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terça-feira, 29 de abril de 2014

Não julgues um livro pela capa: Penguin Essentials

Creio que podia preencher esta rubrica só com capas feitas por e para a editora Penguin. Conhecidos pelos seus paperbacks, esta editora esmera-se no design das suas capas, criando coisas giríssimas que me deixam sempre a salivar só de olhar para as capas dos livros. Esta colecção, Penguin Essentials, reúne livros importantes do século XX e oferece-lhes uma roupagem diferente conforme o livro.


Gosto imenso do pormenor de usarem um estilo gráfico diferente para cada livro. Formam uma colecção heterogénea, mas tão bonita. Creio que os meus favoritos são o Lucky Jim (capa central da última linha), pelo ar de banda desenhada; o Hell's Angels (central da segunda linha), pelo estilo de tatuagem que tem; e The Prime of Miss Jean Brodie (direita na segunda linha), Lady Chatterley's Lover (esquerda da última linha) e A Room with a View (direita na última linha), porque têm todas um estilo floral, feminino ou até sensual, mas lindíssimo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Não julgues um livro pela capa: mudanças de capas que desiludem

Então... mudanças de capas. É uma coisa a que, por princípio, não acho piada nenhuma. Não só pelo gosto que tenho em ter uma colecção na mesma edição, uma estante toda bonita, blá blá blá. Mas por a mudança de capa sugerir uma incerteza por parte do editor em relação ao livro. Será que os primeiros volumes não venderam bem? Querem atrair outros leitores, que graças à primeira capa não se interessariam pelo livro? Fizeram asneira na promoção da série e querem mudar de rumo? São até atitudes valorosas, se realmente divulgarem a série entre mais pessoas.

No entanto, pergunto-me sempre se este tipo de mudança serve o seu propósito. Uma homogeneidade de capas ao longo da série ajuda o leitor a identificar um livro novo da série, quando o vê na livraria (noutras áreas, chamar-se-ia a isso ter uma marca que os consumidores conhecem e identificam facilmente; na edição de livros, o conceito parece por vezes completamente desconhecido); com a mudança, pode passar-lhe ao lado um novo volume da série que gosta de acompanhar.

Por outro lado, a mudança de capas expõe novos leitores aos livros. Mas se a mudança é só a partir do meio da série, não será que vai enganar o novo leitor? Pensa que leva o primeiro livro para casa, quando está a levar o terceiro... Além de que nem sempre a capa transmite alguns aspectos da narrativa, que podem desmotivar o leitor na leitura. Comprou um livro, sim, mas não comprou a série inteira. Aí, a mudança serviu realmente para alguma coisa?

Enfim. De seguida destaco algumas mudanças de capas que tenho (ou vou ter) na minha estante, e exploro porque é que não as apreciei.



Em cima, as capas dos hardcovers americanos dos primeiros dois livros da série Across the Universe da Beth Revis (e no primeiro livro, Across the Universe, foi também a capa do paperback americano). Em baixo, as capas novas dos paperbacks americanos (para os primeiros dois livros) e do hardcover do terceiro livro.

A minha opinião? Preguicite aguda. O designer não sabia como continuar a explorar no terceiro livro o tema "espaço" que permeia os dois primeiros, e ao mesmo tempo combiná-lo com o novo elemento do enredo. A própria autora, ao justificar a mudança, sugere que eu tenho razão - não encontraram maneira de fazer uma capa para o terceiro sem spoilarem o leitor para o terceiro. Preguiça, preguiça, preguiça. Era tão difícil darem-me, por exemplo, um sol a nascer sobre um planeta (como aqui)? Acho que ficaria fabuloso numa capa, mas o que é que eu percebo disto, não é? Não sou eu que vou comprar o livro nem nada...

Suponho que para quem conhece o enredo, as capas novas dizem alguma coisa (sugerem a nave espacial, o aspecto de congelamento no primeiro, não faço ideia no segundo, mas deve ser para condizer com o título - Suns -, e no terceiro não vou comentar para não spoilar). Para quem não sabe nada, não sei se as capas contam alguma história. É apenas uma parede metálica com parafusos gigantes. Podia ser até a escotilha no meio da selva em Lost!

