Mostrar mensagens com a etiqueta Brian K. Vaughan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brian K. Vaughan. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de maio de 2016

Curtas BD: Wolverine

Wolverine: Logan, Brian K. Vaughan, Eduardo Risso
Começo a achar que metade da piada do Wolverine é aproveitar a sua vida longa para o colocar em eventos importantes ao longo da história. Certamente, é o que eu acharia e me interessaria se trabalhasse em BD.

Portanto, a premissa é bastante fixe. Qualquer coisa passada na Segunda Guerra Mundial ganha interesse logo à enésima potência, nem que seja para ver como é que o escritor vai incorporar a História na sua história e personagens.

Neste caso, é bastante cativante. O Wolverine é um prisioneiro de guerra em Hiroshima, 1945, o que nos diz logo como é que esta história vai acabar. Foge com outro prisioneiro, mas separam-se quando percebe que este outro prisioneiro é demasiado violento, até para o Wolverine.

A história é curta, mas contém muita coisa. O Logan é acolhido por uma jovem filha de um soldado kamikaze, mas o clima é interrompido pelo outro prisioneiro de guerra, enraivecido e determinado a matar todos os japoneses. Entretanto, a bomba cai, e os resultados não são bonitos, tendo em conta as capacidades do Logan.

A narrativa intercala com o presente, em que o Wolverine, recordando-se do seu passado, vai ao Japão para dar um fecho a esta história. A história é boa, mas a arte ainda é mais fascinante. Consigo definitivamente ver porque é que o artista tem tanta gente a dizer bem dele. Com um tão bom trabalho de luz e sombra, consegue transmitir mesmo bem uma certa atmosfera.

Wolverine: Origem, Paul Jenkins, Andy Kubert, Richard Isanove
Já tinha lido este livro, e até já tenho uma edição anterior em português, da Devir, comprada nos bons velhos tempos em que eu comprava BD em português nas bancas. Acho que nunca mais vou comprar BD naqueles moldes, mas pronto. Tenho pena, porque foi assim que comecei a ler BD.

Bem, acho que o mais interessante na história em mãos é uma certa dualidade sobre o seu propósito. O mundo não precisa necessariamente duma história de origem do Wolverine, ele funciona perfeitamente bem sem ela. Aliás, é provavelmente por isso que se passou tanto tempo sem lhe inventar uma.

Por outro lado, fico com a sensação que os escritores do Wolverine adoram explorar-lhe o passado e inventar coisas que lhe aconteceram, por isso, a inventar algo que seja o início do personagem, prefiro que seja esta.

É que é tão diferente do personagem que conhecemos, que estranhamente, para mim, funciona. O Logan começa como James Howlett, um miúdo enfermo - uma noção hilariante, se pensarmos bem - numa família de posses, num Canada ainda muito inexplorado. Uma tragédia na mansão leva-o e a uma rapariga que trabalhava para a família a fugirem, terminando numa pedreira, onde o jovem James vai crescer e tornar-se em alguém muito diferente do esperado.

Acho que é por isso que resulta. Temos as óbvias referências ao presente do Logan, mas a diferença é suficiente para podermos separar as duas fases do personagem. O enredo tem foco, direcção, e pode ter alguns momentos fracos, mas é cativante o suficiente para manter o interesse.

O melhor de tudo é, claro, o trabalho de cor, que é tão bonito, nada a ver com um estilo mais clássico de BD, mas muito adequado para uma narrativa histórica, e bem, enche o olho.

Wolverine: Origem II, Kieron Gillen, Adam Kubert
Ah, infelizmente esta história não é tão especial como a anterior. Tem menos foco, menos direcção, e não acrescenta nada de novo à história do personagem. Tem algumas menções e ligações ao resto do mundo mutante que virá a acontecer, mas é tudo mais desinspirado, menos vibrante.

O Wolverine começa a história algum tempo depois da anterior, e está literalmente a correr, e a viver, com os lobos. Só que um urso polar manipulado e sanguinário destrói-lhe a "família", o que muda aquilo que se tinha tornado a sua rotina, e aterra com ele... no circo, a fazer de atracção.

Não sei, não me cativou, não me captou a atenção como a anterior. Tem alguns momentos engraçados, como a presença de pessoas com o apelido Creed, só que a revelação é feita tarde demais, e honestamente, aquilo que parte da cena final é que devia ser a história. O personagem apresentado tem um historial tão grande com o Wolverine que isso é que teria interesse explorar.

