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sábado, 15 de julho de 2017

Roar, Cora Carmack


Opinião: Gosto muito da Cora Carmack. Sempre tive a ideia que, mesmo tendo ela começado a sua carreira a escrever romance contemporâneo na categoria New Adult, o seu coração estava na fantasia. (Mais ou menos como o meu. Gosto cada vez mais de contemporâneo, mas fantasia é o meu favorito.) Não tenho a certeza se terei razão quanto ao favoritismo dela pela fantasia, mas estava brutalmente curiosa por lê-la no género, e por isso, este livro era algo muito antecipado.

O veredicto? Passei os dias da leitura completamente obcecada com ele. Nem consigo explicar porquê, exactamente: se pesar bem as coisas, há alguns aspectos que ela podia trabalhar melhor, ou pormenores que se fosse outro autor a fazer, eu já estava a trepar às paredes. (Ou a malhar nele.)

Só que há qualquer coisa na maneira como a Cora escreve. Ela escreve com uma honestidade e realismo emocionais; é possível identificarmo-nos com os seus personagens, com o seu percurso, e a sua caracterização é cativante e fantástica. Simplesmente, faz dos seus livros algo completamente imersivo para mim.

Este livro passa-se num mundo dominado por tempestades elementais; cheias de magia, há pessoas que se dedicam a derrotá-las e coleccionar a sua magia. Quantos mais tipos de tempestades enfrentarem, mais versáteis serão as suas capacidades. E oh, parece tão simples mas adorei este worldbuilding. Não é muito comum vê-lo ser construído desta maneira, e o seu conteúdo é fascinante. Só de imaginar as possibilidades! Estou enamorada.

Aurora é uma princesa de uma cidade-estado regida pela sua família. Só as famílias reais têm poderes mágicos para lidar com as tempestades, que se transmitem hereditariamente. (Ou assim a Aurora pensa.) O problema da Aurora? Ela não mostra ter nenhuma gota de magia. É um facto altamente escondido por ela e pela mãe, a rainha; e um casamento arranjado com um príncipe de outra cidade poderá resolver o problema delas, de quem protegerá a cidade das tempestades no futuro.

O enredo começa a rolar quando a Aurora descobre que as coisas não são bem assim, e que muito do que sabe sobre o mundo é errado ou cheio de lacunas. Isso faz com que ela fuja de casa e se junte a um grupo de caçadores de tempestades, e o mundo abre-se para ela num largo campo de oportunidades.

E aqui é que vem o ponto principal: gostei mesmo, mesmo da Aurora. Ela foi muito protegida toda a vida, e é ingénua e inexperiente nalgumas coisas, mas não é parva nenhuma. Sabe cuidar de si, é decidida, sabe procurar o que quer e precisa, sabe aceitar que não sabe tudo e procura aprender com quem sabe.

Nas mãos doutro autor, a ingénua seria uma parvinha; ou tentaria esconder a inexperiência com arrogância e ser uma personagem irritante. Qualquer destas abordagens é aborrecida para mim porque foi usada até à exaustão. Em face disso, o que a Cora faz é refrescante.

A Aurora pode não saber nem uma fracção do que há para saber sobre tempestades, e pode não ter experiência da vida fora do palácio; mas sabe defender-se, luta bem, tem uma curiosidade natural e educou-se extensivamente. Tem confiança no que sabe fazer, e tem confiança suficiente para aceitar o que não sabe fazer, e deitar-se a tentar corrigir isso. Adoro isso.

Outro aspecto meu favorito do livro é a relação da Roar com um dos caçadores de tempestades, o Locke. Ele é um pouco irritante em certas alturas, todo armadão em alfa, e fico feliz que na maioria do livro não embarque nisso, porque daria comigo em doida...

Oh, mas é tão divertido vê-los juntos. Começam de uma relação de, ermmm, "ódio", sempre a implicar um com o outro e a discutir (ao ponto de os outros caçadores se divertirem a observá-los), e quando damos por nós estão às beijocas a tentar perceber como é que lá foram parar. Este género de relações é tão divertida de acompanhar, e aqui é adoçada por ver que a Roar é incrivelmente capaz e impõe-se, defendendo as suas capacidades, e não deixando que façam gato-sapato dela. A maneira como o desafia é fabulosa e hilariante. (Especialmente pelas discussões deles.)

Em adição, gosto bastante do elenco de personagens secundários. A Nova é uma personagem fantástica, amiga da Aurora, mas que tem os seus próprios problemas, e gosto que a Cora lhe dê tanta densidade de caracterização. E o grupo de caçadores de tempestades é amoroso de seguir, e rico em caracterização e variedade, e adorei segui-los.

Se tivesse que apontar um defeito, apontaria para o desenvolvimento do enredo. A narrativa é muito claramente uma de descoberta e desenvolvimento, e não há nada de errado com isso; mas o arco de história maior da série é abordado muito pela rama: há demasiadas questões que podiam ser apresentadas, como o vilão, e as suas motivações, e o que se passa em Pavan, e as motivações da família real de Locke. Adoro intriga política, e podia tê-la desenvolvido mais, porque a história presta-se a isso.

