Mostrar mensagens com a etiqueta Adam Kubert. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adam Kubert. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Curtas BD: Revistas Marvel, Homem-Aranha e Vingadores, volumes 3 e 4

Homem-Aranha vol. 3: O Reino das Trevas / Miles Morales, Dan Slott, Matteo Buffagni, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
Homem-Aranha vol. 4: A Ascensão do Escorpião / Miles Morales, Dan Slott, Giuseppe Camuncoli, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
A primeira história do volume 3 foca-se no Peter Parker e no retorno do Sr. Negativo, um personagem que altera as personalidades dos que o rodeiam... e que conseguiu fazê-lo com Cloak e Dagger, um par de super-heróis secundários (mas que sempre me deixou curiosa). A inversão destes dois heróis é interessante, pois os seus poderes complementam-se. A história é excitante porque o Peter descobre um espião na empresa, e achei interessante a relação dele e do Aranha com a policia chinesa, que é mais aberta e respeitosa do que esperaria. Gostei de ver.

A primeira história do volume 4 também é do Peter, e foca-se no término do enredo do Escorpião. O início passa pelo Peter como Aranha e o Nick Fury irem para o espaço, e é tão divertido ver o Peter tentar quebrar o exterior sério do Nick. O Aranha faz uma reentrada na atmosfera assustadora e excitante e lança-se em perseguição do Escorpião com a ajuda da Anna Marie Marconi, que foi a melhor coisa a sair do Homem-Aranha Superior. Os comentários dela para o Peter são amorosamente sarcásticos. O objectivo final do Escorpião era descobrir os eventos do próximo ano, e as menções que faz são curiosas.

Por fim, o Miles Morales, que tem história nos dois volumes, mas prefiro comentar tudo em conjunto. Pontos bónus já de entrada para a arte super-realista, que me encantou deveras, e dá um sentido terra-a-terra à história do Miles. Que é tão interessante e fofo e sei lá o quê. De certo modo é como se estivéssemos a rever alguns dilemas do Peter sob uma nova lente.

O Miles é alguém diferente, com um percurso de vida diferente e um objectivo diferente, mas encontra os mesmos problemas. As dificuldades na escola por causa da sua vida dupla, o resistir a correr para a refrega assim que ouve sirenes a passar, os conflitos com a família (só o pai sabe que ele é o Aranha) - que têm uma evolução hilariante, já que a avó materna é uma abuelita latina duríssima que está pronta a saltar para conclusões e achar que ele está metido com raparigas. Ou com drogas.

Outra coisa interessante que notei nestes poucos números é a reflexão de alguns parâmetros que podem fazer alguém ser considerado, hmm, "diferente", e como isso condiciona a sua experiência. O Miles fica frustrado quando o seu fato é rasgado e as pessoas percebem que ele não é branco, porque não quer ser conhecido como o "Aranha negro". O seu companheiro de quarto, o Ganke, discute com ele o que é ser gordo e como isso o marginaliza a ele.

E o Ganke faz o Miles "sair do armário" superheróico à frente de outra pessoa, um mutante que vai para a escola deles, o que é compreensivelmente frustrante para o Miles. Na comunidade super-heróica só a Kamala sabe, creio eu. (Nota tangente para rapazes adolescentes e a sua necessidade de se revelarem à Kamala. O Nova fez o mesmo. Ai, essas hormonas adolescentes...)

O que quero destacar com isto é que estas questões são apresentadas sob vários prismas, debatidas, mas tal como estes jovens ainda estão a formar opiniões sobre o mundo, também não nos é apresentada nenhuma verdade universal sobre elas, o que gosto de ver.

Pequenos destaques: o pai do Miles costumava ser um agente SHIELD; o comentário sobre ter superpoderes e existir num mundo onde têm de ser usados (apropriado ao espírito dos tempos que passamos); a questão da fangirl deste Aranha, que é gira mas podia ser menos irritante; e a "bênção" do Peter como Aranha a este Aranha, depois do Miles ter derrotado um demónio que deu água pela barba ao resto dos Vingadores.