Além disso, não sou nada fã da tipografia. No primeiro livro, parte da palavra Universe está em itálico. Eu sei que é para inclinar a letra depois do V e para o acompanhar, dando um aspecto fluído à coisa, mas parece apenas que quem fez aquilo estava bêbedo. No segundo livro, fundiram o A e o M. Visto de perto até se distinguem as letras (mais ou menos), mas mais ao longe alguém pode pensar que o livro se chama Million Suns ou Aillion Suns, em vez de A Million Suns. No terceiro, o formato das letras S e E está interessante, porque tentaram pôr-las no formato das letras A e U, ou A, M e S dos livros anteriores. Mas se o objectivo era a homogeneidade, podiam ter-se esforçado para o tamanho da letra ser semelhante, e a caixa que envolve o título nos três ter o mesmo formato (num está mais rectangular, noutro mais quadrada...).



Acho que aqui é a mesma coisa: em cima, as capas dos hardcovers americanos dos primeiros dois livros da da Stephanie Perkins (no primeiro livro, Anna and the French Kiss, foi também a capa do paperback americano). Em baixo, as capas novas dos paperbacks americanos (para os primeiros dois livros) e do hardcover do terceiro livro.

Eu sou capaz de ter chamado uns nomes ao(s) responsável(is) por isto durante uns bons 10 minutos. É que eu gosto muito destes livros da Stephanie Perkins. Uma das coisas que mais me agradam é que cada personagem parece tão real. Cada um tem as suas idiossincrasias, as suas peculiaridades. O Étienne é baixo e gosta de História, a Anna quer ser crítica de cinema, a Lola é estilista e todos os dias muda de estilo pessoal, o Cricket é um rapaz alto, magro, e quer ser inventor. E sentia que as capas transmitiam isso, essa sensação de ser único, e de não serem iguais a tudo o que há por aí. São fofinhas, apresentam-nos os protagonistas (se bem que cortaram o Étienne na primeira... medo de não corresponder às expectativas? ehehe), e têm por trás uma ideia da cidade em que se passa a história.

Entra a revelação da capa do terceiro livro. Ora quando o terceiro sair, o segundo saiu há dois anos. Um tempo tão grande entre publicações é incomum, mas acontece quando o autor precisa de mais tempo para escrever uma história melhor (foi o que aconteceu aqui, e não me importo de esperar). Só que no mundo editorial, costuma ser associado com uma mudança de capa, suponho que os editores acham que precisam de revitalizar a série, que esteve tanto tempo fora das livrarias. Mas na minha ingenuidade, nem me lembrei disso até agora. Quando abri o post com a revelação exclusiva da capa do terceiro livro, pensei "ena, vou finalmente ver a Isla e o Josh, vai ser uma capa tão fixe".... e dou de caras com isto. Ugh.

Bolas, estas capas são tão genéricas. Não me dizem nada, a não ser a cidade onde a história se passa. A tipografia é ridícula, parece que foi feita em 5 minutos, precisava de mais trabalho. E há livros em que o título ocupar a capa toda e ser o único elemento de design funciona (olhem só para esta), mas aqui não. Usarem as fotos por trás mata um bocado esse objectivo. Mas o que dá cabo de mim mesmo, é sentir que eu podia fazer aquilo no Paint em meia hora. Eu quero sentir que se deram ao trabalho de pensar no que estavam a fazer, não quero sentir que pensaram "vamos fazer uma coisa às três pancadas, que eles nem notam".


Estão são os paperbacks britânicos, que são as edições que tenho estado a comprar (as edições americanas, com as quais vou fazer comparações, estão aqui).

Aqui, nos primeiros dois livros seguiram o editor americano e usaram as mesmas capas. Creio que a autora revelou no seu site que eram trabalhos feitos com flores de papel. Gosto delas. A morte é um elemento da narrativa e sugerem-me a efemeridade e a beleza da vida. Não são as capas típicas para o género (YA paranormal thriller), mas acho que por isso mesmo se destacariam numa livraria.

Depois o editor britânico decide ir por outra direcção, e muda as capas do terceiro e quarto livros. Estas capas sugerem-me o elemento thriller da história, sim, mas e o elemento paranormal? Para além de que acho que são muito mais genéricas dentro do género thriller e se destacam menos. Portanto, isto vai realmente ajudar às vendas? Ou esconder ainda mais os livros? E um leitor de thrillers, que pegue no terceiro ou quarto livros, os leia, e perceba que nem aquilo é o primeiro livro da série, nem aquilo é bem o que procurava, porque também tem um elemento paranormal? Vai pegar nos livros, ou vai ter mais cuidado ao pegar num livro desta editora da próxima vez? E o leitor que realmente segue esta série, não lhe passam ao lado estas últimas publicações?

