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sexta-feira, 5 de julho de 2013

The Pirate's Wish, Cassandra Rose Clarke


Opinião: Em The Assassin's Curse, conhecemos Ananna, uma jovem pirata que foge de um casamento arranjado. Em consequência, a família do noivo envia um assassino atrás dela. Só que tudo corre mal, e ao salvar o assassino da morte certa Ananna activa uma maldição que o obriga a mantê-la viva, ou também ele morrerá. Os seus esforços combinados para descobrir como quebrar a maldição deixaram-nos, no fim desse livro, isolados numa ilha deserta, mas cientes do que precisavam para quebrar a maldição: realizar 3 tarefas impossíveis.

Gostei muito do primeiro livro da duologia, e isso deixou-me com boas expectativas para este. Adorei o modo como a autora construiu o enredo nos dois livros, e agradou-me muito a forma como construiu o seu mundo, dando-nos um cheirinho de tudo, deserto, mar, selva e ilhas; princesas, piratas, assassinos e monstros mitológicos.

Não sei bem o que esperava, mas o desenrolar dos acontecimentos surpreendeu-me. A maneira como as tarefas impossíveis se resolveram, e a sua interpretação, acabou por ser interessante e inesperada. Particularmente a 3ª tarefa impossível, com uma solução mesmo singular. Para contrabalançar, a evolução da história, e alguns aspectos da mesma, tomaram um quê de tradicional na fantasia épica, sempre com o toque próprio da autora.

Entre os personagens secundários apresentados, adorei, adorei mesmo, Ongraygeomryn, a manticore. Tão mandona e snobe, algo obtusa quanto aos costumes dos humanos, e desejosa de provar a carne do Naji quando este não estiver amaldiçoado. Desenvolve uma relação simbiótica engraçada com a Ananna. E as suas duas interferências na relação Ananna-Naji são demais, completamente hilariantes.

Desta vez, uma parte mais significativa do enredo passa-se no mar, e assim vemos melhor a vida pirata da Ananna e vemo-la inserida numa tripulação. Gostei imenso de seguir estas partes, especialmente quando envolviam batalhas marinhas. Foi bom rever a Marjani, conhecê-la melhor e à sua vida, pois ainda nos reserva surpresas. Apreciei a sua relação de amizade e cumplicidade com a Ananna. E gostei bastante de conhece Jokja, se bem que é nesta cidade que a narrativa abranda e se arrasta.

Quanto à Ananna, já no primeiro livro tinha gostado tanto dela. Heroínas corajosas, teimosas e resmungonas são cá das minhas. Durante este livro, mostra alguma da sua fragilidade, por causa de todo o drama com o Naji, mas o que gosto mais nela é que volta a pôr-se de pé e a distribuir porrada. A autora equilibra bem o ponto carente vs. independente, e a Ananna acaba por se tornar mais confiante.

O Naji, bem, continua quase impenetrável durante uma parte da narrativa. Gostava de ler qualquer coisa no POV dele para ver o que lhe passa pela cabeça. É quase impossível perceber quando é que começa a sentir-se mais próximo da Ananna. Só duas pistas sugerem alguma coisa - um comentário da manticore na 2ª interferência que faz; e um pormenor sobre as tarefas que a Ananna se apercebe mesmo no fim, e que sugere algo mais no modo como a 1ª tarefa se resolveu.

De qualquer modo, diverti-me tanto com o jogo de gato e rato entre os dois. Primeiro avança a Ananna, depois recua, mais tarde avança o Naji, e mais um recuo. Ananna mantém-se afastada graças à interferência da manticore, e passa o tempo a resmungar com toda a gente até a Marjani lhe puxar as orelhas. Ignora o que se começa a tornar óbvio, e só ganha juízo quando alguém fica às portas da morte. Ai... que palermas. Achei curiosa a ligação que se forma entre eles com o laço de sangue, porque ainda gera mais entropia entre os dois, mas também dá a ver à Ananna algumas coisas de forma mais clara.

Um par pouco convencional, portanto. Que adorei seguir. (E às suas aventuras também, claro.) O fim de ambos é pouco convencional também, mas muito adequado, especialmente tendo em conta os feitios e modos de vida dos dois. Fico contente por terem encontrado um meio-termo.