Vingadores vol. 3: Ataque a Pleasant Hill, Gerry Duggan, Carlos Pacheco, Nick Spencer, Jesús Saiz, Mark Bagley
Vingadores vol. 4: Ataque a Pleasant Hill: Omega, Gerry Duggan, Ryan Stegman, Mark Waid, Adam Kubert, Nick Spencer, Daniel Acuña
O enredo de Pleasant Hill converge à medida que as duas equipas se dirigem para a cidade; a acção e a sequência de eventos podia ser mais clara, no entanto (imagino se reorganizar a ordem das revistas não ajudaria). O conceito de Pleasant Hill é aterrorizador, porque conquanto está a tentar lidar com vilões e criminosos perigosos, é algo que mexe com liberdades individuais e com as personalidades das pessoas envolvidas, e nunca uma história distópica começou com tão boas intenções, pois não? Heh. É algo a pedir para dar asneira.

A situação dos Inumanos está no centro das atenções no mundo Marvel (algo que não é inocente, pois o outro grupo de ostracizados - os X-Men - está, no mundo cinemático, nas mãos de outro estúdio que não a Marvel... então para serem vendáveis como um grupo alternativo, a Marvel tem destacado mais os Inumanos nos comics - para além de integrarem conceitos e personagens originais do MCU), e pronto, é coisa que eu gostava de saber mais sobre, ver como se deu.

A coisa interessante de Pleasant Hill é que os vilões são incorporados, mas começam a despertar e a quebrar as barreiras da realidade em que estão; e depois o mesmo acontece com os heróis. No caso destes, começa com a Rogue, que tinha uma programação mental instalada pelo Professor Xavier exactamente para este tipo de situações e para a ajudar a sair da "realidade imaginada".

Outro ponto interessante sobre esta história é a questão de Kobik, um cubo cósmico que aqui assume uma forma sentiente, e julgo que isso altera um pouco a perspectiva das coisas. Em adição é muito interessante ver o Deadpool lidar com ela. Por muito palhacito que o Deadpool seja, fizeram-lhe coisas horríveis e traz uma espécie de sobriedade ao personagem ver os momentos em que ele partilha essas coisas. Há um mar profundo sob a fachada e tudo o mais... as pessoas são bem mais que as máscaras que usam e outros lugares-comuns.

Há pequenos momentos divertidos que eu adorei ver: a Kamala ao "acordar" esmurra a Rogue porque "magoou a Carol" (a anterior Ms. Marvel), ou a piada do Deadpool sobre o Wolverine morrer - só ele iria a esse ponto.

Outros momentos de destaque: um com o Bucky e o Steve a relembrar os velhos tempos, e a questão em cima da mesa; o Visão a permitir à Kamala ver os "Greatest Hits" dos Vingadores para se sentir integrada, o que é amoroso porque ela é tremendamente fã de todos os envolvidos; o destacamento de uma nova Quasar, o que pode ser interessante, e gostava de saber porquê esta pessoa; o pessoal da Marvel fartou-se do Steve Rogers velhote e por isso meteram a Kobik a mudar a sua realidade e fazê-lo voltar a uma versão anterior, mais nova; e fico curiosa por saber se outros(as) Kobiks já aconteceram, como fica implícito.

sábado, 16 de setembro de 2017

Curtas BD: Revistas Marvel, Homem-Aranha e Vingadores, volumes 1 e 2

Homem-Aranha vol. 1: Aprender a Escalar, Dan Slott, Ramón Pérez
Homem-Aranha vol. 2: Global, Dan Slott, Giuseppe Camuncoli
O primeiro volume contém os fascículos que compõem a história Aprender a Escalar (Learning to Crawl); é uma história sobre os primeiros tempos de Peter Parker como Homem-Aranha, recontada, e adaptada ao século XXI. Revivemos a morte do tio, as lutas - mas um vídeo colocado no YouTube dá uma dimensão diferente ao super-herói, dando-lhe uma fama inesperada

O jovem que colocou esse vídeo inspira-se no heroísmo do Aranha e torna-se no seu próprio super-herói: mas mostra como é fácil virar o vilão, fazendo as coisas pelas razões erradas. A história em si é deliciosa pelos dilemas morais do Peter e o modo como está a aprender a fazer isto, ultrapassando os problemas.

O segundo volume decorre no seguimento do afastamento do Doutor Octopus do, er, corpo do Peter Parker, que é devolvido ao legítimo dono. (Banda desenhada de super-heróis. Soa sempre como a coisa mais bizarra do mundo.) O foco é nas indústrias Parker, como o Peter manteve esse desenvolvimento do Ock e o fez crescer, e como isso o apoia a ser um herói a nível global.

Gosto bastante. As minhas partes favoritas do Homem-Aranha têm sido ao longo do tempo quando ele evolui, muda do cliché do azarado coitadinho; e isto pode ser interessante para ele. É impressionante o quanto avançou, trabalhando com a SHIELD, usando tecnologia para lutar contra o crime; mas ainda é o Peter, o miúdo adorável preocupado com a tia.


