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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Curtas BD: Revistas Marvel, Homem-Aranha e Vingadores, volumes 3 e 4

Homem-Aranha vol. 3: O Reino das Trevas / Miles Morales, Dan Slott, Matteo Buffagni, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
Homem-Aranha vol. 4: A Ascensão do Escorpião / Miles Morales, Dan Slott, Giuseppe Camuncoli, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
A primeira história do volume 3 foca-se no Peter Parker e no retorno do Sr. Negativo, um personagem que altera as personalidades dos que o rodeiam... e que conseguiu fazê-lo com Cloak e Dagger, um par de super-heróis secundários (mas que sempre me deixou curiosa). A inversão destes dois heróis é interessante, pois os seus poderes complementam-se. A história é excitante porque o Peter descobre um espião na empresa, e achei interessante a relação dele e do Aranha com a policia chinesa, que é mais aberta e respeitosa do que esperaria. Gostei de ver.

A primeira história do volume 4 também é do Peter, e foca-se no término do enredo do Escorpião. O início passa pelo Peter como Aranha e o Nick Fury irem para o espaço, e é tão divertido ver o Peter tentar quebrar o exterior sério do Nick. O Aranha faz uma reentrada na atmosfera assustadora e excitante e lança-se em perseguição do Escorpião com a ajuda da Anna Marie Marconi, que foi a melhor coisa a sair do Homem-Aranha Superior. Os comentários dela para o Peter são amorosamente sarcásticos. O objectivo final do Escorpião era descobrir os eventos do próximo ano, e as menções que faz são curiosas.

Por fim, o Miles Morales, que tem história nos dois volumes, mas prefiro comentar tudo em conjunto. Pontos bónus já de entrada para a arte super-realista, que me encantou deveras, e dá um sentido terra-a-terra à história do Miles. Que é tão interessante e fofo e sei lá o quê. De certo modo é como se estivéssemos a rever alguns dilemas do Peter sob uma nova lente.

O Miles é alguém diferente, com um percurso de vida diferente e um objectivo diferente, mas encontra os mesmos problemas. As dificuldades na escola por causa da sua vida dupla, o resistir a correr para a refrega assim que ouve sirenes a passar, os conflitos com a família (só o pai sabe que ele é o Aranha) - que têm uma evolução hilariante, já que a avó materna é uma abuelita latina duríssima que está pronta a saltar para conclusões e achar que ele está metido com raparigas. Ou com drogas.

Outra coisa interessante que notei nestes poucos números é a reflexão de alguns parâmetros que podem fazer alguém ser considerado, hmm, "diferente", e como isso condiciona a sua experiência. O Miles fica frustrado quando o seu fato é rasgado e as pessoas percebem que ele não é branco, porque não quer ser conhecido como o "Aranha negro". O seu companheiro de quarto, o Ganke, discute com ele o que é ser gordo e como isso o marginaliza a ele.

E o Ganke faz o Miles "sair do armário" superheróico à frente de outra pessoa, um mutante que vai para a escola deles, o que é compreensivelmente frustrante para o Miles. Na comunidade super-heróica só a Kamala sabe, creio eu. (Nota tangente para rapazes adolescentes e a sua necessidade de se revelarem à Kamala. O Nova fez o mesmo. Ai, essas hormonas adolescentes...)

O que quero destacar com isto é que estas questões são apresentadas sob vários prismas, debatidas, mas tal como estes jovens ainda estão a formar opiniões sobre o mundo, também não nos é apresentada nenhuma verdade universal sobre elas, o que gosto de ver.

Pequenos destaques: o pai do Miles costumava ser um agente SHIELD; o comentário sobre ter superpoderes e existir num mundo onde têm de ser usados (apropriado ao espírito dos tempos que passamos); a questão da fangirl deste Aranha, que é gira mas podia ser menos irritante; e a "bênção" do Peter como Aranha a este Aranha, depois do Miles ter derrotado um demónio que deu água pela barba ao resto dos Vingadores.

Vingadores vol. 3: Ataque a Pleasant Hill, Gerry Duggan, Carlos Pacheco, Nick Spencer, Jesús Saiz, Mark Bagley
Vingadores vol. 4: Ataque a Pleasant Hill: Omega, Gerry Duggan, Ryan Stegman, Mark Waid, Adam Kubert, Nick Spencer, Daniel Acuña
O enredo de Pleasant Hill converge à medida que as duas equipas se dirigem para a cidade; a acção e a sequência de eventos podia ser mais clara, no entanto (imagino se reorganizar a ordem das revistas não ajudaria). O conceito de Pleasant Hill é aterrorizador, porque conquanto está a tentar lidar com vilões e criminosos perigosos, é algo que mexe com liberdades individuais e com as personalidades das pessoas envolvidas, e nunca uma história distópica começou com tão boas intenções, pois não? Heh. É algo a pedir para dar asneira.

A situação dos Inumanos está no centro das atenções no mundo Marvel (algo que não é inocente, pois o outro grupo de ostracizados - os X-Men - está, no mundo cinemático, nas mãos de outro estúdio que não a Marvel... então para serem vendáveis como um grupo alternativo, a Marvel tem destacado mais os Inumanos nos comics - para além de integrarem conceitos e personagens originais do MCU), e pronto, é coisa que eu gostava de saber mais sobre, ver como se deu.

A coisa interessante de Pleasant Hill é que os vilões são incorporados, mas começam a despertar e a quebrar as barreiras da realidade em que estão; e depois o mesmo acontece com os heróis. No caso destes, começa com a Rogue, que tinha uma programação mental instalada pelo Professor Xavier exactamente para este tipo de situações e para a ajudar a sair da "realidade imaginada".

Outro ponto interessante sobre esta história é a questão de Kobik, um cubo cósmico que aqui assume uma forma sentiente, e julgo que isso altera um pouco a perspectiva das coisas. Em adição é muito interessante ver o Deadpool lidar com ela. Por muito palhacito que o Deadpool seja, fizeram-lhe coisas horríveis e traz uma espécie de sobriedade ao personagem ver os momentos em que ele partilha essas coisas. Há um mar profundo sob a fachada e tudo o mais... as pessoas são bem mais que as máscaras que usam e outros lugares-comuns.

