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sábado, 8 de julho de 2017

Curtas BD: Mulher Maravilha, volumes 1 a 3

Mulher Maravilha: Terra Um, Grant Morrison, Yanick Paquette
Hmmm. Posso não ter lido muito da Mulher Maravilha na minha vida (esperançosamente isso vai mudar no futuro), mas não seria isto que eu escolheria para recomendar a outrem uma história que conte um regresso às origens da personagem.

Quero dizer, o Grant Morrison tem a distinção de ter escrito o pedaço das revistas do X-Men que mais marcou a minha leitura dos personagens... e aqui tem a distinção de fazer uma leitura da personagem que retorna às origens e ao que o criador estava a tentar fazer (a questão da submissão).

Mas por isso mesmo, não me parece adequado dar isto a alguém que não conheça a personagem (ou que, como eu, se tenha dado ao trabalho de investigar e ler um pouco sobre a mesma e o seu criador). Além disso, tenho algumas dúvidas quanto ao retrato feito de Themyscira - em partes parece mais a fantasia masculina daquilo que uma ilha só com mulheres seria. Não me parece que concorde com a interpretação de como a sociedade Amazona seria em certos aspectos.

Adicionemos ainda uma certa falta de tacto - o Steve Trevor é um homem negro, o que poderia ser uma ideia interessante, mas aquilo que representa acaba por ser demasiado pouco subtil - e a falta de tacto revela-se numa cena em que a Diana pede ao Steve para se submeter... usando aquilo que há cento e tal anos seria um instrumento de tortura e de controlo de escravos negros.

A arte é bonita, interessante, cativante visualmente. Tem uns momentos menos bons, mais estáticos, em que dá um ar porno à Diana, o que não faz sentido algum. E bem, em contrapartida o livro tem a recomendação de mostrar uma Diana ingénua, inexperiente no mundo dos homens, o que é curioso de acompanhar.

Mulher Maravilha: Um Por Todos, Christopher Moeller
Ok... a premissa da narrativa em si parece um pouco estranha. Eu sou uma moça da fantasia, mas vê-la cruzada com a Mulher Maravilha (na verdade, é ver fantasia misturada com super-heróis) é desconcertante.

No entanto, a história em si é muito boa. Os aspectos SFF são fascinantes, bem clássicos, o que é reconfortante. E gosto muito do tema em torno da protagonista, sobre sacrifício e as escolhas difíceis que tem de fazer, deixando os que a rodeiam de fora. (Gostei de ver como dá a volta a todos os membros da JLA. Tenho a sensação que ela não se safava tão facilmente com uma mulher.)

A arte é bem bonita - já tenho mostrado que sou fã deste estilo pintado, apesar de não ser o melhor para as cenas de acção (é algo estático), que neste tipo de história abundam.

Mulher-Maravilha: Hiketeia, Greg Rucka, J.G. Jones
Pronto, aqui a história é muito, muito, muito boa. A Diana aceita um pedido de Hiketeia de uma jovem que sente não ter escolhas, e tenta ajudá-la, por muito turvo que o seu passado tenha sido. É uma história que mostra o espírito da Mulher Maravilha, determinada e corajosa e protectora e preocupada. Só que neste caso em particular aceitar a Hiketeia leva a que fique num campo oposto ao do Batman, que procura a jovem para a fazer pagar pelos seus crimes.

É uma bela história que mostra que não há só preto e branco, há nuances e tons de cinzento no que toca a moralidade - o Batman tende a assumir mais a primeira perspectiva e a Mulher Maravilha inclina-se mais para a segunda. A jovem teve as suas razões para praticar alguns actos terríveis, e é de partir o coração perceber sequer o porquê de ela ter sentido que devia fazê-lo.

O tema grego é prevalente, na aparição das Fúrias e do conceito de Hiketeia, mas também pelo modo como a narrativa está apresentada ao estilo duma tragédia grega. E como todas as tragédias gregas, parece encaminhar-se para um fim tremendo...