A arte é bem mais interessante, e tem alguns detalhes giros; reparei que no primeiro número a coloração é um pouco diferente, a puxar mais para a da história anterior, e faz sentido para separar do resto da história, que tematicamente é algo diferente.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Curtas: mais BD, parte I

Hawkeye vol. 3: L.A. Woman, Matt Fraction, Annie Wu , Javier Pulido
Este volume marca a divisão da narrativa em duas partes, e traz a execução de uma das coisas que eu mais aprecio ver ser feitas quando se conta uma história, que é os autores serem criativos e inovadores em termos narrativos. Neste caso, a divisão do título Hawkeye em dois, contando alternativamente, revista sim, revista não, a história de um dos dois personagens que usa esse nome de código como super-herói.

L.A. Woman segue então um dos Hawkeyes, a Kate Bishop, que se fartou dos dramazinhos do Clint Barton e da sua incapacidade de se endireitar e resolver a sua vida. Por isso, ela parte para Los Angeles para se estabelecer sozinha, independentemente, e para trabalhar (mais ou menos) como detective privada.

E pronto, a Kate fazia parecer nos volumes anteriores que era bem mais resolvida que o Clint, mas a verdade é que é uma jovem, rica e protegida, e que nunca se estabeleceu sozinha e que fazendo jus ao nome de código que carrega, também se mete em muitos sarilhos. Eu já gostava da Kate, mas ainda fiquei a gostar mais ao segui-la por este conjunto de aventuras em L.A., ao vê-la fazer asneiras mas também a resolver os seus problemas de forma criativa, o que mostra a jovem inteligente e engenhosa que ela é.

Coisas de destaque no volume: o cão ter ido com ela, o que é superdivertido; O feudo com a Madame Masque e como os casos que a Kate encontra acabam por ter todos a ver com ela. Uma aparição da S.H.I.E.L.D., na pessoa da Maria Hill e do Agente Coulson. Os amigos que ela faz, especialmente o casal gay adorável que toma conta dela e até a ajuda num dos casos. A maneira como a Kate se desenrasca das coisas.

Gostava era de poder ler brevemente o último volume, focado no Clint, porque tenho a sensação que ambos os volumes vão ter ligações um com o outro, e quero muito poder estabelecê-las. Na arte, Annie Wu é nova à colecção (bem, mais ou menos), mas faz as coisas dum modo que me agrada, meio caricato, meio realista.

Ms. Marvel vol. 3: Crushed, G. Willow Wilson, Elmo Bondoc, Takeshi Miyazawa, Mark Waid, Humberto Ramos
Já disse que adoro a Kamala, e me divirto tanto a segui-la, e este volume não foi excepção, continua a história da protagonista como super-heroína em treino, e segue-a na sua vida normal, no dia-a-dia.

As histórias contidas neste volume resumem-se em três pontos. Uma primeira com a aparição do Loki, que vem investigar os recentes acontecimentos em New Jersey e acaba a causar o caos num baile de S. Valentim da escola da Kamala, que esta tem de resolver. Foi muito divertido vê-los confrontarem-se, e ainda melhor ver a resolução do conflito.

O segundo enredo foca-se num jovem de herança cultural semelhante à da Kamala, e ao contrário do que ela esperava, acaba a desenvolver uma paixoneta. Foi muito interessante vê-la a debater-se com este tipo de sentimentos, porque aqui aparece-lhe alguém que tem tanto em comum com ela, mas ao mesmo tempo a situação descarrila, e quero ver como a Kamala lida com um coração partido. (Ou vá, machucado.)

Ainda neste ponto tenho a destacar a atitude do Aamir, o irmão dela. A sua caracterização tem sido enganadora, ele parece um tolinho demasiado religioso, e aqui os autores dão volta ao potencial cliché e mostram-no com uma pessoa com um bom discernimento de como as coisas funcionam, e a conversa dele com o Bruno foi fascinante de ler.

O último ponto da narrativa é um número da revista S.H.I.E.L.D., em que a Kamala intervém. Achei piada descobrir que esta revista pegou nos personagens que vêm da série de televisão e está a desenvolvê-los nos comics; neste aparecem o Agente Coulson e a Jemma Simmons. Gostei de a ver trabalhar em equipa com a Ms. Marvel, e de ver os seus problemas e como reflectem os da Kamala. (Só acho que é um bocado ridículo a profissão fictícia que a S.H.I.E.L.D. lhe arranjou. Tenho a certeza que podiam ter inventado algo melhor.)

Quanto à arte, os desenhadores mudaram, mas mantêm o estilo divertido e cartoonesco anterior, especialmente com ajuda das cores, que são feitas pela mesma pessoa, parece-me, por isso continuo a gostar bastante. Destaque para Takeshi Miyazawa, que tem um estilo um pouco mais realista que anteriormente, mas supergiro e igualmente expressivo.

