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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Curtas BD: Edge of Spider-Verse, Batwoman, Batgirl

Amazing Spider-Man: Edge of Spider-Verse, David Hine, Jason Latour, Dustin Weaver, Clay McLeod Chapman, Gerard Way, Fabrice Sapolski, Robbi Rodriguez, Elia Bonetti, Jake Wyatt
Este volume faz parte de um evento maior em torno do Homem-Aranha, um que junta inúmeras iterações de Aranhas de inúmeros universos. E nas cinco histórias reunidas, conhecemos cinco diferentes pessoas que tomaram o manto de Aranha.

A primeira história é uma versão noir, passada nos anos 30. É aquela mais semelhante à história do Peter Parker, reimaginando o personagem nessa época. Gosto da estética da época e do estilo, e apreciei-a por isso. Achei curiosa a história da Mary Jane, que esteve a lutar na Guerra Civil Espanhola. Gostava de ler mais sobre isso.

A segunda história é a história que cativou a imaginação dos leitores, ao ponto de ter merecido o lançamento de uma revista própria. É sobre a Gwen Stacy, e o que teria acontecido se ela tivesse sido a pessoa picada pela aranha. Acho que o melhor que esta história faz é tirar a Gwen do pedestal de namorada morta tragicamente e dar-lhe uma história própria, fazendo dela a protagonista. É isso que é refrescante e cativante. Estou muito interessada em continuar a ler.

A terceira história é sobre Aaron Aikman, um génio biotecnológico que ganhou os poderes aranha através de resequenciação ADN, e que usa um fato aranha muito ao estilo do Homem de Ferro. O estilo de narração da história e o tipo de desenho faz-me lembrar o estilo japonês de contar uma história em manga, não sei se é propositado. Aqui o que gostei de ver foi o twist cibernético da história do Homem-Aranha, porque de resto não se destaca.

A quarta história é sobre a iteração mais creepy que o Homem-Aranha já teve. As circunstâncias em que este alter ego do Peter Parker cresceu são bastante semelhantes, mas ao mesmo tempo tão diferentes. O miúdo é um psicopata em potência, as suas circunstâncias não ajudam, e a parte final é aterrorizadora.

A quinta história é a minha favorita a par da da Gwen. Neste caso, porque pega no género mecha e faz-lhe uma homenagem, muito particularmente a Evangelion. Pelo menos, o meu apreço por Evangelion fez-me ver os paralelos, e adorei encontrá-los. Uma adolescente encontra-se a controlar uma máquina gigante (em forma humanóide, ao estilo aranhiço), uma que só ela pode controlar, numa cidade futurista. Enfrenta seres parecidos com os Angels, e veste-se ao estilo Sailor/uniforme de escola japonesa. Adorei cada segundo, e gostei do estilo mais sossegado de narrar.

Batwoman vol. 4: This Blood is Thick, J.H. Williams III, W. Haden Blackman, Trevor McCarthy, Francesco Francavilla
E cá está mais um título tramado pelo drama de bastidores e interferência editorial que parece ser demasiado frequente lá por terras da DC. Neste caso em particular, um desacordo quanto ao rumo que a história iria tomar levou os autores a bater com a porta e pôr-se na alheta - e pelo caminho, em jeito de manguito, deixaram um cliffhanger e uma situação meio difícil de resolver, só porque podiam.

Este volume foca-se muito no círculo de pessoas que rodeia e apoia a Kate, e gostei mesmo dele por isso. Desde o início que é essa parte que me tem atraído na história, o modo como ao mesmo tempo a Batwoman opera separada da Bat-família, sendo que esta raramente se atravessa no caminho dela - acentuando a independência da Kate.

E ao mesmo tempo, ao longo dos livros temos percebido que a Kate não está sozinha, tem até um sistema de suporte fantástico, acho que ela é muito má a reconhecê-lo. Neste volume tem de ser a Maggie a obrigá-la a aceitar a ajudar de todos para cumprir a sua missão; e gosto bastante de ver que toda a gente tenta contribuir, até a madrasta, numa tentativa de proteger as "meninas" (a Kate e a Bette) dos momentos mais duros.

O enredo foca-se na tentativa da Kate, como Batwoman, fazer uma coisa que duvido que queira mesmo fazer, excepto pela chantagem a que é sujeita. O volume desenvolve a história à volta dessa tentativa, e das razões que a movem. O pai, o coronel, colabora no plano, especialmente no que toca à Bette e às acções dela, o que me agradou, porque são dois personagens que tenho apreciado ao longo da série.

Em termos artísticos, o traço passou para Trevor McCarthy (já no volume anterior, até), mas sinto que ele fez um bom trabalho a manter a estética anterior, ao mesmo tempo que tem o seu jeito próprio. Há um certo dinamismo e expressividade no modo como trabalha.

