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domingo, 9 de junho de 2013

Reached, Ally Condie

This book was read for the 2013 Don't Let It End Reading Challenge hosted by Fiktshun. (Scroll down for the review in English, please.)


Opinião: Esta é uma opinião não muito fácil de escrever. Não porque não gostei do livro - pelo contrário. Adorei. Deixou-me a pensar e a revirar pedacinhos da história na minha cabeça nos últimos dias. Tenho tido dificuldade em deixá-lo partir, porque me deixou melancólica e focada em grande parte da narrativa.

Não é um livro que vá exactamente pelo caminho que eu imaginava que iria. Até nisso a Ally Condie volta a surpreender-me. A sua escrita e o seu modo de contar histórias presta-se a um ritmo calmo, e o tema que escolheu abordar no livro acaba por ser muito adequado no contexto da trilogia. A obsessão por um estado perfeitamente saudável da Society vira-se contra ela. E fica a reflexão sobre o quão facilmente as maravilhas da ciência podem ser deturpadas para fins nefastos, nas mãos erradas.

Sempre suspeitei que o Rising não fosse melhor que, ou muito diferente da Society. (Diz a sabedoria popular que "de boas intenções está o inferno cheio", e que bem que esta expressão se aplica ao Rising.) Até é quase hilariante o quão verdade essa apreciação era. Sim, acredito que as intenções do Rising eram boas, quando foi formado, mas com o tempo a sua mensagem e desígnio foram deturpados - de tal maneira que terminei a história a perguntar-me se teria valido a pena, tudo o que aconteceu, em troca de um novo estado de coisas que nada promete, e tudo deixa em aberto. Assim é a natureza humana, e a maneira como a autora expõe isto no livro confere-lhe uma maturidade que não esperava.

A história termina com uma nota de esperança. Fiquei muito contente em ver com os meus próprios olhos a Cassia e o Ky conseguirem o seu pedaço de mundo, aquele que se esforçaram em moldar conforme os seus sonhos, pelo qual lutaram e sofreram para poderem ficar juntos. Se há coisa que é uma constante durante a trilogia, são estes dois, e não há par de personagens que mereça mais um final feliz.

Por outro lado, há personagens que sonham e desejam, mas não conseguem atingir o que querem. E os seus percursos, especialmente neste livro, são permeados por uma sensação de perda de inocência, de pesar e de exaustão com tudo o que o mundo lhes atira. Falo da Indie, da Lei, ou do Xander (até me sinto um bocado mal de ter malhado tanto no Xander no segundo livro, coitado, mas a culpa é dele, o comportamento dele era meio suspeito). Dois deles têm a esperança de algo melhor (até acho que a Ally exagerou nessa esperança), mas o fim da Indie é tão triste. Tinha-me afeiçoado ao seu feitio, e achava que ela ia conseguir fazer algo em grande.

Esta trilogia surpreendeu-me com o quanto me fez gostar dela. Tem os seus momentos que convidam à reflexão, gostei do estilo, dos temas escolhidos e do modo de construção da história da Ally Condie, e conseguiu manter-me cativada e ansiosa por descobrir o destino dos personagens durante os três livros.

Páginas: 528

Editora: Dutton (Penguin)

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My thoughts: This is not an easy collection of thoughts to write. Not because I didn't enjoy the book - on the contrary. I loved it. It made me think and I was left turning around little pieces of the story in my head for the past few days. I've had some difficulty in letting it go, because I was sad and so obsessed through so much of the story.

It's not a book that takes the predictable path. Ally Condie does manage to surprise me. Her writing and her storytelling are more slow paced, and the themes she chose to introduce this time are quite adequate in the trilogy. Society's obsession with health and a completely healthy status turns against itself. And one is left thinking about how easily science's wonders can be perverted into nefarious ends in the wrong hands.