Saga vol. 4, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Bem, este é claramente um volume de ligação. Não tem muitos momentos de acção, tem uma narrativa mais pausada e introspectiva, e por isso acaba por ser a ponte entre dois volumes que serão mais dinâmicos. O que em si não é mau, até se torna interessante de seguir, mas também me permitiu encontrar um problema com a estrutura narrativa da série que pode vir a tornar-se um obstáculo.

E esse problema é essencialmente o enquadramento do enredo com a narrativa duma Hazel mais crescida, algures no futuro. Primeiro, porque esta narrativa e comentários da Hazel do futuro me dão vontade de a conhecer, dá a sensação que é uma pessoa interessante e quem sabe com muitas aventuras próprias. (O que é bom.) O mau é que esse ponto no futuro é incerto, sabe-se lá se alguma vez o veremos, e isso frustra-me.

Além disso, sendo a Hazel a sua própria pessoa, custa-me que essencialmente esteja a contar as histórias de outros. Não é que estas histórias de outros não estejam ligadas à sua, mas o enquadramento narrativo faz por vezes tangentes, e acaba por não ser já *só* a sua história. E atenção, eu divirto-me imenso a seguir os personagens secundários, e louvo o modo como os autores os têm caracterizado e nos feito preocupar com eles.

Segundo, este enquadramento narrativo da Hazel faz com que os autores introduzam por vezes iscos narrativos baratos para nos manter o interesse, e que eu acho completamente desnecessários. Exemplo muito vago para não spoilar completamente: a certa altura deste volume a Hazel faz um comentário sobre os pais. Esse comentário foi escrito com o intuito de nos fazer pensar que é uma coisa grave, porque a interpretação mais óbvia é essa.

No entanto, o comentário pode ser interpretado duma forma menos grave e menos permanente, e até pode ser interpretado num sentido bem diferente. O que posso concluir é que o comentário é formulado de propósito para nos chamar e manter a atenção, só que o problema é que não precisam. O resto da narrativa já faz um bom trabalho nesse aspecto. E daí a minha queixa de que é um artifício barato e preguiçoso.

Daqui também resulta a minha observação de que a Hazel está a contar algo em segunda ou terceira mão, algo que não aconteceu directamente com ela ou de que ela não se lembra porque é demasiado pequena. E portanto, em teoria aquilo que conta pode bem ser uma versão truncada dos acontecimentos, colorida pela percepção de quem lhe contou. (E pronto, aqui eu já estou a teorizar demais sobre isto, eu sei. Mas o raio do volume fez-me pensar. Não posso ler coisas com menos acção que me dá para a filosofia.)

Enfim, estou eu aqui a (aparentemente) queixar-me, mas não é bem assim. Continuo a gostar imenso da história, apenas o seu teor mais calminho proporcionou-me espaço para reflexão acerca da estrutura narrativa, que na prática gosto, mas também consigo ver os potenciais problemas que pode vir a trazer.

Outros pontos a destacar neste volume: ver a família protagonista a ser uma família, com problemas de família, como qualquer um. A fuga constante até agora não lhes tinha permitido agirem como pessoas normais, e mesmo que isso arranje uma série de sarilhos de natureza diferente dos que têm acontecido até agora, é cativante ver este pessoal a fazer asneiras como qualquer um de nós, mesmo quando me dá vontade de os esganar por estarem a agir parvamente.

Mais: a Klara e a Izabel são fantásticas, e só tenho pena de não ver mais delas. (Mas os poderes da Izzy estão a desenvolver-se, estou a gostar de ver.) A Sophie e a Gwen estão numa demanda, e promete. (E sou só eu ou o Lying Cat tem os dois olhos sãos? A Klara não lhe deu cabo de um no volume 3?) Até vemos um bocadinho dos jornalistas do volume anterior, coisa que eu passei este volume todo a pedir. E gostei de conhecer mais recantos deste universo, e de como funcionam.

Coisas menos boas: bem, o The Will está maioritariamente desaparecido, o que quer dizer que a história dele, da Gwen e da Sophie está em stand-by... e a parte dos robots ainda é a que menos me interessa. Ainda estão demasiado pouco desenvolvidos, gostava de saber como funciona a integração biomecânica da sua anatomia, e como a sua sociedade funciona. Ainda lhes falta qualquer coisa que os humanize, ou os torne interessantes a meus olhos, como aconteceu praticamente com o resto do elenco.