Batgirl vol. 4: Wanted, Gail Simone, Fernando Pasarin, Jonathan Glapion, Blond
No seguimento do volume anterior, seguimos a Barbara Gordon na sua tentativa de lidar com as suas acções, vendo como não se sente merecedora do uniforme que usa, e como duvida das suas capacidades e das razões pelas quais faz isto.

Pelo meio, uma vilã chamada a Ventriloquista anda a semear o terror, e cabe à Batgirl travá-la, com ou sem crise de fé. Foi uma vilã muito interessante de seguir, pelo factor arrepiante sempre que ela aparecia, com o seu boneco atrás, e as acções que tomava.

Acho um pouco triste, e até estranho, que as coisas tenham chegado a tal ponto com a Barbara, e o Batman não dá sequer um arzinho da sua graça. Uma das melhores aparições na série foi a que ele fez no primeiro volume, e tenho pena que nunca mais tenha partilhado cenas com ela (excepção feita a Death of the Family, no volume 3). Sei que as coisas estão más na Bat-família, mas a Batgirl cometeu aparentemente o pecado capital para eles.

O único que tenta confortá-la e confrontá-la é o Dick Grayson, o Nightwing, numa cena que até me fez ter pena que ele não aparecesse mais uma ou outra vez. Creio que ele e a Barbara funcionam como suporte um para o outro no meio do drama da Bat-família, e têm uma relação próxima gira, por isso era engraçado vê-los mais juntos.

Como se não bastasse a Barbara sentir-se culpada por.. coisas, tem um interlúdio doce proporcionado pelo Ricky, um jovem com que se cruzou anteriormente como Batgirl, e as coisas descarrilam rapidamente, num clímax desanimador. (Só a Alicia e a amizade dela com a Barbara animou a sua vida pessoal. A Alicia é adorável.)

Parte da tensão do volume prende-se com a determinação que o comissário Gordon tem em prender a Batgirl pelas suas acções, o que leva a uma cena gira dele com o Batman, a criticá-lo por deixar uma jovem seguir-lhe os passos até terminar nisto. Há, obviamente, um confronto final entre ele e a Batgirl, noutra cena fascinante (muito mal representada pela capa, porque as posições dos personagens estão invertidas, e isso faz a diferença). Suspeito que o comissário tenha as suas próprias ideias sobre a identidade deste pessoal que usa capas, incluindo a Batgirl, e que não tencione prová-las. É uma posição interessante, a dele, esteja ele certo ou não nos seus palpites.

A história final faz parte de um evento chamado Zero Hour, e creio que é suposto ser uma espécie de prequela/história de origem para a Barbara, numa sua versão adolescente no meio de uma tormenta em Gotham. Não achei assim tão interessante. Acho que tenho alguns problemas com histórias contadas assim, primariamente recorrendo à narração interna, e apesar de ter o potencial para ser um momento que a define, não me cativou.

Saga vol. 5, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Aquilo que vou dizer aplica-se a todos os volumes da série, e podia servir como a totalidade da minha opinião: é Saga, o que quer dizer que é uma boa viagem, uma pessoa diverte-se, mas acaba demasiado cedo. E agora que fiquei actualizada no que saiu cá para fora até agora, vou ter de esperar horrores de tempo até ler o próximo, e até lá vou esquecer-me de tudo, estou mesmo a ver.

Reflexões que vieram com este volume: é engraçado, no passado pelo menos duas pessoas me disseram que ficaram impressionadas com o quão gráficas as coisas são às vezes em Saga, e eu acho que nunca tinha reparado até me fazerem esses comentários. Acho que a única vez que franzi os olhos a algo foi no início do volume anterior, que tinha um nascimento em close up, e não dava para perceber nada da coisa até semicerrar bastante os olhos. Normalmente o traço da Fiona Staples é muito mais claro e directo, e nunca me incomodou. Até é refrescante.

O enredo continua a desenvolver-se a partir dos acontecimentos anteriores, e exploramos mais um cantinho deste universo. (Again, Fiona Staples com rasgos de brilhantismo, porque ela farta-se de criar raças e seres diferentes e exóticos e totalmente credíveis. Mas continuo a achar os robôs um bocado estranhos.)

Destaques: a parte do esperma de dragão. Hilariante. O Ghüs é adoravelmente fofinho. A última cena da Yuma no livro, completamente épica. Tenho pena da pobre Hazel, porque está a ser usada e trocada como mercadoria por uma série de partes, e isso não é bom para uma infância. E ela está tão fofa agora, já fala, e faz os comentários mais giros.

A parte final deixa-a num ponto intrigante. Ainda mais quando mais cedo ela tinha dito algo do género "iriam passar-se anos até ver o meu pai". (Continuo a detestar esta "antevisão" das coisas. Ugh. Seus provocadores.) Totalmente explicável a esta luz. Só espero que sejam poucos anos. A série tem feito passar o tempo quase sem darmos por isso, portanto imagino que até venha a correr bem.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Curtas: BD

Oh, céus, isto é tão divertido. Boa aposta, Marvel. Não é muito usual as grandes editoras de BD apostarem neste género de coisa, tão fora da caixa, e pelo menos não me recordo de ter lido sequer algo neste estilo - por isso, foi uma bela oportunidade e uma boa surpresa.

