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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 11 a 14

Novos Vingadores: Evasão, Brian Michael Bendis, David Finch
Hmmm. Isto até é interessante. Depois de um evento que levou ao término dos Vingadores como equipa, uma série de indivíduos com poderes acaba a lutar em conjunto numa ilha-prisão em que há uma fuga; a formação de uma nova equipa de Vingadores perfila-se no horizonte com os eventos da história.

Achei a história muito interessante pelos seus elementos, a maneira como a equipa se junta (pobre Homem-Aranha, finalmente nos Vingadores, e não há remuneração para o azarado), mas também porque o ritmo de enredo é muito envolvente, tudo se desenrola como um misto de um filme de acção e mistério, e gostei bastante de seguir a evolução da narrativa.

Como disse, gostei bastante dos elementos introduzidos na história, de coisas do universo Marvel que foram trazidas para aqui; contudo, não sou fã do final do volume, fica muito em aberto. O que faz sentido se considerarmos a natureza episódica da história, mas para quem lê em livro é algo desconcertante.

Quarteto Fantástico: Além da Imaginação, Mark Waid, Mike Wieringo, Casey Jones
Outro volume bastante bem escolhido para esta colecção, creio eu. Gostei mesmo de como o Quarteto foi apresentado. Normalmente não costumo ler muito estes personagens, e não tem havido nada que me atraísse para eles; mas este volume consegue-o, creio eu.

O que me atraiu na história é esta mistura de drama e momentos de fasquia alta, de unidade familiar e resistência à adversidade, de exploração e aventura. Fez-me entender melhor o que os fãs vêm neste conjunto de personagens.

Os dois capítulos finais mostram o pós, o que acontece depois de uma aventura tão traumática para a família. E é de partir o coração. O personagem no centro é o Franklin, aquele que mais obviamente sofreu com os acontecimentos da narrativa, mas é possível ver como todos estão abalados. É um pedacinho da história mais calmo, mais focado no desenvolvimento dos personagens, e foi uma delícia de ler.

Ultimate Homem-Aranha: Poder e Responsabilidade, Brian Michael Bendis, Mark Bagley
Esta é uma história que já conhecia. Coleccionei os números isolados que foram saindo com um jornal há anos, até ao número 20 do Homem-Aranha versão Ultimate.

Há que reconhecer, a história é muito boa a pegar nos temas e fios narrativos do original, e adaptá-los a um mundo moderno. E os pequenos detalhes são bem giros de observar. Dá a sensação que estes são mesmo miúdos do século XXI (bem, talvez com alguns ligeiríssimos exageros, mas aceitáveis).

Narrativamente, a história corre muito bem, bastante interessante, e gosto de ver este Peter a lidar com os dilemas normais da adolescência, no meio do drama que deriva de lidar com os seus novos poderes. Há um humor e uma dinâmica que me agradam na narrativa.

A minha queixa prende-se com o facto de que tudo isto já está... batido? Seria mais interessante para mim dantes. Agora já lidei com um milhão de histórias de origem para o personagem, e começo a ficar aborrecida. Há uma série de coisas giras para fazer com o Peter para além disso.

Marvel Zombies, Robert Kirkman, Sean Phillips
Beeeem, seria de esperar que uma premissa tão fixe e intrigante resultasse numa história igualmente fascinante. A realidade? Eh, nem por isso. Zombies no mundo Marvel é brilhante, ver os nossos heróis a lidar com os problemas de serem zombies é perturbador, e não no bom sentido.

É que o livro deixou-me enjoada. E eu li um pedaço dele ao almoço, por isso não é enjoada de vomitar o almoço. É mais moralmente enjoada. Acho que nunca vou recuperar de ver estes personagens obcecados em comer os não-zombies que sobraram, incluíndo alguns dos seus antigos aliados, outros super-heróis.

Além disso, a noção de o mundo ter sido perdido para os zombies é algo traumatizante. Assim como a noção da refeição final que vemos no livro, e as suas consequências.