Faltou-lhe preparar o próximo livro mais claramente; e gostaria que o fim fosse, bem... que não fosse tão aberto. Ou que fosse um cliffhanger, ou que fechasse mais a história. Os personagens ficam a meio duma transição, e é um pouco desconcertante, especialmente porque a Roar ainda não revelou a sua identidade aos outros, mas estão a encaminhar-se para Pavan novamente. (No entanto, estou mesmo curiosa para ver como isso vai decorrer.)

Em suma, passei os dias da leitura totalmente a fangirlar acerca do livro. Tem os seus altos e baixos, mas maioritariamente tem altos muito bons e que me caíram mesmo bem. A Cora escreve duma forma que ressoa comigo, e estou aqui a torturar-me com a ideia de esperar um ano pelo próximo livro. Sei que vai valer a pena.

Páginas: 384

Editora: Tor Teen

quarta-feira, 10 de junho de 2015

All Played Out, Cora Carmack


Opinião: Há uma certa qualidade na escrita da Cora Carmack, e no modo como ela cria as suas histórias, da qual me parece que nunca me vou cansar. É que ela escreve num género (New Adult) pejado de dramas por vezes excessivamente pesados (não desmerecendo quem passe por tais situações, claro, mas às vezes dá a sensação que certos traumas são a regra entre gente desta idade, e tal perspectiva parece um pouco excessiva).

E no entanto, a Cora consegue sempre manter os pés no chão e escrever protagonistas com problemas reais, problemas com os quais nos podemos relacionar, problemas bastante típicos e credíveis para alguém que tenha a idade dos protagonistas, sem minimizar ou empolar este ponto, apresentando-o apenas como é.

E por isso devo dizer que gostei bastante da perspectiva da Nell. É fácil identificar-se com ela, com a sensação de que está a perder uma parte da experiência universitária, de que o fim do seu percurso académico vai fechar-lhe as portas a uma série de coisas. Portanto, gostei de a ver tentar sair da zona de conforto, experimentar coisas novas, mesmo que não a deixassem completamente confortável ao início.

Adorei ver como ela estava aberta às novas experiências, apesar de se ter fechado durante tanto tempo, e de como não se encolhia ou deixava intimidar, além de ser brutalmente honesta sobre o que lhe estava a passar pela cabeça. (É refrescante, confesso.) Além disso, não era tímida, e mesmo não tendo experiência nalgumas áreas, não deixava de avançar e aproveitar os frutos que tal situação lhe pudesse dar.

Já o Mateo, bem, é divertido, e gostei de ver um personagem tão atrevido e sem vergonha. Mas o seu problema pareceu-me menos bem desenvolvido, e por isso menos credível na maneira como o condicionava e condicionou a narrativa. Gostava de o ter visto pensar mais no seu drama pessoal, ver como ditava a sua atitude, porque teria sido mais realista depois quando ele e a Nell se zangam por causa do seu "problema". Isso e o lado dela nesse momento, que também não foi assim tão bem explorado.

O resultado é que parece que se zangam por uma razão parva, e se voltam a juntar por uma razão parva. Enfim. Nunca fui muito fã da bengala do Grande Desentendimento Entre os Protagonistas (Que na Realidade é Pequeno e Estúpido) que às vezes os romances têm como forma de esticar a narrativa. (Se bem que a forma como o Mateo se declara é totalmente adorável. E muito em linha com o formato do livro - listas de items -, o que torna a coisa mais especial.)

Em comparação, acho que a psicologia do Silas, no livro anterior, estava muito mais bem desenvolvida e era muito mais credível, ao ponto de me fazer mudar de ideias sobre ele; eu achava que o Silas era um palerma, e revelou-se e cresceu durante o seu livro. O Mateo, bem, não sei bem se cresceu. Não tenho dados que o suportem, já que o seu problema e resolução não estão tão detalhados.

Ainda vale a pena mencionar a Stella, que está a passar por um mau bocado; estou mortinha para pôr as mãos no livro dela. Vemos pelos olhos do Mateo que a situação dela não é muito clara, apesar de se poder ler nas entrelinhas, e isso é o mais trágico, a incerteza e a insegurança que toda a situação traz. Gostei de a ver fazer amizade com a Nell, puxar por ela, e de como elas se sentiram confortáveis em estar lado a lado, em silêncio, sozinhas com os seus pensamentos.

Fora isso, achei muito interessante ver como o Ryan gravita em torno dela, a morrer de preocupação, mas sem poder fazer algo de útil. Prevejo que a história deles, especialmente pelo lado da Stella, vai ser dolorosa mas poderosa de ler, e tenho todas as expectativas que a Cora saiba tratar o assunto de forma adequada. Ela tem aqui a oportunidade de fazer coisas fantásticas, e espero que aproveite.

