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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Northanger Abbey, Jane Austen


Opinião: Oh, bolas, agora mal consigo acreditar em como este livro não é mais apreciado. Eu própria li o livro pela primeira vez há 6 anos, e que diferença isso faz. Não lhe dei o devido crédito na altura; com um bocadinho mais de maturidade e de experiência literária, posso apreciar muito mais o que tenho nas mãos.

A questão que é mais fácil de destacar primeiramente é a sátira aos romances góticos muito em voga na época em que Jane Austen escrevia, e o quão ela parece estar a divertir-se com isso. A sério, o livro é escrito com um narrador bastante omnisciente e que "fala" connosco, sempre fazendo piadinhas ao estilo de história parodiado. Como a Catherine não é o tipo de heroína certo, como a sua vida teria sido se fosse a protagonista desse tipo de livro, como num livro gótico isto e aquilo aconteceria... oh, simplesmente impagável.

A outra coisa que gostava de destacar, e que merece mesmo: a própria protagonista, a Catherine. Oh, é fácil descartar a Catherine como uma tolinha. Mais trabalhoso, mas infinitamente mais recompensador, é mergulhar na caracterização que a Jane faz dela.

Ora vejamos: a autora diz-nos logo que a Catherine não é material de protagonista. Não é bonita - o que aqui leio como não sendo bonita pelos padrões de época, já que é descrita como esguia, pálida e com traços pronunciados. O que me soa a que ela seria uma modelo nos dias de hoje, mas posso ser eu a projectar, e vale o que vale.

A Catherine é ingénua, e inexperiente. Ela vive numa terra pequena, mas numa família numerosa, rodeada de irmãos. Não foi obrigada a estudar, se não estivesse para aí virada. O que significa que nunca foi estimulada, social e intelectualmente.

O que soa a como se fosse uma tonta, é verdade. Grande parte das interacções sociais que ela tem com os outros personagens acabam por ter uma segunda camada, e como a Catherine é inexperiente, ela não se apercebe da mesma - como os Thorpe, volúveis interesseiros escondidos sob a ilusão da amizade.

O contraponto é que isto não quer dizer que a Catherine seja burra ou desinteressada. Quando finalmente ganha alguma experiência social, ela percebe melhor os motivos e acções dos Thorpe; e ao conviver com os Tilney, começa a sentir-se mais à vontade na sua pele. Melhor, a convivência com os Tilney fá-la querer ser mais instruída, e interessar-se por coisas que não lhe captavam a atenção até então.

São muito bons sinais que vemos, de uma miúda a evoluir para mulher. Isto podia ser quase uma história YA, se pensarmos bem nisso. Ainda mais, ela tem um bom fundo, e gosto bastante desta parte da sua personalidade - a Catheine tem um clérigo como pai, e tem provavelmente por causa disso um bom sentido moral. E por mais convincentes que tentem ser com ela, e por mais peer pressure sobre ela que haja, ela é firme nos seus princípios. Há que louvar isso.

Até na questão das leituras góticas ela cresce um pouco. A Jane diverte-se imenso, no meio do sarcasmo, a dizer como os críticos descartam o romance, não o considerando uma leitura séria e digna de atenção. Um pouco como hoje, se formos ver bem, com o romance ou outros géneros considerados "indignos". Heh. Bom ver que não evoluímos nada em 200 anos.

Bem; onde eu queria chegar é que a autora escreve de modo a satirizar essa ideia e nunca suportá-la. Não são os romances que são um perigo para a Catherine. É ela própria e a sua imaginação hiperactiva. Não há nada de errado em ler e mergulhar numa história e vivê-la; há em não separar ficção da realidade, em projectar uma na outra, o que a Catherine na sua jovem inexperiência faz; mas quando compreende os seus erros, arrepende-se profundamente de ter deixando a imaginação ir tão longe.

Portanto, sim, a Catherine é uma miúda normal, duma família nem pobre nem rica, apenas autossuficiente e capaz de lhe dar um dote. Não tem a maturidade duma Anne nem a inteligência duma Elizabeth, a temperança duma Elinor, a constância duma Fanny ou a sociabilidade duma Emma. Não é particularmente heroinesca, e ainda assim faz uma protagonista cativante. É refrescante a sua ingenuidade, e fascinante ver a sua evolução nas páginas.