Há pequenos momentos divertidos que eu adorei ver: a Kamala ao "acordar" esmurra a Rogue porque "magoou a Carol" (a anterior Ms. Marvel), ou a piada do Deadpool sobre o Wolverine morrer - só ele iria a esse ponto.

Outros momentos de destaque: um com o Bucky e o Steve a relembrar os velhos tempos, e a questão em cima da mesa; o Visão a permitir à Kamala ver os "Greatest Hits" dos Vingadores para se sentir integrada, o que é amoroso porque ela é tremendamente fã de todos os envolvidos; o destacamento de uma nova Quasar, o que pode ser interessante, e gostava de saber porquê esta pessoa; o pessoal da Marvel fartou-se do Steve Rogers velhote e por isso meteram a Kobik a mudar a sua realidade e fazê-lo voltar a uma versão anterior, mais nova; e fico curiosa por saber se outros(as) Kobiks já aconteceram, como fica implícito.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 42-45

Venom, Rick Remender, Tony Moore
Este é o primeiro volume de uma série de histórias focadas no Flash Thompson - antigo rufia perseguidor do Peter Parker, maior fã do Homem-Aranha, alcóolico, filho de pai abusador e alcóolico, antigo soldado que voltou do Médio Oriente sem as duas pernas.

O Flash é escolhido pelo Venom/emparejado pelo governo com ele; deve manter as suas emoções sob controlo, ou o simbionte toma o controlo; deve manter a ligação apenas 48 horas no máximo, ou o simbionte toma o controlo; se o simbionte toma o controlo, kabum! o governo explode-os aos dois.

E no entanto, não achei a história muito interessante. O enredo não tem um rumo definido, a acção é por vezes confusa, e quem me dera que me tivessem feito empatizar com os problemas do Flash. Adoro boa caracterização, e manter controlo do Venom é uma ideia gira - ambos têm tanto potencial, que não é nada aproveitado.

Ultimate Homem-Aranha: A Morte do Homem-Aranha, Brian Michael Bendis, David LaFuente, Mark Bagley
Ah... esta, no entanto, é tão triste. Tenho vontade de me enroscar numa bola e fazer o luto. É um título exemplar naquilo que apontei ao anterior: boa caracterização, emocional, boa escrita e arte, que cativam e fazem-nos empatizar com o portagonista.

Como o título indica, isto é sobre a morte do Homem-Aranha. Não o do universo primário (aí é que eu quinava do susto), mas do universo Ultimate, que existiu até há bem pouco tempo no mundo Marvel, e que servia para recontar histórias, e contar novas também, de personagens bem conhecidos, sob o prisma do século XXI.

Só li os primeiros 20-e-qualquer-coisa números da revista, mas gostei deste Homem-Aranha por ser um retorno às origens: um Peter Parker na escola, com os problemas que um adolescente dos dias de hoje teria. Vendo o final, sei que gostaria de ter lido o que aconteceu pelo meio: a tia May sabe que o Peter é o Aranha, o Johnny Storm e o Bobby Drake vivem com eles, a Mary Jane e a Gwen Stacy são duas pessoas diferentes mas ainda assim fascinantes... e o J. Jonah Jameson descobriu o segredo, e apoia o Peter, o que me deixou tão contente, pelo contraste da sua versão original.

O enredo desta história passa pelo Norman Osborn, o Duende Verde, estar sob a tutela da SHIELD, mas soltar-se, e levar cinco supervilões do Aranha com ele. O Duende está enlouquecido, superpoderoso e mudado, assustador e intenso e vingativo, e sabe quem é o Peter. Não vai deixar que ninguém se interponha à sua vingança. (O Doc Ock que o diga. É assustador ver os extremos a que o Norman vai.)

O Peter, como Aranha, está a ajudar os Vingadores no seu próprio problema quando leva um tiro pelo Capitão América, e acorda sozinho e abandonado. (Já fui ler e perceber porque assim aconteceu... e há uma explicação decente, mas ainda assim me revolta ver que ficou sozinho e daqui para a frente não tem qualquer apoio, apesar das promessas repetidas de vários Vingadores de manterem um olho nele.)

E pronto. O Peter recebe uma chamada a avisar que o Sexteto Quinteto está à porta de casa a destruir a vizinhança até ele aparecer, e ele aparece, sem máscara, perdida na luta anterior. É de partir o coração, o Aranha a levar murros e a levantar-se a continuar a distribuir porrada, e todos na vizinhança se compadecem ao reconhecer o rapaz que vive naquela casa como o Aranha, e aqueles mais próximos do Peter tentam ajudá-lo. Mas é um fim brutal, pois com um inimigo imparável e destrutivo, só podia terminar assim. Tudo o que podia correr mal, correu mal. (E numa menção a um outro livro deste post, é exactamente por isto que identidades secretas - para o público - são essenciais.)

X-Men: Cisma, Jason Aaron, Kieron Gillen, Carlos Pacheco, Frank Cho
Tenho seguido com algum interesse os últimos anos dos mutantes, ainda que com interrupções e em fragmentos; mas são dos meus superheróis favoritos, e aprecio as tentativas de mudar o status quo para eles, ainda que nem sempre corram bem.

O conceito de ter os X-Men a separarem-se, ainda mais quando são tão poucos, fascina-me, ainda que não seja executado brilhantemente - quero dizer, putos psicopatas a liderar o Hellfire Club e a enganar os X-Men? Hmmm.

De qualquer modo, julgo que faz sentido uma quebra entre o Ciclope e o Wolverine. Eles até trabalham bem juntos, complementam-se, mas também são pessoas tão diferentes, com filosofias de vida diferentes. Num momento em que o resto dos X-Men está em perigo, a jovem Idie (que aprendeu pela sua cultura que ser mutante é ser um monstro e tem uma boa dose de autodepreciação por isso) vê-se na posição de poder destruir os captores; o Wolverine quer que ela espere, e o Ciclope pede-lhe que faça o que achar melhor - (não tão) secretamente esperando que ela aja.