A única coisa de que tenho pena neste processo todo é que o contrato dela não foi estendido para abarcar os novos livros da série que vai escrever. (Ou então ela decidiu não aceitar.) O que quer dizer que assim não tem nada previsto a sair por uma editora, que dá uma data mais precisa. Sabemos que o livro da Stella sairá no início de 2016 (palavras da Cora), mas bolas, gosto de saber quanto tempo tenho para sofrer até lá. E quero muito ter o livro em paperback, que sei que valerá a pena, mas com a prevista auto-publicação, imagino que vá ser um pouco mais difícil. Fico a torcer para que corra tudo bem. (E a meu contento.)

Páginas: 336

Editora: William Morrow (HarperCollins)

sábado, 20 de dezembro de 2014

All Broke Down, Cora Carmack


Opinião: Cora Carmack, já te topei. O teu primeiro livro duma série é sempre divertido e fofinho, e depois nos seguintes, quando já cativaste o leitor, pegas em todas as armas emocionais ao teu dispor e disparas com toda a força... até tenho medo do que esperar para o terceiro livro. Bem, talvez não para o terceiro, que será dum personagem bem divertido, mas se o quarto for o livro prometido para a Stella e o Ryan, então, sim, prevejo que vou morrer do coração.

Adiante. Este é o livro dum casal no mínimo inesperado. Temos a Dylan, que cresceu educada por uma "boa família", e que é apaixonada pelo seu trabalho em activismo, mas que vai parar à prisão durante um dos protestos em que participa. E temos o Silas, bad boy residente, líder na equipa de futebol americano, mas que devido a uma luta vai parar à prisão, e cujo comportamento pode emperigar a sua posição na equipa.

Acho que o mais interessante na jornada que ambos partilham é que apesar de terem percursos diferentes, e perspectivas diferentes sobre eles, a Dylan e o Silas acabam por ter o mesmo tipo de problema a enfrentar, e torna-se duplamente interessante ver como cada um lida com isso. A Dylan focou-se em ser a menina perfeita para compensar um passado difícil, sem se permitir tempo para respirar; o Silas contentou-se com a fama que tem e nunca espera ser melhor que o seu passado, e por isso nem tenta.

E por isso, o retrato psicológico que a autora faz dos dois é impressionante, e cativante. É possível compreender porque é que a Dylan se sente insegura quanto ao que tem na vida, querendo sempre provar que o merece; no entanto, o retrato do Silas é ainda mais fascinante. No primeiro livro ele parecia apenas um bocado idiota, e feliz por assumir o papel. Aqui, é possível ver por trás da fachada, e é até aflitivo perceber a extensão da falta de auto-estima dele quanto ao seu passado e à sua origem, e em como acredita não poder ser melhor, nem merecer melhor.

Acaba por ser delicioso ver como as suas perspectivas distintas quanto à vida os desafia mutuamente para fora da zona de conforto de cada um, e de como isso os ajuda a entender melhor as suas dificuldades e a perceber que podem querer, e alcançar, coisas bem diferentes do que até então tinham projectado. É tão bom vê-los terminar num melhor estado do que aquele em que começaram. Além disso, como casal são absolutamente explosivos e têm uma bela química.

Uma coisa que percebi que até gosto mesmo muito é o cenário da equipa de futebol americano. Eu posso não perceber uma ponta de futebol americano, mas bolas, aquilo parece tremendamente excitante. Contudo, o melhor mesmo é o ambiente entre as pessoas que jogam e treinam a equipa, entre os treinadores e os jogadores (balneários cheios de testosterona, how exciting), como se forma ali uma família: podem ser chatos de aturar, mas são a nossa família, e estão connosco para o bem e para o mal.

Lembra-me quando via Friday Night Lights (se o Carson será um Matt, que até anda com a filha do treinador e tudo, o Silas é totalmente o Tim Riggins), cujo foco não era exactamente no futebol, mas mais nas relações humanas e nas emoções daquelas pessoas que navegavam em torno do futebol. A sensação de camaradagem e rivalidade entre os jogadores é bem engraçada, e os personagens vão-se revelando aos poucos.

O final deste livro traz uma situação complicada, acerca de cujo timing eu não estou certa que seja o melhor (percebo porque aconteceu, e de certo modo faz sentido, mas creio que narrativamente falando devia vir um pouco antes), todavia é uma adição muito boa por parte da autora, porque é infelizmente uma situação que se vê vezes de mais, e a maneira como se lidou com ela fez-me pelo menos ter orgulho das pessoas que estão à frente da equipa.

O próximo livro promete pelo menos ser divertido, porque o protagonista é o Torres, que parece ser um grande maluco, e a protagonista é a Nell, que é toda estudiosa e certinha. Vai ser volátil. O livro seguinte, que espero que a autora possa vir a publicar (ainda não tem contrato), seria sobre o Ryan, que é adorável, por isso pergunto-me qual será a sua história, e a Stella, que tem um caminho duro e difícil à frente, mas a autora tem aqui uma grande oportunidade para um desenvolvimento de personagem fantástico, e espero que não o deixe escapar.