Os Vingadores vol. 1: Os Sete Magníficos I / Futuro Perdido I, Mark Waid, Adam Kubert, Mahmud Asrar, Gerry Duggan, Ryan Stegman
Os Vingadores vol. 2: Os Sete Magníficos II / Futuro Perdido II, Mark Waid, Mahmud Asrar, Gerry Duggan, Ryan Stegman
Nestes dois volumes seguimos duas equipas que assumem o manto de Vingadores. A primeira forma-se quando os da velha guarda se apercebem que no momento não há ninguém que use o nome de Vingadores para a sua equipa. E então temos uma equipa que reúne gente como o Homem de Ferro, e também o Capitão América na sua encarnação vivida pelo Sam Wilson e o Thor na sua encarnação em que o merecedor do martelo é uma mulher; e ainda gente jovem como a Kamala Kahn (a Miss Marvel), ou o Nova.

O que é tão fofo. Achei divertidíssimo ver a Kamala e o Nova às turras. E a rivalidade conjuga-se bem com a sua inserção na equipa e os desafios de ter jovens com responsabilidades tão grandes, sendo inexperientes. Também achei engraçado o Sam Wilson e a Thor juntos, ao princípio ninguém da equipa sabe quem ela é e o processo de descoberta é giro. Em suma, é uma equipa com potencial.

A segunda equipa junta Vingadores, X-Men, e Inumanos. Aparentemente, no mundo Marvel as tensões estão em alta com os Inumanos e a sua aceitação na sociedade, e a equipa é reformada para incluir elementos dos três grupos, de forma a promover a união entre todos.

Creio que gostei mais da outra encarnação que li da equipa. Esta é um pouco estranha; como equipa não é... orgânica? Não parece ter nomes grandes ou nomes reconhecíveis suficientes, e trata os personagens de forma algo estranha. Quero dizer, a Rogue é uma pessoa bastante experiente a este ponto do campeonato, e comete um faux pas daqueles no início? Difícil de acreditar.

A equipa é liderada pelo Steve Rogers, que a este ponto ficou velhote (qualquer coisa com o soro do super-soldado, creio eu), e deixou de ser o Capitão, mas ainda põe toda a gente em sentido. Gosto de o ver assim caracterizado, mas a maneira como o desenham é péssima. Por outro lado, acho interessante que confie no Deadpool para fazer parte da equipa, e melhor, que o Cap seja das poucas pessoas que o Deadpool leva a sério.

O inimigo presente é um Inumano naturalista, e acaba por ter uma reviravolta no fim. A sua presença força a aparição do Cable, que estava no futuro em que este Inumano conseguiu dominar o mundo. Outra questão que também pode vir a ser interessante no futuro. Se bem que o que eu gostava de ler mais era sobre a posição dos Inumanos neste mundo. Podem vir a fazer histórias bem giras sobre este conflito.

sábado, 7 de maio de 2016

Curtas BD: Wolverine

Wolverine: Logan, Brian K. Vaughan, Eduardo Risso
Começo a achar que metade da piada do Wolverine é aproveitar a sua vida longa para o colocar em eventos importantes ao longo da história. Certamente, é o que eu acharia e me interessaria se trabalhasse em BD.

Portanto, a premissa é bastante fixe. Qualquer coisa passada na Segunda Guerra Mundial ganha interesse logo à enésima potência, nem que seja para ver como é que o escritor vai incorporar a História na sua história e personagens.

Neste caso, é bastante cativante. O Wolverine é um prisioneiro de guerra em Hiroshima, 1945, o que nos diz logo como é que esta história vai acabar. Foge com outro prisioneiro, mas separam-se quando percebe que este outro prisioneiro é demasiado violento, até para o Wolverine.

A história é curta, mas contém muita coisa. O Logan é acolhido por uma jovem filha de um soldado kamikaze, mas o clima é interrompido pelo outro prisioneiro de guerra, enraivecido e determinado a matar todos os japoneses. Entretanto, a bomba cai, e os resultados não são bonitos, tendo em conta as capacidades do Logan.

A narrativa intercala com o presente, em que o Wolverine, recordando-se do seu passado, vai ao Japão para dar um fecho a esta história. A história é boa, mas a arte ainda é mais fascinante. Consigo definitivamente ver porque é que o artista tem tanta gente a dizer bem dele. Com um tão bom trabalho de luz e sombra, consegue transmitir mesmo bem uma certa atmosfera.