Dúvidas, dúvidas... a verdade é que não deixei de comprar os livros graças à mudança, porque apesar de estas trocas e baldrocas me irritarem muitíssimo (como puderam ver), tento não deixar que isso me impeça de continuar a ler uma série de que gosto. Mas eu sou uma leitora ávida e preocupada, tento sempre seguir as séries que me agradam. Pergunto-me se estas coisas não afastam o leitor comum, aquele que lê uma dezena de livros por ano (ou menos, ou mais, não faço ideia de quanto é a média para o leitor comum, por isso mandei um número para o ar, não me atirem tomates por causa disso), que não sabe quando o próximo livro duma série que segue sai, e que ao passar pelas capas novas não sabe que está ali um novo livro dessa série.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Não julgues um livro pela capa: uma tarefa impossível

Quando criei esta rubrica, com o objectivo de falar de vez em quando de edições bonitas de livros, escolhi o título precisamente por ser irónico. Todos julgamos um livro pela capa, não há nada a fazer quanto a isso, é um factor importante para nos incitar a pegar-lhe, ou a investigar a sinopse e que tipo de livro será. Somos humanos, e sendo as primeiras impressões de qualquer coisa com que contactamos recebidas visualmente, é muito difícil ignorá-las em favor de outros factores.

O que não é necessariamente mau, apenas leva a que hoje em dia se tenha de fazer com que este elemento gráfico cative o leitor e lhe transmita imediatamente algo sobre o livro. Numa altura em que em Portugal os livros não aguentam tempo nenhum nas montras e expositores das livrarias, é preciso usar a capa como mais um elemento de marketing que faça a venda visualmente e diga ao leitor "sim, é a mim que tu queres, pega-me lá, por favor".

A capa pode transmitir muita coisa ao leitor, se bem usada. Pode representar uma cena da história, a faixa etária a que se destina, ou dar uma ideia do género literário em que se insere. Capas coloridas e cheias de bonecos e ilustrações? Infanto-juvenil. Meninas em vestidos com efeitos ou a pairar no ar? YA (adolescente/jovem adulto) paranormal. Meninas em vestidos de época? Romance histórico. Capas cor-de-rosa, cheias de flores e efeitos com redemoinhos e outros que tais? Romance contemporâneo. Pronto, estou a generalizar grandemente a coisa, mas se procurarem dentro de cada género, de certeza que se encontram muitos exemplos como os que descrevi.

O que me leva às mudanças de capas. Dum ponto de vista do marketing e da venda do livro, compreendo porque se tenta reintroduzir o livro no mercado com uma nova capa. Vai dar a oportunidade de trazer novos leitores à história, e possivelmente alguns que não lhe pegariam com a capa antiga, porque transmitia algo diferente e não tão apelativo para esses leitores - a tal coisa de julgarmos um livro pela capa.

Como bibliófila, são a minha perdição. Se perguntarem à minha irmã, ela há de vos dizer que eu volta e meia estou a resmungar em frente ao computador por causa de uma mudança de capa. Dá-me comichão ter os livros duma colecção/série/saga diferentes, o que é que querem? Sou capaz de aceitar melhor a mudança se for daquelas capas lindas de morrer (sim, eu vendo-me por pouco), e raramente estas mudanças impedem que eu compre mesmo o livro. Mas é possível que leve mais tempo até o comprar, porque por alguns momentos afectam o meu entusiasmo e expectativa pela leitura.

Onde é que eu estou a tentar chegar? Bem, apesar de tudo diria que não sou assim tão esquisita com capas. Pelo menos, agrada-me ver uma grande variedade de coisas nas capas, e acho que nunca uma capa me impediu mesmo de comprar um livro. Espreito sempre a sinopse, e se me agradar, leio algumas opiniões em blogues e no Goodreads para ver se pode ser algo que vá gostar de ler. Por outro lado, posso é ter olhado para a capa e pensado "hmm, não me parece o meu tipo de coisa" e passado à seguinte sem sequer ler a sinopse. Mas, ei, errar é humano, e os olhos também comem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não julgues um livro pela capa: White's Fine Editions

Mais um conjunto de livros em capa dura que me deixa a salivar, de tão jeitosos que eles são. Desta vez os culpados são os White's Fine Editions, da editora White's Books.



Da esquerda para a direita: Pride and Prejudice, Jane Austen;
Wuthering Heights, Emily Brontë; Sherlock Holmes - His Greatest Cases, Arthur Conan Doyle


As imagens são do Book Depository, mas é possível ver alguns livros da colecção em maior detalhe neste site. Gosto tanto das capas para o Pride and Prejudice e para o Wuthering Heights. Pelo link que dei neste parágrafo, são maiores que os Penguin Clothbound Classics - que, se já tiveram oportunidade de os manusear (eu já os tenho visto na Fnac...), são pequenitos e de boa qualidade.

