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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sonhos de Papel, Ruta Sepetys


Opinião: Sonhos de Papel é o segundo livro de Ruta Sepetys, e conta a história de Josie Moraine, uma rapariga que vive em Nova Orleães em 1950, cheia de sonhos mas presa às suas circunstâncias - filha de uma prostituta, vive uma vida simples e humilde, mas rodeada de tanta gente que lhe quer bem e gosta dela. Ao atender um cliente na livraria onde trabalha, que assume que é uma jovem universitária, Josie sonha com mais e melhor do que aquilo a que se tem permitido. Contudo, deixar para trás aquilo que conheceu durante grande parte da vida não vai ser fácil...

Mais uma vez, depois de Between Shades of Gray, a autora consegue criar um livro que não é vistoso nem dado a reviravoltas, mas intimista e focado nos personagens, simples e subtil, e muito bonito. A história de Josie fala-nos de sonhar mais alto e de não nos contentarmos com o que temos, de lutar por aquilo que queremos, mas também de aquilo que nos rodeia nos arrastar por vezes para baixo.

Josie é uma rapariga inteligente, que gosta de ler, tem um mundo interior rico e tem uma rede de pessoas que gosta dela e cuida dela, coisa que a pessoa que tem o título de mãe dela não faz. Mas Josie está por vezes presa ao carinho que tem pela ideia que tem da mãe, que não corresponde necessariamente à pessoa que a sua mãe é. E isso paralisa-a, impede-a de saber lidar com a mãe, e de virar as costas para se arriscar a fazer aquilo que mais sonha. É triste, mas também é um caminho que a Josie tem de aprender a fazer, e é recompensador acompanhá-la nesse caminho.

O elenco de personagens secundários é muito rico. Temos a Willie, a madame da casa de prostitutas, que é tão dura e tão difícil de lidar com, mas que gosta genuinamente da Josie (às vezes gostava que pudesse ter-se permitido ser mais carinhosa com a Josie). O grupo de prostitutas da casa também é muito engraçado, cada uma com a sua personalidade e idiossincrasias. E mais importante, a autora faz um bom trabalho em caracterizá-las, este grupo de mulheres meio liberalizadas e livres das amarras da sociedade, mas a lutar por conseguir algo melhor da vida do que aquilo que lhes foi dado.

O Cokie é adorável, tão sensível e preocupado com a Josie. O Charlie deixou-me mesmo preocupada com a sua situação. O Patrick tem uma história bonita e tem uma relação mesmo gira com a Josie, e apesar do que ela pensava inicialmente, a sua relação de amizade não precisava de evoluir para outro estado. E o Jesse tem o grau certo de misterioso e bom rapaz, e é óbvio para toda a gente menos a Josie que está de beicinho por ela.

Quanto à mãe da Josie, que mulher horrenda. Má, egoísta, despreocupada, insensível, não há adjectivos que definam o quão horrível é. Apenas direi que a detestei e que me deu vontade de a ver cair morta antes da história acabar, por tudo o que fez à própria filha.

A história, sendo tão orientada para uma personagem e o seu crescimento ao longo da narrativa, não é nada de grandioso. Mas deu-me gosto acompanhar Josie nos seus altos e baixos, sofrer com ela e sonhar com ela. (E sobretudo, partilhar com ela o gosto por livros.)

Quanto ao fim, gostei e não gostei que fosse tão em aberto. Gosto de fins em aberto, pelo menos da maneira como a autora os faz. Não preciso de saber como a história da Josie evolui a partir daqui - a parte importante, o crescimento dela e a sua aceitação das coisas e a tentativa de mudar o que pode, já tinha sido abordada. Não preciso de saber ao certo a resposta para algumas questões levantadas ao longo da narrativa. Mas gostaria de ter a certeza do destino de um par de personagens que tanto sofrimento causou à Josie. O que querem, tenho um lado justiceiro.

Título original: Out of the Easy (2013)

Páginas: 384

Editora: Asa

Tradução: Helena Ruão

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Between Shades of Gray, Ruta Sepetys

I'm submitting this book to the 2011 Debut Author Challenge, hosted by The Story Siren. I'm also submitting this to the YA Historical Fiction Challenge hosted by YA Bliss.


Review: What should I say about this book? Sometimes it seems that throughout the WWII there was some sort of competition to find out who could come up with the nastiest ways of hurting other human beings. For the Nazi side there seems to be many books and other documents that describe the atrocities of war, but that doesn't happen for the Soviet side. So, Between Shades of Gray was new to me, in the way that I had never read anything about the labor camps in Siberia.

Lina is a fifteen year-old Lithuanian girl that is taken away from her house and her country with her mother and brother. After a perilous journey by train, she is imprisioned in a labor camp, where she has to deal with hunger and cold, with worries for her family and the boy she cares for.

Reading about Lina's story, albeit fictional, was haunting and touching. To know that so many people went through this was so sad. I often wondered "what's the point of this?"; why send so many people to God-knows-where to do God-knows-what, in complete and utter isolation and just let them die? It seems such a waste.

The ending was left quite open, but the epilogue gives us some clues to Lina's life after the camps, and to when she was released. I loved this book and would completely recommend it.

Pages: 352

Publisher: Puffin Books