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Uma nota final às edições. A colecção anterior da Levoir, sobre os vilões da DC, não tinha introduções, que fizeram falta, e por isso gosto de vê-las reaparecer e de ver textos mais aprofundados. No entanto, entristece-me perceber que as edições são mais caras, mas mais curtinhas. Entendo que a relação entre preço, tamanho e tiragens não é linear; uma colecção da Mulher Maravilha será vista como mais arriscada, as tiragens serão menores, os preços maiores... mas mesmo assim, gostava de ter visto um esforço para fazer render o esforço monetário do leitor. Ou então, que a série não soubesse tão a pouco, tendo apenas cinco volumes.

domingo, 6 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 1 a 4

Vingadores: A Era de Ultron 1, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch
Vingadores: A Era de Ultron 2, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch, Brandon Peterson, Carlos Pacheco
Isto teria corrido melhor se não tivessem tentado vender este crossover event com o mesmo título do segundo filme dos Vingadores. Pelo que me é dado a entender pelas opiniões no Goodreads, toda a gente se pôs a ler isto pensando que os prepararia para o filme, e é claro que foi um tiro no pé. O livro pede que se conheça relativamente bem o universo Marvel e alguns dos seus personagens mais (e menos) proeminentes, e não é nada introdutório no que toca ao Ultron, por isso...

Portanto, o Ultron no início da história volta à Terra (os vilões voltam sempre, por mais que os eliminemos), tem um confronto com os Vingadores, e desaparece, para se vir a revelar que tinha um plano que envolvia destruir a humanidade e os super-heróis (what else?), e que foi bem sucedido, resultando num presente pós-apocalíptico.

Acho que preferia ter visto a evolução do ponto A para o ponto B, isto é, como o Ultron fez uma razia ao planeta, como o seu plano se desenrolou. Assim só vemos o resultado, e apesar de ser assustador, ver a destruição e quão poucos sobreviveram, seria mais impressionante ainda ver a coisa em acção.

Portanto, os super-heróis estão destruídos, desmotivados (até o Capitão América está para ali encostado a um canto, deprimido), em números muito reduzidos, mas tentam desenvolver um plano para descobrir o que se passa e como derrotar o Ultron, e uma coisa leva a outra, et voilá, temos direito a viagens no tempo.

Estou curiosa para saber o que teria acontecido com a Equipa Futuro (devem ter morrido todos), mas gostei de acompanhar o Wolverine e a Sue Storm ao viajarem para o passado e tentarem impedir a criação do Ultron, ainda que discordem no método. O Wolverine é a pessoa que gosta de ser criativo com as garras, como é habitual, e ooops, nova timeline/universo paralelo criados.

Achei esta timeline bastante interessante, e gostei de a explorar; contudo, ainda mais interessante e importante foi o Wolverine voltar ao momento crucial antes da criação do Ultron e essencialmente resolver as coisas falando, com o Hank Pym e com o seu outro eu, em vez de resolver à pancada. Uma vez na vida o homem aprende.

Além disso, a noção de dois Wolverines no mesmo espaço e a quantidade de pancada que isso dá no contínuo espaço-tempo, bem, é fantástica de considerar. O final é relativamente interessante, mas considerando que já percebi há que tempos que este pessoal anda a dar cabo do universo aos poucos, e que isto vai rebentar não tarda nada, bem, não há nada de novo. A não ser ali quando o Hank pensa numa solução melhor, e eu temer que isto vá descarrilar novamente.

Gostei mais da segunda parte da história, visualmente, porque o primeiro artista, Bryan Hitch, tem uma forma estranha de planear o layout das pranchas, e muitas são uma dupla página que não tem pistas visuais suficientes que avisam que é uma dupla página, e vá de a ler três ou quatro vezes até acertar com a coisa. A segunda parte, como mete viagens no tempo, usa dois artistas para separar o passado do presente, e torna-se muito mais interessante de observar, pelos estilos díspares.

Homem de Ferro: A Semente de Dragão, John Byrne, Paul Ryan, Mark Bright
Eu provavelmente apreciaria mais isto se fosse realmente fã do Homem de Ferro, o que não é exactamente o caso. Oh, os filmes foram divertidos, muito graças à interpretação do Robert Downey Jr., mas ainda não me consegui decidir sobre o personagem. Há alguns personagens da Marvel que eu gosto à partida, porque cresci com eles ou já os conheço há muito tempo, ou porque são apresentados de maneira cativante, mas o Homem de Ferro? Nunca li uma coisa que me fizesse realmente gostar dele, ou percebê-lo, sei lá, ter uma boa imagem dele.

