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sábado, 8 de julho de 2017

Curtas BD: Mulher Maravilha, volumes 1 a 3

Mulher Maravilha: Terra Um, Grant Morrison, Yanick Paquette
Hmmm. Posso não ter lido muito da Mulher Maravilha na minha vida (esperançosamente isso vai mudar no futuro), mas não seria isto que eu escolheria para recomendar a outrem uma história que conte um regresso às origens da personagem.

Quero dizer, o Grant Morrison tem a distinção de ter escrito o pedaço das revistas do X-Men que mais marcou a minha leitura dos personagens... e aqui tem a distinção de fazer uma leitura da personagem que retorna às origens e ao que o criador estava a tentar fazer (a questão da submissão).

Mas por isso mesmo, não me parece adequado dar isto a alguém que não conheça a personagem (ou que, como eu, se tenha dado ao trabalho de investigar e ler um pouco sobre a mesma e o seu criador). Além disso, tenho algumas dúvidas quanto ao retrato feito de Themyscira - em partes parece mais a fantasia masculina daquilo que uma ilha só com mulheres seria. Não me parece que concorde com a interpretação de como a sociedade Amazona seria em certos aspectos.

Adicionemos ainda uma certa falta de tacto - o Steve Trevor é um homem negro, o que poderia ser uma ideia interessante, mas aquilo que representa acaba por ser demasiado pouco subtil - e a falta de tacto revela-se numa cena em que a Diana pede ao Steve para se submeter... usando aquilo que há cento e tal anos seria um instrumento de tortura e de controlo de escravos negros.

A arte é bonita, interessante, cativante visualmente. Tem uns momentos menos bons, mais estáticos, em que dá um ar porno à Diana, o que não faz sentido algum. E bem, em contrapartida o livro tem a recomendação de mostrar uma Diana ingénua, inexperiente no mundo dos homens, o que é curioso de acompanhar.

Mulher Maravilha: Um Por Todos, Christopher Moeller
Ok... a premissa da narrativa em si parece um pouco estranha. Eu sou uma moça da fantasia, mas vê-la cruzada com a Mulher Maravilha (na verdade, é ver fantasia misturada com super-heróis) é desconcertante.

No entanto, a história em si é muito boa. Os aspectos SFF são fascinantes, bem clássicos, o que é reconfortante. E gosto muito do tema em torno da protagonista, sobre sacrifício e as escolhas difíceis que tem de fazer, deixando os que a rodeiam de fora. (Gostei de ver como dá a volta a todos os membros da JLA. Tenho a sensação que ela não se safava tão facilmente com uma mulher.)

A arte é bem bonita - já tenho mostrado que sou fã deste estilo pintado, apesar de não ser o melhor para as cenas de acção (é algo estático), que neste tipo de história abundam.

Mulher-Maravilha: Hiketeia, Greg Rucka, J.G. Jones
Pronto, aqui a história é muito, muito, muito boa. A Diana aceita um pedido de Hiketeia de uma jovem que sente não ter escolhas, e tenta ajudá-la, por muito turvo que o seu passado tenha sido. É uma história que mostra o espírito da Mulher Maravilha, determinada e corajosa e protectora e preocupada. Só que neste caso em particular aceitar a Hiketeia leva a que fique num campo oposto ao do Batman, que procura a jovem para a fazer pagar pelos seus crimes.

É uma bela história que mostra que não há só preto e branco, há nuances e tons de cinzento no que toca a moralidade - o Batman tende a assumir mais a primeira perspectiva e a Mulher Maravilha inclina-se mais para a segunda. A jovem teve as suas razões para praticar alguns actos terríveis, e é de partir o coração perceber sequer o porquê de ela ter sentido que devia fazê-lo.

O tema grego é prevalente, na aparição das Fúrias e do conceito de Hiketeia, mas também pelo modo como a narrativa está apresentada ao estilo duma tragédia grega. E como todas as tragédias gregas, parece encaminhar-se para um fim tremendo...