Arte: já disse que gosto, a Fiona Staples é suficientemente expressiva para mim, e gosto de como desenha certas coisas, e ainda mais de como pinta. E também acho um piadão a como não tem pudor em desenhar de tudo. A primeira página do livro é o nascimento de um robotzinho de perto, mesmo de perto, e eu passei 10 minutos a olhar para aquilo a tentar perceber o que estava a ver.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Curtas: BD

Lumberjanes vol. 1: Beware the Kitten Holy, Noelle Stevenson, Grace Ellis, Shannon Watters, Brooke Allen
Este livro é totalmente adorável. Já tinha ouvido falar tanto dele, mas não tinha uma ideia muito clara do que esperar, por isso ainda bem que me arrisquei. A história passa-se num campo de férias para meninas, ahem, hardcore lady-types, como o texto se refere ao grupo e ao campo, e conta as aventuras de um grupo de 5 jovens.

Só que a piada dessas aventuras é que têm um pendor sobrenatural, com serpentes marinhas gigantes, raposas com três olhos, e estátuas falantes, num misto de várias coisas que gosto de ler (ou ver), tudo no mesmo produto artístico, e isso é tão divertido. Quase que podíamos argumentar que tanta aventura é produto da imaginação das meninas, se não fosse a monitora delas aparentar ficar ciente dos monstros no fim deste volume.

O enredo corre bem, com um misto de aventuras e momentos mais calmos, alturas em que cada rapariga pode brilhar por mostrar uma capacidade que tem (afinal, isto é um campo de algo parecido com escuteiras, e têm de ganhar badges por certas capacidades que demonstram), e pontos em que descobrimos mais um pouco sobre elas e sobre o mistério geral no centro de Lumberjanes (o meu único problema é ainda não termos uma ideia muito clara do que se passa, detesto não saber já).

Gostei bastante de conhecer as várias jovens protagonistas, ficamos com uma pequena ideia das suas personalidades e relações, mas estou com vontade de as conhecer melhor, acompanhá-las foi uma delícia. A arte é exuberante e colorida e uma delícia para os olhos, e pontos-bónus para esta edição - com folhas mais grossas que o normal para estes livros, e com muitos extras de capas variantes para os vários números presentes no volume.

Rat Queens vol.1: Sass and Sorcery, Kurtis J. Wiebe, Roc Upchurch
Outro livro acerca do qual não sabia bem o que esperar, e outro que me surpreendeu. Basicamente os autores pegam em todos os clichés dos livros e jogos de fantasia que se lembraram, e comentam-nos e gozam com eles, e viram-nos ao contrário para criar uma história que provavelmente vai agradar mais se o leitor tiver algum conhecimento do género, para poder rir-se com as piadas internas inseridas na narrativa.

E a sério, só os arquétipos e raças neste são por demais engraçados de ver explorados. As protagonistas são uma elfa feiticeira, uma anã guerreira, uma humana clériga e uma smidgen/halfling/hobbit/whatever ladra. Só aí as expectativas sobre elas são esmagadas, com a clériga a ser também ateia, ou a ladra a ser uma hippie de primeira, com uma queda por doces e drogas.

As aventuras em si são bastante engraçadas e cativantes de acompanhar - alguém anda a tentar matar grupos de mercenários, e as protagonistas são um deles, e tentam safar-se das tentativas de assassinato ao mesmo tempo que procuram o culpado. Os personagens secundários e até a maneira como as aventuras decorrem fogem ao conhecido para o género, e adoro o sentido de humor embutido na narrativa e nos diálogos.

Gosto ainda mais de ver um grupo de mulheres mercenárias, femininas, com diferentes estilos e perspectivas de vida, a divertir-se, matar coisas por dinheiro, e com uma saudável perspectiva sobre sexo. Creio que tenho uma inclinação maior para a Dee, só porque ela no fim do livro na festa estava tão desconfortável na festa, agarrada ao seu livrinho e com uma disposição "não me chateiem". Mas na verdade gostei de todas, e apreciei as suas diferentes personalidades.

Saga vol. 3, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
É assim, eu já comentei Saga por duas vezes aqui no blog, não sei se tenho muito a acrescentar. Grande parte das coisas que disse continuam a aplicar-se. É uma história que cada vez mais vai ganhando tracção, e está numa parte particularmente cativante e interessante. As histórias dos vários personagens cruzam-se finalmente, e beeeeem, é explosivo. (Quase literalmente.)

Achei bem interessante ver os desafios que se põem à Alana, ao Marko e à Hazel como família, e o que se perfila e se espera para eles no futuro, e achei tão engraçado ver a Klara e o Oswald darem a volta à geração mais nova. Para além disso, aprecio como os autores estão a conseguir desenvolver quase todos os personagens, fazendo o leitor preocupar-se com o que lhes acontece.

Velvet vol. 2: The Secret Lives of Dead Men, Ed Brubaker, Steve Epting, Elizabeth Breitweiser
Neste segundo volume da intriga em torno de Velvet, a protagonista volta a casa, em Londres, para perseguir mais umas pistas relacionadas com o mistério que investiga, e no qual foi implicada como bode expiatório.

