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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Curtas BD: Sandman. volumes 9 a 11, e Noites Sem Fim

Sandman v.9: As Benevolentes I, Neil Gaiman, Mark Hempel, D'Israeli, Glyn Dillon, Charles Vess, Dean Ormston
Sandman v.10: As Benevolentes II, Neil Gaiman, Mark Hempel, Richard Case, Teddy Kristiansen
Sandman v.11: A Vigília, Neil Gaiman, Michael Zulli, Jon J. Muth, Charles Vess, Kevin Nowlan
Sandman: Noites Sem Fim, Neil Gaiman, Glenn Fabry, Milo Manara, Miguelanxo Prado, Frank Quitely, P. Craig Russell, Bill Sienkiewicz, Barron Storey
Ah, é triste. Não gosto nada de perspectiva de não ter mais nada desta série por ler. Passei tão bons bocados com ela, diverti-me tanto, maravilhei-me com a quantidade (e qualidade) de coisas que comporta e com todas as ligações que faz... que até vai parecer estranho não ter mais uns livros dela nos próximos meses para ler.

Estes três volumes comportam a evolução natural da série para o seu fim inevitável, aquele que já se anunciava há muitas páginas. Talvez mesmo desde o início, ainda que não o soubesse. É como se o escritor tivesse (quem é que estamos a tentar enganar? de certeza que tinha) este fim em mente, e foi construindo o seu castelo, peça a peça, para cativar o leitor e depois fazer-lhe cair o castelo em cima, e o impacto ser maior. Estou oficialmente em luto desta série. (Bastante adequado, diria.)

A piada da coisa é que o personagem que é a modos que protagonista da série (é o nome dele no título, apesar do foco ir mudando um pouco) é a coisa mais... ingostável de sempre, resmungão, discreto, pouco aberto... e ainda assim, o Morpheus tem uma evolução a nossos olhos, é possível ver como a atitude dele muda ou se adapta à medida que a série avança; e o pensar de forma diferente faz com que haja uma certa inquietude na forma como age e se apresenta: e é isso que o faz tomar uma decisão drástica (ou nem tanto assim) no final. Tudo o que vimos antes contribuiu para isto, ainda que nada tivesse a ver.

As Benevolentes só peca por uma coisa: é um bocadinho longo. 13 números da revista de BD é um algarismo sugestivo, claro, e eu até tive sorte porque como dividiram o volume em dois isso acaba por quebrar a leitura; contudo, pergunto-me se não poderia ter sido contada de forma mais sucinta. (Arrasta um pouco, de vez em quando.)

Só não me queixo mais por uma coisa: porque o Gaiman e os artistas aproveitam para nos proporcionar o melhor volume possível. Do lado da escrita, indo buscar todos os personagens e mais alguns que tenham alguma vez aparecido na série. A sério, tanta gente. Foi bom rever tantos deles. Muitos só têm uma aparição (o Batman, o Clark Kent e o J'onn J'onzz aparecem no A Vigília), outros têm histórias tangenciais (foi muito bom poder rever a Rose Walker e a Nuala, mas até tenho pena de não saber como é que a Barbie está).

Também gostei muito da intervenção de outros personagens como o Matthew (grandessíssimo totó, lia uma série só com as aventuras dele), ou até do Coríntio, que dantes me arrepiava até mais não. A Delírio tem uma história um pouquinho triste, porque não acompanha o enredo principal - o que até pode não ser coisa má para a sua sanidade.

A Larissa - que conhecemos por outro nome -  tem uma intervenção interessante, porque as suas acções são marcadas por um conflito de interesses. É a mulher que anteriormente tinha sido aludida algures no volume 7 como uma paixão que correu mal. E a revelação dá logo uma panóplia de camadas e significados, especialmente às suas interacções ao longo da história... fascinante, especialmente pelo feitio e postura de ambos.

Oh... mas há tanta gente que aparece e que eu de certeza que não vou lembrar de fazer menção. A postura da Morte por toda a coisa é muito interessante. O Hob Gadling, por exemplo, tem direito a uma história extra, depois da vigília, em que se reencontra com a Morte e reflecte no que aconteceu. A reacção de todos os Eternos durante a situação da Vigília também é curiosa de acompanhar... e gostava tanto de ver o que se passou a seguir a isso.

Destaque ainda para os artistas destes volumes: a arte principal de As Benevolentes é enganadoramente simples e colorida, mas muito cativante; e a de A Vigília é aquele estilo desenhado/pintado que eu gosto tanto de ver.