Páginas: 368

Editora: William Morrow (Harper Collins)

sábado, 26 de julho de 2014

All Lined Up, Cora Carmack


Opinião: Muito se tem dito e escrito sobre o género New Adult, uma espécie de classificação artificial para livros que se focam em protagonistas a partir dos 18 anos, e que se debatem com as crescentes responsabilidades de ser adulto, aprendendo a lidar com os seus problemas de uma maneira mais madura (espera-se). Por vezes, o género ficou conotado com histórias excessivamente dramáticas, pois alguns autores entendem "lidar com problemas" como "despejar a maior quantidade de coisas horríveis de que me lembrar em cima dos pobres dos personagens".

Quero eu dizer com isto que se quisesse apresentar alguém ao género, particularmente alguém que tivesse receio de o ler por causa da fama dramática, abanava-lhe por debaixo do nariz um livrinho aqui da Cora Carmack. A autora consegue equilibrar uma história fofinha e doce, e com sentido de humor, com uma apresentação certeira da indefinição de chegar à idade adulta e dos problemas que traz, únicos a cada personagens, mas que permitem a vários leitores identificarem-se com os mesmos. É uma autora completa nesse aspecto, e tem uma boa sensibilidade para expor os problemas dos personagens - ainda não li um livro dela em que falhasse nesse detalhe.

Este é o primeiro livro de uma série focada na universidade de Rusk, envolvendo em específico a equipa de futebol americano. Coisa sobre a qual eu nada sei em absoluto, a não ser que parece tremendamente excitante (posso estar errada); nem um par de temporadas de Friday Night Lights me salvou da ignorância, porque parece também uma coisa bem complicada. O bom é que a autora usa o futebol americano universitário como suporte e cenário da história, mas não entra em detalhes demasiado técnicos. Mesmo quando ela descreve um jogo, não tive problemas em perceber o sentido geral do mesmo (como em, se eles estavam a ganhar ou a perder - vamos considerar isso uma coisa boa).

Os protagonistas são a Dallas e o Carson. A Dallas é filha de um treinador de futebol americano, que acabou de se tornar treinador da equipa da universidade onde ela estuda. Depois de um ex-namorado quarterback que se revelou tudo menos que perfeito, jurou nunca mais se envolver com jogadores deste desporto. O Carson é a nova adição da equipa, e esforça-se ao máximo para ser a opção principal do treinador para a sua posição, e um envolvimento amoroso pode distraí-lo do seu objectivo. Pouco disponíveis para uma nova relação, não conseguem no entanto resistir à atracção crescente entre os dois, indiferentes aos obstáculos.

São um par terrivelmente fofinho. Achei engraçada a maneira como ambos tentaram firmemente manter-se na friendzone quando descobriram que um era a filha do treinador e outro o novo jogador, mas como não conseguiram resistir e negar a atracção, cedendo aos poucos e ficando cada vez mais caidinhos um pelo outro. A interferência e comentários dos amigos também ajudam a conferir alguma piada à situação.

Por outro lado, achei a situação da Dallas bastante interessante e única. Para os outros a universidade pode ser um período de liberdade, mas para ela, nem por isso. A universidade foi escolhida por ela sob as condições do pai de não sair do estado do Texas, mas depois o pai aceita o lugar de treinador da equipa de futebol americano da universidade. E a sua vida tem sido assim, sob a sobreprotecção do pai, mas também sob alguma falta de supervisão dele, sentindo-se como se fosse secundária ao futebol.

É uma relação interessante, que a autora explora muito bem, talvez um pouco autobiograficamente, pois ela admitidamente escreveu parte da história inspirada na sua experiência de filha de treinador. Gostei muito de ver a Dallas perceber melhor a relação que tem com o pai, e perceber melhor a relação que ele tem com o futebol, e chegar a um entendimento mútuo com ele sobre as coisas e sobre a sua relação. Acredito que tudo vai correr melhor com eles.

O elenco secundário é tão interessante, e estou tão curiosa para os conhecer melhor. A Stella é tão divertida e uma melhor amiga fantástica, mesmo o que a Dallas precisa para sair da casca ocasionalmente. Achei o Ryan interessantíssimo, pela sua estabilidade e sentido de humor (e capacidades de adivinhação positivamente mágicas). O Silas caiu-me mal, de início, porque é mesmo o estereótipo do bonzão mais rodado que uma estação de autocarro, e parecia um idiota, mas apreciei a sua lealdade à equipa e o seu esforço para os levar para a frente. (Agora que penso nisso, faz-me pensar num Tim Riggins, de Friday Night Lights, com mais 4 anos em cima. Podia estabelecer alguns paralelos com essa série.)