Tendo dito isto, a nível intelectual alguns elementos da história são positivamente intrigantes. A questão da fome constante, da necessidade de continuar a alimentar o monstro, e ainda assim manter o intelecto e as capacidades que se tinha. Um dilema interessante, e com momentos engraçados. (Again, o Homem-Aranha. Convenhamos, é sempre o Aranha a dar piada às coisas.)

sábado, 13 de junho de 2015

Curtas: Hawkeye, Saga, Outcast

Hawkeye vol. 2: Little Hits, Matt Fraction, David Aja, Steve Lieber, Ron Lim, Francesco Francavilla, Annie Wu
Oh, céus, cada vez gosto mais desta série. O Clint Barton é um totó ensarilhado, e só faz asneira, e precisa de pôr ordem na vida dele, mas é tão divertido ler sobre as suas aventuras. Este volume reúne um conjunto de histórias stand-alone, enquanto combina um arco de história maior, que apenas começou a ser desenvolvido, estando em aberto para evoluir em direcções bastantes interessantes.

Uma das razões pelas quais tenho apreciado tanto a narrativa nesta série é porque os autores usam formas incomuns de contar a história, de montar a sua evolução, o que consegue cativar-me e manter o meu interesse. O primeiro número deste volume segue separadamente o Clint e a Kate Bishop, enquanto enfrentam a Natureza implacável. O segundo conta uma história de Natal inusitada, cheia de problemas mesmo à escala do Hawkeye, e usa uma moldura de saltos temporais para manter as coisas interessantes.

Os números seguintes usam num o enquadramento de capas de comics com um tom romântico para contar a história, e noutro mudam a narrativa para a perspectiva das mulheres na vida do Hawkeye, o que se torna engraçado e fascinante de acompanhar. (Foi uma das minhas partes favoritas. E já agora, a Kate Bishop é a melhor.) Outro número segue um assassino que persegue o Clint, e o último é o melhor de todos: mostra a perspectiva do Lucky, o cão do Hawkeye, sem praticamente palavras, apenas acções, e o modo do cão de ver o mundo. E surpresa, a história faz fantasticamente sentido, e continua o arco de história maior da série.

A arte de David Aja continua bem interessante, com montes de opções multifacetadas, um leque variado de modos de contar uma história; e ainda bem complementada pelo trabalho de cores, a tender para o monocromático e para o foco numa cor ao longo de um número da revista.

O primeiro número deste livro tem um outro par de artistas, mas não sou totalmente fã, especialmente por causa de como desenham as caras. Francesco Francavilla desenha outro número, e o seu estilo mais escuro é perfeitamente adequado ao tom, mas achei a história meio confusa, particularmente na narrativa do vilão, e gostava que a sua figura tivesse ficado mais bem esclarecida.

Saga vol. 2, Brian K. Vaughan, Fiona Staples
Sim, falem-me de cliffhangers. Este livro tem o maior deles todos! Argh, e eu que estava a passar um bom bocado. Era preciso isto? Grrr. A única coisa boa disto tudo é que não tenho de esperar muito para ler o próximo volume. A coisa má é que já nem me importava muito com os cliffhangers, e agora lembrei-me que, por defeito, não sou fã.

À parte disso, foi uma boa leitura. Uma óptima leitura. O primeiro volume era de iniciação, de apresentação do mundo, e por isso em partes a história é um nada mais frágil. Mas aqui, aqui a história é uma máquina bem oleada, com foco e propósito. Consigo vê-la perfeitamente trabalhada, e dá gosto ver.

A minha parte favorita deste arco é o foco na família. A de sangue, e a que construímos por nós próprios. Adorei conhecer os avós da pequena Hazel, que são dois personagens fascinantes, e torna-se cativante seguir a luta desta família, a Alana e o Marko e a pequena Hazel, pelo direito a ser uma.

Há um par de números no meio deste livro que seguem os outros personagens da narrativa; e se por um lado aprecio conhecê-los melhor - gostei bastante da parte da história à volta do The Will, mas ainda não gosto por aí além dos robots -, por outro é stressante ver a situação desta família ficar suspensa e ver dedicar um número aos outros personagens. Não me deixem pendurada, pessoal! Estou a ficar investida nisto, e dá-me uma coisa má ao ficar pendurada.

A arte de Fiona Staples é fantástica, nem que seja porque consegue desenhar todo o tipo de coisas bizarras e fantásticas para este universo, e torná-las completamente credíveis e nada (vá, só um bocadinho) estranhas. E gosto muito do aspecto que ela dá às coisas, cores incluídas.