Título original: Northanger Abbey (1818)

Páginas: 240

Editora: Relógio D'Água

Tradução: Madalena Donas-Botto

terça-feira, 6 de maio de 2014

Curtas: BD

Sense and Sensibility, Jane Austen, adapted by Nancy Butler, Sonny Liew
Uma adaptação muito jeitosa da obra. Nancy Butler, encarregada do argumento, transpõe os diálogos da obra e complementa-a com pequenas adições de acontecimentos e de pensamentos interiores que o original não tem, mas que encaixam bem na história e na personalidade dos personagens. É uma novela gráfica muito verbosa, por virtude do livro original, mas lê-se muito bem, e é engraçado, e diferente, ver os balões e o texto a ocupar tanto do espaço das vinhetas.

Quanto à arte, inicialmente achava-a um pouco estranha, por um pormenor completamente ridículo: a coloração vermelha das bochechas - parece que está toda a gente bêbeda! Mas acabou por entranhar-se e acabei por apreciá-la. Diverti-me imenso com o pendor para desenhar os personagens em modo chibi em momentos humorísticos (o Robert Ferrars tinha a cabeça gigante permanentemente, mas creio que é uma pista visual para o tipo de personagem que temos à frente).

E, melhor ainda, o artista trabalha imensamente bem com as grandes quantidades de texto e os balões enormes, desenhando vinhetas visualmente mais vazias nesses casos. O ar inacabado dos traços e os cenários simples ajudam a contrabalançar o texto.

Acabou por ser uma adaptação tremendamente fofinha, e recomendo, porque acaba por ser visualmente muito interessante.

Daredevil: Reborn, Andy Diggle, Davide Gianfelice
No seguimento de Shadowland, Matt Murdock vagueia pelo país, em busca de redenção... e vai parar a uma cidade no Novo México em que os forasteiros não são bem vindos, e em que algo de errado se passa. Apesar de não desejar envolver-se, acaba por ser arrastado para uma negociata suja entre o xerife da cidade e um traficante de droga, que está à beira de arrasar a própria cidade.

É uma história que faz o que se propõe, fazer renascer o Daredevil através da redenção do Matt Murdock, que reaprende a ser herói, enfrentando os seus medos e voltando a confiar nos seus instintos. Mas pude apreciá-la mais intelectualmente do que emocionalmente, pois continuo a achar que o escritor não trabalha bem a parte emocional, como mencionei na opinião do Shadowland. A história não me fez sentir nada.

Quanto à arte, gostei das cores, evocaram bem uma cidadezinha do Novo México, mas não fiquei fã da arte... achei que as caras eram desenhadas de modo estranho, apesar de o desenho até ter dinamismo.

Avengers: The Origin, Joe Casey, Phil Noto
Uma história que (re)conta a formação dos Vingadores, nos anos 60. Loki tenta usar o Hulk como forma de criar caos e chamar a atenção do irmão, Thor, e em resultado vários heróis tentam travar o Hulk. Como têm um objectivo comum, juntam-se para o atingir, e acabam por decidir formam uma equipa no final, os Vingadores.

Vê-se mesmo que é uma história criada para o lançamento do primeiro filme dos Vingadores, só que essa coincidência de lançamentos acaba por não fazer muito sentido, na minha opinião. O conjunto de heróis que forma a equipa é diferente (Iron Man, Ant Man, Vasp, Thor e Hulk), e não sei se precisamos de um recontar de uma história já conhecida dos anos 60. (Eu não precisava.)

É que aquilo que a história mostra, eu já vi, ou li, e acaba por soar a cliché. O Loki como o vilão com demasiado poder e daddy/brother issues. O Hulk como o monstro manipulado e confundido com uma ameaça, mas que só quer estar quietinho no seu canto. Bahhh que aborrecido. (Se bem que a história consegue tornar interessante a parte do Hulk andar à deriva.)