O pai da Dallas, o treinador, é uma pessoa dura, mas esforçada e inspiradora, e quero vê-lo levar a equipa a bom porto. E a própria equipa é uma personagem de direito próprio, tentando melhorar sob a liderança do treinador. Fico com vontade de conhecer mais dos personagens que se movem nesta esfera, e acredito que a autora possa redimir um ou outro. (Talvez não o ex da Dallas. O tipo parece mesmo idiota. Bem, se ela lá chegar, e o conseguir fazer satisfatoriamente, vou ficar agradavelmente surpreendida.)

Foi uma leitura sofrida, não pelo conteúdo, mas porque o livro saiu e foi encomendado há dois meses, mas entre o primeiro exemplar não chegar, e o segundo levar quase mais um mês a fazê-lo, só agora consegui lê-lo. Com grande prazer, felizmente, e começo a pensar que a Cora Carmack não vai conseguir desiludir-me (*bate na madeira para impedir que tal acontece só porque o mencionei*). Com um equilíbrio emocional certeiro, ela escreve com uma honestidade refrescante e uma boa capacidade para representar o estado New Adult, sem exagerar no drama, mas sem tornar a sua história demasiado simples, demasiado leve. É uma autora a seguir.

Páginas: 320

Editora: William Morrow (HarperCollins)

domingo, 16 de março de 2014

Curtas: Seeking Her, Catch, The Scarlet Plague

Seeking Her, Cora Carmack
Uma curta história ou novela contada do ponto de vista do protagonista masculino de Finding It, Jackson Hunt. A narrativa começa algum tempo antes de Finding It, e mostra-nos o Hunt no início do trabalho de babysitter/guarda-costas/stalker da Kelsey, e quais foram as impressões dele sobre ela.

Gostei da história precisamente por causa do ponto de vista do Hunt. Dá para conhecer um bocadinho melhor o seu passado, e compreendê-lo. Acho interessante que ele tenha ficado fascinado com a Kelsey, e com a "chama" que ela emite, e que tenha compreendo tão bem que ela estava a trilhar o mesmo caminho que ele no passado. E que a quisesse ajudar e impedir de seguir por esse caminho.

Por outro lado, a história é tão curta... queria mais, bem mais. Permite-nos acompanhar alguns acontecimentos do Finding It do ponto de vista do Jackson, algo como 1/4 ou 1/3 da história... mas não inclui muitas das melhores partes. Gostava de saber o que motivou o Jackson a levar a Kelsey a viajar Europa fora, o que pensou em certos momentos, especialmente quando estão em Itália. Quando as coisas estavam a ficar interessantes, a novela acaba, infelizmente.

Catch, Michelle D. Argyle
É curioso. Sigo o blog da autora há sei lá quanto tempo, originalmente porque estava interessada numa história que ela tinha escrito, Cinders, uma espécie de sequela da Cinderela. Nunca cheguei a ler nenhum dos seus livros, vergonhosamente. No entanto, gosto muito de seguir o seu blog, e gosto de ler o que ela escreve... por isso achei que esta era uma oportunidade boa para parar de ser pateta e ler alguma coisa ficcional escrita pela autora.

Catch conta a história de Miranda, uma jovem que vai de férias com a família a Las Vegas, e que é assaltada por um ladrão bastante peculiar. Os dois envolvem-se num jogo bastante engraçado que poderá permitir à Miranda recuperar as suas coisas, e o resultado é algo surpreendente e bem giro.

A história em si agradou-me bastante. Acho que não estava à espera da maneira como as coisas se desenrolaram, mas foram uma boa surpresa. Deu para compreender os dilemas dos protagonistas, conhecê-los um bocadinho, e torcer por eles.

Contudo, gostava que a história fosse maior, pois a premissa é tão boa que adorava vê-la mais desenvolvida. O facto de ser tão curtinha também não me deu uma boa ideia de como é a escrita da autora. Acho que vou querer ler mais coisas dela.

The Scarlet Plague, Jack London
Esta é uma pequena história muito interessante. Publicada em 1912, postula que um evento apocalíptico, uma "peste escarlate", devasta quase por inteiro a população mundial em 2013. O tempo presente da história ocorre 60 anos após esta peste, em que um idoso que viveu os tempos da peste conta as suas vivências aos netos.

Não sou muito fã do enquadramento da narrativa. É um bocado inútil, o uso do avô a contar aos netos aquilo que aconteceu quando a peste começou. O autor refere que as pessoas neste mundo 60-anos-após-a-peste usam um modo de falar meio selvagem, e que os netos mal o compreendem com o seu uso de inglês culto, por isso não devem perceber uma grande parte da história que conta. Por isso, como artifício para apresentar a narrativa é frágil.

