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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Curtas: Mixórdia de Temáticas, Baby Blues, Inside HBO's Game of Thrones

Mixórdia de Temáticas, Ricardo Araújo Pereira
Um livro que compila os argumentos da rubrica com o mesmo título da Rádio Comercial, o que é em si a força e a fraqueza do livro. Fraqueza porque os textos foram claramente para ser lidos em voz alta, encenados, e lidos simplesmente não têm tanta piada.

No entanto, ajudou eu ler apenas alguns por dia, e a força do livro foi por um lado eu ter presente a voz dos locutores intervenientes, que me ajudava a imaginar as vozes em cada texto; e por outro lado houve alguns textos que me pus a ler em voz alta à minha irmã, tentando imitar os tons e timbres, o que deu pelo menos uma sessão de risota pela parvoíce.

O humor presente é o típico do autor, por isso quem conhece sabe ao que vai. A sua análise é por vezes muito certeira, e aponta certos problemas com um humor impagável, revirando a situação duma maneira que é impossível não rir. Recomenda-se, mas em doses pequenas e com a noção de que estes textos são mesmo para serem representados. Melhor mesmo é ouvir os podcasts ou ver os vídeos no YouTube.

Cama Supra, Rick Kirkman, Jerry Scott
aqui falei bastante de Baby Blues, e não sei que mais posso dizer. Gosto bastante deste tipo de álbum de tiras, e aprecio que continuem a publicar algumas coisas deliciosas. Só não leio mais porque não há mais disponíveis em português. No caso de Baby Blues, a editora tem feito um trabalho notável a publicar os livros que recolhem as tiras diárias, estando praticamente actualizados com o que está publicado em inglês.

A piada das tiras é mesmo a vida familiar de Wanda e Darryl MacPherson, e dos seus três filhos, Zoe, Hammie, e Wren. A Zoe e o Hammie estão em idade escolar, o que permite muitas piadas à volta disso, e a volta da relação fraternal, das partidas que fazem um ao outro e das rivalidades normais para um par de irmãos. Já a pequena Wren está numa fase de desenvolvimento muito gira, entre aprender a andar e falar, e também gera algumas tiras engraçadas, especialmente com os irmãos.

Por outro lado, os autores equilibram a oferta com tiras sobre o Darryl e a Wanda, sobre como ele se esquece às vezes da trabalheira que os miúdos dão, ou sobre como os dias são um vendaval para ela. Também há tiras em que tentam sair sozinhos (e preocupam-se com os miúdos a cada minuto), ou sobre como se sentem um pouco desactualizados em relação aos filhos, à tecnologia e à cultura popular.

É fascinante como a vida familiar não deixa de conseguir gerar piadas e situações engraçadas, e continuo cativada por esta família e os pequenos dramas e comédias do dia-a-dia. A única coisa que me resta apontar é que os miúdos estão estagnados em termos de idades há alguns livros... este é o 5º livro de Baby Blues que opino aqui no blog, e ainda não cresceram praticamente nada; espero que brevemente possa vir a ver a Zoe a passar para o 5º ano, numa nova escola, ou a Wren a começar a falar mais.

Este volume acompanha as primeiras duas temporadas da série que adapta os livros do George R.R. Martin. (Recentemente saiu um volume que acompanha as temporadas 3 e 4.) Dividido em capítulos que agregam núcleos do elenco por local geográfico, explora em cada capítulo os personagens, locais e acontecimentos importantes das duas temporadas.

Por um lado, é um volume magnífico. A encadernação é muito boa, robusta, o design das páginas é de encher o olho, é profundamente ilustrado com fotografias, e faz um bom trabalho em apresentar pequenos detalhes sobre o mundo, o que é muito útil para quem viu a série mas não leu os livros. (Ou quem, como no meu caso, leu há algum tempo e precisa de refrescar o conhecimento sobre este mundo.) Também apresenta muito bem a perspectiva dos actores sobre os seus personagens e dos produtores da série sobre como é filmar algo tão grandioso, dando alguns detalhes curiosos sobre as escolhas de produção.

Por outro lado, sabe a pouco. É provavelmente um livro melhor para os fãs da série que para os dos livros. Cada personagem, local ou acontecimento é explorado com alguns comentários dos membros do elenco e da equipa relevantes, só que os comentários parecem tirados de uma entrevista, sem conexão entre si; quase preferia ver o DVD das entrevistas.