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Uma nota final às edições. A colecção anterior da Levoir, sobre os vilões da DC, não tinha introduções, que fizeram falta, e por isso gosto de vê-las reaparecer e de ver textos mais aprofundados. No entanto, entristece-me perceber que as edições são mais caras, mas mais curtinhas. Entendo que a relação entre preço, tamanho e tiragens não é linear; uma colecção da Mulher Maravilha será vista como mais arriscada, as tiragens serão menores, os preços maiores... mas mesmo assim, gostava de ter visto um esforço para fazer render o esforço monetário do leitor. Ou então, que a série não soubesse tão a pouco, tendo apenas cinco volumes.

domingo, 6 de março de 2016

Curtas: Super-Heróis DC, vols. 1 a 4

Liga da Justiça: Origem, Geoff Johns, Jim Lee
Bem, isto é suposto ser uma história de origem. Não estou convencida. Apesar de não estar muito familiarizada com o mundo DC, depois de ler isto, fiquei com a sensação que uma história de origem não era o que precisava como introdução a estes personagens. Ou pelo menos, não era esta história de origem que precisava.

Não sei, soou-me tudo tão... falso? Faltou-lhe ter a junção dos personagens duma forma orgânica, soou algo forçado. Parecem um bando de putos imberbes, e tendo em conta que estes personagens têm uma fama quase equivalente a deuses, é algo... desapontador?

É claro que há pontos interessantes, e achei que os momentos de humor estavam até engraçaditos; toda a gente espantadíssima por o Batman ser só um tipo num fato, ou as trocas verbais entre o Flash e o Lanterna Verde, ou o confronto entre o Flash e o Super-Homem, ou até a aparição do Aquaman, que acaba por entrar a matar.

Depois o enredo não ajuda, porque não é nada rico, é bastante básico, até, simplesmente "vamos dar porrada a estes tipos até termos a sorte de salvar o mundo", e não acho que mostre as forças dos personagens. Vá lá, a Mulher Maravilha parece uma tolinha. Consigo aceitar que ela nunca tivesse sido exposta ao nosso mundo, e um maravilhamento bem escrito era adequado, mas aqui? Errr mas vocês querem matar-me a vontade de ler a Mulher Maravilha, é isso? Missão cumprida. Bem, nem por isso, que eu sou teimosa e não deixo que parvoíces destas me estraguem as coisas.

Super-Homem: Contra o Mundo, Grant Morrison, Rags Morales
É certamente uma leitura curiosa do Super-Homem. Raramente tenho dado por mim a ler o personagem, porque sinto que um tipo perfeito e maravilhoso e fantástico não é assim tão interessante; e ainda mais raro é dizer que gostei genuinamente duma história do personagem. Aqui não chegou bem a esse patamar, mas diverti-me, o que já é mais do que possa dizer da maior parte das coisas com ele.

Assim é que se faz uma história de origem: tem que trazer algo de novo, soar a fresca, original, mesmo quando está a repetir os mesmos temas pela enésima vez. Aqui o Clark ainda está a aprender a usar os seus poderes, não voa, é atropelado por um comboio e fica inconsciente; e a sua atitude de justiceiro, de tentar corrigir os males do seu mundo (Metropolis) é muito adequada, soa perfeitamente natural para um jovem idealista que acabou de começar a trabalhar na grande cidade.

Só me queixo que a história de vez em quando dá uns saltos de lógica; não tenho nada contra uma narrativa fragmentada, mas detesto transições abruptas, e às vezes a edição das cenas soa mesmo assim, como se estivéssemos a saltar indiscriminadamente entre momentos da história. Não há fio condutor.

Ah, e alguém me explica duas coisas: um, porque é que saltámos dois números da revista, e se a história desses dois números é importante ou não (vi menções à história deles nas opiniões do GR e fiquei curiosa e a tentar apanhar do ar); dois, esses dois números tinham como artista o Andy Kubert, realmente, mas se não estão presentes no livro, e ele não participa em mais nenhum, ou seja, em nenhum dos que estão de facto no livro, porque raios é que o nome dele aparece na capa?

Batman: Corte das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Batman: Cidade das Corujas, Scott Snyder, Greg Capullo
Já falei aqui do primeiro volume destes dois, e o que eu disse mantém-se. Gosto da mitologia desenvolvida nestas histórias, é um golpe de génio que aproveita muito bem a simbologia do morcego e da coruja. Gosto que o Batman esteja assoberbado com as intrigas e tramas que a Corte é capaz de desenvolver. Gosto do mistério envolvido na história de Gotham.