Em Noites Sem Fim, Neil Gaiman escreveu uma história para cada Eterno, com vista a ser ilustrada por um artista diferente. A primeira é para a Morte e é das minhas favoritas, sobre um dia que se repete eternamente, mas como mesmo assim, ninguém escapa à Morte. O segundo conto é para o Desejo, e tem uma perspectiva fascinante de uma mulher que usa o desejo na sua vida... mas é ilustrada pelo Manara, e começo a ficar enjoada dele. É tão omnipresente e o estilo é tão único mas tão imutável... eh.

O terceiro conto é sobre o Sonho, decorrendo muito antes da acção principal da série. É sobre uma espécie de conclave de divindades/seres míticos que guiam o universo, e é sobre uma amante do Morpheus que o abandona, e é sobre o feudo criado entre ele e Desejo. É muito bom. Alguns dos seres são estrelas que iluminam sistemas solares como o nosso, ou o de Krypton.

O quarto, bem, a arte não é bem a minha onda. Muito abstracta para mim. Mas alguns painéis deixaram uma impressão, especialmente depois de ler o texto que acompanha. Até conseguem deixar uma impressão, apesar de tudo. Apreciei-os mais intelectualmente na sua maioria, mas alguns conseguiram dar um bom retrato de Desespero.

E o quinto, bem, é sobre a Delírio. Tão alucinado como ela. Mas isso quer dizer que a arte também é bastante abstracta e me passou largamente ao largo. Dá para entender a história no fim, mas a compreensão foi-me algo dificultada pelo formato er, "estranho" de apresentar a narrativa.

O sexto é sobre o Destruição e é intrigante, mas parece um capítulo duma aventura menor e quase que soube a pouco. Merecia ser alargado e melhor explorado. E o sétimo é sobre o Destino. Sobre o seu papel no grande esquema das coisas. É muito giro pela sua simplicidade.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 1, 2 e 3

A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que fiquei surpreendida com a parte inicial da história. É claramente a base para o início do filme deste ano, com o mesmo herói, e que até partilha do mesmo título. E digo surpreendida porque me recordo de ler alguns opiniões negativas sobre o filme em que fãs se queixavam de não reconhecer o personagem na tela que conheciam dos comics. O que acho estranho, tendo lido este livro. Parte do filme baseia-se em histórias do cânone do super-herói. Enfim... tenho de desistir de ler opiniões de filmes de super-heróis, está visto, porque me deixam sempre confusa.

Gostei muito do arco narrativo apresentado. É perfeito para uma leiga nas histórias do Super-Homem. Apresenta a juventude e descoberta dos poderes e origem do personagem; a sua procura por usar o que é capaz de fazer para o bem; e o seu estabelecimento como adulto em Metropolis, e o início da sua "carreira" como Super-Homem. Apreciei alguns pontos-chave, como a Lois e a sua persistência em conseguir um furo; o primeiro encontro com o Batman e o choque de personalidades que daí advém; a história da Lana Lang; e o que vislumbramos de Krypton e dos pais do Kal-El. Não apreciei nada o cabelo ruivo/vermelho/whatever do Lex Luthor. É a coisa mais arrepiante que jamais vi. Mas em geral, é um arco de história muito bem escolhido e que gostei de seguir.

Batman e Robin: Batman Renascido, Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan
Neste volume são incluídas duas histórias, ambas sob a mesma premissa: Bruce Wayne morreu. Dick Grayson, o primeiro Robin, assume o manto de Batman. Damian, o puto reguila e psicopata que aparentemente também é o filho de Bruce Wayne, assume o manto de Robin. E forma-se aqui uma dinâmica que me pareceu muito interessante.

Por um lado, temos o Dick, bastante menos mal-humorado que o Batman original, mas cheio de dúvidas sobre se conseguirá estar à altura do legado do Bruce. E depois temos o Damian, tremendamente arrogante, com alguma vontade de mandar o Dick à fava por causa das suas inseguranças e tornar-se ele mesmo no Batman. Como é que um puto de 10 anos consegue parecer o alfa nesta relação é que me deixa incrédula, mas resulta. Não gosto muito do Damien, pela tendência para resolver tudo pela violência que ele tem, mas acho que pode vir a aprender com o Dick. O espanto dele por o Dick lhe ter salvo a vida é qualquer coisa de engraçado.

Sobre os enredos em si, nada se destaca, o que é estranho, pois temos um circo do macabro e um antigo Robin à procura de vingança e de fazer as coisas à sua maneira. Mas toda aquela violência, com o colar e descolar caras, e comer caras, e pegar fogo a pessoas e tiros... deixou-me algo entorpecida. O importante aqui para mim foi o desenvolver da relação destes dois personagens, o resto foi paisagem.