Entretanto, a mesma editora tem edições de bolso de capa dura para os mesmos livros, e para alguns outros:


Da esquerda para a direita: Alice in Wonderland, Lewis Carroll;
Jane Eyre, Charlotte Brontë; Treasure Island, Robert Louis Stevenson


Again, fotos do Book Depository, que tem umas miniaturas ridículas. Acho a capa para o Jane Eyre particularmente icónica e representativa do livro, mas também gosto bastante da do Alice in Wonderland.

Os livros desta editora, de ambas as colecções, podem ser encontrados aqui.

E pelos vistos não consigo fazer um post destes sem voltar a falar da Barnes & Noble Leatherbound Classics (já falei aqui e aqui), colecção com a qual eu tenho um caso de longa duração - que só ainda não se consumou por uma razão: estou muito indecisa acerca de qual destas belezas quero ter na minha estante primeiro.


Da esquerda para a direita: Grimm's Fairy Tales, The Brothers Grimm;
Anna Karenina, Leo Tolstoy; Persusion, Jane Austen


OMG, o Anna Karenina parece uma bíblia. No bom sentido. Com as folhas laminadas a dourado, mais a capa com um ar de iluminura... está gira. Mas a minha grande perdição aqui é mesmo o Persuasion, que está tão cor-de-rosa, e eu não podia babar-me mais para a mesma. (E convém lembrar que eu não tenho grande queda para o cor-de-rosa.) Mas aqui a cor está perfeita, combinada com aquelas linhas em reviravolta, mais as flores, e oh minha mãezinha, aquilo são alianças? *derrete-se a pensar no casamento da Anne e do Capitão Wentworth* E ainda por cima está a um preço muito decente no Book Depository. *suspira e resiste ao apelo do livro*

Como sempre, a colecção pode ser consultada no site da Barnes & Noble.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não julgues um livro pela capa

Já lá vai algum tempo desde que encontrei capas lindas para partilhar, mas encontrei mais uma colecção, criada por - quem mais? - a Penguin, chamada Penguin English Library. Pelo tamanho parecem ser um trade paperback (13 por 20 cm aproximadamente); e a sensação que tenho ao observar as capas é de serem similares às da Penguin Clothbound Classics, no design, apenas mais baratas por serem em edição paperback. Creio que já saíram cerca de 20 livros para o mercado, e a intenção é saírem no total 100 livros até ao fim do ano. Junto abaixo algumas capas, se bem que o melhor desta colecção para mim é - gasp - uma edição toda pretty de North and South, que é uma coisa pela qual eu ando a suspirar desde que vi a série (e que ainda não tinha encontrado, porque há uma falta vergonhosa de variedade de edições do livro).


(Da esquerda para a direita, e de cima para baixo: The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde; Emma, Jane Austen; Gulliver's Travels, Johnatan Swift; Frankenstein, Mary Shelley; Dracula, Bram Stoker; The Time Machine, H.G. Wells; Persuasion, Jane Austen; Jane Eyre, Charlotte Brontë; North and South, Elizabeth Gaskell)

Eu sei, não estão muito grandes... tirei as imagens do Book Depository, que costuma ter as capas em tamanho pequeno. De qualquer modo, podem ver as capas no link que dei acima - Penguin English Library.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não julgues um livro pela capa

Já falei aqui da colecção Barnes & Noble Leatherbound Classics. Hoje, entre outras coisas, venho destacar a saída recente de mais alguns livros da colecção, e deixo em baixo algumas capas favoritas de entre as novidades. A colecção completa pode ser consultada aqui.


Entretanto, nas minhas pesquisas livrescas pela internet descobri outra colecção magnífica de livros encadernados, esta da editora Penguin - a colecção Hardcover (ou Clothbound) Classics. Juntei abaixo algumas das capas. A colecção pode ser consultada aqui, mas penso que a página só permite ver os livros já publicados - na Amazon consegue-se encontrar alguns livros da colecção em pre-order.


Junto ainda umas fotos de uma estante com a colecção toda, via as customer images que foram adicionadas à página do Jane Eyre, da Charlotte Brontë, por um utilizador da Amazon.