Além disso, adoraria ter visto melhor explorados os aspectos de produção, o como se fez, no que toca a locais, vestuário, efeitos especiais, etc.. Além disso, por vezes as fotografias ocupam duas páginas e não tinham claramente resolução para tal, porque ficam com pouca definição - é uma pena, porque muitas valeriam a pena observar ao detalhe.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 13 e 14, + crónicas

Liga da Justiça: Crise de Identidade 1, Brad Meltzer, Rags Morales
Liga da Justiça: Crise de Identidade 2, Brad Meltzer, Rags Morales, Geoff Johns, Howard Porter
Estou impressionada com o tipo de história que aqui se conta. Ver super-heróis, supostos paradigmas de virtude, a tomar decisões moralmente duvidosas e a meter os pés pelas mãos quando tentam resolver uma situação que não tem propriamente solução... a ideia é boa. As questões que geraram a história - até quão longe vão estas pessoas para proteger a sua identidade, de modo a proteger os seus, e o que acontece depois de os vilões serem derrotados - são pertinentes. E achei interessante ver os vários tipos de relação familiar que os super-heróis tinham com os seus entes queridos.

Gostei de seguir o mistério, pois não é uma coisa tão comum de ler em comics, pelo menos nestes moldes tão sóbrios e trágicos. Toda a história tem uma atmosfera pesada, e lê-se bem como um policial... não é muito habitual encontrar estes aspectos entre super-heróis americanos. E certos acontecimentos... fiquei de boca aberta com a evolução das coisas. E aquele fim, apesar dos problemas que tenho com ele, bem, é surpreendente.

O problema que tenho com a história... é que é tão machista. É tudo focado nos coitadinhos dos personagens masculinos, e no horror de poderem vir a perder as suas namoradas/mulheres/etc.. E então as mulheres? Não estão em perigo de perder entes queridos? É que não há uma única mulher no centro deste dilema. (E não, meter ali uma vinheta de vez em quando não chega.) Fora isto, só vemos as mulheres como vítimas ou futuras vítimas, o que não é menos machista. E até o final perde força por causa disto. A razão pela qual o vilão fez o que fez, ou pelo menos o modo como é revelada, é tão mesquinha, e menoriza o sofrimento e os acontecimentos trágicos que estão para trás.

Fora isso, tenho a apontar a estupidez de preparar uma casa para proteger alguém contra os poderes conhecidos de vários vilões, mas não se considerar protecção, ou pelo menos a detecção do uso de poderes conhecidos de super-heróis. É claro que assim não tínhamos história, mas tendo em conta os extremos a que a Liga da Justiça foi para proteger os seus entes queridos, pareceu-me uma falha mesmo óbvia.

O segundo volume contém ainda uma história do Flash para complementar. Ao contrário da história principal, que faz referências ao passado sem exagerar, e que são explicadas bem, esta mete por ali uns comentários enviesados que não são muito claros. Mas gostei de seguir. Faz um bocadinho a continuação da Crise de Identidade, resolvendo algumas pontas soltas, e mostrando o Wally West, o Flash, a fazer as pazes com as escolhas do Flash anterior, o Barry Allen. Não achei muita piada foi ao facto de a história ficar a meio. Os vilões estão claramente a tramar alguma e aquilo fica em suspenso.

Uma nota para as capas, especialmente a do segundo volume, porque conseguiram trabalhar bem o fundo branco e fazer uma capa interessante. (E diferente das do resto da colecção.)

Um comentário curto, porque é um livro de crónicas, e não-ficção, e é difícil fazer uma opinião jeito para tal, pelo menos para mim. Divirto-me a ler as crónicas do autor na Visão quando as apanho, por isso tenho adquirido os livros que as reúnem, e este não foi excepção. É curioso, dá para seguir a evolução das notícias quentes do momento em que as crónicas foram escritas... ai, que este país é deprimente. Porque uma boa parte é a comentar politiquices e asneiradas de políticos. Que bela imagem do nosso país.

Apesar dos temas serem um pouco repetidos, acho piada à maneira como o autor às vezes apresenta as situações, e aprecio o tipo de humor com que as aborda. Só torço para que as coisas mudem um bocadinho por cá, para que da próxima vez que ler um livro destes haja mais variedade de temas.