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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 5 a 8

Homem-Aranha: Tormento, Todd McFarlane
Ok, a ideia é intrigante, confesso. Colocar o Homem-Aranha numa situação desconcertante, fora da área de conforto dele. Dificultar-lhe a vida, obrigá-lo a encarar a morte de frente, trazer um inimigo de volta, desorientá-lo.

A execução? Mehhh. O enredo não está focado, anda ali às voltas, sem sabe onde quer chegar, e a verdade é que não tem um clímax satisfatório, algo que termine as coisas. Afinal o vilão estava a fazer aquilo porquê? Só porque sim? Compreendo o terror de não saber, mas não faz uma boa história. Além disso, o argumento não era muito forte; soou-me a potencial para estar melhor escrito, mas não estava.

Quanto à arte, compreendo porque ganhou tanto destaque na altura. É bastante detalhada, as duplas páginas, o detalhe nas teias... e as poses doidas do Homem-Aranha. São interessantes, mas talvez um pouco exagerados. Pelo menos, fiquei a pensar na exequibilidade de algumas. E as proporções parecem-me, bem, desproporcionais. E as caras são diferentes, se bem que aqui é no bom sentido, maioritariamente.

Justiceiro: A Ressurreição de Ma Gnucci, Garth Ennis, Steve Dillon
Portanto, li há uns anos O Regresso do Justiceiro, e apesar de o Justiceiro não ser propriamente coisa que eu costume ler, foi uma leitura divertida, se é que se pode pôr as coisas nesses termos. Os eventos meio doidos, a violência sem limites, a intriga no seio da Máfia.

Portanto, foi bastante agradável e até surpreendente saber que existia uma espécie de sequela. Esperava que trouxesse os elementos que encontrei na história anterior, bem como o sentido de humor da mesma, e foi isso que obtive.

Adorei a maneira como "trouxeram de volta" a Ma Gnucci, como isso traz de volta elementos da história original e como brinca com eles. O enredo continua a ser completamente doido, mas faz bastante sentido.

A arte é até bastante interessante, com umas cores vivas, muito giras, e um traço detalhado que primeiro se estranha, depois se entranha. Parece-me focar-se mais nas reacções e expressões dos personagens, o que me agrada.

X-Men: Caixa Fantasma, Warren Ellis, Simone Bianchi
Gostei mesmo deste volume. Ao longo dos anos tenho lido bastantes coisas dos X-Men, e por isso estou bastante ao corrente das coisas com eles, mas é bom ir preenchendo as lacunas. Li um ou dois dos livros escritos pelo Joss Whedon que antecedem este, e fiquei muito agradada com esta abordagem.

Primeiro porque é suficientemente diferente da anterior. Faz a sua própria coisa. Mundos paralelos, e as caixas fantasmas como forma de viagem entre eles. Seres monstruosos criados artificialmente. Uma invasão a partir de um desses mundos. Os X-Men são em si um conceito de ficção científica, e é bem fixe vê-los a lidar com outros conceitos do género. Adorei ler a história e acompanhar este aspecto.

Depois porque é uma história isolada, auto-contida, que funciona muito bem sozinha. Gosto disso. E gosto de como os personagens são escritos. Há um certo sentido de humor na escrita, e gosto mesmo disso. Adoro ver os personagens às turras e a trocar piadinhas.

A arte é bem detalhada e bonitinha. Gosto do estilo pintado, e apreciei mais este trabalho que que o anterior do mesmo artista. Deu-me gozo acompanhar.

Homem-Formiga: Um Mundo Pequeno, Jack Kirby, Stan Lee, David Michelinie, John Byrne, Tim Seeley
Um conjunto de histórias sobre os vários personagens que assumiram o manto de Homem-Formiga. A primeira parte é sobre o Hank Pym, sobre como descobriu os seus poderes e como os usou pela primeira vez. A segunda parte é sobre o Scott Lang, como descobriu o fato e o usou da primeira vez para ajudar um ente querido. (Elementos da história vislumbram-se no filme recente.)