Quanto à arte... já mencionei as minhas dificuldades com o Frank Quitely. Não gosto mesmo nada do modo como ele desenha caras, e a razão pela qual isso não me incomodou tanto aqui foi por o Batman e o Robin passarem o tempo mascarados. (E o vilão também.) É claro que o desenhador a seguir não me causou melhor impressão... há uma vinheta em que o Damian está sem máscara e parece um velho. Acho que é algo na maneira como sombreia a cara dos personagens. Fora isso, a coloração pareceu-me interessante.

Novos Titãs: Choque de Titãs, Geoff Johns, Mike McKone
Este é capaz de ser o título dos três que mais gostei. Drama adolescente é comigo. Gostei muito de conhecer o elenco de jovens que constitui o grupo. Uma parte deles até já conhecia de livros anteriores desta colecção.

O Kid Flash do Flash: Renascer, onde tive oportunidade de conhecer a mitologia dos personagens. Aqui ele teve de passar por muito. O joelho ferido e o modo como recupera. Aquela coisa que ele faz na biblioteca. (E que me fez invejá-lo e à sua memória fotográfica.) A Moça-Maravilha (odeio o termo Moça usado para super-heroínas, btw) já tinha aparecido no volume da Mulher-Maravilha, mas tanto aí, como aqui, em parte, parece-me algo indefinida. No fim já ganha alguma dimensão, com a interferência da Mulher-Maravilha, mas o conflito torna-se acerca de todos os jovens heróis, por isso é sol de pouca dura. Mas fiquei curiosa acerca do presente que recebe e que repercussões terá.

O Robin conheci no Crise de Identidade, em que uma tragédia pessoal o ataca. E no Batman: Herança Maldita, em que leva um enxerto de porrada do Damian (eu sabia que havia uma razão para não gostar daquele puto), se bem me lembro. Apesar de tudo, é capaz de ser o meu Robin favorito, dos que conheci. Há algo na sua história e na sua personalidade que me agrada - é tão meditabundo como o Batman, um nadinha nerd, e bastante esperto (gosto imenso de como ele engana e desafia a Estelar... e de como admite que mente ao Batman, sendo convincente... é preciso coragem para trocar as voltas ao Batman, de todas as pessoas).

Os outros conheço muito mal. O Superboy (aqui já não houve tradução parva por Super-Moço, pois não?), bem, acho que nunca me tinha cruzado com ele até agora. Tem uma história com paralelos à do Super-Homem, ou não fosse um dos personagens desse universo, está sob a "alçada" deste, e gostava de conhecer melhor a relação dos dois. O Mutano, a Estelar, o Ciborgue e a Ravena (que quase nem aparece, servindo apenas para lançar o arco de história que se segue ao que é apresentado neste livro) são personagens que nunca encontrei, acho. Os Teen Titans (também não gosto de Novos Titãs) é grupo com o qual nunca me cruzei.

A minha parte favorita do livro é mesmo a questão de um grupo de jovens com super-poderes a crescer e a tentar encontrar o seu lugar no mundo. O desenvolvimento dos personagens ao longo do livro, com as responsabilidades que encaram e os sarilhos que têm de enfrentar, foi o que me deixou interessada. Adorei a parte final, com o face-off com a Liga da Justiça e com cada sidekick adolescente a enfrentar o seu respectivo super-herói. É um momento de afirmação muito giro. E pontos bónus ao Nightwing por vir meter juízo nestas cabeças.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 1 e 2

Desde o ano passado, com a publicação da Colecção Heróis Marvel (Série I e Série II) pela parceria Levoir/Público, que ficou a expectativa de se fazer uma colecção semelhante para a DC. Que chega agora às bancas, à Quinta-feira, para apresentar uma série de histórias seleccionadas de vários personagens da editora. Estou bastante curiosa, conheço muito menos a DC e espero que esta colecção ajude um pouco a preencher essa lacuna.

Em jeito de primeiras impressões, parece-me que a qualidade de edição se mantém. A capa dura, o papel (que é tão bom que me cortei nele, coisa que nunca me acontece), e a impressão parecem-me igualmente bons. Nota-se uma diferença no número de páginas - ambos os livros que já li (e comentarei a seguir) têm talvez umas vinte páginas a menos que a média da colecção da Marvel. Calculo que é uma escolha calculada para manter o preço de capa (8,90€) e não ter de o subir.