Num segundo momento, Utopia está sob ataque de um Sentinela, e o Wolverine que se evacue e que os jovens deixem a ilha, mas o Ciclope está disposto a deixá-los lutar pela sua "casa", se assim o desejarem. As suas posições fazem sentido, na maior parte: o Wolverine está dessensitizado pela violência na sua vida, e não quer que os miúdos fiquem assim, tendo o exemplo da Idie (se bem que no passado não teve tais reservas); o Ciclope foi ele próprio um miúdo soldado instruído pelo Charles Xavier (se bem que o Professor X não é o melhor exemplo de pessoa), e à beira da extinção compreende que o pacifismo não os leva lá.

No meio disto tudo, o que é hilariante é que o Sentinela está a caminho de Utopia, mas é um comentário parvo sobre a Jean Grey que faz com que o Scott e o Logan se ponham à porrada... homens. *facepalm* No fim do livro temos uma história, que já tinha lido, Regenesis; é sobre os vários X-Men e as razões para ficarem com o Ciclope ou partirem com o Wolverine. Acima de tudo, está bem escrito e faz sentido nas motivações de todos, mesmo nas pequenas surpresas. A arte é um pouco pateta, na comparação da separação a uma luta primitiva, mas pronto, faz algum sentido.

Guerra Civil, Mark Millar, Steve McNiven
A este ponto, já li isto umas 3 vezes. Só espero que não hajam mais colecções que sejam de "essenciais" da Marvel e que o incluam, porque raios, eu sou uma completista e vou ter de ter o livro na mesma.

De qualquer modo, já opinei aqui. Posso acrescentar que uma razão para ser incluído em duas das colecções que fiz é que é bastante bom, apesar das suas falhas. O conflito é credível o suficiente, é-nos mostrado o lado de ambas as partes de forma bastante justa e que justifique porque cada defende o que defende, e honestamente, parte-se-nos o coração ao ver heróis lutar contra heróis, mas também adoramos isso, não adoramos?

É verdadeiramente uma guerra civil - todos os lados perdem porque todos eram o mesmo lado até há bem pouco tempo, e o resultado é desastroso e sem vencedor. É triste ver os extremos a que se vai em cada lado; mas ainda acho que sofre da dor de todos os "eventos" e que ganhava muito se fosse fácil aceder a todas as revistas que compõem o evento.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 32 a 34

Homem-Aranha: Azul, Jeph Loeb, Tim Sale
Hmmm. Esta acabou por ser revelar uma história e uma narração interessantes. Não tem exactamente princípio nem fim; é um recontar de histórias do Homem-Aranha de tempos antigos - o Peter cruza-se com alguns dos seus típicos inimigos, como o Duende Verde, o Lagarto ou o Rino. E nos entretantos, a narrativa mostra pedaços do dia-a-dia do Peter, com a tia May ou com o grupo de amigos que inclui o Harry Osborn, o Flash Thompson, ou as verdadeiras bombas que são a Gwen Stacy ou a Mary Jane Watson.

Acho que apreciei a narrativa pela sua simplicidade - a vida do Peter era definitivamente menos complexa e dramática; tudo o que o preocupava, para além dos vilões típicos, era estar dividido entre as atenções de duas moças giras. Apreciei a descrição dos momentos passados entre amigos, e gostei da caracterização da jovens; deu para vislumbrar uma personalidade forte e o porquê de se interessarem pelo Peter.

A arte é bastante boa; com um estilo clássico e simples, mas mesmo cativante. Gostei de como as meninas foram apresentadas, mas também gostei da expressividade do traço. O final é melancólico, mas gostei que relembrasse que não foi só o Peter a ser afectado pela tragédia da Gwen.

Thor: O Último Viking, Walter Simonson
Para uma colecção de histórias clássicas, acabei a divertir-me muito. Normalmente estas são muito soltas e não tendo um fio condutor, colectando narrativas curtas; mas esta compensa isto e muito. Creio que a "culpa" é do autor: pareceu-me fantástico como argumentista. Conseguiu cativar-me e interessar-me pelos personagens em foco no livro (Beta-Ray Bill e o titular Último Viking) e pelas suas histórias.

Em adição, consegue captar bem um certo tom que é perfeito para narrar as aventuras de um deus nórdico. Há muitos elementos conhecidos da mitologia do Thor da Marvel e muitos elementos da mitologia nórdica, e algumas pequenas surpresas e coisas giras.

A arte é mais cativante graças à recoloração, que é dinâmica e mais moderna, mas o próprio traço em si é complexo e dinâmico e capaz de captar o olhar do leitor. Em suma, uma boa surpresa.

Vingadores: Primordial, Brian Michael Bendis, Alan Davis
Ok, a história em si é um pouco básica, mas é divertida. A premissa é que decorre algum tempo depois da Guerra Civil e logo após o evento Cerco nos comics: o Tony Stark e o Steve Rogers ainda estão amuados um com o outro e continuam a discutir quando têm oportunidade; por sua vez, o Thor está mesmo, mesmo, mesmo farto de os ouvir. (Pobrezinho. Nós também, querido.)

Entra em cena um evento cataclísmico que altera a maneira como os reinos da mitologia nórdica se relacionam, e os três são arrastados para um cenário de fantasia épica que os obriga a procurar uma solução para o desalinhamento do universo como o conhecem.

Huh. É isto que os super-heróis fazem quando precisam de terapia de casal, então? Porque a história é escrita com algum sentido de humor; o Steve dentro de meia hora após aterrar num local estranho, já arranjou uma armadura e um escudo, e conseguiu encantar um elfa negra jeitosa; o Tony por sua vez acaba por se meter em apuros e tem de ser salvo pelo Steve.

Já o Thor está em apuros mas sai deles sozinho, e faz por descobrir quem está por trás de tudo, enquanto os outros dois estão a resolver os seus problemas. E pronto, as coisas terminam bem e os Vingadores voltarão ao seu estado natural. Pelo menos já ninguém tem de aturar mais discussões.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 11 a 14

Novos Vingadores: Evasão, Brian Michael Bendis, David Finch
Hmmm. Isto até é interessante. Depois de um evento que levou ao término dos Vingadores como equipa, uma série de indivíduos com poderes acaba a lutar em conjunto numa ilha-prisão em que há uma fuga; a formação de uma nova equipa de Vingadores perfila-se no horizonte com os eventos da história.

