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domingo, 20 de março de 2016

Curtas BD: Black Widow, Rat Queens, Jessica Jones, The Wicked + The Divine

Black Widow v.2: The Tightly Tangled Web, Nathan Edmondson, Phil Noto, Mitch Gerads
Segundo volume da Viúva Negra, e preferia que o enredo mais abrangente, que abarca as várias histórias que estão a ser contadas, já estivesse mais delineado. Temos a sensação que a Natasha está a enfrentar um inimigo maior, mas ainda está tudo muito pela rama. Com 12 números de história já bem que se podia ter uma ideia mais clara da coisa.

A melhor parte das histórias individuais (que muito lentamente estão a levar a algum sítio) são as aparições de outros personagens do universo Marvel. Gostei particularmente da X-23 (adoro a Laura) e do Winter Soldier, mas os números com o Daredevil e com o Punisher também têm o seu interesse.

Acho que preferia que a escrita fosse um pouco mais clara e directa, porque está a levar demasiado tempo para esclarecer certos pontos, e depois martela-nos a cabeça com outras coisas. Um bocadinho mais de emoção, de caracterização psicológica também não era má ideia - é-nos dito, mais do que mostrado, que ela está a perder o rumo, o que torna mais difícil acreditar nessa evolução. A explosão mediática no fim também não parece totalmente credível, especialmente porque a Natasha não estava a trabalhar com os seus superiores completamente no escuro.

A arte, no entanto, ahhh, que delícia de observar. As "pinturas" de Phil Noto são lindas, a paleta de cores é sóbria, com um ou outro destaques, e fazem um conjunto muito interessante. Mesmo num livro que pedia mais dinâmica, por causa das cenas de acção, não me importo nada de parar e ficar a observar.

Rat Queens v.2: The Far Reaching Tentacles of N'rygoth, Kurtis J. Wiebe, Roc Upchurch, Stjepan Šejić
Oh, raios, eu divirto-me tanto a ler isto. A premissa é fantabulástica, pegando nos clichés de fantasia, vestindo as heroínas com alguns deles, e depois procedendo a derrubá-los um a um com um sentido de humor brutal.

Neste volume, as Rat Queens enfrentam uma ameaça bem maior e mais significativa, meio relacionada com o passado da Dee, que pode vir a destruir o mundo como o conhecem. O que abre a porta para explorar o passado das meninas - num bom equilíbrio entre acção e flashbacks.

Gostei de conhecer a família da Violet, por exemplo, e saber o que ela significava para eles; e também, o que a levou a procurar algo diferente. Gostei dos vislumbres do passado da Hannah, que é um osso duro de roer, e de conhecer. Parece ser aquela que tem mais "bagagem", ou mais complicadinha, pelo menos. E quanto à Dee, o posicionamento dela em relação à sua religião é fascinante. Quero saber mais. Ah, e já agora, já faltava um número só dedicado à Betty. O mundo precisa de saber de onde vem a paixão dela por cogumelos alucinogéneos e doces.

Gosto mesmo de como o livro é escrito, com cada personagem caracterizada com as suas idiossincrasias, mas em grupo, funcionam lindamente, o que é óptimo de ver. Gosto do sentido de humor, dos enredos loucos, e do grau de inesperado que acompanha o desenrolar da narrativa. Ah, estou extremamente curiosa para ver o que vem a seguir.

Jessica Jones: Alias v.2, Brian Michael Bendis, Michael Gaydos
As histórias deste volume são um bocadinho mais simples, ou mais terra-a-terra, que do anterior. A primeira história ocupa grande parte do tempo de antena e é sobre uma terrinha pequena, onde uma jovem adolescente desapareceu, e a Jessica é contratada pelos pais para encontrar a rapariga.

O mais interessante desta história é mostrar o funcionamento duma terra pequena, onde todos se conhecem, e é muito mais difícil ser diferente. Há bastante para a Jessica se indignar. Mas também é curiosa por mostrar que não devemos fazer generalizações sobre as terrinhas e as pessoas que nelas vivem. O final é trágico, mas cativante por isso mesmo.