A Doreen Green é adorável, na sua dedicação aos seus amigos esquilos e no modo como vê o mundo. Gosto que ela tenha uma visão tão positiva do mundo, que seja tão determinada, e mais importante - resolve os problemas e conflitos a discutir as coisas, antes de partir para a porrada. (A não ser quando saca a armadura do Homem de Ferro e a refaz à sua imagem. Brilhante.) Dois dos vilões que enfrenta ela "derrota" a argumentar com eles. E um é o Galactus. Fantástico.

Também gostei bastante da amiga e companheira de quarto da Doreen, a Nancy, graças à sua dedicação ao seu gato e a fanfiction do Cat Thor. O sentido de humor é brutal (adorei a música-tema da Squirrel Girl). Já a arte é engraçadita, toda cartoonesca, no geral divertida, mas não sou fã das caras. (São sempre as caras que me lixam.)

Pontos bónus para a edição, que tem uma profusão de capas, e o material que vem normalmente nas revistas - as cartas dos leitores, bem divertidas por sinal. Além disso, este volume tem a história com a primeira aparição da Doreen, também bem engraçada, com o Homem de Ferro, e a derrota do Dr. Destino às mãos de... esquilos.

Batwoman vol. 3: World's Finest, J.H. Williams III, W. Haden Blackman
Acho que tinha dito no comentário ao volume anterior que estava um pouco aborrecida com a história, porque não se conseguia fazer um puzzle coerente nem encontrar interesse na coisa, e que o que me mantinha a ler o livro era a personalidade da Kate e as peripécias que lhe acontecem - pois bem, plot twist, conseguiram recaptar a minha atenção.

Oh, a mitologia aqui toma um rumo muitíssimo interessante e as coisas finalmente fazem algum sentido, e por isso adorei seguir o desenvolvimento do enredo. A isso não é estranho terem introduzido fortemente mitologia grega (a minha pancada por mitologia revela-se), e juntado em equipa a Kate com a Wonder Woman. As duas a trabalhar juntas fazem uma equipa fantástica, e gosto mesmo da relação que se desenvolve entre elas.

Ambas quase descem aos infernos, ou pelo menos ao mais escuro e complexo que a mitologia grega tem para lhes oferecer, e a imaginação dos autores nos detalhes é fabulosa e fascinante. Gostei muito de ver a arte nestes pontos, porque se excedem, no melhor dos sentidos.

Outros pontos altos: uma Hidra (yep, o monstro mitológico) no meio de Gotham, a Medusa (sim, outro monstro mitológico) no meio de Gotham, a Bette Kane - qual fénix renascida - no seu novo uniforme, verdadeiramente impressionante, que miúda rija, a relação da Kate e da Maggie, que (apesar de eu lhes ver um ou outro problemas) são adoráveis.

Destaque ainda para o número zero da revista, um número publicado após um ano (ou o número 12), se bem compreendi. É uma retrospectiva da Kate sobre como se tornou a Batwoman, o que fez para lá chegar, para obter o treino necessário, com ajuda do pai. Enquadrada como uma espécie de carta ou mensagem para o pai, é comovente, pelo estado da relação dos dois, e impressionante, pela relação que tinham antes, que levou o pai a tentar protegê-la da maneira que sabia, ensinar-lhe a defender-se e a suportar uma série de coisas terríveis.

A arte, como sempre, deixar-me um pouco apaixonada por ela, e aqui nas partes da mitologia então é linda, intrincada, obrigando-nos a pensar e a esforçar. O final é ligeiramente cliffhangeresco, e estou tão curiosa em ver como eles vão descalçar esta bota.

Batgirl vol. 3: Death of the Family, Gail Simone, Daniel Sampere
Ao contrário da Batwoman, a Batgirl tem conseguido manter-me super interessada no desenrolar da sua história ao longo destes livros, e este volume não é excepção. Entre o término do enredo das Corujas, uma reaparição tétrica do Joker, e a presença cada vez mais ominosa do seu irmão, James Gordon Jr, a Batgirl (Barbara Gordon) tem as mãos cheias.

As fraquezas do volume prendem-se com as partes em que é suposto haver uma ligação com os eventos maiores a acontecer simultaneamente em várias revistas. No caso do fim da história das Corujas, a aparição da assassina Talon é mesmo interessante, e adorei a colaboração da Batgirl com a Catwoman. Mas é uma história que ficava melhor no volume anterior, com o resto desse evento.

No caso do segmento Death of the Family, again, mesmo interessante. O Joker volta, decidido a aterrorizar novamente a Barbara, mas ela recusa-se a ser um joguete nas suas mãos e lida fantasticamente com a situação. A parte chata é quando é necessário meterem no meio deste volume um número da revista Batman para terminar a história. (Se não estivesse aqui, o salto entre números da revista Batgirl não faria sentido.) Ugh. Uma revista devia valer por si própria, poder-se ler sem muletas de outros lados.