Achei a história muito interessante pelos seus elementos, a maneira como a equipa se junta (pobre Homem-Aranha, finalmente nos Vingadores, e não há remuneração para o azarado), mas também porque o ritmo de enredo é muito envolvente, tudo se desenrola como um misto de um filme de acção e mistério, e gostei bastante de seguir a evolução da narrativa.

Como disse, gostei bastante dos elementos introduzidos na história, de coisas do universo Marvel que foram trazidas para aqui; contudo, não sou fã do final do volume, fica muito em aberto. O que faz sentido se considerarmos a natureza episódica da história, mas para quem lê em livro é algo desconcertante.

Quarteto Fantástico: Além da Imaginação, Mark Waid, Mike Wieringo, Casey Jones
Outro volume bastante bem escolhido para esta colecção, creio eu. Gostei mesmo de como o Quarteto foi apresentado. Normalmente não costumo ler muito estes personagens, e não tem havido nada que me atraísse para eles; mas este volume consegue-o, creio eu.

O que me atraiu na história é esta mistura de drama e momentos de fasquia alta, de unidade familiar e resistência à adversidade, de exploração e aventura. Fez-me entender melhor o que os fãs vêm neste conjunto de personagens.

Os dois capítulos finais mostram o pós, o que acontece depois de uma aventura tão traumática para a família. E é de partir o coração. O personagem no centro é o Franklin, aquele que mais obviamente sofreu com os acontecimentos da narrativa, mas é possível ver como todos estão abalados. É um pedacinho da história mais calmo, mais focado no desenvolvimento dos personagens, e foi uma delícia de ler.

Ultimate Homem-Aranha: Poder e Responsabilidade, Brian Michael Bendis, Mark Bagley
Esta é uma história que já conhecia. Coleccionei os números isolados que foram saindo com um jornal há anos, até ao número 20 do Homem-Aranha versão Ultimate.

Há que reconhecer, a história é muito boa a pegar nos temas e fios narrativos do original, e adaptá-los a um mundo moderno. E os pequenos detalhes são bem giros de observar. Dá a sensação que estes são mesmo miúdos do século XXI (bem, talvez com alguns ligeiríssimos exageros, mas aceitáveis).

Narrativamente, a história corre muito bem, bastante interessante, e gosto de ver este Peter a lidar com os dilemas normais da adolescência, no meio do drama que deriva de lidar com os seus novos poderes. Há um humor e uma dinâmica que me agradam na narrativa.

A minha queixa prende-se com o facto de que tudo isto já está... batido? Seria mais interessante para mim dantes. Agora já lidei com um milhão de histórias de origem para o personagem, e começo a ficar aborrecida. Há uma série de coisas giras para fazer com o Peter para além disso.

Marvel Zombies, Robert Kirkman, Sean Phillips
Beeeem, seria de esperar que uma premissa tão fixe e intrigante resultasse numa história igualmente fascinante. A realidade? Eh, nem por isso. Zombies no mundo Marvel é brilhante, ver os nossos heróis a lidar com os problemas de serem zombies é perturbador, e não no bom sentido.

É que o livro deixou-me enjoada. E eu li um pedaço dele ao almoço, por isso não é enjoada de vomitar o almoço. É mais moralmente enjoada. Acho que nunca vou recuperar de ver estes personagens obcecados em comer os não-zombies que sobraram, incluíndo alguns dos seus antigos aliados, outros super-heróis.

Além disso, a noção de o mundo ter sido perdido para os zombies é algo traumatizante. Assim como a noção da refeição final que vemos no livro, e as suas consequências.

Tendo dito isto, a nível intelectual alguns elementos da história são positivamente intrigantes. A questão da fome constante, da necessidade de continuar a alimentar o monstro, e ainda assim manter o intelecto e as capacidades que se tinha. Um dilema interessante, e com momentos engraçados. (Again, o Homem-Aranha. Convenhamos, é sempre o Aranha a dar piada às coisas.)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 6 a 8

Supremos: Super-Humanos, Mark Millar, Bryan Hitch
Eu creio que isto já deve ter sido publicado em Portugal, e eu quase de certeza que já li. Não me lembro da maioria da história, mas lembro bem da recta final, da conversa do Tony com o Thor e o Capitão, da sua revelação, e do conflito do Hank Pym e da Vespa. Uma boa descrição do livro, mesmo. As partes de acção/porrada não são particularmente memoráveis, o resto é que é interessante.

Bem, suponho que poderia apreciar isto melhor se não fosse essencialmente um reboot, e se eu fosse audiência para histórias de origem. Em parte a sensação é been there, done that. Por outro lado, as ideias base por trás da coisa são minimamente interessantes, o que contrabalançou isso.

Acho piada à ideia de fazer dos Vingadores Supremos umas celebridades usadas politicamente, dá, na sua origem, uma dependência da equipa ao panorama político e à opinião pública. Também me interessou a maneira como são apresentados: o Capitão a rever as pessoas do seu passado, o Thor um hippie anti-capitalista e anti-corporativista, a Vespa, o Gigante e o Bruce Banner a trabalhar num projecto para recriar o Super-Soldado. (Bastante divertido: toda a gente a gozar sobre quem faria deles num filme, anos antes dos filmes Marvel

Do que eu não gosto: ver, pela milionésima vez, o quanto ninguém sabe lidar com o Bruce Banner. É sempre a mesma coisa, em todo o lado. Sim, o tipo é responsável pela existência do Hulk. Mas a melhor maneira de lidar com ele é desprezando-o? Gozando com ele? Fazendo-o sentir pequenino a cada passo, como se não pudesse contribuir para o objectivo da equipa? Bem, se acham mesmo isso, é bem feita que ele depois se passe e tenham de lidar com o Hulk.

Ugh. Ainda não li uma história que me agradasse realmente com o Hulk. Bem, talvez o Hulk: Cinzento. Corrijamos isso para uma história que lide bem com o equilíbrio entre os dois lados do personagem. Ou temos histórias que metam o Hulk a destruir tudo no seu caminho, ou histórias só com o Bruce, nada de Hulk. Céus, não há por aí uma história que mostre realmente a angústia que é ser um cérebro sem controlo sobre a besta interior?