Por outro lado, adoro a ideia da peste como evento apocalíptico. As vivências do avô são muito vívidas e extremamente interessantes. É nesta parte que a prosa se destaca, e foi a parte que mais me cativou. Gosto imenso da maneira como o autor descreve o desmoronamento da sociedade e até lhe encontro algum mérito na descrição da peste (apesar de ter algumas dúvidas acerca do quão científica será... mas não lhe posso levar a mal, o autor escreveu isto há 100 anos, o conhecimento científico não era bem o mesmo). E o facto de imaginar o mundo todo ligado, em permanente comunicação, numa previsão da globalização que temos hoje, é algo de louvar.

Questiono, no entanto, a imaginação do autor nalgumas partes. Particularmente, no que toca à sociedade e costumes que vislumbra em 2013. Aquilo que menciona dá a sensação de uma sociedade altamente estruturada, uma sociedade de classes, muito como aquela de há 100 anos atrás. Acho que tendo mostrado a sua capacidade de previsão noutras áreas, foi muito modesto na estrutura social apresentada, ainda que fosse uma para ser destruída pela peste.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Finding It, Cora Carmack


Opinião: Estou fascinada com esta autora. Ao longo desta série, tem conseguido a proeza de pegar no tipo de história que é relativamente formulaica (romance contemporâneo) e dar-lhe uma apresentação diferente em cada livro, no que concerne a tom, tema, personagens, cenário ou enredo. E muito importante, com um sentido de humor fantástico e uma boa capacidade de nos deixar entrar na vida e na cabeça dos personagens durante aquelas horas que dura a leitura.

Primeiro, foi a história da Bliss e do Garrick (Losing It), muito cheia de humor e de situações engraçadas, mas que trabalhava a insegurança (e a trapalhice) da Bliss. Depois, a história da Max e do Cade (Faking It). Ambos tinham um historial de fragilidade em relação ao modo como os entes mais próximos os viam, particularmente a Max, cuja insegurança em relação aos pais era praticamente incapacitante.

E depois temos aqui a Kelsey e o Jackson. E devo dizer que a Kelsey é uma protagonista (a história é contada apenas do ponto de vista dela, como no Losing It, e ao contrário do Faking It) fabulosa. Nunca pensei que ela se viesse a revelar desta maneira. É uma personagem muito mais complexa e cheia de uma vida interior muito interessante.

Viajando pela Europa fora, a Kelsey está apenas à procura de um algo que ela não sabe definir. (E de estoirar o dinheiro do papá, mas até isso tem mais que se lhe diga.) Mas não está a resultar. O vazio continua a estar lá. E depois ela cruza-se com um estranho que resiste à sua sedução (o choque!) e se ri dela (a lata dele!) e a deixa completamente confusa. Bondade não é uma coisa que ela conheça bem, e a Kelsey lida melhor com o que a rodeia se souber o que os outros esperam dela, e se esperar o pior dos outros.

E depois o Jackson desafia-a a viajar durante uma semana com ele, e ver se a perspectiva dela sobre a sua viagem à Europa não muda. *suspiro* E que viagem. É daquelas para dar uma pontinha de inveja e uma dose saudável de wanderlust. E o que acho mais fascinante é a maneira como eles se revelam ao longo da viagem, como por exemplo vamos percebendo um bocadinho melhor a Kelsey, e como ela se esforça por mudar os padrões de comportamento em que tinha caído. E como a relação dos dois se desenvolve a partir de um apoio mútuo e de uma cumplicidade sem palavras, porque era o que ambos precisavam no momento.

Não senti a falta de ler algo no POV do Jackson, porque ele está num lugar melhor, em termos de mentalidade (se é que isto faz sentido), mas até estou curiosa por ler a novela que a autora vai publicar em Janeiro. Gostava de ver o que ele pensa da Kelsey.

E quanto à Kelsey, que rapariga... só me apetece dar-lhe um abraço apertado. Há tanto naquela cabeça, tantos medos a ser derrotados, tantos entraves colocados a si própria... é a melhor caracterização da Cora nos três livros, e diria que, paradoxalmente, é a mais pessoal e a mais universal - no seu medo de crescer, na procura de um lugar no mundo, no sentimento de à deriva que não permite à Kelsey contentar-se, sendo que o mundo não chega para esse sentimento tão grande.

Diria que este é o livro mais doce e mais amargo, pela história da Kelsey e pelas cenas dela e do Jackson, algumas tão bonitas e emocionais. E o mais maduro. O final não é aquela coisa perfeita dos contos de fadas mas é tão giro e realista... apesar da dor, é possível perdoar e recomeçar. É uma boa maneira de apresentar a questão.

Páginas: 320

Editora: William Morrow (Harper Collins)

domingo, 27 de outubro de 2013

Soltos: Keeping Her, + BD

Keeping Her, Cora Carmack
Uma novela que continua a história da Bliss e do Garrick por mais um bocadinho. Ambos viajam para Londres para ela conhecer os pais dele... e tendo em conta o stress e as neuroses da Bliss, a coisa tem todo o potencial para descarrilar. Diverti-me imenso com a preocupação dela, e com as peripécias que se seguiram. A parte em que ela e o Garrick entram em casa dos pais dele... priceless.