A segunda história, apenas um número, não tem acção nenhuma e duas cenas de conversas, mas é fantástica por isso mesmo, por ser honesta acerca de relações humanas e dramas pessoais, e como é complicado ser adulto às vezes. Uma das conversas é com o Luke Cage e sobre o que partilharam, terrivelmente embaraçosa. Outra é num encontro com o Scott Lang, e tremendamente divertida.

O que eu gosto mais na Jessica é que apesar de ter poderes, é tão terra-a-terra, tão realista, tão humana e uma de nós. Um pequeno refresco num mar de super-heróis.

The Wicked + The Divine v.3: Commercial Suicide, Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matthew Wilson, Clayton Cowles
Arghhhh não acredito que não obtive mais respostas às minhas muitas perguntas sobre este mundo/história/personagens. Oh, well. Já estou habituada a esperar. Este volume faz a modos que uma pausa na narrativa principal, e explora o passado de vários personagens da série; a arte, para reflectir isso, dá uma folga ao artista principal e traz vários convidados para mostrarem o seu trabalho.

É um pouco estranho. Normalmente sinto-me um bocado lenta a ler estes livros, porque têm tantas referências e comentários a fazer, que obrigam a que leia devagar, e trabalhe para interpretar o que tenho à frente. Mas desta vez, não tive dificuldade em perceber o que os autores estavam a fazer. Sei que muita gente se queixou da arte a mudar constantemente, e apesar de gostar bastante do artista principal, ainda assim acho que os artistas escolhidos são na maioria bastante adequados.

Faz sentido o artista da Sekhmet, para transmitir a visão turva e desconectada que ela tem do mundo; faz sentido a artista da Morrighan e do Baphomet, muito adequada ao estilo gótico deles; faz sentido o estilo mais bonitinho e onírico para a Amaterasu.

Até da exploração das histórias dos personagens eu gostei. O número da Tara foi de partir o coração, por se ver como ela fica destruída pela fama, pela atenção incessante, pelo ódio. Aquela página dupla com os tweets odiosos e ameaçadores que ela recebe é assustadora, especialmente por ser realista.

Acabei por gostar da história da Sekhmet, por explorar a personalidade dela; da da Morrigan e do Baphmet, pela sua história partilhada; e da história do Woden, porque revela alguns pedacinhos de mistérios da série (a sério que ninguém tinha percebido até agora quem era o vilão?), e porque a arte é um remix de vinhetas anteriores da série, o que é um conceito bem fixe, especialmente tendo em conta a natureza do personagem.

Pronto, foi muito divertido, até gostei deste desvio, mas agora voltemos ao enredo principal, sim? Depois do cliffhanger massivo do último volume, que é transposto para este, estou pronta para descobrir algumas respostas. Obrigada, pessoal.

sábado, 22 de agosto de 2015

Curtas BD: Nimona, Wicked+Divine, Finalmente o Verão, Zits

Nimona, Noelle Stevenson
Tenho uma história engraçada com este livro. Há uns tempos fui parar ao site da Noelle, onde este (originalmente) webcomic estava publicado, e li umas páginas, mas não me captou o interesse de imediato, e como muitas vezes me acontece na net, foi descartado, e passei à próxima coisa. Mais recentemente, já depois de saber que se ia tornar num livro, li novamente as primeiras páginas, e fiquei muitíssimo mais interessada. Claro que tive de mandar vir o livro.

E foi uma tão boa surpresa, porque gostei muito do que a autora aqui fez. É um mundo quase típico da fantasia épica, com pendor medievalista, mas com pinta de ficção científica, em que a magia convive com a ciência. Os temas são clássicos, mas a criadora dá-lhes uma reviravolta particular, que nos faz ver as coisas sob um novo ponto de vista, e apreciar o modo como apresenta as coisas.