O que o segundo volume traz é a conclusão da história, e é impressionante o Batman tentar dar a volta, há uma cena fantástica com os Talons, os assassinos, na Batcaverna, é fantástico vê-lo dar a volta aos poucos. Senti que a história acabou demasiado cedo; bem queria ler mais do que a Corte andou a tramar (parece que há um volume/histórias extra distribuídas pelas revistas da Batfamília). E adivinhei um bom bocado antes a identidade do vilão.

Contudo, achei bastante sólida a motivação dele, e como se entrelaça com a história pessoal do Bruce. Gostei da dúvida que fica. Gostei das histórias extra, especialmente a última, com o pai do Alfred, que entrelaça as Corujas um pouco mais cedo na vida do Bruce do que ele pensa.

Gostei de quão sólida esta história me soa. É tão boa, tem uma qualidade que a faz soar a um clássico do Batman. Encaixa tão bem na sua história, tão perfeitamente. Não consigo explicar bem, mas tem aquela coisa extra que me faz pensar que podemos andar daqui a 20 anos ainda a falar dela, como se anda a falar de certas histórias do Batman que têm 20 anos agora. Gosto de ler uma história e ela me cair no goto tão sem esforço; creio que essas são as que estão melhor construídas (e que têm mais esforço por trás).

domingo, 19 de abril de 2015

Curtas: Colecção 75 Anos de Batman #4-6

Batman: Asilo Arkham, Grant Morrison, Dave McKean
É uma sensação singular opinar sobre este livro. Consigo apreciar o trabalho envolvido, consigo avaliar a história de um ponto desligado, e até de gostar de certas coisas, mas não sei se é uma coisa que releria, algo que me deixe saudades. Não me provocou emoções, um elemento de ligação, algo que me cativasse e intrigasse particularmente. Não estou habituada a relacionar-me com os livros assim. É desconcertante. Sinto que uma obra tão experimental devia ao menos provocar algum tipo de reacção.

Asilo Arkham conta uma noite passada nesse espaço. Os pacientes do asilo soltaram-se e tomaram conta dele, e exigem que o Batman se venha juntar a eles. (Ideia interessante.) O resultado é uma noite paralisante e inesquecível para o Batman. Intercalada com esta narrativa principal, é-nos contada a origem do asilo, e a história do seu fundador, o Dr. Arkham.

Esta não é uma história típica do Batman, pela tensão a que o submete, a exposição aos seus demónios e aos do asilo. A própria casa onde a acção decorre é quase uma personagem, e o percurso por esta ao longo da noite está recheado de momentos com um certo simbolismo, pequenos detalhes que pedem para ser interpretados e montados.

Foram pontos interessantes de explorar, e gostei de tentar perceber o subtexto, e de acompanhar a história por trás do asilo; mas confunde-me por vezes ler este tipo de histórias, em que eu não sei se o simbolismo é tão acessível que eu percebi tudo, ou tão complicado que eu não percebi nada. Lendo opiniões de outras pessoas no Goodreads, apontam coisas que a mim me pareceram óbvias, o que me fez perguntar se não estava a perder alguma coisa mais profunda. Ou seja, a história em si é capaz de ser um bocadinho pretensiosa no modo como expõe as suas ideias, o que por sua vez obscura o seu objectivo.

A arte é impressionante, particularmente pela combinação de meios, e pela altura em que foi executada, em que imagino que montar certas coisas pedia um esforço e um engenho singulares. Acabei por gostar.

Batman: Gótico, Grant Morrison, Klaus Janson
Esta é uma história também pouco usual para o Batman, mas por uma razão diferente. O vilão deixa uma ambiguidade sobre a sua origem, aparentemente sobrenatural, e essa dúvida que permeia a narrativa, combinada com a atmosfera, dá-lhe o tom gótico do título.

É uma questão estranha de considerar. A história é aparentemente passada nos primeiros tempos do Batman, o que sugere uma inserção na continuidade normal do personagem, mas ao mesmo tempo o aspecto sobrenatural não encaixa bem com ele. Acaba por ser uma história que pede que uma pessoa não pense muito para resultar, o que é o oposto da anterior (ou talvez não), coisa curiosa tendo em conta que partilham o mesmo argumentista.

Pondo reticências de lado, a história acaba por ter o seu fascínio precisamente pelo tom gótico, pela existência de um mal quase impossível de derrotar, de alguém que passou muito tempo a fazer muito mal. Pela presença de mosteiros abandonados e maldições terríveis, mortes violentas e lendas esquecidas. Pelo contraponto entre os percursos do Batman e do seu antagonista.