Acho que a parte que eu gosto mais destes livros é a intriga de espionagem, as facadinhas nas costas entre gente deste meio, os segredos e mistérios, a incerteza do que vai acontecer e de quem temos à frente. E também o perigo associado à missão de Velvet, os planos malucos de espião que usam coisas tão básicas da natureza humana para funcionar, e o drama presente derivado de tudo o que aconteceu no passado.

Parece que estou a ver um episódio de Alias, uma série que eu adorava ver, e por isso digo-o no sentido de elogio. Essa série também conseguia ser bastante retorcida e cheia de reviravoltas. Neste volume, adorei ver como a fasquia sobe mais um bocado, a intriga revela-se ser mais profunda que o esperado, e a Velvet, apesar de ser quase sobrehumana nas suas capacidades, vê-se ultrapassada por alguém que joga este jogo ainda há mais tempo que ela.

Os pontos de vista espalham-se a outros personagens, o que dá uma imagem mais geral da coisa, mas também permite avaliar a genialidade da Velvet, na maneira como manobra a perseguição que lhe é feita, e se escapa entre os pingos da chuva. Espiões a enganar espiões é tão divertido.

O enredo avança com uma velocidade furiosa (heh, nada a ver com o filme), nem dando tempo para respirar, e levanta mais uma pontinha do véu deste mistério, ao mesmo tempo que coloca mais perguntas e mostra que isto é bem mais profundo que inicialmente se apresentava. A narrativa joga bem com as personalidades e tropes de espiões, e é um gosto acompanhar, nunca se torna confusa.

A arte é fantástica, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser combinam traço e cor para apresentar uma imagem bem realista e cinematográfica, conjurando uma atmosfera bem adequada a uma história de espionagem dos anos 70. No entanto, não gosto muito da capa (deste e do anterior). Sei que está a tentar conjurar um estilo de época bem explorado, mas é mesmo por essa razão que sei que é possível fazê-lo sem parecer uma confusão pegada. Aqui não há ligação entre imagens, está tudo ali a flutuar sem nexo.

sábado, 13 de junho de 2015

Curtas: Hawkeye, Saga, Outcast

Hawkeye vol. 2: Little Hits, Matt Fraction, David Aja, Steve Lieber, Ron Lim, Francesco Francavilla, Annie Wu
Oh, céus, cada vez gosto mais desta série. O Clint Barton é um totó ensarilhado, e só faz asneira, e precisa de pôr ordem na vida dele, mas é tão divertido ler sobre as suas aventuras. Este volume reúne um conjunto de histórias stand-alone, enquanto combina um arco de história maior, que apenas começou a ser desenvolvido, estando em aberto para evoluir em direcções bastantes interessantes.

Uma das razões pelas quais tenho apreciado tanto a narrativa nesta série é porque os autores usam formas incomuns de contar a história, de montar a sua evolução, o que consegue cativar-me e manter o meu interesse. O primeiro número deste volume segue separadamente o Clint e a Kate Bishop, enquanto enfrentam a Natureza implacável. O segundo conta uma história de Natal inusitada, cheia de problemas mesmo à escala do Hawkeye, e usa uma moldura de saltos temporais para manter as coisas interessantes.

Os números seguintes usam num o enquadramento de capas de comics com um tom romântico para contar a história, e noutro mudam a narrativa para a perspectiva das mulheres na vida do Hawkeye, o que se torna engraçado e fascinante de acompanhar. (Foi uma das minhas partes favoritas. E já agora, a Kate Bishop é a melhor.) Outro número segue um assassino que persegue o Clint, e o último é o melhor de todos: mostra a perspectiva do Lucky, o cão do Hawkeye, sem praticamente palavras, apenas acções, e o modo do cão de ver o mundo. E surpresa, a história faz fantasticamente sentido, e continua o arco de história maior da série.

A arte de David Aja continua bem interessante, com montes de opções multifacetadas, um leque variado de modos de contar uma história; e ainda bem complementada pelo trabalho de cores, a tender para o monocromático e para o foco numa cor ao longo de um número da revista.

O primeiro número deste livro tem um outro par de artistas, mas não sou totalmente fã, especialmente por causa de como desenham as caras. Francesco Francavilla desenha outro número, e o seu estilo mais escuro é perfeitamente adequado ao tom, mas achei a história meio confusa, particularmente na narrativa do vilão, e gostava que a sua figura tivesse ficado mais bem esclarecida.

