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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Curtas BD: Sandman. volumes 1 a 4

Sandman v.1: Prelúdios e Nocturnos, Neil Gaiman, Sam Kieth, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III
Sandman v.2: Casa de Bonecas, Neil Gaiman, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III, Chris Bachalo, Michael Zulli, Steve Parkhouse
Sandman v.3: Terra do Sonho, Neil Gaiman, Kelley Jones, Charles Vess, Colleen Doran, Malcolm Jones III
Sandman v.4: Estação das Brumas, Neil Gaiman,  Kelley Jones, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III, Matt Wagner, Dick Giordano, George Pratt, P. Craig Russell

... pois. Acho que basta ler um par de volumes para perceber porque é que toda a gente é louca por isto. Não diria que basta o primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, porque sei que li o seu conteúdo no passado, e apesar de ser interessante não é memorável por si só.

Não, o que é memorável é continuar a ler e ver o tapete de histórias que está a ser tecido ao longo dos livros. A aparente simplicidade e genialidade da série está em pegar numa miscelânea variada e abundante de lendas e mitos do imaginário popular, jogá-las todas para dentro do mesmo saco, abanar, e sair de lá uma coisa brutalmente coerente e cheia de ligações estranhas e obscuras...

...e que fazem estranhamente sentido. E nem sequer vou fingir que apanhei todas as referências. Quero dizer, considero-me uma pessoa com uma boa cultura geral, mas estes livros estão tão recheados de coisas que não me parece que seja possível. Sobreviverei. Passei a leitura tão fascinada que não posso ficar aborrecida por isso. É simplesmente uma boa desculpa para uma futura releitura.

O primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, conta a história de um ser, Sonho dos Eternos, que é aprisionado durante anos e anos. Mostra-nos as consequências da sua prisão (e aqui começa a genialidade, porque esta aparentemente simples história coloca uma série de elementos que o autor aproveita para expandir mais à frente), como é libertado, a sua "vingança", e como tenta recuperar os seus artefactos de poder.

Algumas das histórias aproveitam para entrelaçar pedacinhos do universo DC entre elas; e o caminho que Morpheus percorre é longo e complexo. As minhas histórias favoritas deste volume incluem a em que Morpheus desce aos infernos para recuperar o seu elmo, e a batalha que trava para esse efeito; a história "24 horas", pelo conceito e pela degeneração entre um grupo de pessoas (assustadora); e a última história, em que o Morpheus está com pena de si próprio e a sua irmãzinha, a Morte, vem dar-lhe nas orelhas para parar de ser parvo (é interessante por mostrar as possibilidades da Morte e as suas várias facetas).

Segundo volume, Casa de Bonecas: é maioritariamente a história de Rose Walker, uma jovem relacionada com uma situação que ocorre devido à prisão do Sonho, e a sua procura pelas suas raízes e pelo seu irmãozinho raptado. Achei que a história tinha algum sentido de humor - afinal, há uma "conferência cereal", que mais não que é uma reunião de... serial killers. Explora algumas potencialidades fascinantes do mundo do Sonho.

O volume tem duas histórias intercaladas. A primeira é sobre uma mulher que amou o Sonho. (E quão bem isso correu. O Morpheus parece um idiota nesta lenda, pelo menos como é contada. Mas é bastante inteligente o modo como é enquadrada.) [Isto vai voltar no quarto volume. É fabuloso pensar nestas ligações todas.] A segunda história é sobre um homem a quem é concedido viver enquanto não desejar morrer, e os seus sucessivos encontros com o Sonho ao longo dos séculos. Muito giro ver como às vezes ele estava em alta, outras em baixa. Destacam-se as aparições de William Shakespeare e de uma antepassada do Constantine. E é engraçado ver o último reencontro deles, pelo que havia acontecido no anterior.

Terra do Sonho, o terceiro volume, reúne quatro histórias soltas com aparições do Sonho (na última, da Morte), explorando o mundo fantástico criado na série. Creio que gostei mais das duas primeiras que das últimas duas. A primeira, Calíope, é sobre uma das musas, aprisionada por homens egoístas e brutais (a sério, que vontade de lhes apertar o pescocinho) para aproveitarem a sua capacidade inspiradora. A segunda, Um Sonho de Mil Gatos, é tão gira pela presença dos nobres felinos, pela sua ligação ao mundo do Sonho, e pela compreensão da natureza felina.

A terceira história, Sonho de Uma Noite de Verão, é sobre William Shakespeare (que já tínhamos visto no volume 2) e a sua trupe de actores, que representa a peça homónima para uma audiência... especial. (As fadas mencionadas na peça.) Acho que apreciaria mais se estivesse familiarizada com a peça. Afinal, isto fez a proeza de ganhar um World Fantasy Award. A última história, Fachada, tem elementos interessantes, mas acho que apreciaria mais se estivesse mais familiarizada com a personagem principal.

O último volume, Estação das Brumas, tem uma premissa brutal: o Sonho percebe que foi um idiota com a Nada, a mulher que amou e que apareceu no segundo volume; e deseja retornar ao Inferno para tentar ajudá-la. De caminho, Lúcifer, para se vingar da fuga do Morpheus no primeiro volume, cria um plano inusitado: esvazia o Inferno e oferece as chaves ao Morpheus. (A vingança serve-se fria.)