Guerra Secreta, Brian Michael Bendis, Gabriele Dell'Otto
Bem, quando o Nick Fury fica paranóico e amedrontado, o homem vai mesmo até às últimas consequências. Nesta história de espionagem e traição, um grupo de super-heróis da Marvel descobre a sua participação numa revolução política, involuntariamente esquecida; participação essa que os coloca agora em perigo.

Gostei muito do tom do livro, mistério e espionagem e paranóia misturados. A primeira parte do livro monta muito bem a intriga e o suspense, e permite fazer virar as páginas vorazmente; e tem momentos engraçados, ainda assim - o Wolverine no avião, por exemplo.

A segunda parte é um pouco mais fraca; há demasiada exposição. É-nos dito o que aconteceu, em vez de revelado, e é tudo tão dado de colo que é algo aborrecido, quando a história até ali era bem interessante.

A verdadeira estrela do livro, no entanto, é a arte. Linda, linda, fascinante. Adoro estilos assim, como se o trabalho artístico fosse uma pintura.

Demolidor: Diabo da Guarda, Kevin Smith, Joe Quesada
Ok, este deixou-me dividida. O Demolidor parece ser um personagem complexo, complicado, a tender para dramático, mesmo; e nesse aspecto a história encaixa com ele. Os acontecimentos trágicos, a crise de fé, a montanha-russa emocional: nisto os autores acertaram, apanharam e desenvolveram elementos do personagem que fazem parte dele, encaixam na sua história e personalidade.

Os dilemas religiosos e morais que se põem ao Matt são interessantes de acompanhar, assim como a angústia, o drama, a dúvida. Podia ser exasperante com qualquer outro, mas com este personagem funciona. A fasquia é alta, e uma série de coisas das quais não se tem retorno acontecem, e são em parte fascinantes pelo que provocam na história. (Em parte são parvas, mas já lá vamos.)

Contudo, há qualquer coisa na construção da história que me parece fraquita, a maneira como o enredo evolui, toda a coisa convoluta de gente diferente vir dizer que um bebé é o salvador ou o anticristo. Epá, é uma coisa que mostra uma certa inteligência do vilão, que percebeu o que move o Matt, mas a maneira como é apresentada é desnecessariamente enrolada, e não faz bem o equilíbrio entre sobrenatural e psicológico.

Há outros elementos que também enfraquecem a história; a revelação é surpreendente e desapontadoramente mundana, depois de tanto elemento místico, e a revelação do vilão é mesmo info-dump até ao fim. Também não sou fã da situação com o Foggy, muito menos a da Karen, que dá cabo da rapariga duma maneira... antes sequer da sua participação na história terminar.

A arte é deveres cartoonesca, abonecada, o que não incomoda e até é giro, em partes... as cores e o traço enchem o olho. Mas depois há partes em que é... exagerada? Principalmente nas caras, que pareciam quase caricaturas.

domingo, 20 de março de 2016

Curtas BD: Black Widow, Rat Queens, Jessica Jones, The Wicked + The Divine

Black Widow v.2: The Tightly Tangled Web, Nathan Edmondson, Phil Noto, Mitch Gerads
Segundo volume da Viúva Negra, e preferia que o enredo mais abrangente, que abarca as várias histórias que estão a ser contadas, já estivesse mais delineado. Temos a sensação que a Natasha está a enfrentar um inimigo maior, mas ainda está tudo muito pela rama. Com 12 números de história já bem que se podia ter uma ideia mais clara da coisa.

A melhor parte das histórias individuais (que muito lentamente estão a levar a algum sítio) são as aparições de outros personagens do universo Marvel. Gostei particularmente da X-23 (adoro a Laura) e do Winter Soldier, mas os números com o Daredevil e com o Punisher também têm o seu interesse.

Acho que preferia que a escrita fosse um pouco mais clara e directa, porque está a levar demasiado tempo para esclarecer certos pontos, e depois martela-nos a cabeça com outras coisas. Um bocadinho mais de emoção, de caracterização psicológica também não era má ideia - é-nos dito, mais do que mostrado, que ela está a perder o rumo, o que torna mais difícil acreditar nessa evolução. A explosão mediática no fim também não parece totalmente credível, especialmente porque a Natasha não estava a trabalhar com os seus superiores completamente no escuro.

A arte, no entanto, ahhh, que delícia de observar. As "pinturas" de Phil Noto são lindas, a paleta de cores é sóbria, com um ou outro destaques, e fazem um conjunto muito interessante. Mesmo num livro que pedia mais dinâmica, por causa das cenas de acção, não me importo nada de parar e ficar a observar.

Rat Queens v.2: The Far Reaching Tentacles of N'rygoth, Kurtis J. Wiebe, Roc Upchurch, Stjepan Šejić
Oh, raios, eu divirto-me tanto a ler isto. A premissa é fantabulástica, pegando nos clichés de fantasia, vestindo as heroínas com alguns deles, e depois procedendo a derrubá-los um a um com um sentido de humor brutal.

Neste volume, as Rat Queens enfrentam uma ameaça bem maior e mais significativa, meio relacionada com o passado da Dee, que pode vir a destruir o mundo como o conhecem. O que abre a porta para explorar o passado das meninas - num bom equilíbrio entre acção e flashbacks.

Gostei de conhecer a família da Violet, por exemplo, e saber o que ela significava para eles; e também, o que a levou a procurar algo diferente. Gostei dos vislumbres do passado da Hannah, que é um osso duro de roer, e de conhecer. Parece ser aquela que tem mais "bagagem", ou mais complicadinha, pelo menos. E quanto à Dee, o posicionamento dela em relação à sua religião é fascinante. Quero saber mais. Ah, e já agora, já faltava um número só dedicado à Betty. O mundo precisa de saber de onde vem a paixão dela por cogumelos alucinogéneos e doces.