A terceira parte, a mais longe, conta com o Hank Pym noutro uniforme, em lembrança da sua esposa, a Vespa, e Eric O'Grady a usar as vestes de Homem-Formiga. As duas primeiras partes são relativamente aceitáveis, funcionam bem como história de origem...

... mas preferi esta última parte. É uma história mais longa e elaborada, e super divertida de ler por causa dos dois protagonistas. Também ajuda ser uma história mais recente, em que a arte vai mais de encontro ao que já conheço.

domingo, 6 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 1 a 4

Vingadores: A Era de Ultron 1, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch
Vingadores: A Era de Ultron 2, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch, Brandon Peterson, Carlos Pacheco
Isto teria corrido melhor se não tivessem tentado vender este crossover event com o mesmo título do segundo filme dos Vingadores. Pelo que me é dado a entender pelas opiniões no Goodreads, toda a gente se pôs a ler isto pensando que os prepararia para o filme, e é claro que foi um tiro no pé. O livro pede que se conheça relativamente bem o universo Marvel e alguns dos seus personagens mais (e menos) proeminentes, e não é nada introdutório no que toca ao Ultron, por isso...

Portanto, o Ultron no início da história volta à Terra (os vilões voltam sempre, por mais que os eliminemos), tem um confronto com os Vingadores, e desaparece, para se vir a revelar que tinha um plano que envolvia destruir a humanidade e os super-heróis (what else?), e que foi bem sucedido, resultando num presente pós-apocalíptico.

Acho que preferia ter visto a evolução do ponto A para o ponto B, isto é, como o Ultron fez uma razia ao planeta, como o seu plano se desenrolou. Assim só vemos o resultado, e apesar de ser assustador, ver a destruição e quão poucos sobreviveram, seria mais impressionante ainda ver a coisa em acção.

Portanto, os super-heróis estão destruídos, desmotivados (até o Capitão América está para ali encostado a um canto, deprimido), em números muito reduzidos, mas tentam desenvolver um plano para descobrir o que se passa e como derrotar o Ultron, e uma coisa leva a outra, et voilá, temos direito a viagens no tempo.

Estou curiosa para saber o que teria acontecido com a Equipa Futuro (devem ter morrido todos), mas gostei de acompanhar o Wolverine e a Sue Storm ao viajarem para o passado e tentarem impedir a criação do Ultron, ainda que discordem no método. O Wolverine é a pessoa que gosta de ser criativo com as garras, como é habitual, e ooops, nova timeline/universo paralelo criados.

Achei esta timeline bastante interessante, e gostei de a explorar; contudo, ainda mais interessante e importante foi o Wolverine voltar ao momento crucial antes da criação do Ultron e essencialmente resolver as coisas falando, com o Hank Pym e com o seu outro eu, em vez de resolver à pancada. Uma vez na vida o homem aprende.

Além disso, a noção de dois Wolverines no mesmo espaço e a quantidade de pancada que isso dá no contínuo espaço-tempo, bem, é fantástica de considerar. O final é relativamente interessante, mas considerando que já percebi há que tempos que este pessoal anda a dar cabo do universo aos poucos, e que isto vai rebentar não tarda nada, bem, não há nada de novo. A não ser ali quando o Hank pensa numa solução melhor, e eu temer que isto vá descarrilar novamente.

Gostei mais da segunda parte da história, visualmente, porque o primeiro artista, Bryan Hitch, tem uma forma estranha de planear o layout das pranchas, e muitas são uma dupla página que não tem pistas visuais suficientes que avisam que é uma dupla página, e vá de a ler três ou quatro vezes até acertar com a coisa. A segunda parte, como mete viagens no tempo, usa dois artistas para separar o passado do presente, e torna-se muito mais interessante de observar, pelos estilos díspares.