I always suspected that the Rising could be no better than the Society. (It is said that "the road to hell is paved with good intentions", and how well this applies to the Rising.) It's almost funny, how true this was. I do believe the Rising's intentions were good, when it was created, but their message and purpose were perverted - I finished the book wondering if it was worth it, all that happened, in exchange for a new state of affairs that promises nothing, and leaves everything in the open. Such is human nature, and the way the author exposes this gives Reached a maturity I didn't expect.

The book does finish with a hint of hope. I was glad to see with my own eyes Cassia and Ky getting their little piece of the world, the one they tried to create from their dreams, the one they fought for and suffered for, in order to be together. They're the one constant throughout the books, and there's no one who deserves more an happy ending.

On the opposite side of this, there are characters who dream and wish for everything, but can't get what they want. And their paths are filled with a sense of loss of innocence, of grief and exhaustion at everything life throws at them. I speak of Indie, and Lei, and Xander (I kinda feel bad for thrashing him so much in Crossed, but really, his behaviour was so suspicious then). Two of them have the hope of something better (I think Ally exagerated that), but Indie's ending is so sad. I had warmed up to her and her temper, and I was convinced she was going to be big.

This trilogy surprised me with how much I loved it. It has moments that make you think, I liked the style, the themes and the way Ally Condie created the story, and how she kept me captivated and anxious to find out what was going to happen to these characters during the three books.

Pages: 528

Publisher: Dutton (Penguin)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Crossed, Ally Condie


Opinião: Após o final de Matched, Cassia enfrenta em Crossed dois grandes desafios: escapar das garras da Society para encontrar o Ky, enviado para a morte nas Outer Provinces; e lutar por um futuro com o Ky, quando certamente a Society não lho permitirá.

Neste volume, a história expande-se para além da vida confortável que Cassia tinha na Society, e mostra-nos a vida fora da mesma. Existem pessoas que vivem fora da Society, vivendo em desfiladeiros e outros locais de pouco acesso pelos Officials, e há todo um sistema de vida muito diferente do que aquele que a Cassia conhece. E ao mesmo tempo, quase que diria que a autora legitima uma parte da vida que a Society oferece (a de uma sociedade organizada e com posses para proteger os cidadãos), ao mostrar-nos as dificuldades que os aldeões que vivem no meio da Natureza têm.

É ingrato ser um segundo livro duma trilogia. Posso dizer que nos grande esquema das coisas (isto é, tentar derrubar o modo de vida da Society), a história não avança muito, mas termina num ponto em que permite ao terceiro livro avançar mais neste aspecto. Por outro lado, a história dá um salto em termos de personagens. A Cassia fica a conhecer outros modos de vida, sabe que há outras opções para além da Society e perde (espero eu) algumas das ilusões que tem acerca da mesma. Diria que está melhor preparada para criar e lutar pelo mundo que quer ter, se a Society vier a ser derrubada.

Quanto ao par Cassia e Ky, é bom vê-los fora das garras da Society. Ainda não têm a liberdade que gostariam, mas podem (re)conhecer-se sem constrangimentos, e assim solidificar a sua relação. Adorei ler o seu reencontro, foi muito emocionante e adorável. E têm uns momentos juntos fabulosos. Gostei muito de poder ter um POV do Ky neste livro, que divide os capítulos da história com a Cassia, porque deu para conhecê-lo melhor e perceber como é como pessoa, como funciona, como é o seu passado, o que pensa das coisas. E gosto de ver a sua atitude em relação à Cassia - adora-a e respeita-a, e faz tudo por ela, apesar de não concordar com uma certa decisão dela.

Quanto a outros personagens, gostei bastante do grupo que gerou em torno da Cassia e do Ky - a Indie, o Vick, e o Eli, mas por razões de enredo, não devemos voltar a ver alguns deles, o que me causou pena. Adorei o Eli, um miúdo tão fofo, gostei muito da maneira como o Vick se relacionava com o Ky, e gostei do pragmatismo da Indie. Para além disso, o Xander aparece uma vez, e passamos metade da história a falar dum suposto segredo que ele tem, e é-nos revelada alguma informação acerca dele inesperada, mas não sei, não é uma personagem que sinta como significativa. Acho que a Ally tentou dar-lhe algum interesse como personagem com estas coisas, mas ele precisava de mais para ser um protagonista de direito próprio, ou um competidor a sério no pseudo-triângulo-amoroso-que-pode-ou-não-existir.

