.

O volume ainda tem um par de histórias do Homem-Aranha em que a Ms. Marvel ajuda, e as cenas dos dois juntos são giras, mas de resto as histórias não são memoráveis. Excepto pela parte em que pelos vistos quero saber que história é esta do Spider-Verse, e por que raios é que o Peter e esta outra nova super-heroína estão sempre a tentar saltar para cima um do outro.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Curtas: só volumes 2 de BD

Ms. Marvel vol. 2: Generation Why, G. Willow Wilson, Adrian Alphona, Jacob Wyatt
Já tinha dito na opinião do livro anterior que achava a Kamala adorável, e gostei mesmo dela e da própria história que os autores estão a contar. Este volume elabora mais um pouco a sua evolução como heroína, combinando-a com algumas cenas caseiras e entre família e amigos, sendo bem abrangente.

O título não é por acaso. O vilão que é enfrentado pela Kamala como Ms. Marvel é alguém que faz jovens da idade dela confrontar-se com o conflito geracional entre eles e os pais. E é extremamente interessante, ver os dois lados do assunto, os velhos do Restelo que acham que os jovens vão levar o mundo para o Inferno, e os próprios jovens, que vão herdar um mundo cada vez mais complicado e só querem uma oportunidade.

É muito inteligente colocar este ponto no centro da acção, pois é uma questão transversal à geração da Kamala, tornando a história universal e, er, relacionável. A Kamala tem uma família conservadora, mas é uma miúda dos nossos dias, é uma fangirl e uma geek que se vê a lutar lado a lado com os seus heróis, e que tem problemas como qualquer outro jovem.

Adoro a família da Kamala, e adoro ver como a escrevem, pois apresentam fantasticamente os seus valores e cultura, mas também mostram um grupo de pessoas fantásticas e que só se preocupam com a sua querida menina. Enquanto que a Kamala luta por um pouco de emancipação e tenta aprender a ser uma super-heroína, os pais estão ali a preocupar-se compreensivelmente com os desaparecimentos súbitos da rapariga.

Dois pontos fantásticos do volume: o Lockjaw, que se torna o melhor companheiro que uma super-heroína podia pedir. (Adoro a reacção da Kamala a conhecê-lo, e quão facilmente o recebe como seu. Há uma simplicidade no trato dela que me agrada.) E o Wolverine, que trabalha com a Kamala num caso relacionado com o vilão principal. (Uma equipa vencedora, só pode. A Kamala é fã do Logan ao ponto de escrever fanfiction com ele, e a reacção dele à mesma é hilariante. De qualquer modo, a nossa menina consegue cativar o mutante durão, e é adorável de ver.)

Continuo a gostar muito da arte de Adrian Alphona, meio cartoonesca, e perfeitamente adequada a desenhar os poderes mórficos da Kamala. Continuo a achar que ele é bastante expressivo. Jacob Wyatt também é assim para o cartoonesco, mas mais a puxar para o gag, e também me agrada, mas em comparação com o outro artista, não gosto tanto dele, não é por não ser bom; só perde na comparação.

Batwoman vol. 2: To Drown the World, J.H. Williams III, W. Haden Blackman, Amy Reeder, Trevor McCarthy
Este livro faz-me chegar à conclusão que há personagens e super-heróis que eu sigo não por estar propriamente interessada no enredo que se vai desenvolvendo, mas mais no personagem em si, no decorrer da sua vida, nas suas acções e reacções, e nos seus momentos pessoais.

Serve isto para eu dizer que o arco de história explorado nestes dois volumes não me cativou por completo. Não sei, falta-lhe qualquer coisa para me puxar. O tema meio sobrenatural é um pouco estranho nas mãos de alguém da Batfamília, e como tem sido apresentado aos poucos, ainda não é possível ver uma imagem clara, e não consegue manter o meu interesse totalmente.