Homem de Ferro: A Semente de Dragão, John Byrne, Paul Ryan, Mark Bright
Eu provavelmente apreciaria mais isto se fosse realmente fã do Homem de Ferro, o que não é exactamente o caso. Oh, os filmes foram divertidos, muito graças à interpretação do Robert Downey Jr., mas ainda não me consegui decidir sobre o personagem. Há alguns personagens da Marvel que eu gosto à partida, porque cresci com eles ou já os conheço há muito tempo, ou porque são apresentados de maneira cativante, mas o Homem de Ferro? Nunca li uma coisa que me fizesse realmente gostar dele, ou percebê-lo, sei lá, ter uma boa imagem dele.

De qualquer modo, aprecio esta história por explorar e esclarecer vários pontos da mitologia do personagem e dos seus inimigos. Descobrimos de onde vêm os dez anéis do Mandarim, e parece que a história é uma reinvenção do seu papel como vilão do Homem de Ferro, o que é interessante de ler. Também aparece um vilão, o Fin Fang Foom, que tinha visto algures, e descobri agora que é suposto ser um vilão do Homem de Ferro. A sua história de origem é fascinante, porque dragões. Dragões a sério, na China. Dragões alienígenas. Está tudo dito.

E pronto, o enredo pode fazer um bom trabalho a correr o conflito, a estabelecer os avanços e recuos nele, mas noutro ponto é péssimo: então o Tony Stark e a doutora Su Yin saem um par de vezes, convivem para resolver o problema dele, e de repente já estão apaixonados? Sendo ela casada, o que pressupõe que não está livre emocionalmente para este tipo de coisa, ainda mais porque parece que há qualquer coisa com o marido, que nem sabemos o que é, porque nunca é devidamente explorada. Ugh. Da próxima vez que alguém se vier queixar de YA e os seus tropes, incluindo insta-love, como se os outros livros não os tivessem, leva nas trombas com este volume. Que forma de escrever um aspecto emocional tão preguiçosa.

E agora que me lembro, a Viúva Negra aparece, anda à procura de ajuda para qualquer coisa. Só que é uma storyline meio abandonada a meio deste volume. Calculo que fosse o arco de história seguinte ao deste volume, mas não gosto que tenha sido desenvolvida tão cedo (devia ter aparecido na segunda metade do volume), e que seja assim abandonada, como se deixasse de ter interesse. Apenas diminui a sua importância para o que iria acontecer de seguida, que nem sabemos o que é, em vez de a aumentar, e de aumentar o interesse.

Viúva Negra: O Manto da Viúva, Greg Rucka, Igor Kordey, Devin Grayson, J.G. Jones
Este volume reúne duas histórias da Viúva Negra, e em ambas o foco é dividido com (ou até somente de) uma segunda Viúva Negra, activada quando a Natasha desertou e deixou de ser espia ao serviço da Rússia. Essa segunda personagem é Yelena Belova, que se debate com a herança deixada pela Natasha Romanov.

A primeira história, apesar de ter sido publicada depois, acontece antes, cronologicamente falando. Segue a Yelena nos seus tempos de preparação para ser a Viúva Negra, e os acontecimentos que precipitam o seu assumir do manto. Yelena investiga a morte do seu supervisor, um homem que se vem a revelar ter frequentado um clube S&M, tendo contratado uma sósia da Yelena como parte das suas fantasias.

O interessante aqui é a realidade construída para activar a Yelena, que me fez questionar tudo, toda a narrativa passada e presente que condiciona o evoluir do enredo; e ao mesmo tempo, como os sentimentos da Yelena a levam a tornar-se na Viúva, e como tem de os enterrar para assumir esse papel.

A segunda história apresenta uma espécie de competição entre as duas Viúvas. Um cientista criou um soro que torna soldados em berserkers, essencialmente, e os governos russo e americano mandam as Viúvas numa corrida contra o tempo para impedir um general de um país fictício do Médio Oriente de usar o soro, e recuperá-lo.

Aqui o interesse prende-se com a "competição" entre as duas, que nunca chega a sê-lo, propriamente. A Yelena tem o mesmo treino e capacidades que a Natasha, mas não tem a sua experiência; e por isso, a Natasha está sempre dois passos à frente dela. (Melhor, está dois passos à frente dos dois governos que têm interesse no soro, como a melhor das espias.) É uma relação curiosa de explorar, a das duas, especialmente com a posição de mentora a cair nos braços da Natasha.