Agora que nos foi apresentado finalmente aquilo que tem o potencial para mudar a sociedade em que os personagens se inserem, imagino que no terceiro livro vejamos os personagens no centro da Society, a tentar enfraquecer as suas estruturas de dentro. E que, potencialmente, vai haver uma mudança no estado das coisas. Mas não consigo prever mais do que isso, até porque a Ally Condie tem um estilo contemplativo que é algo imprevisível, por isso tudo pode acontecer no terceiro livro, Reached.

Páginas: 384

Editora: Dutton (Penguin)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Matched, Ally Condie


Opinião: Foi uma leitura agradavelmente surpreendente. O título e a sinopse dão uma ideia algo errada da narrativa, como se esta fosse ficar fixada na ideia das Matches e do que acontece quando algo não corre bem nas mesmas. Na verdade, o erro nas Matches aludido na sinopse é apenas o motor para a personagem principal, Cassia, começar a ver com outros olhos toda a sua vida e a sociedade onde se insere.

De certo modo, é uma história mais subtil e serena do que outras que tenho lido no mesmo género. Por um lado, pela escrita mais lírica, cheia de imagens visuais lindas. Mas também pelo lento desabrochar de Cassia, que inicialmente acredita na Society e no que esta lhe destina. E porque não havia de acreditar? A Society funciona à base de probabilidades, calculando qual é o melhor par para cada um, qual o emprego mais adequado a essa pessoa, e qual a idade óptima para morrer. Não há doenças, e todos os aspectos da vida de uma pessoa são controlados de modo a garantir um estado de saúde perfeito - o tipo e doses de comida, as horas de entretenimento, os tipos de entretenimento disponíveis... parece quase perfeita.

Palavra-chave: parece. É insidiosa, no modo como parece perfeita e tão bem organizada. Dá às pessoas a medida certa de liberdade para não questionarem as escolhas que a Society faz para elas. Mas à medida que Cassia vai despertando para as falhas na Society, também nós vamos descobrindo problemas com esta. As pessoas não sabem escrever à mão. (Desde crianças que trabalham com uma espécie de tablet, porque haveriam de o saber?) A cultura foi resumida a 100 poemas, 100 músicas, 100 obras de arte... tudo o mais foi destruído, e estas pessoas nunca o conhecerão. E é com o erro na sua Match que Cassia começa a aperceber-se de todos os erros, todas as manipulações, toda a influência que a Society tem na sua vida.

Gostei de ver como a ligação entre a Cassia e o Ky se fez através das palavras, duma história, dum poema. A história do Ky é triste, e antevê muitas falhas na fachada de perfeição que a Society emite. Gostei da personalidade do Ky, discreto, sonhador, muito inteligente, capaz de passar despercebido. É irónico que sendo a sua relação permeada de rebeldia em relação ao poder instituído, a Society, esta tivesse tanta razão sobre eles. Achei interessante o papel que um poema teve no desenvolvimento da Cassia ao longo da história - como que a inspirou a questionar-se, a procurar saber mais.

É curioso, o final... não tem um clímax narrativo definido, mas ao contrário do que já tem acontecido, não me fez confusão. Pareceu estranhamente adequado à história da Cassia. Apesar de tudo, tem as suas surpresas, e gostei de as ler. Estava mais ou menos à espera delas, mas funcionaram muito bem dentro da história. Acredito que o segundo e terceiro volumes tenham mais acção, mas este é mais contemplativo, o que é muito adequado à evolução da Cassia - a minha parte favorita da história.

Páginas: 384

Editora: Dutton (Penguin)