Quanto à arte, gostei. Tem um ar retro (achei engraçada a armadura do Homem de Ferro), mas muito bonito, e adorei o ar de pintura do trabalho de coloração.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Orgulho e Preconceito, Jane Austen


Opinião: Este ano celebra-se o 200º aniversário da publicação deste livro. Nem me tinha dado conta, peguei nele porque estava com saudades duma história que adoro. Mas foi uma escolha oportuna, porque, entretanto, descobri uma coisa que me deixou meio histérica ao pesquisar esta história do aniversário da publicação. É que Orgulho e Preconceito foi publicado, há 200 anos... no dia em que faço anos. Ah, lol, é demasiado perfeito. :D

Bem, não sei que opinião é que devo dar quando já li o livro um monte de vezes. A este ponto conheço demasiado bem certas frases, e quase consigo ouvir os actores da minha adaptação favorita (a de 2005) a pronunciá-las. A certa altura dei por mim a ler uma fala da Mrs. Gardiner e a "ver" a Mrs. Crawley de Downton Abbey a dizê-la. Naturalmente porque é a mesma actriz nos dois papéis. Mas nunca me tinha dado conta disso até agora.

O que mais aprecio ao ler este livro é que descubro sempre novos pormenores, novas coisas ao reler. Que me fazem apreciar mais a história. É tão divertido ver o snobismo de alguns personagens no seio burguês, quando nenhum deles chega a ser nobre. O mais próximo que alguém está de ter um título é a Lady de Bourgh, filha e irmã de um conde, acho eu. (E todos sabemos o que isso faz pelo ego dela.)

Sempre achei tremendamente malandro da Jane Austen fazer um leitor menos avisado pensar que a Elizabeth Bennet tem o seu quê de interesseira ao se ver o seu interesse pelo Mr. Darcy aumentar depois de ver a magnificência de Pemberley. Na verdade, ela muda mais um pouco de atitude em relação a ele depois de Pemberley, mas isso tem mais a ver com o que intui da personalidade dele e da sua mudança de atitude depois das críticas dela.

Adoro o momento do pedido de casamento, com a Elizabeth a desancar no Mr. Darcy por ser um convencido e um metediço, mais a carta que ele lhe dá após este momento. (Aliás, sou fã do uso de cartas nos livros de Jane Austen.) Ao obrigá-la a reavaliar algumas coisas que tinha por certas, a carta opera uma mudança interior na Lizzy que a obriga a ver o Mr. Darcy com outros olhos. E as críticas que ela lhe fez não caem em saco roto, levando-o a adoptar uma atitude mais humilde.

É o que gosto mais ao ler um romance: ver ambos os elementos do casal a mudar a sua atitude na vida, a amadurecer, por causa do outro, mas não forçados. Creio que no caso destes dois, com feitios tão difíceis, semelhantes e compatíveis isto prolongar-se-ia pela vida fora. As discussões lá em casa deveriam ser algo de épico, mas acredito que chegassem facilmente a um consenso. Oh, e os filhos? Ah, gostava de ver a cara da Elizabeth ao ter uma filha como ela. :P

Uma última nota para a tradução, que imagino que já tenha alguns anos décadas. Nota-se pelo uso de palavras já em desuso hoje em dia, mas não me incomodou. Achei bem giro, há coisas que encaixam melhor com a história. De resto, mete os pés pelas mãos uma ou outra vez, em momentos em que a passagem soa menos bem. Mas tendo em conta as coisas que vejo hoje em dia em termos de traduções e revisões, não são erros particularmente chocantes.

Título original: Pride and Prejudice (1813)

Páginas: 360

Editora: Civilização Editora

Tradução: José da Natividade Gaspar

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mansfield Park, Jane Austen


Opinião: Este era o único livro da Jane Austen que me faltava ler - tenho tido muita sorte com esta autora, em vários momentos da minha vida tenho tropeçado num ou outro livro dela e apanhei-os em momentos em que já tinha maturidade para apreciar certas nuances que os livros nos apresentam.