A arte contribui para a atmosfera gótica, com o seu detalhe, e a palete de cores sóbria e restrita, e ajuda a conjugar o enredo.

Batman: Presa, Doug Moench, Paul Gulacy
Este livro é dos três aquele que tem a história que mais me agradou, provavelmente. É que o Batman enfrenta não só o antagonista, o Dr. Strange, como a atmosfera de hostilidade que este e as circunstâncias geram em Gotham contra o herói. Torna-se um belo desafio para o personagem, e uma forma de examinar os seus motivos.

É uma história que também decorre nos primeiros tempos de Bruce Wayne como Batman, pois há algures uma referência que me parece ser a Batman: Ano Um. Tudo começa quando o Dr. Strange, entrevistado na televisão sobre o Batman, discorre sobre os seus problemas mentais, e o que poderá levá-la a fazer o que faz. Isso faz com que a polícia seja obrigada a formar uma unidade anti-vigilante, o que leva à escalada dos acontecimentos, e com uma ajudinha do Dr. Strange, o virar da opinião pública contra o Batman.

O interessante sobre o Dr. Strange e as suas acções é que ele tem o melhor palpite para descobrir a identidade do Batman. As suas conclusões são certeiras, excepto num ponto que parece descurar, e que o Gordon identifica logo. Chega muito perto de ameaçar verdadeiramente o Batman. E é simplesmente um tipo que passa por psiquiatra mas é mais doido que outra coisa, ao ponto de ser arrepiante, a sua atitude.

Entre as aparições notáveis na história, destacaria o (aqui) capitão Gordon, sempre constante e sólido, ele próprio um herói por resistir à corrupção do dia-a-dia. E a Catwoman, pelas poucas aparições mas que me deixaram curiosa por ver o que ela andava a fazer nesta altura.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Curtas: BD

X-Men: Battle of the Atom, Jason Aaron, Brian Michael Bendis, Brian Wood, Chris Bachalo, Giuseppe Camuncoli, Frank Cho, Stuart Immonen, David López, Esad Ribić
Para um evento que foi espalhado por 5 revistas diferentes dos X-Men durante 2 meses, a história é bastante coesa, sem se engasgar, e corre muito bem. Fiquei com a sensação que toda a coisa foi minimamente planeada.

Battle of the Atom lida com a questão de os X-Men Originais ainda se manterem no presente; e para resolver isso, alguns X-Men do futuro viajam até ao presente para corrigir a situação. Para uma história com tanta acção e reviravolta, o status quo não muda tanto como esperava, mas muda o suficiente para me manter curiosa. A Kitty mudar de poiso depois de tanta crítica ao Scott vai ser uma coisa interessante.

Parte da piada da história é os personagens encontrarem-se com versões mais antigas ou mais recentes de si mesmos e confrontarem-se com as mudanças que foram operadas: certos personagens chegam a ter 4 (!) versões de si mesmos no mesmo local. Achei terrivelmente divertido conhecer os vários Bobbys/Homens de Gelo, e as piadinhas que iam largando ao longo da história; e também ver o Quentin Quire, enfant terrible extraordinaire, aperceber-se que o seu eu futuro é capaz de ser o seu maior pesadelo. Oh, e as reacções da Maria Hill a cada vez que descobria mais uma asneira/coisa perigosa que os X-Men tinham feito foram hilariantes.

Acho que os escritores podem ter sido um pouco subtis a mais em certos aspectos (a razão da Jean mais nova aceitar voltar ao seu tempo é daqueles momentos blink and you'll miss it), e deixaram umas pontas soltas que gostaria de ver exploradas, mas no geral fiquei satisfeita, excepto num ponto: não posso uma vez na minha vida ver a Emma dar um enxerto de porrada psíquica à Jean? Nem quando tem três clones dela e uma Jean mais nova a ajudá-la? E quando depois a Jean mais nova consegue fazer o trabalho sozinha, por isso a Jean mais velha não era assim tão poderosa como isso? Bah, este endeusamento da Jean Grey é boring.