Por outro lado, acho fascinante seguir a vida da Kate Kane, como Batwoman e como Kate. Estou muito interessada em ver como o decorrer dos eventos sobrenaturais afecta a sua postura, como ela muda à medida que luta como Batwoman. Mas também gosto de espreitar a sua vida pessoal, as cenas com a Maggie, e conhecer o resto da família. Este volume tem umas cenas e um enredo à volta do general (o pai da Kate) e a Bette (a prima) que são comoventes e bem giras de ler, foram das minhas partes favoritas.

Sobre a arte, já mencionei que gosto muito, e aquilo que gosto, e creio que os artistas presentes neste volume fazem jus ao que está para trás. Não são tão experimentalistas, mas seguem as opções tomadas anteriormente, e usam também algum planeamento de vinhetas incomum. Além disso, tenho a dizer que gostei imenso da forma usada para contar a história, com avanços e recuos temporais. É muito difícil sustentar um livro inteiro assim, mas os autores conseguem-no.

Sex Criminals vol. 2: Two Worlds, One Cop, Matt Fraction, Chip Zdarsky
Este volume é ainda melhor que o anterior. Enquanto que o volume 1 era mais brincalhão, explorando as potencialidades do poder da Suzie e do Jon, este é mais terra-a-terra, explorando a sua relação depois da euforia dos primeiros tempos da relação, e dando um background mais pormenorizado ao Jon, enquanto que continua a abordar a sexualidade duma forma descomplicada e realista, sendo até informativo em certos momentos.

Gostei mesmo de ver o percurso da relação da Suzie e do Jon. Depois da excitação de se descobrirem e se conhecerem, e do roubar bancos, a rotina instala-se, e quase dá cabo deles. É uma visão realista do seu percurso como casal, e abre portas para explorar outra coisa importante: a saúde mental do Jon. O percurso dele é fascinante, e tratado duma maneira honesta, o que me agrada.

Gostei de conhecer os novos personagens, o Robert e o psiquiatra, porque trazem algo novo à historia, e são divertidos de acompanhar (especialmente o psiquiatra, com os seus pontos de vista únicos). Também gostei de ver a amiga da Suzie, a Rachel, um pouco mais desenvolvida.

Contudo, a melhor nova introdução foi a Jazmine, que conhecíamos apenas como uma estrela porno mencionada pelo Jon. E os autores fazem um trabalho fantástico a introduzi-la, a apresentar a sua história, e a ligá-la com o enredo principal. (Além disso, as cenas dela trazem uma paródia brutal a The Wicked + The Divine que me fez rir à gargalhada.)

Conseguimos também perceber melhor a natureza dos "polícias do sexo", e bolas, que tipos maléficos. Aquilo que fizeram à Suzie não se faz. A sua postura é curiosa por ser questionável, já que ninguém lhes pediu para fazerem o que fazem. A sua intervenção leva a que a Suzie e o Jon explorem mais o "mundo parado", e os bocadinhos que descobrem são intrigantes. A única coisa que me queixo é que as coisas terminam num ligeiro cliffhanger que me deixa super curiosa.

Batgirl vol. 2: Knightfall Descends, Gail Simone, Ardian Syaf, Ed Benes, Alitha Martinez, Vicente Cifuentes
Tenho gostado bastante da Barbara Gordon, da sua voz, e de seguir a sua história e o seu percurso ao longo destes dois volumes. É uma personagem tão fácil de gostar. Claro, como qualquer Bat-título, tem um pouco de escuridão e gravidade e traumas, mas a Barbara lida com o super-heroísmo com uma personalidade tão bem disposta, sempre tão boa pessoa, que se recusa a comprometer os seus princípios, e sempre sem tirar os olhos do seu objectivo.

A primeira história do livro é uma espécie de prequela, sobre quando a Barbara se vê numa situação volátil, e se torna pela primeira vez na Batgirl. E é fantástico de ler sobre esta menina muito inteligente, e muito determinada, que pega numa capa e numa máscara para defender os seus. É extraordinário.