No caso deste, é talvez o mais controverso da autora, a par de Emma, ambos por apresentarem heroínas atípicas. Da Emma a autora chegou a dizer que ia criar uma heroína que ninguém além dela fosse gostar, ou seja, tornou-a propositadamente difícil de gostar - chego a atrever-me a dizer que a Jane se deve ter divertido à grande a criar uma menina rica armadona em boa do século XIX.

No caso da Fanny, há duas, ou até três, vertentes que afastam o leitor dela. A primeira é que nos outros romances austenianos temos heroínas cujo objectivo, mais ou menos explicitamente, é casar e alcançar a felicidade através dum bom casamento (se bem que têm conceitos diferentes deste termo). A Fanny, por outro lado, nunca considerou casar como um objectivo de vida, seja pela sua posição social em relação aos tios e às primas, seja porque o seu coração esteve desde sempre ocupado, e acho que ela nunca considerou que o desejo do seu coração se realizasse.

A segunda vertente, mais ou menos relacionada com a anterior, é que a Fanny tem um sentido fantástico de quem é e de onde pode ir ou quem pode ser. Todas as outras protagonistas de Austen debatem-se com o seu lugar no mundo e tentam perceber os limites que a vida e o mundo lhes impõem. Assim, a Fanny tem menos por onde evoluir como pessoa, e com a sua perspectiva mais calma, quase epicurista, da vida, acaba por parecer uma protagonista fraca.

Uma terceira vertente é que a Jane, vendo que não ia ter trabalho nenhum com a Fanny, dedicou-se a criar uma espécie de comédia de costumes, em que usa e abusa, muito mais que em qualquer livro dela, do comentário social. Diversas situações são-nos apresentadas, em que a autora aproveita para criticar comportamentos e atitudes, dando ao leitor a oportunidade de apreciar a moralidade delas. Isto é muito visível nalgumas personagens que contrastam, como Edmund e o seu pai contra a Maria e a Júlia, e a Mary e o Henry.

Resta-me apontar pequenas minudências em que reparei na leitura, mas isso pode ficar para outra (re)leitura. Gostava de ver agora algumas adaptações, para poder comparar agora que li o livro. Nunca vi a de 1999, e sinto que as pessoas são demasiado duras para com a de 2007, e por isso gostava de as (re)ver.

Título original: Mansfield Park (1814)

Páginas: 448

Editora: Book.It

Tradução: Mafalda Dias

terça-feira, 29 de maio de 2012

Persuasão, Jane Austen


Opinião: Bem, não é que eu não tenha lido o livro ou visto os filmes um milhar de vezes, mas no domingo à tarde dei por mim indecisa entre o que iria ler a seguir, e no meio de tanta indecisão acabei por me decidir pela releitura de um favorito. Há algo de apaixonante e viciante nesta história, e a verdade é que os filmes acabam por mudar algumas coisas, acabando por dar uma ideia ligeiramente diferente do livro.

O que mais me encanta são os pequenos detalhes. A Jane Austen encheu o livro de pequenos gestos entre os protagonistas, que eles mais ou menos obsessivamente observam, e que podem ser interpretados de tantas maneiras... É muito interessante seguir as reacções deles, especialmente as da Anne, a que temos acesso directo, porque o mundo interior dela é muito rico, e a sua personalidade acaba por se revelar nas suas reflexões. É uma personagem calma, e à superfície poderá parecer aborrecida, mas é tão completa.

É claro que também posso confessar alguma frustração com a Anne e o Wentworth... afinal andaram oito anos a engonhar, e depois ainda mais meio ano a ignorar o que sentiam e a suspirar um pelo outro - é de revirar os olhinhos, ter duas pessoas que têm idade para ser mais maduros, e são-no, mas ao mesmo tempo ainda se comportam um pouco como dois miúdos... e não gostamos nós, leitores, de sofrer com os nossos personagens literários favoritos? Neste caso, parece que o final feliz é mais doce só pelo drama prolongado.

De resto, a autora mantém a sua veia observadora e irónica, ao criar personagens que nos divertam (ou irritam) com as suas idiossincrasias. O Sir Walter Elliott e a Elizabeth são uns snobes, a Mary tem toques de hipocondria só para que lhe dêem importância (Mrs. Bennet, estás por aí?), o Charles é um aluado obcecado com a caça, a Henrietta e a Louisa umas tontas. Livra! Só se safam a Anne e o Wentworth, mesmo.