Wolverine: Origem, Paul Jenkins, Andy Kubert, Richard Isanove
Já tinha lido este livro, e até já tenho uma edição anterior em português, da Devir, comprada nos bons velhos tempos em que eu comprava BD em português nas bancas. Acho que nunca mais vou comprar BD naqueles moldes, mas pronto. Tenho pena, porque foi assim que comecei a ler BD.

Bem, acho que o mais interessante na história em mãos é uma certa dualidade sobre o seu propósito. O mundo não precisa necessariamente duma história de origem do Wolverine, ele funciona perfeitamente bem sem ela. Aliás, é provavelmente por isso que se passou tanto tempo sem lhe inventar uma.

Por outro lado, fico com a sensação que os escritores do Wolverine adoram explorar-lhe o passado e inventar coisas que lhe aconteceram, por isso, a inventar algo que seja o início do personagem, prefiro que seja esta.

É que é tão diferente do personagem que conhecemos, que estranhamente, para mim, funciona. O Logan começa como James Howlett, um miúdo enfermo - uma noção hilariante, se pensarmos bem - numa família de posses, num Canada ainda muito inexplorado. Uma tragédia na mansão leva-o e a uma rapariga que trabalhava para a família a fugirem, terminando numa pedreira, onde o jovem James vai crescer e tornar-se em alguém muito diferente do esperado.

Acho que é por isso que resulta. Temos as óbvias referências ao presente do Logan, mas a diferença é suficiente para podermos separar as duas fases do personagem. O enredo tem foco, direcção, e pode ter alguns momentos fracos, mas é cativante o suficiente para manter o interesse.

O melhor de tudo é, claro, o trabalho de cor, que é tão bonito, nada a ver com um estilo mais clássico de BD, mas muito adequado para uma narrativa histórica, e bem, enche o olho.

Wolverine: Origem II, Kieron Gillen, Adam Kubert
Ah, infelizmente esta história não é tão especial como a anterior. Tem menos foco, menos direcção, e não acrescenta nada de novo à história do personagem. Tem algumas menções e ligações ao resto do mundo mutante que virá a acontecer, mas é tudo mais desinspirado, menos vibrante.

O Wolverine começa a história algum tempo depois da anterior, e está literalmente a correr, e a viver, com os lobos. Só que um urso polar manipulado e sanguinário destrói-lhe a "família", o que muda aquilo que se tinha tornado a sua rotina, e aterra com ele... no circo, a fazer de atracção.

Não sei, não me cativou, não me captou a atenção como a anterior. Tem alguns momentos engraçados, como a presença de pessoas com o apelido Creed, só que a revelação é feita tarde demais, e honestamente, aquilo que parte da cena final é que devia ser a história. O personagem apresentado tem um historial tão grande com o Wolverine que isso é que teria interesse explorar.

A arte é bem mais interessante, e tem alguns detalhes giros; reparei que no primeiro número a coloração é um pouco diferente, a puxar mais para a da história anterior, e faz sentido para separar do resto da história, que tematicamente é algo diferente.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Colecção Universo Marvel #18, #19 e #20: Wolverine, Vingadores vs. X-Men

Wolverine: Evolução, Jeph Loeb, Simone Bianchi
Uma história que apresenta um novo inimigo do Wolverine, enquanto se debate com um inimigo já bem seu conhecido, Evolução tenta adicionar mais alguns pormenores à mitologia do personagem, desenvolvendo ainda o seu passado.

É intrigante ver revelados certos pormenores sobre o passado do Wolverine e sobre um tal Romulus, que eu já tive oportunidade de conhecer e ler sobre, em histórias mais à frente. Contudo, não sou totalmente fã da narração com flashbacks, que é um pouco confusa e convoluta.

A questão da Evolução também me faz duvidar se seria completamente necessária para apresentar o Romulus; possivelmente sim, mas gostava que tivesse sido explorada doutra maneira. No entanto, gostei bastante da narração interna do Logan, que deu algum interesse à história.

A arte é visualmente muito interessante, talvez um pouco escura, mas bastante enérgica; a composição das pranchas e a organização das vinhetas nelas confere alguma dinâmica à acção. Só não sou completamente fã dum aspecto visual tão escuro.