De qualquer modo, aprecio esta história por explorar e esclarecer vários pontos da mitologia do personagem e dos seus inimigos. Descobrimos de onde vêm os dez anéis do Mandarim, e parece que a história é uma reinvenção do seu papel como vilão do Homem de Ferro, o que é interessante de ler. Também aparece um vilão, o Fin Fang Foom, que tinha visto algures, e descobri agora que é suposto ser um vilão do Homem de Ferro. A sua história de origem é fascinante, porque dragões. Dragões a sério, na China. Dragões alienígenas. Está tudo dito.

E pronto, o enredo pode fazer um bom trabalho a correr o conflito, a estabelecer os avanços e recuos nele, mas noutro ponto é péssimo: então o Tony Stark e a doutora Su Yin saem um par de vezes, convivem para resolver o problema dele, e de repente já estão apaixonados? Sendo ela casada, o que pressupõe que não está livre emocionalmente para este tipo de coisa, ainda mais porque parece que há qualquer coisa com o marido, que nem sabemos o que é, porque nunca é devidamente explorada. Ugh. Da próxima vez que alguém se vier queixar de YA e os seus tropes, incluindo insta-love, como se os outros livros não os tivessem, leva nas trombas com este volume. Que forma de escrever um aspecto emocional tão preguiçosa.

E agora que me lembro, a Viúva Negra aparece, anda à procura de ajuda para qualquer coisa. Só que é uma storyline meio abandonada a meio deste volume. Calculo que fosse o arco de história seguinte ao deste volume, mas não gosto que tenha sido desenvolvida tão cedo (devia ter aparecido na segunda metade do volume), e que seja assim abandonada, como se deixasse de ter interesse. Apenas diminui a sua importância para o que iria acontecer de seguida, que nem sabemos o que é, em vez de a aumentar, e de aumentar o interesse.

Viúva Negra: O Manto da Viúva, Greg Rucka, Igor Kordey, Devin Grayson, J.G. Jones
Este volume reúne duas histórias da Viúva Negra, e em ambas o foco é dividido com (ou até somente de) uma segunda Viúva Negra, activada quando a Natasha desertou e deixou de ser espia ao serviço da Rússia. Essa segunda personagem é Yelena Belova, que se debate com a herança deixada pela Natasha Romanov.

A primeira história, apesar de ter sido publicada depois, acontece antes, cronologicamente falando. Segue a Yelena nos seus tempos de preparação para ser a Viúva Negra, e os acontecimentos que precipitam o seu assumir do manto. Yelena investiga a morte do seu supervisor, um homem que se vem a revelar ter frequentado um clube S&M, tendo contratado uma sósia da Yelena como parte das suas fantasias.

O interessante aqui é a realidade construída para activar a Yelena, que me fez questionar tudo, toda a narrativa passada e presente que condiciona o evoluir do enredo; e ao mesmo tempo, como os sentimentos da Yelena a levam a tornar-se na Viúva, e como tem de os enterrar para assumir esse papel.

A segunda história apresenta uma espécie de competição entre as duas Viúvas. Um cientista criou um soro que torna soldados em berserkers, essencialmente, e os governos russo e americano mandam as Viúvas numa corrida contra o tempo para impedir um general de um país fictício do Médio Oriente de usar o soro, e recuperá-lo.

Aqui o interesse prende-se com a "competição" entre as duas, que nunca chega a sê-lo, propriamente. A Yelena tem o mesmo treino e capacidades que a Natasha, mas não tem a sua experiência; e por isso, a Natasha está sempre dois passos à frente dela. (Melhor, está dois passos à frente dos dois governos que têm interesse no soro, como a melhor das espias.) É uma relação curiosa de explorar, a das duas, especialmente com a posição de mentora a cair nos braços da Natasha.

É a minha história favorita das duas. (A outra exige que se conheça e goste da personagem para se preocupar com o que lhe acontece. Aqui no livro devia vir depois, tal como a ordem em que foram publicadas.)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 15, 16 e 17

A premissa da história é muito interessante. Os vilões, Lex Luthor e Joker, mudam de cidade, o que força os respectivos super-heróis a fazê-lo. (E não, os vilões não o fazem por acordo mútuo, como é sugerido na sinopse. Na minha opinião, ambos não podiam desprezar-se mais.)

No entanto, acho que a premissa foi mal aproveitada. Para quem muda de cidade para enfrentar os respectivos vilões, o Super-Homem e o Batman passam muito pouco tempo a enfrentá-los, de facto. Podia-se ter explorado melhor esta troca de papéis, e na minha opinião isso resultava melhor se o Batman tivesse ficado em Gotham, a enfrentar o Lex Luthor, e se o Super-Homem tivesse ficado em Metrópolis, a enfrentar o Joker. Talvez pudessem ter aprendido algo um sobre o outro, ao enfrentar o vilão do outro.