Mas, atenção, continua a ser uma storyline fascinante. O Joker, coitado, não tem mais nada que fazer, e passa o tempo a ver se inventa maneiras de chatear o Batman, e o ataque a todos (quase todos) os (anteriores e presente) Robins e a à Batgirl é só mais uma. É uma boa história pelas questões que coloca sobre a relação do Batman com os seus protegidos.

O último segmento do volume é sobre o irmãozinho psicopata da Barbara, o James, e o caos que ele gera, os dois tentando-se superar um ao outro. Uma história que traz algum drama quanto ao passado da família Gordon, e que gera mais drama no presente. Pelo final stressante, pontos bónus.

A escrita é quase toda feita pela Gail Simone, que escreve duma maneira que me faz mesmo gostar da história e da personagem; menos em dois números, numa altura em que a DC meteu a pata na poça e a despediu por duas semanas. (O drama nos bastidores dos comics é melhor que qualquer revista de cusquices.) Nota-se bastante que é um escritor diferente. Ele tenta fazer algo diferente, que não se cole à Gail, e não é mau, mas perde na comparação com ela, coitado.

Quanto à arte, gostei bastante do trabalho deste artista, captou-me o olho, e gostei em especial do trabalho da equipa no primeiro número do volume, o das Corujas, porque o trabalho de cor é lindo, quase parece uma pintura.

Hawkeye vol. 4: Rio Bravo, Matt Fraction, David Aja, Chris Eliopoulos, Francesco Francavilla
Ah, acabei de ler esta série e já estou com saudades. Foram alguns momentos bem passados com esta série, que me tornou fã de toda a gente envolvida, autores e personagens incluídos, e foi um belo fim para a história desenvolvida ao longo dos quatro volumes.

Acho que posso dizer, depois de ler, que não sou muito fã da divisão entre o volume da Kate (o 3) e este volume do Clint. Faz sentido, a divisão, mas sinto que preferia ter lido os números da revista pela ordem em que foram publicados. Teria sido mais fácil acompanhar certas transições e certas referências, e mais fácil localizar onde é que as histórias encaixam.

Este volume começa com uma história que se passa no Natal, durante a primeira história do segundo volume. Nela, o Clint fica a acompanhar a vizinha e os filhos numa visualização de "Winter Friends", um desenho animado que os miúdos adoram. O Clint rapidamente se deixa dormir, e a sua imaginação constrói um mundo que reflecte o seu, só que com os personagens de Winter Friends.

Foi superdivertido ler a história, para encontrar os paralelos entre a vida real e a imaginada. Adorei particularmente ver as versões das mulheres na vida do Clint Barton, a Jessica, a Bobbi e a Natasha. Oh, e a Kate. Totalmente adorável, a versão dela. Dá uma boa ideia de como o Clint a vê. A sidekick fofinha, demasiado animada. Eh. Acho que a Kate teria um problema com isso.

Outros destaques do volume: a aparição do irmão Barton, o Barney, e a exploração da relação dos dois. A completa falta de jeito e clareza do Clint para lidar com as mulheres da sua vida. (A cena dele a escrever à presente ex-namorada e telefonar à ex-mulher para saber como se escreve uma palavra... pateticamente hilariante.) O showdown final, que me fez ficar a roer as unhas. O final do número 15 e o número 19, que são tocantes à sua maneira.

A arte continua deliciosa para o olho. O número 17, dos Winter Friends, é um pouco diferente, mas muito adequada. O número 12 tem o Francesco Francavilla, com um estilo mais escuro, mas que encaixa. E o resto é David Aja. O número 19 tem muitas imagens com linguagem gestual, e é brilhante, pela desconexão que transmite, e as dificuldades de uma pessoa com surdez que mostra. Mas tudo o resto enche-me o olho, também, e continuo a admirar o trabalho de cor.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Curtas: só volumes 2 de BD

Ms. Marvel vol. 2: Generation Why, G. Willow Wilson, Adrian Alphona, Jacob Wyatt
Já tinha dito na opinião do livro anterior que achava a Kamala adorável, e gostei mesmo dela e da própria história que os autores estão a contar. Este volume elabora mais um pouco a sua evolução como heroína, combinando-a com algumas cenas caseiras e entre família e amigos, sendo bem abrangente.

O título não é por acaso. O vilão que é enfrentado pela Kamala como Ms. Marvel é alguém que faz jovens da idade dela confrontar-se com o conflito geracional entre eles e os pais. E é extremamente interessante, ver os dois lados do assunto, os velhos do Restelo que acham que os jovens vão levar o mundo para o Inferno, e os próprios jovens, que vão herdar um mundo cada vez mais complicado e só querem uma oportunidade.