É a minha história favorita das duas. (A outra exige que se conheça e goste da personagem para se preocupar com o que lhe acontece. Aqui no livro devia vir depois, tal como a ordem em que foram publicadas.)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Colecção Universo Marvel #7, #8 e #9: Universo Marvel, Thor, X-Men

Universo Marvel: Marvels, Kurt Busiek, Alex Ross
Há uns anos ouvi falar deste livro, e fiquei interessada em lê-lo, especialmente porque sabia que tinha havido uma edição recente em português. Só que como o meu timing para estas coisas é sempre genial, o livro já não se encontrava nas livrarias, e vi a minha tentativa de o ler gorada. Por isso, fiquei muito animada quando vi que o livro ia ser publicado nesta colecção, porque era agora a minha oportunidade de o ler.

E fiquei fascinada. Normalmente, os super-heróis metem-se em sarilhos com os vilões, destrói-se tudo na luta, e no fim os heróis vencem, e não há um momento para contemplarmos a destruição, e raramente vemos os seres humanos comuns e a sua perspectiva no meio disto tudo. Quero dizer, Nova Iorque é rotineiramente destruída, ou transformada numa Ilha das Aranhas, ou outra coisa igualmente bizarra, e nunca vemos os Nova Iorquinos a passarem-se da cabeça e expulsarem os super-heróis de lá, pois não?

Portanto, Marvels apresenta a perspectiva de um homem comum, Phil Sheldon, fotógrafo cujo trabalho vai frequentemente levá-lo a seguir estas maravilhas titulares e as suas aventuras. Desde os primeiros heróis da Marvel, antes da Segunda Guerra Mundial - o primeiro Tocha Humana, o Namor, o Capitão América -, até ao aparecimento dos mutantes nos anos 60, até à trágica morte da Gwen Stacy nos anos 70.

E é muito interessante ver sugerida uma possível reacção de um homem comum a estes eventos. O maravilhamento com as capacidades destes seres, e o receio do que serão capazes de fazer. O medo dos mutantes, ou a frustração com o resto do mundo por oscilarem entre agradecimento aos super-heróis quando fazem uma coisa boa, para logo a seguir crucificá-los por uma coisa menos boa. Aquilo que perdeu ou ganhou por ter dedicado a vida a seguir e fotografar estas maravilhas. O desapontamento com um fotojornalista freelancer por vender fotos do Homem Aranha ao J. Jonah Jameson (o jornalista, é claro, é o Peter Parker).

A minha parte favorita é a da recta final, em que o Phil conhece a Gwen Stacy, primeiro porque lhe é dada a ela a oportunidade de respirar como personagem, e depois porque marca a vida do Phil duma grande maneira, que fica destroçado com a morte trágica desta miúda, num acidente estúpido e às mãos destas maravilhas que tem seguido. Muda-lhe a vida, porque ele deixa de acreditar nestes super-heróis e neste mundo, deixa de se maravilhar com ele.

Gosto muito das referências e do modo como os autores incorporaram pequenos detalhes do mundo Marvel e do curso dos acontecimentos ao longo da história. Diverti-me tanto ao descobrir o J. Jonah Jameson mais novo, ou ao vislumbrar o Peter Parker apenas numa cena, ou ao ver juntar tantos heróis na cena do casamento da Sue Storm e do Reed Richards, ou ver como o fascínio pelos heróis neste mundo. se estende a haver uma colecção de roupa inspirada na Vespa. Pequenos detalhes que torna a obra rica.

Por fim, só tenho de fazer uma menção à arte do Alex Ross, tremendamente detalhada, linda, fantástica de observar por muito tempo. É um estilo único, mas que me delicia estudar, e que é tão realista, e tão interessante de ver num meio como o dos comics.