Wolverine and the X-Men: Alpha & Omega, Brian Wood, Mark Brooks, Roland Boschi
Ok, o Quentin Quire é daqueles personagens que anda a arranjar sarilhos desde que apareceu pela primeira vez, muitas vezes saindo incólume e sem um pingo de arrependimento. Mas é por isso que é um personagem tão divertido de seguir. Serve como uma representação da adolescência, todo ele arrogância, revolta e anti-sistema. E é por isso que é tão engraçado ver futuros Quentins em futuros alternativos, todos eles  bastante mais responsáveis e razoáveis. É interessante pensar no percurso que o leva a mudar de atitude.

Bem, aqui o objectivo não é de todo esse. Aborrecido e com vontade de executar uma vingançazinha contra o Wolverine, o Quentin cria um mundo virtual alternativo quase perfeito, e nele fecha a psique do Logan e da mutante Armadura/Armor, ou Hisako. Só que o Quentin distrai-se por um bocadinho, e as coisas correm mal, e quando dá por ele o mundo virtual tornou-se independente e ganhou um tipo de inteligência artificial.

Gostei bastante do design do mundo artificial. Os artistas envolvidos eram diferentes dos do mundo real, e criaram um mundo bem cativante visualmente. Além disso, achei muito interessante a sua concepção: lembrou-me um dos mundos sonhados no filme Inception na maneira como funcionava.

No fim de contas, acho que o Quentin devia ter sido mais castigado do que foi, se bem que ele também sofreu um bocadinho no mundo virtual. Mas o rapaz faz asneira atrás de asneira, apesar de todo aquele poder, e nunca mais aprende.

New X-Men v. 7: Here Comes Tomorrow, Grant Morrison, Marc Silvestri
Era uma vez, aquela altura em que a Devir editava muita banda desenhada e vendia nos quiosques, e eu comprava o que encontrava na papelaria da minha terra. Nessa altura, li quase toda a passagem de Grant Morrison por este título dos X-Men, menos este livro, que nunca foi editado, creio eu. E foi por isso que agarrei esta oportunidade para lhe dar uma olhadela.

Acho que tinha aproveitado muito mais se pudesse ter lido este livro na altura em que li os outros. Há coisas que de certeza me escaparam, mas também houve muita coisa que reconheci dessa série, pequenos pormenores que fazem parte da sua "mitologia" particular. E foi mesmo satisfatório encontrar esses detalhes.

A história em si podia estar apresentada dum modo menos confuso, acho que leva um bocadito a estabelecer este futuro quase distópico, e é difícil acompanhar a história enquanto não nos é explicado como é que este mundo veio a acontecer. Por outro lado, aquilo que é revelado é intrigante, fiquei bastante interessada quando reconheci algumas caras da série, e acrescenta mais um pouco à mitologia da Fènix.

O fim é algo anti-climático, ou melhor, não passa tempo suficiente no presente para estabelecer as mudanças que se virão a efectuar, e depois quando acontecem parecem um pouco abruptas. Mas aqui é bem provável que seja mais porque não tenho bem presentes os acontecimentos anteriores de New X-Men. A arte agradou-me, particularmente no design da Fénix.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 1 e 2

Desde o ano passado, com a publicação da Colecção Heróis Marvel (Série I e Série II) pela parceria Levoir/Público, que ficou a expectativa de se fazer uma colecção semelhante para a DC. Que chega agora às bancas, à Quinta-feira, para apresentar uma série de histórias seleccionadas de vários personagens da editora. Estou bastante curiosa, conheço muito menos a DC e espero que esta colecção ajude um pouco a preencher essa lacuna.

Em jeito de primeiras impressões, parece-me que a qualidade de edição se mantém. A capa dura, o papel (que é tão bom que me cortei nele, coisa que nunca me acontece), e a impressão parecem-me igualmente bons. Nota-se uma diferença no número de páginas - ambos os livros que já li (e comentarei a seguir) têm talvez umas vinte páginas a menos que a média da colecção da Marvel. Calculo que é uma escolha calculada para manter o preço de capa (8,90€) e não ter de o subir.

Nota-se mais algum trabalho nas capas (algo que já se via na Série II, acho eu), com o uso de imagens "por trás" do fundo a cores e a preto. (Se bem que passava sem esse artifício no fundo preto. Pelo menos na lombada, onde fica estranho.) Tenho é saudades do símbolo do herói que colocavam nas lombadas da colecção da Marvel. Acho que aqui também podiam tê-lo feito. Não sou a maior fã do fundo azul para ambas as capas, pela repetição da cor e pelo símbolo da DC, que já é azul e se "perde" um bocado no meio da capa.