Saga vol. 2, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Sim, falem-me de cliffhangers. Este livro tem o maior deles todos! Argh, e eu que estava a passar um bom bocado. Era preciso isto? Grrr. A única coisa boa disto tudo é que não tenho de esperar muito para ler o próximo volume. A coisa má é que já nem me importava muito com os cliffhangers, e agora lembrei-me que, por defeito, não sou fã.

À parte disso, foi uma boa leitura. Uma óptima leitura. O primeiro volume era de iniciação, de apresentação do mundo, e por isso em partes a história é um nada mais frágil. Mas aqui, aqui a história é uma máquina bem oleada, com foco e propósito. Consigo vê-la perfeitamente trabalhada, e dá gosto ver.

A minha parte favorita deste arco é o foco na família. A de sangue, e a que construímos por nós próprios. Adorei conhecer os avós da pequena Hazel, que são dois personagens fascinantes, e torna-se cativante seguir a luta desta família, a Alana e o Marko e a pequena Hazel, pelo direito a ser uma.

Há um par de números no meio deste livro que seguem os outros personagens da narrativa; e se por um lado aprecio conhecê-los melhor - gostei bastante da parte da história à volta do The Will, mas ainda não gosto por aí além dos robots -, por outro é stressante ver a situação desta família ficar suspensa e ver dedicar um número aos outros personagens. Não me deixem pendurada, pessoal! Estou a ficar investida nisto, e dá-me uma coisa má ao ficar pendurada.

A arte de Fiona Staples é fantástica, nem que seja porque consegue desenhar todo o tipo de coisas bizarras e fantásticas para este universo, e torná-las completamente credíveis e nada (vá, só um bocadinho) estranhas. E gosto muito do aspecto que ela dá às coisas, cores incluídas.

Outcast vol. 1: A Darkness Surrounds Him, Robert Kirkman, Paul Azaceta
Esta foi uma leitura que me deixou impressões contraditórias. Li apenas um volume de The Walking Dead, por isso não sabia bem o que esperar de Robert Kirkman, e por isso fui com uma mente aberta para a leitura, e no fim de contas saí dela ao mesmo tempo frustrada e satisfeita.

Satisfeita porque a ideia é muito boa. O protagonista, Kyle Barnes, tem um percurso de vida absolutamente dramático, é totalmente um coitadinho, e que interessante é por vezes acompanhar os coitadinhos e danificados. Aquilo que é sugerido da sua história é bastante curioso, e também gostei de desvendar o pouco que é apresentado da mitologia deste mundo, de como as coisas funcionam, os exorcismos e as possessões, e o poder que Kyle tem neste mundo.

Frustrada porque, bem, aquilo que é apresentado do que se está realmente a passar é muito pouco. A história anda a passo de caracol, e se bem que não desgosto do tom contemplativo (que apesar de tudo, os autores conseguem manter o interesse do enredo), também gostava que andasse um pouco mais depressa, mesmo que fosse para apresentar mais perguntas que respostas. Ao menos estava a andar e apresentar mais detalhes deste mundo, saciando-me a curiosidade.

A arte é mais ou menos interessante. Um pouco estranha, nas caras, mas tenta usar as vinhetas duma forma engraçada, destacando pequenos detalhes das cenas. Não resulta tão bem nas cenas de acção, em que confunde as coisas, mas de resto é um bom detalhe. As cores são fantásticas, mas se bem me lembro já conhecia a colorista de Velvet vol. 1, e continuo a gostar do trabalho dela.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Curtas: Siege, Batwoman, Saga

Siege: Embedded, Brian Reed, Chris Samnee
Siege: Embedded reconta os eventos de Siege/Cerco sob o ponto de vista de alguns jornalistas que seguem o conflito entre as forças da HAMMER e de Asgard. (Daí o título, Embedded significa um jornalista que acompanha uma unidade militar durante um conflito armado.)

Segue o já conhecido Ben Urich enquanto tenta compreender a verdade dos eventos que ditaram o ataque a Asgard, e tenta infiltrar-se nas forças da HAMMER para descobrir o que move Norman Osborn. É acompanhado por um amigo jornalista, Will Stern, e o seu caminho cruza-se com Todd Keller, um daqueles jornalistas que ganham a vida a criticar tudo e a oscilar conforme o vento sopra. (No caso presente, criticava os VIngadores e a presença de Asgard, e lambia as botas ao Norman Osborn. O que só torna hilariante a reviravolta dele no fim.)

A narrativa não é muito focada, e o Ben Urich anda ali um bocadinho dum lado para o outro meio perdido, mas a história faz o seu trabalho: criticar o jornalismo parcial, a manipulação dos eventos por parte de quem está no poder, como o Norman Osborn, e a tentativa de impedir os jornalistas de fazerem o seu trabalho - reportar os eventos.