Gostei tanto da Nimona, uma (aparentemente) adolescente shapeshifter com um feitiozinho desgraçado e uma queda para a vilania. É muito interessante que de todos os formatos de corpo, ela escolha precisamente aquele, o que manda uma mensagem saudável; por outro lado, as travessuras a que se propõe são tão divertidas. Além disso, a sua história torna-se progressivamente mais séria, questionando a natureza do que faz alguém um monstro, terminando numa nota particularmente agridoce.

Já o Ballister Blackheart faz um vilão fascinante, porque o que faz dele um vilão não são necessariamente as suas acções, mas a narrativa pré-estabelecida por outrém, e pela suposta necessidade de haver um vilão. A sua relação com a Instituição é tão complicada, e gosto da maneira como a autora vira as coisas neste ponto, e também na pessoa do Ambrosius Goldenloin (grande nome). Aliás, a relação dele com o Ballister é adoravelmente complicada, e tão gira de seguir.

Gostaria ainda de destacar o sentido de humor com que a história evolui, balanceado com a gravidade de certos momentos muito bem introduzidos. E gostei de ver evolui a arte (e o trabalho de legendagem), vê-se que foi algo feito ao longo de muitos meses, e que permite acompanhar a evolução da autora.

The Wicked + The Divine v.2: Fandemonium, Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matthew Wilson, Clayton Cowles
Eu nem sei bem que dizer sobre isto, e que não passe por fazer muitos spoilers. Porque oh, que raios, esta gente é doida. Completamente varrida. No bom sentido, mas depois fazem-me coisas que deixam uma pessoa estarrecida. Ainda estou a bater mal do final explosivo que este livro/arco têm.

Vamos tentar falar doutra coisa. Voltando à premissa: deuses voltam de 90 em 90 anos, inspiram as massas, vivem durante dois anos, morrem em grande. Vira o disco e toca o mesmo. E mesmo assim, os autores conseguem explorar esta sua premissa e apresentar mais facetas da coisa que são fascinantes de considerar. Gostei muito de vislumbrar como certos aspectos funcionam, e como ao apresentar as regras, nos estão a mostrar como podem também ser quebradas.

Outro ponto muito positivo são as divindades que fazem parte do panteão. É suposto o mesmo ter 12 deuses de cada vez, mas tenho a sensação que é fluido, e que não sempre os mesmos de cada vez. De qualquer modo, aprecio imenso a diversidade incluída no panteão, e como entram divindades de várias mitologias. Vale tudo, e para esta totó da mitologia, é muito bom de ler.

Gosto particularmente de como me fazem trabalhar para entender aquilo que se vai passando. A papinha não está toda feita, obrigam um leitor a pensar no que está a ler, a interpretar, e por isso é das histórias mais ricas que já li. Além disso, a arte, já o disse, é linda, cativante, muito bem pensada, e gosto de ver quão eficaz é o trabalho final a contar a história que é preciso.

Quanto ao final, simplesmente estou furibunda. Eu já tinha ficado parva com o final louco/cliffhanger/seja o que for do livro anterior, aqui estou boquiaberta, não sei se de fúria se de espanto. Estes autores são o equivalente da BD do George R.R. Martin. Nada está a salvo, e vale tudo. Anda uma pessoa a investir o seu tempo para ver as suas esperanças cumpridas apenas brevemente, e depois arrancadas cruelmente das suas mãos. Só me sentirei vindicada se isto trouxer mais desenvolvimento e exploração deste mundo.

Finalmente o Verão, Jillian Tamaki, Mariko Tamaki
Planeta Tangerina, obrigada por publicarem isto. Muito obrigada, que ando há uns bons tempos para o ler, e se houver mais alguém a publicar banda desenhada em português a este preço e qualidade, eu vou querer.

Finalmente o Verão é uma história sem propriamente princípio, meio e fim, sem conflito principal a ser resolvido, sem curva de crescimento e evolução óbvia. É uma história sobre um verão indistinto partilhado entre duas amigas, Rose e Windy, que se reencontram todos os anos em Awago Beach.

É uma história sobre os momentos calmos e quietos do Verão, sobre ir à praia e jantar no alpendre, ver as estrelas e passear de bicicleta. Podia ser o Verão de qualquer um de nós na infância ou adolescência. Intercalados com isto, temos alguns momentos que permitem vislumbrar um processo de crescimento, uma possível evolução das protagonistas pré-adolescentes.

