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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 9 a 11

Capitão América: Sonhadores Americanos, Ed Brubaker, Steve McNiven, Giuseppe Camuncoli, Travis Charest, Ed McGuinness, Frank Tieri, Paul Azaceta
Acho que o mais fascinante de ler histórias, a este ponto, sobre o Capitão América, e digo isto especialmente por ser um personagem tão icónico e conhecido, é ver como os escritores e artistas conseguem construir sobre o que está feito e acrescentar pormenores e detalhes ao seu mito e à sua história, contribuir para adicionar mais um pouco à sua biografia.

Neste volume em particular, descobrimos que uma equipa que trabalhou com Steve Rogers durante a Segunda Guerra Mundial ficou presa durante uma missão num mundo sonhado ou imaginário, mutável na presença e desejos dos seus habitantes (um pouco à Inception, eu diria). E assim ficaram, presos fora do tempo até aos dias de hoje, em que voltam com um intuito vingativo.

A história é cativante, o enredo corre bem sem engasgos, e até tem os seus momentos engraçados. É capaz de ser a primeira vez que vejo a Peggy Carter nos quadradinhos, e adoro um momento em que a Sharon diz algo do género "espera aí, roubaste a tia Peggy a outro homem???" ao Steve. A singularidade do momento é algo de nota. (Tendo em conta que a Sharon está ou esteve ou ainda está, I don't know, não tenho vida para seguir assim tão bem a vida amorosa dos personagens de comics, envolvida com o Steve.)

O volume tem ainda algumas histórias extra, de um número comemorativo, uma de uma página sobre a essência do personagem; outra sobre um momento em que se debate sobre se deve voltar a usar o uniforme; e a última sobre um clone de alguém que o Capitão conhece muito bem, e que fez muito mal - aqui a perspectiva é sobre se esta pessoa deve ser condenada por algo que ainda não fez, e talvez nunca venha a fazer, mas que o seu, er, original fez. Muito bem apresentado, o dilema.

Curiosamente, acabei a gostar bastante desta história. Não é nada o meu estilo, porque não costumo ler coisas com o Wolverine por aí além, e uma narrativa na Terra Selvagem também não me puxaria. Mas acabou a ser uma bela surpresa.

Combinando um estilo de aventura à Indiana Jones, ou à filme de sábado à tarde na TV, que puxa à nostalgia, com alguns elementos sobrenaturais e um cenário na selva que é mais ameaçador que encantador, acaba por ser muito divertida, com o seu quê de acção.

Gostei tanto de acompanhar os sarilhos em que o Wolverine e a Shanna se metiam, especialmente porque metade derivava de eles discordarem num curso de acção, e irem por caminhos diferentes sem se combinarem. (Mas também era assim que metade das situações se resolviam.) Fiquei curiosa por ver de onde este personagem do Amadeus Cho apareceu, porque acho que nunca o tinha visto, portanto assumo que é um personagem muito pequeno, ou então nunca tropecei em histórias em que ele apareça.

Gosto da reviravolta sobrenatural da história, e como afecta o percurso dos personagens. Não gosto do fato da Shanna, porque passei metade do livro a pensar como é que aquilo funcionava, se fosse só uma tira de pano à frente e atrás, sem ligação, era doloroso expor tanto os genitais, mas depois percebi pelo desenho que afinal é uma espécie de bikini por baixo. E assim, meus senhores é que se descobre os uniformes mais mal concebidos. Se o leitor tem de parar para pensar na exequibilidade da coisa, é porque não está bem feita.

O final é super interessante, pela ameaça que sugere; mas ao mesmo tempo frustrante, porque fica para resolver noutro livro, e é sempre isso que me aborrece nos comics, o não poder ler logo a seguir quando fico (muito ou pouco) pendurada. A arte, essa, bastante agradável ao olho, com uma planificação de vinhetas e pranchas pouco usual, mas que me cativou.

Demolidor: Partes de um Todo, David Mack, Joe Quesada, David Ross
O Demolidor não é um personagem que eu tenha lido muito, mas parece-me bastante mais interessante, pelos temas e ideias na base do personagem. E felizmente, tenho apanhado alguns livros que o confrontam com essas ideias e temas, histórias que mostram bem a sua essência.

Neste livro, os autores juntam-no com uma jovem que será o seu par ideal. Gosto do argumento e da ideia que um bom par para o Matt Murdock terá de ser alguém que entenda o que ele enfrenta todos os dias, uma combinação de uma incapacidade com uma capacidade extraordinária. E nesse aspecto, a Eco é fantástica, com uma incapacidade e uma capacidade que se complementa com a do protagonista.

Só que as coisas não são assim tão fáceis, pois não? Especialmente para o Demolidor, que parece ter um azar enorme com as mulheres, e parece-lhe ser impossível manter uma namorada por um período prolongado de tempo. Aqui, a interferência vem de Wilson Fisk (quem mais?), o Rei do Crime (esse tipinho que parece estar sempre a jeito para lixar a vida do Matt, mas adiante), que lança a Maya contra o Demolidor numa missão de vingança, sem ela saber que o super-herói e o homem por quem se apaixonou são a mesma pessoa.

Gosto mesmo da forma incomum como a narração é feita, a três vozes, dando espaço para os três personagens contarem o seu lado. E mais importante ainda, apreciei como a arte é usada para ajudar essa narração pouco habitual a transmitir algo ao leitor; é muito interessante como tenta mostrar a perspectiva do Matt e da Maya, vivendo com uma incapacidade. Fascinante de observar, a arte conta a história como poucas vezes vi fazer.

sábado, 13 de junho de 2015

Curtas: Hawkeye, Saga, Outcast

Hawkeye vol. 2: Little Hits, Matt Fraction, David Aja, Steve Lieber, Ron Lim, Francesco Francavilla, Annie Wu
Oh, céus, cada vez gosto mais desta série. O Clint Barton é um totó ensarilhado, e só faz asneira, e precisa de pôr ordem na vida dele, mas é tão divertido ler sobre as suas aventuras. Este volume reúne um conjunto de histórias stand-alone, enquanto combina um arco de história maior, que apenas começou a ser desenvolvido, estando em aberto para evoluir em direcções bastantes interessantes.