Não sou a maior fã da arte no que toca aos detalhes, porque a desenhar caras e coisas do género é demasiado detalhado e facetado (no que toca a sombras e cores), dando-lhe um ar estranho. Este tipo de arte acaba por funcionar melhor nos grandes planos e cenas de acção.

Batwoman vol. 1: Hydrology, J.H. Williams III, W. Haden Blackman
Batwoman: Hydrology continua a história começada em Batwoman: Elegia. A operar em Gotham, a Batwoman chama a atenção do Batman, que no primeiro número deste volume tenta confirmar as suas suspeitas sobre a identidade dela. Entretanto, Kate Kane torna-se uma espécie de mentora para a prima, Bette Kane, que usa o nome de código de Flamebird como super-heroína, para se certificar que a Bette tem o treino adequado.

Pelo meio, Kate continua a debater-se com os eventos de Elegia, a tentar entender o que descobriu sobre a sua família, mas com dificuldade em obter alguma paz acerca disso. Entretanto, novos antagonistas perfilam-se no horizonte, enquanto a Batwoman enfrenta um vilão sobrenatural responsável pelo desaparecimento de uma série de crianças.

É fascinante seguir a história da Kate, porque nada é ou foi fácil na vida dela, e ela reage de maneira curiosa, toma uma posição estóica e continua a caminhar, a esforçar-se para encontrar o vilão e salvar as crianças. Psicologicamente é muito interessante, porque ela foi educada num ambiente militar, cresceu para se tornar um soldado, e isso afecta a sua postura como Batwoman. Por um lado, é o que a torna numa boa integrante da Batfamília, mas por outro temo que a não exteriorização dos problemas a sufoque.

E pronto, isso é a razão pela qual tenho achado cativante o que tenho lido até agora da Batwoman. Uma heroína multifacetada, com imensas nuances a serem exploradas, vários fios de enredo a serem abordados, e a noção de que a vida real é chata e complicada, e uma dose de realidade não faz mal a ninguém. A Kate faz um monte de asneiras (afastar a prima, que resulta nesta ser atacada, ou deixar-se descobrir e à sua identidade pelo DEO), mas continua decidida a resolver as coisas.

Em termos de história, o vilão é um pouco estranho, porque é algo sobrenatural, algo que não associaria definitivamente a Gotham, mas creio que a Batwoman tem na sua história passada este tipo de coisa, por isso apenas vou dizer que não sou completamente fã de deixar o destino das crianças em suspenso. Fora isso, estou pelo menos intrigada com o que vai acontecer.

A arte, já o disse, é cativante e tão diferente. Todo o trabalho de planeamento das pranchas, a organização incomum das vinhetas, o dinamismo dado às cenas de acção, a dualidade entre a vida civil da Kate e a vida de luta contra o crime da Batwoman... gosto mesmo.

Saga vol. 1, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Eu juro que tentei mesmo resistir a dizer isto, mas bolas, não consigo, por isso cá vai: tenho a ideia que Saga podia ser um irmão de Daughter of Smoke and Bone se este se passasse no espaço e começasse com a Karou e o Akiva casados e à espera dum filho. (Quem me dera. Mal tive direito a um momento feliz com eles, bolas, a Laini Taylor sabe mesmo como nos fazer sofrer.) Adiante.

É definitivamente uma história engraçada. Uma premissa aparentemente tão simples dá num instante origem a uma série de ramificações e damos por nós a seguir um conjunto variado de personagens. O nascimento de um bebé, o filho de um casal composto por elementos de dois povos rivais, acaba por ter efeito na vida de muitos outros personagens, pois uma série de gente lança-se na procura desta família, com o objectivo de os capturar e exterminar - enquanto a Alana, o Marko e a pequena Hazel apenas querem ter um cantinho a que chamar de seu onde viver em paz.

Este primeiro volume narra como esta família tenta fugir aos seus perseguidores, e faz um belo trabalho a apresentar como este mundo, ou universo, melhor dizendo, funciona. Há toda uma série de coisas que dá gosto descobrir, todo um conjunto de idiossincrasias que é fascinante conhecer, e as ilustrações fazem um trabalho fantástico de combinar o exótico e o bizarro com o familiar (bem, talvez faça uma excepção aos cabeçudos-televisões - esses são apenas mesmo estranhos, mas a mercenária-aranha compensa, que é bizarra, mas no bom sentido).

A única coisa de que me posso queixar é que sendo o primeiro volume, a história está muito no início, há muita coisa que é apresentada mas que eu quero ver mais explorada. Sim, é superinteressante a fantasma adolescente que só tem metade do corpo, ou o mercenário com uma consciência, mas quero ver mais consequências da sua intervenção na história. Ah, e terminar o livro daquela maneira é pura maldade. Mas o que é que vem a seguir???