Exemplos: os conflitos com os pais, o entendimento que os pais têm problemas que não sabem resolver, que às vezes estão tristes. Um vislumbre da sexualidade através do comportamento de alguns adolescentes de Awago, e como isso é misterioso e difícil de destrinçar. As primas Tamaki conseguem descrever brilhantemente o dolce far niente das férias de Verão, e a incerteza e insegurança da transição para a adolescência.

O uso da cor azul para desenhar e pintar é tão inusitado, mas resulta tão bem, num equivalente de preto-e-branco que consegue mostrar brilhantemente os cenários, as paisagens, mas também as pessoas, as suas expressões e emoções. É uma opção ganhadora, e visualmente fica tão encantadora e impressionante.

Zits em Concerto, Jerry Scott, Jim Borgman
Já leio estas tiras há algum tempo, e a coisa que gostava de destacar de momento é o modo como as coisas se mantém mais ou menos estáticas ao longo dos quase 20 anos, pois o protagonista Jeremy praticamente não muda; contudo, ao mesmo tempo, os autores têm conseguido incorporar o estado de coisas actual ao longo dos anos, mantendo-se bastante relevantes.

Gosto muito das tiras pelo conflito geracional, as diferenças que acentua entre o Jeremy e os pais, o modo como a tecnologia os influencia e condiciona a sua relação; mas também pelos eternos dramas e conflitos adolescentes - arrumar o quarto, sair à noite com a namorada, fazer os trabalhos de casa atempadamente... simples e clássico, mas consegue fazer-me continuar a ler.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Curtas: BD

Fábulas: A Revolução dos Bichos, Bill Willingham, Mark Buckingham, Steve Leialoha
Fábulas: O Livro do Amor, Bill Willingham, Mark Buckingham, Steve Leialoha
Depois de um início morno desta série, vejo-me a explorar um pouco mais a história e o mundo, ao ler os dois volumes seguintes da colecção. O primeiro pega nos conceitos e temas de A Quinta dos Animais (e talvez de O Senhor das Moscas) para ancorar a história, o segundo junta um conjunto de várias histórias, algumas stand-alone, algumas distribuídas por vários números.

Diverti-me bastante a ler o primeiro livro, graças à ideia de termos os habitantes da Quinta, os seres dos contos de fadas que não conseguem passar por humanos, a revoltarem-se contra o status quo e a quererem mudar as coisas. Adorei ver o papel da Cachinhos Dourados, armada em revolucionária de pacotilha, incitando alguns dos animais dos contos a revoltarem-se. Achei muito interessante ver a divisão entre animais que apoiavam e não apoiavam a revolução.

Gostei de acompanhar a tensão presente, a sensação de perigo iminente derivada da situação que se complica para a Branca de Neve. Toda a questão da revolução levanta boas questões sobre como as coisas estão organizadas para os personagens dos contos de fadas, e toca um pouco na frustração que têm por terem fugido das suas terras natais.

No segundo volume, achei alguma piada às histórias stand-alone, uma com o João do Pé-de-Feijão, no século XIX, algo moralista, o que contrasta com o feitio trapaceiro do João; e a outra pegando nos Liliputianos e outros personagens de contos com tamanho diminuto, contando uma historinha bem fofa sobre uma das suas tradições.

Entre as outras duas histórias, a primeira envolve um jornalista que anda a rondar a Cidade das Fábulas e afirma ter provas daquilo que eles são (o palpite dele é... vampiros, heh). Alguns dos personagens tentam resolver a situação duma forma muito original e engenhosa. A segunda história mete o retorno da Cachinhos e a sua tentativa de vingança.

O melhor deste história foi o Barba Azul levar o que merece, porque não gosto mesmo nada dele. Também há a história dos valentes Liliputiano e o seu companheiro/montada. Ou o golpe do Príncipe Encantado, que se revelou completamente. E ainda a vingança da Cachinhos.