É claro que algum caos e hilaridade se seguem. Uma série de deuses, panteões e seres míticos interessam-se pela posse do Inferno, e oferecem e ameaçam o Sonho para lhes dar o dito cujo. É muito engraçado seguir a estrutura da história ao longo de todos oferecerem a sua dádiva. (Ou fazerem a sua ameaça.) Gosto da resolução dada, faz sentido, vai para quem menos irá desviar o curso das coisas. E no início do volume temos uma reunião entre os vários Eternos (menos um), que foi cativante de acompanhar para os conhecer melhor.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 18, 19 e 20

Batman: Outros Mundos, Brian Augustyn, Mike Mignola, Doug Moench, Kelley Jones, Dan Raspler
Este é um volume deveras interessante, pela premissa que as suas historias encerram: expor o protagonista a outros mundos, a coisas que no universo e continuidade regulares o super-herói nunca encontraria.

A primeira história, Gotham by Gaslight, é a minha favorita. Bruce Wayne vive numa Gotham vitoriana, no fim do século XIX, e dá por si a caçar Jack o Estripador, o assassino que depois de aterrorizar Londres pôs os olhos em Gotham. Achei que os paralelismos entre o Bruce vitoriano e o Bruce actual foram bem estabelecidos, e adoro o cenário vitoriano e a presença de Jack o Estripador. Agradou-me muito a arte, e a sua combinação com a cor, dando um estilo algo vívido ao desenho.

A segunda história, Red Rain, é daquelas que uma pessoa haveria de pensar "porque é que ninguém se lembrou disto mais cedo?", porque a associação Batman > morcego > vampiro é quase demasiado óbvia. Mas ao mesmo tempo acho a ideia de um Batman vampírico um bocado tolinha, e por isso não consegui levar a história completamente a sério. Pelo menos conseguiu manter-me a atenção do princípio ao fim. Na arte, não sou a maior fã. Há demasiados rendilhados nos fundos, e não sei se me agradam muito as cores usadas.

A terceira história, Sanctum, achei-a demasiado curta para realmente me cativar. Mas apreciei bastante a arte, na qual já se vê muito do que o autor faz no Hellboy, ou assim mo pareceu, do pouco que conheço do Hellboy.

Super-Homem: Legião dos Super-Heróis, Geoff Johns, Gary Frank
Já tive um vislumbre da Legião dos Super-Heróis, através da Crise nas Terras Infinitas, história também publicada nesta colecção. E gostei imenso de os conhecer melhor. Quero dizer, a Legião tem demasiados integrantes para os conhecer a fundo, mas a história faz um bom trabalho a apresentá-la minimamente, e à sua relação com o Super-Homem.

A história entreve-me e manteve-me entrosada, e adorei o conceito de um grupo de super-heróis de várias origens que se juntam para proteger a galáxia. Gostei ainda do conflito no cerne do enredo, um conflito enraizado nos meandros da Legião e da entrada (ou não) de novos membros. Gostei da arte em geral, mas achei demasiado desconcertante ver a cara do Christopher Reeve no rosto do Super-Homem. Imagino que a ideia era fazer uma homenagem, mas foi algo que me causou estranheza durante toda a história.

Super-Homem e Batman: A Rapariga de Krypton, Jeph Loeb, Michael Turner, Ian Churchill
Não estou familiarizada com a mitologia do Super-Homem, nem conheço por aí além os personagens que o rodeiam, mas diverti-me a conhecer melhor a Kara. Prima do Kal-El, ou Super-Homem, cai na Terra muito depois do previsto (a ideia é que fosse ela a criar o primo), e acaba por ser o SH a ter de lidar com uma primita adolescente.

Gostei bastante de ler sobre a relação que o SH e o Batman têm, as tensões, as piadinhas, e como a aparição da Kara provoca toda uma panóplia de drama entre estes dois. O Bruce, claro, fica logo desconfiadão, enquanto o que SH está mais pronto a aceitá-la. Afinal, não é o último sobrevivente de Krypton.

Sobre a arte, bem, eu já conhecia o artista graças ao primeiro volume da série Witchblade. E há coisas que ele faz muito bem, gosto bastante das caras, por exemplo, que me parecem expressivas. Mas depois o homem tem uma pancada qualquer por tornar roupas normalíssimas em coisas estranhas, pelo menos nas mulheres. A sério, a Kara aparece duas vezes de calças de ganga, e das duas vezes tive vontade de bater com a cabeça nas paredes. Não, as mulheres não usam fatos de banhos como se fossem camisas, e não, não usam cuecas tão lá em cima, nem calças tão cá em baixo. *facepalm* Graças a Deus que não dá para mexer muito no fato da Mulher Maravilha, ou sabe-se lá o que é que ele tinha inventado.

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Gostaria ainda de deixar um breve comentário à colecção toda. Em geral tenho estado a gostar, e fiquei muito contente por ser apresentada a um universo que me era bastante desconhecido... mas estou a encontrar pouca variedade entre os títulos. Eu gosto muito do Batman, mas já chega de Batmans e Super-Homens, o universo DC não tem mais heróis?

E até nos autores escolhidos vejo pouca variedade, há alguns que aparecem logo umas 3 ou 4 vezes, em 20 volumes... não sei, tenho a sensação que a colecção Marvel do ano passado era mais variada, e teve direito a menos volumes (25 no total, esta vai ter mais 10, por isso 30 no total). Entre os títulos da segunda série DC, vejo mais Batman, mais Super-Homem, e repetição de alguns autores... *cof*Geoff Johns*cof*

Isto deu-me que pensar. Gosto muito destas edições, têm sido muito boas e bem trabalhadas, mas tanta repetição fez-me pensar se devia continuar a fazer a colecção. Ainda por cima mudaram de jornal, para o semanário Sol, coisa que me deixou intrigada. Enfim... Sexta-feira logo decido.