A história seguinte tem um vilão meio patético, mas um ângulo muitíssimo interessante: um dos criminosos que trabalham para ele era um dos homens que acompanhava o Joker quando a Barbara foi atacada. E gostei de como a história a fez confrontar com esse evento, porque a tornou mais forte e mais pronta para continuar a ser a Batgirl. A Barbara tem feito muitas coisas de super-heroína com alguma insegurança, mas agora ela está mais bem preparada. (Além disso, gostei de ver a Canário Negro.)

A terceira história faz ligação com o evento das Corujas que se bem percebo, está centrado no Batman e suas revistas. O que não é necessariamente mau, só que este número da revista termina num cliffhanger que deve ser resolvido noutra revista. Não sou fã. Por outro lado, a história em si, e o vilão, são bem interessantes de acompanhar.

A quarta história pega num vilão e respectivos mãos-de-obra, que querem limpar Gotham do crime... ao matar sem dó quaisquer criminosos que se lhes atravessem à frente. Gostei de ver a Barbara fazer o seu papel, mas não perder de vista o certo e o errado, e como protege um miúdo que roubava carros, e que nas mãos deste grupo é um joguete. Também achei alguma piada a vê-la trabalhar com a Batwoman.

Outros destaques do volume prendem-se com a família e amigos da Barbara. Gosto da Alysia, e tenho ficado cada vez mais curiosa com a presença do James Jr. (mal sei a história passada com ele), e com a da mãe da Barbara. O livro termina num cliffhanger, no que toca a este ponto, mas um que me deixa com muita vontade de continuar a ler.

Custa-me que os artistas anunciados na capa não sejam todos os que participam no volume (a lombada ainda é menos generosa que isso); quem fez a capa "esqueceu-se" de Alitha Martinez, que faz aparentemente ainda mais trabalho no volume que Ed Benes, por isso não se percebe a omissão. De qualquer modo, gosto do aspecto geral da arte, sendo que nenhum se destaca. (Mas aprecio que a arte se transforme um pouco quando a Batwoman aparece, em honra a ela e ao trabalho dos seus artistas.)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Curtas BD: Infinity, Captain Marvel, Ms. Marvel

Infinity, Jonathan Hickman, Jim Cheung, Jerome Opeña, Dustin Weaver, Mike Deodato, Stefano Caselli, Leinil Francis Yu
Ao longo da leitura das revistas de Avengers e New Avengers desta nova fase da Marvel NOW!, achei que o desenvolver da história estava um pouco lento, que fazia parte tudo duma coisa maior, e que isso dificultava perceber o significado de cada acontecimento a cada revista. E ao ler o evento Infinity, por mais longo que seja, as peças finalmente encaixaram, e só isso vale muito a pena a leitura.

Acaba por ser um pouco impressionante o planeamento do trabalho do argumentista, Jonathan Hickman. A grande história que está a ser desenvolvida nestas revistas dos Vingadores tem vários fios de enredo, e parecendo que não acabam todos por se entrelaçar. O primeiro é apresentado em New Avengers, é a questão das incursões e o que isso significa para os múltiplos universos, e a promessa de que os mundos ainda hão de colapsar.

Outro que é apresentado e desenvolvido em Avengers, é a parte dos Construtores e o seu lugar no Universo, que é mais ou menos terminado em Infinity, e que está relacionado com o primeiro, pois os Construtores afastaram-se do seu papel e querem destruir a Terra por ser o foco das incursões.

E um terceiro, que é introduzido neste evento, a aparição de Thanos, que procura as jóias do Infinito e alguém muito específico na Terra, o que o leva a aproveitar a ausência dos Vingadores para a invadir. Enquanto que uma parte da sua demanda é resolvida, a outra não, e imagino que venha a ser desenvolvida ou volte a aparecer no futuro.

Portanto, pode-se dizer que acabei por ficar fascinada com a programação do desenvolver duma coisa tão grandiosa. Custa-me um bocadinho que leve tanto a desenvolver, mas agora que dá para ver melhor a imagem geral, parece-me bem mais interessante.

Para um evento tão grande, até acaba por ter um bom ritmo e explicar razoavelmente bem as coisas, e ser bom de acompanhar. Há pequenos àpartes que se nota que são desenvolvidos melhor noutras revistas, e não sou a maior fã, mas no geral não tive dificuldade em acompanhar, e isso é o mais importante.