Uma das razões pelas quais tenho apreciado tanto a narrativa nesta série é porque os autores usam formas incomuns de contar a história, de montar a sua evolução, o que consegue cativar-me e manter o meu interesse. O primeiro número deste volume segue separadamente o Clint e a Kate Bishop, enquanto enfrentam a Natureza implacável. O segundo conta uma história de Natal inusitada, cheia de problemas mesmo à escala do Hawkeye, e usa uma moldura de saltos temporais para manter as coisas interessantes.

Os números seguintes usam num o enquadramento de capas de comics com um tom romântico para contar a história, e noutro mudam a narrativa para a perspectiva das mulheres na vida do Hawkeye, o que se torna engraçado e fascinante de acompanhar. (Foi uma das minhas partes favoritas. E já agora, a Kate Bishop é a melhor.) Outro número segue um assassino que persegue o Clint, e o último é o melhor de todos: mostra a perspectiva do Lucky, o cão do Hawkeye, sem praticamente palavras, apenas acções, e o modo do cão de ver o mundo. E surpresa, a história faz fantasticamente sentido, e continua o arco de história maior da série.

A arte de David Aja continua bem interessante, com montes de opções multifacetadas, um leque variado de modos de contar uma história; e ainda bem complementada pelo trabalho de cores, a tender para o monocromático e para o foco numa cor ao longo de um número da revista.

O primeiro número deste livro tem um outro par de artistas, mas não sou totalmente fã, especialmente por causa de como desenham as caras. Francesco Francavilla desenha outro número, e o seu estilo mais escuro é perfeitamente adequado ao tom, mas achei a história meio confusa, particularmente na narrativa do vilão, e gostava que a sua figura tivesse ficado mais bem esclarecida.

Saga vol. 2, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Sim, falem-me de cliffhangers. Este livro tem o maior deles todos! Argh, e eu que estava a passar um bom bocado. Era preciso isto? Grrr. A única coisa boa disto tudo é que não tenho de esperar muito para ler o próximo volume. A coisa má é que já nem me importava muito com os cliffhangers, e agora lembrei-me que, por defeito, não sou fã.

À parte disso, foi uma boa leitura. Uma óptima leitura. O primeiro volume era de iniciação, de apresentação do mundo, e por isso em partes a história é um nada mais frágil. Mas aqui, aqui a história é uma máquina bem oleada, com foco e propósito. Consigo vê-la perfeitamente trabalhada, e dá gosto ver.

A minha parte favorita deste arco é o foco na família. A de sangue, e a que construímos por nós próprios. Adorei conhecer os avós da pequena Hazel, que são dois personagens fascinantes, e torna-se cativante seguir a luta desta família, a Alana e o Marko e a pequena Hazel, pelo direito a ser uma.

Há um par de números no meio deste livro que seguem os outros personagens da narrativa; e se por um lado aprecio conhecê-los melhor - gostei bastante da parte da história à volta do The Will, mas ainda não gosto por aí além dos robots -, por outro é stressante ver a situação desta família ficar suspensa e ver dedicar um número aos outros personagens. Não me deixem pendurada, pessoal! Estou a ficar investida nisto, e dá-me uma coisa má ao ficar pendurada.

A arte de Fiona Staples é fantástica, nem que seja porque consegue desenhar todo o tipo de coisas bizarras e fantásticas para este universo, e torná-las completamente credíveis e nada (vá, só um bocadinho) estranhas. E gosto muito do aspecto que ela dá às coisas, cores incluídas.

Outcast vol. 1: A Darkness Surrounds Him, Robert Kirkman, Paul Azaceta
Esta foi uma leitura que me deixou impressões contraditórias. Li apenas um volume de The Walking Dead, por isso não sabia bem o que esperar de Robert Kirkman, e por isso fui com uma mente aberta para a leitura, e no fim de contas saí dela ao mesmo tempo frustrada e satisfeita.

Satisfeita porque a ideia é muito boa. O protagonista, Kyle Barnes, tem um percurso de vida absolutamente dramático, é totalmente um coitadinho, e que interessante é por vezes acompanhar os coitadinhos e danificados. Aquilo que é sugerido da sua história é bastante curioso, e também gostei de desvendar o pouco que é apresentado da mitologia deste mundo, de como as coisas funcionam, os exorcismos e as possessões, e o poder que Kyle tem neste mundo.

Frustrada porque, bem, aquilo que é apresentado do que se está realmente a passar é muito pouco. A história anda a passo de caracol, e se bem que não desgosto do tom contemplativo (que apesar de tudo, os autores conseguem manter o interesse do enredo), também gostava que andasse um pouco mais depressa, mesmo que fosse para apresentar mais perguntas que respostas. Ao menos estava a andar e apresentar mais detalhes deste mundo, saciando-me a curiosidade.

A arte é mais ou menos interessante. Um pouco estranha, nas caras, mas tenta usar as vinhetas duma forma engraçada, destacando pequenos detalhes das cenas. Não resulta tão bem nas cenas de acção, em que confunde as coisas, mas de resto é um bom detalhe. As cores são fantásticas, mas se bem me lembro já conhecia a colorista de Velvet vol. 1, e continuo a gostar do trabalho dela.