Descobri ainda uma terceira colecção giríssima, editada pela Puffin, uma chancela da Penguin, que edita livros para crianças. Os livros da colecção podem ser consultados aqui e destaco em baixo algumas das capas.


O link acima não tem só livros desta colecção, tendo pelo meio umas edições especiais caríssimas e alguns livros do Roald Dahl, portanto fica aqui a lista completa dos livros da colecção:
  • Peter Pan, J.M. Barrie
  • The Wind in the Willows, Kenneth Grahame
  • The Adventures of Robin Hood, Richard Green
  • The Secret Garden, Frances Hodgson Burnett
  • Anne of Green Gables, L.M. Montgomery
  • The Adventures of Huckleberry Finn, Mark Twain
  • Black Beauty, Anna Sewell
  • The Call of the Wild, Jack London

domingo, 12 de junho de 2011

Não julgues um livro pela capa

O que me motiva hoje a escrever sobre capas é o seguinte: costumo acompanhar a colecção 1001 mundos com algum interesse, porque publica num género que me agrada ler. Daí que tenha reparado ultimamente nalguns títulos cujas capas, como direi, são uma tristeza. Atenção que não sou designer nem nada que se pareça. A minha opinião é puramente pessoal, como leitora, compradora e amante de livros.

O primeiro caso já está nas bancas e consiste no livro A Viagem, de Tim Kring e Dale Peck. Aquela amálgama de cores, combinada com a tagline inscrita na capa, dão a sensação de uma teoria da conspiração regada a drogas. Para mim a capa não foi muito atractiva, se bem que ao vivo é bastante melhor - graças a tudo o que é sagrado que não se lembraram de usar acabamento brilhante na capa, porque assim as cores saem um pouco mais sóbrias. É claro que as edições em inglês não são nada assim (ver no Goodreads), e se formos ler bem a sinopse, a ideia que o livro nos dá é bastante diferente - um thriller com uma componente de história alternativa, acho eu. Se fosse confiar só na capa e sinopses portuguesas... não ficava nada interessada no livro.

Outro caso está aí a sair - Prazeres Inconfessos, de Laurell K. Hamilton. Acho que tudo o que há de errado com a capa e com o livro já foi bem descrito pelo João Seixas aqui. Porque eu não saberia enumerar tudo o que não gosto na capa. Desde o terem-se enganado no nome da autora na versão original da capa divulgada no blog 1001 mundos, às cores neon, à capa que não sugere fantasia urbana (como penso que os livros da Anita Blake eram suposto ser originalmente... é claro que com o aumento exponencial de erotismo-pornografia descrito nos livros mais para a frente da série, a capa até encaixava)... Senhores designers, nunca ouviram dizer que menos é mais? Cortem-me as malditas taglines (que ficam bem é nos posters de filmes), o "Anita Blake, a caçadora de vampiros", e a modelo com pose sugestiva. Já tinha a edição britânica, mas estaria tentada a comprar em português não fosse a capa.

Terceiro caso - A Lâmina de Joe Abercrombie, divulgada no blog da 1001 mundos. Acredito que há quem goste, mas a mim faz-me perder toda a vontade de comprar o livro. As capas das edições em inglês têm um grafismo apelativo com aquele pergaminho (ver no Goodreads), e até já nem peço os brilhozinhos na capa. Mas isto... bleh.

Quarto caso - Vidro Demónio, de Rachel Hawkins, também divulgada no blog da 1001 mundos. Aqui é falta de continuidade e falta de gosto. Se usaram a capa americana para o primeiro livro, porque não fazer aqui o mesmo? É tão bonita e em consonância com a do Hex Hall (again, Goodreads para o primeiro livro, Hex Hall, e para este, Demonglass). Quando vi esta capa tive um impulso fortíssimo para ir ao Book Depository encomendar a edição americana do Demonglass (impulso que [ainda] não segui), apesar de ter a edição portuguesa do Hex Hall. Porque isto não é nada apelativo. Senhores designers, if it ain't broke, don't try to fix it.

Em suma, penso que os dois primeiros casos poderão ser mais um caso de capa e marketing (muito) mal dirigidos, e os últimos dois um caso de "se não está estragado, não tentem arranjá-lo" (porque fizeram asneira). Bem sei que o título desta rubrica é "Não julgues um livro pela capa", e sinceramente, até costumo fazê-lo. Geralmente não sou esquisita com capas, e é preciso uma capa estar bastante desapelativa para me incomodar. Nestes casos em particular tenho que impôr um limite - se vou dar 15 ou 20 euros pela edição portuguesa, ao menos que seja minimamente apresentável.