Thor: Renascido, J. Michael Straczynski, Olivier Coipel
Ok, a premissa é que o Ragnarok aconteceu, o ciclo foi quebrado, e os deuses nórdicos estão livres de voltar a encenar o ciclo. Para isso, Thor volta à Terra, numa ressureição que tem como objectivo uma demanda para encontrar um local para Asgard, e os outros asgardianos, que vivem dormentes em humanos por esse mundo fora.

É uma ideia interessante, e gostava de vir a ler o enquadramento deste livro. Ou seja, gostava mesmo de ver o ciclo anterior de Ragnarok, e como a Marvel o interpretou, e como este ciclo foi quebrado. E também gostava de ler para a frente, que o fim do livro termina num certo cliffhanger, que não me diz nada sobre o destino do Thor ou dos deuses asgardianos.

Adoro a ideia de Asgard se reconstruir no meio de nenhures, no Oklahoma, e em como os habitantes da cidade vizinha lidam com isso. Há uma certa burocracia, e um certo humor na maneira como o argumentista descreve a reacção dos comuns mortais à presença de Asgard. Aliás, gosto bastante do modo como ele desenvolveu a história neste volume. Adoro como ele escreve o reencontro do Thor com o Homem de Ferro, que ocorre mesmo após a Guerra Civil. Convenhamos que o Tony se mete mesmo a jeito para levar do Thor, quero dizer, toda a porcaria que fez na Guerra Civil, e ainda vir com uma atitude arrogante para um deus asgardiano... *facepalm* Estava a pedi-las.

Estou muito curiosa para ver como os deuses asgardianos vão interagir com o resto do mundo, agora que estão a voltar, e que mudanças vão provocar nele, e na pequena cidade de Oklahoma que os acolheu. (Espero que não queira dizer que a pequena cidade vai ser destruída rotineiramente como Nova Iorque consegue ser...)

Não tenho muito a dizer sobre a arte, geralmente é agradável ao olho, e tem alguns planeamentos de pranchas e vinhetas interessantes. A imagem de Asgard é fantástica. Não sou muito fã de como o artista desenha o Thor (muito... compacto e largo? não sei, fica estranho), gosto mais do Donald Blake. Não achei piadinha nenhuma a uma prancha no início, com uma cena de guerra, em que uma mulher/deusa asgardiana tem apenas uma armadura de metal... nos seios, como biquini. Até pode ser uma personagem conhecida (não a reconheci), com design definido, mas a sério, todos os artistas de comics americanos deviam ser obrigados a usar umas cuecas feitas de ferro até perceberem o quão desconfortável é, e pararem de desenhar armaduras ridículas às mulheres.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Chris Claremont, John Byrne, John Romita Jr.
Já conhecia a história titular, creio que a li num dos livros duma colecção dos clássicos da banda desenhada do Correio da Manhã há uns anos, mas esta é uma boa colecção de histórias, que acaba por incluir o Dias de um Futuro Esquecido.

Gostei muito de ler a primeira história, Elegia, porque se passa após a morte da Jean Grey como Dark Phoenix, e faz um bom resumo da história dos X-Men desde o início até ali. Apreciei aperceber-me que até conheço grande parte das histórias mencionadas, e que tenho quase todas os livros que são referenciados nesse capítulo como contendo essas histórias.

A história titular é interessante pelo seu estatuto icónico, e por apresentar o conceito de futuros paralelos que nunca se concretizarão, coisa em que os X-Men parecem exímios em explorar. A ideia de um futuro distópico em que os mutantes morreram ou são controlados no território dos EUA, e em como a presença dos Sentinelas está prestes a lançar o mundo numa guerra nuclear... gosto. Tem o grau certo de tensão e drama, e equilibra bem futuro e presente, mostrando o que acontece com os personagens em ambos.