Gosto mesmo de como o livro é escrito, com cada personagem caracterizada com as suas idiossincrasias, mas em grupo, funcionam lindamente, o que é óptimo de ver. Gosto do sentido de humor, dos enredos loucos, e do grau de inesperado que acompanha o desenrolar da narrativa. Ah, estou extremamente curiosa para ver o que vem a seguir.

Jessica Jones: Alias v.2, Brian Michael Bendis, Michael Gaydos
As histórias deste volume são um bocadinho mais simples, ou mais terra-a-terra, que do anterior. A primeira história ocupa grande parte do tempo de antena e é sobre uma terrinha pequena, onde uma jovem adolescente desapareceu, e a Jessica é contratada pelos pais para encontrar a rapariga.

O mais interessante desta história é mostrar o funcionamento duma terra pequena, onde todos se conhecem, e é muito mais difícil ser diferente. Há bastante para a Jessica se indignar. Mas também é curiosa por mostrar que não devemos fazer generalizações sobre as terrinhas e as pessoas que nelas vivem. O final é trágico, mas cativante por isso mesmo.

A segunda história, apenas um número, não tem acção nenhuma e duas cenas de conversas, mas é fantástica por isso mesmo, por ser honesta acerca de relações humanas e dramas pessoais, e como é complicado ser adulto às vezes. Uma das conversas é com o Luke Cage e sobre o que partilharam, terrivelmente embaraçosa. Outra é num encontro com o Scott Lang, e tremendamente divertida.

O que eu gosto mais na Jessica é que apesar de ter poderes, é tão terra-a-terra, tão realista, tão humana e uma de nós. Um pequeno refresco num mar de super-heróis.

The Wicked + The Divine v.3: Commercial Suicide, Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matthew Wilson, Clayton Cowles
Arghhhh não acredito que não obtive mais respostas às minhas muitas perguntas sobre este mundo/história/personagens. Oh, well. Já estou habituada a esperar. Este volume faz a modos que uma pausa na narrativa principal, e explora o passado de vários personagens da série; a arte, para reflectir isso, dá uma folga ao artista principal e traz vários convidados para mostrarem o seu trabalho.

É um pouco estranho. Normalmente sinto-me um bocado lenta a ler estes livros, porque têm tantas referências e comentários a fazer, que obrigam a que leia devagar, e trabalhe para interpretar o que tenho à frente. Mas desta vez, não tive dificuldade em perceber o que os autores estavam a fazer. Sei que muita gente se queixou da arte a mudar constantemente, e apesar de gostar bastante do artista principal, ainda assim acho que os artistas escolhidos são na maioria bastante adequados.

Faz sentido o artista da Sekhmet, para transmitir a visão turva e desconectada que ela tem do mundo; faz sentido a artista da Morrighan e do Baphomet, muito adequada ao estilo gótico deles; faz sentido o estilo mais bonitinho e onírico para a Amaterasu.

Até da exploração das histórias dos personagens eu gostei. O número da Tara foi de partir o coração, por se ver como ela fica destruída pela fama, pela atenção incessante, pelo ódio. Aquela página dupla com os tweets odiosos e ameaçadores que ela recebe é assustadora, especialmente por ser realista.

Acabei por gostar da história da Sekhmet, por explorar a personalidade dela; da da Morrigan e do Baphmet, pela sua história partilhada; e da história do Woden, porque revela alguns pedacinhos de mistérios da série (a sério que ninguém tinha percebido até agora quem era o vilão?), e porque a arte é um remix de vinhetas anteriores da série, o que é um conceito bem fixe, especialmente tendo em conta a natureza do personagem.

Pronto, foi muito divertido, até gostei deste desvio, mas agora voltemos ao enredo principal, sim? Depois do cliffhanger massivo do último volume, que é transposto para este, estou pronta para descobrir algumas respostas. Obrigada, pessoal.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 1 a 4

O Espetacular Homem-Aranha: Regresso às Origens, J. Michael Straczynski, John Romita Jr.
É engraçado, sou capaz de ter em alguma ocasião lido o material de três dos quatro volumes mencionados neste post. Neste caso em especial, suponho que li esta história através das revistas do Homem-Aranha que a Devir publicava, algures depois de 2003.

Não é que eu me lembre de grande coisa, tendo em conta que já passou tanto tempo. Tenho boa memória, mas não assim tanto. Por isso, é quase como se estivesse a ler pela primeira vez. Tenho simplesmente uma ideia decente da mitologia exposta, até porque é importante no Spider-Verse, sobre o qual li recentemente.

E gosto mesmo deste lado mitológico do Aranha. Imagino que na altura pudesse ser uma ideia relativamente original, imbuir o personagem de um aspecto mitológico; e esta ideia de um personagem imparável, que persegue Aranhas para os devorar... tremendamente interessante. E gosto de como as coisas parecem desesperadas, e de como foram montadas. São complexas o suficiente, mas abertas também, e permitiram que a mitologia do Spider-Verse encaixasse nelas e as estendesse.

Aquilo de que não sou fã é de saber que o pessoal na Marvel tem alergia a ter um personagem casado e feliz da vida com isso. Têm sempre que inventar alguma coisa parva. Mais para a frente apagaram da existência o casamento da Mary Jane e do Peter, antes disto parece que ela foi raptada, o que ainda é pior, fazer dela uma vítima só para inventar mais drama.

Vingadores: O Último Ato, Brian Michael Bendis, David Finch
Ok, este era o volume que não tinha lido. E é por este tipo de coisas que eu não gosto mesmo nada da Feiticeira Escarlate. Está no centro de demasiada tralha que aconteceu no universo Marvel. Primeiro, é demasiado poder para alguém, como se pode ver pelo que ela causou, e depois, acontece tanta coisa por causa dela e nunca chega a... pagar por isso? Eu sei que em parte ela não está no todo das suas faculdades, mas caramba, já chega. Alguém que ajude a moça.

De qualquer modo, a ideia é intrigante, e a execução maioritariamente boa.. as coisas começam a correr tão mal, tão mal aos Vingadores - embaraços públicos, mortes dos seus membros, guerras, tudo e mais alguma coisa. E o resultado final é que a equipa se desmembra de forma trágica, porque a situação se torna intolerável.