É muito inteligente colocar este ponto no centro da acção, pois é uma questão transversal à geração da Kamala, tornando a história universal e, er, relacionável. A Kamala tem uma família conservadora, mas é uma miúda dos nossos dias, é uma fangirl e uma geek que se vê a lutar lado a lado com os seus heróis, e que tem problemas como qualquer outro jovem.

Adoro a família da Kamala, e adoro ver como a escrevem, pois apresentam fantasticamente os seus valores e cultura, mas também mostram um grupo de pessoas fantásticas e que só se preocupam com a sua querida menina. Enquanto que a Kamala luta por um pouco de emancipação e tenta aprender a ser uma super-heroína, os pais estão ali a preocupar-se compreensivelmente com os desaparecimentos súbitos da rapariga.

Dois pontos fantásticos do volume: o Lockjaw, que se torna o melhor companheiro que uma super-heroína podia pedir. (Adoro a reacção da Kamala a conhecê-lo, e quão facilmente o recebe como seu. Há uma simplicidade no trato dela que me agrada.) E o Wolverine, que trabalha com a Kamala num caso relacionado com o vilão principal. (Uma equipa vencedora, só pode. A Kamala é fã do Logan ao ponto de escrever fanfiction com ele, e a reacção dele à mesma é hilariante. De qualquer modo, a nossa menina consegue cativar o mutante durão, e é adorável de ver.)

Continuo a gostar muito da arte de Adrian Alphona, meio cartoonesca, e perfeitamente adequada a desenhar os poderes mórficos da Kamala. Continuo a achar que ele é bastante expressivo. Jacob Wyatt também é assim para o cartoonesco, mas mais a puxar para o gag, e também me agrada, mas em comparação com o outro artista, não gosto tanto dele, não é por não ser bom; só perde na comparação.

Batwoman vol. 2: To Drown the World, J.H. Williams III, W. Haden Blackman, Amy Reeder, Trevor McCarthy
Este livro faz-me chegar à conclusão que há personagens e super-heróis que eu sigo não por estar propriamente interessada no enredo que se vai desenvolvendo, mas mais no personagem em si, no decorrer da sua vida, nas suas acções e reacções, e nos seus momentos pessoais.

Serve isto para eu dizer que o arco de história explorado nestes dois volumes não me cativou por completo. Não sei, falta-lhe qualquer coisa para me puxar. O tema meio sobrenatural é um pouco estranho nas mãos de alguém da Batfamília, e como tem sido apresentado aos poucos, ainda não é possível ver uma imagem clara, e não consegue manter o meu interesse totalmente.

Por outro lado, acho fascinante seguir a vida da Kate Kane, como Batwoman e como Kate. Estou muito interessada em ver como o decorrer dos eventos sobrenaturais afecta a sua postura, como ela muda à medida que luta como Batwoman. Mas também gosto de espreitar a sua vida pessoal, as cenas com a Maggie, e conhecer o resto da família. Este volume tem umas cenas e um enredo à volta do general (o pai da Kate) e a Bette (a prima) que são comoventes e bem giras de ler, foram das minhas partes favoritas.

Sobre a arte, já mencionei que gosto muito, e aquilo que gosto, e creio que os artistas presentes neste volume fazem jus ao que está para trás. Não são tão experimentalistas, mas seguem as opções tomadas anteriormente, e usam também algum planeamento de vinhetas incomum. Além disso, tenho a dizer que gostei imenso da forma usada para contar a história, com avanços e recuos temporais. É muito difícil sustentar um livro inteiro assim, mas os autores conseguem-no.

Sex Criminals vol. 2: Two Worlds, One Cop, Matt Fraction, Chip Zdarsky
Este volume é ainda melhor que o anterior. Enquanto que o volume 1 era mais brincalhão, explorando as potencialidades do poder da Suzie e do Jon, este é mais terra-a-terra, explorando a sua relação depois da euforia dos primeiros tempos da relação, e dando um background mais pormenorizado ao Jon, enquanto que continua a abordar a sexualidade duma forma descomplicada e realista, sendo até informativo em certos momentos.

Gostei mesmo de ver o percurso da relação da Suzie e do Jon. Depois da excitação de se descobrirem e se conhecerem, e do roubar bancos, a rotina instala-se, e quase dá cabo deles. É uma visão realista do seu percurso como casal, e abre portas para explorar outra coisa importante: a saúde mental do Jon. O percurso dele é fascinante, e tratado duma maneira honesta, o que me agrada.

Gostei de conhecer os novos personagens, o Robert e o psiquiatra, porque trazem algo novo à historia, e são divertidos de acompanhar (especialmente o psiquiatra, com os seus pontos de vista únicos). Também gostei de ver a amiga da Suzie, a Rachel, um pouco mais desenvolvida.

Contudo, a melhor nova introdução foi a Jazmine, que conhecíamos apenas como uma estrela porno mencionada pelo Jon. E os autores fazem um trabalho fantástico a introduzi-la, a apresentar a sua história, e a ligá-la com o enredo principal. (Além disso, as cenas dela trazem uma paródia brutal a The Wicked + The Divine que me fez rir à gargalhada.)