Vingadores vs. X-Men 1: O Dia da Fénix, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction, John Romita Jr., Olivier Coipel 
Vingadores vs. X-Men 2: E Então Restou Um, Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Olivier Coipel, Adam Kubert 
Já disse por aqui que não sou muito fã das sagas longas, porque tendem a arrastar e a engonhar, sem sim à vista; mas este Vingadores vs. X-Men até fez um bom trabalho em manter a minha atenção. O enredo corre a um bom ritmo, e em vez de termos os heróis a correr dum lado para o outro sem rumo (bem, até temos um bocadinho disso), há um acontecimento aproximadamente a um terço ou a meio da história que muda o foco e os desígnios dos super-heróis , e que ajuda a dinamizar a narrativa.

A história geral é responsabilidade de cinco argumentistas bem conhecidos (Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman e Matt Fraction), que se revezam a escrever cada número individual da história. Fazem um trabalho decente a criar um todo coerente, suponho; não conheço os estilos narrativos respectivos o suficiente para os identificar, mas deu para notar que cada número tinha um estilo diferente.

A premissa em si é bastante interessante, com os dois grupos titulares a discordar acerca de um assunto que lhes é muito caro - a vinda da Fénix, presumivelmente para encarnar na Hope Summers, e o caos que poderá vir daí - e a história que daí resulta até entretém, e se acompanha bem. Contudo, é daquelas premissas que se eu me puser a esmiuçar cai logo abaixo - creio que se os dois grupos se sentassem a uma mesa a discutir o assunto em vez de partir para a agressão imediatamente, não tínhamos tido tanto drama. Por outro lado, se toda a gente não insistisse em ser tão irracional, não tínhamos história, portanto...

Tenho a sensação que os Vingadores se fartaram de pôr o pé na argola vezes sem conta, em termos tácticos, o que é um pouco estranho, tendo em que conta que são liderados pelo Capitão América, que é supostamente um bom líder militar e uma pessoa razoável. E por falar no Capitão, a militarização da situação inicial parece-me totalmente descabida. Esperaria essa atitude dum Nick Fury, mas do Capitão? Bah.

Outro que faz uma asneirada de todo o tamanho é o Tony Stark. Para o génio que é suposto ser, como??? Como é que ele comete uma argolada como aquela com a Fénix? Podemos argumentar que tudo o que se segue é culpa dele, que foi fazer de Deus sem ter a certeza do que estava a fazer - o que não me parece nada típico do Homem de Ferro, mas enfim.

O acontecimento a meio da narrativa leva as coisas para novo território, e torna-se interessante seguir o Quinteto da Fénix. Porque a ideia inicial que têm, de melhorar o mundo em que vivem é fantástica; mas como acontece frequentemente com quem possui muito poder, as boas intenções degeneram. É curioso observar como os personagens resistem ou não ao poder da Fénix, mantendo a sua personalidade ou exacerbando-a até ao ponto de desequilíbrio.

Agrada-me a ideia final do que acontece à Fénix. A verdade é a história para trás deste evento é longa e complicada, indo bater pelo menos até à Dinastia de M, e aquilo que a Wanda/Feiticeira Escarlate fez nessa história teve repercussões durante muitos anos. Portanto, é adequado que ela tenha um papel na resolução do conflito, e que seja peça essencial no equilíbrio das capacidades da Hope.

Sobre uma certa morte ali para o final, bem, já disse que estou à espera que o personagem volte a todo o momento, por isso não me aquece nem arrefece. Ainda por cima o momento é tão anticlimático, ocorrendo depois dum momento grandioso, e tão inglório - querem mesmo que eu acredite que esta pessoa não saberia fazer melhor que cutucar uma fera enfurecida? É quase como se fosse culpa dele, bolas. A situação diz mais sobre a psique do perpetrador e de como se sentia em relação à sua vítima - de forma exacerbada pela Fénix.

Aprecio perceber finalmente o estado de algumas coisas nos primeiros números do Marvel NOW!, há muita coisa que faz agora sentido, como a tensão entre o Pantera Negra e o Namor. E percebi porque é que o casamento do Pantera com a Tempestade acabou, ainda que seja por uma razão estúpida - estarem de lados opostos do conflito não me parece suficiente, muito menos ele culpá-la pelo que o Namor fez, mas enfim...

Quanto ao trabalho artístico, está bem representado, entre três desenhadores bem conhecidos (John Romita Jr., Olivier Coipel, e Adam Kubert); só lhes notei a diferença porque o primeiro desenha caras e expressões num estilo mais cartoonesco e menos realista. Uns (Olivier Coipel, parece-me) têm mais queda para brincar com a organização das páginas e o posicionamento das vinhetas, mas no geral o trabalho apresentado conseguiu manter o meu interesse.