Outcast vol. 1: A Darkness Surrounds Him, Robert Kirkman, Paul Azaceta
Esta foi uma leitura que me deixou impressões contraditórias. Li apenas um volume de The Walking Dead, por isso não sabia bem o que esperar de Robert Kirkman, e por isso fui com uma mente aberta para a leitura, e no fim de contas saí dela ao mesmo tempo frustrada e satisfeita.

Satisfeita porque a ideia é muito boa. O protagonista, Kyle Barnes, tem um percurso de vida absolutamente dramático, é totalmente um coitadinho, e que interessante é por vezes acompanhar os coitadinhos e danificados. Aquilo que é sugerido da sua história é bastante curioso, e também gostei de desvendar o pouco que é apresentado da mitologia deste mundo, de como as coisas funcionam, os exorcismos e as possessões, e o poder que Kyle tem neste mundo.

Frustrada porque, bem, aquilo que é apresentado do que se está realmente a passar é muito pouco. A história anda a passo de caracol, e se bem que não desgosto do tom contemplativo (que apesar de tudo, os autores conseguem manter o interesse do enredo), também gostava que andasse um pouco mais depressa, mesmo que fosse para apresentar mais perguntas que respostas. Ao menos estava a andar e apresentar mais detalhes deste mundo, saciando-me a curiosidade.

A arte é mais ou menos interessante. Um pouco estranha, nas caras, mas tenta usar as vinhetas duma forma engraçada, destacando pequenos detalhes das cenas. Não resulta tão bem nas cenas de acção, em que confunde as coisas, mas de resto é um bom detalhe. As cores são fantásticas, mas se bem me lembro já conhecia a colorista de Velvet vol. 1, e continuo a gostar do trabalho dela.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

The Walking Dead Volume 1 - Dias Passados de Robert Kirkman e Tony Moore

Sinopse: Quantas horas passam por nós quando as não gastamos à frente da televisão?

Quando é que nós ou os nossos amigos trabalhámos para ter aquilo que sempre desejámos?

Quanto tempo passou desde que sentimos uma real necessidade de algo que queríamos?

O mundo que conhecemos desapareceu. O mundo do consumismo e de necessidades frívolas foi substituído por um mundo de sobrevivência e de responsabilidade. Uma epidemia de proporções bíblicas assolou o globo, fazendo com que os mortos ressuscitem e se alimentem dos vivos. No espaço de meses a sociedade desmoronou-se, não há Governo, não há Centros Comerciais, não há correio, não há televisão por cabo. Num mundo governado pelos mortos, somos obrigados a começar a viver.

Opinião: Até este ano nunca tinha lido nenhuns livros, ou visto nenhuns filmes, de zombies (que me lembre). Simplesmente nunca me interessei pelo tema. "Um bando de mortos-vivos a andar por aí? Que piada é que isso tem?", pensava eu. Bem, começo a descobrir que o interesse das obras com a temática zombie pelo meio não é no monstro em si, mas naquilo que desperta na natureza humana. Porque como é que alguém se mantém humano num mundo dominado por seres inertes, inumanos e mortos? Penso que é isso que obras como o Guerra Mundial Z e esta série de BD tentam abordar.
 
A piada deste volume para mim foi mesmo o poder acompanhar um grupo de pessoas tentando sobreviver dia após dia a um apocalipse "zombico". Não sou assim grande crítica quanto à parte desenhada das BDs, no entanto posso dizer que apreciei o uso de preto, branco e tons de cinzento na coloração. Permite-nos focar no que é realmente importante, a história. Se bem que tenho que mencionar uma coisa que por vezes me faz confusão ao ler BD, e nesta não é excepção: é que a certa altura começo a confundir alguns personagens por terem traços parecidos. Provavelmente deve-se a eu ser um bocado "iliterada" visual, já que não costumo ler muita BD. Mas aqui a coloração vira-se contra mim e dificulta-me o perceber quem é quem. Lá para o fim é que me habituei a distingui-los.
 
Bem, voltando à história. Gostei. Como leitora recebi aquilo que estava à espera: pinceladas de uma vida pós-apocalíptica, pessoas com personalidades e idiossincrasias diferentes tentando conviver e sobreviver. O final deste volume traz-nos uma cena que me deixou de coração apertado e curiosa para ver o desenrolar da história.
 
Título original: The Walking Dead Volume 1 - Days Gone Bye (2004)
 
Páginas: 144
 
Editora: Devir