Conseguimos também perceber melhor a natureza dos "polícias do sexo", e bolas, que tipos maléficos. Aquilo que fizeram à Suzie não se faz. A sua postura é curiosa por ser questionável, já que ninguém lhes pediu para fazerem o que fazem. A sua intervenção leva a que a Suzie e o Jon explorem mais o "mundo parado", e os bocadinhos que descobrem são intrigantes. A única coisa que me queixo é que as coisas terminam num ligeiro cliffhanger que me deixa super curiosa.

Batgirl vol. 2: Knightfall Descends, Gail Simone, Ardian Syaf, Ed Benes, Alitha Martinez, Vicente Cifuentes
Tenho gostado bastante da Barbara Gordon, da sua voz, e de seguir a sua história e o seu percurso ao longo destes dois volumes. É uma personagem tão fácil de gostar. Claro, como qualquer Bat-título, tem um pouco de escuridão e gravidade e traumas, mas a Barbara lida com o super-heroísmo com uma personalidade tão bem disposta, sempre tão boa pessoa, que se recusa a comprometer os seus princípios, e sempre sem tirar os olhos do seu objectivo.

A primeira história do livro é uma espécie de prequela, sobre quando a Barbara se vê numa situação volátil, e se torna pela primeira vez na Batgirl. E é fantástico de ler sobre esta menina muito inteligente, e muito determinada, que pega numa capa e numa máscara para defender os seus. É extraordinário.

A história seguinte tem um vilão meio patético, mas um ângulo muitíssimo interessante: um dos criminosos que trabalham para ele era um dos homens que acompanhava o Joker quando a Barbara foi atacada. E gostei de como a história a fez confrontar com esse evento, porque a tornou mais forte e mais pronta para continuar a ser a Batgirl. A Barbara tem feito muitas coisas de super-heroína com alguma insegurança, mas agora ela está mais bem preparada. (Além disso, gostei de ver a Canário Negro.)

A terceira história faz ligação com o evento das Corujas que se bem percebo, está centrado no Batman e suas revistas. O que não é necessariamente mau, só que este número da revista termina num cliffhanger que deve ser resolvido noutra revista. Não sou fã. Por outro lado, a história em si, e o vilão, são bem interessantes de acompanhar.

A quarta história pega num vilão e respectivos mãos-de-obra, que querem limpar Gotham do crime... ao matar sem dó quaisquer criminosos que se lhes atravessem à frente. Gostei de ver a Barbara fazer o seu papel, mas não perder de vista o certo e o errado, e como protege um miúdo que roubava carros, e que nas mãos deste grupo é um joguete. Também achei alguma piada a vê-la trabalhar com a Batwoman.

Outros destaques do volume prendem-se com a família e amigos da Barbara. Gosto da Alysia, e tenho ficado cada vez mais curiosa com a presença do James Jr. (mal sei a história passada com ele), e com a da mãe da Barbara. O livro termina num cliffhanger, no que toca a este ponto, mas um que me deixa com muita vontade de continuar a ler.

Custa-me que os artistas anunciados na capa não sejam todos os que participam no volume (a lombada ainda é menos generosa que isso); quem fez a capa "esqueceu-se" de Alitha Martinez, que faz aparentemente ainda mais trabalho no volume que Ed Benes, por isso não se percebe a omissão. De qualquer modo, gosto do aspecto geral da arte, sendo que nenhum se destaca. (Mas aprecio que a arte se transforme um pouco quando a Batwoman aparece, em honra a ela e ao trabalho dos seus artistas.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Curtas: Siege, Batwoman, Saga

Siege: Embedded, Brian Reed, Chris Samnee
Siege: Embedded reconta os eventos de Siege/Cerco sob o ponto de vista de alguns jornalistas que seguem o conflito entre as forças da HAMMER e de Asgard. (Daí o título, Embedded significa um jornalista que acompanha uma unidade militar durante um conflito armado.)

Segue o já conhecido Ben Urich enquanto tenta compreender a verdade dos eventos que ditaram o ataque a Asgard, e tenta infiltrar-se nas forças da HAMMER para descobrir o que move Norman Osborn. É acompanhado por um amigo jornalista, Will Stern, e o seu caminho cruza-se com Todd Keller, um daqueles jornalistas que ganham a vida a criticar tudo e a oscilar conforme o vento sopra. (No caso presente, criticava os VIngadores e a presença de Asgard, e lambia as botas ao Norman Osborn. O que só torna hilariante a reviravolta dele no fim.)

A narrativa não é muito focada, e o Ben Urich anda ali um bocadinho dum lado para o outro meio perdido, mas a história faz o seu trabalho: criticar o jornalismo parcial, a manipulação dos eventos por parte de quem está no poder, como o Norman Osborn, e a tentativa de impedir os jornalistas de fazerem o seu trabalho - reportar os eventos.