Um belo conceito, porque os Vingadores podem ter mais ou menos importância para cada um, mas são a equipa-base da Marvel, que junta personagens tão diferentes e de áreas tão distintos deste universo. E ver como as desgraças se empilham em cima deles? Uau. Ao menos a Feiticeira tem imaginação, eh.

Capitão-América: Uma Nova Era, John Ney Rieber, John Cassaday
Este também já tinha lido, aqui quando foi publicado na colecção de BD do Correio da Manhã. Também foi há demasiado tempo para me lembrar, o que me recordo bem é da conversa do Capitão sobre as baixas civis crescentes de uma Guerra Mundial para a outra. Era um argumento impressionante na altura em que o li.

É uma história um pouco longa e sem rumo em partes; mas de resto até gostei bastante. É bastante adequado usar um personagem que foi criado como uma espécie de propaganda anti-Hitler na Segunda Guerra, e pô-lo no meio de uma história que fala do pós-11 de Setembro e da posição Norte Americana.

É bastante mais subtil do que esperava (há momentos óbvios, claro, mas não deu para enjoar), levando o Cap a perguntar-se sobre a natureza do mal, e do terror. A compreender que isso não tem geografia, e que os "seus" não estão isentos de responsabilidade. As primeiras páginas são de partir o coração. O Capitão está em Ground Zero, a ajudar os bombeiros, e é terrível saber que não vão conseguir ajudar ninguém.

O argumento é principalmente à base de um monólogo, esparso em diálogos, que deixa espaço para as pranchas e as imagens, que até parecem maiores por causa disso. E a arte é bem gira, visualmente muito cativante.

Os Surpreendentes X-Men: Sobredotados, Joss Whedon, John Cassaday
Outro já lido, desta vez porque apanhei uma vez a edição da BDMania numa livraria e aproveitei para ler a história. O que mais retiro deste livro é a observação de como as coisas mudam de escritor para escritor, a abordagem que fazem às histórias e aos personagens.

Li os livros dos X-Men com o escritor anterior, Grant Morrison, e posso dizer que gostava muito da sua abordagem, mas também gostei do que vi aqui com o Joss Whedon. Já conhecia o trabalho dele doutros lados e é impecável, na maneira como cria a história, cheia de tensão, com ideias fantásticas, e uma boa caracterização dos personagens.

Coisas boas da história: a Kitty Pryde, a Emma Frost, a fricção entre as duas, a Emma e o Scott à frente da escola, a introdução duma cura mutante, a presença de um extraterrestre com um problema com os X-Men, o retorno de alguém que se pensava perdido, o que fizeram com o Wolverine aqui, o humor nos diálogos e nalgumas cenas.

O artista é o mesmo do volume anterior que comentei, e o melhor que posso dizer dele é que a maneira como desenha pessoas me parece tão real, o que me agrada muito. Depois dos livros X-Men com o artista anterior, Frank Quitely - do qual não sou nada fã -, foi muito refrescante.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Curtas BD: Batwoman, Giant Days, Batgirl, Alias

Batwoman vol.5: Webs, Marc Andreyko, Jeremy Haun, Trevor McCarthy, Guy Major
Bem, não sei bem o que dizer. Quero dizer, não há assim tanto a dizer, na verdade. Depois do drama que fez a equipa de criadores anterior sair (estavam a levar a história da Kate para um casamento gay, mas a DC pôs um travão a esses planos, "porque os super-heróis não têm vidas felizes", sim, pois, foi mesmo isso que aconteceu), entra uma equipa nova, e apesar de eu acreditar que tentaram fazer o seu melhor, a história pareceu-me... meh. Nada de especial.

Com a equipa anterior, a história teve os seus altos e baixos, até a manter a minha atenção, mas a arte era fantástica e era isso que me mantinha interessada. Aqui nem tenho isso. Parece passar de cavalo para burro, sem querer desmerecer os artistas (há uma boa lista deles), mas parece que passámos dum veterano para um puto que começou a desenhar agora. Há apontamentos curiosos, mas o desenho é bastante desajeitado em partes, com as proporções todas estranhas.

Em termos de história, o primeiro número fecha o cliffhanger do livro anterior, mais ou menos com sucesso, mas suponho que esperava algo mais... grandioso. Eles usaram muitos dos elementos dos enredos anteriores, e ainda bem, mas não me impressionou. O segundo número é do evento Zero Hour, em jeito de prequela e história de origem. Bem, pelo menos é menos aborrecido que o da Batgirl. Achei-o mais excitante, se bem que é bizarro fazerem um retcon em que a Kate é prima do Bruce Wayne. Eh.

O restante da história é bastante simples, até simplório, mesmo. O Wolf Spider é um "vilão" que se vê a milhas quem é, e o grande mistério é porque raios a Kate não descobre isso. Depois temos uma história com... vampiros, que até é engraçada, e mais um cliffhanger, ugh, com uma vilã tipo viúva negra, que casa com homens ricos e os mata... e a Kate cai-lhe nas garras. (Como se isso acontecesse tão facilmente.)

Apreciei que a Bette continuasse a fazer parte da história, se bem que intermitentemente, mas senti falta do General Kane e do apoio que fazia às missões delas; e preferia que a Beth/Alice não desaparecesse de cena, que ainda falta lidar com os problemas dela. A coisa para "separar" a Kate e a Maggie até faz algum sentido, é uma consequência da vida dela, mas em luz de como as coisas correram, também é frustrante. Até a coisa do psicólogo faz sentido, tendo em conta a vida dela, mas não houve cenas anteriores suficientes que sugerissem isso, por isso quando aparece parece que veio do nada.

Enfim. Vou ler o último volume (só há mais um, porque depois do drama e da quebra de qualidade, é claro que as vendas caíram), eventualmente, mas mais por lealdade à Kate do que por genuíno interesse para ver como tudo acaba. Com a minha sorte, vai dar asneira.

Giant Days vol. 1, John Allison, Lissa Treiman
Oh, céus, isto é adorável. Giant Days segue três jovens, Susan, Esther e Daisy, que começaram a faculdade há três semanas. As três navegam os dramas da sua vida escolar e social numa BD em estilo slice of life.