Título original: Persuasion (1817)

Páginas: 172

Editora: Europa-América

Tradução: Isabel Sequeira

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Persuasion, Jane Austen, audiolivro lido por Amanda Root


Opinião: Este audiolivro é lido pela actriz com o papel de Anne Elliot no filme de 1995 da BBC (caramba, 1995 foi um ano bom para adaptações das obras de Jane Austen ao ecrã). Em geral fez um bom trabalho, sem sotaques e com um inglês muito bom. Falava bastante pausadamente, mas neste caso até não me queixo pois contribuiu para que acompanhasse melhor a narração. Esta versão acompanha muito bem a história, captando os momentos importantes e incluindo quase fielmente as minhas duas citações favoritas do livro.

Termino a leitura deste The Jane Austen Collection, este conjunto de audiolivros, muito agradada. Creio que a minha maior dificuldade com o primeiro audiolivro que li era a miríade de sotaques para diferenciar os personagens e as suas origins, que dificultava a percepção do diálogo e da narração. Aqui as leitoras não sentiram a necessidade de se pôr a fazer sotaque se não o têm, e o inglês soava muito claro e sem problemas. Vou continuar a procurar audiolivros para ver o que há de bom por aí; se bem que muitas vezes, infelizmente, são muito mais caros que as edições em livro.

Páginas: não se aplica; contém 3 CDs com cerca de 1 hora de narração cada

Editora: Hodder & Stoughton

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sense and Sensibility, Jane Austen, audiolivro lido por Kate Winslet


Opinião: O livro é lido por Kate Winslet, a actriz que fez de Marianne no filme de 1995, e em geral gostei do trabalho dela. Notava-se no início alguma insegurança, pois falava mais pausadamente, mas rapidamente ultrapassou esse problema e a dicção era impecável. A voz que usava para os homens não era exagerada, e os tons que dava às várias mulheres muito engraçados.

Quanto ao livro em si, gosto bastante, mas para mim há uma personagem que quase que estraga tudo - a Marianne. Gaba-se de ter grande sensibilidade, mas é absolutamente cega ao sofrimento da irmã e ainda tem o desplante de achar a irmã fria porque esta não tem ataques histéricos para exprimir a sua dor. Pois, não é das minhas personagens favoritas. (Mas quase lhe perdoo, porque adoro a Kate Winslet neste papel.) A par do John Dashwood, um cobarde que em vez de fazer o que o pai lhe pede e tomar conta das irmãs e da madrasta, se deixa convencer pela parva da mulher a deixá-las desamparadas. Mas, bem, sem esta circunstância não tínhamos história não é?

A adaptação parece-me boa, pois não noto falta de nada em relação ao livro (se bem que isso possa ser porque não conheço este livro tão bem como o Pride and Prejudice). A ironia e os personagens quase caricaturados de Jane Austen estão lá, bem como a descrição da sociedade inglesa de início de século XIX. Gostei bastante e vou partir para o terceiro audiolivro da The Jane Austen Collection.

Páginas: não se aplica; contém 3 CDs com cerca de 1 hora de narração cada

Editora: Hodder & Stoughton

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pride and Prejudice, Jane Austen, audiolivro lido por Juliet Stevenson


Opinião: É muito engraçado poder ouvir algumas frases tão icónicas e conhecidas deste livro em voz alta. Esta é uma versão abreviada, mas a história está toda lá. A narração por parte de Juliet Stevenson é interessante, só com um toque de sotaque, mas não gostei da maneira como fazia as vozes para os personagens masculinos - via-se mesmo que estava a tentar engrossar a voz e soava a artificial.

O ter podido ouvir a narração em vez de a ler fez-me poder meditar no que estava a acontecer e nas atitudes dos personagens. Não tive dificuldade em perceber o que era dito, talvez um pouco porque já conheço o livro. A adaptação do fim é que me deixou desgostosa, pois pareceu tudo muito apressado. Em suma, uma opção muito boa para me relembrar de um dos meus livros favoritos, enquanto estou a fazer outra coisa qualquer.