Não sou a maior fã da arte no que toca aos detalhes, porque a desenhar caras e coisas do género é demasiado detalhado e facetado (no que toca a sombras e cores), dando-lhe um ar estranho. Este tipo de arte acaba por funcionar melhor nos grandes planos e cenas de acção.

Batwoman vol. 1: Hydrology, J.H. Williams III, W. Haden Blackman
Batwoman: Hydrology continua a história começada em Batwoman: Elegia. A operar em Gotham, a Batwoman chama a atenção do Batman, que no primeiro número deste volume tenta confirmar as suas suspeitas sobre a identidade dela. Entretanto, Kate Kane torna-se uma espécie de mentora para a prima, Bette Kane, que usa o nome de código de Flamebird como super-heroína, para se certificar que a Bette tem o treino adequado.

Pelo meio, Kate continua a debater-se com os eventos de Elegia, a tentar entender o que descobriu sobre a sua família, mas com dificuldade em obter alguma paz acerca disso. Entretanto, novos antagonistas perfilam-se no horizonte, enquanto a Batwoman enfrenta um vilão sobrenatural responsável pelo desaparecimento de uma série de crianças.

É fascinante seguir a história da Kate, porque nada é ou foi fácil na vida dela, e ela reage de maneira curiosa, toma uma posição estóica e continua a caminhar, a esforçar-se para encontrar o vilão e salvar as crianças. Psicologicamente é muito interessante, porque ela foi educada num ambiente militar, cresceu para se tornar um soldado, e isso afecta a sua postura como Batwoman. Por um lado, é o que a torna numa boa integrante da Batfamília, mas por outro temo que a não exteriorização dos problemas a sufoque.

E pronto, isso é a razão pela qual tenho achado cativante o que tenho lido até agora da Batwoman. Uma heroína multifacetada, com imensas nuances a serem exploradas, vários fios de enredo a serem abordados, e a noção de que a vida real é chata e complicada, e uma dose de realidade não faz mal a ninguém. A Kate faz um monte de asneiras (afastar a prima, que resulta nesta ser atacada, ou deixar-se descobrir e à sua identidade pelo DEO), mas continua decidida a resolver as coisas.

Em termos de história, o vilão é um pouco estranho, porque é algo sobrenatural, algo que não associaria definitivamente a Gotham, mas creio que a Batwoman tem na sua história passada este tipo de coisa, por isso apenas vou dizer que não sou completamente fã de deixar o destino das crianças em suspenso. Fora isso, estou pelo menos intrigada com o que vai acontecer.

A arte, já o disse, é cativante e tão diferente. Todo o trabalho de planeamento das pranchas, a organização incomum das vinhetas, o dinamismo dado às cenas de acção, a dualidade entre a vida civil da Kate e a vida de luta contra o crime da Batwoman... gosto mesmo.

Saga vol. 1, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Eu juro que tentei mesmo resistir a dizer isto, mas bolas, não consigo, por isso cá vai: tenho a ideia que Saga podia ser um irmão de Daughter of Smoke and Bone se este se passasse no espaço e começasse com a Karou e o Akiva casados e à espera dum filho. (Quem me dera. Mal tive direito a um momento feliz com eles, bolas, a Laini Taylor sabe mesmo como nos fazer sofrer.) Adiante.

É definitivamente uma história engraçada. Uma premissa aparentemente tão simples dá num instante origem a uma série de ramificações e damos por nós a seguir um conjunto variado de personagens. O nascimento de um bebé, o filho de um casal composto por elementos de dois povos rivais, acaba por ter efeito na vida de muitos outros personagens, pois uma série de gente lança-se na procura desta família, com o objectivo de os capturar e exterminar - enquanto a Alana, o Marko e a pequena Hazel apenas querem ter um cantinho a que chamar de seu onde viver em paz.

Este primeiro volume narra como esta família tenta fugir aos seus perseguidores, e faz um belo trabalho a apresentar como este mundo, ou universo, melhor dizendo, funciona. Há toda uma série de coisas que dá gosto descobrir, todo um conjunto de idiossincrasias que é fascinante conhecer, e as ilustrações fazem um trabalho fantástico de combinar o exótico e o bizarro com o familiar (bem, talvez faça uma excepção aos cabeçudos-televisões - esses são apenas mesmo estranhos, mas a mercenária-aranha compensa, que é bizarra, mas no bom sentido).

A única coisa de que me posso queixar é que sendo o primeiro volume, a história está muito no início, há muita coisa que é apresentada mas que eu quero ver mais explorada. Sim, é superinteressante a fantasma adolescente que só tem metade do corpo, ou o mercenário com uma consciência, mas quero ver mais consequências da sua intervenção na história. Ah, e terminar o livro daquela maneira é pura maldade. Mas o que é que vem a seguir???