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Colecção Heróis Marvel Série II #6-10

Dr. Estranho - O Juramento, Brian K. Vaughan, Marcos Martin, Stan Lee, Steve Ditko
O volume contém algumas histórias mais antigas do Doutor, sobre as suas origens, o que dá alguma contextualização do personagem, mas que não se destacam especialmente.

Quanto à história titular, a arte agradou-me, colorida e dinâmica. As origens do Dr. Estranho são recuperadas, para explicar o título e as suas acções ao longo da história. A ideia por trás é boa, se bem que convoluta, por vezes. O Dr. Estranho enfrenta um inimigo místico e ao mesmo tempo ambientado num mundo bem real, em que um elixir milagroso o faz pesar a vida um contra a vida de muitos, relembrando-o do seu juramento de Hipócrates.

Homem-Aranha - Reino, Kaare Andrews
Uma história sombria para o Homem-Aranha. Estranho, mas ao mesmo tempo faz sentido. O Homem-Aranha tem um sentido de humor hilariante, mas ao mesmo tempo um percurso de vida trágico, e sempre pus a possibilidade de o seu futuro ser um triste futuro. Não tão tenebroso, mas é uma história de futuro alternativo, com tendências distópicas, cativante.

É deprimente ver o Peter no estado a que chegou, velho, senil, preso no passado. As coisas mudam quando alguém do passado lhe traz a velha máscara. (A propósito, foi engraçado ver esse personagem ainda rijo e mal-humorado.) A piada da coisa é que mal põe a máscara, o Peter recupera o sentido de humor. (Fiquei traumatizada com o ter visto o Peter velhote de máscara e boxers, lol.)

O aspecto distópico e a arte sombria conjuram uma história com preocupações actuais que me agradou ler. É um volume que vale muito a pena, um dos melhores da colecção.

Demolidor - Renascido, Frank Miller, David Mazzucchelli
Uma magnífica história de redenção e renascimento para Matt Murdock, que depois de ter caído o mais fundo possível tenta voltar a erguer-se. Muito boa, foi terrível seguir as sucessivas tragédias que aconteciam ao Matt pela mão do Rei do Crime, cujo alcance chega a todo o lado. (O que é assustador de ver, na verdade, quantos cordelinhos o homem consegue puxar.) O próprio Rei do Crime é um personagem interessante de seguir, pela extensão vingativa com que persegue o Matt Murdock ao descobrir que este é o alter-ego muito incomodativo (para o Rei do Crime) Demolidor.

Outra personagem que me cativou, apesar de a odiar no início por ser ela a traidora que dá o nome do Demolidor a um tipo qualquer por uma dose de droga, é a Karen Page, que se redime pela tenacidade com que tenta voltar a Nova Iorque, para avisar o Matt da palermice que fez. Destaque ainda para a arte, que me fez esquecer o ano em que foi feita, e que repete alguns motivos que se relacionam com a história.

Wolverine - Arma X, Barry Windsor-Smith
Adoro, adoro a arte deste senhor. O uso das cores é fabuloso, especialmente numa época em que ainda havia alguma restrição nas mesmas devido à impressão. O trabalho para criar pontos de luz e sombras é fantástico.

Mais uma história que desvenda um bocadinho as origens do Wolverine, mostrando-nos exactamente o que lhe aconteceu no programa Arma X, como adquiriu o esqueleto de Adamantium, e as experiências a que foi submetido. Contado do ponto de vista dos cientistas, tem um ritmo lento e levanta mais perguntas do que dá respostas. Só me falta ler alguma coisa da ligação japonesa do Wolverine.

O fim do volume conta ainda com a republicação duma história do mesmo autor que já conhecia através da série Clássicos da BD do Correio da Manhã, mas aqui em tamanho original, e num volume de luxo. Gostei e pude relembrar partes da história que já me tinha esquecido.

Novos Vingadores - Guerra Civil, Mark Millar, Steve McNiven
Uma história produto do dias de hoje, que obriga os super-heróis a reflectir no seu papel no mundo e os põe em lados diferentes da barricada no que toca às suas liberdades e responsabilidades. É um evento que se expandiu por vários títulos do universo Marvel, para além de ter direito a revista própria, cujos números são reunidos neste volume.

A história aguenta-se bem por si mesma, mas por vezes fazem-lhe falta as histórias laterais, passadas nos títulos de cada super-herói. As decisões do Homem-Aranha durante a saga, em particular, parecem um bocado descabidas se não se for lendo as revistas do super-herói, o que pude fazer há uns tempos com as revistas da Panini brasileira. A narrativa levanta algumas questões interessantes, mas o fim foi algo anti-climático.