Pela negativa, não achei piadinha nenhuma ao desenvolvimento entre a Branca e o Lobo. Até estava a gostar do par e da sua evolução, mas depois o autor decide lançar uma bomba que não se coaduna nada com o tom até então apresentado. Se era suposto apimentar a relação, não resulta, é uma situação permanente que resulta de um momento de mau gosto e que poderia ser visto como uma violação por ambas as partes. Soa tão mal, e não sei como é possível ir daqui para a frente sem a relação ficar manchada por isto.

De qualquer modo continuo a sentir uma ligeira falta de intensidade, de ligação com o material, como senti no primeiro livro. Gosto de ler, acho piada às ligações e adaptações dos contos, mas não é algo que me apaixone, que me envolva e faça vibrar com a maneira como os contos são adaptados. Sinto que as coisas são apresentadas por vezes pela rama, e precisava que fossem mais exploradas e mais depressa. A ideia de escrever diferentes géneros de histórias e apresentar assim o mundo dos contos é boa, mas na execução deixa um pouco a desejar.

The Wicked + The Divine, Kieron Gillen, Jamie McKelvie, Matthew Wilson, Clayton Cowles
Tanta tinta tem corrido por aí por causa deste livro, e mesmo assim nada me dava uma ideia clara dele, ou o que esperar. Podia correr muito mal, ou correr muito bem. Felizmente é totalmente o segundo.

The Wicked + The Divine tem uma premissa fascinante. A cada noventa anos, os deuses renascem e reencarnam em corpos humanos, e vivem durante dois anos até terem de morrer, desaparecer e hibernar até à próxima aparição. Ideia só por si já bem boa, mas melhorada pela questão de que no tempo presente os deuses encarnam em super-estrelas, veneradas pelas massas, num processo semelhante e dissimilar à veneração de que eram alvo em tempos antigos.

O como não é muito explorado neste livro; mais as consequências da sua existência entre nós. Estas são pessoas que acabaram de descobrir que são poderosas, que são veneráveis, e isso tem um potencial explosivo enorme. Não há moral ou controlo, não pelos padrões humanos. Por outro lado, há uma doçura e uma inocência em certas facetas dos deuses, e isso é muito interessante de ver explorado.

Achei a Amaterasu tão curiosa, pois ao dar um concerto leva as pessoas a um transe transcendental, e tem um feitio tão doce. A Sakhmet é uma doida, no bom sentido, e gostei do que vi dela. Também encontrei um interesse particular na Morrigan/Badb/Annie, com as suas multiplas facetas e poderes. Ou na Ananke, integrante do grupo e ao mesmo tempo à parte deles. Mas a melhor mesmo é a Luci, com a sua bravata e atitude desafiadora. Contudo, o destaque deste Panteão foi a variedade de deuses de diferentes mitologias, e a diversidade de personagens que nos é apresentada.

A Laura como protagonista é perfeita. É-nos apresentada como uma fã dos deuses, e num concerto da Amaterasu consegue ser introduzida no backstage e conhecer alguns dos deuses. A sua posição de fã permite-nos uma introdução completa a este mundo sem aborrecer o leitor; e a sua perspectiva permite ainda assim acompanhar o mistério presente na narrativa e questionar o que não conhece ou compreende.

Além disso, a Laura é bastante decidida e pró-activa, fazendo avançar a narrativa, enquanto que o não ser um dos deuses permite-lhe algum distanciamento para avaliar as coisas (e fazer frente aos deuses quando estão a ser parvos). [Vi totalmente à distância aquele final para ela. Era tão óbvio. Mas estou curiosa para ver onde isto vai dar.]

Quanto à arte, só tenho a dizer que é tão bonita, linda mesmo. Tudo parece magnífico na página, as cores são maravilhosamente hipnotizantes, e o traço agrada-me muito. O planeamento das pranchas oscila entre o incomum e o ordinário, mas até as páginas com um aspecto mais normal dão a sensação de aquilo ter sido muito bem planeado, porque o ritmo de avanço das vinhetas me soou tão bem.