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 15, 16 e 17

A premissa da história é muito interessante. Os vilões, Lex Luthor e Joker, mudam de cidade, o que força os respectivos super-heróis a fazê-lo. (E não, os vilões não o fazem por acordo mútuo, como é sugerido na sinopse. Na minha opinião, ambos não podiam desprezar-se mais.)

No entanto, acho que a premissa foi mal aproveitada. Para quem muda de cidade para enfrentar os respectivos vilões, o Super-Homem e o Batman passam muito pouco tempo a enfrentá-los, de facto. Podia-se ter explorado melhor esta troca de papéis, e na minha opinião isso resultava melhor se o Batman tivesse ficado em Gotham, a enfrentar o Lex Luthor, e se o Super-Homem tivesse ficado em Metrópolis, a enfrentar o Joker. Talvez pudessem ter aprendido algo um sobre o outro, ao enfrentar o vilão do outro.

Para além disso, acho que a história está desnecessariamente ocupada com o enredo do orfanato, que quase parece não ter nada a ver com o da troca de vilões. Preferia que a história se tivesse dedicado a um ou ao outro, porque da maneira que está não permitiu o desenvolvimento adequado de ambos.

Por outro lado, adorei a arte. É tão colorida e tem um ar tão... cartoonesco. O desenhador é muito detalhado e é uma delícia observar o que se passa no fundo das vinhetas. E as panorâmicas iniciais das cidades são tão interessantes visualmente, e com um contraste tão giro. O que me lembra, gostei bastante da dualidade na evolução das sequências com o Super-Homem e com o Batman, que se espelham.

Batwoman: Elegia, Greg Rucka, J.H. Williams III
Nunca tinha ouvido falar da Batwoman até há bem pouco tempo, e pensei brevemente que se estava a falar da Barbara Gordon, até me lembrar que essa assumia o papel de Batgirl. A personagem não é exactamente das heroínas mais conhecidas e destacadas... e por isso entrei na leitura sem expectativas nenhumas.

A primeira história do volume não é nada de especial, graças ao facto da antagonista não ser caracterizada em condições, a não ser no que concerne directamente a protagonista. Porque fora isso, a vilã é apenas estranha e vaga e impenetrável. O que é que ela quer? Não faço ideia. Qual é o trauma dela? Também não sei. O que lhe fizeram no passado? É apenas sugerido, e mal. Eh, tenho de lhe dar crédito, usa umas roupas giras. (Hahaha.)

Já a protagonista, a Kate Kane, é uma personagem fascinante, e muito melhor caracterizada. Os flashbacks que vemos na segunda história pintam muito bem o seu passado, composto de alguns momentos tristes e trágicos. Acho a sua relação com o pai muito interessante. O modo como ele a apoiou quando lhe deu na telha virar vigilante, como a preparou, e como na actualidade a ajuda nas suas missões.

Visualmente, este livro é uma delícia para os olhos. E tenho a dizer que estou apaixonada pelo cabelo vermelho da Kate/Batwoman. Agora a sério, gostei muito de observar as duplas páginas, e o trabalho de vinhetas pouco comum. É engraçado reparar na divisão entre a vida da Kate como Kate Kane e a vida dela como Batwoman a nível gráfico. E muito elementos nas partes da Batwoman têm um aspecto fabuloso, não só pelo cabelo vistoso, como pelo aspecto dinâmico que é dado às sequências de acção com as opções pouco habituais do desenhador.

Lanterna Verde: Origem Secreta, Geoff Johns, Ivan Reis
Acho que nunca tinha percebido muito bem o Lanterna Verde. O seu poder é daqueles tão vagos, que pode ser versátil e ao mesmo tempo difícil de compreender. Além disso, não conhecia suficientemente bm o personagem. Coisa que este volume ajudou a resolver. Como recontar das origens de um super-herói, é bastante satisfatório.

Há muitos pontos de interesse na história de Hal Jordan. A morte trágica do pai é um ponto de viragem, e o modo como ele se planta no local de recrutamento da Força Aérea mal faz 18 anos é comovente. O problema é que o rapaz é ensarilhado, e daquelas personagens a que apetece dar um pontapé por ser incapaz de ganhar juízo, para no segundo a seguir dar uma vontade de lhe dar um abraço por causa de tudo o que lhe acontece.

Gostei de conhecer a sede do Corpo dos Lanternas Verdes, e de conhecer os diferentes seres que o incorporam. A mitologia inerente até me parece cativante, e agora fiquei sedenta de mais pormenores. Ao que sei, o Sinestro é um vilão das histórias deste personagem, por isso estou curiosa em saber como passa de mentor para inimigo.

A história, já o disse, é bem interessante de seguir, e ajuda a compreender melhor o tipo de personagem que Hal Jordan é. A única coisa de que me ressinto é o ver que há pequenos detalhes da história que são apresentados e não são resolvidos, tendo em vista serem abordados em números posteriores do título. Não gosto muito, porque estraga a ideia de história auto-contida... mas assim são os comics.