Nota-se mais algum trabalho nas capas (algo que já se via na Série II, acho eu), com o uso de imagens "por trás" do fundo a cores e a preto. (Se bem que passava sem esse artifício no fundo preto. Pelo menos na lombada, onde fica estranho.) Tenho é saudades do símbolo do herói que colocavam nas lombadas da colecção da Marvel. Acho que aqui também podiam tê-lo feito. Não sou a maior fã do fundo azul para ambas as capas, pela repetição da cor e pelo símbolo da DC, que já é azul e se "perde" um bocado no meio da capa.

E agora sobre o nome da colecção - para a Marvel o ano passado eram "heróis", este ano para a DC são "super-heróis"? Mas isto  aqui há filhos e enteados ou alguém está aqui a tentar compensar alguma coisa? (LOL) Fora de brincadeiras, isto não me incomoda por aí além, mas fiquei intrigada com a mudança. Talvez tenha algo a ver com exigências da editora? No blogue de um dos organizadores da colecção há uma referência a exigências da DC quanto ao que podia ser abordado nos editoriais, por isso imagino que hajam outras directivas que tenham condicionado a produção da colecção.

Liga da Justiça - Terra Dois, Grant Morrison, Frank Quitely, Ed McGuinness
Gostava que tivesse havido alguma homogeneidade no uso da expressão "Terra Dois/2" ao longo do volume. Compreendo que o original em inglês é "Earth 2", e também compreendo que tenham preferido ter o 2 no título por extenso para evitar confusões com as histórias que estiverem divididas por dois volumes, e que são distinguidos com os numerais. Mas então que ficasse "Terra Dois" pelo livro todo, bolas, que confusão. É que fica a sensação que se está a falar de dois conceitos diferentes.

Gosto muito da premissa desta história, porque apresenta as histórias de super-heróis e as noções duais de bem e mal sob uma nova perspectiva. É muito interessante ver a inversão de papéis e acontecimentos entre as duas Terras, as reviravoltas que ocorrem devido a nesta outra Terra o mal vencer sempre, em vez do bem. Quis ler mais sobre este mundo, soube-me a pouco e acho que seria fascinante conhecê-lo.

Sobre a arte, não sou a maior fã do desenhador. Reconheci-o da série Novos X-Men e não gosto muito da maneira como desenha as caras. Faz os olhos muito pequenos, desproporcionais para o tamanho da cara, e não têm expressividade nenhuma. Os olhos dos personagens parecem-me todos iguais e dão a sensação que estão sempre todos zangados.

Sobre a segunda história, JLA: Classified, não me captou tanto a atenção. Gostei da ideia de conhecer uma equipa de super-heróis que não a JLA, mas senti que estava a começar a história in media res e que não havia suporte suficiente para um leitor ocasional se aperceber de certas coisas. De onde veio esta equipa? De onde veio o vilão? A situação que tem de ser resolvida é apresentada de forma desconexa e não ajuda a perceber as coisas.

Por outro lado, gostei muito da arte, particularmente do dinamismo do desenho e do trabalho com as vinhetas e a sua orientação na página. Lembro-me de uma página em que as vinhetas eram as faces dum cubo em perspectiva isométrica. Ou uma em que as vinhetas eram o símbolo do Batman. Ou umas páginas com 4x4 vinhetas.

Batman - Herança Maldita, Grant Morrison, Neil Gaiman, Andy Kubert
A história titular, Herança Maldita, acaba por ser outra que me deu a sensação de lhe faltar um bocadinho de trabalho expositivo e de começar a história a meio. Achei a história apressada e que podia ser melhor desenvolvida. É uma ideia interessante, a do Batman ter um filho. Mas nem sequer vemos grande reacção do Batman a isto.

A história é só basicamente o puto a arranjar sarilhos, dar cabo do Robin e no fim o Batman aperceber-se dos motivos ulteriores da mãe do miúdo. E fim. Quero dizer, acontece uma coisa séria ao Robin, mas a história rapidamente varre-o para baixo do tapete e não há impacto emocional nenhum. Por outro lado, em termos de arte, gostei do trabalho de sombras e de algumas vinhetas de página inteira.

No entanto, adorei a segunda história, O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?. É uma ideia tão, tão boa - apresentando na mesma história uma reflexão sobre a mortalidade do Batman, a natureza cíclica das histórias de super-heróis, e como a diferente perspectiva das pessoas forma memórias diferentes. As histórias contadas no funeral são fascinantes de seguir (especialmente a do Alfred, o mordomo). Uma história mesmo boa, 5 estrelas.

A arte agradou-me, aqui também pela projecção das vinhetas na página e do uso das silhuetas do Batman. A coloração tem em geral um tom escurecido, mas adequa-se à história.