Captain Marvel vol. 1: In Pursuit of Flight, Kelly Sue DeConnick, Dexter Soy, Emma Rios
Não posso dizer que tenha lido a Carol Danvers/Ms. Marvel em muita coisa, mas o burburinho em torno deste título deixou-me curiosa, e ainda bem que aproveitei para espreitar. A história começa no momento em que a protagonista passa a usar um novo uniforme, e o primeiro número é sobre aceitar passar a usar um novo nome que o acompanhe. De certo modo, é o ponto perfeito para começar a ler para alguém como eu, que não conhece bem a personagem.

Gostei bastante da história, que é compartimentalizada e não necessita propriamente do conhecimento prévio de personagens ou acontecimentos passados, mas ainda assim é uma narrativa cativante; a Carol viaja no tempo e acaba por se encontrar com várias mulheres em duas épocas, nos anos 40, na 2ª Guerra Mundial, e nos anos 70, durante os programas espaciais, e que tentam marcar a diferença.

Parte do interesse foi o explorar do que cada época e cada grupo de mulheres podia apresentar, e como a Carol se relacionou com elas e com o que aprendeu com elas. Essencialmente, um voltar a aceitar os seus poderes e responsabilidades, mesmo quando tem a oportunidade de escolher diferentemente. As relações entre as várias mulheres na narrativa foram fascinantes de acompanhar, e o aspecto de viagem no tempo pareceu-me razoavelmente bem explorado.

Adorei a arte de Dexter Soy, tão suave, lembrando uma pintura, foi mesmo atractiva para os meus olhos. Os últimos dois números são desenhados por Emma Rios, possivelmente uma mudança propositada, já que é acompanhada pela mudança de época, e achei a sua arte adequada e desadequada ao mesmo tempo.

Gostei bastante dela, e de certo modo é adequada para desenhar os anos 70 e certos aspectos deles (os aviões e outras máquinas, ou os cenários, pareceram-me bem), mas depois havia qualquer coisa que me afastava de apreciar completamente o desenho. Por um lado por perder na comparação com Dexter Soy; por outro porque não sou completamente fã daquela maneira de desenhar caras e expressões, o que me distraía um pouco da acção principal.

Ms. Marvel vol. 1: No Normal, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
A Kamala Khan é a miúda mais adorável de sempre. Tenho dito. Outro comic que tem reunido bastante ruído à volta dele, e totalmente merecido. A Kamala é uma jovem normal, paquistanesa, habitante de New Jersey, e nerd e enorme fã de super-heróis.

O que quer dizer que é uma surpresa, boa e agradável, mas também confusa e preocupante, quando as Brumas Terrígenas libertadas no evento Infinity promovem uma transformação na Kamala que lhe conferem superpoderes, e ela poder-se-ia assim tornar num dos super-heróis que tanto admira.

Acho que parte do encanto da história tem a ver com a narração da vida normal da Kamala, com problemas como todos os outros jovens da sua idade, com pais, amigos, ou escola... e depois a questão da origem da família é tratada de maneira satisfatória, não como um artifício ou algo extraordinário, mas apenas como o cenário em que Kamala se move, e como isso condiciona ou move a sua vida neste e naquele sentidos.

Achei bastante piada ao processo de descoberta dos poderes por parte da Kamala, um processo de tentativa e erro, que tem resultados por vezes caricatos, mas bastante realistas. Esse processo acaba por estar entrelaçado e ser análogo ao crescimento e tentativa de emancipação da Kamala em relação à educação um pouco mais estrita por parte dos pais, e é bem interessante de acompanhar.

Curiosamente, gostei mesmo da arte de Adrian Alphona. É meio cartoonesca, mas depois tem um modo de desenhar a cara e as expressões da Kamala que é absolutamente fantástico, de tão expressivo. É uma coisa bastante importante para mim, e foi isso que me cativou e me fez apreciar o seu trabalho no seu todo.