Gostei de acompanhar este novo passo na vida deles. Há um bocadinho de evolução e dá para perceber aquilo para que eles estão preparados ou não. É delicioso vê-los juntos, a única coisa que me custou a engolir foi o Garrick estar preparado para fazer um certo sacrifício tão prontamente. Ou a Bliss esquecer-se duma certa coisa tão facilmente. Mas, por outro lado, ela cresce um pouco - o momento em que ela enfrenta a mãe do Garrick, ou o momento em que a conquista com a sua trapalhice... muito bons.

Ultimate Comics X-Men Volume 1, Nick Spencer, Paco Medina
Não tenho tido muito contacto com as linhas Ultimate. Li os primeiros números do Homem-Aranha graças a uma colecção de um jornal, mais os primeiros números dos X-Men graças um livro duma colecção de um jornal. Mas acho piada ao conceito, que apesar de começar pela tentativa de recontar as origens dos super-heróis, acaba por evoluir com novas histórias e novas maneiras maneiras de abordar velhos dilemas.

Neste volume, pude descobrir algumas diferenças entre este universo e o "normal". (O Wolverine tem um filho? [Que não o Daken, isto é?]) E achei piada a fazer as comparações, e ao mesmo tempo ver como este mundo funciona por si só. O dilema da história não é novo (mutantes perseguidos, sentinelas à solta), mas a maneira como é apresentado sim. Gostei particularmente do aspecto do envolvimento do governo na criação de mutantes, e como isso gera todo um novo conjunto de tensões sociais - que me agradou ver como são apresentadas.

The Valley of Fear, Arthur Conan Doyle, Ian Edginton, I.N.J. Culbard
Tenho uma relação curiosa com o cânone Sherlockiano. Já li alguns dos livros que reúnem as histórias, já vi um rol de filmes e séries, e conheço até uma parte dos livros e histórias a partir dos mesmos. Conheço uma série de referências a partir da cultura popular, e não directamente dos livros. Com um personagem tão popular, é difícil que a nossa percepção não seja colorida pelas percepções dos outros.

E mesmo assim, acho que nunca tinha contactado com esta história. O que a tornou mais interessante de ler, e descobrir aos poucos o mistério no centro da trama. Gostei muito de conhecer a história do John Douglas e achei interessantes os enganos necessários na sua vida. Apesar de tudo o que passou, merecia outro final.

A arte é bastante simples, mas gosto da maneira como se desenharam os vários personagens e as suas expressões. Também achei piada ao trabalho de cor, especialmente nos flashbacks.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Faking It, Cora Carmack


Opinião: Ok, esta autora acabou de conseguir entrar para a lista dos favoritos, porque ninguém consegue pôr-me na risota tão rapidamente como ela. A sério, nem tinha chegado à página 30 e toda a situação que junta a Max e o Cade já me tinha arrancado umas boas gargalhadas. As pinceladas gerais da história deles são comuns a outras histórias, duas pessoas a fingir que são um casal, mas é nos detalhes que a Cora Carmack consegue dar originalidade à coisa.

O Cade, depois do Losing It, está de rastos. Ver a Bliss feliz da vida com o Garrick tortura-o, e fá-lo ver o pouco que tem na vida que valha a pena e que o apaixone. A Max é uma jovem com um problema: um pai e uma mãe super-conservadores, que se vão passar quando virem as suas tatuagens e piercings, e o namorado que não é propriamente o sonho de qualquer pai, quanto mais os da Max. O resultado? Convencer um estranho (o Cade) a fazer de namorado perfeito por uns minutos. Só que a encenação corre tão bem que o Cade convence demasiado bem os pais dela, e têm de continuar a fingir. Entretanto, no meio de tanta efabulação, sentimentos reais começam a surgir entre eles, e ambos não sabem o que fazer...

Gostei tanto, tanto, da Max e do Cade. Quase Tanto como a Bliss e o Garrick, mas de maneiras diferentes. A Bliss era uma trapalhona e o Garrick exudava charme, mas a sua história tinha um tom mais leve. A Max e o Cade, por sua vez, têm uma série de problemas a resolver. A maneira como se juntam é hilariante, mas a jornada que têm de percorrer para ultrapassar os seus problemas é mais séria e triste. O Cade sempre se esforçou para ser o menino perfeito, depois de ser abandonado pelo pai, para que isso nunca mais acontecesse. A Max ajuda-o a soltar-se um bocadinho, e a ver outros caminhos para a sua vida que não aquilo que previra.

A Max, por sua vez... oh, a sua história aperta-me o coração. Uma tragédia pessoal afastou-a dos pais a nível emocional, e o resultado é uma falta de compreensão tão grande de ambas as partes... que a Max entra em parafuso só com a perspectiva de ver os pais. E a ideia de ir a casa deixa-a aterrorizada. É uma rapariga paralisada com aquilo que aconteceu no passado, tentando sobreviver e lutar pelo seu sonho, a música. A entrada do Cade na sua vida obriga-a a confrontar os seus demónios e a parar de fugir.