Nota: este audiolivro faz parte desta colectânea.

Nota II: a Juliet Stevenson fez de Mrs. Elton no filme Emma (1996) - aquele com a Gwyneth Paltrow. Curiosamente agora não me estou a lembrar dela, já que tenho muito presente a actriz que fez de Mrs. Elton na minisérie de 2009.

Páginas: não se aplica; contém 3 CDs com cerca de 1 hora de narração cada

Editora: Hodder & Stoughton

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Emma, Jane Austen


Opinião: Não é a primeira vez que leio este livro, se bem que a primeira vez já foi há muito tempo. Estou mais familiarizada com os filmes ou a série da BBC. No entanto, a primeira coisa que me passou pela cabeça quando comecei a ler o livro foi que a Jane Austen devia ter pensado ao escrevê-lo: "Agora, leitor, desafio-te a gostares da Emma." E não é que ela me deu razão à distância de 200 anos? Parece que disse que ia criar uma heroína da qual ninguém a não ser ela gostasse.

E de facto a Emma é uma heroína única nos livros da autora. A primeira frase do livro descreve-a: "Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica." É a única heroína que nasceu num meio privilegiado. E se por um lado a jovem é bastante inteligente, as suas circunstâncias deixam a desejar - tendo a irmã e a perceptora casado, é a única que ficou em casa a cuidar do pai. Isto faz com que nunca tenha saído de Highbury e que os seus horizontes sejam forçosamente limitados.

Isto faz também com que se abandone no início da narrativa ao papel de casamenteira. Só que as suas boas intenções têm por trás algum exagerado sentido de auto-importância. O que faz com que afaste Harriet Smith, uma jovem de origens humides, dum partido perfeitamente aceitável para olhar para um que lhe estaria vedado. Emma convence-se que o rapaz está interessado na Harriet, mas acaba redondamente enganada.

A autora continua a narrativa desafiando o leitor a cair no mesmo erro da Emma - supor uma ligação entre a Emma e Frank Churchill, quando ele até dá bastantes pistas sobre em quem está interessado. Quem sabe o desfecho da história pode reler as suas acções a uma nova luz e perceber que as pistas estão todas lá.

A escrita baseia-se muito na descrição e diálogo para caracterizar os personagens e "pintar-nos" os cenários - o que permite uma leitura contemplativa e em que podemos descobrir a cada momento outra pérola de crítica social como as representadas na pessoa da Sra. Elton, completamente pomposa e tão cheia de si.

A evolução do enredo é bastante mais leve que outros livros da escritora, permitindo-me divertir e indignar em partes iguais com as personagens e as suas peripécias. Felizmente, depois de tantos erros e reviravoltas, a Emma aprende alguma coisa e sai um pouquinho mais sábia (e mais feliz).

O que me leva ao Sr. Knightley. Qualquer troca de palavras entre ele e a Emma é muito engraçada, pois conhecendo-se eles há muito tempo, há uma certa familiaridade, e ao mesmo tempo ele tem umas saídas algo sarcásticas. E muito tempo passa ele a criticar ou a discordar da Emma... Quem diria que em grande parte das vezes até tem razão! Em certos aspectos acaba também por não ser o herói típico dos livros da escritora.

Este livro é uma delícia de ler e de ver. A edição é toda catita e em capa dura, e eu que não sou fã da cor rosa fiquei toda babada quando vi a capa. Só tenho uma queixa, que não sei se se deve à tradução ou à revisão - o uso da palavra Surry em vez de Surrey. Surrey é um condado de Inglaterra, ou seja, é um nome toponímico, e acho que não se mexe nesse tipo de termos. Da primeira vez que vi "Surry" ainda pensei que era erro, pois logo a seguir vinha "Surrey", mas há tantas ocorrências de "Surry" no livro que afinal o "Surrey" é que parece o erro.

Título original: Emma (1815)
 
Páginas: 364
 
Editora: Edi9
 
Tradutora: Isabel M. Costa