E agora sobre o nome da colecção - para a Marvel o ano passado eram "heróis", este ano para a DC são "super-heróis"? Mas isto  aqui há filhos e enteados ou alguém está aqui a tentar compensar alguma coisa? (LOL) Fora de brincadeiras, isto não me incomoda por aí além, mas fiquei intrigada com a mudança. Talvez tenha algo a ver com exigências da editora? No blogue de um dos organizadores da colecção há uma referência a exigências da DC quanto ao que podia ser abordado nos editoriais, por isso imagino que hajam outras directivas que tenham condicionado a produção da colecção.

Liga da Justiça - Terra Dois, Grant Morrison, Frank Quitely, Ed McGuinness
Gostava que tivesse havido alguma homogeneidade no uso da expressão "Terra Dois/2" ao longo do volume. Compreendo que o original em inglês é "Earth 2", e também compreendo que tenham preferido ter o 2 no título por extenso para evitar confusões com as histórias que estiverem divididas por dois volumes, e que são distinguidos com os numerais. Mas então que ficasse "Terra Dois" pelo livro todo, bolas, que confusão. É que fica a sensação que se está a falar de dois conceitos diferentes.

Gosto muito da premissa desta história, porque apresenta as histórias de super-heróis e as noções duais de bem e mal sob uma nova perspectiva. É muito interessante ver a inversão de papéis e acontecimentos entre as duas Terras, as reviravoltas que ocorrem devido a nesta outra Terra o mal vencer sempre, em vez do bem. Quis ler mais sobre este mundo, soube-me a pouco e acho que seria fascinante conhecê-lo.

Sobre a arte, não sou a maior fã do desenhador. Reconheci-o da série Novos X-Men e não gosto muito da maneira como desenha as caras. Faz os olhos muito pequenos, desproporcionais para o tamanho da cara, e não têm expressividade nenhuma. Os olhos dos personagens parecem-me todos iguais e dão a sensação que estão sempre todos zangados.

Sobre a segunda história, JLA: Classified, não me captou tanto a atenção. Gostei da ideia de conhecer uma equipa de super-heróis que não a JLA, mas senti que estava a começar a história in media res e que não havia suporte suficiente para um leitor ocasional se aperceber de certas coisas. De onde veio esta equipa? De onde veio o vilão? A situação que tem de ser resolvida é apresentada de forma desconexa e não ajuda a perceber as coisas.

Por outro lado, gostei muito da arte, particularmente do dinamismo do desenho e do trabalho com as vinhetas e a sua orientação na página. Lembro-me de uma página em que as vinhetas eram as faces dum cubo em perspectiva isométrica. Ou uma em que as vinhetas eram o símbolo do Batman. Ou umas páginas com 4x4 vinhetas.

Batman - Herança Maldita, Grant Morrison, Neil Gaiman, Andy Kubert
A história titular, Herança Maldita, acaba por ser outra que me deu a sensação de lhe faltar um bocadinho de trabalho expositivo e de começar a história a meio. Achei a história apressada e que podia ser melhor desenvolvida. É uma ideia interessante, a do Batman ter um filho. Mas nem sequer vemos grande reacção do Batman a isto.

A história é só basicamente o puto a arranjar sarilhos, dar cabo do Robin e no fim o Batman aperceber-se dos motivos ulteriores da mãe do miúdo. E fim. Quero dizer, acontece uma coisa séria ao Robin, mas a história rapidamente varre-o para baixo do tapete e não há impacto emocional nenhum. Por outro lado, em termos de arte, gostei do trabalho de sombras e de algumas vinhetas de página inteira.

No entanto, adorei a segunda história, O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?. É uma ideia tão, tão boa - apresentando na mesma história uma reflexão sobre a mortalidade do Batman, a natureza cíclica das histórias de super-heróis, e como a diferente perspectiva das pessoas forma memórias diferentes. As histórias contadas no funeral são fascinantes de seguir (especialmente a do Alfred, o mordomo). Uma história mesmo boa, 5 estrelas.

A arte agradou-me, aqui também pela projecção das vinhetas na página e do uso das silhuetas do Batman. A coloração tem em geral um tom escurecido, mas adequa-se à história.