Adorei ler a história de ambos, e diverti-me e comovi-me a ler este livro. Estou a gostar imenso da autora e muito interessada em ler a história da Kelsey, a outra amiga da Bliss e do Cade.

Páginas: 352

Editora: William Morrow (HarperCollins)

terça-feira, 26 de março de 2013

Losing It, Cora Carmack


Opinião: Que livrinho curto, mas fofo. A Bliss é uma aluna da faculdade e está a estudar teatro, e sente que tem de deixar de ser palerma e perder a virgindade antes de acabar o curso. Entra a melhor amiga, que a leva para uma noite de farra e onde possivelmente encontrarão um candidato à altura. É nessa noite que Bliss conhece Garrick, um rapaz incrivelmente atraente (e britânico), mas à última hora arrepende-se e foge com uma desculpa ridícula, deixando-o nu na sua cama. É só no dia seguinte que descobre que... o Garrick é o novo professor de teatro.

Oh, estou aqui a escrever a minha opinião e ainda me estou a rir. É que gostei imenso da Bliss, que com a sua necessidade de estar no controlo e a suas neuroses, me deixou na risota com grande parte dos seus comentários. Tive também um pouco de pena dela, porque numa sociedade obcecada com sexo como é a nossa, e com a pressão ridícula que há para ter sexo e uma rapariga se livrar da sua virgindade como se fosse um guardanapo, ela acaba por ficar quase aterrorizada da antecipação do momento em si - parafraseando algo que ela diz, se ela pudesse livrar-se da virgindade sem ter sexo, era o que faria. É o momento em si, o medo de fazer asneira, de correr mal, que a deixa em pânico.

É claro que estes ataques de pânico a põem a fazer coisas tão patetas como bloquear a meio dum momento íntimo com o Garrick, inventar uma desculpa sobre ter de ir buscar o gato ao veterinário, e pôr-se na alheta, deixando-o a ele na sua cama, nu, e saindo de casa descalça e sem blusa. (E pronto, lá estou a rir-me outra vez. Eh pá, a cena em si é hilariante, o que é que querem?) A manhã seguinte traz um novo tipo de mortificação, quando ela descobre que o Garrick é o novo professor. Segue-se uma série de cenas em que ambos tentam resistir à atracção entre ambos (e que atracção! aquelas cenas entre os dois até chegarem a casa dela são bem interessantes), por causa da relação professor-aluna.

O Garrick é o protagonista masculino perfeito para a Bliss. É mais calminho, é absurdamente lindo, é britânico e tem um sotaque de cair para o lado, e baba-se completamente pela Bliss. Gostei de ver a evolução da sua relação com ela - apesar das interrupções na mesma, ele nunca desiste dela, e diz-lhe coisas absolutamente escandalosas no meio dos ensaios. Adorei aquele momentos em que os dois ficam doentes, porque têm de tomar conta um do outro à vez, e passam a semana na cama e no sofá. (Infelizmente não, não é a fazer isso que estão a pensar, é mesmo a curar a febre.) Vemos as pessoas no seu pior quando estão doentes, por isso se sobreviveram os dois a isto, sobrevivem a tudo. (Incluindo as neuroses da Bliss.)

Apreciei que o enredo da virgindade não tenha controlado a história, era apenas mais uma faceta da relação deles... uma de que o Garrick nem estava ciente até a Bliss ganhar coragem e lhe contar, e ele ficar parvo não com o facto em si, mas com a desculpa que a Bliss inventou. É uma cena divertida, e sobretudo parece libertar a pressão que Bliss tinha colocado em si própria. Gostava apenas que o fim não fosse tão apressado e acelerasse o estado da relação deles... o livro podia ter mais algumas boas páginas que eu não me queixava. E os momentos em que eles se zangam são ligeiramente cliché, um em que um deles deita cá para fora uma parvoíce que não pensa realmente, e outro em que uma conversa telefónica é mal interpretada.

O cenário dum conjunto de alunos a estudar teatro deu um contexto cativante à história... a Bliss pôde usar as frustrações do flirt com o Garrick num papel, por exemplo. E o drama entre os alunos de teatro é sempre abundante - noites de farra que terminam num jogo da garrafa, amigos que querem ser mais do que amigos, mononucleose espalhada por toda a turma sénior, ... há de tudo. Quero ler os próximos livros, focados nos melhores amigos da Bliss (o Cade e a Kelsey), porque acho que eles também merecem miminhos. (Especialmente o Cade, por causa da sua paixão não correspondida.)

P.S.: Destaque para a Hamlet, a gatinha que a Bliss adopta para fingir que a desculpa que deu ao Garrick era verdadeira. A gata é arisca, mas tem bom gosto. (Só fica quietinha no colo do Garrick.)

Páginas: 288

Editora: William Morrow (HarperCollins)