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terça-feira, 6 de maio de 2014

Curtas: BD

Sense and Sensibility, Jane Austen, adapted by Nancy Butler, Sonny Liew
Uma adaptação muito jeitosa da obra. Nancy Butler, encarregada do argumento, transpõe os diálogos da obra e complementa-a com pequenas adições de acontecimentos e de pensamentos interiores que o original não tem, mas que encaixam bem na história e na personalidade dos personagens. É uma novela gráfica muito verbosa, por virtude do livro original, mas lê-se muito bem, e é engraçado, e diferente, ver os balões e o texto a ocupar tanto do espaço das vinhetas.

Quanto à arte, inicialmente achava-a um pouco estranha, por um pormenor completamente ridículo: a coloração vermelha das bochechas - parece que está toda a gente bêbeda! Mas acabou por entranhar-se e acabei por apreciá-la. Diverti-me imenso com o pendor para desenhar os personagens em modo chibi em momentos humorísticos (o Robert Ferrars tinha a cabeça gigante permanentemente, mas creio que é uma pista visual para o tipo de personagem que temos à frente).

E, melhor ainda, o artista trabalha imensamente bem com as grandes quantidades de texto e os balões enormes, desenhando vinhetas visualmente mais vazias nesses casos. O ar inacabado dos traços e os cenários simples ajudam a contrabalançar o texto.

Acabou por ser uma adaptação tremendamente fofinha, e recomendo, porque acaba por ser visualmente muito interessante.

Daredevil: Reborn, Andy Diggle, Davide Gianfelice
No seguimento de Shadowland, Matt Murdock vagueia pelo país, em busca de redenção... e vai parar a uma cidade no Novo México em que os forasteiros não são bem vindos, e em que algo de errado se passa. Apesar de não desejar envolver-se, acaba por ser arrastado para uma negociata suja entre o xerife da cidade e um traficante de droga, que está à beira de arrasar a própria cidade.

É uma história que faz o que se propõe, fazer renascer o Daredevil através da redenção do Matt Murdock, que reaprende a ser herói, enfrentando os seus medos e voltando a confiar nos seus instintos. Mas pude apreciá-la mais intelectualmente do que emocionalmente, pois continuo a achar que o escritor não trabalha bem a parte emocional, como mencionei na opinião do Shadowland. A história não me fez sentir nada.

Quanto à arte, gostei das cores, evocaram bem uma cidadezinha do Novo México, mas não fiquei fã da arte... achei que as caras eram desenhadas de modo estranho, apesar de o desenho até ter dinamismo.

Avengers: The Origin, Joe Casey, Phil Noto
Uma história que (re)conta a formação dos Vingadores, nos anos 60. Loki tenta usar o Hulk como forma de criar caos e chamar a atenção do irmão, Thor, e em resultado vários heróis tentam travar o Hulk. Como têm um objectivo comum, juntam-se para o atingir, e acabam por decidir formam uma equipa no final, os Vingadores.

Vê-se mesmo que é uma história criada para o lançamento do primeiro filme dos Vingadores, só que essa coincidência de lançamentos acaba por não fazer muito sentido, na minha opinião. O conjunto de heróis que forma a equipa é diferente (Iron Man, Ant Man, Vasp, Thor e Hulk), e não sei se precisamos de um recontar de uma história já conhecida dos anos 60. (Eu não precisava.)

É que aquilo que a história mostra, eu já vi, ou li, e acaba por soar a cliché. O Loki como o vilão com demasiado poder e daddy/brother issues. O Hulk como o monstro manipulado e confundido com uma ameaça, mas que só quer estar quietinho no seu canto. Bahhh que aborrecido. (Se bem que a história consegue tornar interessante a parte do Hulk andar à deriva.)

Quanto à arte, gostei. Tem um ar retro (achei engraçada a armadura do Homem de Ferro), mas muito bonito, e adorei o ar de pintura do trabalho de coloração.

domingo, 15 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel #1 e #2: Homem-Aranha e X-Men

Já aqui tenho falado das saudades que algumas colecções de BD, distribuídas com jornais, me suscitam. (Sim, falo pela milionésima vez da série Clássicos da BD e Clássicos da BD - Série Ouro.) Por isso recebi com algum entusiasmo a notícia desta série, publicada numa parceria Público/Levoir. Gosto bastante de BD, e tenho um historial mais longo de leitura de BD americana com super-heróis, por isso a colecção vem cair que nem ginjas para me animar o Verão.

A edição, devo dizer, é fantástica. Começando pela capa dura de qualidade, cada edição traz uma pequena introdução e um índice exaustivo das histórias e respectivos autores. As páginas e impressão têm boa qualidade. Enfim, uma edição de sonho e por um preço de pechincha.

Homem-Aranha - Integral Frank Miller é, como o nome indica, um volume que acompanha algumas histórias do Homem-Aranha criadas por Frank Miller. Foi uma ideia interessante, lançarem a colecção e este volume em particular no dia em que o novo filme do super-herói estreava.

Em termos de história, os vários enredos perdem-se nos grandes arcos de história do Homem-Aranha, mas em termos de arte é interessante acompanhar o início da evolução de um artista que tem o seu lugar nos anais da história da BD. As minhas favoritas foram as duas histórias com o Demolidor, Em Terra de Cegos... e Das Cinzas às Cinzas! - é pena que não possamos ver a história final, que já não foi desenhada pelo Frank Miller, mas ao menos é-nos dada uma breve descrição do que acontece.

X-Men - Filhos do Átomo cobre a mini-série com o mesmo nome, acompanhada da primeira história de sempre dos super-heróis, que já conhecia. Gostei da arte, às vezes quase lembrando o estilo dos anos 60, às vezes bem moderna, mas bastante dinâmica, e cativou-me a interpretação da imagem dos personagens principais. (Se bem que quase não reconheci o Magneto, quase parecia um Wolverine.)

Adorei a história da mini-série, dá uma prequela interessante para a primeira história dos X-Men, sendo quase intemporal, apesar dos X-Men serem quase cinquentões. Foi bem giro seguir os cinco adolescentes que viriam a ser os X-Men originais, e vislumbrar o ambiente que terá rodeado a criação da equipa.