Fiquei fã da autora, e vou manter-me atenta aos seus próximos livros - estão previstos mais dois livros passados neste mundo, com outros personagens. Sei que me espera uma boa aventura, com personagens que não me vão fazer arrepender de seguir a sua história, num mundo épico e fantástico.

Páginas: 336

Editora: Strange Chemistry (Angry Robot)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

The Assassin's Curse, Cassandra Rose Clarke


Opinião: Assassinos? Com piratas à mistura? Pode ser uma premissa inusitada à primeira vista, mas faz todo o sentido. Era mesmo este o tipo de livro que queria ler quando me propus a explorar um bocadinho a fantasia épica no género YA. Aventura, magia, perigo, dois personagens que não se suportam com uma tarefa impossível entre mãos ... o que não há para gostar?

Agrada-me o que a autora fez aqui em termos de definição de cenário e worldbuilding. Ela descreve o suficiente para nos sugerir que este mundo tem uma base exótica, com desertos e oceanos à mistura, e um pouquinho de cultura árabe, mas descreve apenas o suficiente para conjurar uma imagem, que deixa o leitor preencher o resto com a sua imaginação. O mesmo se passa com o sistema de magia neste mundo. Sabemos que há tipos de magia (de sangue, aquática, por exemplo). Sabemos que que há maldições e todo o tipo de encantamentos. Mas a autora não se perde muito em explicações complexas sobre este aspecto. A magia apenas é. Que refrescante não nos perdermos em divagações.

Os personagens principais, bem, têm tudo para eu gostar deles. Tenho um fraquinho por histórias em que as pessoas começam por não se suportar, mas algo as obriga a lidar uma com a outra, e pelo caminho começam a dar-se bem, e quem sabe algo mais. Neste caso, os dois personagens principais, um assassino e uma pirata, ficam colados um ao outro porque ele tem uma maldição sobre si, que o liga a quem lhe salvar a vida, de modo que essa pessoa não pode morrer sem acontecer o mesmo a ele. Adivinhem quem activa a maldição?

Achei piada à Ananna, a nossa pirata. É um pouco impulsiva - foge de improviso no primeiro capítulo, de um casamento arranjado pelos pais. Simplesmente vê um camelo, e como a direcção das coisas não lhe estava a agradar, pega no camelo e aí vai ela. Não sei como é que não se mete em mais sarilhos com esta atitude, mas suponho que também consegue ser ponderada, e acima de tudo consegue tomar conta de si. Não anda sempre a espadeirar, mas sabe decididamente usar uma espada. Consegue tripular um barco tão bem como qualquer homem (até melhor que alguns marinheiros que encontram pelo caminho). E tem uma boa intuição - a parte em que conhece a Leila tem o seu quê de ciúmes, mas a Ananna consegue ler muito bem a situação e perceber as nuances da relação entre o Naji e a Leila.

O Naji (bem, duvido que ele se chame assim... creio que as palavras dele são "podes chamar-me Naji", o que implica que não seja esse o seu nome) é o assassino. A sua atitude ao longo do livro intrigou-me e fez-me um pouco de comichão, porque passou o tempo a esconder coisas e a não contar outras à Ananna, e era muito calado e sempre a cismar. Mas o ser tão fechado também torna as coisas mais divertidas no sentido em que é recompensador quando o leitor/a Ananna percebe alguma coisa. (Como quando a Ananna percebeu como ele se sentia em relação às cicatrizes ao vê-lo com a Leila.) E suspeito que o tipo de magia que alguém pratica esteja relacionado com o feitio da pessoa. No caso do Naji, magia do sangue (mais negra) leva a um feitio mais fechado. Com a Ananna, magia da água, e um feitio mais volátil mas adaptável.

O que esperar do segundo livro? Para já, que a Ananna e o Naji se empenhem nesta coisa de quebrar a maldição através das tarefas impossíveis. (Para depois se darem conta que afinal, não queriam mesmo separar-se... oh, a minha cabeça encheu-se de possibilidades quanto ao desenrolar do final do livro, cada uma mais dramática e provavelmente ridícula que a outra.) Achei divertido que a Ananna visse o quão facilmente podia resolver uma das tarefas, o que lhe deu esperança para as outras, mas acho que muita tinta ainda há de correr quanto a este assunto. Espero que seja uma boa sequela, com todos os ingredientes que me fizeram adorar este livro.

Páginas: 304

Editora: Strange Chemistry (Angry Robot)