Para além disso, acho que a história está desnecessariamente ocupada com o enredo do orfanato, que quase parece não ter nada a ver com o da troca de vilões. Preferia que a história se tivesse dedicado a um ou ao outro, porque da maneira que está não permitiu o desenvolvimento adequado de ambos.

Por outro lado, adorei a arte. É tão colorida e tem um ar tão... cartoonesco. O desenhador é muito detalhado e é uma delícia observar o que se passa no fundo das vinhetas. E as panorâmicas iniciais das cidades são tão interessantes visualmente, e com um contraste tão giro. O que me lembra, gostei bastante da dualidade na evolução das sequências com o Super-Homem e com o Batman, que se espelham.

Batwoman: Elegia, Greg Rucka, J.H. Williams III
Nunca tinha ouvido falar da Batwoman até há bem pouco tempo, e pensei brevemente que se estava a falar da Barbara Gordon, até me lembrar que essa assumia o papel de Batgirl. A personagem não é exactamente das heroínas mais conhecidas e destacadas... e por isso entrei na leitura sem expectativas nenhumas.

A primeira história do volume não é nada de especial, graças ao facto da antagonista não ser caracterizada em condições, a não ser no que concerne directamente a protagonista. Porque fora isso, a vilã é apenas estranha e vaga e impenetrável. O que é que ela quer? Não faço ideia. Qual é o trauma dela? Também não sei. O que lhe fizeram no passado? É apenas sugerido, e mal. Eh, tenho de lhe dar crédito, usa umas roupas giras. (Hahaha.)

Já a protagonista, a Kate Kane, é uma personagem fascinante, e muito melhor caracterizada. Os flashbacks que vemos na segunda história pintam muito bem o seu passado, composto de alguns momentos tristes e trágicos. Acho a sua relação com o pai muito interessante. O modo como ele a apoiou quando lhe deu na telha virar vigilante, como a preparou, e como na actualidade a ajuda nas suas missões.

Visualmente, este livro é uma delícia para os olhos. E tenho a dizer que estou apaixonada pelo cabelo vermelho da Kate/Batwoman. Agora a sério, gostei muito de observar as duplas páginas, e o trabalho de vinhetas pouco comum. É engraçado reparar na divisão entre a vida da Kate como Kate Kane e a vida dela como Batwoman a nível gráfico. E muito elementos nas partes da Batwoman têm um aspecto fabuloso, não só pelo cabelo vistoso, como pelo aspecto dinâmico que é dado às sequências de acção com as opções pouco habituais do desenhador.

Lanterna Verde: Origem Secreta, Geoff Johns, Ivan Reis
Acho que nunca tinha percebido muito bem o Lanterna Verde. O seu poder é daqueles tão vagos, que pode ser versátil e ao mesmo tempo difícil de compreender. Além disso, não conhecia suficientemente bm o personagem. Coisa que este volume ajudou a resolver. Como recontar das origens de um super-herói, é bastante satisfatório.

Há muitos pontos de interesse na história de Hal Jordan. A morte trágica do pai é um ponto de viragem, e o modo como ele se planta no local de recrutamento da Força Aérea mal faz 18 anos é comovente. O problema é que o rapaz é ensarilhado, e daquelas personagens a que apetece dar um pontapé por ser incapaz de ganhar juízo, para no segundo a seguir dar uma vontade de lhe dar um abraço por causa de tudo o que lhe acontece.

Gostei de conhecer a sede do Corpo dos Lanternas Verdes, e de conhecer os diferentes seres que o incorporam. A mitologia inerente até me parece cativante, e agora fiquei sedenta de mais pormenores. Ao que sei, o Sinestro é um vilão das histórias deste personagem, por isso estou curiosa em saber como passa de mentor para inimigo.

A história, já o disse, é bem interessante de seguir, e ajuda a compreender melhor o tipo de personagem que Hal Jordan é. A única coisa de que me ressinto é o ver que há pequenos detalhes da história que são apresentados e não são resolvidos, tendo em vista serem abordados em números posteriores do título. Não gosto muito, porque estraga a ideia de história auto-contida... mas assim são os comics.