Entre as outras histórias, gosto daquela dedicada ao Nocturno, e à sua incorporação do inferno de Dante, gosto da apresentação dos super-heróis mutantes canadianos, especialmente a Pássaro de Neve, que tem um poder intrigante, e que daria para escrever uma história muito boa - aquilo que é explorado já é bem cativante -; e em geral, gosto muito de como a Kitty Pryde é apresentada e explorada, de como esta menina vai crescendo e aprendendo com os X-Men - a última história, em que ela luta contra um monstro na Escola Xavier, sozinha, é tão boa - go, Kitty!. Faz-me feliz ver que ela evoluiu para uma jovem segura e decidida, professora e directora (pelo menos, assim o é por estes dias) da Escola (agora) Jean Grey.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Colecção Heróis Marvel Série II #1-2

X-Men  e Vingadores - Dinastia de M, Brian Michael Bendis, Olivier Coipel
Realidade alternativa, em que os super-heróis vivem uma realidade tirada dos seus sonhos e desejos, e em que os mutantes dominam. Curioso. Gostei. Alguns dos destinos dos personagens são mais óbvios, outros mais subtis, outros ainda são tristes. O Peter Parker tem a sua Gwen viva, é casado com ela e tem um filho. (A Mary Jane é uma superestrela.) O Steve Rogers nunca entrou no programa do supersoldado e agora é um velhote reformado e retirado do exército. Os pequenos pormenores fazem a diferença, e aqui com estes os autores conseguem pintar um quadro maior.

Quanto à Feiticeira Escarlate, bem, nunca li nada com ela, mas quanto eu a odeio... Só de ler um monte de histórias pós-Dinastia de M, com toda a gente a falar da Wanda ser responsável pela diminuição drástica do número de mutantes, bla bla bla. Que família de loucos, mesmo. O Magneto conseguiu dar mesmo cabo dos filhos. Uma virou psicopata, o outro está sempre metido mesmo no meio dos sarilhos que origina.

Apresenta algumas ideias interessantes, particularmente quando os heróis discutem se deviam fazer alguma coisa para reverter esta realidade alternativa. Ou quando estão preparados para fazer tudo contra o Magneto pela extrema manipulação das suas vidas. Vemos um bocadinho dos resultados das acções da Wanda, e algumas repercussões são francamente intimidantes.

X-Men - A Saga da Fénix Negra, Chris Claremont, John Byrne
Sagas controversas e muito (re)conhecidas, as da Fénix e da Fénix Negra. Já tinha podido ler os eventos que levaram a Jean Grey a tornar-se na Fénix; faltava esta segunda parte, da Fénix Negra. Gostava de espreitar as histórias pelo meio, para ver como a Jean lidava com este poder e se havia pistas para os acontecimentos desta saga.

É um pouco assustador, ver aquilo em que a Jean se torna, e o fim que teve é absolutamente justificado pelas acções da entidade Jean/Fénix. Tanto poder pede uma responsabilidade impossível. A Jean acaba por ser uma personagem trágica e sacrificada, sempre dominada pela extensão dos seus poderes. A sua manipulação pelo Mestre Mental, tornando-a numa Rainha do Clube do Inferno, foi um apontamento irónico, tendo em conta que a Rainha Branca, a Emma Front (aqui uma antagonista), acaba por tomar o lugar da Jean à frente dos X-Men e ao lado do Scott Summers/Ciclope.

domingo, 25 de novembro de 2012

Colecção Heróis Marvel, Mutts

Mutts 5 - Os Nossos Mutts, Patrick McDonnell
Acho que já falei do quanto adoro estas tiras aqui, mas vou falar mais um bocadinho. Gosto que o autor consiga, sem palavras, expressar tanto. Delinear situações e personagens complexos com uma mão-cheia de palavras. Dar profundidade a alguns temas que aborda sem ser aborrecido. Fazer-me pensar e derreter-me na mesma tira.

Gosto particularmente de seguir o mesmo tema durante uma semana, como o autor às vezes faz. Gosto da "gatice" do Mooch e da lealdade canina do Earl. E gosto de seguir o autor, seguir o seu traço ao longo dos anos e notar as pequenas mudanças. (O traço não é bem o mesmo no Mutts 1, neste, ou nas tiras diárias que o site do autor me manda para o e-mail.)