Gostei bastante do modo como as histórias são contadas. Ao que sei, o argumentista trabalha em webcomics, e creio que se nota, porque mesmo dentro de cada número incluído neste livro são contados vários episódios, e não há necessariamente um fio narrativo que liga uma página à seguinte. (Mas há um tema narrativo que liga o número todo.)

Apreciei conhecer as três raparigas, elas têm personalidades diferentes e a caracterização é muito boa, mostrando-nos o que as faz funcionar; são personagens tão giras e engraçadas, cada uma à sua maneira. Aliás, até o elenco secundário é fantástico e cativante, só com um par de cenas e revelam-se ao leitor.

Com um tom divertido, o autor fala de muitas situações diferentes, algumas mais sérias, outras menos. Diverti-me imenso com o número em que elas apanham gripe, mas também gostei de ler o número em que a Esther aparece numa lista de "miúdas boazonas do primeiro ano" e como as meninas enfrentam os machistas de segunda categoria responsáveis.

A Daisy está num processo de descoberta e gostei do que vi até agora. E estou super curiosa para ver como o confronto Susan-McGraw vai evoluir. (Se bem que acho totalmente estranho o bigode dele. Parece um homem muito mais velho, o que é super estranho porque é suposto ser um estudante universitário.)

A arte é tão fofa, super cartoonesca e muito adequada à história, com montes de expressões engraçadas e bem trabalhada. Oh, e tenho de dizer, adoro que o cenário seja uma qualquer escola no Reino Unido. É uma mudança de cenário bem vinda.

Batgirl vol. 5: Deadline, Gail Simone, Fernando Pasarin, Jonathan Glapion, Robert Gill, Javier Garrón
Este volume faz um mix de histórias, várias standalone e uma que termina um arco de história começado alguns volumes atrás, o do grupo Knightfall; e por isso não tem uma linha narrativa coesa, o que por si é uma força e uma fraqueza.

Fraqueza porque algumas das histórias têm ligação com "eventos" que acontecem noutras revistas, e se às vezes a história funciona sozinha, outras nem por isso, e no caso das duas que aparecem neste volume, muita coisa fica em suspenso. Além disso, há acontecimentos extra-história nas outras, como uma menção do comissário Gordon estar preso, e isso nem sequer é explicado nestas histórias.

Força porque até passei um bom bocado a lê-las. A primeira faz parte de um evento, Gothtopia, em que em jeito de utopia distópica, Gotham é uma cidade em que o crime não existe, e existem versões da Bat-família todas... benévolas e vestidas de branco. A Batgirl chama-se Bluebelle, e a felicidade sem rédeas dela até parece desconcertante (até caí para o lado ao vê-la dizer que adora a Charise), mas são visíveis as falhas neste mundo, e a Barbara vai encontrá-las.

As duas histórias seguintes são paranormais em tom e apropriadamente ominosas e com atmosfera. A primeira traz de volta uma das assassinas Talon, Strix, que ajuda a Batgirl num caso de vampiros (sim, isso aconteceu) em que há um caçador de vampiros à solta, um tipo doido convencido que os morcegos protectores de Gotham são... vampiros. (Como é que Gotham atrai os loucos todos?)

A segunda história pega numa lenda urbana de Gotham, e é cativante pela narração da Barbara. A seguir vem uma história sobre a Poison Ivy e o tempo em que trabalhou com a Batgirl e as Birds of Prey (outra que confia demasiado em que tenhamos lido fora destes livros) - e curiosamente, até gostei bastante de ler esta visão da Ivy. Tive pena de não ter lido mais dessas histórias com ela, e achei fascinante a relação dela com o que a rodeia.

Há uma história com um vilão, o Ragdoll, que é apropriadamente arrepiante, e faz de ligação entre a anterior e a seguinte. Que, finalmente, é a história que fecha o enredo com Knightfall. (Já vai tarde. A Charise já estava a irritar.) É um pouco grandiosa a mais, parece que tem de haver sempre um evento em que montes de personagens deste mundo têm de aparecer para ajudar a salvar o dias, mas que só aparecem como figurantes, praticamente. De qualquer modo, a história é bem gira por juntar a Batgirl com a Black Canary e a Huntress, que ao que entendo ainda não tinha aparecido no universo New 52.

Por fim, uma história do evento Future's End, que mostra a Barbara dali a 5 anos. A motivação é um pouco forçada, no sentido em que não consigo vê-la realmente a fazer aquilo e a acontecer-lhe aquilo daquela maneira, mas enfim. A Barbara cheia de esteróides dali a 5 anos é um pouco estranha, e a relação dela com o Bane ainda mais, mas admiro-lhe a determinação. E a história é gira e ganha pontos porque com ela trabalha a League of Batgirls, em que assumem o manto as meninas que já foram a Batgirl, a Stephanie Brown e a Cassandra Cain, juntando-se a elas a Tiffany Fox.

Jessica Jones: Alias vol. 1, Brian Michael Bendis, Michael Gaydos
Li este livro num virote e diverti-me à brava. Céus, a Jessica Jones é uma personagem fascinante. Cheia de problemas, uma perspectiva lixada da vida, um trabalho complicado. E gostei mesmo de a ler.

Gostei mesmo de como o livro é escrito; há uma qualidade nele que o torna devorável. O tom é escuro, mais sério que o normal para a editora ou os livros de super-heróis. Mas é mesmo o meu tipo de história. Soa a Veronica Mars, uma das minhas coisas favoritas, apenas mais adulto.

O livro tem dois arcos de história. O primeiro envolve uma conspiração e uma morte em que a Jessica se vê envolvida, e quanto mais escava, mais assustada fica com a motivação dos perpetradores. O curioso é que a Jessica não pensa grande coisa dela própria, mas é ela que toma a atitude correcta no meio de tudo.

A segunda história envolve uma espécie de sósia de um personagem relativamente conhecido no meio dos super-heróis, e achei engraçado o modo como a Jessica lidou com a situação. Não resistiu a ajudar, e a preocupar-se, e apesar de as coisas terem uma reviravolta inusitada, manteve a mesma atitude.

A arte é um pouco estranha, mas entranha-se, suponho. O planeamento das páginas em vinhetas é interessante o suficiente para manter a atenção.