Quarteto Fantástico - Em Busca de Galactus, Marv Wolfman, Keith Pollack, Sal Buscema, John Byrne
É bom poder ler sagas completas. É muito mais recompensador poder acompanhar uma história que expande por vários episódios e que estão reunidos no mesmo livro. A saga em si não é particularmente memorável, o que é estranho tendo em conta que mete ao barulho o Galactus, mas como personagem este é um bocadinho aborrecido, por isso talvez não seja assim tão estranho. O ponto alto do enredo é o envelhecimento de três elementos do Quarteto... parece que aqui os dramas pessoais são mais interessantes que os enredos épicos.

Nick Fury - Agente da Shield, Stan Lee, Jim Steranko, Roy Thomas, Jack Kirby, John Buscema
O ponto fabuloso deste volume é a (re)coloração de um tal Estúdio Fénix em parte das histórias que contém. Cores fantásticas que recriam o estilo de cores desta época da BD, dando-lhe ao mesmo tempo alguma profundidade. Também é bom poder ler várias revistas de seguida, seguindo a história sem interrupções.

Mas... não gostei muito deste Nick Fury primordial. Demasiado a puxar para o James Bond, sabe tudo, faz tudo, espia tudo, prevê tudo... céus, torna-se extremamente aborrecido, principalmente porque as histórias tomam sempre o mesmo rumo: Nick Fury mete-se em sarilhos, Nick Fury fica à beira da morte, e Nick Fury safa-se milagrosamente e salva o dia! *bocejo* As histórias são curtas, porque o protagonista partilhava a revista (Strange Tales) com outros personagens, mas isso não justifica a fraqueza narrativa. As últimas histórias fogem um pouco à regra, mas só mesmo a última história é que me chamou a atenção, pela história e pela arte - se bem que a revelação final é algo confusa.

domingo, 29 de julho de 2012

Colecção Heróis Marvel #3 e #4: Capitão América e Thor

E com estes dois volumes continua a colecção Heróis Marvel. Curiosamente, notei um pequeno padrão nos primeiros quatro volumes, não sei se deliberado - um volume com histórias dos anos 70/80 é seguido por um volume com histórias do século XXI. É curioso ver e comparar os estilos e códigos dominantes de cada época e de como apelam de maneira diferente ao leitor. A qualidade de edição continua muito boa, sem problemas (que tenha reparado).

Capitão América - A Lenda Viva junta um conjunto de histórias do início dos anos 80. Nunca tinha lido nada deste super-herói (à parte o livro da muito mencionada por mim série Clássicos da BD - Série Ouro), mas claro que estou familiarizada com as suas origens. O melhor deste volume foi o ter contextualizado muito bem a essência e os dilemas do Capitão América como super-herói.

Adorei os pequenos pormenores - como o facto de o Steve ser um nerd dos livros e da arte. Quem diria? Por outro lado, quase fiz um facebook facepalm quando vi numa das histórias o Capitão América quase perder a máscara e pensar que tinha de tentar resolver aquele problema. E livrar-se das asinhas na cabeça, não? *revira os olhos* Gostei muito da história com o Mecanus, porque tem ali uma pequena reflexão algo típica da SF. A história sobre o Capitão ser escolhido pelas pessoas para candidato à presidência também é bem interessante.

Thor - As Idades do Trovão é um doce para uma fã de mitologia como eu. Reúne um conjunto de histórias que seguem o deus do Trovão e os seus compatriotas em Asgard, e sugere fantasticamente a ambiência divina e mitológica das histórias sobre deuses, sempre em guerras e demandas sem sentido. Adorei o visual dado aos deuses, quase como super-heróis.

Gostei muito da história em quatro partes sobre Skurge, porque permitiu seguir a narrativa de quatro perspectivas diferentes, e porque permitiu apreciar a arte de quatro artistas diferentes. Mas fora isso não consigo identificar uma história favorita, porque todas me cativaram. (Com a pequena excepção de me irritar a atitude "temos um problema? o Thor resolve" de todos os deuses. Caramba, mais ninguém sabia dar porrada naquele panteão? Depois não admira que o Thor fosse tão arrogante e cheio de si.)